28 de Setembro
O dia em resumo
A Seiko abre na quinta-feira, em Lisboa, a primeira loja própria em Portugal. No plano internacional, a Minerva recupera o Exo Tourbillon de balanço suspenso, a Louis Vuitton devolve ao catálogo o Monterey em cerâmica e a Favre Leuba alarga o Harpoon Revival com mostradores preto e azul.
Entre os independentes e as marcas mais jovens, a Buci lança a segunda coleção, a Circula leva o Facet aos 41 mm e a equipa da Ming apresenta uma nova marca de preço mais acessível, a Donut Watch Company. Muitos destes lançamentos têm um fio comum: o património, seja um calibre de Villeret, um desenho de 1988 assinado por Gae Aulenti ou um modelo de 1966 reconstituído nas proporções originais.
Seiko abre a primeira loja própria em Portugal
A Seiko abre na quinta-feira, 1 de outubro, a primeira boutique própria em Portugal, na Rua Rosa Araújo, junto à Avenida da Liberdade, em Lisboa. O espaço tem 125 m² e reúne as coleções King Seiko, Prospex, Presage, Astron e Seiko 5 Sports, além de edições limitadas e modelos exclusivos de boutique.

A abertura, anunciada na semana passada, confirma o peso crescente do mercado português. Segundo a empresa, as vendas no país cresceram 23% em 2025 e 28% no primeiro semestre de 2026. Os retalhistas que já vendem a marca continuarão a fazê-lo. A boutique complementa essa rede e dá à Seiko uma montra direta numa das principais zonas de comércio de luxo de Lisboa.
Minerva traz de volta o Exo Tourbillon de balanço suspenso
A Minerva apresentou a 25 de setembro o Exo Tourbillon Limited Edition 18, uma série de 18 exemplares em ouro amarelo de 18 quilates, com mostrador guilloché verde-azeitona e um pequeno mostrador descentrado em ónix negro, às 12 horas, para as horas e os minutos. A caixa mede 44,8 mm de diâmetro e 15,03 mm de espessura e tem fundo transparente.
A peça é também um sinal do novo estatuto da manufatura de Villeret. Fundada em 1858, adquirida pelo grupo Richemont em 2006 e integrada durante quase duas décadas na Montblanc, a Minerva voltou em 2026 a assinar os relógios com o seu próprio nome, mantendo uma relação próxima com a Montblanc.

O interesse está no movimento. O calibre M16.68, de corda manual, é a base da família Suspended Exo Tourbillon, apresentada em 2018 a partir do Exo Tourbillon desenvolvido em Villeret em 2010. Num turbilhão clássico, o balanço, a espiral e o escape ficam dentro de uma gaiola que dá uma volta por minuto, para compensar os erros de marcha nas posições verticais. No Exo Tourbillon, o balanço sai da gaiola e é colocado sobre ela. A gaiola pode ser mais pequena e leve, exige menos energia para girar e deixa de limitar o diâmetro do balanço.
É esse o ponto decisivo. O balanço de parafusos tem 14,5 mm de diâmetro, uma dimensão pouco habitual num relógio de pulso. Um balanço maior tem um momento de inércia mais elevado e é, por isso, menos sensível a perturbações externas. Isso compensa a frequência baixa de 18 000 alternâncias por hora (2,5 Hz), tradicional em Villeret. O termo “suspenso” descreve a forma como o balanço é sustentado: uma ponte de aço de braço único, curva, mantém-no sobre o mostrador, à vista. A reserva de marcha anunciada é de cerca de 50 horas.
O preço anunciado é de 160 000 euros. Numa altura em que o turbilhão se banalizou em muitos segmentos, esta peça lembra que a complicação só ganha sentido quando a arquitetura do órgão regulador é pensada de raiz.
Louis Vuitton recupera o Monterey em cerâmica
A Louis Vuitton apresentou hoje o Monterey Ceramic, em cerâmica negra ou verde, que passa a integrar a coleção permanente. É o regresso do material que definiu os primeiros relógios de pulso da casa: os modelos de 1988, conhecidos como Monterey, desenhados pela arquiteta italiana Gae Aulenti e produzidos com a IWC, com caixas em cerâmica, uma escolha rara na época.
O desenho mantém as particularidades do original: a caixa em forma de seixo, sem asas, a coroa às 12 horas e a bracelete que passa por uma presilha no fundo da caixa. O diâmetro de 37 mm é o de 1988, mas a espessura sobe para 11 mm para acomodar um movimento automático.

A parte industrial é a mais interessante. Na La Fabrique du Temps, em Genebra, o pó de óxido de zircónio e os pigmentos são compactados num bloco maciço, que é depois maquinado até à forma de seixo e cozido a mais de 1000 °C. Depois da sinterização, a cerâmica fica mais pequena e demasiado dura para os métodos convencionais de maquinagem. Por isso, o acabamento final é feito por retificação e polimento à mão.

No interior está o calibre LFT MA01.02, da manufatura da casa. Trabalha a 28 800 alternâncias por hora, tem 45 horas de reserva de marcha e indica apenas horas, minutos e segundos. As pontes são jateadas, com arestas polidas, e a platina tem perlage. Ao contrário da versão em ouro de 2025, produzida em série limitada, a versão em cerâmica fica em produção regular e é vendida apenas nas boutiques Louis Vuitton.
Favre Leuba alarga o Harpoon Revival
A Favre Leuba acrescentou duas versões, com mostrador preto e azul, ao Harpoon Revival. É a reedição do modelo de 1966, apresentada em abril no Watches and Wonders com mostrador cinzento para assinalar os 60 anos do original. O azul é a primeira variante de cor da série.
O argumento é a fidelidade às proporções. A caixa de aço tem 36,8 mm de diâmetro, 10 mm de espessura e 43,5 mm entre asas, as dimensões do original. O mostrador tem acabamento soleil, índices horizontais às 12, 6 e 9 horas, janela de data às 3 horas e a assinatura “Harpoon” em tipografia de época. O relógio é estanque a 50 metros e tem vidro de safira e uma bracelete que se troca sem ferramentas.

O movimento é o calibre FLD04, baseado no La Joux-Perret G100: automático, a 4 Hz (28 800 alternâncias por hora) e com 68 horas de reserva de marcha. É um valor relevante para esta frequência. Durante décadas, os calibres automáticos de 4 Hz desta gama ficavam perto das 40 horas. Com mais autonomia, o relógio pode ficar pousado durante um fim de semana sem parar, sem sacrificar a frequência, que favorece a estabilidade da marcha.
O preço é de 1800 francos suíços. Num segmento em que abundam reedições sobredimensionadas, a Favre Leuba, casa fundada em 1737, aposta numa medida de 36,8 mm, que o mercado voltou a aceitar.
Buci lança a coleção Nouvelle
A Buci, marca parisiense fundada em 2022 por Nousseïma Baraket, lançou a 25 de setembro, no Kickstarter, a Nouvelle, a sua segunda coleção. Depois de uma primeira linha inspirada na poesia, a marca volta a procurar na escrita a sua linguagem. Os algarismos árabes foram desenhados à mão por um calígrafo parisiense, com proporções deliberadamente irregulares. Quando os ponteiros das horas e dos minutos se sobrepõem, formam o desenho do aparo de uma caneta de tinta permanente.

A caixa em aço 316L mede 36 mm de diâmetro e 9,88 mm de espessura. Tem carrura canelada, inspirada nas margens das páginas de um livro, vidro de safira abaulado e fundo transparente. Há dois mostradores: Essentiel, num tom de papel envelhecido, e Contemplation, azul-escuro. O movimento é mecânico suíço, de corda manual, uma escolha que ajuda a manter a caixa fina.
A série está limitada a 300 exemplares numerados. No Kickstarter, até 15 de novembro, o preço é de 1550 euros; depois, passará a 1850 euros. É uma via cada vez mais usada pelas marcas independentes mais jovens: financiar a produção antes de a lançar e validar a procura sem acumular stock.
Circula leva o Facet aos 41 mm
A Circula, marca alemã de Pforzheim, apresentou a 25 de setembro uma versão de 41 mm do Facet, o modelo desportivo de bracelete integrada que até agora existia apenas em 38 mm. A marca justifica o novo tamanho com os pedidos dos clientes.

A caixa de aço tem 9,9 mm de espessura e é estanque a 100 metros, com superfícies facetadas que alternam escovado e polido. Há quatro mostradores: Petrol e Snow White, com um padrão inspirado em engrenagens, e Anthracite e Blue, com textura granulada. O movimento é o La Joux-Perret G100, com 68 horas de reserva de marcha, a mesma base usada pela Favre Leuba. O preço é de 1690 dólares com correia e de 1990 dólares com bracelete integrada.
Equipa da Ming lança a Donut Watch Company
A equipa da Ming, liderada por Ming Thein, revelou a 25 de setembro a Donut Watch Company, uma segunda marca de preço mais baixo, e o primeiro modelo, o Glazed. Os exemplares que circulam junto da imprensa são protótipos. O preço final e a data de lançamento ainda não foram anunciados, e o site oficial recolhe, por agora, manifestações de interesse.

O Glazed tem caixa de aço polido de 35 mm, com asas esculpidas, e é estanque a 50 metros. O mostrador translúcido, de efeito fosco, deixa ver o movimento automático japonês, e os segundos são indicados por discos sobrepostos. É a linguagem da Ming, feita de asas escultóricas e de jogos de luz através de materiais transparentes, aplicada a um relógio que, segundo a WatchPro, deverá custar menos de 700 libras.
O que merece atenção
Em Portugal, o acontecimento a seguir é a abertura da Seiko em Lisboa, na quinta-feira. Falta saber que modelos exclusivos de boutique chegam ao mercado nacional. Nos Estados Unidos, a A. Lange & Söhne apresenta, a 4 de outubro, o Concours d’Elegance da Audrain Newport Concours & Motor Week, que decorre de 1 a 4 de outubro. Em Nova Iorque, a Windup Watch Fair decorre de 16 a 18 de outubro no CENTER 415 e continua a ser uma das principais montras da relojoaria independente e das microbrands. Quanto à Minerva, esta edição confirma a aposta na arquitetura dos seus calibres. A autonomia da marca face à Montblanc deve ser acompanhada nos próximos lançamentos.




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