29 de Setembro
O dia em resumo
Quatro Cosmograph Daytona únicos da Rolex renderam ontem 37,3 milhões de libras num leilão da Phillips, em Londres, com a totalidade das receitas destinada à Federer Foundation e à Re:wild. Segundo a leiloeira, é a maior consignação de sempre num leilão de beneficência.
Entre os lançamentos, a grega Ianos põe à venda o Amfivios, versão civil do relógio de mergulho em titânio criado para uma unidade de mergulhadores da Marinha grega. A DOXA associa-se à Fins Attached e doa um SUB 300T peça única, que vai a leilão a 10 de outubro. Em Portugal, sem novidades no período, a atenção vira-se para a abertura da boutique Seiko em Lisboa, na quinta-feira.
Rolex e Phillips: 37,3 milhões de libras por quatro Daytona

Os quatro Cosmograph Daytona da série «Four Seasons», criados pela Rolex como peças únicas, foram vendidos ontem à noite em Londres, em lotes separados, por Aurel Bacs, consultor sénior da Phillips. O total chegou aos 37,3 milhões de libras, cerca de 43,5 milhões de euros. Não houve comissão do comprador. As receitas revertem na totalidade para a Federer Foundation, criada por Roger Federer para apoiar a educação infantil na África Austral e na Suíça, e para a Re:wild, cofundada por Leonardo DiCaprio para proteger e restaurar ecossistemas.
O Summer, em ouro Everose (ref. 126595 SARO), foi o lote mais caro, com 10,3 milhões de libras. Seguiram-se o Autumn, em ouro amarelo (ref. 126598 TML), com 10,2 milhões, o Winter, em platina 950 (ref. 126596 SABV), com 10 milhões, e o Spring, em ouro branco (ref. 126599 SAVL), com 6,8 milhões. Foi o primeiro leilão de beneficência que a Rolex organizou com a Phillips.

Cada relógio corresponde a uma estação e a uma combinação própria de materiais. O Winter tem mostrador em opala azul, contadores em lápis-lazúli e luneta com 36 safiras em degradê do azul ao fúcsia. O Spring usa crisoprásio no mostrador e lepidolite nos contadores, com safiras roxas. O Summer junta turquesa e rubi, com safiras cor-de-rosa, e o Autumn combina mookaite e crisoprásio, com turmalinas verdes. Em todos, as asas e as proteções da coroa levam 54 diamantes.
A mecânica é a da produção corrente. Os quatro usam o calibre 4131, o cronógrafo automático que a Rolex estreou no Daytona em 2023, com cerca de 72 horas de reserva de marcha e certificação de Cronómetro Superlativo, que impõe uma tolerância de −2/+2 segundos por dia com o movimento já encaixado. O trabalho singular está nos mostradores. As pedras duras são cortadas em lâminas finas, e cada placa tem veios e tonalidades próprios, pelo que nenhum mostrador pode ser repetido com exatidão. É esse o argumento de uma peça única feita por uma marca de grande série.
Os preços ficam muito acima do que o mercado paga por um Daytona moderno, mas abaixo do recorde absoluto de um relógio em leilão, o Grandmaster Chime 6300A-010 da Patek Philippe, vendido por 31 milhões de francos suíços no Only Watch de 2019. Tal como nesse caso, o valor mede sobretudo a exclusividade e a causa, não a cotação de um modelo no mercado secundário.
Saiba mais no site da leiloeira.
Ianos abre ao público o relógio dos mergulhadores da Marinha grega

A Ianos, marca grega de relógios Swiss Made, pôs ontem à venda o Amfivios, palavra grega para «anfíbio». É a versão civil do OYK, o relógio de mergulho que a marca produziu em 2025 exclusivamente para os elementos no ativo do Comando de Destruição Subaquática da Marinha grega. Mantém a caixa, a construção e a luneta do modelo militar, mas perde a insígnia da unidade e o azul-escuro do mostrador, agora preto mate.
A caixa, em titânio de grau 2 com acabamento jateado, mede 41 mm de diâmetro, 14,68 mm de espessura e 49 mm entre asas, e é estanque a 300 metros. A luneta unidirecional, também em titânio, tem 120 posições, e o vidro de safira abaulado tem tratamento antirreflexo. A bracelete é de borracha, com 20 mm e fivela de titânio.

O movimento é o Sellita SW360-1, automático, com 31 rubis e cerca de 56 horas de reserva de marcha. A disposição do mostrador acompanha-o, com a data às 12 horas e os pequenos segundos às 6.
A escolha do titânio de grau 2 merece atenção. É titânio comercialmente puro, muito resistente à corrosão e mais fácil de conformar do que o grau 5, a liga com alumínio e vanádio preferida para peças polidas, mas também mais macio e mais sujeito a riscos. O acabamento jateado, uniforme e mate, disfarça esse desgaste. Num segmento em que muitas marcas recorrem à estética militar sem ligação a uma unidade real, o Amfivios tem uma origem documentada.
Saiba mais no site da marca.
DOXA doa um SUB 300T único à proteção dos tubarões

A DOXA anunciou ontem uma parceria com a Fins Attached, organização dedicada à proteção dos tubarões e dos oceanos. Para a assinalar, a marca criou e doou um SUB 300T peça única, que será leiloado a 10 de outubro na gala «Saving Our Seas from a Mile High».
O relógio mantém a base técnica do SUB 300T: movimento automático suíço com decorações exclusivas da DOXA, a 28 800 alternâncias por hora (4 Hz) e com cerca de 38 horas de reserva de marcha, data às 3 horas e coroa de rosca. É estanque a 1200 metros e usa a bracelete de aço «beads of rice», com fecho desdobrável e extensão para fato de mergulho. O fundo de rosca está gravado com a data da gala, a indicação «1 of 1» e a inscrição «FINS ATTACHED SAVING OUR SEAS FROM A MILE HIGH GALA».
A escolha do modelo tem lógica histórica. O SUB original, de 1967, introduziu uma luneta com a escala de profundidades da tabela de mergulho sem descompressão da Marinha dos Estados Unidos e tornou-se uma referência entre mergulhadores civis. O valor que a peça atingir dependerá mais dos licitadores da gala do que do mercado de colecionadores.
Saiba mais no site da marca.
O que merece atenção
O leilão da Rolex mostra até onde vai a procura quando se juntam três fatores: uma peça única, uma marca de referência e uma causa solidária. Não serve de indicador para o mercado secundário do Daytona, mas confirma o peso da Phillips e de Aurel Bacs na venda de relógios de exceção.
Em Portugal, a Seiko abre na quinta-feira, 1 de outubro, a primeira boutique própria no país, em Lisboa. Em Nova Iorque, o INDIES.NYC anunciou ontem os 25 relojoeiros independentes que reúne a 15 de outubro, em Flatiron. Num ano, o salão passou de 10 para 25 participantes, entre eles Sarpaneva, Garrick, Kallinich Claeys, Holthinrichs e o brasileiro Statera Atelier, de Maringá. Na mesma semana decorrem a WatchTime New York e a Windup Watch Fair, de 16 a 18 de outubro.




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