10 de Outubro: Dia Mundial do Relógio

Hoje, 10 de Outubro, celebra-se pela segunda vez o Dia Mundial do Relógio. A data, 10/10, é a hora a que quase todos os relógios posam para a fotografia. O IPR passa a tarde no Museu Medeiros e Almeida, a montar relógios com as crianças.
Porquê 10/10
Quem já folheou um catálogo de relógios reparou: os ponteiros marcam quase sempre 10h10. Nessa posição ficam simétricos, deixam ver o nome da marca às 12 horas e desenham algo parecido com um sorriso. Foi essa hora que deu a data à efeméride.
A iniciativa foi anunciada a 7 de Abril de 2025, no salão Watches and Wonders, em Genebra, com o nome World Watch Day — Journée Internationale de l'Horlogerie. É coordenada por uma associação sem fins lucrativos que tem entre os fundadores a Fondation de la Haute Horlogerie, a fundação do Grand Prix d'Horlogerie de Genève, a Horological Society of New York e a Fundação Horopedia.
A primeira edição realizou-se a 10 de Outubro de 2025 e chegou a mais de seis milhões de pessoas em todo o mundo.
A edição de 2026: o tempo como património vivo
A segunda edição tem como tema «Time as Living Heritage», o tempo como património vivo. A ideia é mostrar como o património relojoeiro continua a evoluir pelo ofício, pelo conhecimento e pela criatividade, e como passa de uma geração para a seguinte.
São mais de 55 eventos e iniciativas em vários países: exposições, conferências, oficinas, iniciativas educativas, actividades em museus, encomendas artísticas e projectos digitais.
Alguns exemplos do programa de hoje:
Genebra — o Musée d'Art et d'Histoire recebe um encontro matinal para novos entusiastas, seguido de conferências.
Le Locle — o Musée d'horlogerie abre aos visitantes o atelier de restauro.
Nova Iorque — a Horological Society of New York abre ao público a biblioteca e a sala de aulas de relojoaria.
Xangai — a Hantang Culture apresenta «Sundial», uma obra de arte encomendada para a ocasião.
Florença — o Museo Galileo publica conteúdos digitais sobre os relógios da sua colecção.
Quem gosta de relógios é convidado a partilhar hoje uma fotografia do relógio no pulso com #WorldWatchDay. O programa completo está em worldwatchday.org.
Hoje, no Museu Medeiros e Almeida
Passar o saber aos mais novos é também o que o IPR faz hoje. Das 14h às 19h, o Museu Medeiros e Almeida recebe «O Tempo que nos Liga: Oficina de Pequenos Relojoeiros», uma proposta conjunta do Instituto Português de Relojoaria e do Museu, integrada no Festival Conecta – O Nosso Bairro, do ACP – Automóvel Club de Portugal.

A oficina é para crianças, acompanhadas por um adulto, em sessões de cerca de 60 minutos com 8 a 10 crianças cada. Cada uma veste uma bata de relojoeiro, recebe o cartão de «Aprendiz de Relojoeiro» e monta, a pares, um relógio mecânico de mesa com caixa transparente, rodas de várias cores, pêndulo e campainha. No fim, leva para casa o Almanaque do Tempo, um caderno de jogos e curiosidades sobre o tempo e os relógios.
O Museu fica na Rua Rosa Araújo, 41, em Lisboa, com entrada temporária pela Rua Mouzinho da Silveira, 4. Todos os pormenores estão no artigo sobre a oficina.

O lugar tem tudo a ver com a data: o Museu guarda uma das mais importantes colecções de relógios do país. E a 19 de Dezembro volta a receber o Tempo Futuro, o salão de relojoaria independente organizado pelo IPR.
Da torre ao pulso
Os primeiros relógios mecânicos europeus apareceram no final do século XIII, em torres de igrejas e mosteiros. Muitos nem tinham mostrador: davam as horas a tocar o sino.

No século XVI, a mola real permitiu fazê-los portáteis, e o relógio passou da torre para a mesa e da mesa para o bolso. O relógio de pulso só se generalizou no início do século XX, sobretudo depois da Primeira Guerra Mundial.
Em 1969 chegou o quartzo, mais barato e mais exacto, e muitos deram o relógio mecânico por acabado. Não acabou: continua a ser feito, usado e coleccionado em todo o mundo.
Por dentro de um relógio
Um relógio mecânico de pulso tem mais de uma centena de peças. A corda guarda a energia, as rodas transmitem-na, o escape liberta-a aos poucos e o balanço, com uma espiral mais fina do que um cabelo, marca o ritmo.
Num relógio corrente, o balanço oscila 28 800 vezes por hora, quase 700 mil vezes por dia, sem pilha e sem parar.

Tanto movimento gasta óleos e peças. É por isso que um relógio precisa de revisão de tempos a tempos, e é aí que entra o relojoeiro: desmonta, limpa, repara ou fabrica a peça que falta, lubrifica, monta e afina.
Um relógio parado quase nunca está perdido. Está à espera de um relojoeiro.
Um relógio português
Em Outubro de 2025 foi apresentado o Les Tugas Modelo 01, o primeiro relógio de pulso português. Em 2026 juntou-se-lhe o Serpe, com mostrador em marchetaria de palha feito à mão por Bernardo D'Orey. Os dois estão em lestugas.pt.

No Instituto Português de Relojoaria, o relógio é assunto de todos os dias: nas aulas, na oficina de reparação e restauro, nos workshops e nas feiras Tempo Passado e Tempo Futuro.
Como assinalar o dia

Leve as crianças, hoje à tarde, à Oficina de Pequenos Relojoeiros no Museu Medeiros e Almeida.
Fotografe o seu relógio no pulso e partilhe com #WorldWatchDay.
Dê corda ao relógio que está esquecido na gaveta e ouça-o trabalhar.
Pergunte em casa a história do relógio da família: de quem era, quem o ofereceu, quando parou.
Traga-nos o relógio parado. O orçamento é sem custos e a recepção funciona de segunda a sexta, das 10h às 12h e das 13h30 às 17h, na Rua Alfredo da Silva, 13B, em Lisboa.
Experimente um workshop e monte um relógio pelas suas mãos.
Bom Dia Mundial do Relógio.




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