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LeCoultre & Cº. | 24 Horas | 1890 | Prata

Atualizado: 12 de jun. de 2022

Série: GRANGES MARCAS

 

Sílvio Pereira



- Relógio de Bolso tipo Lepine. 24 horas. Datado de 1890

- Funções: Horas (mostrador 24h), minutos.

- Número de Série: 88387

- Manufactura: LeCoultre & Cª.

- País - Suiça

- Calibre: Formato Pontes revólver. S/ número

- Protecção do movimento: Guarda pó em prata de 0.900 pureza

- Tipo de Escape: Âncora Suiça

- Balanço: Bimetálico termo-compensado, com espiral Breguet

- Reserva de Marcha: 36 horas

- Frequência: 18000 A/h

- Rubis: 21

- Material da caixa: Prata 0.900

- Mostrador: esmalte sem imperfeições ou cabelos

- Pequenos segundos: Não tem

- Diâmetro da caixa: 48mm

- Espessura: 14mm

- Peso: 89,26g

- A mola real é accionada através de coroa às 12 horas.

- Ponteiros: Minutos em forma de sabre. Horas em forma de pêra. Accionados pela coroa após desbloqueio por pino às 11,00h

- Numerais: Arábicos pretos para as 24 horas. Arábicos vermelhos de 1 a 12 horas do lado esquerdo do mostrador. Minutos: Indexes.

- Vidro: Em óptimo estado.

- Numeração da tampa de caixa: 88387


Apreciação geral - Relógio de uma das marcas mais importantes da relojoaria mundial, excelente estado de conservação.


 

HISTÓRIA DA JAEGER-LECOULTRE





A família LeCoultre


Os mais antigos registos que atestam a presença da família LeCoultre na Suíça datam do século XVI. Abalado pelas perseguições religiosas que atingem os huguenotes, Pierre LeCoultre (cerca de 1530 – cerca de 1600) deixa Lizy-sur-Ourcq rumo a Genebra. Em 1558, obtém o título da "burguesia" de Genebra, mas, após um ano, deixa a cidade para adquirir um terreno no Vallée de Joux. Pouco a pouco, uma pequena comunidade forma-se e o filho de Pierre LeCoultre constrói uma igreja na região em 1612. Esse evento marca a fundação da localidade batizada de Le Sentier, onde hoje se encontra a Manufatura da empresa.


Antoine LeCoultre


A Manufactura (a Grand Maison)


Em 1833, pouco tempo após ter inventado uma máquina em aço para cortar pinhões, Antoine LeCoultre (1803-1881) funda um pequeno atelier de relojoaria em Le Sentier, no qual aprimora as suas habilidades ao criar relógios de qualidade superior. Em 1844, inventa o instrumento de medição mais preciso do mundo, chamado "millionomètre". No mesmo ano inventa um sistema que dispensa o uso de chaves para dar corda e ajustar um relógio. Quatro anos mais tarde, durante a primeira exposição universal em Londres, recebe uma medalha de ouro pelo seu trabalho sobre a precisão e a mecanização na relojoaria.


Em 1866, numa época em que os diversos ofícios se encontravam dispersos em centenas de pequenos ateliês, Antoine e o seu filho Elie LeCoultre (1842-1917) fundam a primeira manufatura do Vallée de Joux, a LeCoultre & Cie., que reúne todos os artesãos sob um único e mesmo teto. Assim, em 1870, a Manufatura desenvolve os primeiros procedimentos de fabrico parcialmente mecanizados para movimentos com complicações.


"Grand Maison" em Le Sentier


No mesmo ano, a Manufatura já empregava 500 pessoas. Em 1900, a Grande Maison do Vallée de Joux, como era conhecida na época, já havia criado mais de 350 calibres diferentes, dos quais 128 eram equipados com a função de cronógrafo e 99 com um mecanismo de repetição. De 1902 até os anos 1930, a LeCoultre & Cie. produziu a maioria dos esboços de relógios para da marca genebrina Patek Philippe.


Jaeger-LeCoultre


Edmond Jaeger


Em 1903, Edmond Jaeger, relojoeiro parisiense e fornecedor oficial da marinha francesa, desafiou as relojoarias suíças a desenvolver e produzir os movimentos ultrafinos que ele havia inventado.

Jacques-David LeCoultre, neto de Antoine e responsável pela produção da LeCoultre & Cie., aceita o desafio e cria uma série de relógios de bolso ultrafinos. Em 1907, a LeCoultre & Cie. apresenta o relógio mais fino do mundo, equipado com um calibre LeCoultre Calibre 145.


No mesmo ano, o joalheiro Cartier, que figura entre os clientes de Jaeger, assina com este um contrato que estipula que todos os movimentos criados por Jaeger durante um período de 15 anos serão reservados com exclusividade para Cartier. Jaeger confia o fabrico desses movimentos a LeCoultre.

Como consequência dessa colaboração, a marca é oficialmente rebatizada como Jaeger-LeCoultre em 1937. Contudo, na América do Norte, os modelos da marca continuarão a ser vendidos com nome LeCoultre até 1985. Segundo os arquivos, o último movimento utilizado por um relógio LeCoultre americano foi enviado pela Manufatura de Le Sentier em 1976.


Certos colecionadores e revendedores mal informados divulgaram que a marca americana LeCoultre não tinha nenhuma ligação com a marca suíça Jaeger-LeCoultre. Essa confusão nasceu nos anos 1950. Na época, a distribuição dos relógios LeCoultre na América do Norte era realizada pelo grupo Longines-Wittnauer, encarregado também de distribuir os relógios da Vacheron Constantin. Os colecionadores confundiram o nome da distribuidora com o nome do fabricante. Segundo Zaf Basha, grande especialista na história da Jaeger-LeCoultre, o Galaxy, um misterioso relógio de luxo dotado de um mostrador cravejado de diamantes, foi fruto de uma colaboração entre a Vacheron Constantin e a LeCoultre para o mercado americano. Pode-se ler "LeCoultre" no mostrador e "Vacheron Constantin – LeCoultre" na caixa. O nome LeCoultre desapareceu definitivamente em 1985 para dar lugar ao nome Jaeger-LeCoultre.


Invenções


Desde a fundação da Jaeger-LeCoultre, a marca produziu mais de 1.242 calibres diferentes, registou cerca de 400 patentes e criou centenas de invenções.


Millionomètre


"Millionomètre"


Inventado por Antoine LeCoultre em 1844, o "millionomètre" foi o primeiro instrumento da história capaz de medir micrómetros, permitindo, assim, o aperfeiçoamento do fabrico dos componentes dos relógios. Essa invenção nunca foi patenteada, pois, naquela época, a Suíça não possuía nenhum sistema de homologação oficial. Contudo, o seu procedimento único de fabrico foi zelosamente guardado e utilizado pela marca durante mais de 50 anos. O "millionométre" foi apresentado na Exposition Universelle de Paris em 1900 .


Relógio sem chave


Relógio com realimentação da corda e acerto de horas através da coroa com pino de desbloqueio da tige para acerto horário dos ponteiros


Em 1847 Antoine LeCoultre inventa o relógio sem chave, dotado do primeiro sistema de ajuste de horas e de corda ao mesmo tempo simples e confiável. No lugar do dispositivo clássico, encontra-se um pequeno botão que ativa uma alavanca que permite passar de uma função à outra. Mais uma vez, a invenção não é patenteada e outros relojoeiros não demoram a utilizar este sistema.


Calibre 145 LeCoultre


Calibre 145 LeCoultre


Em 1907, o Calibre 145 LeCoultre estabelece o recorde do movimento mais fino do mundo, com apenas 1,38 mm de espessura. É integrado em relógios de bolso que permanecem, até hoje, como os mais finos de sua categoria. De 1907 até os anos 1960, foram produzidos 400 exemplares desse movimento.


Grandes Complicações


Em 1866, pela primeira vez na história da relojoaria, a LeCoultre & Cie. começa a produzir calibres com pequenas complicações em quantidades reduzidas. Em 1891, a manufatura cria um calibre munido de uma dupla complicação: cronógrafo e repetição de minutos.

Em meados dos anos de 1890, a LeCoultre & Cie. desenvolve relógios com grandes complicações, que compreendem pelo menos três complicações clássicas, tais como o calendário perpétuo, o cronógrafo e a repetição de minutos.


Gyrotourbillon I


Gyrotourbillon I


Em 2004, a Manufatura cria o Gyrotourbillon I, o seu primeiro relógio de pulso com grande complicação, munido de um turbilhão que gravita em torno de dois eixos e de um calendário perpétuo com dupla exibição retrógrada e equação do tempo "marchante".


Reverso grande complication à "triptíco"


Reverso grande complication à "triptíco"


Em 2006, a Jaeger-LeCoultre apresenta o Reverso grande complication à "triptíco", primeiro relógio na história no qual três mostradores são animados por um único movimento.


Hybris Mechanica à Grande Sonnerie


Hybris Mechanica à Grande Sonnerie


Em 2009, a marca lança o relógio de pulso mais complicado do mundo, o Hybris Mechanica à Grande Sonnerie, munido de 26 complicações.


Modelos históricos


Reverso


Reverso


O reverso, cujo nome significa "eu giro em torno de mim mesmo" em latim, foi concebido em 1931 para resistir aos choques inerentes a uma partida de polo: a caixa pode girar ao redor de si mesma de modo a manter o mostrador protegido. Considerado como um objeto emblemático da estética Art Déco, o Reverso ainda é fabricado atualmente.


Duoplan


Duoplan


Em 1925, a LeCoultre & Cie. desenvolve o Calibre 7BF Duoplan LeCoultre a fim de conciliar miniaturização e precisão. Na época estavam na moda os relógios de pulso de pequenas dimensões. Muitas vezes, no entanto, faltava confiabilidade aos pequenos calibres. Criado por Henri Rodanet, diretor técnico dos Établissements Ed. Jaeger, o Duoplan foi disposto em dois níveis a fim de manter um equilíbrio comparável ao dos calibres de dimensões normais.


O Duoplan foi também um dos primeiros relógios de aço cravejados de pedras preciosas. Em 1929, o seu vidro foi substituído por um vidro de safira, uma grande inovação na relojoaria. O Duoplan era segurado pela Lloyds of London e contava com um serviço especial de pós-venda. Era possível substituir um movimento avariado em poucos minutos. Podia-se até mesmo ler a seguinte frase na vitrine da loja Tyme, em Londres: "O seu relógio será reparado antes que você termine de fumar um cigarro".


Calibre 101


Calibre 101


Após o Duoplan, a LeCoultre & Cie. apresenta, em 1929, o Calibre 101, cujos 74 componentes (atualmente, são 98) pesam somente cerca de 1 grama. Trata-se, ainda hoje, do menor movimento mecânico do mundo. Em 1930, aparece a segunda coleção de relógios equipados com o Calibre 101: a série Joaillerie 101 Étrier. Em 1952, a rainha Elizabeth II da Inglaterra usou o relógio de pulso Jaeger-LeCoultre Calibre 101 no dia de sua coroação.


Atmos


Atmos (exemplar de propriedade do autor do artigo)


O relógio de pêndulo Atmos possui um movimento quase perpétuo que não requer nenhuma intervenção humana e praticamente nenhuma energia. Inventado pelo engenheiro suíço Jean-Léon Reutter em 1928 em Neuchâtel, o Atmos foi adoptado em 1950 pelo governo suíço como presente oficial a visitantes ilustres. A versão original, patenteada em 1928 e conhecida atualmente pelo nome de Atmos 1, foi comercializada pela Compagnie Générale de Radiologie (CGR) em 1930.


As suas patentes foram compradas pela Jaeger-LeCoultre em França em 1936 e na Suíça em 1937. Em seguida, a Jaeger-LeCoultre passará dez anos a aperfeiçoar o relógio de pêndulo antes de produzi-lo, a partir de 1946, na sua forma atual.

Em 1988, a agência de design Kohler & Rekow cria um gabinete em edição limitada a dois exemplares para o relógio de pêndulo. Em 2003, a Manufatura desenvolve o Atmos Mystérieuse, animado pelo Calibre 583 Jaeger-LeCoultre, que é composto por 1460 componentes.


Atmos Mystérieuse


O relógio é acionado por uma mola principal, que é enrolada pela expansão e contração de cloreto de etila líquido e gasoso num depósito interno de metal hermeticamente fechado . O cloreto de etila vaporiza numa câmara de expansão à medida que a temperatura sobe, comprimindo uma mola em espiral; com uma queda na temperatura, o gás condensa e a mola em espiral expande-se, enrolando a mola principal. Este movimento constante enrola a mola principal. Uma variação de temperatura de apenas um grau na faixa entre 15° C e 30° C, ou uma variação de pressão de 3 mmHg , é suficiente para dois dias de actividade.


Para funcionar o relógio com essa pequena quantidade de energia, tudo no Atmos deve ser o mais livre de fricção possível. Como oscilador usa um pêndulo de torção, que consome menos energia do que um pêndulo comum. O pêndulo de torção tem um período de precisamente um minuto; trinta segundos para girar numa direção e trinta segundos para retornar à posição inicial. Isso é trinta vezes mais lento do que o pêndulo de 0,994 m de segundos normalmente encontrado num relógio de caixa alta , onde cada oscilação (ou meio período) leva um segundo.


O primeiro relógio movido a mudanças na pressão atmosférica e temperatura foi inventado por Cornelis Drebbel no início do século XVII. Drebbel construiu 18 exemplares, sendo os dois mais notáveis ​​para o rei Jaime VI e I da Grã-Bretanha e para Rodolfo II da Boêmia . O relógio King James era conhecido como Eltham Perpetuum e era famoso em toda a Europa. É mencionado em duas obras de Ben Jonson.



Esboço de um Eltham Perpetuum de Cornelis Drebbel


Os relógios alimentados pela pressão atmosférica e mudanças de temperatura foram posteriormente desenvolvidos por Pierre de Rivaz em 1740, e por James Cox e John Joseph Merlin (o relógio de Cox) na década de 1760. O Beverly Clock em Dunedin, Nova Zelândia, ainda está a funcionar, apesar de nunca ter sido enrolado manualmente desde sua construção em 1864.


O Beverly Clock


O primeiro relógio Atmos foi projetado por Jean-Léon Reutter, um engenheiro em Neuchâtel, Suíça, em 1928. Este protótipo não comercial, que antecedeu o nome Atmos, que agora é conhecido, não oficialmente, como Atmos 0, era acionado por um dispositivo de expansão de mercúrio em vidro. O mecanismo funcionava apenas com mudanças de temperatura.


O Atmos 0 de Jean-Léon Reutter


Em 1 de junho de 1929, a Compagnie Générale de Radio (CGR) de França começou a fabricar o primeiro modelo comercial, Atmos 1, que usava uma fonte de energia de fole de mercúrio e amônia. Em 27 de julho de 1935, a Jaeger-LeCoultre assumiu a produção do Atmos 1 enquanto desenvolvia um segundo projeto que usava a atual fonte de energia de cloreto de etila. Este modelo mais tarde denominado Atmos 2, foi anunciado em 15 de janeiro de 1936, mas os problemas atrasaram a produção total até meados de 1939. Os modelos subsequentes foram baseados neste projeto. Até o momento, mais de 500.000 relógios Atmos foram produzidos.


Estes relógios têm um valor elevado e talvez por isso, mas também pela sua singularidade, são normalmente utilizados pelo governo Suíço como oferta para altos dignitários de governos de outros países.


Memóvox


Memovox Calibre 815


Em 1950, a Manufatura apresenta o Memovox, ou "voz da memória" em latim. O seu surpreendente mecanismo pode ser utilizado como alarme durante a manhã ou como alerta para compromissos. Os primeiros modelos com corda manual eram dotados de um Calibre 489 Jaeger-LeCoultre.


Em 1956, um Memovox equipado com um Calibre 815 Jaeger-LeCoultre torna-se o primeiro relógio de corda automática com alarme na história da relojoaria.


Memovox World Time


Pouco tempo mais tarde, a marca celebra seu 125º aniversário com a apresentação do Memovox Worldtime.


Memovox Deep Sea


Em 1959, a Jaeger-LeCoultre lança o Memovox Deep Sea, que possui um alarme especial para indicar aos mergulhadores o momento de retornar à superfície.


Memovox Polaris


Em 1965, a Manufatura patenteia uma versão do Memovox Polaris com fundo triplo, que amplifica o sinal sonoro debaixo da água.


Master Compressor



Amvox


Esse modelo inspirará, em seguida, as coleções Master Compressor e AMVOX. Será reeditado em 2008 com o nome de Memovox Tribute to Polaris.


Geophysic


Geophysic


Em homenagem ao Ano Internacional da Geofísica de 1958, a Jaeger-LeCoultre cria um relógio resistente à água, aos choques e aos campos magnéticos. O cronómetro Geophysic foi proposto por Jules-César Savary, relojoeiro de longa data da Jaeger-LeCoultre, com o objetivo de contribuir para as pesquisas científicas na Antártica. Animado por um Calibre 478BWS Jaeger-LeCoultre, o relógio era equipado com 17 rubis, uma espiral Breguet, uma mola reguladora sobre a ponte do balanço, um amortecedor e um balanço de Glucydur. No ano do seu lançamento, o cronómetro Geophysic foi oferecido a William R. Anderson, capitão do USS Nautilus (SSN-571), o primeiro submarino nuclear americano a ligar os oceanos Pacífico e Atlântico através do Polo Norte.


Geophysic Universal Time



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