
Radar Horológico — 22 de setembro de 2026
O dia em resumo
A Panerai apresentou hoje três Luminor de 42 mm — PAM01710, PAM01711 e PAM01714 — que levam pela primeira vez a caixa dos anos 90 a este diâmetro, com 500 metros de estanquidade e o calibre automático P.980. A Roger Dubuis encerrou a trilogia Merlin da coleção Knights of the Round Table com The Metamorph Merlin, a primeira da série com caixa gravada à mão. E em Hong Kong, um Cartier Cheich em ouro branco foi vendido pela Sotheby's por 3,38 milhões de dólares, recorde para a marca e para um relógio de quartzo.
Panerai leva o Luminor dos anos 90 aos 42 mm
A Panerai lançou três novos Luminor baseados nas Ref. 5218-201/A e 5218-202/A, apresentadas em 1993, quando a marca saiu do segredo militar e começou a vender ao público civil. É a primeira vez que o desenho dos anos 90 aparece com 42 mm de diâmetro.

Luminor PAM01710, PAM01711 e PAM01714: caixa de 42 x 13,8 mm, 500 m de estanquidade e calibre P.980 com 72 horas de reserva de marcha. © Panerai
A caixa mede 42 mm por 13,8 mm de espessura e é estanque até 500 metros — mais do que vários Luminor de maior diâmetro. Mantém a ponte protetora da coroa, cuja alavanca comprime a coroa contra a junta, a solução que define o Luminor desde a origem. O PAM01710 tem mostrador preto e o PAM01711 verde, ambos em aço; o PAM01714, em aço com revestimento DLC preto, tem mostrador azul.
Um pormenor a notar: não se trata de mostrador sanduíche. Números e índices são impressos em Super-LumiNova sobre base luminescente, e o pequeno segundo às 9 horas tem ponteiro luminoso.
O calibre é o P.980, automático, de 12½ linhas e 4,2 mm de espessura, com 23 rubis, a 28 800 alternâncias/hora e 72 horas de reserva de marcha com um único barrilete, e paragem dos segundos. Três dias de autonomia com um só barrilete a 4 Hz exigem uma mola real longa e um trem de rodagem bem otimizado; é por isso que muitos calibres com esta reserva recorrem a dois barriletes. Os preços são de 6500 euros para as versões em aço e 7500 euros para a versão DLC.
Roger Dubuis encerra a trilogia Merlin
A Roger Dubuis apresentou o Excalibur Knights of the Round Table The Metamorph Merlin, terceiro e último capítulo da trilogia dedicada ao mago, depois do Omniscient Merlin (2024) e do Enchanter Merlin (2025).
O mostrador é uma construção arquitetónica de 57 blocos hexagonais a alturas diferentes, inspirados nas colunas de basalto da Giant's Causeway, na Irlanda do Norte, em quatro materiais: vidro jateado e polido com revestimento CVD verde, vidro transparente, ouro rosa e Crystalium. À volta estão os 12 cavaleiros microesculpidos em ouro rosa, com cerca de 6 mm cada.
A novidade é que a narrativa sai do mostrador: pela primeira vez na série, a caixa de 45 mm em ouro rosa é gravada à mão, com Merlin representado em forma humana e animal. Os 16,87 mm de espessura devem-se ao anel lateral de safira que deixa ver as costas dos cavaleiros. O movimento é o automático RD821, com 33 rubis e massa oscilante esqueletizada. A série é limitada a 28 exemplares.
Cartier Cheich bate dois recordes em Hong Kong

Cartier Cheich em ouro branco, encomendado por Giorgio Seragnoli, vendido por 26,5 milhões de dólares de Hong Kong. © Sotheby's
Um Cartier Cheich em ouro branco foi vendido no leilão de Hong Kong da Sotheby's por 26,5 milhões de dólares de Hong Kong com comissões, cerca de 3,38 milhões de dólares. Tornou-se o Cartier mais caro alguma vez vendido em leilão público e o relógio de quartzo mais caro de sempre.
O Cheich nasceu como prémio para os vencedores do Rali Paris-Dakar, quando a Cartier patrocinava a prova, e reproduz o emblema do rali: o busto estilizado de um tuaregue de turbante. Foram feitos quatro originais em ouro amarelo; o de Gaston Rahier, vencedor em 1984 e 1985, foi vendido pela Sotheby's em 2022 por pouco mais de um milhão de euros. O exemplar agora vendido foi feito cerca de 25 anos depois, por encomenda do colecionador italiano Giorgio Seragnoli. A estimativa ia de 8 a 40 milhões de dólares de Hong Kong.
O que merece atenção
Os três assuntos de hoje apontam na mesma direção: a forma e a história pesam cada vez mais no valor de um relógio. A Panerai reduz o diâmetro sem tocar na silhueta, a Roger Dubuis transforma a própria caixa em suporte de gravura, e um relógio de quartzo, sem interesse mecânico, torna-se o mais caro da sua categoria graças ao desenho e à proveniência. Para quem trabalha a mecânica, é um lembrete de que caixa, desenho e história documentada fazem parte integral do objeto relojoeiro.




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