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28 de Outubro

há 6 minutos
6 min de leitura

O dia em resumo


A Phillips leva a leilão em Genebra, a 7 e 8 de Novembro, o Portico n.º 4 da Cartier, um relógio mistério de 1924 e o único dos seis da série com mostrador hexagonal, com uma estimativa de 1,8 a 3,2 milhões de francos suíços.


Segundo uma contagem da WatchPro, a Bucherer, retalhista que pertence à Rolex desde 2023, abriu sete das treze lojas Rolex inauguradas no mundo desde Janeiro. Nos lançamentos, a Nomos Glashütte junta ao Club uma versão de 38,5 mm com o calibre de corda manual DUW 4001, e a Elka Watch Co., de Neuchâtel, dedica duas versões de um novo relógio à Tour des Chavannes, uma torre medieval da cidade.


Phillips leva a Genebra o Portico n.º 4, o relógio mistério da Cartier com mostrador hexagonal


Relógio mistério Cartier Portico n.º 4, de 1924
O Portico n.º 4, de 1924, com 38,5 cm de altura: mostrador de cristal de rocha de seis lados suspenso entre duas colunas quadradas e ponteiros cravejados de diamantes em forma de dragão. © Phillips

A Phillips, em associação com a Bacs & Russo, vai pôr à venda o Portico n.º 4 da Cartier no Geneva Watch Auction: XXIV, a 7 e 8 de Novembro, no Hotel President, em Genebra. É o lote 220, tem uma estimativa de 1,8 a 3,2 milhões de francos suíços e volta a leilão pela primeira vez desde 1996. A exposição prévia decorre de 4 a 7 de Novembro.


A Cartier fez seis relógios Portico entre 1923 e 1925, com o relojoeiro Maurice Coüet. A forma lembra o portal de um templo asiático: o mostrador, de cristal de rocha talhado, fica suspenso como um gongo entre duas colunas. Os n.os 3 e 4 são os maiores e os mais elaborados da série, e os únicos com colunas quadradas em vez de redondas. O n.º 4 distingue-se de todos os outros pelo mostrador de seis lados, quando os outros cinco têm doze.


A peça mede 38,5 cm de altura e 28 cm de largura e pesa 10,6 kg. Junta ouro amarelo, platina, esmalte, ónix, jade, madrepérola, pérolas e diamantes. A luneta combina ónix e jade com numeração romana cravejada de diamantes e uma fila interior de pérolas, e os ponteiros, em pavé de diamantes de talhe rosa, desenham um dragão. Da base das colunas de cristal de rocha, decoradas com esmalte negro, nascem duas árvores de jade.


O efeito mistério resulta de uma solução mecânica. Cada ponteiro está fixo num disco transparente, e o movimento faz rodar esses discos pela periferia, fora da vista, pelo que os ponteiros parecem flutuar sem ligação a qualquer mecanismo. A Cartier usou o princípio pela primeira vez em 1912, no Modelo A, com precedentes nos relógios de ilusão do relojoeiro e ilusionista francês Jean-Eugène Robert-Houdin, no século XIX. Nos Portico, o movimento de corda por chave, da European Watch & Clock Company, fica escondido no arco por cima do mostrador, e não na base, como nos relógios mistério anteriores da Cartier.


O relógio pertenceu a Alain Cartier, neto de Louis Cartier, e terá estado na coleção do marajá de Nawanagar, estado principesco do oeste da Índia. Foi vendido pela última vez em público a 19 de Novembro de 1996, no leilão The Magical Art of Cartier, em Genebra, e vem acompanhado de um certificado de autenticidade da Cartier de 2002. O Portico n.º 3, com colunas de quartzo rosa e mostrador de doze lados, foi vendido pela Phillips em Maio de 2025 por 3 932 000 francos suíços.


Saiba mais no site da leiloeira.


Bucherer abriu sete das treze lojas Rolex inauguradas em 2026


Loja Rolex da Bucherer em Bellevue, nos Estados Unidos
A nova loja Rolex da Bucherer em Bellevue, perto de Seattle, nos Estados Unidos, aberta em Outubro. Fotografia: WatchPro

A Bucherer, o retalhista suíço que a Rolex comprou em 2023, abriu mais de metade das lojas Rolex inauguradas este ano. A conclusão é de uma análise da WatchPro às aberturas registadas desde Janeiro: das treze novas lojas monomarca, sete são da Bucherer.


As aberturas da Bucherer começaram em Abril, em Munique. Seguiram-se Estugarda, em Maio, o monte Titlis, na Suíça, em Junho, apresentada como a loja Rolex mais alta do mundo, e uma segunda loja em Xangai, também em Junho. Em Outubro chegaram mais três: Bellevue, perto de Seattle; Paris, a primeira loja Rolex da Bucherer em França; e, segundo a WatchPro, Hong Kong, no complexo do hotel Mandarin Oriental, em Central. Como o Radar noticiou a 22 de Outubro, a loja de Paris tem dois pisos e um espaço para relógios usados certificados.


As outras seis aberturas são de retalhistas independentes: a Cortina Watch em Banguecoque e em Kuala Lumpur, a Khimji's Watches em Udaipur, a DAFC na cidade de Ho Chi Minh, a Liljenquist & Beckstead em McLean, na Virgínia, e a Relojería Alemana em Palma de Maiorca.


Os números mostram uma rede que se concentra. Quando a Rolex a comprou, a Bucherer tinha mais de cem pontos de venda no mundo; hoje tem cerca de oitenta, segundo a WatchPro, e vai assumir a gestão da loja Rolex da Quinta Avenida, em Nova Iorque, prevista para o início do próximo ano. Em 2025, na Dubai Watch Week, o presidente executivo da Rolex, Jean-Frédéric Dufour, afirmou que a marca não tinha intenção de fazer crescer a Bucherer e que as parcerias com os melhores retalhistas estiveram na base do seu sucesso.


Saiba mais no site do retalhista.


Nomos junta ao Club uma caixa de 38,5 mm com o calibre de corda manual DUW 4001


Nomos Club 38 e Club 38 Ruthenium
O Club 38 com mostrador branco prateado (ref. 769) e o Club 38 Ruthenium (ref. 770), ambos com caixa de aço de 38,5 mm e 8,4 mm de espessura. © Nomos Glashütte

A Nomos Glashütte apresentou o Club 38, uma versão maior do Club, o modelo de inspiração desportiva da marca saxónica. A caixa de aço polido mede 38,5 mm de diâmetro, 8,4 mm de espessura (8,5 mm com fundo de safira) e 46,7 mm entre as extremidades das asas, e é estanque a 100 metros. O Club de 36 mm continua no catálogo.


Há duas referências. A 769 tem mostrador branco prateado, ponteiros enegrecidos com Super-LumiNova vermelha e algarismos árabes cinzentos contornados a negro. A 770, Club 38 Ruthenium, tem mostrador cinzento-escuro galvanizado com ruténio, ponteiros rodiados com Super-LumiNova branca e algarismos contornados a amarelo. Nas duas, o pequeno segundo às 6 horas tem acabamento em caracol.


O movimento é o DUW 4001, de corda manual, com o órgão regulador que a Nomos fabrica em Glashütte, o swing system: balanço, espiral, âncora e roda de escape produzidos pela própria marca, em vez de comprados a um fornecedor. Trabalha a 21 600 alternâncias por hora (3 Hz), tem 53 horas de reserva de marcha e é regulado em seis posições. A paragem dos segundos imobiliza o balanço quando se puxa a coroa, o que permite acertar a hora ao segundo.


O Club 38 custa a partir de 1520 euros (mostrador branco) e de 1560 euros (Ruthenium), com bracelete de couro Shell Cordovan da Horween. O fundo de safira custa mais 220 euros.


Saiba mais no site da marca.


Elka dedica à Tour des Chavannes, de Neuchâtel, um relógio só com horas e minutos


Elka Tour des Chavannes
O Tour des Chavannes, da série R da Elka, com caixa de aço de 40,8 mm, vidro de safira abaulado e calibre automático La Joux-Perret G101. © Elka Watch Co.

A Elka Watch Co., marca de Neuchâtel relançada em 2022 por Hakim El Kadiri, apresentou o Tour des Chavannes, uma edição especial da série R. O nome vem de uma torre medieval de Neuchâtel, demolida em 1867, e da rua onde a marca tem a sua loja, no n.º 16 da Rue des Chavannes. A Elka retoma o nome de uma casa fundada em Amesterdão em 1877, a Eduard Louis Kiek Amsterdam.


Há duas versões. A 1736 Edition tem mostrador negro com ponteiros e algarismos dourados e inspira-se num mostrador pintado em 1736 por Samuel Müller. A Pierre d'Hauterive tem mostrador bege com inscrições negras e evoca o calcário de Hauterive, a pedra amarela da região de Neuchâtel.


A caixa, de aço escovado e polido, mede 40,8 mm de diâmetro, 10,8 mm de espessura e 46,5 mm entre as extremidades das asas. Tem vidro de safira abaulado de tipo chevé, coroa de pressão, fundo com vidro de safira e estanquidade de 50 metros.


O movimento é o La Joux-Perret G101, automático, fabricado em La Chaux-de-Fonds, que trabalha a 28 800 alternâncias por hora (4 Hz) e tem 68 horas de reserva de marcha. A Elka usa-o apenas com horas e minutos, sem ponteiro de segundos nem data, o que deixa o mostrador mais limpo. Cada versão custa 1716 francos suíços, sem impostos, e não se trata de uma série limitada.


Saiba mais no site da marca.


O que merece atenção


Genebra concentra no início de Novembro a temporada de leilões. Além da Phillips, a 7 e 8 de Novembro, a Christie's realiza a 9 de Novembro o leilão Rare Watches, com 218 lotes, no Four Seasons Hotel des Bergues. O Portico n.º 4 vai pôr à prova o mercado dos grandes relógios de mesa: o n.º 3 ultrapassou em 2025 os 3,9 milhões de francos suíços, acima do topo da estimativa agora fixada para o n.º 4.


A rede Rolex continua a concentrar-se em lojas monomarca de maior dimensão. A abertura da loja da Quinta Avenida, sob gestão da Bucherer, no início do próximo ano, vai mostrar até onde chega o papel do retalhista do grupo, numa altura em que a Rolex afirma não pretender fazê-lo crescer.


Nos lançamentos, a Nomos mantém o Club de 36 mm e acrescenta-lhe uma caixa de 38,5 mm com apenas mais 0,2 mm de espessura, e a Elka propõe um calibre automático suíço com 68 horas de reserva de marcha por menos de 2000 francos suíços.

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