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- O Relógio de Su Sung: Uma Maravilha da Engenharia Mecânica Medieval Chinesa
Por: Sílvio Pereira Introdução O relógio de Su Sung (também conhecido como Su Song) é uma das mais notáveis realizações da antiga engenharia chinesa. Construído no início do século XI, este engenho foi muito mais do que um simples relógio; era uma torre astronómica complexa que combinava a medição do tempo com a observação dos céus. Este feito técnico é atribuído ao erudito e engenheiro Su Sung (1020–1101), um polímata chinês que, além de astrónomo, foi também farmacólogo e diplomata. A sua obra mais famosa, o relógio de água, destacou-se pela inovação no uso de engrenagens e automação, marcando um ponto alto na história da engenharia mecânica pré-industrial. O Contexto Histórico e Cultural A China, durante a dinastia Song (960–1279) , era um centro de grande inovação e desenvolvimento tecnológico. Naquela época, havia uma forte ligação entre a astronomia, a governação e a ciência. Os imperadores dependiam de astrónomos para definir calendários e prever eventos astronómicos importantes, o que, em muitas culturas, era considerado essencial para a manutenção da ordem cósmica e política. Su Sung foi encarregado de projetar um dispositivo que não só pudesse medir o tempo com precisão, mas também monitorizar e registar os movimentos dos corpos celestes. A construção do relógio foi iniciada por volta de 1088 e completada em 1092 na cidade de Kaifeng, a capital do Império Song. Esta construção não era apenas uma demonstração da supremacia tecnológica da China, mas também uma ferramenta valiosa para a administração imperial. O relógio de Su Sung era uma estrutura imponente que utilizava a força da água para impulsionar uma série de mecanismos intrincados. A peça central era uma enorme roda de 36 compartimentos, que giravam lentamente, impulsionados pelo fluxo constante de água. Cada compartimento, ao encher-se, desencadeava uma série de movimentos que atualizavam as diversas indicações do relógio. Estrutura e Funcionamento do Relógio de Su Sung O relógio de Su Sung era uma impressionante torre de cerca de 12 metros de altura, equipada com várias funcionalidades: 1. Relógio de água (clepsidra): O coração do mecanismo era um sofisticado sistema de relógio de água. Este método de medição do tempo já era utilizado na China, mas Su Sung inovou ao combinar o sistema hidráulico com engrenagens complexas que permitiam um movimento contínuo e automático. A água, armazenada num reservatório, fluía de forma controlada, criando pressão que movia as engrenagens e, por sua vez, o resto do mecanismo. 2. Escape de água : Uma das grandes inovações do relógio de Su Sung foi o uso de um mecanismo de escape . Embora escapes rudimentares já fossem conhecidos em sistemas de relógios de água mais antigos, Su Sung desenvolveu um escape mais avançado que regulava o fluxo da água de maneira uniforme, garantindo uma medição do tempo muito mais precisa. 3. Automatização e movimento das esferas celestes: O relógio também continha uma esfera armilar , um modelo mecânico que representava o movimento dos corpos celestes. Esta esfera rotacionava automaticamente, permitindo observações astronómicas regulares e alinhadas com o tempo. Com este dispositivo, Su Sung pôde mapear com precisão os céus e estabelecer calendários detalhados. 4. Mostrador e autómatos: A torre incluía múltiplos andares com mostradores que indicavam as horas e os movimentos dos corpos celestes. Além disso, possuía autómatos — figuras mecânicas que, em momentos determinados, emergiam para tocar sinos, tambores e gongos, anunciando as horas e outros eventos significativos. Estes autómatos eram controlados por um sistema de engrenagens complexo e eram considerados uma das maiores maravilhas mecânicas da época. As principais funções do relógio incluíam: Indicação das horas: Através de figuras mecânicas que se moviam em esferas, o relógio apresentava as horas de forma clara e precisa. Mostra dos dias do mês: Um calendário mecânico indicava a data, levando em conta as diferentes durações dos meses lunares e solares. Representação as fases da Lua: Um modelo em miniatura da Lua mostrava as diferentes fases, desde a lua nova até a lua cheia. Demonstração os movimentos celestes: O relógio possuía um globo celeste que se movia em sincronia com os movimentos reais dos astros, permitindo aos astrónomos estudar os padrões celestes. Inovações Tecnológicas O relógio de Su Sung é reconhecido por várias inovações tecnológicas, que influenciaram o desenvolvimento de relógios e mecanismos automáticos tanto na China como, eventualmente, em outras partes do mundo. Algumas destas inovações incluem: 1. Escape de fusée de corrente : Embora o uso deste tipo de mecanismo tenha sido mais associado a relógios ocidentais posteriores, o conceito de um sistema regulado de libertação de energia (neste caso, a água) era já essencial no relógio de Su Sung. Este conceito mais tarde seria um pilar no desenvolvimento de relógios mecânicos na Europa. 2. Engrenagens complexas: O uso de engrenagens para transmitir movimento contínuo era já conhecido, mas a precisão e a sofisticação do sistema de Su Sung eram notáveis para a época. Cada roda dentada e engrenagem foi projetada para maximizar a eficiência do sistema hidráulico e manter a precisão ao longo do tempo. 3. Automatização primitiva: O uso de figuras mecânicas que atuavam de forma automática era uma característica particularmente avançada. Esta ideia de automação não apenas fornecia um valor estético e funcional (como anunciar as horas), mas também refletia o engenho mecânico deste período. O Legado e a Destruição Infelizmente, o relógio de Su Sung não sobreviveu intacto à passagem do tempo. Em 1126, durante a invasão dos Jurchens, que tomaram Kaifeng, a torre e o relógio foram desmantelados e levados como espólio de guerra para a Manchúria. Embora tenha havido tentativas de reconstruí-lo, foi perdido o dispositivo original . Contudo, o impacto deste relógio na história da tecnologia foi imenso. O projeto de Su Sung foi registado no seu tratado chamado "Xin Yi Xiang Fa Yao" (新儀象法要), que descrevia o design e funcionamento do relógio. Estas informações preservaram o conhecimento sobre o dispositivo e ajudaram a influenciar o desenvolvimento de outras tecnologias mecânicas, tanto na China como no exterior. Influência no Desenvolvimento Global de Relógios Embora a China tenha mantido uma tradição forte no fabrico de relógios mecânicos até meados do período imperial, o impacto da engenharia de Su Sung pode ter contribuído indiretamente para o desenvolvimento de mecanismos de relógios na Europa séculos depois. O conceito de um mecanismo regulado, como o sistema de escape de Su Sung, é um precursor do escape de relógio mecânico que surgiu na Europa durante a Renascença. Conclusão O relógio de Su Sung representa um marco na história da relojoaria e da engenharia mecânica. Embora a sua construção tenha ocorrido há quase mil anos, as inovações tecnológicas incorporadas no seu design continuam a ser reconhecidas como avanços notáveis para a época. A fusão de precisão científica com a mecânica avançada faz deste relógio uma das maravilhas tecnológicas da antiga China e um testemunho da engenhosidade humana. Hoje, Su Sung é lembrado como um dos grandes pioneiros da engenharia mecânica, e o seu legado perdura como um símbolo da grandeza tecnológica da civilização chinesa. Réplicas de modelos do relógio de Su Sung podem ser encontrados em diversos museus ao redor do mundo, permitindo que o público admire a complexidade e a beleza desta obra-prima da engenharia chinesa. Algumas considerações finais · A influência budista na construção do relógio: A filosofia budista, como sua procura pela ordem e pela harmonia, pode ter influenciado a concepção e a construção do relógio. · A relação entre o relógio de Su Song e a astrologia chinesa: A astrologia era uma ciência muito importante na China antiga, e o relógio de Su Song certamente incorporava muitos dos conceitos astrológicos da época. · As dificuldades enfrentadas por Su Song na construção do relógio: A construção de um relógio tão complexo deve ter sido um desafio enorme. Su Sung e a sua equipa tiveram que superar muitos e grandiosos obstáculos, de diversas ordens, para a construção deste relógio.
- O Pirelóforo e o Rubi
Todos os relógios têm rubis. Todos sabemos que actualmente, estes não são rubis naturais. Felizmente também todos já sabemos que a qualidade de um relógio não se mede pelo número de rubis. Ainda assim, há muito por desvendar acerca deste assunto. Sabia que o vidro "cristal de safira" de um relógio é feito do mesmo material que os rubis artificiais? Sabia que os rubis são na verdade óxido de alumínio? A produção destes rubis artificiais, que encontramos actualmente nos relógios, só foi possível graças à criação de fornos muito potentes que atingiam os 2400ºc, no início de 1900. Por essa altura era também mundialmente sabido que o forno mais potente, (3800ºc) tinha sido criado por um padre português e chamava-se Pirelóforo. Sabia que os Rubis para mais de 1200 movimentos de relógio são feitos em Portugal na CIMD ? UM MECANISMO DE RELOJOARIA A primeira máquina foi montada na tapada da Ajuda, em Lisboa, atingiu 2000ºc e foi capaz de fundir basalto. A versão final atingia 3800ºc e era capaz de fundir todas as rochas ou metais. Porém o que nos interessa mesmo aqui é que este aparelho estava assente num complicado mecanismo de relojoaria que permitia que toda a estrutura acompanhasse o movimento do sol ao longo do dia, tal como a posição da caixa em relação aos espelhos reflectores. O PIRELÓFORO Na infância todos descobrimos que uma lupa ao sol pode tornar-se na mais terrível arma mortal, do ponto de vista de uma formiga. Pois bem, em 1904 na Exposição Universal de St. Louis, nos Estados Unidos, foi premiada uma invenção portuguesa que levava esta ideia ao extremo. Uma invenção capaz de fundir todas as rochas e todos os metais existentes, tudo isto apenas com a energia solar. O inventor foi o Padre Himalaya (Manuel António Gomes) originário de Cendufe e a invenção, o Pirelóforo. O Pirelóforo era constituido por um conjunto de espelhos em forma de parabólica que reflectiam a luz para um único ponto, numa caixa/forno, onde se colocavam os elementos para fundir. Porém, ao contrário da técnica da lupa, o Pirelóforo tinha 13 metros de altura e acompanhava os movimentos do sol mediante um mecanismo de relojoaria. Esta Exposição Universal foi nos EUA, em 1904 e o Pirelóforo tinha uma parábola de 80m2, 6177 espelhos e media 13m, é impressionante imaginar a logística toda necessária ao transporte e à montagem do aparelho. Numa das fotos acima é possível ver os sistema de espelhos de 13m de altura montado num navio. Segundo o próprio Padre Himalaya, todo este processo de transporte e montagem custou 40 contos fortes na época. A máquina embarcou em Maio de 1904 e ficou pronta e montada em Agosto desse ano. ORGULHO PATRIÓTICO E O ROUBO DO PIRELÓFORO No final da exposição de St. Louis o aparelho foi desmontado e guardado num armanzém, o Padre Himalaya passou os próximos 2 anos a estabelecer contactos com cientistas e em palestras pelos Estados Unidos. No regresso descobriu que apesar das enormes dimensões, o Pirelóforo havia sido roubado. Era uma invenção com bastante valor na altura. Ao longo da exposição, por orgulho patriótico recusou uma proposta para se naturalizar como Americano ou uma outra no valor de 350 contos, oferecida pelos Japoneses para comprar o aparelho. AS PATENTES Apesar do roubo do Pirelóforo, a patente foi registada nos EUA, com o número 707891, o que não impediu que aparelhos iguais de menor dimensão surgissem pelos EUA após o roubo em St. Louis. Em Portugal foi registado com a patente 3746. Aqui fica a tradução possível do texto e das fotos da patente americana: PATENTE 707891 EUA "Para todos aqueles que podem interessar: Fiquem sabendo que eu, MANUEL ANTÓNIO GOMES HIMALAYA, engenheiro, súbdito do Rei de Portugal, residente na Rue de Buzenval 13, Boulogne-sur-Seine, Departamento de Sena, República da França, inventei um certo novo e útil Aparelho Solar para produção de altas temperaturas, do qual o seguinte é uma descrição completa, clara e exacta. Esta invenção se refere a um aparelho solar para produção de altas temperaturas, particularmente nas pesquisas metalúrgicas e químicas que requerem o uso de temperaturas superiores às dos fornos comuns, incluindo o forno elétrico. O aparelho compreende uma superfície refletora disposta para fazer com que os raios solares convirjam para "um foco confinado colocado no centro de uma fornalha, cadinho ou outro receptor, esta fornalha ou outro receptáculo, se assim se desejar, pode ser colocado completamente fora do sistema refletor . Compreende, além disso, meios para ajustar ou definir o aparelho de modo a manter a convergência dos raios sobre o foco selecionado qualquer que seja a altura do sol acima do horizonte. Compreende também um tipo de forno ou receptor de calor especialmente construído para o propósito de minha invenção. Eu agora procuro descrever meu arranjo, fazendo referência aos desenhos anexos, nos quais a Figura 1 é uma seção através do eixo de um parabolóide de rotação ABG, da qual a parte próxima ao vértice é cortada ao longo de X Y perpendicularmente ao eixo e na qual um sector truncado ab 0 (Z, formando uma parte essencial do aparelho, é cortado. As Figs. 1, 1 e 1 são vistas que ilustram modificações na forma dos elementos que formam o reflector. A Fig. 2 mostra em plano e sobre um escala reduzida o mesmo parabolóide truncado ABXY da Fig. 1 dividido em oito setores S a S montados sobre um eixo horizontal DD, dispostos perpendicularmente ao eixo do parabolóide de rotação ao nível do foco Z e apoiados por meio de duas colunas 1 1, passíveis de serem deslocadas sobre a pista circular 2. A Fig. 3 mostra em planta e na posição de trabalho o setor parabolóide truncado abcd das Figs. 1 e 2, direcionando os raios solares dentro de um cadinho E, estando o sol vertical. A Fig. 4 é uma secção vertical sobre a linha MN da Fig. 3. A Fig. 5 é uma forma modificada da disposição mostrada a seguir. A Fig. 6 (sem imagem disponível) É uma vista frontal do sistema refletor da Fig. 5 e em corte sobre a linha PQ da Fig. 1. A Fig. 7 mostra, em parte vertical, dois sistemas refletores colocados costas um para o outro de maneira a formar dois focos em dois fornos simetricamente opostos. A Fig. 8 é uma vista plana, em escala reduzida, do dispositivo mostrado na Fig. 7. A característica essencial da invenção consiste no uso de uma superfície refletora formada por um setor de um parabolóide de rotação a 6 0 (Z, Fig. 1. capaz de refletir um lápis cônico de raios solares a 5 Z, Figs. 2 a 8, tendo um ângulo no vértice suficientemente agudo para que o foco Z seja formado no centro do forno ou outro receptor E e para produzir uma temperatura muito alta. Na verdade, o parabolóide de rotação e superfícies semelhantes, embora seja a forma ideal de aparato óptico para concentrar os raios solares em um foco fisicamente perfeito, não pode formar um foco capaz de uso prático, porque os raios refletidos atingindo o foco de todos os lados da figura não podem ser concentrados no centro de um forno ou receptor para aquecimento. Eles podem aquecer apenas ao redor e fora de um cadinho ou caldeira. Desta forma, as temperaturas desenvolvidas são relativamente pequenas, e as perdas de calor por radiação e reflexão são muito importantes. Minha invenção é baseada no princípio da resolução do parabolóide da rotação em tantas partes quantas sejam necessárias para obter uma porção de um parabolóide capaz de produzir um foco prático e facilmente utilizável em pesquisas metalúrgicas e em todos os ramos da testes industriais onde são necessárias temperaturas muito altas. Este resultado é obtido cortando no vértice um parabolóide de rotação sobre a linha XY, Fig. 1, e dividindo o frusturn parabolóide assim obtido em, por exemplo, oito partes ou setores S a S, Fig. 2, e ajustando adequadamente ou definindo um desses setores, como será A abertura ou são deste setor parabolóide ab 0 d, que para maior simplicidade chamarei de refletor, Figs. 1, 2 e 3 é de preferência cerca de quarenta e cinco graus, mas pode ser maior ou menor, de acordo com as circunstâncias. Este setor pode ser cortado em um ou mais lados ou em todos os lados, em tal caso assumindo a forma de um tronco de um setor parabolóide, que é o mostrado nos desenhos, ou um círculo, uma elipse, um polígono ou outra forma. Este refletor pode ser formado por uma ou mais partes 01 'elementos de um parabolóide, cuja forma pode ser variada, isto é, cada um dos elementos que formam o refletor pode ter a forma de um trapézio K, que é aquele ilustrado nas Figs. 1 a 8, ou de um círculo, Fig.1." O RUBI SINTÉTICO Três anos antes da apresentação do Pirelóforo, em 1902, August Verneuil alcançou um feito que iria alterar a relojoaria até aos nossos dias. Este químico francês professor do Conservatoire des Arts et Métiers de Paris, logrou criar pela primeira vez Rubis sintéticos por um processo de sinterização. A dificuldade na criação dos primeiros Rubis sintéticos, usados ainda hoje em dia em todos os relógios mecânicos, prende-se com o facto do material que os compõe, óxido de alumínio, ter de ser aquecido até 2400ºc. Só com a criação de um forno capaz de atingir estas temperaturas foi possível a criação deste novo material. Talvez se August Verneuil tivesse conhecido o Padre Himalaya e o Pirelóforo dele que atingia os 3800ºc, ambos tivessem beneficiado das descobertas um do outro. RUBIS e VIDROS DE RELÓGIO Os rubis sintéticos, bem como seus equivalentes naturais, são corindos, ou seja, óxido de alumínio. No processo de fabricação industrial, o componente básico alumina (óxido de alumínio) passa por uma série de operações, ou seja, purificação, aquecimento, fusão e cristalização, o que resulta em pedaços de rubi artificial em forma de pêra. O óxido de cromo é adicionado para obter a cor vermelha dos rubis naturais. No caso dos vidros de cristal de safira o método é o mesmo, porém, não é acrescentado óxido de cromo. A fabricação em larga escala de rubis permitiu a criação de quantidades abundantes dessas pedras sintéticas, mais homogéneas em qualidade do que as encontradas na natureza. O comércio de jóias leva a maioria dessas pedras. Na relojoaria, o custo dos rubis vinha principalmente da mão de obra necessária para perfurá-los e cravá-los, pois o custo da matéria-prima era relativamente baixo. Dito isto, deve-se notar que, do início ao produto final, cerca de 90% do rubi é destruído, sendo apenas os 10% restantes utilizáveis para relógios. Até 1930, as pastilhas de rubi eram encaixadas no latão com jóias, mais tarde foi adoptada a técnica de cravá-las (pressionando) nas placas, reduzindo ainda mais os custos de produção. Nota: Tem mais informações ou imagens acerca do assunto deste artigo? Entre em contacto connosco. Bibliografia e fontes Documentário: À Porta da História Padre Himalaya|ep. 713 Dez. 201 - ver (25min Artigos para download : Blogues : Jacinto Rodrigues Referências: ARAUJO, A, Lopes - Centenário do Nascimento do Padre Manuel António Gomes Himalaia, Arcos de Valdevez, 1972. COSTA, Avelino de Jesus da, "Verbete "Himalaia" in Dicionário de História de Portugal (Direcção de Joel Serrão), Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1965, vol. IL GOMES, (HIMALAIA) - Manuel António, Mémoire descriptif déposé a Vappui de la demande d'un Brevet d' Invention (...) par Monsier Himalaya, (dactilografado), Paris, 1899. GONÇALVES, José - O sábio inventor português Himalaia, Braga, s.d. MESQUITA, Alfredo de - "O Padre Himalaya e o seu Invento", in Serões, n° 1,Livraria Ferreira e Oliveira, Lda., Lisboa, Julho de 1905,pp. 23-27, New York Times - Edição de 12 de Março de 1905. TINOCO, Alfredo, - "O Padre Himalaia - Um percursor português do aproveitamento da Energia Solair. O Pirelióforo", in Actas e Comunicações do / Encontro Nacional sobre o Património Industrial, vol II, pp. 95-108, Coimbra Editora, 1990. VILLECHENON, Florence Pinot de - Les Expositions Universselles, P.U.F. Paris, 1992. Hemeroteca Digital de Lisboa http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt Occidente – Revista Illustrada de Portugal e do Estrangeiro 29º ano; XXIX volume ; nº1003 – 10 nov. 1906 Serões – Revista mensal illustrada nº1 – jul. 1905 Portugal na Exposição Universal de 1904 – O padre Himalaia e o Pirelióforo; texto de Alfredo Tinoco; Cadernos de Sociomuseologia; nº 42 – 2012. Disponível em http://recil.grupolusofona.pt/handle/10437/4545
- Relógios da Colecção Permanente do Museu Calouste Gulbenkian
Rodeada pelo Jardim Gulbenkian, em Lisboa está uma das mais importantes coleções particulares do mundo, reunida em vida pelo Arménio Calouste Sarkis, com 6000 peças expostas num edifício construído propositadamente para a receber. Entre todo o acervo do Museu Calouste Gulbenkian (MCG) encontram-se 7 relógios e um Barómetro/Termómetro que vamos conhecer de seguida. Regulador Origem : Coleção Polovtsoff; Coleção Hodgskins. Adquirida por Calouste Gulbenkian na casa Duveen, Paris, abril de 1924. Dimensões: A. 245 cm; L. 63 cm; Prof. 26 cm © Foto 1 MCG, fotos 2 e 3 IPR "A caixa deste relógio, executada em estilo roccaille , constitui um exemplar notável, não só pelo belíssimo trabalho de marchetaria com motivos florais, como também pela sumptuosa decoração, em bronze cinzelado e dourado em que se destaca, no remate da peça, uma alegoria compósita, com figuras em vulto perfeito. A parte superior, ou «cabeça» apresenta o mostrador esmaltado, com três ponteiros, indicando horas, minutos e segundos, e encerra o mecanismo do relógio; logo abaixo, uma parte intermédia, permite o movimento da pêndula, observável através de um óculo; na parte inferior descem os pesos que fazem funcional o conjunto. A este tipo de relógios, de caixa alta e pêndula muito comprida, era dado o nome de regulador, pelo seu alto grau de precisão, que permitia que por eles fossem acertados outros relógios. No exemplar que aqui vemos, a forma, muito contornada, adapta-se perfeitamente às necessidades do mecanismo que encerra." © Museu Calouste Gulbenkian Relógio de parede Jacques Caffieri, Jacques Lemazurier Origem : Coleção Rodolphe Kann. Adquirida por Calouste Gulbenkian à Casa Duveen, Paris, 6 de maio de 1910. Dimensões : A. 115 cm; L. 63 cm © Foto 1 MCG, fotos 2 e 3 IPR "Um mostrador circular, em esmalte compartimentado ricamente decorado, e dois ponteiros igualmente tratados num trabalho minuciosamente rendilhado, são a parte visível da arte do mestre relojoeiro que concebeu e executou a máquina desta notável obra de arte. O enquadramento foi executado por Jacques Caffieri – filho e pai de escultores e bronzistas –, no qual revela todo o seu talento, que o faz rivalizar com Charles Cressent na arte do bronze aplicado à decoração de objetos artísticos. Tal como este último, o seu estilo reflete ainda, muitas vezes, uma forte componente do estilo Regência, bem visível nesta peça em que a vertente simétrica é dominante, embora o conjunto escultórico do remate traduza já as tendências rocaille que marcaram esta época, patentes em toda a peça, mas sobretudo nas duas figuras de crianças infantis que a encimam, tratadas em vulto perfeito, numa cena cheia de graciosidade e movimento. O relógio de parede, designado na época por cartel d’applique , caracteriza-se, na sua forma, pela reminiscência da peanha que, de início, suportava relógios de mesa quando aplicados em superfícies verticais, e se revela no prolongamento inferior da moldura em remate triangular." © Museu Calouste Gulbenkian Relógio astronómico - André-Charles Boulle, atrib. Origem : Cardeal Pietro Ottoboni. Adquirida por Calouste Gulbenkian a Duveen, Paris, janeiro de 1922. Dimensões : A. 100 cm; L. 21 cm © Foto 1 MCG, fotos restantes IPR "Relógio imponente, não só pelas suas dimensões mas pelo caráter monumental da sua decoração escultórica, uma das características da obra de Boulle. Pensa-se que terá sido uma encomenda do cardeal Pietro Ottoboni, cujas armas e insígnias cardinalícias são visíveis no conjunto escultórico superior, uma representação da Fama. Na base do relógio, composta por quatro pilastras, numa alegoria ao Tempo, podemos observar Cronos, reclinado junto dum pequeno cupido. Este conjunto escultórico está assente sobre um panejamento que apresenta uma cena gravada, em que este Papa, Alexandre VIII, condena as doutrinas jansenistas. A caixa deste relógio é de madeira, marchetada a ébano e latão sobre fundo de tartaruga, outra das «marcas» da produção Boulle. A qualidade e mestria do trabalho de André Charles Boulle levam-no a ser nomeado por Luís XIV mestre ebanista do rei, e a instalar-se, sob proteção real, nas galerias do Louvre, onde Jacques Thuret, mestre relojoeiro do rei, também trabalhava. É um relógio astronómico, assim designado por possuir um mecanismo de grande precisão, que além de indicar as horas, minutos e segundos, fornece outras informações como a data, as fases da Lua, a posição do Sol e também os signos do zodíaco." © Museu Calouste Gulbenkian Barómetro-Termómetro Claude-Siméon Passemant, Charles-Nicolas Dodin Origem : Castelo de Boughton Hall; Coleção Mortimer L. Schift. Adquirido por Calouste Gulbenkian por intermédio de Hans Stibel, Christie's, Londres, junho de 1938. Dimensões : A. 100 cm; L. 21 cm © Foto 1 MCG, fotos restantes IPR "Os instrumentos de medida e precisão foram peças muito procuradas no século XVIII, fruto dos avanços científicos da época, numa altura em que a confiança nas capacidades intelectuais do homem e o poder da razão adquiriram uma enorme importância. O rei e a corte não foram alheios a esta tendência, utilizando-os para decorar os seus salões e atribuindo-lhes, deste modo, também o estatuto de obra de arte. Este barómetro-termómetro é da autoria de Claude-Siméon Passemant, um dos maiores inventores e construtores de instrumentos científicos da época. Os dois instrumentos, barómetro e termómetro, estão encastrados numa caixa de bronze cinzelado e dourado, decorado com fitas, flores, frutos, grinaldas e enrolamentos. Desta decoração fazem ainda parte três placas de porcelana, assinadas por Charles-Nicolas Dodin, um importante pintor de figuras da Real Manufatura de Sèvres que executou diversas placas para a decoração de móveis e instrumentos científicos, para além de serviços e vasos. As três placas apresentam motivos relacionados com a função da peça. A placa superior, oval, tem uma reserva verde com cercaduras douradas e no centro um cupido, sobre uma nuvem, que segura um óculo. Na placa do meio, também com a mesma cercadura, podemos ver um menino num ambiente bucólico a segurar um compasso e uma esfera armilar. Na placa inferior, mais pequena e sem reserva, sobre uma nuvem encontra-se um livro e diversos instrumentos científicos. O livro está aberto numa página onde se lê Connaissance des Temps . Os mostradores esmaltados dos dois instrumentos contêm informações sobre o estado do tempo." © Museu Calouste Gulbenkian Outros relógios na colecção Relógio Cercle Tournant Relógio de Mesa Relógio Cercle Tournant Relógio de Mesa
- Rolex Submariner fabricado para as Forças Especiais Sul-Africanas.
*Este é uma tradução do IPR, autorizada, a partir de um artigo da autoria de Jose Pereztroika, de 7 de Maio de 2023: ver original , intitulado: «‘ THE SHADOW’ – A UNIQUE FACTORY BLACKED-OUT ROLEX SUBMARINER 5513 ‘MILSUB’» Há relógios tão lendários que as pessoas que os viram em metal ficam assombradas por eles para o resto da vida. Lê-se sobre isso em fóruns de relógios da velha guarda, onde os entusiastas de relojoaria que ouviram as histórias perguntam timidamente se eles existem mesmo. Relógios que, sozinhos, são responsáveis por todo um novo género de personalização de relógios. Estou a falar, claro, do famoso Milsub sul-africano revestido a teflon. Apelidado de "The Shadow" (A Sombra), é o único Rolex de fábrica conhecido com o acabamento preto, que por acaso é um Submariner Ref. 5513 fabricado para as Forças Especiais da África do Sul em meados da década de 1970. Como um sacana cheio de sorte que sou, tive a oportunidade única de passar algum tempo de qualidade com este sonho metálico tornado realidade. . FEITO PARA AS FORÇAS ESPECIAIS SUL-AFRICANAS "The Shadow" foi descoberto pelo lendário negociante de relógios da velha guarda Tom Bolt, aka The Watchguru (IG: @watchguru_) no início de 2001. Uma peça incrível e fora do comum, Bolt contactou imediatamente o departamento de património da Rolex (Rolex Patrimoine na altura) para verificar a sua existência. Na altura, a Rolex ainda fornecia informações de arquivo mediante pedido especial. A Rolex respondeu por fax: "O número da caixa pertence a um Rolex Oyster Perpetual Submariner, Ref. 5513, fabricado em 1975. O relógio em questão destinava-se ao exército sul-africano e a característica deste modelo era ser totalmente preto. Não podemos revelar quantos relógios foram fornecidos porque a informação é confidencial." Se olharmos para a história da África do Sul, 1975 foi um ano crucial. Angola tinha acabado de se tornar independente de Portugal e as duas superpotências, os Estados Unidos e a União Soviética, juntamente com o seu aliado, Cuba, apoiavam os grupos opostos que travavam uma guerra fria. Receando represálias dos grupos comunistas, a população portuguesa, para além de centenas de milhares de angolanos de várias origens étnicas e políticas, fugiu para a vizinha Namíbia e para a África do Sul, o que deu origem a um dos maiores êxodos de África e a uma crise de refugiados. Confrontada com uma possível tomada de controlo comunista do seu país vizinho e com a propagação da ideologia ao seu próprio país, a África do Sul enviou forças especiais para Angola numa incursão militar secreta com o nome de código "Operação Savannah". Com o apoio dos Estados Unidos e em unidades mistas com angolanos anticomunistas, os sul-africanos invadiram Angola com o objectivo de expulsar os comunistas, especialmente as forças soviéticas e cubanas, do sul do país. Para os sul-africanos não era fácil manter em segredo a sua presença em Angola, devido à sua cor de pele. Para se esconderem entre os combatentes angolanos amigos, pintaram de preto as partes expostas do corpo. Se olharmos para as fotografias destes homens, torna-se imediatamente claro porque é que foram encomendados relógios escuros. Ter um relógio brilhante e reflector na Savana podia não só denunciar a sua posição, mas também fazer com que o seu utilizador, como a sua unidade fossem mortos. Durante a pesquisa para este artigo, deparei-me com dezenas de fotografias de soldados que usavam caixas anti-reflexo pretas nos seus relógios normais. À luz deste facto, o "The Shadow" parece ser uma evolução lógica. Também podem ser encontradas caixas de relógio anti-reflexo semelhantes nos pulsos dos soldados portugueses que partiram de Angola em 1975, depois de um golpe militar de esquerda em Lisboa ter derrubado o governo português e o novo regime ter cessado todas as acções militares em Angola, declarando a sua intenção de conceder a independência sem demora. No início dos anos 2000, Tom Bolt apresentou o relógio em feiras de relojoaria no Reino Unido e em Itália. Foi aqui que as pessoas viram "The Shadow" pela primeira vez e não conseguiram tirá-lo da cabeça. Numa publicação num fórum de 2011, o famoso historiador de relógios de mergulho Marcello Pisani (RIP) descreveu o seu primeiro encontro com o relógio, a forma como compreendeu imediatamente que era real sem sequer ter de olhar para a confirmação escrita da Rolex Genebra, tal como os seus profundos remorsos por não ter avançado: "o único relógio de que alguma vez me arrependerei de não comprar ...." Ligação ao fórum: Qual dos 5513 é mais raro (TRF) Pouco tempo depois, a "Bamford & Sons" e, mais tarde, também uma marca recém-criada chamada "Pro Hunter" começaram a personalizar Rolex Submariner com caixas pretas revestidas a PVD baseadas no "The Shadow". Kamal Choraria, fundador da Pro Hunter, declarou uma vez: "Durante muitos anos, os nossos clientes caçadores ansiavam por um Rolex concebido para a comunidade de caçadores. Por isso, colaborámos com as suas ideias e isso levou-me de volta ao momento em que tive nas minhas mãos um Rolex Submariner revestido a preto, especialmente concebido pela Rolex para alguns oficiais do exército britânico em África. Outras pessoas apenas conheceram histórias ou ouviram falar deste lendário relógio, mas eu vi-o e segurei-o, e o design ficou gravado na minha memória. Isto resultou na concepção de um relógio inteligente e exclusivo que é simultaneamente prático e agradável à vista. Nasceu o Pro Hunter". Ligação ao fórum: Existe alguma verdade nisso? Declaração do Rolex Pro Hunter... (TRF) Tom Bolt vendeu o relógio a um importante coleccionador no Reino Unido, onde permaneceu durante quase 20 anos. Agora, o relógio está de volta a Tom Bolt e na minha recente viagem à Europa, ele deu-me a oportunidade única de experimentar o relógio em primeira mão. Um relógio deste calibre, considerado por muitos como o derradeiro MilSub, precisa de ser partilhado com a comunidade relojoeira antes que volte a desaparecer durante décadas. A USAR "A SOMBRA Chegado a Londres, estou sentado no sofá do escritório do Tom, a folhear uma série de livros de relojoaria que estão à minha frente na mesa de centro. O Tom está ocupado com o seu assistente pessoal. Empacota relógios, faz chamadas telefónicas. Um homem de negócios a fazer negócios. De repente, um "Ei, vejam isto!", e o que é que aparece a voar pela sala? Claro, "A Sombra"! Reajo rapidamente e apanho o relógio em pleno voo. Quando olho para o que aterrou nas minhas mãos, é amor à primeira vista. Frio, escuro, hediondo, ameaçador... Gunmetal ! Depois reparo na bracelete. A cor e o material são perfeitos. Para alguém que adora relógios militares, colocar o "The Shadow" no meu pulso parece-me imediatamente correcto. É assim que é suposto ser um verdadeiro relógio militar. É claro que o comparo imediatamente com o meu próprio Submariner Ref. 16800 de 1985, o que nos dá uma ideia do quão escuro é o "The Shadow". No dia seguinte, conduzimos até à casa de campo do Tomás. No carro, os meus pensamentos estão concentrados no "The Shadow" e em como o apresentar adequadamente ao meu público. Tive uma ideia! Quero que o Tom me filme a disparar uma caçadeira clássica de cano duplo usando "A Sombra". Sei que seria ilegal disparar uma arma na propriedade dele. É pena, uma fotografia deve ser suficiente. "O Sombra" em estado selvagem. Apesar de ser uma peça de colecção de alta qualidade, o relógio é incrivelmente leve no pulso. Uma peça bem usada, não é preciso preocuparmo-nos demasiado com ela. É isso que adoro nos relógios vintage. A combinação entre a caixa escura e desgastada, mas incrivelmente bem conservada, o mostrador maravilhosamente patinado e a fantástica bracelete faz do "The Shadow" o relógio de aventura ideal ou, como alguns dizem, o derradeiro MilSub. DE PERTO E PESSOAL A característica mais marcante do "The Shadow" é, obviamente, a sua caixa revestida a teflon. A cor não é o preto, mas sim o bronze. Uma observação interessante é o facto de a luneta parecer ser mais baixa do que o habitual. O "The Shadow" apresenta o chamado "Serif Dial" (mostrador com serifas), assim chamado devido às serifas encontradas nos marcadores de horas rectangulares às 3, 6 e 9 horas. A pátina que a luminescência de trítio desenvolveu no mostrador e nos ponteiros é simplesmente de cortar a respiração. As fotografias não fazem justiça a este mostrador. Um pormenor interessante são as gravações entre as asas, que foram aplicadas com um tipo de letra diferente do habitual na época. Como se pode ver na comparação abaixo, o "The Shadow" apresenta claramente o tipo de letra B entre as asas, enquanto outros modelos Submariner da Ref. 5512, Ref. 5513 e Ref. 5514 (Comex) com números de caixa muito próximos, apresentam todos o Typeface C. Esta é uma indicação clara de que o "The Shadow" foi uma produção especial. Além disso, com 4,093 milhões, o número de caixa da "The Shadow" situa-se exactamente entre dois lotes conhecidos da Ref. 5514 fabricados para a Comex. Até à data, não existem outros relógios Rolex desta gama. Gostaria de agradecer ao Tom Bolt por me ter deixado usar este fantástico relógio durante alguns dias. Foi uma experiência inigualável acordar ao lado não de um, mas de dois relógios militares absolutamente fantásticos na mesa de cabeceira. Obrigado pelo vosso interesse. Por favor, siga o Tom Bolt no Instagram: @watchguru_. A propósito, "The Shadow" é uma alcunha relativamente nova dada ao relógio por Tom Bolt, que, aliás, inventou muitas alcunhas fixes agora utilizadas na terminologia quotidiana dos relógios - "The Beast" para AP, "John Player Special" Paul Newman, "The Great White", "The Albino", para citar apenas algumas. *Este é uma tradução do IPR, autorizada, a partir de um artigo da autoria de Jose Pereztroika, de 7 de Maio de 2023: ver original , intitulado: «‘ THE SHADOW’ – A UNIQUE FACTORY BLACKED-OUT ROLEX SUBMARINER 5513 ‘MILSUB’»
- Franck Muller Cintrée Curvex™ Edelweiss
A Franck Muller lançou o Cintrée Curvex™ Edelweiss, uma homenagem ao património suíço da marca. Este relógio, fabricado na Suíça com a expertise da Franck Muller, destaca-se pela sua caixa curva característica e contornos refinados. O mostrador apresenta um guilloché estampado em forma de sol, juntamente com os números emblemáticos da marca, reconhecíveis pelo seu design icónico. Numa homenagem adicional à herança suíça, o número 12 no mostrador é substituído por uma flor Edelweiss, símbolo da Suíça, que floresce nos Alpes e representa pureza, coragem e nobreza. A bracelete, em pele de crocodilo vermelha, é costurada à mão, refletindo a cor icónica da Suíça e conferindo um toque de modernidade ao design. Disponível em ouro rosa e aço inoxidável, com ou sem diamantes, o Cintrée Curvex™ Edelweiss distingue-se pelo seu design elegante e intemporal. Características Técnicas Caixa Largura : 31 mm Cumprimento : 43 mm Espessura : 8.8 mm Material : Ouro Rosa 18k Decoração : Cravejado com 69 diamantes Resistência à água : 30 metros Vidro : Safira Movimento Calibre : MVT 1748-DT Reserva de marcha : 38 horas Componentes : 75 Diâmetro : 17,2 mm Espessura : 4,8 mm Frequência : 28.800 alt/h Correia Material : Pele Crocodilo Fivela : Em ouro rosa, cravejada à mão com 4 diamantes de lapidação brilhante (0,04 quilates) Mais informações no site oficial da Franck Muller.
- Ulysse Nardin × Gumball 3000
A Ulysse Nardin e a Gumball 3000 criaram uma edição limitada de relógios para celebrar o 25º aniversário da famosa corrida de supercarros Gumball 3000. Esta parceria une os valores partilhados das duas marcas, como a ousadia, a inovação e o rompimento de convenções. O relógio, denominado Freak X Gumball 3000 Limited Edition, contará apenas com 150 exemplares. Os participantes da Gumball 3000 terão a oportunidade de personalizar os seus relógios com o número da sua equipa. A edição especial será inicialmente oferecida exclusivamente aos condutores da Gumball 3000 antes de estar disponível para o público em geral. O relógio apresenta uma caixa de Carbonium forjado, marcadores em laranja com Super-LumiNova, e uma bracelete de borracha Delugs® em laranja, tudo adornado com o logótipo icónico da Gumball 3000 na parte traseira. A Gumball 3000 é uma corrida de resistência que ocorre desde 1999, fundada por Maximillion Cooper. A corrida envolve uma mistura de figuras visionárias, como xeiques, estrelas de rock e empreendedores, unidos pela paixão pela adrenalina e pela aventura. Este ano, a rota de 3000 milhas atravessará o Vietname, Camboja, Tailândia e Malásia, antes de terminar no Grande Prémio de Fórmula 1 de Singapura. Características Técnicas Modelo 2303-270LE-2A-GUM/3A Caixa Material : Titânio DLC preto Diâmetro : 43 mm Resistência à água : 50 metros Fundo : Vidro Movimento Calibre : UN-230 Frequência : 21.600 alt/h - 3hz Reserva de marcha : 72 horas Rubis : 21 Componentes : 206 Bracelete Material : Borracha Cor : Laranja “Delugs® Fivela : Titânio DLC preto Mais informações no site oficial da Ulysse Nardin.
- Jaeger-LeCoultre 101 Secrets
A Jaeger-LeCoultre lançou uma nova versão do relógio 101 Secrets em Platina 950, enriquecendo a sua coleção Calibre 101. Este relógio é uma obra de alta joalharia com o menor movimento mecânico do mundo, o Calibre 101, criado em 1929 e famoso pela miniaturização e precisão. O 101 Secrets é uma peça de joalharia e relojoaria, com dois segredos: o mostrador, oculto e revelado por um mecanismo secreto, e o fecho da bracelete, que se ativa com um botão disfarçado por diamantes. A caixa e a bracelete, ambos em platina, são definidos por quatro filas de diamantes, criando uma aparência contínua de luz que esconde o mostrador. A complexidade da peça requereu centenas de horas de pesquisa e a combinação de técnicas tradicionais com novas tecnologias, como microtecnologia e prototipagem 3D, para assegurar a precisão dos componentes. O movimento Calibre 101, com apenas 14 mm x 4.8 mm e pesando um grama, é composto por 98 componentes e oferece uma reserva de marcha de 33 horas. Características Técnicas Modelo 101 Secrets Caixa Material : Platina 950 Diâmetro : 29,07 x 12,22 mm Espessura : 9.88 mm Movimento Calibre : 101/5 Reserva de marcha : 33 horas Mostrador Material : Madrepérola Bracelete Material : Engastada com diamantes de lapidação brilhante Pedras : 1.028 diamantes em talhe de brilhante - 26,21 quilates Mais informações no site oficial Jaeger-LeCoultre.
- Relógios de torre
“Se fosse possível conseguirmos condensar toda a vida da Terra no espaço de um ano, o homem apareceria no dia 31 de Dezembro às 11h45 (Hitti, 1961).” Pelo facto de o tempo não ser físico, visível ou palpável, o ser humano, ao propor-se medir o tempo, abraçou um objetivo desafiante, criando e desenvolvendo engenhos fascinantes que, ao longo dos séculos, sempre moveram e apiaixonaram gerações. Os relógios de torre marcaram o início desta jornada. Grandes e robustos, tornaram-se progressivamente mais pequenos e, aos poucos, chegaram às nossas casas. Primeiro vieram os relógios de parede e de mesa, seguidos pelos relógios de bolso e de pulso. Inicialmente quase inacessíveis, estas máquinas intemporais de medir o tempo passaram a estar cada vez mais ao alcance do público em geral. Este artigo propõe uma abordagem centrada exclusivamente nos relógios de torre, explorando a sua história desde a aparição até à evolução ao longo dos séculos, bem como o seu funcionamento. Será ainda tratado o tema da relojoaria férrea em Portugal, destacando a sua importância e singularidade no contexto histórico. Como complemento, será relatada a visita ao relógio da torre da igreja de Santiago no Castelo de Palmela, ilustrando um exemplo concreto de esforço na preservação e valorização deste importante património histórico e cultural. A relação do homem com a natureza envolvente é inevitável e a influência desta na vida do homem é outra inevitabilidade. Grandes ciclos da natureza (ano, mês, dia) repetem-se ininterruptamente levando o próprio homem a estabelecer hábitos na sua relação com estes ciclos. A tentativa de organização e contagem do tempo surge quase naturalmente na relação entre homem e natureza. Anos, estações do ano, meses, dias (luz e obscuridade sucedem-se de forma ininterrupta), trajectória visível do Sol entre outros, são exemplos de ciclos naturais que se repetem sempre de forma regular e, por essa razão, também serviram de orientação na vida das pessoas que, entretanto, os organizaram. Actualmente conseguimos dividir um segundo em dez ou até em cem partes, mas se nos imaginarmos no séc. XIII, altura em que apareceram os primeiros relógios de torre, a unidade de tempo mais pequena talvez pudesse ser o dia. Os ritmos eram menos agitados e o rigor da medição do tempo era mais relativo. Entre o nascer e o pôr do Sol definia-se a jorna, o meio-dia era quando a sombra tinha menor comprimento. A sombra do cabo de uma enxada projectada no chão definia o tempo de descanso, entre outros hábitos. A importância da igreja A igreja e respectivas ordens acabam por desempenhar um papel importante porque nesta instituição há já o hábito de dividir os dias em “partes” mais pequenas muito devido às suas práticas canónicas, de trabalho e de descanso. É também na igreja que acontece o primeiro impulso com vista à concepção de um engenho mecânico que autonomamente possa auxiliar na contagem das diversas partes do dia. Especialmente a divisão do dia – mais antiga unidade de tempo – acaba por constituir o primeiro grande objectivo. Dividir o dia em ciclos mais pequenos, contou com o importante contributo da igreja. Os sinos nos conventos e mosteiros, accionados pelos monges (sineiros), anunciavam, entre outros, as matinas , as primas , as vésperas ou as completas que são exemplos de parte desta organização diária e que correspondem respectivamente à aurora (4 badaladas), ao nascer do Sol (3 badaladas), ao pôr do Sol (3 badaladas) ou ao anoitecer (4 badaladas). Este anúncio, através de badaladas, estava a cargo do monge responsável por accionar manualmente os sinos à altura do dia pretendida. Os sinos assumiam grande importância como meio de comunicação à população. O monge responsável por esta tarefa, para poder cumpri-la com a melhor exactidão posssível, regulava-se pelo quadrante vertical (relógio de Sol) ou, à noite e em dias menos ensolarados, pela clepsidera (relógio de água) ou pela vela graduada que sensivelmente a cada hora deixava cair pregos ou pesos que produziam um som avisador. Os tempos eram calmos e pouco agitados. Talvez se fizesse sentir uma maior relação do homem com a natureza. Relógios de Torre Grandes e pesados, estes relógios eram inicialmente construídos em ferro e madeira, com rodas dentadas impulsionadas por grandes pesos que corriam ao longo de uma torre sineira com a altura necessária para proporcionar a autonomia pretendida ao mecanismo. A torre alojava no seu topo os sinos que indicavam as horas através das suas batidas. Pesadas massas penduradas por uma corda de cânhamo constituíam a sua fonte de energia e eram frequentemente enroladas até ao cimo ficando depois vagarosamente a desenrolar ao longo da torre sineira sob efeito da gravidade. Quanto mais alta a torre, maior a autonomia do relógio. Destes tempos terá ficado até hoje o termo dar corda ao relógio. Na maioria das vezes sem qualquer mostrador, eram chamados “ relógios de tanger” porque só indicavam as horas através das batidas dos seus sinos. Construídos em materiais que rapidamente sofriam desgaste o oxidavam (ferro e madeira), estes relógios não eram, por essa razão, muito precisos necessitando ser ajustados com recurso a um relógio de sol ou clepsidra, mas foram as máquinas que marcaram o início da longa e inacabada viagem pela procura da contagem do tempo. Ao longo dos tempos estes relógios foram alvo de vários aperfeiçoamentos, desde o uso de novos materiais na sua construção até à substituição do seu oscilador com reflexo no seu desempenho. Origem No séc. XIII surgem os primeiros relógios que, accionando autonomamente os sinos das torres, substituem os monges responsáveis nessa função. No início, para a sua regulação e porque não eram ainda muito precisos, não dispensavam completamente o auxílio dos relógios de sol durante o dia ou das clepsidras durante a noite e dias menos ensolarados Inicialmente de tanger Estes primeiros relógios tinham também a particularidade, na sua maioria, de ainda não mostrarem as horas. Tocavam-nas apenas (relógios de tanger). Numa época em que a maioria das pessoas não sabia ler, o anúncio das horas acontecia através do tanger dos seus sinos. Só mais tarde surgem os primeiros mostradores e geralmente com um único ponteiro. Também o segundo ponteiro (dos minutos) começa por surgir só em finais do séc. XVII. Rápida evolução Progressivamente estes relógios foram recebendo várias inovações. Os materiais utilizados inicialmente na sua construção (ferro e madeira) foram gradualmente substituídos por outros materiais (bronze e latão) que, ao contrário dos anteriores, não apodreciam nem oxidavam tão facilmente tornando os relógios mais duráveis, robustos e precisos. Outra inovação que importa assinalar foi a introdução do oscilador de pêndulo em substituição do “Folliot”. Este novo oscilador, idealizado por Galileu-Galilei e adaptado por Christiaan Huygens e Salomon Coster no séc. XVII, veio proporcionar notável precisão no funcionamento destes relógios. Ao contrário do antigo oscilador de “folliot” este, atraído pela gravidade, apresenta uma chamada ao “ponto morto” proporcionando importante inovação para a época. Outro facto notável é que relógios rapidamente evoluíram para a incorporação de autómatos. Demonstração de virtuosismo que na altura, tal como hoje, não deixam ninguém indiferente e continuam a ser motivo de visitas só para os ver funcionar. Os primeiros passos no controlo do tempo através destes mecanismos contribuíram até para a Europa se poder afirmar tecnologicamente perante o resto do mundo. Não passou muito tempo até se considerar haver vantagem em replicar o exemplo da igreja levando ao aparecimento também do relógio público ou comunitário que, através do “tanger” dos seus sinos passou a dar um precioso contributo na normalização da vida nas cidades. O relógio, independente da vontade das pessoas, impunha a sua “autoridade”, operou importante conduta social o que gerou alguma contestação em algumas pessoas, mas era também objecto de orgulho e prestígio que atraía forasteiros para admirarem o seu funcionamento. Entre os séc.’s XIV e XVII assiste-se, por toda a Europa, a uma instalação generalizada destes mecanismos. Importantes na normalização da vida em sociedade são também motivo de orgulho e até de estatuto. A sua aquisição e manutenção não está inicialmente ao alcance de todos começando-se no entanto, gradualmente, a assistir a um proliferar destas fascinantes máquinas por todas as povoações. Funcionamento, breve abordagem Estes engenhos começam por ter uma estrutura base constituída por quatro colunas unidas por travessas e fixadas por cunhas de ferro (mais tarde parafusos) estando, em dois dos lados destas colunas platinas verticais fixadas às travessas superior e inferior e nas quais encaixam os eixos das rodas do movimento e das badaladas respectivamente, bem como os eixos dos tambores/cilindros. Nestes são enroladas cordas de cânhamo que sustentam duas pesadas massas em pedra (mais tarde em chumbo ou ferro) constituindo, estas massas, a fonte de energia de todo o sistema. Um destes tambores transmite a sua energia através de um conjunto de rodas desmultiplicadoras que reduzem gradualmente a força e a levam até ao sistema de escape. Este liberta gradualmente a energia proveniente do tambor para um oscilador. É neste momento que ocorrem os tic-tac’s regulares e constantes que vamos conseguindo ouvir e que permitem o funcionamento regular do relógio. Entretanto o outro cilindro, da mesma forma, transmite a sua energia através de outro conjunto de rodas desmultiplicadoras, mas desta feita até ao “travão” das badaladas que só permite a libertação desta energia de forma coordenada com o movimento das horas (parágrafo anterior) e somente no exacto momento pretendido resultando nas badaladas que assinalam a passagem respectiva de cada hora. O tempo em português É na Sé de Lisboa no ano de 1377 onde é colocado o primeiro relógio em Portugal. Mandado colocar pelo Rei D. Fernando, este relógio não tinha mostrador indicando as horas através do tanger dos seus sinos. É já durante o reinado de Filipe III que em 1628 é mandado colocar um mostrador. Sabe-se que o seu construtor foi “Mestre João” (françês). Este necessitava de um relojoeiro que o mantinha, o ajustava, enrolava a corda e, entre outras tarefas, o temperava com azeite (lubrificava). O último relógio de torre mecânico instalado em Portugal terá sido na Igreja da Misericórdia de Seia na segunda metade do séc. XX e construído em Aldeia do Bispo (Penamacor) por Manuel de Sousa Manteigas. Pensa-se que é o Frade Franciscano Frei João da Comenda, o primeiro relojoeiro português a conceber um relógio no nosso país no ano de 1478. A partir do Mosteiro se Orgens (Viseu) terá construído doze relógios de torre, distribuídos por várias cidades entre as quais Évora, Setúbal ou Serpa. Data assim do séc. XV o relógio mais antigo fabricado em Portugal. Por esta altura as horas eram públicas disponibilizadas pelos Mosteiros, mas também por torres dos Municípios a toda a população (tempo público). Tanto no Mosteiro de Orgens como no Mosteiro de Varatojo encontram-se ainda hoje preservados dois exemplares dos seus doze relógios. Nesta altura, encontram-se também referências a um relojoeiro na região de Alenquer chamado Frei João da Montanha. Interessante poderá ser a colocação de um relógio que batia os seus sinos a cada quarto de hora no ano de 1628 e que foi construído pelo “carmelita descalço” Frei Francisco de Jesus. Este relógio inicialmente colocado no convento do Bussaco, pelo facto de tocar os seus sinos a cada quinze minutos, terá chamado a atenção do poder central e terá sido transportado para a capital. O facto de não haver ainda o hábito de colocação da autoria do seu construtor nos respectivos relógios acabou por dificultar um pouco o conhecimento, quer do respectivo relojoeiro quer da totalidade de relojoeiros portugueses na época. No entanto conseguem-se encontrar referências ao relojoeiro Pablo Gomes em Guimarães, ou já em finais do séc. XVI ao relojoeiro Fernão Gonçalves em Braga. Durante o reinado de D. João V, os novos relógios construídos com novos materiais e com osciladores e pêndulo começam a substituir gradualmente as antigas máquinas férreas que ganharam este nome por serem construídos em ferro e madeira. Nomes importantes na área da relojoaria grossa de torre no decorrer no séc. XX são as casas Cardina e Cousinha respectivamente na Nazaré e em Almada. Terão sido os herdeiros de todo o legado, mas acabaram talvez “vítimas” da electrificação e de um país talvez um pouco rendido a esta novidade e um pouco esquecido das preciosas máquinas mecânicas que mediam até aí o tempo. Importante será também a referência à “Boa Reguladora” que apesar de não se dedicar à relojoaria grossa que constitui o nosso tema, não deixou de prestar um importante contributo à história da relojoaria em Portugal. Desde o ano de 1895 a partir de Vila Nova de Famalicão até aos nossos dias. Quase não haverá quem não tenha tido em sua casa um relógio de parede ou despertador desta marca. Electrificação/ reflexão Alguém imaginaria o “Big Ben” com um relógio eléctrico em vez do original? Curiosamente, quase em simultâneo com o afastar do homem dos ritmos da natureza assiste-se também a um proliferar de máquinas eléctricas que, talvez com alguma ingratidão, substituem as centenárias máquinas férreas. Ao contrário de alguns países que se vão esforçando por preservar os seus relógios seculares de torre. Entre nós vão sendo poucas localidades que se vão ainda envaidecendo com os seus velhinhos marcadores do tempo. A maior facilidade, menor manutenção e talvez o menor custo veio fazer com que muitas relíquias mecânicas, em várias torres de localidades do nosso país, fossem substituídas por estes relógios eléctricos. Imóveis de interesse público e monumentos nacionais, que poderiam servir de exemplo e referência, substituíram também os seus relógios mecânicos. Legado intemporal que nos chegou até aos nossos dias e que estamos talvez a colocar um pouco de lado. O tempo público ficou lá atrás. Já não há partilha da hora. Vivemos sob ordens do rigor implacável do relógio individual. Nos antípodas dos tempos aqui retratados. Com a azáfama e os ruídos de hoje mal ouvimos os seus sinos nas torres das nossas povoações. Estes deverão talvez merecer a nossa preocupação por serem um legado que recebemos e que poderá ser importante fonte de interesse turístico e garante de trabalho tanto para relojoeiros como para guias responsáveis pela sua apresentação a turistas interessados em admirá-los no seu funcionamento. Relógio da Igreja de Santiago no Castelo de Palmela Em Palmela, tal como felizmente em outras localidades, tem havido a sensibilidade e o compromisso na recuperação e conservação do património relojoeiro férreo. Relógios mecânicos seculares que são também parte da nossa história e um legado importante a preservar e a deixar às próximas gerações. Datado de 1752, e fabricado em Liége na Bélgica (casa Henry Rossius) este relógio encontra-se instalado na torre da Igreja de Santiago no Castelo de Palmela. Marcado na sua roda contadora - responsável pelo número de badaladas dos sinos indicando as respectivas horas - como Henri Rossius A Liége 1752, remete-nos para uma cidade onde há a tradição relojoeira de qualidade e amplamente reconhecida na Bélgica, bem como o ano da sua construção. Na platina do movimento das horas podemos ver duas placas fixadas e que confirmam duas reparações quase de certeza mais profundas. A primeira intervenção no ano de 1907 por um relojoeiro alemão, mas a trabalhar em Lisboa, Oscar Knoblick e uma segunda intervenção em 1997 pela empresa Serafim da Silva Jerónimo de Braga. Até aí sem som durante muitos anos, os seus sinos voltaram finalmente a soar após ser mandado reparar pela autarquia no ano de 1996. De frente para o relógio somos “hipnotizados” pelo reluzir bem mantido e conservado dos seus bronzes. Material maioritariamente presente nas rodas que constituem os dois conjuntos de rodagens e que são alimentadas por fontes de alimentação independentes. Dois tambores, cada um com um peso, e um cabo do aço que vai descendo ao longo da torre sineira. Uma das rodagens, à esquerda, é a responsável pelas horas e que termina num enorme pêndulo que tem a função de regular o funcionamento do relógio. A outra rodagem, à direita, responsável pelas badaladas das horas, termina numa ventoinha ou borboleta (travão dinâmico) que tem a função de reduzir e regular a velocidade a que os sinos dão as badaladas. Aparentemente independentes, estes dois mecanismos encontram-se na verdade interligados por forma a que o mecanismo das badaladas (à direita) só é iniciado no exacto momento em que no mecanismo das horas (à esquerda) chega à hora certa. Tudo isto há mais de 250 anos e com um rigor e precisão notáveis. Na fachada da torre virada a Norte temos um bonito mostrador em azulejo com um único ponteiro. Apesar deste não nos mostrar os minutos não nos impossibilitaria talvez, ainda assim, de percebermos o minuto aproximado em que nos encontramos. Se o ponteiro se situar entre as 10 e as 11 horas facilmente percebemos que são 10h30 sem necessidade de termos ponteiro dos minutos. O mesmo se verificando se o ponteiro estiver a ¼ da distância entre as 10 e as 11 horas. Um pormenor interessante também é a presença de um relógio de Sol (quadrante vertical) localizado na fachada Sul da igreja e que serviria de auxílio ao monge sineiro que, como visto, tinha a função de acionar os sinos em determinados períodos do dia por forma a anunciar as cerimónias ou outras indicações à população de Palmela. Poucos anos depois de ter sido colocado, este relógio resistiu ao sismo de 1755 e a partir de 1834, com a passagem do castelo para administração militar, veio também um menor interesse por este património, mas ainda assim o relógio resistiu todos estes anos e parece finalmente dar-nos o privilégio de podermos contemplar o lento passar do tempo através da observação do seu pêndulo, bem como pelo mecanismo robusto e ruidoso que é colocado em movimento a cada hora e que é o responsável por accionar os seus sinos. O Município de Palmela, mediante marcação, possibilita uma visita guiada ao relógio de torre na igreja de Santiago no interior castelo.
- Bianchet e a Glacier Yachts
A Bianchet, relojoeira suíça reconhecida pela combinação de design moderno e tradição artesanal, e a Glacier Yachts, fabricante de iates de alto desempenho de Riga, uniram-se para redefinir a personalização de luxo. Esta colaboração foi motivada por um entusiasta de iates que desejava ver a mesma elegância do seu relógio Bianchet sport tourbillon refletida no seu iate. O ponto central da parceria é um iate Glacier personalizado para combinar com o modelo Bianchet Sky Blue Grande Date, um relógio premiado pelo seu design harmonioso e artesanato de luxo. Este iate exclusivo apresentará o "Bianchet Blue", uma cor icônica que se tornou popular entre os aficionados de relógios após o lançamento do Grande Date no Geneva Watch Days em 2023. O iate foi mostrado ao público no Monaco Yacht Show 2024. A Glacier Yachts, conhecida pelo seu modelo Glacier 48, contribui com sua expertise em criar iates com alto desempenho e luxo. Com a colaboração da Bianchet, estes iates adotarão a estética distinta e a precisão dos relógios suíços, criando novas oportunidades exclusivas para os entusiastas de iates e relojoaria. No centro desta colaboração está o relógio Bianchet Grande Date, um tourbillon voador em forma de tonneau , reconhecido pela sua engenharia sofisticada. Características Técnicas Caixa Material : Titânio Dimensões : 43 mm x 51 mm x 14.35 mm Resistência à água : 100 metros Resistência ao choque : 5000 Gs Movimento Tipo : Turbilhão voador 60 segundos Material : Titânio Bracelete Material : Borracha Fivela : Titânio Mais informações no site oficial da Bianchet.
- Hublot Spirit of Big Bang SORAI
A Hublot continua sua parceria com a SORAI , organização de conservação de rinocerontes fundada por Kevin Pietersen, ex-jogador de críquete e embaixador da marca. A Hublot lançou o Spirit of Big Bang SORAI, uma edição limitada a 30 peças, com parte das vendas destinada a apoiar a SORAI na proteção dos rinocerontes contra a extinção, causada principalmente pela caça furtiva e perda de habitat. A SORAI apoia programas de conservação e educação que aumentam a conscientização sobre a importância dos rinocerontes e combatem o comércio ilegal de chifres. Este novo relógio, feito em cerâmica cinza e equipado com um turbilhão de corda manual e reserva de marcha de cinco dias, simboliza o compromisso da Hublot com a mudança e com a proteção ambiental, unindo esforços para inspirar uma nova geração de conservacionistas. Características Técnicas Caixa Material : Cerâmica Cinzenta Diâmetro : 42 mm Espessura : 13.25 mm Resistência à água : 30 metros Fundo : Titânio Movimento Calibre : HUB6020 Espessura : 4 mm Dimensões : 31,65 x 33,30 Número de peças : 183 Rubis : 25 Reserva de Marcha : 115 horas Frequência : 21.6000 alt/h Bracelete Material : Tecido Cor : Cinza Fivela : Cerâmica Mais informações no site oficial da Hublot.
- Panerai Navy SEALs
A Panerai e os Navy SEALs fizeram uma colaboração, criando uma nova coleção de relógios Submersible inspirada na unidade de elite militar. A Panerai, com uma história enraizada na relojoaria militar italiana, mantém o compromisso de criar relógios que refletem coragem, espírito de equipa e precisão, valores partilhados com os Navy SEALs. A coleção de 2024 incorpora elementos de design inspirados na camuflagem do deserto, com funcionalidades específicas, como mostradores com marcadores revestidos com Super-LumiNova® e detalhes que homenageiam os SEALs, como gravuras e logótipos. Os modelos, como o Submersible QuarantaQuattro Navy SEALs PAM01518, combinam design militar robusto com técnica refinada, utilizando materiais como aço inoxidável, Carbotech™, e titânio. Cada relógio é projetado para resistir a condições extremas, com funcionalidades como resistência à água até 50 bar, reservas de marcha de 3 dias, e características que facilitam o ajuste de hora com precisão. Características Técnicas Modelo Submersible QuarantaQuattro GMT Navy SEALs Carbotech™ PAM01513 Caixa Material : Carbotech™ Diâmetro : 44 mm Fundo : Titânio DLC Resistência à água : 50 BAR Movimento Calibre : P.900/GMT Diâmetro : 12 ½ linhas Espessura : 5.2 mm Rubis : 23 Frequência : 28.800 alt/h Reserva de marcha : 3 dias Bracelete Material : Borracha e tecido Fivela : Aço Mais informações no site oficial da Panerai.
- Czapek & Cie Antarctique
A Czapek & Cie lançou uma edição limitada Antarctique S Mirrored Sincere Platinum Jubilee Edition para comemorar o 70º aniversário da Sincere Fine Watches. Esta edição especial, limitada a 38 peças, destaca-se por apresentar um mostrador espelhado inédito, feito de uma lâmina de silício revestida com platina, que simboliza a passagem do tempo e as possibilidades infinitas do futuro. O design inclui uma combinação inédita de bracelete e caixa bimetálica em aço e ouro amarelo, refletindo a parceria duradoura entre a Czapek & Cie e a Sincere Fine Watches. O movimento é o Calibre SXH5, o primeiro desenvolvido inteiramente pela Czapek & Cie, conhecido pela sua arquitetura única com pontes esqueletonizadas inspiradas nos calibres de relógios de bolso de François Czapek, com uma reserva de marcha de 60 horas. Características Técnicas Caixa Material : Aço e Ouro Diâmetro : 38.5 mm Espessura : 10.6 mm Vidro : Safira Fundo : Vidro Safira Resistência à água : 120 metros Movimento Calibre : SHX 5 Reserva de marcha : 60 horas Frequência : 28.800 alt/h Número de peças : 193 Bracelete Materia l: Aço e Ouro Fecho : Báscula Mais informações no site oficial da Czapek.













