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- As Casas de Furnituras do Porto e o Futuro da Relojoaria
Fomos ao Porto conhecer três casas de furnituras, ao todo não devem ser mais de 4 no país. Não são sítios acessíveis, nem sequer dirigidos para públicos com interesses mais gerais. São lojas escondidas, com localizações improváveis, ao fundo de corredores escuros. Os seus clientes são normalmente relojoeiros e comerciantes. Quem já tentou consertar um relógio compreende muito bem o valor e a falta destas casas que há uns anos eram muitas mais e tinham stocks muito superiores. Neste artigo apresentamos todas as casas de furnituras restantes e indicamos os seus contactos. FURNITURAS Furnituras são peças de relógio. Se o relógio fosse uma casa as furnituras seriam o seu mobiliário (furniture). Há uns anos havia várias casas destas em Lisboa e no Porto, na altura tinham as peças necessárias para todos os movimentos sempre disponíveis. Quando um relojoeiro recebia um relógio e encontrava uma peça desgastada ou partida, ia até à loja de furnituras e comprava uma nova. Uma não, comprava logo 2 ou 3 para a eventualidade de as ter de usar noutra reparação mais tarde. Por esta razão muitos relojoeiros acumularam lotes consideráveis de furnituras, que ainda hoje se encontram à venda em vários sites online, juntamente com as suas ferramentas. Com o passar dos anos, com o aumento de relógios de quartzo, estas casas desapareceram quase todas. No Porto ainda conseguimos encontrar 3, mas com um stock muito reduzido. Não vendem movimentos completos, vendem peças, e algumas ferramentas. PEÇAS DO TEMPO (MOREIRA & CARDOSO) Na rua Passos Manuel, nº 219, na Loja 19 no Centro Comercial Invictus, no Porto, é possível encontrar uma das maiores fontes de furnituras, organizadas pelo nome do movimento por ordem alfabética e dispostas em caixas, dentro de gavetas muito estreitas. A loja chama-se Peças do Tempo. Vendem principalmente para profissionais. O atendimento é feito por duas senhoras muito prestáveis, pacientes e simpáticas, com bastante experiência no ramo. Para além de furnituras também disponibilizam correias de relógios, e alguns serviços de relojoaria contratados a terceiros que incluem mesmo a recuperação e adaptação de braceletes metálicas, tal como a construção de correias em pele, por medida. Para mais informações deve ligar para o 962 663 824, ou enviar um e-mail para o moreiraecardoso@gmail.com. JOSÉ LUÍS ALVES DOS SANTOS No mesmo corredor mas na loja 7 do Centro Comercial Invictus, igualmente na rua Passos Manuel, nº 219, no Porto, podemos encontrar o Sr. José Luís Alves dos Santos, sempre disponível e pronto a ajudar, vende furnituras e faz reparações a relógios, no local. Para mais informações deve ligar para o 936 432 435, ou dirigir-se à sua loja, das 9h às 12:30h e das 14:30h às 19h. TEIXEIRA DA ROCHA Na mesma rua Passos Manuel, nº 33, 1º andar, no Porto, ficámos a conhecer o Sr. Manuel Dias que nos recebeu com o entusiasmo e a simpatia dignas de um grande comerciante. Na sua loja, segundo o lema "Sempre a servir o Tempo", vendem-se ainda algumas furnituras e ferramentas. É possível igualmente contratar a importação de relógios personalizados e por personalizar. Aqui também são feitas importações de marcas como a Yema, Adriática, AMS, e Hermle. Pode entrar em contacto através do 223389471 ou através do e-mail info@txrocha.com. A IMPORTÂNCIA DAS CASAS DE RELOJOARIA Consertar um relógio sem recurso a peças pode revelar-se uma verdadeira dor de cabeça. Algumas peças podem ser construídas em tornos de relojoeiro, mas não só nem todas as peças são possíveis de reconstruir ou de restaurar, como nem todos os relojoeiros dominam a arte de tornear. Perante estas impossibilidades, a ausência de uma peça pode ditar a morte do relógio. É esta a razão pela qual as casas de furnituras são tão importantes. RELOJOARIA ETERNA Como se a escassez destas casas não fosse um problema suficientemente grande, existe ainda uma enorme dificuldade em conseguir peças, tanto para relógios antigos, por já não serem fabricadas, como para relógios novos por estarem controladas pelas principais marcas e grupos relojoeiros. O futuro da reparação em relojoaria não parece ser muito simples. Talvez a solução esteja na formação em construção e restauro de peças com recurso ao torno de relojoeiro. Uma das consequências naturais destes problemas é a redução do número de relógios antigos e o seu inevitável aumento de preço. COLABORAÇÕES Este é um artigo que merece uma discussão com todo o tipo de perspectivas, por esta razão convidamo-lo a deixar o seu comentário na caixa de comentários abaixo. Qualquer opinião, correcção, ou contribuição é bem-vinda. NOTAS CASAS DE FURNITURAS LISBOA E PORTO PORTO: PEÇAS DO TEMPO (MOREIRA & CARDOSO) - rua Passos Manuel, nº 219, loja 19; 962 663 824 JOSÉ LUÍS ALVES DOS SANTOS: rua Passos Manuel, nº 33, 1º andar, loja 7; 936 432 435 TEIXEIRA DA ROCHA: rua Passos Manuel, nº 33, 1º andar; 223389471 Lisboa: SIRA - Sociedade Importadora de Relógios: Rua dos Correeiros 162, 2º andar; nº 213423549 (apenas ferramentas) Lima & Teixeira: R. Quirino da Fonseca 13; nº 21 847 5391
- Triplo Calendário | Fases da Lua | Aço Revenido Polido | 1895
Série: GRANDES COMPLICAÇÕES Por: Sílvio Pereira Triplo Calendário com fases da lua - 1 - Relógio de Bolso tipo Lepine de grande formato. Triplo Calendário com fases da lua. Datado de 1895 - Funções: Horas, minutos, segundos, dia do mês, dia da semana, mês e fases da lua - Número de Série: Não tem - Manufactura: Anónimo - País - Suíça - Calibre: Formato Pontes clássicas. S/ número - Protecção do movimento: Guarda pó em aço revenido. - Tipo de Escape: Âncora Suíça - Balanço: Bimetálico termo-compensado, com espiral Breguet - Reserva de Marcha: 36 horas - Frequência: 18000 A/h - Rubis: 15 - Material da caixa: Aço revenido polido - Mostrador: esmalte sem imperfeições ou cabelos - Pequenos segundos: às 6 horas - Dias do mês: às 9 horas - Meses: às 12 horas - Dias da Semana - 3 horas - Fases da lua: às 6 horas - Diâmetro da caixa: 66,2 mm - Espessura: 21,9 mm - Peso: 199 g - A mola real é accionada através de coroa às 12 horas. - Ponteiros: estilo Luís XV. Accionados pela coroa com pitão de desbloqueio da tige à 1 hora. - Numerais: romanos para as horas, arábicos para para os intervalos de cinco minutos e indexes estilo "chemin de fer" para os restantes . - Segundos: arábicos para para os intervalos de cinco e indexes para os restantes. - Vidro: em óptimo estado. - Numeração da tampa de caixa: não tem Apreciação geral - Relógio de triplo calendário com fases lunares em imaculado estado de conservação. Triplo Calendário com fases da lua - 2 O relógio com calendário Todos sabemos que o ano tem 365/6 dias, meses com diferentes números de dias e, um deles, o Fevereiro, também muda de quatro em quatro anos. Conforme se pode entender rapidamente, este foi um verdadeiro problema para a criação de relógios que pretendem apresentar não apenas a hora, mas também a data. A criação do calendário A divisão do calendário por meses começou com os romanos. Na antiguidade, tinham um ano dividido em dez meses diferentes, mais alguns períodos intercalados. Curiosamente, a duração do ano era decidida pelo Pontifex (um membro de um conselho de sacerdotes na Roma antiga). Como seria de esperar, esse sistema gerou uma grande confusão. Com Júlio César (100 a.C. - 44 a.C), que era Pontifex Maximus em 46 a.C., o calendário foi reformulado para ser mais preciso. O novo sistema, chamado calendário Juliano, era mais preciso e composto por 12 meses. Primeiro calendário Juliano Além dos tradicionais dez meses, com Fevereiro de 28 dias, os dois novos foram nomeados para homenagear a dinastia César. É por isso que os dois novos meses assumiram os nomes de Julho e Agosto, correspondente aos dois imperadores Júlio e Augusto que formaram a dinastia César. Estes dois novos meses tornaram os outros quatro meses, até ao final do ano, imprecisos quanto ao significado do seu nome. Setembro, que era o sétimo mês, como o seu nome deriva de “Setembro”, tornou-se o nono, e assim por diante. Este novo sistema era muito mais preciso do que o anterior. No entanto, não teve em consideração que o tempo solar é seis horas superior ao que o previsto pelo calendário juliano “básico”. Este problema foi resolvido apenas 1500 anos depois. O calendário que usamos hoje foi introduzido em 1582 pelo Papa Gregório XIII (1502-1585) e foi uma atualização do Calendário Juliano, é nomeado “Gregoriano” em sua homenagem. Papa Gregório XIII Ese sistema foi introduzido depois dos cálculos efectuados pelos astrónomos que determinaram que o calendário juliano era impreciso — tanto que durante os 1500 anos do seu uso houve um desfasamento de vários dias em relação ao tempo solar. Gregório XIII não estava interessado na astronomia em si: só queria que a Páscoa acontecesse o mais próximo possível do equinócio da primavera todos os anos. A sua solução foi adicionar um dia extra a cada quatro anos para manter o calendário sincronizado com as estações. O calendário no Relógio Os relógios mais básicos informam apenas as horas, mas outros apresentam outras funções a que foram dadas o nome de “complicações”. Uma das variedades mais comuns de complicações é a da data. Uma complicação de data pode ser tão simples como somente o dia do mês numa janela no mostrador ou tão sofisticada como uma complicação de calendário perpétuo. Em comparação com outras complicações mais complexas, como um turbilhão ou fases da lua, a complicação de data é relativamente simples. No entanto, a complicação do calendário perpétuo é uma das versões mais complexas de uma complicação de data. É um pouco semelhante a uma complicação do calendário anual. Este exibe o dia do mês, o dia da semana, e o mês. A diferença entre o calendário perpétuo e anual está na forma como a função é activada. Um calendário anual requer ajuste manual uma vez por ano para contabilizar o ano bissexto. Em vez disso, a complicação perpétua é responsável pelo ano bissexto. Portanto, pode funcionar corretamente sem ajuste manual durante centenas de anos. Uma das complicações mais fascinantes e intrincadas num relógio é a complicação do calendário perpétuo. Como já vimos, os relógios podem apresentar até três tipos de calendários, representados por pequenas janelas ou mostradores que normalmente mostram a data, o dia da semana e o mês. Um calendário simples contabiliza 31 dias. Como tal, não consegue descriminar se o mês tem 28, 29 ou 30. Depois, há um calendário anual, que é ajustado ao calendário de 12 meses e define os meses com duração de 30 ou 31 dias - mas requer uma redefinição anual quando o calendário muda em Fevereiro. A jóia da coroa é o calendário perpétuo, que é programado para exibir corretamente a data correcta mesmo durante os anos bissextos durante muitos anos. Hstória do relógio com calendário perpétuo Embora o mecanismo de calendário perpétuo tenha sido empregado em relógios já em 1695 por Tompion Thomas Tompion e pelo seu sucessor Graham George Graham Thomas Mudge é frequentemente citado como a primeira pessoa a adaptá-lo a um relógio. Thomas Mudge Atualmente, apenas dois relógios de calendário perpétuo de Mudge são conhecidos, o nº 525 que está numa colecção privada e o nº 574, que está exposto no Museu Britânico e tem na sua caixa original de ouro marcado o ano de 1764. Thomas Mudge 525, vendido em 07 de Julho de 2016 pela Sothebys por 60.000,00£ Thomas Mudge Nº 574 exposto no Museu Britânico Em 1981, o Dr. George Daniels escreveu um artigo sobre Thomas Mudge para Antiquarian Horology e atribuiu o ano de 1762 para o movimento do relógio nº 525. O que se encontra no Museu Britânico está datado de 1765, apenas três anos depois. Apesar dos primeiros exemplos da aplicação do calendário perpétuo em relógios, nenhum relógio de calendário perpétuo completo é conhecido, com algum grau de fiabilidade, antes de 1762. Durante muitos anos, assumiu-se que Abraham Louis Breguet tinha sido o primeiro a incorporar um calendário perpétuo, quando iniciou a construção do seu famoso “Marie Antoinette”, que incluía um calendário perpétuo, em 1783. Ambos os relógios de calendário perpétuo Mudge, nos. 525 e 574 são mecanicamente e visualmente semelhantes. Foi dada muita atenção ao design do mostrador para garantir que fosse prático e fácil de ler. O dia do mês é indicado por um marcador de ouro acima da posição das 12 horas, que se lê num disco giratório – este anel é projetado para levar em conta o número correto do dia do mês. Há uma grande abertura para as fases da lua e duas aberturas maiores mais abaixo à esquerda e à direita. A abertura esquerda mostra os meses do ano, cada um com o número de dias gravado abaixo. Fevereiro tem seu próprio mostrador auxiliar que indica a duração do mês e o ano bissexto. A abertura do lado direito mostra os dias da semana. Também é notável que ambos os Mudges, número 525 e 574, têm um cilindro de rubi, uma vez que foi um dos primeiros relojoeiros a incorporar essa importante evolução técnica. Thomas Mudge (1715-1794) nasceu em Exeter e mais tarde foi enviado para Londres onde, a 4 de Maio de 1730, foi aprendiz de George Graham. Em 1738 Mudge montou o seu próprio negócio perto de Graham na Fleet Street. Em 1750, William Dutton, que também havia sido aprendiz de Graham de onde saiu em 1746, juntou-se a Mudge. Inicialmente, os seus relógios continuaram a ser assinados como 'Thomas Mudge', mas na década de 1760 a marca foi alterada para Mudge & Dutton. A invenção do escape de âncora por Thomas Mudge em 1757 solidificou sua reputação como um dos fabricantes de relógios mais importantes de Inglaterra. Plano detalhado do escape de âncora de Thomas Mudge Mais de 250 anos depois, o escape de âncora ainda domina a produção de relógios mecânicos em todo o mundo. Além das suas inovações em cronometragem de precisão, Mudge também construiu o que pode ser considerado o primeiro relógio com equação do tempo, o primeiro com calendário perpétuo e o primeiro com realimentação nas engrenagens. Em 1771, Mudge mudou-se para Plymouth, onde continuou a trabalhar no aperfeiçoamento dos seus cronómetros marítimos. Os diferentes tipos de apresentação da data nos relógios Os relógios com uma função de calendário simples não têm muita complexidade no seu fabrico. O mecanismo dia do mês/dia da semana também praticamente não acrescenta muito ao custo de um relógio. Relógio com data simples Mesmo que os modelos mais simples tenham uma função de data dupla, apresentando tanto o dia do mês como o da semana, a complicação da data é muito apreciada na relojoaria e tem sido fundamental no design de muitos relógios de luxo. Relógio com data dupla Por exemplo, observe-se este belo Glashutte Original Senator Panorama Date, que combina o design elegante e inesperado do seu mostrador e a exibição de data de duplo disco, com um indicador de fases da lua. O problema real é que estes mecanismos simples não têm como diferenciar meses com 28/29, 30 ou 31 dias, neste caso é necessário ajustá-los manualmente em Fevereiro, abril, junho, setembro e novembro. A maioria dos relógios mais simples apresenta esta função simples de dia do mês e dia da semana, ou apenas o dia do mês. No patamar seguinte temos o chamado calendário anual. A função de calendário anual foi introduzida no final do ano de 1900. Também é chamado de data tripla e pode identificar os meses com 30 e 31 dias automaticamente, mas não pode adicionar um dia a fevereiro durante o dia bissexto a cada quatro anos. Um dos relógios que incluem esta complicação é o belo calendário anual Corum Admiral's Cup Legend 42. Como se pode observar, este relógio ostenta o icónico design de 12 lados típico da marca. A data é apresentada através de um sub-mostrador às seis horas, para os meses, e um ponteiro central que indica o dia do mês sobre o elegante mostrador com um motivo guilhoché vertical de cevada. Portanto, este tipo de relógios, terá de ser ajustado manualmente apenas uma vez por ano, em fevereiro. O terceiro, e o mais completo e complicado grupo de relógios, é o que incorpora o chamado calendário perpétuo. Ou seja, por meio de uma intrincada série de mecanismos chamados “equação do tempo”, são capazes de ajustar também os anos bissextos. Alguns são tão avançados que podem calcular o tempo solar, que não está contemplado pelo Calendário Gregoriano – porque o nosso sistema atual é quase perfeito, mas não totalmente. Assim, um calendário perpétuo deve ser, mesmo… perpétuo. Ele terá formas de resolver esse problema, de modo que o ano civil permanece consistente com o ano astronómico e funcionará até o ano 2100. Podemos observar acima um exemplo de um relógio com um calendário perpétuo: o Audemars Piguet Classique Perpetual Calendar, um lindo e elegante relógio com caixa de platina, exibindo seu calibre complexo e hipnotizante através do visor de vidro da caixa. Há outro nível na precisão da datação: o último tipo de relógio utiliza um mecanismo de correção que aborda a grande questão do cálculo do ano bissexto centenário. E estamos a falar dos relógios de calendário perpétuo secular. Existem apenas alguns em produção - são excepcionalmente raros - e bem, se os calendários perpétuos são excepcionais, estes relógios atingem um nível de insanidade relojoeira intocada. Então, o que é um ano bissexto centenário? O calendário gregoriano, em toda a sua complexidade, não é perfeito. Há um pequeno erro residual, que é corrigido pelo ciclo gregoriano a cada cem anos. Em suma, para corrigir essa pequena incompatibilidade residual, o sistema gregoriano também introduziu um ciclo de salto secular único. Apenas os anos seculares que são divisíveis por 400 são considerados anos bissextos. Portanto, os anos seculares 1700, 1800, 1900, 2100, 2200, 2300 não foram ou não serão bissextos, e têm apenas 28 dias em fevereiro, enquanto 2000 foi, e 2400 será. Como se pode imaginar, este nível adicional de complexidade, ao mesmo tempo em que aborda um erro mínimo, causa estragos nos sonhos mecânicos ordenados do relojoeiro típico. A presença dessa outra exceção significa que os calendários perpétuos precisam ter uma regulação adicional que saiba exatamente quando o ano bissexto acontece e quando não acontece com relação ao período secular. Então, ao se combinar engrenagens e rodas para calcular um calendário perpétuo “simples” não foi a tarefa mais fácil, permitir que um mecanismo calcule essa exceção torna-se quase impossível. Mas alguns fabricantes conseguiram tal feito. Em acima temos um dos poucos relógios de pulso em produção (atualmente, existem três na história) com esta extraordinária complicação: o Calendário Secular Perpétuo Svend Andersen. Este relógio está programado para ser preciso até o ano 2400, um feito que alguns podem achar supérfluo. O relógio teria que funcionar continuamente até lá – o problema é que todos os relógios devem ser limpos e lubrificados a cada cinco a dez anos… O relógio de 10.000 anos Se se pensa que não pode haver nada mais preciso do que isto, está errado. Mesmo que, neste caso, não seja um relógio pulso que esteja em causa. Há um projeto para construir um relógio mecânico que irá funcionar durante 10.000 anos. Este ambicioso projeto é apoiado por Jeff Bezos, até há bem pouco tempo o homem mais rico do mundo. O Relógio de 10.000 Anos está a ser criado pela Long Now Foundation. Este relógio pretende funcionar durante 10.000 anos – e como os primeiros vestígios de nossa civilização moderna datam de cerca de 6.000 anos atrás, não custa perceber que este é um empreendimento ambicioso. Protótipo do relógio 10.000 anos relógio foi projetado para gerar energia para si mesmo através de energia solar e térmica, acredita-se que essas fontes sozinhas gerarão energia suficiente para manter o relógio em funcionamento, mas os visitantes serão incentivados a dar corda ao relógio para permitir que este mostre a hora atual. É um processo que economizará energia e dará a possibilidade de verificar quantos visitantes interagiram com o relógio. O relógio ainda está em fase de construção – mas foram construídos protótipos, como o apresentado acima, como uma pequena amostra de como será o resultado final. O primeiro relógio de pulso do calendário perpétuo Patek Philippe foi o criador do primeiro relógio de pulso com calendário perpétuo. Produziram o primeiro movimento de calendário perpétuo compacto em 1898, para um relógio pingente feminino. Em 1925, um rico colecionador de relógios Patek Philippe chamado Thomas Emery encomendou o primeiro relógio de pulso com esta complicação. Primeiro relógio de pulso com calendário perpétuo da Patek em 1925. Ref: 97975 A Patek Philippe usou o mesmo calibre compacto de 34,4 mm criado em 1898. A Patek levou dois anos a produzir este intrincado relógio. A Breguet foi a segunda marca a criar um relógio de pulso com calendário perpétuo, apenas alguns anos depois, em 1929. Primeiro relógio de pulso com calendário perpétuo da Breguet em 1929 O seu movimento compacto era ainda menor que o da Patek Philippe, medindo apenas 22,5 mm. Seguiu-se a Jaeger-LeCoultre que vários anos depois, em 1937, também construiu o seu. Primeiro relógio de pulso com calendário perpétuo da Jaeger LeCoultre em 1937 Acredita-se que este relógio exclusivo, de calendário perpétuo retangular, foi criado como comemoração da parceria entre Antoine LeCoultre e Edmond Jaeger que resultou na marca Jaeger LeCoultre. A complicação do calendário perpétuo através das décadas Como o relógio de pulso de calendário perpétuo original feito pela Patek Philippe, a maioria dos primeiros relógios perpétuos eram relógios que só se fabricavam por encomenda. A partir da década de 1940 a produção em série dos relógios de calendário perpétuo aumentou. A partir da década de 1960 começaram a ser fabricados os primeiros relógios calendário perpétuo automáticos. Outro momento significativo para a complicação do calendário perpétuo aconteceu em 1985. Nesse ano, a IWC fez um dos avanços mais profundos no mecanismo da complicação. Projetaram um calibre sincronizado que usa apenas uma única coroa para ajuste, como faria para um relógio mais simples. Exemplar de um IWC Portuguese calendário perpétuo onde todos os ajustes são feitos pela coroa Hoje, a complicação continua a fascinar relojoeiros e entusiastas de relógios. Alguns dos relógios mais elaborados e caros apresentam a complicação do calendário perpétuo, tornando-os altamente valiosos. A função de calendário perpétuo não serve apenas o propósito prático de mostrar o dia, a data e o mês sem ajustes. Serve para elevar a arte da alta relojoaria. Alguns modelos icónicos Patek Philippe Breguet Audemars Piguet Jaeger LeCoultre IWC Pilot
- Solar | João da Silva | Díptico | Madeira | 1890
Série SOLARES Por: Sílvio Pereira - Relógio de Bolso solar Díptico (ou de Medianas) ; - Fabricante: João da Silva - Portugal - Material: Madeira - Dimensões (fechado): Largura 46,1mm; Fundura 69,1 mm; Espessura 184 mm. (aberto): Largura 46,1mm; Fundura 69,1mm; Altura 74,6 mm - Peso: 30,34 g; - Descrição: Composto por duas placas ligas por dobradiça: Vertical com imagem do sol e motivos florais; Horizontal com bússula e escala horária onde vai incidir a sombra do gnómon que é composto por um cordão que liga as duas faces. Ao juntar as duas placas o relógio fica fechado. -Estojo: Madeira. Dimensões (fechado): Largura 101 mm; Fundura 65,8 mm; Espessura 47,5 mm - Forma de usar: Colocar o relógio num local nivelado. Acertar a bússula para norte. Levantar a placa vertical de forma a que forme um ângulo de 90º. A sombra projectada pelo gnómon na escala de horas do relógio marcará o tempo. Nota - O relógio marca o tempo solar que poderá não ser o real. Outros exemplares da colecção Solar | João da Silva | Díptico | Madeira | 1885 (com fio de prumo) Solar | Tempus| Díptico | Madeira | 1950 A origem do relógio solar de bolso díptico ou de medianas Os primeiros relógios de bolso solares dípticos (também designados de “medianas”) que se conhecem datam de 1598, fabricados em Nuremberg e criados por Hans Tröschel (1549-1612). Originalmente feitos em marfim incrustados com marcações de laca preta. O gnómon era um fio de seda preta trançada, linho ou cânhamo. Primeiro relógio díptico em marfim fabricado em Nuremberg em 1598 por Hans Tröschel (em cima aberto em baixo fechado) A crescente produção de relógios mecânicos durante o Renascimento teve o efeito de estimular a construção de uma variedade de instrumentos de cronometragem. Os relógios de sol eram usados para acertar os relógios mecânicos, bem como para regular os seus movimentos ainda imprecisos. Tanto em variedade como em número os relógios de sol proliferaram, mas os fabricantes de relógios de sol de Nuremberg especializaram-se em modelos pequenos, dobráveis e facilmente portáteis, feitos de marfim ou madeira. Este tipo de mostrador, que pode ser usado para contar o tempo em vários sistemas diferentes de contagem de horas, foi feito para ser usado na latitude de 49 1/2 graus de Nuremberg. Outros relógios de sol portáteis feitos em Nuremberg podiam ser ajustados para uso em várias latitudes. O que é um relógio solar díptico ou de medianas? O díptico, como o nome indica, consiste em duas pequenas placas planas, unidas por uma dobradiça. Depois de fechadas formam uma pequena caixa adaptada ao bolso. O gnómon é formado por um cordão com as extremidades fixas a cada uma das placas. Quando se abrem as placas o cordão fica tenso, formando as duas faces de um relógio de sol: a vertical e a horizontal. Normalmente, as placas que compõem o relógio eram fabricadas em madeira, tirando as primitivas produzidas em Nuremberg que eram em marfim. Em Portugal, estes relógios começaram a aparecer no final do século XIX e foram uma grande ajuda para os mais pobres que não conseguiam comprar relógios de bolso mecânicos, principalmente, para os pastores que assim poderiam ter uma referência horária para as suas actividades de pastorícia, mas também para os agricultores com menos posses, que os ajudava na organização das suas actividades agrícolas. Alguns exemplares construídos por João da Silva no final do Século XIX (abertos e fechados) É nesta altura que começa a aparecer o nome de João da Silva nas caixas das "medianas" (outro nome dado a estes relógios) vendidos nas feiras, eram baratos e bastante fiáveis, no entanto poucos exemplares sobreviveram (o Museu de Etnologia, por exemplo, não têm nenhum exposto). Curiosamente o exemplar que se encontra no museu de Oxford foi comprado em Espanha em 1900, o que indicia que este tipo de relógio, patenteado por João da Silva, não só foi popular em Portugal, como "passou" a fronteira. Exemplar fabricado por João da Silva exposto no Museu de Oxford Apesar de haver registo de vários fabricantes destes relógios, efectivamente, só João da Silva se preocupou em patentear o seu fabrico e colocar o seu nome em todos os relógios que produziu, primeiro somente com a designação de "Autor" e por fim com o seu próprio nome "João da Silva" Como funciona o tempo solar Os relógios de sol medem o tempo exactamente como ele é. O meio-dia é marcado quando o sol está mais alto no céu (quando cruza o meridiano). Os relógios que usamos no dia-a-dia medem o tempo como está convencionado, com o meio-dia de amanhã exatamente a 24 horas, 0 minutos e 0 segundos do meio-dia de hoje. Mas o meio-dia de 24 de dezembro está a 24 horas, 0 minutos e 29 segundos do meio-dia do dia de Natal. E o meio-dia de 15 de setembro está a apenas 23 horas, 59 minutos e 39 segundos do meio-dia do dia seguinte. No inverno, os dias são curtos e o sol está baixo no céu. A cada dia após o solstício de inverno, que ocorre em 21 de dezembro, o percurso do sol fica um pouco mais alto no céu do sul. O sol também começa a nascer mais perto do leste e põe-se mais perto do oeste até chegarmos ao dia em que ele nasce exatamente no leste e se põe exatamente no oeste. Este dia é chamado de equinócio. Marcamos o equinócio da primavera em 21 de março e o equinócio de outono em 21 de setembro. O sol está no seu percurso mais baixo no céu no solstício de Inverno. Depois desse dia, o sol segue um caminho cada vez mais alto através do globo celeste a cada dia até ficar no céu exatamente durante 12 horas. Cada local na Terra tem um dia de 12 horas duas vezes por ano no Equinócio de Primavera e Outono. No solstício de verão, o sol está no seu percurso mais alto no céu e o dia é o mais longo. Como o dia é tão longo, o sol não nasce exatamente no leste, mas nasce no nordeste e põe-se no noroeste, permitindo que fique no céu durante um longo período de tempo. Após o solstício de verão, o sol segue um percurso cada vez mais baixo pelo globo celeste a cada dia até atingir o ponto em que está no céu durante exatamente 12 horas novamente. Este é o Equinócio de Outono. Assim, como no Equinócio da Primavera, o sol nasce exatamente no leste e põe-se no oeste nesse dia, e todos os locais no mundo têm um dia de 12 horas. Após o equinócio de outono, o sol continua a seguir um caminho cada vez mais baixo pelo céu e os dias ficam cada vez mais curtos até atingir o seu ponto mais baixo, e então estamos de volta ao solstício de inverno, onde começamos. Definições técnicas Relógio de sol Díptico: É um relógio portátil (de bolso), que possui um mostrador vertical e um horizontal sendo articulados em conjunto partilhando um cordão que os liga, tendo a função de gnómon, garantindo igualmente que os dois mostradores ao abrirem apresentem um ângulo de 90º correspondendo a uma latitude específica. Mostradores Vertical e Horizontal e gnómon de uma relógio díptico Para funcionar, os dois mostradores devem estar posicionados corretamente nas duas placas. Quando o relógio de sol é aberto, as placas devem ficar em ângulo recto uma com a outra. Esta posição consegue-se, usando um cordão gnómon de comprimento específico ficando as duas placas depois de abertas num "L" perfeito. Primeiro, deve colocar-se o relógio na posição horizontal. De seguida medir a distância "H", da origem do mostrador para a borda superior da sua placa. A distância "V", desde a origem do mostrador Vertical até à borda inferior da sua placa, pode ser calculada da seguinte forma: V= H tan ø Onde ø é a latitude do lugar onde o relógio de sol será usado. O mostrador vertical pode agora ser posicionado corretamente na sua placa. Os dois relógios estão agora articulados na base e um pequeno furo é feito na origem de cada mostrador. Os relógios são abertos para que formem um ângulo recto entre si. As extremidades do cordão são passadas através dos dois furos e ligadas de modo que o cordão fique esticado quando os mostradores são abertos para a posição de leitura. Esta é apenas uma forma de fixar o cordão. Outra opção é fixar um fio de prumo no mostrador vertical para garantir que fique sempre numa posição vertical quando aberto. Um nível de bolha pode ser instalado na placa horizontal para nivelar o mostrador. Para ler a hora de forma correcta, os mostradores também devem estar alinhados com o Pólo Norte. Relógios deste tipo incluem uma pequena bússola embutido na placa horizontal. Imagem gráfica da projecção da sombra nos mostradores vertical e horizontal
- Um turbilhão na história do tempo
Artigo originalmente publicado no número 77 da Espiral do Tempo (inverno 2021) Patenteado em 1801 por Abraham-Louis Breguet, o turbilhão celebrou 220 anos em 2021. Depois de uma longa história, o dispositivo criado para corrigir os efeitos nocivos da gravidade ou atração terrestre sobre o isocronismo do sistema balanço-espiral acabaria por ser devidamente adaptado aos relógios de pulso, de tal forma que, hoje, tem mais utilidade como espetáculo estético do que como espetáculo cronométrico. Continuar a ler em: Espiral do Tempo
- Enicar Supergraph
Em 1960 a Enicar introduziu um modelo revolucionário, o Sherp Graph equipado com o calibre Valjoux 72. A sua promoção foi feita pelo piloto Stirling Moss, afirmando no anuncio abaixo: “O ENICAR Sherpa é definitivamente o relógio que eu sempre quis. ” O modelo Sherpa Graph descrito no anuncio acima é precisamente o Mark I, … Continuar a ler no site da Relojoaria Girão - >
- Solar | Equinocial | com Bússula | Latão | 2010
Série SOLARES Por: Sílvio Pereira - Relógio de Bolso solar equinocial (ou equatorial); - Fabricante: Desconhecido - Material: Latão. - Dimensões: Diâmetro 47,0mm; Espessura 19,7mm - Peso: 101,26gr; - Descrição: Composto por duas partes: 1ª Bússula com gnómon e indicação das horas. 2ª Indicação de hora mundial. Ao juntar as duas partes o relógio fica fechado. - Forma de usar: Colocar o relógio num local nivelado. Acertar a bússula para norte. Abrir o gnómon até que este fique perpendicular ao relógio. A sombra projectada pela ponta do gnómon (onde se encontra a seta) na escala de horas do relógio marcará o tempo. Nota - O relógio marca o tempo solar que poderá não ser o real. Na tabela de equações do tempo que se encontra no verso do relógio (última foto) é indicada a diferença em minutos entre o tempo solar e o real. A letra "F" quer dizer que se deve adiantar um relógio; a "S" é para atrasar. O que é e como funciona um relógio solar equinocial (ou equatorial) Relógio equinocial do parque Astronómico de La Punta (Argentina) Todos os relógios solares baseiam-se na regularidade do movimento do Sol durante o seu trajeto aparente diurno, reflexo do movimento de rotação da Terra. E também na regularidade de seu ciclo anual. Nesta família de Relógios de Sol (equinociais), temos: O indicador (o gnómon): · posiciona-se paralelo ao eixo da Terra; · contém o plano meridiano do local; · e forma com o horizonte um ângulo igual à latitude do local onde está implantado. O mostrador, onde são projetadas as sombras: · é plano e perpendicular ao indicador; · portanto, é paralelo ao equador celeste, daí a denominação deste tipo de relógio solar. Procurar a direcção do plano meridional Para determinar a direção do plano do meridiano do local, de modo a posicionar o gnómon, determina-se primeiro a linha meridiana ou direção norte-sul local. A linha meridiana, além disso, coincide também com a sombra que o gnómon projecta no momento da passagem do Sol pelo plano meridiano do local. As linhas horárias A determinação do quadrante, ou seja, o traçado das linhas horárias, é realizado desenhando um círculo com o centro no polo do quadrante e dividindo-o em 24 partes de 15° (360º = 24 x 15º) cada uma; e posteriormente traça-se os 24 raios correspondentes à divisão anterior. O meio-dia De todos os raios traçados, o raio que coincide com a interseção do plano correspondente ao meridiano do local com o plano do quadrante e que se dirige para o horizonte é o raio das 12h. O Leste e Oeste (nascer e por do Sol) As linhas horárias traçadas a oeste assinalem as horas antes do meio-dia local (ou seja, antes do Sol alcançar sua altura máxima daquela data) e, depois do meio-dia, as linhas traçadas a leste. As linhas que determinam as horas 6 e 18, correspondem à direção leste-oeste. O Observatório Astronómico de Jaipur (India) Este Observatório encontra-se em bom estado de conservação graças a Chandra Dhar Sharma Guleril, que o restaurou em 1901. Atualmente é gerido pelo Departamento de Arqueologia e Museus do estado de Rajasthán. Estão encarregados da sua conservação um supervisor e uma equipa de manutenção. Este “Observatório a Olho Nu”, foi projetado e construído pelo maharajá Jai Singh II (1681-1743). Contém instrumentos diferentes e complexos, um dos quais inacabado; alguns necessitam de luz solar e outros funcionam com o reflexo da luz lunar e estelar. Os instrumentos monumentais de Jaipur fornecem uma medida precisa do tempo, a declinação solar, o azimute, a localização das constelações à luz do dia, os eclipses e outros fenómenos celestes. Quando não podiam usar os relógios solares devido à chuva ou ao céu nublado, utilizava-se a clepsidra (o relógio de água) para medir o tempo. Observatório Astronómico de Jaipur Quando Jai Singh II projetou os observatórios, um de seus principais objetivos era criar instrumentos astronómicos que seriam mais precisos e permanentes do que os instrumentos de metal em uso na época. A sua solução foi torná-los grandes, muito grandes, e construí-los de pedra e alvenaria. Essa decisão simples, porém notável, criou uma coleção de estruturas de larga escala para a medição do movimento celeste que hoje é inigualável. Entre as muitas impressões surpreendentes para um visitante de um dos observatórios, está a escala dos instrumentos, ficando literalmente envolvido e assombrado com um espaço que é tanto estético como matemático. Plano do complexo Astronómico de Jaipur O Samrat Yantra O Samrat Yantra ou Great Samrat, também chamado de “Instrumento Supremo”, é um relógio de sol equinocial de enormes dimensões. Embora seja um dos instrumentos mais simples, e não muito diferente dos relógios de sol desenvolvidos centenas de anos antes, o Samrat Yantra é importante porque mede o tempo com uma precisão nunca antes alcançada. A escala de tempo do Relógio de Sol Equatorial – o Samrat Yantra – em Jaipur, por exemplo, inclui subdivisões de até dois segundos. Pormenor do interior do Samrat Yantra A escala temporal de todos os instrumentos foi elaborada originalmente usando-se as unidades de medidas indianas da época, as antigas unidades ghatikas, palas e vipalas, porém, na restauração de 1901 foram convertidas para horas, minutos e segundos. As subdivisões de 2 segundos do Samrat Yantra As partes essenciais do Samrat Yantra são o gnómon, uma parede triangular com sua hipotenusa paralela ao eixo da Terra e um par de quadrantes de cada lado, paralelos ao plano do equador. Num dia claro, à medida que o sol passa de leste para oeste, a sombra do gnomon cai na escala do quadrante, indicando a hora local. Como um relógio de sol fornece a hora exata apenas para a sua localização específica, é usada uma fórmula para obter a hora padrão que compensa a diferença de longitude entre a localização do instrumento e seu fuso horário e o ajuste diário que deve ser feito devido à órbita da Terra ao redor do Sol. Que tal montar o relógio Samrat Yantra em cartão? Modelos do Samrat Yantra para construção Em cada um dos observatórios indianos foi construído um Samrat Yantra para fornecer uma medição precisa do tempo: · O maior é em Jaipur, tendo o gnómon a altura de 22,6 metros. · O Samrat Yantra em Délhi em segundo, com 20,7 metros. · As alturas dos gnómos em Ujjain e Varanasi são 6,7 e 6,8 metros. Os instrumentos de Jaipur e Delhi podem ser lidos com uma precisão de 2 segundos, enquanto os de Ujjain e Varanasi têm precisão de 20 e 15 segundos, respectivamente. Os instrumentos de Jaipur e Deli incluíam Shasthamsa Yantras construídos em cada uma das estruturas que sustentavam os quadrantes. No site dos Observatórios www.jantarmantar.org, foram modelados os instrumentos. E vários estudantes de arquitetura criaram modelos baseados em medidas de Virendra Sharma, desenhos de GR Kaye e Andreas Volwahsen assim como as fotos panorâmicas aqui apresentadas. Os modelos e representações gráficas na galeria de imagens acima foram criados por Bei Xu, Cornell M.Arch 2017. Faça dowload dos modelos e monte um modelo do Samrat Yantra. · Modelo para cortar: https://www.jantarmantar.org/resources/Projects/SY-Model/Samrat-Yantra-Model-Templates.pdf. · Instruções de montagem: https://www.jantarmantar.org/resources/Projects/SY-Model/Instructions-SY-web.pdf. Melhorar a precisão da leitura das horas Os maiores relógios de sol são capazes de medições extremamente precisas do tempo por meio de uma maneira especial de “ler” a sombra do gnómon. Uma das críticas comuns à precisão do Samrat Yantra é que, devido à distância entre a borda do gnómon e a escala do quadrante, a sua sombra tem uma “borda suave”, ou seja, um pouco aberta ou “desfocada”. Isso significa que, embora a superfície do quadrante seja inscrita com marcações finas para indicar intervalos de tempo de 2 segundos, a borda suave da sombra pode abranger 6-7 dessas marcas e o centro da sombra só pode ser estimado. A solução é manter um objeto fino, como uma corda esticada, paralela à borda da sombra e cerca de 1 cm acima da superfície do quadrante. Mover a haste para dentro e fora da sombra e observar o ponto na superfície onde a sua sombra desaparece fornece uma indicação exata do centro da sombra. Na versão simplificada no Parque Astronómico de La Punta, todos os postes de madeira semidura são quadrados de 10 cm de lado; o poste maior tem uma altura de 2,40 metros, o menor de 90 cm e os dois postes laterais ao esquadro possuem 1,70 metros de altura. Definições Técnicas Relógio de sol Equinocial Relógio de sol equinocial: Caracteriza-se por ter um mostrador paralelo ao plano equatorial e o gnómon de ponteiro-polar é perpendicular. Relógio de sol equatorial: outro nome (histórico) do relógio de sol equinocial. Plano equatorial: É o plano através da Terra definido pelo Equador. O relógio de sol equinocial é o mais simples de todos eles. Pode ser feito sem cálculos matemáticos e usado em qualquer latitude. Pode ser utilizado para determinar as linhas horárias para a maioria dos outros tipos de relógios de sol ao usar as técnicas do desenho gráfico. O relógio tem linhas horárias espaçadas igualmente, a cada 15° de intervalo ao redor do gnómon. A Figura abaixo ilustra um modelo para um relógio de sol equinocial e aoresenta intervalos de 5, 10, 15, 30 e 60 minutos. Mostrador do relógio de sol equinocial Para o uso do relógio solar equinocial, em qualquer latitude, o utilizadpr deve apenas garantir que o gnómon aponte para o pólo celeste. Para isso, a placa do mostrador deve estar num ângulo com uma superfície horizontal igual à co-latitude (90° - latitude). A Figura abaixo ilustra como o relógio solar equinocial deve ser posicionado. Posição correcta de um relógio de sol equinócial Como a placa do mostrador é paralela ao Equador, existem períodos de tempo em que o Sol está acima do mostrador; noutros que está abaixo. Do equinócio de Outono até o equinócio da Primavera, a luz solar vai cair na parte inferior da placa do mostrador. Para usar o relógio de sol durante este período o gnómon deve projetar abaixo da placa do mostrador como mostrado na Figura acima. As linhas horárias devem aparecer em ambos os lados da placa do mostrador. A numeração no topo da placa rodará no sentido horário, enquanto a no fundo rodará no sentido anti-horário. O relógio de sol mostrará o nascer ao pôr-do-sol. A Figura abaixo mostra a parte superior e inferior da placa do mostrador para um relógio de sol equinocial no hemisfério Norte. A placa do mostrador superior mostrará as horas, uma vez que é iluminado entre os Equinócios de Primavera e o Outono . A placa do mostrador inferior mostrará menos horas, pois é Iluminado entre os Equinócios de Outono e Primavera. Para o hemisfério Sul inverte-se o número de horas. Mostradores superior e inferior O mostrador do relógio pode ser girado para explicar a Equação de tempo, longitude e Horário de Verão e correções de tempo. Como mencionado anteriormente, o relógio de sol equinocial pode ser usado para criar muitos outros relógios de sol. A Figura abaixo ilustra uma série deles e como, através da projeção das linhas horárias de um Equatorial sobre várias superfícies, podem ser desenhados. Vários tipos de relógios de sol
- Nomos | Solar | Anel de Titânio | 2020
Série: SOLARES Por: Sílvio Pereira - Relógio de Bolso solar em forma de anel; - Fabricante: Nomos, Glashütte; - Material: Titânio. - Dimensões: Largura 10mm; Diâmetro externo 23mm; Diâmetro interno 18,9mm; - Peso: 9,9gr; - Documentação: Certificado de autenticidade e manual de instruções - Estojo: Cartão forrado a tecido. - Forma de usar: como anel ou pendente. Forma de funcionamento: Deixar o sol incidir directamente sobre o relógio; Orientar o orificio do relógio que se encontra no anel central para o mês corrente. Os meses encontram-se gravados na parte exterior dos aneis externos do relógio; Segurar pelo cordão e deixá-lo pender livremente; Um raio de sol passará pelo orificio e marcará a hora nos aneis externos do interior do relógio. Onde se encontram gravadas as horas das 5 às 12 num dos aneis e das 13 às 19 no outro (são os períodos do dia em que normalmente há sol). HISTÓRIA DA MARCA Breve história desta jovem Manufactura A combinação de movimentos internos, acessibilidade relativa e aquela estética minimalista da Bauhaus fazem desta jovem marca de relógios alemã tão singular e tão apreciada. A Nomos fabrica relógios de marca própria, quase exclusivamente na pequena cidade de Glashütte, na Alemanha, com um design minimalista e funcional. Com este artigo vamos tentar desvendar um pouco da breve história desta manufactura Alemã. O bom, o mau e o que vem a seguir. Uma nota: sobre a ortografia: Glashütte é muitas vezes traduzido como “Glashuette” ou “Glashutte”. Para evitar ferir susceptibilidades durante o artigo vou referir-me à marca como Nomos. Outra nota: “Nomos” significa lei em grego. Fundação Nomos é uma manufactura Alemã independente, com sede em Glashütte, Saxónia, Alemanha. A pequena cidade de 7.000 habitantes está implantada num vale a cerca de 2 horas a sul de Berlim e é partilhada por quase uma dúzia de relojoeiros e fabricantes, incluindo A Lange & Sohne e Glashütte Original. Enquanto A Lange é a que mais factura de todos os fabricantes de Glashütte, a Nomos é a que mais relógios vende. Actualmente, a Nomos é membro da Deutscher Werkbund, uma associação de artistas, arquitetos e designers alemães. Fundada em 1907, ajudou ao nascimento do movimento Bauhaus e associado ao icónico e típico design do início a meados dos anos 1900. A Nomos foi fundada por Roland Schwertner em janeiro de 1990 – um fotógrafo e um expert em computadores sem experiência em relógios – apenas dois meses após a queda do Muro de Berlim. Foi fundada ao mesmo tempo do relançamento das A Lange & Sohne e Glashütte Original. Embora a A Lange seja propriedade do Grupo Richemont e a Glashütte Original seja propriedade do Grupo Swatch desde 2000, a Nomos continua a ser um fabricante independente - um dos poucos verdadeiros independentes no mundo da relojoaria e talvez o único a fazer relógios independentes a preços acessíveis ao público em geral (Patek Phillipe, Audemars Piguet, FP Journe e outras pequenas manufacturas de alta relojoaria fazem parte da lista de fabricantes independentes; isso também inclui outros relojoeiros de Glashütte como Moritz Grossman). A sede da Nomos – onde trabalham a maioria dos 300 funcionários da empresa - é uma estação de comboios convertida e que está situada num pequeno local idílico em Glashütte, adjacente a A Lange, Glashütte Original e não muito longe dos outros relojoeiros da cidade (toda a cidade pode ser visitada em cerca de 15 minutos). Os restantes funcionários da empresa trabalham num estúdio criativo interno da marca, em Berlinerblau, no centro de Berlim. Para um relógio poder ser vendido com o cobiçado nome “Glashütte”, pelo menos 50% de seu valor deve ser produzido localmente, um feito que a Nomos demorou alguns anos a conseguir, trabalhando afincadamente para fabricar internamente todas as peças, afastando-se assim aos poucos dos movimentos de ebauche. Fábrica da Nomos em Glashütte A boutique Nomos em Glashütte Glashütte vista da estação dos comboios com as três fábricas seguidas. Primeiro a: Glashütte Original, depois a A. Lange e por último a Nomos A primeira Colecção A Nomos lançou a sua primeira coleção em 1991, apresentando os modelos Orion, Ludwig, Tetra e Tangente. Todos foram desenhados por Susanne Gunther e apresentavam uma estética semelhante: clean, minimal, Bauhaus. Todos os modelos atingiram um ponto ideal de tamanho para ambos os sexos: 35 mm para os modelos redondos (o tetra quadrado é 29,5 mm), como reacção aos vistosos relógios de dois tons que definiram os anos oitenta. Aqui, porém, a Nomos provou estar à frente do seu tempo: fazer relógios que qualquer sexo poderia usar com a mesma facilidade, com marketing neutro em termos de gênero é uma fórmula que algumas marcas ainda precisam dominar. Tangente O sucesso da coleção foi liderado pelo Tangente: um relógio redondo de 35 mm com a inspiração mais clássica da Bauhaus do grupo. O relógio foi fortemente inspirado nos primeiros relógios Bauhaus da década de 1930: o primeiro Stowa Antea e o primeiro relógio estilo Bauhaus da Lange foram lançados em 1937. Observe este Lange (abaixo) - é quase um irmão gêmeo do Nomos Tangente, especialmente sua edição “100 anos de Bauhaus ”, assim como o Stowa da mesma época. Lange Stowa Assim como o Tangente era uma imitação de relógios anteriores ao estilo Bauhaus, o sucesso deste estimulou outra geração de imitadores, alguns relógios de quartzo baratos, mas verdadeiros concorrentes dos relógios de luxo. Ninguém fica indiferente aos relógios Nomos, devido ao seu design ou se adoram ou se odeiam. Com este sucesso, a Nomos contratou uma agência de publicidade alemã para a ajudar a expandir a marca. Com o investimento e por causa do sucesso da campanha de marketing, a Nomos assumiu o ambicioso projeto de desenvolver os seus próprios movimentos internos. Movimentos in-house Desde o seu lançamento em 1992 até o início de 2005, a Nomos usou movimentos suíços ETA ou Peseux ebauche. Os movimentos eram baseados no Peseux 7001, porém com alguns acabamentos feitos no estilo Glashütte: retificação solar nas rodas da coroa e do tambor, faixas Glashütte nas pontes e parafusos azulados. As platinas também foram rodinadas para se tornarem resistentes à oxidação e depois banhadas a ouro. Devido a essas modificações, em 1997 a ETA solicitou que Nomos não usasse o seu nome nos movimentos. Aproveitando esse pretexto, a Nomos começou a retrabalhar ainda mais os movimentos. Em março de 2002, a empresa deu um novo nome a este calibre modificado: Nomos 1T. Este calibre substituiu a platina e o balanço do Peseux por peças banhadas a ouro decoradas com perlage, feitas nas instalações de Nomos. A regulação passou a ser feita utilizando a regulação fina Triovis, daí o "T" no nome. A próxima grande mudança foi a introdução do Nomos 1TSP e seus descendentes, que apresentavam rotores de três braços ao estilo Glashütte. Finalmente, em 2005, a Nomos lançou seu primeiro relógio com movimento interno: o Tangomat. Na mesma altura, o movimento manual da Tangente também foi convertido na própria manufactura. A Nomos estava finalmente a fabricar muito mais do que 50 por cento dos componentes dos seus relógios em Glashütte, e poderia justificadamente juntar-se aos fabricantes genuínos de Glashütte. Nomos movimento Epsilon Movimento Nomos Alpha O Nomos Epsilon foi o primeiro movimento de corda automática (no Tangomat), e o Nomos Alpha (no Tangente) o primeiro movimento de corda manual Em 2013, a Nomos introduziu uma nova linha de calibres, chamada “Deutsche Uhrenwekre” (DUW), destinada a significar o aumento da capacidade da Nomos como fabricante por direito próprio. Nomos Swing System Em 2014, a Nomos anunciou que tinha desenvolvido um escape totalmente interno: o Nomos Swing System. A Nomos apresentou na Baselword 2014 o seu movimento totalmente interno com o lançamento do Metro. Nomus Metro O fabrico do Swing System é um processo incrivelmente preciso e, até hoje, apenas alguns relojoeiros da Nomos são capazes de executar adequadamente o processo. O movimento não foi apenas uma conquista notável para a marca; o design em si foi elogiado por entusiastas e designers de relógios de todo o mundo. Projetado pelo lendário designer industrial Mark Braun, o Metro rompeu com alguns dos designs mais sérios de Nomos. De alguma forma, evoca imagens da década de 1930 tão bem quanto as de 2030. Actualmente, a Nomos produz internamente 13 movimentos. Além dos movimentos originais alfa e epsilon, os destaques incluem: DUW 1001 - Redondo, 29 rubis, tambor duplo, corda manual, indicador de reserva de marcha. DUW 5101 automático, função de data, reserva de marcha de 42 horas (usado em vários modelos com data, incluindo Club, Ahoi e Tangomat). Temporizador mundial automático DUW 5201 , reserva de marcha de 42 horas (usado no Tangomat GMT e no Zurich Worldtimer). Corda manual DUW 2002 com reserva de energia de 84 horas (utilizada na coleção Lux) Calibre DUW 3001 Em 2015, a Nomos apresentou o DUW 3001, um movimento automático que, com apenas 3,2 mm de espessura, também consegue manter o tempo com extrema precisão e eficiência. Está incluído no novo Nomos Minimatik, um novo modelo que, com as suas asas suavemente curvas, destaca-se de outros designs Nomos. O DUW 3001 também apresenta a linha Neomatik em constante expansão da Nomos, que atualiza os designs clássicos da com novas cores e detalhes. Nomos Minimatik Como os movimentos originais Alpha e Epsilon, todos os calibres Nomos são altamente decorados com gravações Glashütte, banho de ródio, perlage, decoração sunburst e outros detalhes que só se esperaria num relojoeiro de luxo deste calibre. A maioria dos relógios também é disponibilizada uma opção de visionamento do movimento através de um vidro de safira no fundo da caixa. Nomos: não sem controvérsia Em 2017, a Nomos apresentou a sua coleção “At Work”. Os relógios são feitos para serem usados diariamente pelo profissional moderno. Todos os 14 relógios da coleção estão equipados com o movimento automático ultrafino Neomatik. A coleção inclui atualizações para o Metro, Tangente, Orion e Tetra em três mostradores diferentes, incluindo um novo Silvercut sexy. A coleção At Work também dimensionou todos os modelos para 39 mm de diâmetro, substancialmente maior do que o tamanho tradicional de 35 mm da Nomos. Alguns apontaram que isso parecia implicar que apenas aqueles utilizadores com pulsos maiores (ou seja, homens) eram os destinatários desta colecção. Foi um erro lamentável de uma marca que tem sido frequentemente elogiada por diluir as linhas entre um relógio “masculino” e “feminino”. O tamanho de 35 mm dos modelos originais funciona igualmente bem em homens e mulheres, e os designs minimalistas e inofensivos podem funcionar com a maioria das estéticas. Alguns modelos da Colecção At Work A Nomos provavelmente caiu na mesma armadilha com o marketing da coleção Nomos Club. O Club e o Club Campus são ofertas de nível básico da Nomos, e a Nomos apresenta-os como os presentes perfeitos para premiar a entrada na universidade – com gravura gratuita incluída! Mas o marketing tende para o masculino, com dicas como bolas de beisebol, por exemplo. Ser executivo de marketing numa empresa de relógios não é fácil: é obrigado a criar uma campanha de marketing que, por receio da reação do consumidor, seja 90% masculino o seu público alvo, mas que não seja desproporcionado para as mulheres. Indiscutivelmente, a Nomos apenas está nesta posição porque torna os relógios tão apetecíveis para ambos os sexos, algo que poucas outras marcas podem reivindicar. Portanto, não vale a pena insistir nesses chamados deslizes, porque a soma do que eles fazem na indústria relojoeira é extremamente compensadora. Nomus Club Atualização do Tangente: Vencedor do GPHG Nomos Tangente 41 Update Em 2018, o novo Nomos Tangente 41 Update venceu a categoria Challenge no Grand Prix d'Horlogerie de Genève (GPHG). Esta categoria premeia o melhor relógio vendido abaixo de CHF 4.000. A atualização do Tangente apresenta um novo e inovador calibre DUW 6001, com um mecanismo que apresenta a data no extremo do mostrador exibindo dois pontos vermelhos ao redor da data. Foi uma conquista e uma validação emocionantes para a Nomos como fabricante, não menos num grande prémio em plena Suiça. Nomos: uma obsessão dos puristas A Nomos conseguiu ser uma referência no universo relojoeiro aproveitando a engenharia alemã tipicamente eficiente e precisa, mas adicionando o toque humano onde é mais importante. A Nomos pensa em si mesma menos como uma artesã – a forma como A. Lange pode ser descrita, que termina à mão cada peça de cada movimento – e mais como um fabricante moderno, aproveitando as técnicas de automação para aumentar os processos humanos que entram no fabrico de cada relógio. Nesse sentido, a Nomos tem mais em comum com BMW, Mercedes e, ouso dizer, Rolex, do que com seus vizinhos em Glashütte. Nenhuma das abordagens é certa ou errada, mas levam a diferentes produtos – e preços – para o consumidor. Felizmente, há espaço suficiente no mercado para ambas as abordagens. Nomos: Catálogo Atual (2019) Embora o catálogo Nomos ainda seja definido pelos quatro modelos clássicos que iniciaram a marca no início dos anos 90, a empresa também trabalhou para criar novas referências interessantes baseando-se neles. Por exemplo, o modelo Club já existe há mais de 10 anos, mas introduziram recentemente uma opção de pulseira em aço inoxidável na coleção. Uma pulseira que estava visivelmente ausente das ofertas da Nomos até 2019; os seus relógios vinham todos com pulseiras de couro Horween de alta qualidade (compradas da famosa Horween Leather Company em Chicago). Nomus Club Neomatic com pulseirsa de aço Outra edição recente da coleção Nomos é a Autobahn inspirada nas corridas . É um pouco estranho ter um relógio inspirado em corridas que não seja um cronógrafo, como tal é provável que a Nomos esteja a trabalhar para apresentar em breve um cronógrafo na sua fábrica de Glashütte. Nomus Autobahn A Nomos também abordou a relojoaria de alta qualidade com a coleção Lambda e Lux . O Lambda apresenta o calibre DUW 1001, um movimento com 84 horas de reserva de marcha. Tal como o Lambda, o Lux e o seu calibre DUW 2002 também apresentam uma reserva de marcha de 84 horas. Apresenta uma ponte do balanço gravado à mão e um belo acabamento também à mão de todo o movimento. Tanto o Lambda como o Lux são disponibilizados em caixas de ouro branco ou ouro rosa e têm o preço a rondar os: US $ 20.000. Nomus Lambda Nomus Lux Ao longo dos anos, a Nomos também criou várias peças de edição limitada ou especial. Talvez o mais louvável desses esforços seja sua parceria contínua com os Médicos Sem Fronteiras. Atualmente, a Nomos está a vender uma edição dos Médicos Sem Fronteiras Tangente Neomatik, com nova pulseira de aço. Por cada venda, 250 euros vão diretos para a organização humanitária. É apenas mais um exemplo do que a Nomos fez para ser mais do que um fabricante de relógios. Claro, os detratores desvalorizam os esforços como a iniciativa dos Médicos Sem Fronteiras como pura manobra de marketing destinada a construir boa impressão no mercado. E isso é completamente verdade. Mas o que há de errado nisso? Se uma marca de consumo for bem-sucedida no século 21, não queremos que ela tenha pelo menos alguma consciência? E daí se o principal benefício para o Nomos for criar uma a boa impressão. O fato é que os Médicos Sem Fronteiras também ganham com a parceria. Além dos tradicionais e minimalistas relógios de pulso, a Nomos também construiu, já no final da década de 2010 e início da actual, um relógio de bolso solar em forma de anel, exactamente o mesmo que serviu de pretexto para falarmos aqui da Nomos, cujas características podem ser observadas no início deste artigo. A Nomos também continuou a ser pioneira no chamado espaço de “relógio unissexo”. O núcleo do seu catálogo não é tradicionalmente masculino ou feminino. A estética da Bauhaus é sem género e também atemporal, e a Nomos merece crédito por reintroduzi-la para um público moderno de uma maneira que respeita a tradição sem ser sóbria. Os designs da Nomos fazem qualquer interessado querer aprender mais sobre a história da Bauhaus, o design de meados do século XX e tudo o mais. Esta é uma das virtudes mais duradouras de Nomos, sendo a outra os seus preços acessíveis que tornam viável para uma nova geração de entusiastas tornarem-se experts em relógios.
- As Inesperadas Ligações Entre Pontes e Relógios
A minha tentativa de “fazer a ponte” entre a relojoaria e a engenharia civil Pontes emblemáticas como a Golden Gate, Tower Bridge e Vasco da Gama representam a combinação perfeita entre engenharia, função e design, chegando mesmo a ser conhecidas como Obras de Arte na área da construção. Esta combinação de requisitos pode também ser aplicada aos relógios que, apesar de serem considerados por muitos como um objeto supérfluo nos dias que correm, continuam a ser autênticos símbolos de engenho e criatividade. A dualidade entre relógios e engenharia estende-se para o meu dia-a-dia: Apesar de me ter formado em engenharia civil e ser a profissão que exerço, o meu tempo livre é passado a aprender mais sobre a história da contagem do tempo e o funcionamento destes pequenos objetos de pulso. Este artigo é o resultado de algumas das coincidências entre os mundos da Engenharia Civil e da Relojoaria com que me fui cruzando ao longo do meu percurso. Sem pontes, não haveria relógios de pulso O Século XVIII foi um período de elevada criatividade e desenvolvimento técnico na área dos relógios de bolso. Na época, estes objetos assumidamente de luxo eram produzidos à mão utilizando metais preciosos a pedido da realeza e da burguesia. A sua precisão era questionável, resultado da concepção dos movimentos e do tipo de escape o órgão regulador do relógio) utilizado. Os componentes eram dispostos em planos separados, unidos entre si através de colunas e utilizavam complexos fusos e minúsculas correntes ara regular o nível de tensão no relógio, o que resultava em relógios volumosos e espessos. Um dos relojoeiros do Século XVIII responsável pela mudança no paradigma da contagem do tempo foi Jean-Antoine Lépine que, por volta de 1770, apresentou um novo método construtivo para os calibres de relógio de bolso. As inovações de Lépine mereceram-lhe os títulos de maître horloger (mestre relojoeiro) e de Horloger du Roi (relojoeiro do Rei) e influenciaram os seus contemporâneos (dos quais se destaca um dos seus discípulos, Abraham Louis Breguet), bem como as gerações que o sucederam. O uso de pontes nos movimentos foi fundamental para o desenvolvimento de relógios suficientemente pequenos e robustos para serem utilizados no pulso. Com o passar dos séculos, os materiais e técnicas construtivas evoluíram significativamente, mas os princípios de construção de movimentos com recurso a pontes permanecem prática corrente nos dias de hoje. Apesar do uso de pontes nos movimentos ser generalizado nos dias que correm, tal não impede certas marcas de inovar o conceito — desde o Corum Golden Bridge com todos os seus componentes inseridos numa só ponte, aos maravilhosos balanços flutuantes dos MB&F, o que não falta é espaço para a criatividade! Alguns relógios têm pontes no mostrador Enquanto algumas marcas utilizam as pontes do movimento como decoração, outras abordam o tema no sentido mais literal, ao incluirem pontes em miniatura no próprio mostrador! Um dos meus exemplos favoritos é o Pont des Amoureux da Van Cleef & Arpels, integrado na sua linha de “complicações poéticas”. Neste relógio, os ponteiros retrógrados assumem a forma de um casal que se vai aproximando ao longo do dia, beijando-se à luz do luar a cada doze horas (no site da marca é possível ver uma animação do seu funcionamento). Para os mais impacientes, o modelo mais recente inclui um botão adicional às 8 horas, que quando acionado permite a aproximação instantânea do casal à vontade do utilizador — tecnicamente impressionante, se bem que um pouco voyeurístico! Segundo a marca, a inspiração para o mostrador teve origem em Paris, considerada por muitos uma das cidades mais românticas do mundo. Com alguma imaginação, a ponte esculpida no mostrador remete-me para a Pont des Arts, com a sua elegante estrutura metálica. Por outro lado, o seu preço base de 122 000 euros é a prova que o amor por vezes pode sair caro. A Rolex fez (literalmente) uma ponte Como é praticamente impossível escrever um artigo de relógios sem mencionar a Rolex, a terceira curiosidade é dedicada à marca da coroa. Apesar da Rolex produzir milhões de pequenas pontes por ano para equipar os seus movimentos de manufactura, há uma das suas criações que se destaca na paisagem de Genebra. A história começa em 1945, quando Hans Wilsdorf, célebre criador da Rolex e da Tudor, estabelece uma Fundação homónima sem fins lucrativos dedicada a causas sociais como o Ambiente, Ciência e Artes. Atualmente, a Rolex mantém-se sob a alçada da fundação e apesar de produzir centenas de milhar (talvez milhões) de relógios por ano, esta conservadora empresa não divulga publicamente os seu resultados e não tem acionistas a quem prestar contas ou distribuir lucros. A Ponte Hans Wilsdorf foi inaugurada em 2012 e constituiu uma oferta da Fundação a Genebra, cidade sede da Rolex. Esta ponte de vão único, com 85 metros de comprimento, facilita o acesso à fábrica da marca genebrina, através das suas duas vias rodoviárias, duas ciclovias e passagens pedonais nas extremidades. Inspirada nos relógios da marca, a sua estrutura espacial é uma variante das habituais treliças utilizadas em pontes, composta por elementos metálicos elípticos entrelaçados e dispostos simetricamente ao longo da estrutura. Há pontes que dão as horas As pontes são das construções que permitem maior criatividade, existindo sempre variadas formas de fazer a passagem entre A e B. A Sundial Bridge, localizada na Califórnia, é um exemplo perfeito desta procura de soluções inesperadas para resolver o simples problema de atravessar um rio. Um dos desafios associados à construção desta ponte pedonal situada no interior de um parque natural era minimizar seu o impacto ambiental, protegendo os habitats do rio. O projetista escolhido para o desafio foi Santiago Calatrava, arquiteto Espanhol cujas (controversas) criações parecem desafiar as leis da gravidade. A sua solução dispensou a construção de pilares no leito do rio, ao suportar o tabuleiro da ponte com tirantes fixos a uma torre inclinada, construída na margem Norte. Para além de resistir às cargas da ponte, a geometria e orientação da torre foi pensada de forma a criar um dos maiores relógios solares do mundo — à medida que o sol atravessa o céu, a sombra projetada pela torre indica a hora nas marcações do jardim situado a norte. É possível comprar relógios numa ponte Para os verdadeiros fãs de relojoaria, pontes e história, há um lugar em Itália que proporciona a experiência completa — a Ponte Vecchio, no centro de Florença, um dos locais de destaque desta belíssima e rica cidade. O primeiro atravessamento do rio Arno nesta localização foi feito pelos Romanos, sendo substituída pela versão atual da ponte durante a Idade Média, que cruza o rio através de três arcos de pedra. Mais tarde, a ponte passou a suportar uma parte do Corredor Vasari, uma galeria (não muito) secreta que permitia aos Medici deslocarem-se pela cidade fora de perigos e das atenções da população. Devido ao seu largo tabuleiro e proximidade ao rio, foi inicialmente ocupada pelos talhantes, peixeiros e curtidores de peles da cidade, pela facilidade de se livrarem dos seus restos ao atirá-los para o rio. Contudo, a sujidade e o cheiro destas lojas afetavam a saúde e o bem estar dos que a atravessavam, o que em 1593 levou Ferdinando de Medici a decretar que a ponte só poderia ser ocupada por ourives e joalheiros, decisão que ainda hoje perdura. Atualmente, a ponte alberga boutiques da Rolex e da Audemars Piguet, bem como retalhistas de outras marcas de alta relojoaria.
- Breguet | Solar | Tempo Universal | Anel de Bronze | 2021
Série: SOLARES Por: Sílvio Pereira - Relógio de Bolso solar em forma de anel; - Fabricante: Breguet; - Material: Bronze. - Dimensões: Diâmetro externo 60,5mm; Diâmetro interno 43,3mm; Espessura 4mm - Peso: 39,5gr; - Documentação: Certificado de autenticidade e manual de instruções - Estojo: Cartão forrado e cortiça. - Forma de usar: como pendente. Modo de funcionamento (última foto): Passo 1 (figura I) Ajuste da latitude: Deslocar a marca do anel que suporta o fio de suspensão (1) para a latitude correcta de onde se encontra o utilizador. A escala graduada da latitude (1a) encontra-se gravada na superfície do anel exterior (2). Em Lisboa o relógio deve ser ajustado para 38,50º Norte; Passo 2 (figura II) Ajuste da data: A data ajusta-se na ponte (3) através de uma barra deslizante preta de aço (4). Cada letra representa um dos 12 meses do ano. Para facilitar a colocação na posição correcta, cada mês está dividido em três (5): princípio, meio e fim do mês; Passo 3 (figura III) Desdobrar o anel interior: Girar o anel interior até aos 90º (6). Finalmente, o relógio está preparado para ser usado. Passo 4 (figura IV) Leitura da hora: Deve segurar-se o relógio pelo fio, colocá-lo sob incidência directa do sol e girá-lo até que um raio solar atravesse o orifício (7) da barra deslizante (4) e coincida exactamente com a ranhura existente no interior do anel interno (6). Existem duas possibilidades para girar a ponte (3): se for antes do meio dia cairá um ponto de luz sobre a parte direita do anel interno. Se for depois do meio dia marcar-se-á a hora a partir das 12. Agora pode-se observar a hora verdadeira. (Atenção: a hora local verdadeira coincide com a hora de inverno). Atenção! Se o utilizador se encontra no hemisfério sul, o ajuste da latitude deve ser feita na escala inferior (1b)! Não deve ser feita nenhuma alteração nem ajuste da data. Para se efectuar uma medição correcta do tempo, o anel exterior (2) deve encontar-se colocado na direcção Norte-Sul, o anel interior aberto (6) estará colocado numa posição paralela ao equador e a ponte (3) paralelo ao eixo da Terra. Este relógio solar é também uma bússula além de um modelo do mundo. HISTÓRIA DA BREGUET A história da marca Breguet abrange quatro séculos e é tão rica em invenções e inovações que representa uma parte essencial de toda a história da relojoaria. Dada a quantidade de acontecimentos relevantes que marcam a história de Breguet, traçaremos o caminho desde as origens até os dias actuais. O princípio de tudo A marca ostenta o nome do seu fundador, Abraham-Louis Breguet, que nasceu em Neuchatel, Suíça, em 10 de janeiro de 1747. Breguet em jovem A cidade de Neuchâtel no Século XVIII Anos difíceis Os seus antepassados eram franceses e, por serem protestantes, mudaram-se para a Suíça em 1685. De facto, na sequência desta revogação do Édito de Nantes (que em 1598 pôs fim às guerras religiosas que afligiram a França durante a segunda metade do séc. XVI), ocorreu de novo uma intensa perseguição aos protestantes. Apesar da proibição de deixar o país, cerca de 400.000 protestantes - incluindo os Breguet - fogem de França pondo em risco a própria vida. Com apenas 11 anos de idade, o seu pai Jonas-Louis faleceu. A sua mãe Suzanne-Marguerite Bollein casou-se de novo com o primo do seu ex-marido, Joseph Tattet, que vinha de uma família de relojoeiros. Em 1762, Tattet levou Breguet para Paris, onde, entretanto, as coisas se tinham acalmado um pouco. Aí, foi aprendiz de um mestre relojoeiro de Versalhes cujo nome permanece desconhecido. França e Suíça nas vésperas da Revolução Francesa Após concluir os seus estudos, trabalhou para dois dos mais aclamados relojoeiros do seu tempo, Ferdinand Berthoud (1727-1807) e Jean-Antoine Lépine (1720-1814). Na mesma altura, tendo percebido que a matemática era essencial para o sucesso do seu trabalho, continuou a sua educação tendo aulas noturnas sobre esta área no Collège Mazarin, sob a orientação da abadessa Marie. Impressionada com o seu talento e inteligência, Marie teve o importante papel de apresentar Breguet à corte francesa e à aristocracia que gravitava em torno dela, tornando-se posteriormente clientes de Breguet. O nascimento da "Breguet" Embora enfrentando um momento difícil pela perda da sua mãe, do seu padrasto e da sua mentora Marie num curto espaço de tempo, Breguet conseguiu criar a sua irmã mais nova e finalmente, em 1775, abriu o seu próprio negócio no número 39 da Quai de l'Horloge, na Ile de la Cité, nas margens do rio Sena, perto de Notre Dame. Tinha 28 anos. A oficina de Breguet no Quai de l'Horloge, Paris em 1775 Quai de l'Horloge na actualidade Nesse mesmo ano, casou-se com Cécile Marie-Louise L'Huillier, filha de uma família burguesa parisiense estabelecida. Muito provavelmente, parte do capital necessário para estabelecer o negócio veio do seu dote. Graças às apresentações da abadessa Marie, Breguet rapidamente começou a receber as suas primeiras encomendas da aristocracia, incluindo um relógio de corda automática para o Duque de Orleans em 1780 e outro para Maria Antonieta em 1782. A corda automática Os seus relógios de corda automática ou “perpétuelle” trouxeram-lhe fama considerável tanto na corte de Versalhes como em toda a Europa. Embora breguet não tenha sido o primeiro a fabricar um relógio de corda automática, a maioria dos especialistas concorda que ele produziu o primeiro relógio desse tipo que foi realmente confiável e eficaz. Dois exemplos de relógios perpetuelle de Breguet: a massa oscilante, subia de modo que voltasse à sua posição original após cada movimento, empurrava para cima dois barriletes, parando quando as molas estivessem totalmente pressionadas Os relógios Breguet tiveram sucesso imediato não apenas pela qualidade dos mecanismos internos, mas também pelo design. Basta pensar nos ponteiros que projetou em 1783. Feitos de ouro ou aço azulado e com os círculos furados de forma excêntrica, adicionavam uma elegância irresistível a um relógio. Tornaram-se um sucesso imediato demonstrado pelo fato de que o termo 'ponteiros Breguet' entrou de imediato no vocabulário da relojoaria. Os ponteiros, os numerais e o guilloché Breguet Ponteiro Breguet Para os seus mostradores, usou placas de esmalte branco com algarismos arábicos típicos ligeiramente inclinados para a direita ou decorações guilhochê, ou seja, padrões receptivos gravados na placa do mostrador usando um torno manual. Mais do que meramente decorativo, um padrão guilloché oferecia a vantagem de suprimir o reflexo da luz nas placas metálicas do mostrador. Numerais e ponteiros Breguet O mostrador guilhochê de um relógio de bolso Breguet - 1786 O nº 160 Marie Antoinette Em 1783 Breguet recebeu uma encomenda, através de um membro da Guarda de Maria Antonieta, para um relógio especial que teve de ser criado como sendo um presente para a rainha, uma das admiradoras mais entusiastas dos seus relógios. O relógio tinha que incorporar todas as complicações e funções conhecidas na época. Nenhum prazo ou limite monetário foi colocado no pedido. Foi concluído em 1827, 44 anos após a encomenda e 34 anos após a morte da própria rainha, mas o resultado foi o que muitos especialistas consideram o relógio mais importante já produzido por razões tecnológicas, estéticas e históricas. O Breguet 160 - Marie Antoinette O “gong-spring” e o “parachute” Outras invenções notáveis desses anos são o “gong-spring” (1783), usado para carrilhão de relógios na substituição de um gongo, e o “parachute” (1790), um sistema de proteção contra choque ou “suspensão elástica” (como o próprio Breguet muitas vezes chamou) o que tornou os relógios menos frágeis e mais resistentes. O gong-spring num relógio repetidor de minutos e, à direita, sistema anti-choque "parachute” A sociedade com Xavier Gide Breguet trabalhou por conta própria até 1787, quando se associou a Xavier Gide, comerciante de relógios que trouxe mais capital para o negócio. Apesar de não ter sido particularmente bem sucedida tendo sido por isso dissolvida em 1791, esta parceria foi muito importante na história da Breguet porque, com ela, a empresa passou a manter registos das vendas e dos custos de produção da fábrica fornecendo-nos informações inestimáveis. Registos de Breguet A título de exemplo, em relação aos relógios automáticos que mencionamos acima, sabemos pelos registos que Breguet vendeu sessenta “perpétuelle” de 1787 a 1823. E embora não haja registros para os anos entre 1780 e 1787, podemos supor que outras vinte ou trinta peças foram produzidas nesse período. Tempos perigosos Mas aqueles eram tempos perigosos com a tempestade da revolução francesa a aproximar-se rapidamente, em especial para um homem que era considerado muito próximo da aristocracia e da corte real. Felizmente, Breguet tornou-se amigo íntimo do líder revolucionário Jean-Paul Marat, cuja irmã Albertine fez alguns ponteiros para o relojoeiro. Diz-se que Breguet salvou Marat de uma multidão enfurecida que se reuniu do lado de fora da casa de um amigo em comum: teve a ideia de vestir o seu amigo como uma senhora de idade e assim os dois poderam escapar com sucesso. Quando Marat descobriu que Breguet estava condenado à guilhotina, conseguiu um salvo-conduto que permitia a Abraham-Louis deixar Paris e viajar para Genebra em 1793. De lá, mudou-se para Le Locle, onde montou uma pequena oficina com apenas um punhado de funcionários. Dessa forma, pôde continuar a trabalhar para as famílias reais da Rússia e da Inglaterra, em particular o rei George III. Regresso às origens Em 1795 o ambiente político em França estabilizou e Breguet voltou a Paris, onde encontrou a sua fábrica em ruínas. Amigos, entre eles principalmente a família Choiseul-Praslin, ajudaram-no a reconstruir o seu negócio, que montou de novo no Quai de l'Horloge. O Exército e a Marinha precisavam urgentemente de relógios confiáveis, então Breguet foi bem-vindo de volta. Chegou mesmo a ser indemenizado pelas perdas sofridas durante o terror e conseguiu que o seu pessoal fosse dispensado do serviço militar para acelerar a recuperação da sua fábrica. Embora a atividade de Breguet tenha sido seriamente atingida nos anos do exílio, usou o seu tempo para desenvolver muitas das ideias e invenções excepcionais que foram implementadas nos anos seguintes, alcançando rapidamente grande sucesso. Espiral Breguet A mola do balanço, também designada "espiral", é uma pequena mola que através da sua elasticidade regula as oscilações do balanço. Está ligada na sua extremidade interna ao eixo do balanço e na sua extremidade externa ao piton. A mola de balanço plana, inventada pelo matemático holandês Huygens em 1675, havia estabelecido um grau de isocronismo que deixava a desejar. A espiral plana era feita de cobre ou ferro e tinha apenas algumas espiras. Embora imperfeito, deu o equilíbrio que precisava para se tornar tão preciso quanto o pêndulo de um relógio. Em 1795 Abraham-Louis Breguet resolveu o problema levantando a última espira da mola e reduzindo a sua curvatura, para garantir o desenvolvimento concêntrico da mola de balanço. Assim dotado com o "overcoil Breguet", a espiral passou a ter forma concêntrica. Os relógios ganharam precisão e o pivot do balanço não se desgasta tão facilmente. Breguet também aperfeiçoou um volante de compensação bimetálica para anular os efeitos das mudanças de temperatura no balanço. A espiral breguet foi adotada por todas as grandes empresas relojoeiras, que continuam a usá-la até hoje em peças de alta precisão. Entre 1880 e 1910, muitos fabricantes escreveram as palavras "Spiral Breguet" ou "Breguet overcoil" em letras grandes nas tampas dos seus relógios. Espiral Breguet Os "Souscriptions" A excelência de Breguet não estava apenas na técnica e no estilo, também era um grande comerciante. Um exemplo: em 1797, o relojoeiro criou um dos mais famosos exemplos de relógio de bolso de ponteiro único, o "Souscription". Breguet Souscription nº 3424 - cerca de 1797 (mostrador e movimento) Lançado através de uma brochura publicitária e dotado de um movimento especial de grande simplicidade assente num grande tambor central, era vendido em regime de subscrição (daí o nome), com o pagamento de um quarto do preço quando da encomenda. O "Souscription" teve grande sucesso e vários modelos foram produzidos, com diferentes mostradores e caixas de ouro ou prata. Breguet Souscription N. 542, 62 mm, caixa prateada com bordadura de ouro, mostrador em esmalte, vendido em 1800 Breguet Souscription N. 1391, 57 mm de diâmetro, caixa dourada, mostrador guilloché torneado, vendido em 1805 O "relógio de tacto" No final da década de 1790, Abraham Louis Breguet inventou o "montre à tact" ou "relógio com tacto". Além de permitir ao utilizador ver as horas da maneira tradicional, abrindo a caixa do relógio e olhando para o mostrador interno, também permitia que verificasse as horas no escuro, girando o ponteiro ou a seta fora da caixa no sentido horário até que parava na hora indicada pelo relógio. Graças aos pequenos botões ao redor da caixa, usados como marcadores de horas, era possível sentir em qual ponteiro/seta das horas estava posicionado e discernir a hora certa aproximadamente. Relógio de cilindro 'médaillon montre à tact' com caixa caçador em ouro rosa, esmalte e diamantes, assinado Breguet, nº 608, vendido a Monsieur Bastreche em 1800 por 3.000 francos O sistema "a tacto" ajudava a obter as horas com tato sem tirar o relógio do bolso, pois naquela sociedade muito educada ao fazê-lo poderia parecer entediado ou impaciente. E, de fato, outro significado da palavra “tato” em francês é sinónimo de sensibilidade para com os outros (daí as palavras “tact” and “tactful” em inglês). O Tourbillon Em 26 de junho de 1801, o ministro do Interior francês concedeu a Breguet uma patente com 10 anos de duração para a sua invenção do turbilhão, um novo tipo de regulador. Patente do Tourbillon concedido em 1801pelo Ministro Francês do Interior É interessante ler a carta que Breguet escreveu ao ministro francês para apresentar sua invenção: "Ministro cidadão, tenho a honra de apresentar-lhe um memorando detalhando de uma nova invenção, aplicável aos instrumentos de medição do tempo, a que chamei de Régulateur a tourbillon, e solicito uma patente para a construção desses reguladores por um período de dez anos. Consegui, com esta invenção, eliminar por compensação os erros devidos a diferenças de posição nos centros de gravidade, e pelo movimento do regulador, em distribuir igualmente o atrito por todas as partes dos pivôs do referido regulador e nos orifícios em que giram, de modo que a lubrificação dos pontos de contato seja sempre igual mesmo com o engrossamento do óleo, e ao remover muitos outros erros que afetam, em maior ou menor grau, a precisão do movimento, de uma maneira que está totalmente além do conhecimento atual de nossa arte, mesmo com um período infinito de tentativa e erro. É após a devida consideração de todas essas vantagens, com a capacidade de aperfeiçoar os meios de fabricação e as despesas consideráveis que tive para chegar a tal ponto, que decidi solicitar uma patente para fixar a data da minha invenção e para me compensar pelas despesas que fiz. Respeitosamente, Assinado Breguet" Graças à sua profunda compreensão das leis da física, Breguet percebeu que a maneira como um relógio funcionava era afetada por mudanças na sua posição. As mudanças foram particularmente evidentes quando os relógios eram mantidos na posição vertical, o que acontecia muitas vezes considerando que os relógios de bolso eram guardados no bolso do colete a maior parte do tempo. Ele entendeu que a principal causa desse comportamento era a gravidade. Embora não fosse possível eliminar as forças gravitacionais, ele pensava que era possível compensá-las instalando o órgão regulador (o balanço suspenso) e o escape dentro de uma gaiola móvel realizando uma rotação completa em torno do seu próprio eixo uma vez por minuto. Plano patenteado do Tourbillon Com esta invenção, Breguet não só melhorou a precisão dos cronómetros de bolso, mas criou um dos dispositivos relojoeiros mais apreciados e fascinantes. Breguet No. 2567 um relógio de bolso turbilhão com mostrador prateado, algarismos romanos e ponteiros Breguet em aço azulado - 1812 A descendência e a internacionalização Em 1807, Breguet integrou o seu filho Antoine-Louis (nascido em 1776) na sua empresa e, a partir desse momento, a empresa ficou conhecida como Breguet et Fils. Os aspectos comerciais do negócio eram dirigidos por Suzanne l'Hillier, sua cunhada, pois a sua esposa tinha morrido em 1780. Imerso na relojoaria desde a mais tenra infância, Antoine-Louis de imediato demonstrou grandes habilidades. Aprendeu em Paris com o seu pai e em Londres, com o grande fabricante de cronómetros e amigo inglês, John Arnold. Nesses anos, Breguet continuou a desenvolver a sua clientela estrangeira com crescente sucesso. Particularmente bem sucedido na Rússia, abriu uma filial em São Petersburgo em 1808. Infelizmente, foi forçado a fechá-la três anos depois, quando o Czar Alexandre I proibiu a entrada de produtos franceses em solo russo, como resposta à política de Napoleão. Cartas de Breguet pai e filho para Lazare Moreau, o funcionário que administrava a filial de São Petersburgo O próprio Napoleão era um bom cliente e comprou vários relógios a Breguet, entre eles um "Pendule Sympathique". Algumas vezes visitou a fábrica Breguet incógnito. Caroline Bonaparte, irmã mais nova de Napoleão e esposa de Joachim Murat, rei de Nápoles, foi sem dúvida uma das melhores clientes de Breguet, adquirindo trinta e quatro relógios de 1808 a 1814. Caroline Murat, Rainha de Nápoles O primeiro relógio de pulso Foi em resposta a uma encomenda da Rainha de Nápoles que, em 1810, Breguet concebeu e fez o primeiro relógio de pulso conhecido, o relógio Breguet número 2639, um relógio de repetição, oval, excepcionalmente fino com complicações, montado numa pulseira de ouro. Não há esboços nos arquivos que indiquem o seu aspecto exterior. Felizmente para nós, o relógio aparece num registo de reparações daquilo a que hoje chamamos serviço pós-venda. A anotação, datada de 8 de março de 1849, indica que a Condessa Rasponi, "residindo em Paris na Rue d'Anjou 63", enviou o relógio número 2639 para reparação. A condessa era nada mais nada menos que Louise Murat, nascida em 1805, a quarta e última filha de Joachim e Caroline Murat, que em 1825 se casou com o conde Giulio Rasponi. Foi novamente trazido para reparação em 1855, que é o último vestígio que a Breguet tem dele. Hoje, não se sabe se o relógio Rainha de Nápoles ainda existe, pois nenhuma coleção pública ou privada o apresenta no seu inventário. O sucesso de Breguet tornou-o rico. Durante a sua vida, a sua empresa produziu cerca de 17.000 relógios. No entanto, ele sempre manteve um estilo de vida simples. Era conhecido pela sua bondade e bom humor. Reconhecimentos Entre os inúmeros reconhecimentos alcançados durante a sua vida, Abraham-Louis Breguet foi premiado por Luís XVIII com o título oficial de fabricante de cronómetros da Marinha Real Francesa. Este era provavelmente o título de maior prestígio que um relojoeiro poderia almejar, já que o próprio conceito de cronometria marinha implicava conhecimento científico. Também teve um papel crucial para o país, pois os cronómetros marítimos eram de capital importância para as frotas, permitindo o cálculo das posições dos navios no mar. Breguet tornou-se membro de pleno direito da Academia Francesa de Ciências em 1816 e recebeu o Cavaleiro da Legião de Honra das mãos de Luís XVIII em 1819. Um retrato de Abraham-Louis Breguet em 1816, quando se tornou membro da Academia Francesa de Ciências Abraham-Louis Breguet morreu repentinamente aos 77 anos de idade em 17 de setembro de 1823. O filho único do fundador, Antoine-Louis Breguet, assumiu a empresa com sucesso seguindo o caminho do seu pai e mantendo o padrão de qualidade superior que fez a marca famosa em todo o mundo. Após a morte de Abraham-Louis Breguet em 1823, o seu único filho Antoine-Louis Breguet (1776-1858) - um relojoeiro altamente talentoso - assumiu a empresa que continuou a crescer e a expandir-se. A marca Breguet manteve altos padrões de qualidade e continuou inovando. Entre as invenções deste período podemos citar o primeiro relógio com corda sem chave e o “sympathique clock”. A invenção da coroa sulcada O relógio nº 4952 criado para o Conde Charles de L'Espine em 1830 tinha um botão serrilhado que servia a um duplo propósito: acertar os ponteiros e realimentar o relógio. Com ele, nasceu a moderna coroa sulcada. No entanto, Antoine-Louis não conseguiu patentear este mecanismo revolucionário e dez anos depois uma grande empresa relojoeira de Genebra (Patek Philipps) apresentou um pedido de patente para uma invenção semelhante. O Breguet n. 4288, um relógio de repetição de meio quarto equipado com uma coroa - cerca de 1830 O "Sympathique clock" O relógio "Sympathique" foi construído em 1834 com base nos princípios desenvolvidos por Abraham-Louis Breguet em 1793. O seu engenhoso mecanismo patenteado permitia que um relógio de bolso fosse automaticamente ajustado e realimentado quando colocado num suporte posicionado na parte superior de um relógio de mesa adaptado para o efeito. Relógio Breguet ”Sympathique” com moldura em bronze dourado que abriga um movimento com escape cronómetro de força constante e exibe dia, mês, data, fases da lua e equação do tempo, além de apresentar um termômetro Celsius Breguet na literatura e na aristocracia Possuir um relógio Breguet era considerado um sinal seguro de riqueza e sucesso. Símbolo de status reconhecido, o nome Breguet apareceu repetidamente em várias obras-primas da literatura mundial. Abaixo, apresentamos apenas alguns exemplos. "Breguet faz um relógio que durante vinte anos nunca errará, enquanto a máquina lamentável em que vivemos funciona mal e produz dor pelo menos uma vez por semana." Stendhal (1783-1842) em Roma, Nápoles e Florença, 1817 "Um dândi dos boulevares (...), passeando à vontade até que seu Breguet, sempre vigilante, lhe lembre que é meio-dia." Alexander Pushkin (1799-1837) em Eugen Onegin, 1825-1833 "Ele tirou o relógio fino mais delicioso que Breguet já havia feito. Fantasia, são onze horas, acordei cedo." Honoré de Balzac (1799-1850) em Eugenie Grandet, 1833 “Uma fina corrente de ouro pendia do bolso do seu colete, onde se via um relógio plano. Ele brincou com a chave "catraca" que Breguet acabara de inventar." Honoré de Balzac (1799-1850) em La Rabouilleuse, 1842 "Relógio Danglars, uma obra-prima de Breguet que ele rebobinou com cuidado antes de partir no dia anterior" Alexandre Dumas (1802-1870) em O Conde de Monte Cristo, 1844 “Às vezes o coração prega partidas e decepciona-nos. Os vigilantes estão certos. Pois Deus (o poderoso Breguet) nos deu fé, e vendo que era bom, melhorou-o com um olhar atento." Victor Hugo (1802-1885) em Les Chansons des rues et des bois, 1865 Victoria, Rainha da Grã Bretanha e Irlanda, comprou um relógio Breguet em 17 de julho de 1838, um ano após sua ascensão ao trono, “um relógio muito pequeno e simples, sem repetidor, muito fino” registrado sob o número 5102. O célebre compositor italiano Gioachino Rossini - uma das figuras públicas mais respeitadas de seu tempo - possuía o relógio Breguet número 4604, um design simples e de tamanho modesto exibindo a data. Apresentava uma caixa dourada, um mostrador prateado descentralizado e um escape de âncora. Após a morte do compositor, em 1868, a sua viúva continuou a ter a peça mantida e conservada por Breguet. Não há fotos desses relógios, mas felizmente há informações detalhadas nos arquivos da Breguet. O Breguet número 4961 - um relógio de bolso de repetição de meio quarto extraplano com calendário perpétuo, fases da lua, equação de tempo e indicador de reserva de marcha - que foi vendido em 1831 para Lord Henry Seymour Conway e considerado um dos relógios mais complicados já feitos por Breguet numa caixa tão fina (apenas 7,7 mm de espessura). Este relógio histórico foi comprado por mais de um milhão de francos suíços num leilão em 2013 O passar de testemunho Em 1833, aos 57 anos, Antoine-Louis decidiu reformar-se e refugiar-se na sua propriedade em Le Buisson, perto de Paris, passando o negócio para o seu filho Louis-Clément, que se destacou nos estudos científicos. Louis-Clément François Breguet (1804-1883) tinha dezenove anos quando o seu famoso avô, Abraham-Louis, morreu. Depois de concluir os seus estudos na Perrelet, um relojoeiro especializado em Versalhes, foi para a Suíça trabalhar como relojoeiro e adquirir experiência nos métodos de produção suíços. Com ele, Breguet iniciou a produção paralela de relógios padronizados e individualizados. Louis-Clement entrou em sociedade com um dos seus parentes e a empresa foi renomeada Breguet, Neveu et Cie. Um complicado relógio de repetição de um quarto aberto com fases da lua assinado Breguet Neveu et Cie. Um pouco maior que uma moeda de Euro, este relógio de 37 mm foi vendido à princesa russa Catherina Bagration em 1829 e, segundo rumores, seria um presente para o seu marido, o coronel Caradoc. Este casamento rapidamente terminou e o relógio foi de novo adquirido pela Breguet em 1830. Em 1835, o relógio foi revendido ao Sr. Nathaniel de Rothschild, o famoso empresário, banqueiro e enólogo, que fundou o Chateau Mouton Rothschild. Louis-Clément otimizou os processos de fabrico - nesses anos, a empresa produzia cerca de 350 relógios por ano - mas também se diversificou em instrumentos científicos, dispositivos elétricos e instrumentos de telégrafo. Em particular, em 1842, desenvolveu um telégrafo de agulha elétrica para substituir o sistema de telégrafo óptico então em uso. Em reconhecimento ao seu trabalho no telégrafo elétrico, em 1845 Louis-Clément Breguet foi premiado com a Legião de Honra. Obteve os maiores prêmios em todas as exposições do mundo, foi nomeado membro do Bureau des Longitudes (1852) e eleito para a Académie des Sciences em 1874. Louis-Clément François Breguet O seu nome é um dos 72 cientistas, engenheiros e matemáticos franceses cujos nomes estão escritos ao redor da base da Torre Eiffel. O notável sucesso no campo da eletrónica, juntamente com sua grande paixão pela física e o fato de seu filho Antoine (1851-1882) compartilhar os mesmos interesses, levou Louis-Clément a decidir dedicar toda a sua atenção ao negócio de produção elétrica: aparelhos para telegrafia, sinalização ferroviária e fisiologia. Como consequência, em 8 de maio de 1870, o departamento de relógios foi vendido ao gerente da fábrica, o inglês Edward Brown, que entretanto se tinha tornado sócio da empresa. Antoine, bisneto de Abraham-Louis, foi o último da família Breguet a administrar o negócio. De fato, embora tenha deixado dois filhos e uma filha, não entraram no negócio. Morreu aos 31 anos de idade. A simples etiqueta “Breguet” acompanhou o negócio de relojoaria, enquanto o negócio de aparelhos elétricos usou a etiqueta “Breguet FT”, que significa “Breguet fabricant”. A família Brown Em 1881, a empresa relojoeira reorganizou-se sob o nome de Maison Breguet e, sob a liderança de Edward Brown, continuou visando a classe alta internacional como clientes para os seus produtos de elite, mantendo uma qualidade muito alta. Quando Edward Brown, aos 66 anos, morreu em 1895, a empresa foi assumida pelos seus filhos Edward e Henry. Com a reforma de Edward no início de 1900, Henry tornou-se o chefe da empresa. Nesses anos, Sir David Lionel Goldsmid-Stern-Salomons (1851-1925) - um autor científico multi-talentoso, advogado, baronete da Grã-Bretanha, sobrinho do primeiro Lord Mayor judeu de Londres - distinguiu-se como um dos mais experientes colecionadores de relógios Breguet. Seu livro "Breguet (1747-1823)" é ainda hoje uma das obras mais apreciadas sobre Breguet. Página de entrada do livro "Breguet" de Sir David Lionel Salomons Na sua morte em 1925, Salomons deixou cinquenta e sete dos seus relógios Breguet, incluindo o célebre nº 160 "Marie-Antoinette", à sua filha Vera Bryce (1888-1969). Outras peças foram deixadas à esposa. Após a Primeira Guerra Mundial, Vera mudou-se para Jerusalém tornando-se uma filantropa ativa. Após a morte de seu professor, Leo Aryeh Mayer, reitor da Universidade Hebraica de Jerusalém, Vera fundou o LA Mayer Institute for Islamic Art e doou os seus preciosos relógios ao museu para serem exibidos numa galeria dedicada. Mais de 106 desses preciosos relógios, incluindo o “Marie Antoinette”, foram roubados em 1983 e encontrados novamente após mais de 20 anos. Em 1927 George Brown, filho de Henry, sucedeu ao seu pai demonstrando boas competências na gestão da empresa. O Pilot Type 20 Expandiu a gama de relógios produzidos pela Maison para incluir instrumentos aeronáuticos como o lendário cronógrafo de pulso “Type 20” (ou “Type XX”) que a marca desenvolveu para atender às especificações técnicas que o Ministério da Guerra francês emitiu na década de 1950 para um relógio de piloto que teve que se tornar parte do equipamento padrão da Força Aérea e das Forças de Aviação Naval. Juntamente com precisão (dentro de +/- 8 segundos por dia) e confiabilidade, os requisitos do Tipo 20 incluíam recursos como um mostrador preto, uma função de cronógrafo flyback e pelo menos 35 horas de reserva de energia. Embora a Breguet não tenha sido o único fabricante selecionado para fornecer esse tipo de instrumento, certamente foi o principal produtor de relógios nesse estilo. Breguet Type 20 para a Força Aérea Francesa com dois registos e luneta giratória sem marcas além da pequena seta. 1955 E certamente podemos dizer que a ligação de Breguet com o mundo da aviação foi especial. Na verdade, Louis Charles Breguet (1880-1955), tetraneto do lendário fundador Abraham-Louis, foi um dos pioneiros da aviação. Em 1919, fundou a Compagnie des messageries aériennes, que evoluiu para a Air France. A alienação da empresa e George Daniels Depois de liderar a empresa durante várias décadas, em 1970, George Brown vendeu a marca para a Chaumet, uma joalharia parisiense com sede na Place Vendome, fundada em 1780 e liderada na época pelos irmãos Jacques e Pierre Chaumet. A família Brown liderou a empresa Breguet durante 100 anos (1870-1970), período superior ao da família Breguet (1775-1870). Cabe aqui referir que, em 1975, o relojoeiro britânico George Daniels publicou “The Art of Breguet”, livro que é considerado a história ilustrada definitiva do pai da relojoaria moderna e da sua obra. Na década de 1960, antes de criar sua própria marca, Daniels era considerado o maior especialista em Breguet e o seu amigo George Brown conferiu-lhe o título de “Agente de Breguet à Paris”. Livro de George Daniels De volta à história da marca. Sob a chancela da Chaumet, em 1976 as oficinas Breguet foram transferidas para o Vallée de Joux, na Suíça, uma área onde nasceu a relojoaria suíça e onde o recrutamento de relojoeiros altamente qualificados era muito mais fácil do que em Paris. A direção técnica foi atribuída ao mestre relojoeiro Daniel Roth, conhecido dos aficionados por criar sua própria marca de luxo em 1989. Não foram anos fáceis para os fabricantes de relógios mecânicos, pois enfrentavam a chamada crise do quartzo e Chaumet também, com pesadas perdas nos seus negócios de compra e venda de diamantes após a queda dos preços em todo o mundo. Como consequência, em 1987, a Chaumet foi comprada pela Investcorp SA, um dos principais bancos de investimento do Bahrein. Edições lendárias Foram produzidos relógios memoráveis nestes anos, incluindo um relógio de pulso Tourbillon em 1988 e a notável Equação do Tempo do Calendário Perpétuo em 1991. Calendário Perpétuo e Equação do Tempo - 1991 A Investcorp continuou a reestruturação e, em 1991, comprou a Valdar SA, uma empresa suíça envolvida no fabrico e fornecimento de componentes micromecânicos para a indústria de relógios, incorporando-a no recém-criado Groupe Horloger Breguet (GHB). A associação à Lemania Em 1992, compraram igualmente a fabricante de movimentos Nouvelle Lemania SA, conhecida pelos seus excepcionais movimentos cronógrafos que podem ser encontrados em relógios de muitas marcas, incluindo o icônico Speedmaster da Omega. Na época, a Nouvelle Lemania produzia todos os relógios da Breguet, bem como a produção de movimentos mecânicos de alta qualidade para outras marcas de relógios de alta relojoaria. A fábrica Nouvelle Lemania com sede em L'Orient no Vallée de Joux. Hoje este é o principal local de fabrico da Breguet O Groupe Horloger Breguet (GHB) voltou aos lucros em 1998, facturando 280 milhões de francos suíços e expandindo-se para o mercado do Sudeste Asiático. Sob o controlo da Investcorp, as vendas unitárias cresceram cerca de dez vezes. A aquisição da empresa pelo Grupo Swatch Em 14 de setembro de 1999, o Grupo Swatch anunciou a compra do Groupe Horloger Breguet à Investcorp SA, adicionando a Breguet a um grupo de quinze marcas na época, como Blancpain, Omega e Longines. Aproveitando a força industrial e comercial do Grupo Swatch, a marca dispunha de todos os recursos materiais e técnicos necessários para desenvolver modelos excecionais, de forma a corresponder às expectativas dos devotos da marca e dos mais exigentes conhecedores. A marca foi, em primeiro lugar, equipada com uma unidade fabril à altura das suas ambições. Recrutou os relojoeiros mais qualificados, assim como reforçou a formação e a transmissão de artes e ofícios raros às novas gerações. O presidente do Swatch Group, Nicolas G. Hayek, considerou a marca a sua joia da coroa, concordando plenamente com a opinião que Sir David Lionel Salomons havia expressado em 1921: “Para quem entende de mecanismos, um relógio Breguet é verdadeiramente uma pintura”. E foi natural para ele criar o Museu Breguet. Inaugurado em 13 de setembro de 2000, apresenta documentos e itens inestimáveis relacionados com a história da Maison. O Museu está agora localizado no primeiro andar da Breguet Boutique na Place Vendôme em Paris e é dirigido por Emmanuel Breguet, a sétima geração descendente direta de Abraham-Louis. O museu Breguet em Paris Arquivos Breguet exibidos no Museu Os arquivos da Breguet cobrem mais de dois séculos e incluem registos de produção, livros de reparação, certificados de autenticidade, cartas de clientes, anotações técnicas escritas por Abraham-Louis Breguet e seu filho e, claro, muitos relógios raros que a empresa continua a adquirir todos os anos. Um comerciante excepcional, Hayek preparou grandes comemorações para o 200º aniversário da data de patente do turbilhão, culminando em 2001 com uma grande festa em Versalhes. Como resultado dos intensos esforços de marketing da Breguet, as vendas de relógios Breguet turbilhão aumentaram de 150 em 1999 para mais de 1.000 em apenas cinco anos. O Grande Complication Tourbillon 1801-2001, emitido em 2001 para comemorar os 200 anos da patente do turbilhão Observando o renovado interesse do mercado por este feito relojoeiro, outros relojoeiros de alto nível seguiram o caminho da Breguet, adicionando relógios turbilhão às suas coleções com benefícios evidentes para toda a indústria relojoeira. Nicolas Hayek em 2008 mostrando orgulhosamente o Breguet No. 1160, a réplica do original No. 160 "Marie Antoinette", enquanto usava nos pulsos dois relógios Breguet (e um Omega) A marca estava finalmente na situação ideal para perpetuar o dinamismo inovador do fundador Abraham-Louis como demonstrado pelo número excepcional de patentes - mais de 120 desde 2002! - desenvolvido e registado pela empresa sob a liderança de Nicolas G. Hayek e, posteriormente, do seu neto Mark. A introdução do silicio Em 2006, a Breguet alcançou um grande avanço na tecnologia relojoeira com a introdução de várias peças do movimento mecânico em silício. O silício é impermeável à atração e influência magnética, bem como altamente resistente à corrosão e ao desgaste. Mais leve e mais duro que o aço, reduz a inércia, não requer lubrificação e oferece muito maior liberdade geométrica, ou seja, oportunidades para produzir formas novas e complexas. O uso de silício na roda de escape e âncora, e em alguns casos para a espiral do balanço, possibilitou o aumento da frequência do oscilador – chegando a 72.000 alternâncias por hora em alguns relógios – dotando-os de uma grande precisão. Âncora, roda de escape e espiral em silício O pivot magnético A introdução de componentes antimagnéticos abriu um mundo de novas possibilidades. De fato, em 2010, Breguet registrou uma patente para o pivô magnético, terminado com o tabu do magnetismo na relojoaria . Composto por dois contra-pivôs que incorporam um micro-íman especialmente poderoso em cada extremidade do balanço, esta inovação tecnológica serviu notavelmente para criar um sistema dinamicamente estável capaz de manter o balanço centrado e auto-ajustável. Em 2012, a Breguet proporcionou a primeira aparição desta surpreendente invenção ao apresentar o Classique Chronométrie, um relógio com resultados de classificação excepcionais graças à frequência de balanço de 10Hz. O Breguet Classique Chronométrie, vencedor do “Aiguille d'Or”, a mais alta distinção que homenageia o melhor relógio do ano no Grand Prix d'Horlogerie de Geneve 2014 O regulador magnético do trem de rodagens Um ano depois, os relojoeiros da Breguet demonstraram mais uma vez as suas virtualidades e competências de inovação com a invenção de um regulador magnético para as rodas de transmissão do movimento, outra estreia mundial na relojoaria. O inovador regulador equipado com ímãs e funcionando com o princípio de correntes parasitas (correntes de Foucault) que supera as desvantagens do sistema clássico baseado em atrito. A interação entre discos de prata e ímãs produz rotação constante. Ao evitar o contato entre os componentes giratórios e uma parede interna, a Breguet consegue eliminar tanto o ruído quanto o desgaste. Equipando o relógio Classique La Musicale, este engenhoso mecanismo elimina os problemas característicos de desgaste, ruído de fundo e a necessidade de maiores quantidades de energia, garantindo também uma maior precisão. O Classique La Musicale, aqui em ouro branco, replicando “The Thieving Magpie” de Rossini ou “La Badinerie” de J.-S. Bach Trens de rodagem independentes nos cronógrafos Em 2015, com o Tradition Chronographe Independant 7077, Breguet propôs uma solução técnica inteligente e inovadora ao equipar a corda manual com dois trens de rodagens independentes, um para as horas e minutos e outro para o cronógrafo. Um benefício evidente de ter os dois trens totalmente independentes é que o movimento permanece completamente inalterado quando o cronógrafo é iniciado. Isso garante melhores desempenhos cronométricos. Este relógio também introduziu um novo método para fornecer energia ao trem de rodagens do cronógrafo. De fato, Breguet patenteou um sistema que armazena a energia necessária para accionar o cronógrafo quando o utilizador pressiona o botão esquerdo para o reposicionar no zero. Tradition Chronographe Independent 7077 com trens de rodagens independentes Mais de dois séculos de invenções e avanços tecnológicos pontuam a história da Breguet, ao mesmo tempo que moldam o futuro numa busca constante pela melhoria contínua do desempenho, precisão, funcionalidade e design dos relógios. Uma atitude que certamente deixaria o fundador Abraham-Louis muito orgulhoso. Vistas da Manufatura Breguet em L'Orient na actualidade
- Complicação inútil nº 1: o ponto vermelho intermitente do Mondia Top Second
No mostrador do Mondia Top Second existe um ponto vermelho intermitente no lugar dos pequenos segundos cuja utilidade pode ser questionada. No entanto, apesar da sua aparente pouca utilidade, este ponto vermelho é mais importante do que à partida se poderia pensar… Continuar a ler na Espiral do Tempo - >
- Relógios da Colecção Permanente do Museu Calouste Gulbenkian
Rodeada pelo Jardim Gulbenkian, em Lisboa está uma das mais importantes coleções particulares do mundo, reunida em vida pelo Arménio Calouste Sarkis, com 6000 peças expostas num edifício construído propositadamente para a receber. Entre todo o acervo do Museu Calouste Gulbenkian (MCG) encontram-se 7 relógios e um Barómetro/Termómetro que vamos conhecer de seguida. Regulador Origem: Coleção Polovtsoff; Coleção Hodgskins. Adquirida por Calouste Gulbenkian na casa Duveen, Paris, abril de 1924. Dimensões: A. 245 cm; L. 63 cm; Prof. 26 cm © Foto 1 MCG, fotos 2 e 3 IPR "A caixa deste relógio, executada em estilo roccaille, constitui um exemplar notável, não só pelo belíssimo trabalho de marchetaria com motivos florais, como também pela sumptuosa decoração, em bronze cinzelado e dourado em que se destaca, no remate da peça, uma alegoria compósita, com figuras em vulto perfeito. A parte superior, ou «cabeça» apresenta o mostrador esmaltado, com três ponteiros, indicando horas, minutos e segundos, e encerra o mecanismo do relógio; logo abaixo, uma parte intermédia, permite o movimento da pêndula, observável através de um óculo; na parte inferior descem os pesos que fazem funcional o conjunto. A este tipo de relógios, de caixa alta e pêndula muito comprida, era dado o nome de regulador, pelo seu alto grau de precisão, que permitia que por eles fossem acertados outros relógios. No exemplar que aqui vemos, a forma, muito contornada, adapta-se perfeitamente às necessidades do mecanismo que encerra." © Museu Calouste Gulbenkian Relógio de parede Jacques Caffieri, Jacques Lemazurier Origem: Coleção Rodolphe Kann. Adquirida por Calouste Gulbenkian à Casa Duveen, Paris, 6 de maio de 1910. Dimensões: A. 115 cm; L. 63 cm © Foto 1 MCG, fotos 2 e 3 IPR "Um mostrador circular, em esmalte compartimentado ricamente decorado, e dois ponteiros igualmente tratados num trabalho minuciosamente rendilhado, são a parte visível da arte do mestre relojoeiro que concebeu e executou a máquina desta notável obra de arte. O enquadramento foi executado por Jacques Caffieri – filho e pai de escultores e bronzistas –, no qual revela todo o seu talento, que o faz rivalizar com Charles Cressent na arte do bronze aplicado à decoração de objetos artísticos. Tal como este último, o seu estilo reflete ainda, muitas vezes, uma forte componente do estilo Regência, bem visível nesta peça em que a vertente simétrica é dominante, embora o conjunto escultórico do remate traduza já as tendências rocaille que marcaram esta época, patentes em toda a peça, mas sobretudo nas duas figuras de crianças infantis que a encimam, tratadas em vulto perfeito, numa cena cheia de graciosidade e movimento. O relógio de parede, designado na época por cartel d’applique, caracteriza-se, na sua forma, pela reminiscência da peanha que, de início, suportava relógios de mesa quando aplicados em superfícies verticais, e se revela no prolongamento inferior da moldura em remate triangular." © Museu Calouste Gulbenkian Relógio astronómico - André-Charles Boulle, atrib. Origem: Cardeal Pietro Ottoboni. Adquirida por Calouste Gulbenkian a Duveen, Paris, janeiro de 1922. Dimensões: A. 100 cm; L. 21 cm © Foto 1 MCG, fotos restantes IPR "Relógio imponente, não só pelas suas dimensões mas pelo caráter monumental da sua decoração escultórica, uma das características da obra de Boulle. Pensa-se que terá sido uma encomenda do cardeal Pietro Ottoboni, cujas armas e insígnias cardinalícias são visíveis no conjunto escultórico superior, uma representação da Fama. Na base do relógio, composta por quatro pilastras, numa alegoria ao Tempo, podemos observar Cronos, reclinado junto dum pequeno cupido. Este conjunto escultórico está assente sobre um panejamento que apresenta uma cena gravada, em que este Papa, Alexandre VIII, condena as doutrinas jansenistas. A caixa deste relógio é de madeira, marchetada a ébano e latão sobre fundo de tartaruga, outra das «marcas» da produção Boulle. A qualidade e mestria do trabalho de André Charles Boulle levam-no a ser nomeado por Luís XIV mestre ebanista do rei, e a instalar-se, sob proteção real, nas galerias do Louvre, onde Jacques Thuret, mestre relojoeiro do rei, também trabalhava. É um relógio astronómico, assim designado por possuir um mecanismo de grande precisão, que além de indicar as horas, minutos e segundos, fornece outras informações como a data, as fases da Lua, a posição do Sol e também os signos do zodíaco." © Museu Calouste Gulbenkian Barómetro-Termómetro Claude-Siméon Passemant, Charles-Nicolas Dodin Origem: Castelo de Boughton Hall; Coleção Mortimer L. Schift. Adquirido por Calouste Gulbenkian por intermédio de Hans Stibel, Christie's, Londres, junho de 1938. Dimensões: A. 100 cm; L. 21 cm © Foto 1 MCG, fotos restantes IPR "Os instrumentos de medida e precisão foram peças muito procuradas no século XVIII, fruto dos avanços científicos da época, numa altura em que a confiança nas capacidades intelectuais do homem e o poder da razão adquiriram uma enorme importância. O rei e a corte não foram alheios a esta tendência, utilizando-os para decorar os seus salões e atribuindo-lhes, deste modo, também o estatuto de obra de arte. Este barómetro-termómetro é da autoria de Claude-Siméon Passemant, um dos maiores inventores e construtores de instrumentos científicos da época. Os dois instrumentos, barómetro e termómetro, estão encastrados numa caixa de bronze cinzelado e dourado, decorado com fitas, flores, frutos, grinaldas e enrolamentos. Desta decoração fazem ainda parte três placas de porcelana, assinadas por Charles-Nicolas Dodin, um importante pintor de figuras da Real Manufatura de Sèvres que executou diversas placas para a decoração de móveis e instrumentos científicos, para além de serviços e vasos. As três placas apresentam motivos relacionados com a função da peça. A placa superior, oval, tem uma reserva verde com cercaduras douradas e no centro um cupido, sobre uma nuvem, que segura um óculo. Na placa do meio, também com a mesma cercadura, podemos ver um menino num ambiente bucólico a segurar um compasso e uma esfera armilar. Na placa inferior, mais pequena e sem reserva, sobre uma nuvem encontra-se um livro e diversos instrumentos científicos. O livro está aberto numa página onde se lê Connaissance des Temps. Os mostradores esmaltados dos dois instrumentos contêm informações sobre o estado do tempo." © Museu Calouste Gulbenkian Outros relógios na colecção Relógio Cercle Tournant Relógio de Mesa Relógio Cercle Tournant Relógio de Mesa
- ALFAIATES DO TEMPO Porto e Lisboa - Setembro
O curso Alfaiates do Tempo vai ter duas novas turmas em Setembro, uma no Porto e outra em Lisboa. Os membros da lista de espera para estas duas formações vão começar a ser contactados na próxima semana, a partir de 1 de Agosto. Estas formações terão início em meados de Setembro e tal como as anteriores terão a duração de 12 meses. Os interessados em integrar as futuras turmas dos Alfaiates do Tempo podem inscrever-se na lista de espera através das seguintes ligações: As ligações acima têm informações acerca dos horários (previsão), do valor, formadores, duração, data de início, local e programa. Para o esclarecimento de qualquer dúvida entre em contacto connosco, por e-mail: info@institutoportuguesderelojoaria , telefone: 966312899 , ou pelo sistema de mensagens do site.













