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Século XVIII, o século dos grandes relojoeiros (3ª Parte)

Por: Sílvio Pereira

 


 

Na continuação da série de artigos dedicados à história da relojoaria do Séc. XVIII, o século dos grandes relojoeiros, exploramos nesta terceira parte o contributo que John Harrison, e seus discípulos, deram para tornar as viagens marítimas mais precisas e mais seguras através dos seus H1, 2, 3, 4 e 5. O problema da medição da longitude foi sempre um desafio para governos e responsáveis na área da navegação marítima desse tempo, motivando os chorudos prémios atribuídos a quem a conseguisse determinar de forma o mais precisa possível, e aí, o grande pioneiro foi efectivamente John Harrison.

 

Benjamin Vulliamy 1747-1811


Desde jovem, Benjamin Vulliamy demonstrou interesse em seguir os passos do pai no ofício de relojoeiro. Quando adulto, começou a ganhar reconhecimento como um hábil construtor de relógios de lareira e peças decorativas que adornavam os salões da alta sociedade da época (atualmente, algumas peças podem ser encontradas no Derby Museum and Art Gallery). O seu talento excecional levou-o a ser nomeado relojoeiro real em 1773, recebendo uma generosa doação anual de 150 libras pelo Rei Jorge III (existia uma distinção semelhante, Relojoeiro Real, então detida por George Lindsay).


O rei Jorge III, um entusiasta de relógios e dispositivos mecânicos, tornou-se patrono de Justin Vulliamy, valorizando o seu trabalho e talento. No entanto, é importante mencionar que a honra de receber a nomeação real e a doação anual foi concedida exclusivamente a Benjamin Vulliamy.


Por volta de 1780 Benjamin entrou na sociedade “Vulliamy & Son”.


Em dezembro de 1790, comprou uma parte das ações de Larcum Kendall, que foram leiloadas após a morte deste. Benjamin e o seu filho trabalharam juntos até a morte de Justin, em 01/12/1797. Durante essa data, assinavam os seus trabalhos apenas como “Vulliamy”.


Por volta de 1780, a família Vulliamy foi contratada para construir o Regulator Clock, conhecido como o principal cronómetro do King's Observatory Kew. Esse relógio serviu como Meridiano Principal e foi responsável pelo horário oficial de Londres até 1884, quando o Greenwich Royal Observatory assumiu essas funções.


Após a morte de Justin, Benjamin Lewis Vulliamy assumiu o negócio em 1801.


Justin & Benjamin Vulliamy, Londres, Código: sus, 1785


Este é um relógio verdadeiramente sofisticado, com movimento de cilindro em latão dourado (diâmetro 46mm), proporcionando um toque de luxo ao design. O escape meticulosamente projetado em latão com 15 dentes, contribui para uma precisão excepcional sendo conhecido pela sua eficiência e confiabilidade.


Cada detalhe é uma obra-prima da engenharia relojoeira, com joias cuidadosamente integradas no sistema de balanço e escape. Essas preciosas joias são responsáveis por minimizar o atrito e o desgaste das partes móveis, melhorando a precisão e prolongando da vida útil do relógio.

Os pilares foram projetados num elegante balaústre, conferindo um visual refinado e imponente. O balanço, feito de aço de alta qualidade, sustenta uma oscilação estável e precisa, elevando o desempenho a um nível superior. Além disso, a mola de balanço em espiral, assegura uma acção suave e uniforme.


O mostrador, clássico e atemporal, é cuidadosamente esmaltado para um acabamento impecável. Essa superfície esmaltada não adiciona apenas um toque de elegância, mas proporciona durabilidade e resistência, mantendo a legibilidade perfeita ao longo dos anos.


O Problema da Longitude, o desenvolvimento do Cronómetro


A medição da longitude tornou-se um desafio crítico quando as pessoas começaram a viajar em rotas transoceânicas.


Determinar a latitude era relativamente fácil, pois podia ser encontrada a partir da altitude do sol ao meio-dia, utilizando tabelas que forneciam a declinação solar para o dia em questão. No entanto, a determinação da longitude era um problema complexo que requeria métodos imprecisos, como o cálculo do “número morto”[1], especialmente em viagens longas que se distanciavam da costa. Infelizmente, essas viagens frequentemente resultavam em tragédias. Era de suma importância encontrar uma solução adequada para determinar a longitude com maior precisão.


Gemma Frisius


Para determinar a longitude durante uma viagem marítima, várias ideias foram propostas ao longo do tempo. Métodos anteriores procuraram comparar a hora local com a hora conhecida num determinado ponto, como Greenwich ou Paris, com base numa teoria simples introduzida por Gemma Frisius (1508–1555, matemático holandês). Esses métodos dependiam de observações astronómicas que se fundamentavam na natureza previsível do movimento de diferentes corpos celestes. No entanto, apresentavam desafios devido à dificuldade em estimar com precisão o tempo no local determinado.


O Prémio Longitude foi uma recompensa de 20.000 libras oferecida pelo governo britânico como incentivo para o desenvolvimento de um método preciso e prático para determinar a longitude de um navio.


Após o desastre naval de Scilly em 1707, que resultou na perda de quase 2.000 marinheiros, a questão da determinação da longitude voltou a receber atenção.


O prémio foi estabelecido através de uma Lei do Parlamento (a Lei da Longitude) em julho de 1714 e a sua administração foi confiada ao Conselho de Longitude (conforme documento acima).


É importante notar que o Prémio Longitude não foi o primeiro do tipo a ser oferecido. No passado, o rei Filipe II de Espanha ofereceu um prémio em 1567, enquanto o rei Filipe III ofereceu 6.000 ducados e uma pensão em 1598. Além disso, os Estados Gerais da Holanda ofereceram 10.000 florins. No entanto, apesar desses generosos prémios, nenhum método satisfatório para a determinação da longitude havia sido descoberto até então. Ainda assim, algumas pessoas receberam recompensas menores para continuar as suas pesquisas nesse campo.


John Harrison decidiu enfrentar o desafio da determinação da longitude, desenvolvendo um relógio confiável capaz de marcar o tempo num local específico. Enfrentou dificuldades ao tentar criar um relógio que não fosse afectado por variações de temperatura, pressão ou humidade, que permanecesse preciso durante longos períodos, resistisse à corrosão causada pelo ar salgado e pudesse funcionar efectivamente a bordo de um navio em constante movimento. Muitos cientistas, incluindo Isaac Newton e Christiaan Huygens, expressaram dúvidas quanto à possibilidade de construir tal relógio e favoreceram outros métodos, como o uso das distâncias lunares, para calcular a longitude. Huygens conduziu testes utilizando um pêndulo e um relógio de mola espiral como métodos de determinar a longitude, mas ambos produziram resultados inconsistentes.


Newton afirmou que:
“uma boa vigília pode servir para fazer contas no mar durante alguns dias e saber a hora de uma observação celeste; e para este fim uma boa jóia pode ser suficiente até que um tipo melhor de relógio possa ser encontrado. Mas quando a longitude no mar é perdida, ela não pode ser encontrada novamente por nenhum relógio”.

John Harrison 3. 4. 1693 – 24. 3. 1776


John Harrison nasceu em Foulby, em West Yorkshire. O seu pai trabalhava como carpinteiro numa propriedade próxima, em Nostell Priory.


Por volta de 1700, a família Harrison mudou-se para a vila de Barrow upon Humber, em Lincolnshire.


Seguindo os passos do seu pai, Harrison também se tornou carpinteiro e, nos tempos livres, construía e consertava relógios. Menciona-se que aos seis anos de idade, enquanto se recuperava da varíola, recebeu um relógio como presente e passou horas ouvindo-o e estudando as suas partes móveis.


Foi somente aos vinte anos, em 1713, que Harrison construiu o primeiro relógio de caixa alta. O mecanismo era inteiramente feito de madeira, o que era uma escolha natural de material com que estava familiarizado.


Relógio de madeira de J. Harrison, 1715, Science Museum, Londres


Três dos primeiros relógios de madeira de Harrison sobreviveram até hoje. O primeiro, criado em 1713 está actualmente na colecção da Worshipful Company of Clockmakers no Guildhall. O segundo, produzido em 1715, pode ser encontrado no Museu da Ciência. O terceiro, construído em 1717, está localizado em Nostell Priory em Yorkshire, e possui a inscrição “John Harrison, Barrow”, no mostrador.


No início da década de 1720, Harrison foi contratado para criar um novo relógio de torre em Brocklesby Park, North Lincolnshire. Surpreendentemente, esse relógio ainda funciona até aos dias de hoje. Assim como os relógios anteriores, o mecanismo deste é feito em madeira de carvalho e lignum vitae (significa “madeira da vida”, uma madeira dura e densa), uma madeira extremamente robusta.


Durante o período de 1725 e 1728, John Harrison e o seu irmão James, que também era um habilidoso marceneiro, construíram pelo menos três relógios de caixa alta de precisão. Esses relógios, também apresentavam movimentos e caixas altas feitos de carvalho e lignum vitae.


Durante esse período, Harrison desenvolveu o pêndulo "grade-ferro"[2]. Esses relógios de precisão são considerados por alguns como os mais precisos do mundo naquela época, superando até mesmo o famoso H4, pelo qual Harrison ficou conhecido.


Harrison era um homem dotado de diversos talentos, e utilizou esses talentos de maneira sistemática para aprimorar o desempenho dos relógios de pêndulo.


Um exemplo brilhante do seu génio inventivo foi o desenvolvimento do "escape de gafanhoto", um dispositivo de controle que permitia libertar gradualmente a força motriz de um relógio. Esse escape foi uma evolução do escape de âncora, embora apresentasse uma caraterística única: quase não tinha atrito, o que eliminava a necessidade de lubrificação, uma vez que as palhetas eram feitas de lignum vitae.


Essa inovação era particularmente significativa na época, pois os lubrificantes e a forma como se degradavam suscitavam reclamações. Portanto, o fato de o escape de gafanhoto não exigir lubrificação representava uma vantagem importante.


Em 1730, John Harrison concebeu um relógio marítimo para competir pelo “Prémio Longitude” e viajou para Londres à procura de apoio financeiro. Apresentou as suas ideias a Edmond Halley (é lembrado por calcular a órbita de um cometa periódico, que agora é conhecido como o cometa Halley), o Astrónomo Real, que o encaminhou a George Graham. Graham deve ter ficado impressionado com as ideias de Harrison, pois emprestou-lhe dinheiro para construir um modelo do seu “relógio marítimo”.


O relógio de Harrison era uma tentativa de criar uma versão marítima dos relógios de pêndulo em madeira, que eram altamente precisos. Para isso, utilizou rodas de madeira, pinhões[3] e uma versão do escape de gafanhoto. Em vez de um pêndulo, usou dois balanços de halteres[4] interligados.



Harrison demorou cinco anos a construir o primeiro relógio marítimo, conhecido como Sea Clock, ou H1. Apresentou-o aos membros da Royal Society que, em seu nome, o apresentaram ao Conselho de Longitude. O relógio foi a primeira proposta considerada pelo Conselho como digna de ser testada em alto-mar.


Em 1736, Harrison partiu para Lisboa a bordo do HMS Centurion e voltou no HMS Orford. No regresso, tanto o capitão quanto o mestre de navegação do Orford elogiaram o projeto. O comandante observou que os seus próprios cálculos haviam colocado o navio sessenta milhas a leste do verdadeiro destino, enquanto Harrison, usando o H1, havia previsto correctamente a localização.



Embora essa não tenha sido a viagem transatlântica exigida pelo Conselho de Longitude, ficaram impressionados o suficiente para conceder a Harrison 500 libras para continuar o desenvolvimento.


Harrison passou a trabalhar no H2, uma versão mais compacta e resistente. Após três anos de construção e dois de testes em terra, o H2 ficou concluído em 1741. No entanto, nessa altura a Grã-Bretanha estava em guerra com a Espanha na Guerra da Sucessão Austríaca, e o mecanismo foi considerado tão importante que não poderia correr o risco de cair nas mãos dos espanhóis.


De qualquer forma, Harrison abandonou subitamente todo o trabalho nessa segunda máquina quando descobriu uma séria falha de projeto no conceito dos balanços de barra[5]



Harrison não havia percebido que a ação do ar proveniente do navio poderia afetar o período de oscilação dos balanços de barra. Esse entendimento levou-o a adotar balanços circulares no terceiro relógio marítimo, o H3.


Como reconhecimento pela sua contribuição, recebeu um acréscimo de 500 libras do Conselho.


Enquanto aguardava o fim da guerra, começou a trabalhar no H3.


Harrison dedicou 17 anos ao desenvolvimento deste terceiro relógio marítimo, mas, apesar de todos os esforços, não obteve o resultado desejado. No entanto, nesta máquina, deixou dois legados duradouros para o mundo: o volante bimetálico e o rolamento de esferas com gaiola[6].


A falha dos relógios marítimos 1, 2 e 3 deveu-se principalmente ao fato de que os balanços, embora grandes, não vibravam com rapidez suficiente para conferir a estabilidade necessária à cronometragem precisa.


Por volta de 1750, Harrison chegou a essa conclusão e abandonou a ideia do “relógio marítimo” como cronómetro. Percebeu que um cronómetro do tamanho de um relógio de bolso teria mais sucesso, pois poderia incorporar um balanço menor, mas que oscilasse a uma velocidade muito maior. Um relógio de bolso também seria mais prático, atendendo aos requisitos exigidos pela Lei da Longitude de 1714.


Depois de extensivas pesquisas ao longo de trinta anos, Harrison decidiu mudar-se para Londres. Para sua surpresa, descobriu que alguns dos relógios produzidos por Thomas Mudge, o sucessor de Graham, eram capazes de medir o tempo com a mesma precisão que os seus enormes relógios marítimos. Isso tornou-se possível devido à disponibilidade do novo aço “Huntsman” ou “Crucible”, produzido por Benjamin Huntsman, no início da década de 1740. Esse avanço permitiu a produção de pinhões mais resistentes e, mais importante ainda, um escape de cilindro altamente polido, de aço mais resistente.


Harrison, percebeu que um relógio de bolso, poderia ser suficientemente preciso para a tarefa e representava uma opção muito mais prática como cronómetro marítimo. Decidiu redesenhar o conceito do relógio como um dispositivo de cronometragem, baseando-se em sólidos princípios científicos.


Todos os relógios assinados por John Harrison estão atualmente em coleções públicas.

O seu filho William, também construiu dois relógios que sobreviveram: um deles faz parte de uma cpública, enquanto o outro pertence a uma colecção privada britânica.


Durante a sua vida, Harrison recebeu várias bolsas, totalizando 23.000 libras, para continuar a pesquisa pelo cronómetro perfeito e na esperança de ganhar o Prémio Longitude. No entanto, embora tenha feito contribuições significativas para a cronometragem marítima, Harrison nunca recebeu oficialmente esse prémio.


O relógio 'Jefferys'



Em 1752-53, Harrison projectou um relógio de segundos de alta precisão para uso pessoal e contratou o relojoeiro londrino John Jefferys para o fabricar. Esse relógio inovador incorporou várias caraterísticas importantes. Inicialmente, introduziu um novo escape de descanso de fricção[7], que permitia um funcionamento mais suave e preciso. Além disso, foi o primeiro relógio a contar com um mecanismo de compensação para variações de temperatura.


O relógio de Harrison também apresentava um recurso notável: o primeiro fusée projetado por ele, que permitia que continuasse a funcionar enquanto se lhe dava corda. Essas melhorias resultaram num desempenho extremamente bem-sucedido do relógio fabricado por Jefferys. Impressionado com esses resultados, Harrison decidiu incorporar esses recursos aos dois novos cronómetros que planeava construir (o H4 e o “relógio menor”).


Os cronómetros eram compostos por um relógio grande e outro menor, mas ambos compartilhavam um padrão semelhante. John Jefferys e o seu aprendiz Larcum Kendall foram responsáveis pela sua construção, que acabaram por ser inovadores para Harrison.


Ao longo de décadas, havia investido consideráveis somas de dinheiro, concedidas pelo Parlamento na tentativa de desenvolver um relógio de bordo preciso. No entanto, os relógios tradicionais eram grandes e inadequados para oscilações a bordo, o que poderia prejudicar o seu desempenho interno.


Usando técnicas aprimoradas, Jefferys reduziu drasticamente os mecanismos de compensação de temperatura e atrito. Além disso, por meio de técnicas refinadas, como o uso de chumaceiras de joias[8], conseguiu colocar todas as engrenagens dentro de um único compartimento. Essas inovações resultaram na criação dos primeiros relógios de bolso com todas as engrenagens montadas em chumaceiras de joias.


No final do século XIX, um negociante tentou vender o relógio de bolso pessoal de Harrison ao Worshipful Company of Clockmakers. Embora tivessem um verdadeiro interesse no relógio, o seu valor era sobretudo sentimental, conforme relata Sir George White, curador das colecções do Museu dos Relojoeiros. No entanto, devido ao preço muito elevado, decidiram que não era viável a sua aquisição. Assim, o relógio acabou nas mãos do Sr. Rust, um joalheiro cuja loja, em Londres, foi bombardeada pela Luftwaffe durante a Segunda Guerra Mundial.


O resultado do bombardeamento foi devastador para a loja do Sr. Rust. O cofre que guardava o relógio de Harrison, caiu vários andares e foi exposto a um violento incêndio. Surpreendentemente, sobreviveu a essa provação, embora tenha sofrido danos significativos. O mostrador de esmalte branco ficou completamente carbonizado, e as engrenagens de metal ficaram deformados pelo calor, impossibilitando o funcionamento. Dada a condição lamentável em que se encontrava, passou para a custódia do Museu dos Relojoeiros que o receberam com espanto. Sir. White comentou que foi um verdadeiro milagre que o sr. Rust não tenha negligenciado o relógio, pois ninguém esperava que tivesse algum valor.


No entanto, o relógio de Harrison possuía um valor histórico imensurável. Praticamente todos os desafios relacionados com os cronómetros marítimos haviam sido superados. A partir dessa inovação, Harrison desenvolveu um protótipo, o H4, que era consideravelmente menor do que as versões anteriores, graças ao encontro com Jefferys. Além disso, o relógio de Jefferys foi o primeiro a apresentar um sistema de compensação de temperatura, reconhecido como um marco fundamental na evolução dos relógios de precisão.


John Harrison, Londres, 'H4', nº 1, 1759



Auxiliado por alguns dos melhores relojoeiros de Londres, John Harrison iniciou o projeto e o fabrico do primeiro cronómetro marítimo de sucesso no mundo. Esse cronómetro permitia que navegadores determinassem com precisão a posição dos navios em relação à longitude. O enorme relógio (13,3 cm de diâmetro e 1,5 kg) possui um novo tipo de escape chamado, “vertical” (é chamado vertical porque o eixo do escape é perpendicular ao plano do movimento do pêndulo ou da mola), que por vezes é incorrectamente associado ao escape “verge”, com o qual se assemelha superficialmente. No entanto, o escape de descanso de fricção permitia um amplo arco de oscilação ao balanço. Em comparação, o escape de âncora tinha um arco de equilíbrio limitado e era sensível a variações no torque de direção.


As chumaceiras do escape de Harrison eram feitas de diamante, o que representava uma grande inovação para a época. Devido a razões técnicas, o balanço era muito maior do que o de um relógio convencional, e as vibrações eram controladas por uma mola plana de aço em espiral. O movimento também possuía um ponteiro de segundos central com movimento de varredura[9]. A terceira roda possuía dentes internos e uma ponte elaborada semelhante às pontes vazadas e gravadas. Esta roda girava a 5 batidas por segundo e estava equipada com um minúsculo "remontoire"[10] .


Um travão de equilíbrio parava o relógio meia hora antes de ele parar por completo para que o remontoire não parasse. A compensação de temperatura era realizada por meio de um “curb de compensação” (ou “Thermometer Kirb” como Harrison o chamou). Era uma tira bimetálica montada na corrediça de regulagem, que possuía pinos de freio na extremidade livre. Durante os testes iniciais, Harrison dispensou essa regulação utilizando o controle deslizante, mas deixou a peça indicadora no seu lugar.


O relógio também estava equipado com um sistema chamado “poder de manutenção de Harrison”, que consistia numa alavanca de latão encaixada numa catraca[11] na base do fusée, permitindo dar corda ao relógio enquanto ele ainda estava em funcionamento.


Harrison mostrou a todos que poderia ser utilizado um relógio para calcular a longitude. Esta seria a obra-prima de Harrison, lembrando um enorme relógio de bolso da época.


Está gravado com a assinatura de Harrison, marcado com o número “1” e datada de “AD 1759”.


John & William Harrison, Londres, 'H5', nº 2, 1770


John & William Harrison, 'H5', Londres 1770, Museu Marítimo Nacional, Greenwich


Harrison iniciou o trabalho no segundo “Sea watch”, o H5, enquanto Kendall fez um bom progresso na réplica do H4.


O Conselho de Longitude foi solicitado a considerar o H5 e o K1 como duas cópias de H4, mas informou John e William, de forma inequívoca que as cópias do H4 deveriam ser feitas pelos Harrison.


Após três anos, Harrison estava exausto e sentia-se extremamente maltratado pelos parlamentares dos quais esperava um tratamento melhor. Decidiu pedir ajuda junto do Rei Jorge III. Harrison conseguiu uma audiência com o rei, que estava extremamente irritado com o Parlamento. O próprio rei testou o relógio nº 2 no próprio observatório e, após dez semanas de observações diárias entre maio e julho de 1772, descobriu que a precisão era de um terço de segundo por dia. O rei aconselhou Harrison a fazer uma petição ao Parlamento pelo prémio total, ameaçando comparecer pessoalmente para os advertir.


Finalmente, em 1773, quando tinha 80 anos, recebeu um prémio no valor de 8 750 libras do Parlamento pelas conquistas, embora nunca tenha recebido o prémio oficial, o qual nunca foi concedido a ninguém.


Harrison sobreviveu apenas mais três anos.


John Jefferys 1701 – 1754


Jefferys, cujos pais, John e Jane eram comerciantes de lã, moravam numa casa chamada Darbies, no vilarejo de Midgham, na paróquia de Thatcham, em Berkshire. Cresceu numa família numerosa, com pelo menos cinco irmãos e uma irmã. Embora o seu pai fosse Quaker, foi batizado em 18 de março de 1701.


Em 4 de novembro de 1717, tornou-se aprendiz do relojoeiro Edward Jagger em Well Close Square, Stepney, Londres. Após nove anos de aprendizagem meticulosa, Jefferys recebeu o reconhecimento merecido ao tornar-se membro da Clockmakers Company de Londres em 26 de janeiro de 1726. A dedicação e o primor no ofício eram evidentes e, em 1735 decidiu aceitar Larcum Kendall como aprendiz.


Curiosamente, em 1739, um jovem primo de Jefferys, Buttons, com apenas 14 anos de idade, também teve a honra de se tornar aprendiz do mestre relojoeiro. O seu pai, Richard, pagou generosamente 40 guinéus para que Buttons pudesse embarcar nessa jornada de sete anos ao lado de Jefferys.


Por volta de 1753, a habilidade ímpar de Jefferys foi atestada quando construiu um magnífico relógio de bolso para John Harrison. Este, foi uma das inspirações para Harrison se concentrar na construção de um grande relógio para competir pelo Prémio Longitude.


Actualmente, o relógio está sob os cuidados da Trinity House e pode ser admirado no museu da Clockmakers' Company.


Poucas são as obras de Jefferys encontradas actualmente, principalmente porque, como “criador de movimento repetitivo”, fazia parte dos artesãos altamente qualificados de peças para relógios individuais. Fornecia “finalizadores” e retalhistas de relógios. Raramente assinava as próprias criações.


Infelizmente, John Jefferys nunca teve a hipótese de testemunhar os efeitos e os benefícios das suas obras. Após a sua morte, Larcum Kendall assumiu o negócio e continuou a trabalhar tanto para John Harrison como para o Almirantado, mantendo viva a chama da maestria relojoeira que Jefferys deixou para trás.


John Jefferys, Londres, nº 48, 1735


O relógio aqui apresentado, é uma obra-prima em latão dourado que, exibe movimento de "verge" de placa completa (35 mm de diâmetro), revelando um notável grau de manufactura e elegância. A placa traseira está graciosamente assinada “Jno Jefferys London” e ostenta o número 48, traços distintos que atestam a procedência como uma obra concebida em Londres durante o período em que Kendall era aprendiz.


A estabilidade e o suporte são garantidos pelos pilares de balaústre quadrados que, além de fornecerem uma base sólida, conferem um toque de refinamento à estrutura. A opção pelo escape de "verge" demonstra preferência pela máxima precisão, ao utilizar uma roda de escape circular em vez do escape de cilindro.


Detalhes adicionais, como a chumaceira perfurada e a placa deslizante (chumaceira sem joia), denotam um nível de cuidado especial na regulação e ajuste do movimento, permitindo a modificação da velocidade do relógio para assegurar uma exactidão impecável.


O balanço em aço, destaca-se por apresentar um mecanismo de equilíbrio sem mola, conferindo-lhe uma caraterística peculiar. Este tipo de balanço proporciona um funcionamento suave e uma precisão inigualável, digna de um relógio verdadeiramente sofisticado.


Portanto, melhorando as caraterísticas distintivas deste exemplar, cada elemento funde-se harmoniosamente, resultando numa peça de arte que cativa não apenas pelo requinte estético, mas também pela habilidade de medir o tempo com uma excelência ímpar.


John Jefferys, Londres, nº 201, 1745



Este, é um elegante relógio em latão dourado, onde podemos observar movimento de verge de placa completa (36,5 mm de diâmetro), que assegura um funcionamento preciso e confiável.


Possui pilares em balaústre quadrados que lhe adicionam um toque de sofisticação.


A placa deslizante perfurada e gravada, revela uma maestria sem igual.


O escape de verge, melhora a precisão do movimento.

Na placa traseira a gravação da distinta assinatura de “John Jefferys London” e ainda o número 201 transmitem uma herança de tradição e exclusividade a esta peça única.


A assinatura de Jefferys é altamente valorizada, pois apenas seis relógios assinados são conhecidos, um dos quais é o famoso relógio de bolso de John Harrison.


Jefferys foi um relojoeiro de renome e desempenhou um papel crucial na colaboração com Harrison.


Após falecer em 1754, Larcum Kendall, que havia sido seu aprendiz, assumiu a sua posição e continuou a contribuir para o legado de excelência técnica deixado pelo seu mentor.


Larcum Kendall 21. 09. 1719 – 22. 11. 1790


Larcum Kendall nasceu em Charlbury, Oxfordshire, filho de Moses Kendall e Ann Larcum.


Kendall é conhecido pelo trabalho excepcional na reprodução do notável cronómetro Longitude Timekeeper, o H4 de Harrison.


No século XVIII, estava entre os relojoeiros mais talentosos de Londres. Curiosamente, são poucos os relógios que trazem o seu nome gravado, não por falta de actividade profissional, mas talvez como um reflexo de modéstia ou da convicção de que procurar reconhecimento individual não era necessário. No entanto, Kendall estava profundamente envolvido no comércio de relógios de alta qualidade em Londres.


Kendall foi aprendiz de John Jefferys, o célebre criador do movimento repetitivo, durante sete anos. Uma ligação que certamente exerceu influência duradoura sobre Kendall no que seria a continuação do seu ofício.


Em 1742, Kendall fundou o próprio negócio, deixando marca na indústria relojoeira.


Ter sido funcionário de George Graham durante vários anos, aperfeiçoando a técnica do escape de cilindro, também contribuiu para o reconhecimento público de Kendall.


Após a morte de Graham em 1751, existem indícios de que passou a contribuir com o seu talento para a empresa de Thomas Mudge e William Dutton.


Presume-se que Jefferys desempenhou um papel crucial na colaboração com Harrison na produção do H4, mas descobertas recentes revelaram que faleceu em 1754, antes do projeto ser iniciado. É provável que, nessa época, Kendall tenha assumido o papel principal, tornando-se a mente talentosa por trás do sucesso do H4.


Os conhecimentos foram tão reconhecidos que, em 1765, Kendall foi nomeado um dos especialistas práticos do Conselho de Longitude, juntamente com renomados relojoeiros como o Rev. William Ludlam, membro da St. Johns College, Cambridge, o Rev. John Mitchell, FRD, Woodwardian Professor de Geologia, Thomas Mudge e William Mathews de Fleet Street, além de John Bird of the Strand, fabricante de instrumentos.


Esses mestres, ao lado do Astrónomo Real, Nevil Maskelyne, dedicaram vários dias acompanhando de perto a construção do H4, um testemunho da importância e magnitude desse empreendimento.


O que é ainda mais notável é que Kendall teve a honra de demonstrar a eficácia dos projetos de Harrison ao ser contratado para criar uma réplica do H4 em 1766.


Com início em maio de 1767 e com conclusão no final de 1769, essa notável empreitada presenciou o brilhantismo e a destreza de Kendall como relojoeiro.


O relógio K1, fabricado pelo talentoso Kendall, foi adquirido pelo Conselho de Longitude em janeiro de 1770, por um valor de 450 guinéus.


Após passar por testes em Greenwich, foi atribuído ao capitão James Cook para a segunda expedição de descoberta aos mares do Sul, que ocorreu entre 1772-75.


Durante essa jornada, tanto Cook como o astrónomo William Wales ficaram impressionados com o desempenho do relógio de Kendall. Tão impressionados, que ao regressarem em 1775, Cook escreveu ao Secretário do Almirantado, declarando: "O relógio do Sr. Kendall excedeu as expectativas do seu mais zeloso defensor...".


O K1, agora localizado em Greenwich, é um testemunho notável do talento de Kendall como relojoeiro. A placa traseira ostenta assinatura de “Larcum Kendall LONDRES” e a data de 1766.


Embora o K1 tenha sido um sucesso extraordinário, Kendall optou por não produzir mais réplicas do modelo. Em alternativa, focou-se no desenvolvimento de dois cronómetros simplificados, conhecidos como K2 e K3.




O K2 foi entregue ao conselho de Longitude em março de 1772, pelo preço de 200 guinéus. Nessa versão, o mostrador foi assinado LARCUM KENDALL LONDON e, na placa traseira estava registado, Larcum Kendall 1771 London.


Apresentava um mostrador regulador, o que significa que os ponteiros eram separados por um sistema de rodas com menos folga em comparação com o sistema concêntrico convencional. Essa diferença geralmente aumenta a precisão.


Mais tarde, em 1774, Thomas Mudge utilizou um sistema semelhante de rodas para separar os ponteiros no cronómetro marítimo. Esse relógio construído por Mudge seria considerado o mais preciso durante os próximos cem anos. A última peça de Mudge está no Museu Britânico (Reg. No. 1958,1006.2119).


Embora o K2 não tenha a mesma precisão do K1, é famoso porque estava com William Bligh durante o motim do Bounty em 1787. Após o motim, foi levado por Fletcher Christian para a Ilha Pitcairn. Em 1808, foi encontrado por um americano e posteriormente comprado em Pitcairn do último sobrevivente do motim.


O K2 só voltou para Inglaterra em 1840.


O K3 foi concluído em 1774 com um custo de 100 guinéus. Nesta versão, está assinado LARCUM KENDALL LONDON e na placa traseira o registo é Larcum Kendall 1774 London.


O estilo é muito diferente do K1 e do K2, possui três pequenos mostradores para horas, minutos e segundos e está acondicionado numa caixa octogonal de madeira.


Em 1776, o K3 estava a bordo do HMS Discovery com o astrónomo William Bayly.

Actualmente, tanto o K1 como o K3 estão protegidos no museu Royal Observatory em Greenwich.


Kendall também produziu um cronómetro de bolso, que agora está no Museu da Worshipful Company of Clockmakers, Guildhall em Londres. Está assinado na placa traseira, L. Kendall London B+y e está guardado numa caixa dupla em prata com marca registada em 1786. Dentro da caixa, há papéis do relógio impressos com o nome Vulliamy & Sons, 74 Pall Mall, Londres. Este relógio foi apresentado à Clockmakers Company em 1849 por BL Vulliamy. Estima-se que o seu pai Benjamin Vulliamy tenha comprado o cronómetro quando adquiriu a Oficina de Larcum Kendall em dezembro de 1790.


A venda da oficina ocorreu nas instalações de Kendall no No. 6 Furnivals Inn Court em 23 de dezembro de 1790 pela Christie's. durante a venda, várias ferramentas e peças de relojoaria foram vendidas. Digno de nota, foi a venda de um motor de corte de roda incomum e um curioso torno de pé.


Alguns lotes de destaque foram:


37. Um cronómetro completo em caixas de prata, com o mesmo mecanismo se escape vendido por 36 guinéus.


38. Um cronómetro com caixas de prata, completo, excepto pelo mecanismo de escape, valor da venda não especificado.

39. Um relógio de segundos horizontal em ouro, com tampa e joias, vendido por 30 guinéus.


A venda ocorreu num ambiente genuinamente fascinante, com a participação de reconhecidos mestres relojoeiros e relógios notáveis.


Um nome importante no leilão foi o de William Bayly, astrónomo que fazia parte da expedição de 1772 a 1775 a bordo do navio de Cooks Adventure.



Na segunda viagem de Cooks, o astrónomo principal foi William Wales. Nasceu em Yorkshire em 1734. Em 1765 foi escolhido pelo Astrónomo Real Nevil Maskelyne para ser um dos quatro calculistas encarregados dos cálculos para o primeiro Almanaque Náutico, publicado em 1767.


Em 1772, foi proposto por Maskelyne para ser astrónomo na Resolução de Cook, onde foi designado para avaliar a eficácia do K1.


No leilão, foi vendido um relógio de bolso de Kendall, que estava no País de Gales, por 20 guinéus, 9 xelins e 6 pence.


A qualidade do trabalho de Kendall era inigualável, como evidenciado pelos poucos relógios assinados por ele que ainda existem actualmente.


No entanto, não era conhecido por inovações pessoais, sendo principalmente um relojoeiro que produzia produtos de alta qualidade para revendedores, atendendo às demandas dos clientes mais imaginativos.


A maior parte do seu trabalho, incluindo relógios e reguladores de precisão, foi vendida sob o nome de outros revendedores.


Kendall faleceu em Furnival's Inn Court a 22 de novembro de 1790. O obituário afirma que os Quakers “...receberam o seu corpo no seio da sua igreja em sua morte...”, e foi enterrado num cemitério Quaker em Kingston em Surrey a 28 de novembro de 1790.


Além de deixar uma considerável quantia em custódia para o irmão e família, o testamento, escrito em 6 de novembro de 1790 e aprovado em 8 de dezembro, também menciona os “implementos no comércio” e objetos pessoais para Moses, que evidentemente providenciou para que fossem vendidos em leilão.


Desconhece-se se Kendall foi casado, uma vez que esposa ou filhos não são mencionados no testamento, e os móveis e pertences vendidos em leilão sugerem fortemente que viveu como solteiro ao longo da vida.


Larcum Kendall, Londres, 1765




Este é um magnífico relógio em latão dourado, cujo movimento exibe uma obra-prima da relojoaria: fusée de placa completa (34,5 mm de diâmetro) com elegantes pilares quadrados em balaústre. O galo está meticulosamente gravado, conferindo um toque de requinte a esta peça. Adornando a pedra final, encontramos um reluzente diamante, símbolo de luxo e criatividade. O escape de cilindro, seguindo a tradição de Graham, possui uma inclinação original, tem ainda escape em latão com 13 dentes. Todo o relógio passou por uma minuciosa revisão, a cargo de um dos mais importantes restauradores de Inglaterra, garantindo perfeição e precisão.

Entre os relógios assinados por Kendall, além dos icónicos K1 e K3, apenas seis exemplares são conhecidos. Um par de relógios, revestidos com caixa externa de casco de tartaruga e assinados L. Kendall, magnificamente exibido no Museu da Ciência, em Londres.


Destaca-se ainda um cronómetro de bolso datado de 1786, pertencente à Colecção do Museu dos Relojoeiros na Biblioteca Guildhall, igualmente assinado L. Kendall. Essa notável colecção foi transferida para o Museu da Ciência no outono de 2015, proporcionando aos admiradores um vislumbre da genialidade desse mestre da relojoaria.


O movimento aqui apresentado, exibe semelhanças inegáveis com aqueles fabricados pela empresa de Mudge e Dutton, onde se especula que Kendall tenha exercido a sua habilidade e talento.


Os K1, K2, e K3, acompanhados de um exemplar de cilindro revestido, fabricados em 1776, foram leiloados na conceituada Bonhams London em 23/ 11/ 2004, com o Lote 42, pelo impressionante montante de 64 530 libras.


Evidencia-se ainda que este é o único movimento conhecido de Kendall assinado com o seu nome completo. Presume-se que tenha sido fabricado pouco antes de Kendall ser honrado com o desafio de criar uma réplica do icónico H4, consolidando-se como uma das peças mais antigas, senão a mais antiga, conhecida, fabricada por esse talentoso relojoeiro.


 

Notas:


[1] Refere-se a um método impreciso e rudimentar utilizado pelos primeiros navegadores oceânicos para tentar determinar a longitude durante as suas viagens. Essencialmente, envolvia estimar a distância percorrida pelo navio a partir da velocidade média e do tempo decorrido desde a partida de um ponto de referência conhecido. O cálculo do número morto baseava-se na observação das velas do navio e nas correntes marítimas, e era altamente suscetível a erros.


[2] É um pêndulo de relógio mecânico que usa um sistema de compensação de temperatura para manter uma frequência de oscilação constante. É chamado de “grade-ferro” porque é composto por uma grade de ferro com várias barras unidas por lâminas bimetálicas de cobre e aço. A combinação desses materiais permite que a grade se expanda e se contraia com mudanças de temperatura, compensando as mudanças na frequência de oscilação do pêndulo.


[3] São compostos por um eixo e uma série de dentes ou engrenagens que se engatam com outras engrenagens ou rodas dentro do relógio. Em relógios com complicações, os pinhões são usados para acionar essas funções adicionais.


[4] São conhecidos como balanços de alternância ou de âncora.


[5] São um tipo de dispositivo regulador usado em relógios mecânicos para controlar a velocidade de oscilação do pêndulo ou do escape. Eles são compostos por uma barra metálica fina com pesos na extremidade, que oscilam para a frente e para trás, atuando como uma espécie de pêndulo.


[6] O volante bimetálico é um dispositivo que é composto por dois metais de coeficientes de expansões térmicas deferentes, unidas entre si. Quando o volante é exposto a mudanças de temperatura, os metais expandem-se ou contraem-se de forma diferente, fazendo com que o metal se expanda. O rolamento de esferas com gaiola é um tipo de rolamento que é usado para suportar os eixos nos quais as engrenagens e outras peças mecânicas que giram dentro do relógio. Consiste num conjunto de esferas que são mantidas numa gaiola ou estrutura, permitindo que as esferas girem livremente em torno do eixo.


[7] Utiliza uma técnica em que as engrenagens são controladas por meio de uma superfície de fricção. Essa superfície permite uma interação suave e precisa entre as engrenagens, garantindo uma transferência uniforme de energia e um movimento regular dos ponteiros.


[8] Referem-se ao uso de gemas ou pedras preciosas como pontos de apoio nas engrenagens dos mecanismos de relógios de alta qualidade. Ajudam a minimizar o atrito e o desgaste entre as engrenagens.


[9] Referem-se à forma como os ponteiros dos segundos se movem no mostrador de um relógio. Também conhecido como “movimento contínuo”, “movimento suave” ou “movimento suave do ponteiro dos segundos”, esse termo descreve a ação dos ponteiros dos segundos deslizando suavemente ao redor do mostrador, em vez de saltar de segundo em segundo.


[10] Refere-se a um mecanismo adicional presente em alguns relógios mecânicos de alta precisão. O "remontoire" é um dispositivo projetado para garantir um fornecimento constante e uniforme de energia ao escape do relógio.


[11] É um componente importante para garantir o funcionamento adequado e a eficiência energética de um relógio mecânico. A sua função é garantir que a energia seja transmitida de forma unidirecional, mantendo o relógio em movimento constante e impedindo retrocessos indesejados.

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Artigo de excelência sobre a era de ouro da relojoaria.

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Sílvio Pereira
Sílvio Pereira
10 sept. 2023
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Obrigado.

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