Como se ganha um GPHG

O troféu do Grand Prix d'Horlogerie de Genève, na exposição dos nomeados. © GPHG / The Hour Glass
No sábado, 7 de Novembro, o Bâtiment des Forces Motrices, em Genebra, recebe a 26.ª cerimónia do Grand Prix d'Horlogerie de Genève. Há 84 relógios nomeados e 20 prémios, entre eles a Aiguille d'Or. Quem escolhe, como se vota e o que mudou este ano?
Primeiro passo: a Academia
Tudo começa na Academia do GPHG, com mais de mil pessoas ligadas à relojoaria. Os seus membros propõem modelos, e as marcas podem inscrever esses ou outros à sua escolha. Em 2026, as inscrições decorreram até 19 de Junho, e só entraram peças comercializadas depois de Maio de 2025 e até ao fim de Outubro de 2026.
No Verão, a Academia votou e escolheu os nomeados, divulgados a 1 de Setembro: 84 peças, seis em cada uma das 14 categorias.

Naoya Hida & Co. NH Type8A, de 31 mm, categoria Time Only. © GPHG
Segundo passo: o júri e o segundo voto
O júri tem 24 membros e é presidido, pela primeira vez, por Wei Koh, fundador da Revolution, que sucede a Nick Foulkes. Metade dos jurados sai de um sorteio entre os membros da Academia, e a outra metade é escolhida pelo presidente. O director-executivo da marca que ganhou a Aiguille d'Or no ano anterior também é convidado: este ano é Gregory Kissling, da Breguet.
Poucos dias antes da cerimónia, o júri reúne-se à porta fechada, em Genebra, com supervisão notarial. Examina as 84 peças em mãos, discute-as e vota por voto secreto. Em paralelo, toda a Academia vota em linha. O resultado final soma os dois: o júri conta dois terços e a Academia um terço.
O júri examina as 84 peças em mãos e vota por voto secreto. A Academia, em linha, conta um terço do resultado.
Sobre o que procura, Wei Koh disse à Euronews que é a singularidade, «uma voz que seja mesmo única». E lembrou uma imagem de François-Paul Journe: a relojoaria é um muro contínuo, e quem entra neste ofício deve acrescentar-lhe pelo menos um tijolo.

Blancpain Grande Double Sonnerie, categoria Excepção Mecânica. Oito anos de desenvolvimento e quatro martelos, para tocar duas melodias. © GPHG
O que mudou em 2026
Acabaram as categorias de homem e de senhora. Dão lugar a duas categorias técnicas, Essential e Complication.
Há uma categoria nova, Gemset, para relógios com até seis quilates de pedras. A categoria Joalharia fica para as peças em que a joalharia manda.
As peças únicas só são aceites nas categorias Joalharia e Relógio Mecânico.
O Prémio do Relógio Icónico abrange agora todas as peças elegíveis, mesmo as que não foram inscritas.
O Prémio Especial do Júri também pode distinguir uma marca, inscrita ou não, além de pessoas e instituições.
A cerimónia decorre em inglês pela primeira vez.

Rexhep Rexhepi Chronograph Flyback, a primeira complicação com o nome do relojoeiro. © GPHG
A Aiguille d'Or
Atribuída desde 2001, a Aiguille d'Or distingue a peça mais notável do ano, entre todas as categorias. Em 2025 foi para o Breguet Classique Souscription 2025, um relógio de um só ponteiro. Quem ganha fica impedido de concorrer no ano seguinte, por isso a Breguet não está em competição.
Concorrer é uma decisão de cada marca. Este ano, a lista de nomeados junta grandes manufacturas e oficinas independentes, de vários países. Um exemplo é o moscovita Konstantin Chaykin, com o ThinKing Mystery.

Konstantin Chaykin ThinKing Mystery: os componentes distribuem-se num só plano. © GPHG

L'Épée 1839 The Gekko, um relógio de parede em forma de lagarto, categoria Relógio Mecânico. © GPHG
Como acompanhar
A transmissão em directo é em gphg.org, a partir das 18h30 de Genebra (17h30 em Lisboa). Quem estiver na cidade pode ver as 84 peças no Musée d'Art et d'Histoire, até 15 de Novembro. No mesmo fim-de-semana, Genebra recebe também os leilões de relógios da Phillips, da Antiquorum, da Sotheby's e da Christie's.





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