Consultor atribui a causas estruturais as dificuldades da Zenith, onde cerca de 100 postos estão em risco no Locle

As dificuldades da Zenith são sobretudo estruturais e não se explicam apenas pelo abrandamento da relojoaria suíça, defendeu Oliver R. Müller, fundador da consultora LuxeConsult, numa entrevista às rádios suíças RFJ e RTN publicada a 4 de Novembro.
A Zenith, do grupo LVMH, abriu a 22 de Outubro uma consulta aos trabalhadores no âmbito de um projecto de reposicionamento estratégico, como o Radar noticiou a 23 de Outubro. Estão em causa cerca de 100 dos perto de 200 postos de trabalho da manufactura do Locle e cerca de 100 no estrangeiro. A marca prevê reduzir os volumes e concentrar-se na relojoaria de gama muito alta.
Müller reconhece o peso do franco forte, dos direitos aduaneiros e do abrandamento dos mercados, mas diz que estes factores não explicam a dimensão dos problemas. «A razão principal das dificuldades da Zenith hoje são razões estruturais», afirmou. O consultor aponta os cinco presidentes executivos que passaram pela marca nos 27 anos desde que a LVMH a comprou, em 1999, com mudanças de estratégia e de preços que, no seu entender, diluíram a identidade da manufactura. Segundo as suas estimativas, as vendas da Zenith caíram cerca de 30% em dois anos, contra cerca de 5% no conjunto do mercado relojoeiro suíço.
Para Müller, os coleccionadores continuam a admirar a história da Zenith, fundada em 1865 no Locle, e o movimento El Primero, mas poucos compraram um modelo recente nos últimos cinco anos. «As pessoas fantasiam uma marca que já não compram», resumiu. O consultor não considera, ainda assim, que a marca esteja condenada: a herança, os movimentos mecânicos e a credibilidade relojoeira continuam a ser bases sólidas.
Saiba mais no site da RFJ.





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