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  • Castelo de Vide - Monte o seu relógio

    Um fim-de-semana concebido para quem deseja aproximar-se da relojoaria de forma concreta, e montar o seu próprio relógio mecânico num contexto tranquilo e acompanhado por uma relojoeira experiente. Nesta formação de 4 horas, os participantes acompanham todo o processo de construção de um relógio de pulso mecânico, desde a compreensão dos seus componentes até à sua montagem final. Ao longo da sessão, cada etapa é explicada de forma clara, permitindo perceber a função de cada elemento e a lógica do conjunto. O contacto directo com o movimento proporciona uma compreensão prática do funcionamento do relógio. A formação decorre em ambiente controlado e com acompanhamento próximo, assegurando uma experiência progressiva e segura. Cada participante monta o seu próprio relógio, com orientação individualizada, respeitando o seu ritmo de aprendizagem e garantindo a correcta execução de cada fase. A sessão é orientada por uma profissional com experiência em relojoaria, assegurando rigor técnico aliado a uma abordagem acessível. Este enquadramento permite que mesmo quem não possui conhecimentos prévios consiga completar a montagem com confiança e compreensão. Realizada no Monte das Mariolas, na zona de Castelo de Vide, esta experiência alia a prática relojoeira a um contexto de turismo rural. O ambiente calmo e isolado favorece a concentração e proporciona uma pausa no quotidiano, criando as condições ideais para uma aprendizagem focada e envolvente. Ao longo da formação, os participantes exploram a estrutura do relógio mecânico, compreendem a função das diferentes rodagens e observam a forma como o movimento ganha vida após a montagem. No final, levam consigo o relógio que construíram, resultado directo do seu trabalho. A formação destina-se a curiosos, entusiastas e coleccionadores que procuram uma experiência prática e imersiva. Não exige experiência prévia. As sessões decorrem em regime de grupo, mediante agendamento. O alojamento está incluído na experiência e decorre no Monte das Mariolas, com diferentes opções de ocupação, até um máximo de 4 pessoas por unidade. Durante o período de época alta aplicam-se condições específicas. São aceites animais de companhia, mediante condições adicionais. Formadora: Filipa guedes - https://www.institutoportuguesderelojoaria.pt/team/filipa-guedes

  • Castelo de Vide - Regulagem de Relógios

    Um fim-de-semana pensado para quem procura abrandar o ritmo e entrar, de forma prática e informada, no universo da relojoaria mecânica. Nesta formação de 4 horas, os participantes contactam directamente com os princípios fundamentais da regulagem de relógios mecânicos. Compreendem como se ajusta o funcionamento de um relógio e de que forma pequenas variações influenciam a sua precisão. A sessão decorre em ambiente controlado, com acompanhamento próximo e explicação clara de cada etapa, o que permite uma aprendizagem progressiva e segura. A formação é orientada por uma relojoeira com experiência profissional na indústria suíça. Este enquadramento assegura rigor técnico, aliado a uma abordagem acessível a quem se inicia. Cada participante recebe acompanhamento individualizado, de acordo com o seu ritmo de aprendizagem, o que garante a compreensão dos conceitos essenciais. Realizada no Monte das Mariolas, na zona de Castelo de Vide, esta experiência combina aprendizagem técnica com um contexto tranquilo de turismo rural. O ambiente envolvente favorece a concentração e proporciona uma pausa no quotidiano, criam-se assim as condições ideais para uma experiência formativa distinta. Ao longo da sessão, os participantes exploram o funcionamento geral do relógio mecânico, a relação entre ritmo e precisão e os princípios básicos da regulagem. Observam o comportamento do movimento e compreendem como pequenas intervenções influenciam o seu desempenho. A formação destina-se a curiosos, entusiastas e coleccionadores que pretendem aprofundar o seu conhecimento. Não exige experiência prévia. As sessões decorrem em regime individual ou em pequeno grupo, mediante agendamento. O alojamento está incluído na experiência e decorre no Monte das Mariolas, com diferentes opções de ocupação, até um máximo de 4 pessoas. Durante o período de época alta aplicam-se condições específicas. São aceites animais de companhia, mediante condições adicionais. Formadora: Filipa guedes - https://www.institutoportuguesderelojoaria.pt/team/filipa-guedes

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  • O restauro clandestino do relógio do Panteão de Paris

    Desenho a partir da fotografia de um membro dos Untergunther a reparar o antigo mecanismo do relógio Wagner. Fotografia original © UX. Há histórias que parecem retiradas de um romance. Esta é uma delas. Durante cerca de um ano, um pequeno grupo entrou regularmente no Panteão de Paris, com ferramentas, peças e materiais, até conseguir restaurar um relógio monumental imóvel há décadas. Fizeram-no sem autorização, sem financiamento e sem procurar reconhecimento público. Esta já é uma história com alguns anos, mas ainda merece ser contada. Em 2006, um relógio monumental instalado no Panteão, em Paris, voltou a funcionar após uma intervenção realizada sem autorização das entidades responsáveis pelo monumento. Durante cerca de um ano, membros do grupo Untergunther, pertencente ao coletivo UX (Urban eXperiment), entraram regularmente no edifício, montaram uma oficina num espaço pouco utilizado e procederam ao restauro mecânico do relógio, parado desde a década de 1960. Quando os trabalhos terminaram, o grupo informou a administração do Panteão de Paris de que o relógio estava novamente operacional. Em vez do reconhecimento pelo trabalho realizado, a intervenção deu origem a um processo judicial. Os membros envolvidos acabariam por ser absolvidos, mas o caso suscitou um debate sobre a conservação do património e sobre o papel da iniciativa privada quando um bem histórico permanece sem manutenção durante vários anos. Antes de abordar essa intervenção, importa conhecer o relógio e o edifício onde se encontra. Panteão de Paris O relógio esquecido O Panteão de Paris ocupa a colina de Sainte-Geneviève, no centro de Paris. O edifício foi projetado por Jacques-Germain Soufflot na segunda metade do século XVIII e, desde o século XIX, é o mausoléu nacional onde repousam algumas das figuras mais importantes da história de França, como Voltaire, Jean-Jacques Rousseau, Victor Hugo, Marie Curie e Alexandre Dumas. Entre os diversos elementos técnicos do monumento encontra-se um relógio monumental construído no século XIX pelo relojoeiro Wagner. Durante muitos anos, este relógio regulou a indicação das horas no edifício, exigindo manutenção periódica e corda manual. Mecanismo do relógio do Panteão de Paris antes e depois Segundo vários testemunhos e documentação publicada posteriormente, o relógio deixou de funcionar em meados da década de 1960 e permaneceu inativo durante cerca de quarenta anos. A falta de utilização conduziu à degradação progressiva do mecanismo, sem que fosse promovida uma intervenção de restauro. Quem eram os restauradores A intervenção foi realizada pelo Untergunther, um dos grupos que integravam o coletivo UX (Urban eXperiment). Desde a década de 1980, este coletivo desenvolveu diversas atividades relacionadas com a exploração de espaços pouco acessíveis de Paris e com a preservação de elementos do património considerados negligenciados. Entre os seus membros encontravam-se arquitetos, historiadores, engenheiros, artesãos e outros profissionais que participavam em projetos de forma voluntária. O Untergunther era o núcleo dedicado à conservação e ao restauro. Segundo o próprio grupo, os seus projetos incidiam sobre elementos do património que, apesar do seu interesse histórico ou técnico, permaneciam fora da vista do público e, por esse motivo, raramente recebiam intervenções de conservação. Entre os participantes encontrava-se o relojoeiro Jean-Baptiste Viot, então especialista em restauro de relógios monumentais. Ao observar o mecanismo do relógio do Panteão de Paris, Viot concluiu que o estado de degradação justificava uma intervenção antes que algumas peças sofressem danos irreversíveis. O grupo decidiu então assumir o projeto por iniciativa própria e financiá-lo com recursos dos seus membros. Uma oficina no interior do Panteão de Paris Em setembro de 2005, o Untergunther iniciou os trabalhos. O grupo instalou uma pequena oficina num compartimento situado junto à base da cúpula do Panteão de Paris, um espaço que já não tinha utilização regular. Durante cerca de um ano, os seus membros entraram periodicamente no edifício para trabalhar no relógio, geralmente durante a noite, sem interferir com o funcionamento normal do monumento. A oficina foi equipada com bancada de trabalho, ferramentas, documentação técnica e o material necessário para desmontar, limpar, reparar e voltar a montar os diversos componentes do mecanismo. Algumas peças tiveram de ser fabricadas ou reconstruídas, respeitando a configuração original do relógio. A direção técnica da intervenção esteve a cargo de Jean-Baptiste Viot. Segundo os relatos publicados posteriormente pelo grupo e por vários meios de comunicação, o restauro prolongou-se por cerca de doze meses. Concluídos os trabalhos mecânicos, os membros do Untergunther informaram a administração do Panteão de Paris de que o relógio estava novamente operacional e disponível para voltar ao serviço. Os aspetos técnicos do restauro O relógio do Panthéon não foi colocado novamente em funcionamento através de uma solução provisória. A intervenção teve como objetivo recuperar o mecanismo existente, respeitando a sua construção original e os princípios do restauro de relojoaria monumental. Quando Jean-Baptiste Viot iniciou o trabalho, encontrou dois mecanismos distintos. O primeiro correspondia a um movimento eletromecânico instalado posteriormente. O segundo era o relógio histórico Wagner, datado de 1824, um mecanismo de pesos com soneria de quartos, que permanecia imobilizado há várias décadas. Segundo Viot, a opção foi recuperar o mecanismo Wagner, devolvendo-lhe a configuração funcional original. O movimento foi desmontado, limpo e inspecionado. As peças em bom estado foram conservadas e reutilizadas. Os componentes danificados ou desaparecidos foram reconstruídos individualmente, recorrendo às técnicas tradicionais de fabrico. Uma das intervenções mais importantes incidiu sobre a roda de escape, que teve de ser reconstruída. Foi igualmente necessário fabricar um novo veio do pêndulo, inexistente no mecanismo. Estas peças não foram adaptadas a partir de componentes modernos; foram produzidas especificamente para este relógio, respeitando as dimensões, os materiais e a geometria do projeto original. Viot refere que o maior desafio não foi fabricar as peças, mas reproduzir corretamente a sua geometria. Um pequeno erro nas dimensões da roda de escape ou do sistema de impulso do pêndulo comprometeria o funcionamento do relógio. Por esse motivo, todas as operações foram executadas segundo as práticas tradicionais da relojoaria monumental. Durante o fabrico do novo veio do pêndulo foi ainda utilizada uma solução temporária de oficina. Para evitar que a resina utilizada na colagem aderisse ao veio definitivo, foi produzido um elemento auxiliar em alumínio, posteriormente removido após a conclusão do trabalho. Concluída a recuperação mecânica, o movimento foi novamente montado, lubrificado, regulado e submetido a ensaios de funcionamento. Só depois de verificar a estabilidade da marcha é que o grupo considerou o restauro concluído. Do ponto de vista técnico, a intervenção procurou conservar o máximo possível dos componentes originais. O objetivo não foi modernizar o relógio, mas devolver-lhe as condições necessárias para voltar a cumprir a função para que tinha sido construído. O relógio volta a funcionar Após cerca de um ano de trabalho, o relógio foi colocado novamente em funcionamento. Só depois de verificarem que o mecanismo operava de forma regular é que os membros do Untergunther comunicaram a conclusão da intervenção à administração do Panteão de Paris. A reação das autoridades não foi a esperada pelo grupo. Em vez de aceitar o restauro, a administração do monumento recusou a intervenção realizada sem autorização e apresentou queixa. O mecanismo foi posteriormente imobilizado pelas próprias autoridades, iniciando-se um processo judicial contra os participantes na operação. Independentemente da avaliação jurídica do caso, ficou demonstrado que um relógio monumental parado durante várias décadas podia voltar a funcionar após um restauro realizado segundo práticas tradicionais de relojoaria. A legalidade da intervenção e o seu mérito técnico passaram, desde então, a ser discutidos separadamente. O processo judicial Depois de o grupo revelar a existência da oficina e do restauro concluído, o Centre des monuments nationaux (CMN), organismo responsável pelo Panteão de Paris, apresentou queixa contra os participantes na intervenção. O processo incidiu sobre a entrada no monumento e sobre os danos alegadamente causados num cadeado exterior durante os acessos ao edifício. O CMN pediu ainda uma indemnização pelos prejuízos que considerava terem resultado da atuação do grupo. O julgamento realizou-se em novembro de 2007. O tribunal absolveu os membros do Untergunther das acusações apresentadas, entendendo que os factos invocados não justificavam uma condenação nos termos em que tinham sido formulados. O pedido de indemnização apresentado pelo CMN foi igualmente rejeitado. A decisão judicial não constituiu uma aprovação da intervenção realizada sem autorização. Limitou-se a apreciar os factos constantes do processo. Ainda assim, o caso ganhou projeção internacional por envolver uma situação invulgar: um grupo de pessoas levado a tribunal após restaurar um relógio histórico que permanecia parado há várias décadas. Um desfecho inesperado Após o processo, o relógio deixou novamente de funcionar durante alguns anos. Entretanto, Jean-Baptiste Viot prosseguiu a sua atividade profissional na área da relojoaria monumental e do restauro de peças históricas. Em 2018, mais de uma década depois dos acontecimentos, o Panteão de Paris decidiu promover uma nova campanha de restauro do relógio. O concurso foi ganho precisamente por Jean-Baptiste Viot, que passou a ser o restaurador oficialmente responsável pelo mecanismo que tinha recuperado clandestinamente anos antes. A intervenção permitiu restaurar não apenas o movimento, mas também o mostrador e o sistema de badaladas, devolvendo o conjunto ao funcionamento regular. Este desfecho encerrou um episódio invulgar da história recente da relojoaria monumental. O mesmo profissional que tinha sido levado a tribunal pela sua participação numa intervenção não autorizada foi posteriormente escolhido pela administração para realizar o restauro oficial do relógio. Um pouco de realidade... A história do relógio do Panteão de Paris não deve ser entendida como uma defesa de intervenções realizadas sem autorização. A conservação do património exige enquadramento legal, documentação técnica e a participação das entidades responsáveis pelos bens culturais. No entanto, este episódio evidencia outro problema: a falta de manutenção de muitos relógios monumentais. Estes mecanismos foram concebidos para funcionar durante séculos, mas dependem de inspeções periódicas, limpeza, lubrificação e reparações realizadas por profissionais qualificados. Quando essa manutenção deixa de existir, a degradação acelera e o custo da recuperação aumenta. Em Portugal subsistem dezenas de relógios de torre, de igreja e de edifícios públicos que representam um importante património técnico. Muitos continuam em funcionamento graças ao trabalho regular de relojoeiros especializados; outros permanecem parados há anos, aguardando uma intervenção. Independentemente da forma como se avalia a atuação do Untergunther, o caso do Panteão de Paris recorda que um relógio histórico só cumpre plenamente a sua função quando continua a marcar o tempo. A preservação destes mecanismos exige conhecimento técnico, continuidade na manutenção e o reconhecimento do seu valor enquanto património cultural e relojoeiro.

  • Marcas portuguesas activas

    Os relógios das marcas portuguesas nos pulsos dos seus proprietários Hoje é tempo de presente. Depois de uma breve viagem pela história da relojoaria portuguesa, é altura de olhar para a realidade atual. Quem são os relojoeiros, as marcas, os projetos e as instituições que, nos dias de hoje, mantêm viva esta tradição e contribuem para o desenvolvimento da relojoaria em Portugal? Entre as marcas portuguesas actualmente activas encontram-se a Reguladora, Prometheus, Borealis, Bruno Moreira, Meia Lua, Eximio, Contar, One, Celsus, Eugénio Campos, Monserrate, Museu do Relógio, Twobrothers, Febres, Les Tugas do IPR – Instituto Português de Relojoaria, e outras estruturas contemporâneas ligadas à micro-relojoaria, ao design, à relojoaria independente ou à joalharia. Estas marcas partilham geralmente características comuns: produção limitada, forte presença digital, utilização de fornecedores internacionais e uma identidade construída sobretudo através do design, da comunicação, da direcção criativa e, em alguns casos, da própria ligação à cultura relojoeira portuguesa. Marcas propriedade de portugueses, sediadas no estrangeiro Existe ainda um grupo particularmente interessante de marcas que, embora juridicamente estrangeiras, mantêm fortes ligações portuguesas através dos seus fundadores, identidade cultural ou inspiração conceptual. ISOTOPE: Chronograph Moonshot Horizon O exemplo mais evidente é a Isotope, fundada pelo português José Mendes Miranda e sediada no Reino Unido. Apesar de ser uma marca britânica do ponto de vista legal e operacional, a Isotope incorpora frequentemente referências portuguesas nas suas edições e comunicação, tornando-se um caso emblemático da globalização da relojoaria contemporânea. Escudo Watches Num contexto semelhante surge também a Escudo, criada por Simon Correia e Richard Johnson. Embora apresente uma estrutura internacional, a marca utiliza uma forte inspiração ligada à história marítima portuguesa e à estética dos instrumentos náuticos associados aos Descobrimentos. Monserrate Watches Pode igualmente incluir-se neste grupo a Monserrate, marca associada ao português João Ramalhete e desenvolvida fora de Portugal, mas profundamente marcada por referências culturais portuguesas. O próprio nome remete imediatamente para o Palácio de Monserrate, em Sintra, o que reforça a ligação identitária ao património histórico e artístico português. Estas marcas demonstram como a relojoaria contemporânea tornou cada vez mais difusa a relação entre identidade nacional, local de fabrico e sede legal. Um relógio pode ser concebido por um fundador português, desenhado em Londres, utilizar um movimento suíço, ser fabricado na Ásia e ainda assim manter uma identidade cultural portuguesa. De certa forma, estes projectos representam uma continuação moderna da própria história da relojoaria portuguesa: uma realidade profundamente internacional, construída através de cruzamentos constantes entre comércio, técnica, design e identidade cultural. Bruno Moreira e os acabamentos manuais em Portugal Relógios Bruno Moreira Entre os projectos contemporâneos mais relevantes da relojoaria portuguesa encontra-se o trabalho de Bruno Moreira, cuja abordagem ocupa um lugar muito particular dentro do panorama nacional. Num contexto em que a maioria das micro-marcas portuguesas depende de componentes industriais praticamente finalizados no estrangeiro, Bruno Moreira destaca-se pela realização de acabamentos manuais e decoração mecânica executados em Portugal, por si próprio, o que o aproxima mais da tradição clássica da relojoaria independente europeia do que da lógica habitual das micro-marcas contemporâneas. O seu trabalho desenvolve-se em escala reduzida, com produção de poucas unidades, por forma a conseguir um nível de atenção individual praticamente impossível em produção industrial. Entre os aspectos mais relevantes encontra-se precisamente a decoração manual dos próprios movimentos — uma prática historicamente associada à alta relojoaria suíça e praticamente inexistente em Portugal enquanto actividade autoral contemporânea estruturada. Neste caso, o relógio deixa de ser apenas um objecto montado a partir de componentes externos e passa a incorporar trabalho manual especializado directamente aplicado sobre os elementos mecânicos. Acabamentos, decoração, tratamento de superfícies e atenção ao detalhe tornam-se parte integrante da identidade do relógio. Este tipo de intervenção representa o surgimento de competências tradicionalmente ausentes da relojoaria portuguesa contemporânea. Durante décadas, Portugal participou sobretudo na montagem, comercialização ou assistência técnica de relógios estrangeiros, mas raramente no domínio da decoração mecânica artesanal associada à relojoaria fina. O trabalho de Bruno Moreira demonstra, por isso, uma mudança importante: começam finalmente a surgir em Portugal projectos independentes capazes de executar localmente operações tradicionalmente reservadas às oficinas especializadas da alta relojoaria europeia. Nesse sentido, Bruno Moreira representa talvez um dos sinais mais claros do surgimento de uma verdadeira relojoaria independente portuguesa contemporânea. Bernardo d’Orey e a relojoaria como objecto artístico Bernardo D'Orey Entre os projectos mais particulares da relojoaria portuguesa contemporânea encontra-se o trabalho de Bernardo d’Orey, cuja abordagem se centra sobretudo na criação de mostradores de relógios conceptuais em pequena escala. O seu trabalho aproxima-se frequentemente mais do design industrial e da experimentação estética do que da relojoaria tradicional no sentido clássico. Procura criar peças com identidade própria em vez de simplesmente reproduzir códigos já existentes. Num contexto em que a relojoaria portuguesa sempre esteve muito ligada à reparação, montagem ou comercialização, este tipo de abordagem representa algo relativamente novo: a utilização do relógio como espaço de criação autoral e experimentação visual. Tal como outros projectos independentes portugueses, o trabalho desenvolve-se em escala reduzida, o que permtite maior liberdade criativa e maior proximidade entre o criador e o objecto final. Bernardo d’Orey representa uma das faces mais experimentais da nova relojoaria portuguesa contemporânea. Les Tugas — uma nova abordagem à construção nacional Les Tugas Les Tugas Les Tugas: www.lestugas.pt O projecto Les Tugas, desenvolvido pelo IPR, representa um caso particularmente interessante dentro da relojoaria portuguesa contemporânea. Ao contrário da maioria das micro-marcas actuais, cuja produção depende quase integralmente de fornecedores estrangeiros, o Les Tugas procurou incorporar uma componente significativa de construção e transformação nacional. Embora utilize uma base mecânica internacional, o projecto distingue-se pelo esforço deliberado de integrar produção portuguesa em diversas etapas fundamentais do relógio. A caixa em aço foi produzida em Lisboa; o mostrador igualmente fabricado em Lisboa; a lapidação do vidro realizada em Salvaterra de Magos; a correia produzida em Gião; o polimento efectuado na zona do Porto; e a caixa de transporte concebida e fabricada também em Lisboa. Esta abordagem procura recuperar uma ideia praticamente desaparecida da relojoaria portuguesa: a possibilidade de construir localmente componentes especializados através da colaboração entre pequenas oficinas, artesãos, técnicos e estruturas industriais nacionais. Nesse sentido, o Les Tugas diferencia-se claramente da maioria das micro-marcas contemporâneas portuguesas. Não pretende apenas criar uma marca portuguesa, mas também reconstruir parcialmente uma cadeia de produção nacional, ainda que em escala reduzida. Talvez esse seja precisamente um dos aspectos mais interessantes do projecto: não a tentativa de competir directamente com grandes manufacturas internacionais, mas a demonstração de que é cada vez mais possível mobilizar conhecimento técnico português para produzir componentes relojoeiros especializados dentro do próprio país. De certa forma, o Les Tugas aproxima-se mais do espírito das antigas oficinas e manufacturas portuguesas do século XX do que da lógica habitual das micro-marcas contemporâneas. Tempo Futuro — o surgimento de uma nova relojoaria portuguesa Tempo Futuro: www.tempofuturo.pt Durante grande parte do século XX, a relojoaria portuguesa sobreviveu sobretudo através da reparação, da montagem, da distribuição e da adaptação de relógios estrangeiros ao mercado nacional. Mesmo nos momentos de maior vitalidade industrial, Portugal nunca desenvolveu uma manufactura comparável às grandes estruturas suíças, francesas ou alemãs. Contudo, talvez seja precisamente essa ausência de tradição industrial pesada que torna particularmente interessante aquilo que começa hoje a surgir. Nos últimos anos, tem-se assistido ao aparecimento de uma nova geração de projectos portugueses ligados à relojoaria: micro-marcas independentes, oficinas especializadas, relojoeiros autorais, iniciativas pedagógicas e pequenos núcleos de produção técnica que procuram construir algo diferente da simples revenda ou personalização de relógios estrangeiros. É neste contexto que surge o conceito de Tempo Futuro. O Tempo Futuro representa uma mudança de paradigma na relojoaria portuguesa contemporânea. Pela primeira vez em muitas décadas, começam a surgir em Portugal iniciativas que procuram não apenas comercializar relógios, mas também desenvolver competências técnicas locais, acabamentos manuais, construção parcial de componentes, restauro especializado e transmissão estruturada de conhecimento relojoeiro. Projectos como Bruno Moreira, Les Tugas do IPR, Monserrate, Meia Lua, Eximio, Prometheus, Borealis ou Contar demonstram abordagens muito diferentes entre si, mas partilham um elemento comum: a tentativa de construir identidade própria num país historicamente periférico à grande indústria relojoeira. Em alguns casos essa identidade surge através do design; noutros através da recuperação de referências culturais portuguesas; noutros ainda através da experimentação técnica, da decoração manual ou da tentativa de reconstruir pequenas cadeias nacionais de produção. Talvez o aspecto mais interessante deste Tempo Futuro seja precisamente o facto de não procurar copiar directamente a relojoaria suíça. A escala é diferente, os recursos são diferentes e a própria realidade histórica portuguesa é diferente. Em vez de competir através da industrialização massiva, muitos destes projectos aproximam-se mais da lógica artesanal, da pequena produção e da especialização técnica. Num mundo cada vez mais dominado pela produção globalizada, essa escala reduzida pode transformar-se precisamente na maior força da relojoaria portuguesa contemporânea: proximidade, individualidade, flexibilidade e identidade cultural. Portugal poderá nunca tornar-se uma potência industrial relojoeira. Mas talvez isso já não seja a questão mais importante. O verdadeiro sinal de maturidade surge quando um país deixa de perguntar se consegue competir com os outros e começa finalmente a construir uma linguagem própria. Mais do que preservar Neste contexto, o IPR tem contribuído activamente para a criação de novos profissionais, para o surgimento de novas marcas e para o desenvolvimento de uma comunidade portuguesa de amantes, coleccionadores e consumidores de relojoaria cada vez mais informados e activos. Iniciativas como a feira Tempo Futuro demonstram precisamente essa vontade de criar um espaço de encontro entre relojoeiros, marcas independentes, alunos, coleccionadores e público especializado, promovendo uma nova dinâmica em torno da relojoaria portuguesa contemporânea. O projecto Les Tugas representa talvez o exemplo mais claro dessa visão. Procura funcionar como uma verdadeira prova de conceito: a demonstração de que já existe em Portugal capacidade técnica, industrial e artesanal para produzir componentes relojoeiros especializados em território nacional. Ao mesmo tempo, começam já a surgir várias novas marcas desenvolvidas por ex-alunos do IPR, actualmente em fase de planificação. O objectivo do Instituto Português de Relojoaria passa precisamente por incentivar o aparecimento de novos projectos nacionais e apoiar activamente todos os que pretendam desenvolver relojoaria em Portugal, tal como oficinas, independentes, marcas emergentes e fábricas instaladas no país. Talvez seja precisamente aí que começa o verdadeiro futuro da relojoaria portuguesa.

  • Inventário das marcas portuguesas de relógios

    184 fotos de relógios de Marcas Portuguesas. O início de "O Inventário" Neste segundo artigo dedicado à relojoaria portuguesa decidimos reunir todas as marcas de relógios portuguesas conhecidas. É importante fazer a ressalva de que estamos a falar de marcas portuguesas e não de relógios portugueses. Durante várias décadas, muitos empreendedores criaram marcas de relojoaria em Portugal para vender relógios importados, principalmente da Suíça. O objectivo deste trabalho consiste em identificar, documentar e preservar a memória dessas marcas através dos exemplares que chegaram até aos nossos dias. Este artigo constitui apenas uma etapa de um projecto mais vasto que continuará a ser desenvolvido pelo Instituto Português de Relojoaria. As fotografias apresentadas neste artigo resultam de uma sessão fotográfica realizada por Bruno Candeias no âmbito do projecto do Instituto Português de Relojoaria dedicado ao levantamento das marcas portuguesas de relógios de pulso. A iniciativa contou com a colaboração de coleccionadores que disponibilizaram os seus exemplares para estudo e documentação. O conjunto aqui apresentado reúne 185 relógios em estado NOS (New Old Stock), preservando mostradores, caixas e elementos gráficos em condições excepcionais de conservação. Importa igualmente referir que uma parte significativa das informações actualmente disponíveis sobre estas marcas tem origem em testemunhos orais, memórias de antigos profissionais do sector, coleccionadores e documentação incompleta. Nem sempre foi possível confirmar de forma independente todas as referências encontradas. Por esse motivo, algumas atribuições deverão ser consideradas provisórias até ao aparecimento de novas fontes documentais. O Inventário Escolhemos o nome O Inventário porque este projecto pretende identificar, reunir e documentar as marcas de relógios portuguesas que fomos encontrando ao longo da investigação. Existe também uma curiosa ligação etimológica com a palavra inventar: muitas destas marcas nasceram de nomes cuidadosamente imaginados pelos seus fundadores, numa tentativa de criar identidade e diferenciação no mercado. O nome constitui frequentemente o primeiro passo de uma iniciativa empresarial e, em muitos casos, é também o elemento que mais tempo sobrevive após o desaparecimento da própria empresa. Ao longo dos últimos anos fomos reunindo informações dispersas sobre estas marcas através de anúncios publicitários, registos de marca, documentação comercial, testemunhos orais e exemplares sobreviventes. O objectivo deste trabalho consiste em preservar essa informação, torná-la acessível, e criar uma base documental que possa ser continuamente ampliada e corrigida à medida que surgem novas fontes. As fotografias apresentadas neste artigo resultam de uma sessão fotográfica realizada por Bruno Candeias no âmbito deste projecto do Instituto Português de Relojoaria dedicado ao levantamento e inventário das marcas portuguesas de relógios de pulso. A iniciativa contou com a colaboração dos coleccionadores Nuno Graça e João Martins que disponibilizaram os seus exemplares para estudo e documentação. O conjunto aqui apresentado reúne 185 relógios em estado NOS (New Old Stock), preservando mostradores, caixas e elementos gráficos em condições excepcionais de conservação. Este trabalho integra um projecto mais vasto do Instituto Português de Relojoaria que procura construir o inventário mais completo possível das marcas de relógios de pulso comercializadas em Portugal. Importa igualmente referir que uma parte significativa das informações actualmente disponíveis sobre estas marcas tem origem em testemunhos orais, memórias de antigos profissionais do sector, coleccionadores e documentação incompleta. Nem sempre foi possível confirmar de forma independente todas as referências encontradas. Por esse motivo, algumas atribuições e relações entre marcas deverão ser consideradas provisórias até ao aparecimento de novas fontes documentais. Este levantamento deve ser entendido como um trabalho em permanente construção, aberto a correcções, contributos e novas descobertas. Fotos: Bruno Candeias O que nos dizem estes mostradores? Os 185 relógios documentados neste levantamento representam apenas uma pequena parte do universo das marcas portuguesas de relógios de pulso. A base de dados do projecto O Inventário reúne actualmente mais de 300 marcas identificadas através de registos comerciais, publicidade antiga, documentação histórica, testemunhos orais e exemplares sobreviventes. Apesar das limitações inerentes a este tipo de investigação, o conjunto já permite identificar algumas tendências importantes da relojoaria portuguesa ao longo do século XX. A criatividade por detrás dos nomes Os nomes escolhidos para as marcas portuguesas de relógios revelam muito sobre a forma como os seus fundadores pretendiam apresentar os seus produtos ao mercado. Embora algumas designações correspondam simplesmente ao nome do proprietário ou da empresa, muitas outras resultam de exercícios de criatividade comercial que procuravam transmitir confiança, prestígio, modernidade ou uma identidade particularmente portuguesa. Entre os exemplos mais curiosos encontram-se algumas marcas construídas a partir dos apelidos dos seus proprietários escritos ao contrário. A marca Otar, associada a Fernando Rato, constitui provavelmente o caso mais conhecido. Existem ainda exemplos como Said, ligado ao apelido Dias, e Morais, relacionado com o apelido Morais. Estas soluções permitiam criar uma marca original sem perder a ligação à identidade do fundador. Outras designações procuravam transmitir uma imagem de prestígio, qualidade ou autoridade. Nomes como Imperial Watch, Regina, Vanguard, Primar ou Starlux evocam conceitos de liderança, distinção e importância, características frequentemente utilizadas na publicidade relojoeira internacional da época. O inventário revela também algumas situações curiosas relacionadas com a grafia das marcas. Um dos exemplos mais interessantes é a coexistência das designações Siaron (Morais) e Siarom (Norais) . Sem documentação adicional, não é possível determinar se estamos perante duas marcas distintas ou se uma das variantes resultou de um erro ocorrido durante a produção do mostrador, da gravação da matriz ou de uma alteração introduzida ao longo da vida comercial da marca. Casos como este ilustram bem as dificuldades encontradas na investigação da relojoaria portuguesa, onde muitas vezes sobrevivem apenas os relógios, tendo desaparecido a documentação que permitiria esclarecer definitivamente estas questões. Também encontramos marcas ligadas ao território, à cultura e ao imaginário português. Exemplos como Tagus, Vouga, Adamastor, Latino ou Girassol demonstram uma intenção clara de criar identidades comerciais associadas a referências nacionais facilmente reconhecíveis pelos consumidores portugueses. Paralelamente, muitas marcas adoptaram sonoridades inspiradas na relojoaria suíça, francesa ou alemã. Designações como Limoge, Eletta, Vanguard, Starlux ou Zuryl procuravam frequentemente transmitir uma aparência internacional, beneficiando da reputação técnica que a relojoaria estrangeira possuía junto do público. A diversidade destas escolhas demonstra que a criação de uma marca era muito mais do que um simples exercício administrativo. O nome constituía um dos principais instrumentos de diferenciação comercial e, em muitos casos, é hoje um dos poucos vestígios que restam de empresas desaparecidas há várias décadas. Entre a Marca Portuguesa e o Relógio Português A maioria das marcas portuguesas não fabricava integralmente os seus relógios. Em muitos casos, os movimentos eram importados da Suíça, enquanto a comercialização era assegurada por empresas portuguesas. Esta realidade explica a presença frequente de mecanismos ETA, FHF, FE, AS, Valjoux, Peseux, Lemania, Lorsa ou Unitas em relógios vendidos sob marcas portuguesas. O valor histórico destas marcas não reside necessariamente na produção industrial dos relógios, mas na criação de redes comerciais, oficinas, distribuidores e identidades próprias que marcaram várias gerações de consumidores portugueses. Os Principais Centros da Relojoaria Portuguesa A investigação realizada até ao momento permite identificar alguns núcleos particularmente importantes para a relojoaria portuguesa. Cantanhede surge associada a um elevado número de marcas, distribuidores e montadores. O Porto revela igualmente uma actividade muito significativa, em particular através da J. Borges de Freitas e de várias casas comerciais ligadas ao sector. Lisboa concentra algumas das marcas mais conhecidas do mercado nacional, enquanto cidades como Coimbra e Viseu também apresentam um património relojoeiro relevante. Um Universo de Marcas Quase Esquecidas Uma das conclusões mais evidentes deste trabalho é a enorme quantidade de marcas actualmente desaparecidas. Em muitos casos desconhecemos as circunstâncias exactas do seu desaparecimento. Ainda assim, a concentração destes desaparecimentos nas últimas décadas do século XX sugere uma ligação às profundas alterações que marcaram o mercado relojoeiro internacional, em particular à expansão dos relógios de quartzo e à crescente globalização da indústria. Muitas sobreviveram apenas através de um mostrador, um anúncio publicitário ou um registo de marca. Em diversos casos desconhecemos a data exacta de criação, a dimensão da actividade ou mesmo a identidade dos seus proprietários. Ainda assim, estas marcas constituem testemunhos valiosos da actividade económica portuguesa e da ligação do país às grandes redes internacionais de comércio relojoeiro. Um Trabalho em Construção Importa igualmente referir que uma parte significativa das informações actualmente disponíveis sobre estas marcas tem origem em testemunhos orais, memórias de antigos profissionais do sector, coleccionadores e documentação incompleta. Nem sempre foi possível confirmar de forma independente todas as referências encontradas. Por esse motivo, algumas atribuições e relações entre marcas deverão ser consideradas provisórias até ao aparecimento de novas fontes documentais. Este levantamento deve ser entendido como um trabalho em permanente construção, aberto a correcções e contributos de todos. Conclusão Este inventário constitui um mapa fragmentado da história da relojoaria portuguesa. Apesar de muitas destas marcas terem desaparecido há várias décadas, os mostradores, relógios e documentos que sobreviveram continuam a testemunhar a diversidade de um sector que teve uma presença muito mais significativa do que geralmente se reconhece. Cada novo exemplar identificado contribui para aprofundar o conhecimento sobre estas marcas, e permite reconstruir gradualmente um património que permanece insuficientemente estudado. Colabore com o Projecto Tem sugestões, correcções, fotografias, documentos ou informações sobre alguma destas marcas? Conhece histórias relacionadas com relojoeiros, oficinas ou empresas portuguesas de relojoaria? Quer ser um membro activo deste projecto? Entre em contacto connosco. A investigação continua em curso e toda a colaboração é bem-vinda. info@institutoportuguesderelojoaria.pt

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Inscrição lista Cinco Em Ponto Maia Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos, Serviços a relógios de quartzo, Revisão geral com limpeza, Restauro de mostrador, Restauro de caixa, Consertos gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: ✘ Tic Time Portugal Braga Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos, Serviços a relógios de quartzo, Revisão geral com limpeza, Restauro de mostrador, Restauro de caixa, Consertos gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: ✘ Hugo Mota Torres Vedras Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos, Serviços a relógios de quartzo, Revisão geral com limpeza, Restauro de mostrador, Restauro de caixa, Consertos gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: ✘ Equação de Tempo - Bruno Leal Póvoa de Santa Iria Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos, Serviços a relógios de quartzo, Revisão geral com limpeza, Restauro de mostrador, Restauro de caixa, Consertos Gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: João Carlos Bento Oeiras Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos, Serviços a relógios de quartzo, Revisão geral com limpeza, Restauro de caixa, Consertos Gerais, Outras reparações: (Reparação de relógios de sala, Relojoaria fina pulso e bolso) Contacto verificado pelo IPR: ✘ Desconto Clube IPR: ✘ Carlos Jorge Pereira de Oliveira “ Carlos Oliveira’s Relojoeiros” Funchal Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos, Serviços a relógios de quartzo, Revisão geral com limpeza, Restauro de caixa, Consertos Gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: ✘ Gaiato Relojoeiro Porto Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos, Serviços a relógios de quartzo, Restauro de caixa, Consertos Gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: ✘ José Avelino Leite Gonçalves - RELOGIOURO Fafe Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos, Revisão geral com limpeza, Consertos Gerais, Outros Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: ✘ Restauros e Reparações Santos Lisboa Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos, Revisão geral com limpeza, Consertos Gerais Contacto verificado pelo IPR: Desconto Clube IPR: Museu do Relógio Serpa Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos Serviços a relógios eléctricos Revisão geral com limpeza Restauro de mostrador Restauro de caixa Consertos gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: 5% IPR - Instituto Português de Relojoaria Lisboa Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos Serviços a relógios eléctricos Serviços a relógios de Torre Serviços a relógios de pêndulo Revisão geral com limpeza Restauro de mostrador Restauro de ponteiros Restauro de caixa Consertos gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: 5% Museu do Relógio - Évora Évora Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos Serviços a relógios eléctricos Revisão geral com limpeza Restauro de mostrador Restauro de caixa Consertos gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: 5% Relojoaria Girão Sintra Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos Serviços a relógios de quartzo Serviços a relógios eléctricos Revisão geral com limpeza Restauro de mostrador Restauro de caixa Consertos gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: 5% Lugar do Tempo Relojoaria Lisboa Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos Serviços a relógios de quartzo Serviços a relógios eléctricos Revisão geral com limpeza Restauro de mostrador Restauro de caixa Consertos gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: 5% Tempo Minucioso Porto Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos Serviços a relógios de quartzo Serviços a relógios eléctricos Revisão geral com limpeza Restauro de mostrador Restauro de caixa Consertos gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: ✘ Reparar o Tempo Alfragide Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos Serviços a relógios de quartzo Serviços a relógios eléctricos Revisão geral com limpeza Restauro de caixa Consertos gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: 5% David Rosas Porto Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos Serviços a relógios de quartzo Revisão geral com limpeza Restauro de mostrador Restauro de caixa Consertos gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: ✘ Paulo dos Santos Bento Coimbra Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos Serviços a relógios de quartzo Revisão geral com limpeza Restauro de mostrador Restauro de caixa Consertos Gerais Alteração de Circuitos Integrados Reparação de Bobines Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: ✘ Pedro Coelho Lisboa Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos Serviços a relógios de quartzo Revisão geral com limpeza Consertos gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: 5% João Vinhas Estremoz Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos Revisão geral com limpeza Restauro de mostrador, Restauro de caixa Manufactura de Peças Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: ✘ Relojoaria Silva Faro Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos Revisão geral com limpeza Consertos gerais Contacto verificado pelo IPR: ✔ Desconto Clube IPR: ✘ Relojoaria Portuguesa Lisboa Consultar contactos Serviços Serviços a relógios mecânicos Revisão geral com limpeza Consertos gerais Contacto verificado pelo IPR: ✘ Desconto Clube IPR: ✘ RPN - 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