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  • Vacheron Constantin La Quête du Temps – Mécanique d’Art

    A Vacheron Constantin assinala o seu 270.º aniversário com a criação de La Quête du Temps – Mécanique d’Art , uma obra monumental que transcende a relojoaria convencional ao unir complicações mecânicas, ofícios decorativos e a arte dos autómatos. Resultado de sete anos de desenvolvimento, reúne 6293 componentes, dos quais 2370 pertencem ao movimento do relógio, 3923 ao autómato e 1020 à habillage . Esta peça integra 23 complicações, 144 gestos animados, 158 cames e 15 pedidos de patente, afirmando-se como uma das mais complexas realizações da história da marca. O conceito centra-se num autómato humanoide – o “Astrónomo” – que, para além de indicar as horas através de gestos, convida à contemplação do cosmos. Inspirado na tradição do Iluminismo e na herança genevense de colaboração entre mestres artesãos, relojoeiros, engenheiros e astrónomos, o projecto evoca as “merveilles” e “follies” do século XVIII, dispositivos técnicos criados para instruir e maravilhar. A estrutura divide-se em três partes: a cúpula, o relógio astronómico e a base. A cúpula de vidro representa a abóbada celeste visível em Genebra no dia da fundação da Maison em 1755, com constelações pintadas à mão e planetas alinhados com rigor científico. O relógio astronómico apresenta no mostrador frontal um turbilhão de grande escala, calendário perpétuo, indicação do nascer e pôr do sol, data retrógrada e um submostrador de 24 horas com representação do Sol e da Lua. O mostrador traseiro exibe a carta celeste em tempo real, o dia sideral, as estações, equinócios e signos do zodíaco. A base, revestida de lápis-lazúli e madrepérola, representa o sistema solar, guardando o mecanismo do autómato e a sua máquina musical. O autómato executa três sequências coreográficas acompanhadas por melodias criadas em colaboração com Woodkid. Os seus movimentos naturalistas, silenciosos e multidimensionais foram alcançados com um complexo sistema de cames e memória mecânica, constituindo uma inovação absoluta na relojoaria: pela primeira vez, um autómato funciona como verdadeira complicação horológica. Paralelamente, foi criado um relógio de pulso inspirado nesta obra, o Métiers d’Art Tribute to the Quest of Time , edição limitada a 20 peças, equipado com o novo calibre manual 3670, que apresenta mostradores retrógrados, mapa celeste e fases da Lua em 3D. A criação mobilizou uma vasta gama de ofícios: guilhoché, esmalte Grand Feu, escultura em bronze, gravação em alto-relevo e taille douce, pintura em miniatura sobre vidro, marchetaria em pedras duras e engaste de diamantes. Cada detalhe foi pensado para conjugar leveza, transparência e simbolismo, desde os suportes da cúpula em forma de esferas armilares à inclusão do número oito como referência ao infinito e ao sistema solar. A peça será apresentada em Paris, como centro da exposição Mécaniques d’Art  no Museu do Louvre, entre 17 de Setembro e 12 de Novembro de 2025, lado a lado com obras históricas da colecção do museu, como o Pêndulo da Criação do Mundo  (1754) ou autómatos medievais. Mais informações no site oficial da Vacheron Constantin.

  • TEMPO ATÓMICO - UMA (MUITO BREVE) INTRODUÇÃO AOS RELÓGIOS ATÓMICOS

    Os relógios atómicos são os instrumentos de medição do tempo mais precisos alguma vez criados pelo ser humano. Baseiam-se na física quântica dos átomos para definir o segundo com uma exactidão capaz de sustentar o GPS, sincronizar redes digitais, garantir a segurança de sistemas globais e abrir caminho a novas descobertas científicas. Do césio-133 aos relógios ópticos em desenvolvimento, os relógios atómicos representam a união entre teoria e tecnologia, entre a estabilidade da matéria e a necessidade universal de medir o tempo com rigor absoluto. Vídeo integral da conferência R Resumo dos conteúdos O texto que se segue é o resumo da RODA dedicada ao Tempo Atómico , realizada no passado dia 18 de Setembro, no Museu Medeiros e Almeida, em Lisboa. Nesta sessão, Joana Ferreira apresentou os agradecimentos por parte do Museu Medeiros e Almeida, Nuno Margalha por parte do IPR - Instituto Português de Relojoaria e Miguel Lino apresentou, em cerca de 1h30, uma explicação possível e acessível sobre o fascinante universo do Tempo Atómico, o tempo dos nossos dias. Parte 1 — O que é um Relógio Atómico? O que é um Átomo? 1) O conceito de tempo Antes de definir o relógio atómico, convém abordar o próprio conceito de tempo. O tempo pode ser entendido como o período durante o qual um evento, processo ou condição existe ou evolui; como a progressão contínua de eventos aparentemente irreversível; como aquilo que se lê num relógio; ou até como uma construção social, uma ilusão. Estas perspectivas mostram que o tempo é simultaneamente uma realidade física e uma convenção humana. Os instrumentos de medição permitem unir estas duas dimensões, e o relógio atómico é o mais sofisticado entre eles. 2) O que é um relógio atómico Um relógio atómico é um instrumento que utiliza átomos para medir o tempo. O princípio de funcionamento não assenta num pêndulo, numa roda de balanço ou num cristal de quartzo, mas numa transição interna do átomo, capaz de fornecer uma frequência de referência. Exemplos de padrões primários actuais incluem o Microchip 5071A, um relógio de césio que ilustra esta categoria de instrumentos. 3) O segundo no Sistema Internacional Durante séculos, o segundo foi definido como uma fracção do dia médio solar, equivalente a 1/86 400 de uma rotação da Terra. Mais tarde, em 1960, passou a ser definido como 1/31 556 925,9747 do ano tropical de 1900. Estas definições eram astronómicas e sofriam limitações, uma vez que a rotação da Terra não é completamente regular. Em 1967, a definição mudou radicalmente: o segundo passou a ser a duração de 9 192 631 770 períodos da radiação correspondente à transição hiperfina do estado fundamental do átomo de césio-133. Em 2018, foi ainda acrescentada a nota de que essa transição deve ser medida no estado fundamental não perturbado do átomo. Este salto retirou a unidade de tempo da esfera da astronomia e colocou-a no domínio da física atómica, garantindo maior estabilidade e universalidade. A linha histórica mostra esta evolução: em 1657, o relógio de pêndulo tornou possível medir segundos de forma consistente; cerca de 1874, os sistemas já permitiam uma leitura mais precisa; em 1927, os relógios de quartzo surgiram como alternativa estável; e, finalmente, em 1967, o padrão internacional do segundo ficou ancorado ao césio-133. É importante lembrar ainda que o conceito de segundo, como subdivisão do tempo, tem origem no sistema sexagesimal da Antiguidade, uma divisão puramente matemática usada para seguir os corpos celestes. 4) O que define um padrão Para que uma definição seja aceite como padrão, precisa de cumprir quatro requisitos essenciais: deve ser universal, isto é, independente de tempo e lugar; deve ser reprodutível, replicável em qualquer laboratório com os equipamentos adequados; deve ser invariante, não se alterando com o tempo; e deve ser preciso, fornecendo a mais alta exactidão possível. Além disso, um padrão deve resultar de acordo internacional, de modo a ser aceite de forma abrangente. O átomo, por apresentar transições bem definidas e estáveis, satisfaz estas condições. 5) O lugar do segundo no SI O segundo é uma das sete unidades fundamentais do Sistema Internacional de Unidades. As restantes são: candela (intensidade luminosa), kelvin (temperatura), ampere (corrente eléctrica), metro (comprimento), quilograma (massa) e mole (quantidade de substância). Cada uma destas unidades tem uma definição associada a uma constante fundamental ou fenómeno físico invariável. O segundo, ao ser definido pela frequência da transição hiperfina do césio-133, encontra-se no mesmo patamar de rigor que estas outras grandezas. 6) O que é um átomo O átomo é a unidade elementar que mantém as propriedades de um elemento químico. É constituído por um núcleo formado por protões e neutrões, em torno do qual orbitam electrões. Historicamente, o modelo de Bohr, de 1920, introduziu a ideia de níveis de energia discretos, em que os electrões podiam saltar de uma órbita para outra, libertando ou absorvendo energia proporcional à frequência de um fotão. Em 1925, o modelo de Schrödinger descreveu os electrões não como partículas em órbitas fixas, mas como distribuições de probabilidade, os chamados orbitais. As transições electrónicas são fenómenos quantificados: sempre que um electrão muda de nível, há emissão ou absorção de energia proporcional a uma frequência definida, de acordo com a relação de Planck-Einstein. Isto significa que cada átomo possui uma espécie de assinatura única, uma “nota” de frequência que pode servir de referência. A transição hiperfina Entre as transições possíveis, a hiperfina é a mais estável. Resulta da interacção entre o momento magnético do núcleo e o dos electrões. Esta transição é muito menos sensível a distúrbios externos como campos magnéticos, campos eléctricos, pressão ou temperatura. É justamente a transição hiperfina do césio-133 que define o segundo, devido à sua estabilidade e regularidade. 7) Critérios para que um átomo seja usado como referência Para que um átomo ou isótopo seja adoptado como referência temporal, deve reunir certas condições: possuir níveis de energia estáveis e definidos; apresentar uma transição específica e mensurável; mostrar insensibilidade a influências externas como temperatura e campos magnéticos; ter uma transição de alta frequência, que aumenta a precisão possível; e ser estável a longo prazo. O césio-133 cumpre estes requisitos. A sua transição hiperfina é de alta frequência, extremamente estável e facilmente mensurável. O valor exacto de 9 192 631 770 Hz corresponde à duração de um segundo. Cs – Césio - Metal alcalino altamente reativo em contacto com o ar 8) Porquê o césio-133 A frequência das transições electrónicas varia de átomo para átomo, uma vez que depende do número de protões no núcleo e das interacções entre os electrões. Entre todos, o césio-133  destaca-se por reunir as condições ideais para servir como padrão de tempo: a sua transição hiperfina possui uma frequência elevada, estável e facilmente mensurável , o que permite alcançar níveis de precisão consistentes e universalmente reproduzíveis. Acresce que é um isótopo estável, não radioactivo e disponível em quantidades adequadas , características que tornam viável a sua utilização à escala internacional. Do ponto de vista químico, o césio é um metal alcalino altamente reactivo ao contacto com o ar , facto que exige cuidados rigorosos de manuseamento e armazenamento. Esta reactividade, porém, não afecta a sua função como referência metrológica. É importante sublinhar que o césio-133 não é a única espécie atómica usada em relógios de referência. Masers de hidrogénio  desempenham também um papel essencial, sobretudo como padrões de estabilidade a curto prazo, complementando o césio no estabelecimento das escalas internacionais de tempo. Outros elementos encontram aplicação em diferentes arquitecturas. Nos relógios de micro-ondas , o rubídio  é frequentemente utilizado como alternativa prática em sistemas portáteis e comerciais. Já nos relógios ópticos , actualmente em desenvolvimento e aperfeiçoamento, recorrem-se a átomos como o estrôncio , o itérbio  e o alumínio , cujas transições ópticas, de frequência muito mais elevada do que as do césio, oferecem potencial para ultrapassar de forma significativa a precisão actualmente alcançada. Apesar destes avanços e do interesse crescente em torno dos relógios ópticos, o césio-133 permanece o padrão oficial internacional para a definição do segundo , reconhecido pelo Sistema Internacional de Unidades e sustentado por décadas de utilização em metrologia de tempo e frequência. 9) Síntese da Parte 1 Um relógio atómico é um instrumento que utiliza átomos para medir o tempo, servindo-se da transição electrónica hiperfina como referência. Essa referência traduz-se numa frequência específica e extremamente estável. Os relógios atómicos de césio-133 são aqueles que definem a unidade fundamental do tempo: o segundo. O átomo, por sua vez, é a unidade elementar da matéria que conserva as propriedades de um elemento. Os electrões orbitam o núcleo em níveis discretos, e as suas transições entre níveis libertam ou absorvem energia proporcional a frequências exactas. É esta propriedade que permite utilizar os átomos como padrões universais para a medição do tempo. Parte 2 — Precisão e Usos dos Relógios Atómicos 1) A busca da precisão A história da medição do tempo pode ser lida como uma sucessão de esforços para reduzir o erro. O ser humano sempre procurou instrumentos que lhe permitissem organizar a vida social, a agricultura, a navegação e a ciência com maior rigor. Da observação do Sol até ao laser aplicado em relógios ópticos, a cronologia revela uma progressão em direcção à exactidão. O relógio solar dos egípcios, por volta de 1176 a.C., permitia regular actividades diárias e religiosas, mas apresentava erros da ordem de horas. O relógio mecânico medieval, surgido por volta de 1300 na Europa, reduziu essa margem para cerca de 15 minutos por dia, útil sobretudo para fins religiosos e científicos. Em 1657, com o relógio de pêndulo de Christiaan Huygens, a precisão atingiu cerca de um minuto por dia, permitindo um salto significativo. O cronómetro H4, criado por John Harrison em 1759, alcançou uma precisão de décimos de segundo por dia e revolucionou a navegação marítima. No século XIX e início do século XX, os relojoeiros foram afinando mecanismos, mas em 1927 surgiu uma nova solução: o relógio de quartzo, desenvolvido por Marrison e Horton, que reduziu o erro para microssegundos por dia, viabilizando aplicações industriais, transportes e telecomunicações. A grande viragem deu-se a partir de 1948, quando Isidor Rabi e Harold Lyons abriram caminho para o relógio atómico. Com ele, a precisão passou a ser de algumas décimas de segundo por ano, rapidamente refinada até valores como 1 segundo em milhões, e hoje até biliões, de anos. Em 1955, Louis Essen e Jack Parry construíram o primeiro relógio atómico de feixe de césio, fixando definitivamente a base para a redefinição do segundo. © Miguel Lino 2) Tipos de relógios atómicos Os relógios atómicos não constituem um grupo homogéneo: existem diversas tecnologias que funcionam em diferentes gamas de frequência e energia. © Miguel Lino Na categoria dos relógios de micro-ondas  incluem-se: Beam (feixe atómico de césio) , a tecnologia clássica. Fountain (fonte atómica) , em que átomos arrefecidos são lançados verticalmente e atravessam a cavidade de micro-ondas em queda livre. Maser de hidrogénio , que utiliza micro-ondas geradas em ressonância por átomos de hidrogénio. Célula de vapor (vapor cell) , mais compacta e aplicável em dispositivos de menor escala. Na categoria dos relógios ópticos  encontram-se: Redes ópticas (lattice clocks) , em que átomos ficam aprisionados numa rede de luz laser. Iões aprisionados (trapped ions) , onde um ou poucos iões ficam confinados em armadilhas electromagnéticas. Relógios nucleares ou de estado sólido , ainda experimentais, que exploram transições de energia a escalas ainda mais elevadas. Os relógios de micro-ondas utilizam frequências da ordem dos gigahertz, enquanto os ópticos operam em escalas muito superiores, chegando aos terahertz ou petahertz. Por isso, os relógios ópticos conseguem uma precisão ainda maior, chegando a margens de erro de apenas um segundo em centenas de biliões de anos. 3) O que limita a precisão É intuitivo pensar que quanto maior a frequência de referência, maior a precisão do relógio. Mas nem sempre este raciocínio se cumpre de forma directa. Outros factores interferem no funcionamento: Nos relógios mecânicos , as perturbações incluem temperatura, gravidade, fricção, impactos e qualidade de construção. Nos relógios de quartzo , a temperatura, o envelhecimento, a capacitância e a energia disponível têm influência. Nos relógios atómicos , surgem efeitos relativísticos, campos magnéticos e envelhecimento dos componentes electrónicos. Existem erros sistemáticos, que podem ser previstos e corrigidos, e erros aleatórios, que exigem modelos probabilísticos. Em qualquer caso, os relógios atómicos superam largamente as alternativas, mas ainda assim não são perfeitos. 4) Para que servem os relógios atómicos A utilidade dos relógios atómicos é vasta e crítica para o funcionamento da sociedade contemporânea. Padronização Os relógios atómicos definem a unidade de tempo no Sistema Internacional. O segundo é estabelecido pela transição hiperfina do Cs-133, e esta padronização assegura consistência global. Sem um padrão único e universal, cada país ou cada sistema poderia derivar com o tempo, criando discrepâncias inaceitáveis na ciência, na indústria e no quotidiano. Navegação Os sistemas de navegação por satélite, como o GPS e outros GNSS, dependem totalmente de relógios atómicos instalados nos satélites. A diferença de tempo entre o sinal emitido pelo satélite e o recebido pelo dispositivo (um telemóvel, por exemplo) permite calcular a posição do utilizador. Pelo menos quatro satélites são necessários para definir com rigor latitude, longitude e altitude. A precisão na medida do tempo traduz-se directamente em precisão na localização. Sincronização global A sociedade digital exige que a informação circule de forma sincronizada. Protocolos como o NTP (Network Time Protocol) permitem que computadores, servidores e redes partilhem um tempo de referência comum, baseado no UTC. Isto é fundamental para transacções financeiras, segurança digital, media, telecomunicações, reuniões online e streaming de conteúdos. Até a investigação científica depende desta sincronização para processar dados de forma coerente. Segurança e defesa Os relógios atómicos são também estratégicos. Permitem que países mantenham padrões internos independentes de redes internacionais, assegurando resiliência em caso de ataques ou falhas. São indispensáveis na coordenação de operações militares, na guerra electrónica e na encriptação de comunicações. Contribuem para a segurança de bases de dados, evitando falhas catastróficas, e permitem a sincronização de redes eléctricas, prevenindo apagões. A sua utilização em unidades de medição de fase garante a estabilidade das redes energéticas modernas. Indústria e ciência Na indústria, asseguram processos de fabrico e automação de alta precisão. Na ciência, tornam possíveis estudos de fenómenos extremamente rápidos ou subtis. Permitem investigações em física fundamental, experiências com relatividade, observações em rádio-astronomia e medições associadas à detecção de ondas gravitacionais. São, em suma, ferramentas indispensáveis para compreender melhor o universo e explorar novas tecnologias. 5) O UTC e a globalização do tempo Para que o mundo mantenha uma hora coordenada, foi criada uma estrutura internacional. O Tempo Atómico Internacional (TAI)  é a média ponderada de cerca de 450 relógios atómicos, distribuídos por 85 laboratórios em 80 países. Mensalmente, os dados são reunidos e processados para fornecer uma referência universal. O Tempo Universal Coordenado (UTC)  resulta do TAI, mas é ajustado à rotação da Terra através da escala UT1. Quando necessário, adicionam-se ou subtraem-se segundos intercalares para que o UTC não se afaste demasiado do tempo solar. O UTC foi reconhecido oficialmente em 1975 pela Conferência Geral de Pesos e Medidas e é hoje o padrão global para telecomunicações, transportes, redes digitais e quase todas as áreas dependentes da sincronização. Actualmente, a diferença entre UT1 e TAI ronda algumas dezenas de segundos, o que justifica o mecanismo dos segundos intercalares. O UTC é, assim, a expressão mais concreta da colaboração internacional em torno do tempo. 6) Síntese da Parte 2 Os relógios atómicos são hoje os instrumentos de medida do tempo mais precisos de que dispomos. Dividem-se em dois grandes grupos, de micro-ondas e ópticos, com várias tecnologias adaptadas a diferentes finalidades. A sua precisão varia de 1 segundo em milhares de anos até 1 segundo em centenas de biliões de anos. O seu papel vai muito além da teoria: garantem a padronização de unidades, possibilitam a navegação global, asseguram a sincronização de redes digitais e de telecomunicações, reforçam a segurança nacional e internacional, e tornam possíveis avanços científicos e industriais. São também fruto de uma colaboração internacional exemplar, envolvendo 80 países e centenas de relógios que, em conjunto, sustentam o Tempo Atómico Internacional e o Tempo Universal Coordenado. Sem relógios atómicos, a vida moderna, tal como a conhecemos, seria impossível. Parte 3 — Como Funciona um Relógio Atómico 1) O princípio fundamental Um relógio atómico não “gera” o tempo a partir do átomo: o que faz é usar o átomo como diapasão de referência  para afinar um oscilador electrónico, geralmente de quartzo. O oscilador fornece um sinal eléctrico (por exemplo 10 MHz), que pode depois ser convertido em 1 Hz, correspondente a um segundo. O papel do átomo é manter o oscilador constantemente corrigido, de forma a que este nunca se desvie. A arquitectura clássica que melhor ilustra este processo é a do relógio de feixe de césio . O modelo pode parecer complexo, mas cada etapa tem um objectivo preciso. 2) Os elementos principais © Miguel Lino O átomo A base é o isótopo de césio-133 , estável e não radioactivo, que se obtém a partir do mineral pollucite. É este átomo que contém a transição hiperfina usada como padrão. O forno atómico O primeiro passo é transformar o césio sólido num feixe de átomos. Isso faz-se num forno atómico , que aquece o material até o vaporizar. O feixe é colimado, ou seja, organizado em trajectórias paralelas, através de microcanais. O forno funciona em regime de fluxo molecular , permitindo que os átomos saiam sem choques excessivos. O vácuo O feixe entra numa câmara de ultra-alto vácuo (UHV) , inferior a 10⁻⁹ mbar. Este ambiente evita colisões entre os átomos de césio e as moléculas de ar, preservando a coerência do feixe. Filtro magnético A Um íman, semelhante ao dispositivo de Stern–Gerlach, selecciona apenas os átomos no estado fundamental correcto . É um processo de filtragem de estados quânticos: só os átomos desejados seguem adiante. Cavidade de radiofrequência O coração do sistema é a cavidade de radiofrequência de Ramsey . Aqui, ondas de radiofrequência interagem com os átomos. O sinal de RF provém de um oscilador de quartzo controlado por tensão ( VCXO ) e passa por um sintetizador e um misturador de frequência. A cavidade aplica energia aos átomos, induzindo a transição hiperfina se a frequência estiver correctamente ajustada. O alvo é alinhar o sinal do oscilador com a frequência natural da transição: 9,192 631 770 GHz. Sintetizador e misturador de frequência O sintetizador converte a frequência base (por exemplo, 10 MHz do oscilador) em valores muito mais elevados, na gama dos gigahertz. O misturador permite ajustar finamente o sinal, até corresponder exactamente à frequência da transição hiperfina do césio. Filtro magnético B Depois da cavidade, um segundo filtro magnético selecciona os átomos que passaram efectivamente para o nível superior da transição. Tal como no filtro inicial, é um mecanismo de selecção de estados. Detecção Segue-se a detecção , feita por ionização. Os átomos são ionizados ao colidirem com um fio aquecido ( hot wire ) e os iões gerados são recolhidos por um colector de iões (Faraday cup). O número de átomos detectados traduz-se num sinal eléctrico, indicador da eficiência da transição. Amplificação e comparação O sinal de saída é amplificado e comparado com o sinal do misturador de frequência. A diferença entre ambos revela-se como uma diferença de voltagem. Se não houver diferença (ΔV = 0), significa que o oscilador de quartzo está perfeitamente sintonizado com a frequência de transição do césio. Se houver desvio, a voltagem serve para corrigir automaticamente o VCXO. Saída de frequência O oscilador corrigido fornece uma saída estável de 10 MHz , que pode ser convertida por um divisor de frequência em 1 Hz , ou seja, um pulso por segundo. Este é o sinal utilizável, que alimenta sistemas electrónicos, redes de telecomunicações, satélites e toda a infraestrutura dependente de tempo preciso. 3) Exemplos históricos O primeiro relógio atómico de césio foi construído em 1955 por Louis Essen e Jack Parry . Poucos anos depois, em 1959, surgiu o NBS-1 nos Estados Unidos. Em 1972, a Hewlett-Packard lançou o modelo 5061A , um padrão comercial que se tornou icónico e largamente usado em laboratórios e telecomunicações. Ao longo das décadas, os relógios de feixe foram sendo substituídos por fontes atómicas, iões aprisionados e, mais recentemente, relógios ópticos. Contudo, o feixe de césio continua a ser a base do padrão internacional do segundo. 4) Variações modernas e miniaturização Os relógios de feixe tradicionais consomem entre 20 e 40 W e atingem uma precisão de cerca de 1 segundo em 3,17 milhões de anos. Mas a miniaturização abriu novas possibilidades: os chamados Chip-Scale Atomic Clocks (CSAC) , baseados em técnicas como Coherent Population Trapping (CPT) , têm dimensões reduzidas e consumos de apenas 100 mW. Embora menos precisos (da ordem de 1 segundo em 3,17 mil anos), são suficientemente estáveis para aplicações móveis, portáteis e militares. O CPT baseia-se num fenómeno curioso: quando os átomos entram num estado energizado específico, deixam de absorver energia e tornam-se transparentes à luz laser. Isto permite medir a frequência de forma mais compacta e eficiente. 5) Síntese da Parte 3 O funcionamento de um relógio atómico assenta numa arquitectura que combina física quântica e engenharia electrónica. O átomo de césio fornece a referência estável e invariável; o oscilador de quartzo, afinado continuamente por essa referência, gera o sinal utilizável. O processo envolve etapas de preparação dos átomos (forno, vácuo, filtros magnéticos), excitação por radiofrequência, detecção do estado, comparação de sinais e correcção automática do oscilador. O resultado é uma frequência de saída precisa, convertida em segundos. O átomo é o diapasão  e o oscilador é o instrumento : juntos produzem a cadência exacta sobre a qual assenta a medição moderna do tempo.

  • Greubel Forsey Nano Foudroyante

    A Greubel Forsey apresenta oficialmente a primeira edição limitada do Nano Foudroyante, um relógio revolucionário que resulta de anos de investigação e que evolui do estatuto de protótipo experimental para peça autónoma e madura. Limitado a apenas 22 exemplares, este modelo inaugura um novo capítulo naquilo que a marca define como a sua 10.ª Invenção Fundamental. O Nano Foudroyante, inicialmente revelado em 2024 como edição comemorativa de Experimental Watch Technology , surge agora inteiramente em ouro branco, com um mostrador em ouro tratado a ródio e escala dos minutos azul. Os ponteiros em aço azulado, o submostrador branco com algarismos transferidos e a abertura do turbilhão sublinham a legibilidade e a harmonia estética, complementada por uma correia em borracha texturada azul. O coração desta criação está na aplicação da nanomecânica, que permite controlar a energia à escala do nanojoule no interior de um movimento mecânico. Graças a esta abordagem, a complicação foudroyante funciona com apenas 16 nanojoules por segundo, contra os 30 microjoules dos mecanismos tradicionais, uma redução energética 1.800 vezes superior. A complicação divide cada segundo em seis segmentos, com um ponteiro ultraleve em vermelho que roda uma vez por segundo, acionado directamente pelas oscilações do balanço a 3 hz, sem necessitar de um conjunto de rodagens. O mecanismo integra-se no primeiro turbilhão voador da Greubel Forsey, criando um conjunto visualmente central e tecnicamente fascinante. O submostrador da foudroyante mantém-se sempre alinhado às 12 horas, independentemente da rotação do turbilhão, garantindo legibilidade. O movimento de corda manual, com função flyback patenteada, é composto por 428 componentes, 142 dos quais pertencem apenas à gaiola do turbilhão e encontra-se alojado numa caixa de 37,90 mm, a mais compacta da história da marca. A caixa em ouro branco apresenta cristal de safira abobadado, acabamentos lineares escovados, fundo transparente e gravações em relevo polido sobre um fundo martelado. Esta edição limitada a 22 unidades. Características técnicas Caixa Material : Ouro Branco Diâmetro : 37.9 mm Espessura : 10.49 mm Vidro : Safira Resistência à água : 30 metros Movimento Diâmetro : 31.6 mm Espessura : 9.4 mm Rubis : 53 Frequência : 21.600 alt/h Componentes : 428 Bracelete Material : Borracha Fivela : Ouro Branco Mais informações no site oficial da Greubel Forsey.

  • Franck Muller X Jisbar Crazy Hours

    A Franck Muller e o artista francês Jisbar fizeram uma colaboração inédita, marcada pela reinvenção do icónico modelo Crazy Hours. A iniciativa, revelada em Genebra durante a World Presentation of Haute Horlogerie, funde a complexidade técnica da alta-relojoaria com a estética vibrante da pop-street art. O mostrador do relógio transforma-se numa tela, onde cada algarismo recebe a marca visual do artista, mantendo a essência conceptual que tornou a complicação célebre. A colecção surge em cinco versões exclusivas — em carbono, aço, titânio, titânio negro e ouro rosa — cada uma limitada a 50 exemplares numerados. Para reforçar a ligação entre arte e relojoaria, Jisbar criou cinco obras originais que dialogam com cada versão, estabelecendo um elo directo entre a peça relojoeira e a criação artística. Além disso, cada comprador receberá um fragmento de uma pintura em linho concebida e intervencionada manualmente pelo artista, devidamente assinada e autenticada, integrada na caixa de apresentação do relógio, que por si só prolonga a linguagem cromática e gráfica de Jisbar. O Crazy Hours x Jisbar não é apenas um instrumento de medição do tempo, mas um objecto artístico portátil que desafia convenções. Tal como nas obras do artista, onde referências do passado se cruzam com símbolos contemporâneos, o relógio rompe com a ordem tradicional dos algarismos e oferece uma leitura inesperada e lúdica das horas. Este carácter disruptivo, em perfeita sintonia com a filosofia criativa de Jisbar, confere à peça uma dimensão emocional única, em que a precisão mecânica da Franck Muller encontra a ousadia da arte contemporânea. Com esta edição limitada, a Franck Muller reafirma o seu estatuto de manufactura independente de referência, conhecida pelas complicações pioneiras e pelo espírito visionário, enquanto Jisbar consolida o seu percurso no cenário artístico internacional, ao levar o seu universo para a relojoaria de alta gama. O resultado é um encontro entre dois mundos que se complementam, em que o relógio se torna obra de arte e a obra de arte assume a forma de relógio. Características Técnicas Modelo V 43 CH JSR LTD (NR) Caixa Material : Ouro rosa 18K Vidro : Safira Dimensões : 42.5 X 52.7 mm Espessura : 9.3 mm Movimento Calibre : MVD 2800-CHRS Reserva de marcha : 42 horas Componentes : 201 Diâmetro : 26.2 mm Espessura : 5.6 mm Frequência : 28.800 alt/h Correia Material : Pele crocodilo Fivela : Ouro rosa 18K Mais informações no site oficial da Franck Muller.

  • M.A.D.Editions x Yinka Ilori

    A M.A.D.Editions uniu-se ao artista e designer britânico-nigeriano Yinka Ilori MBE para criar a série limitada M.A.D.1S “Grow Your Dreams”, uma colaboração que celebra a cor, a imaginação e a filosofia de acreditar e cultivar os próprios sonhos. Conhecido pelas suas instalações vibrantes e narrativas visuais optimistas, Ilori transporta para a relojoaria a sua linguagem criativa marcada pela diversidade cultural, pela ligação à comunidade e pela ideia de que o design pode transformar o quotidiano em experiências de alegria e esperança. A colecção apresenta três relógios distintos — Sun, Nature e Water — cada um limitado a 400 exemplares. Embora partilhem a mesma base técnica do movimento suíço LaJoux-Perret G101, com cilindro de horas rotativo, 68 horas de reserva de marcha e um rotor em titânio, cada peça distingue-se pela cor e simbolismo. O rotor, trabalhado com um motivo de árvore que evoca crescimento e paciência, surge em amarelo, verde ou azul, consoante a versão, e é realçado por Super-LumiNova e pela inscrição do lema “Grow Your Dreams”. O aro da caixa de aço inoxidável de 42 mm introduz pela primeira vez na linha detalhes em HyCeram colorido, enquanto a base em alumínio revela texturas onduladas que acentuam o efeito tridimensional. As braceletes em borracha reforçam o carácter lúdico e expressivo da série: o modelo Sun combina amarelo e verde, o Nature conjuga púrpura e vermelho, e o Water mistura azuis contrastantes. Cada relógio inclui ainda uma correia branca adicional, permitindo alternar entre ousadia e sobriedade. Todos os modelos são resistentes à água até 30 metros e equipados com fecho dobrável em aço. Características técnicas Caixa Material : Aço 316L Diâmetro : 42 mm Espessura : 15 mm Resistência à água : 30 metros Vidro : Safira Movimento Calibre : LaJoux-Perret G101 Diâmetro : 11 ½’’ Espessura : 4.45 mm Frequência : 28.800 alt/h Rubis : 24 Reserva de marcha : 68 horas Bracelete Material : Borracha Fivela : Aço, dobrável Mais informações no site oficial da MB&F.

  • Vacheron Constantin Overseas Perpetual Calendar Ultra-Thin

    A Vacheron Constantin apresentou duas novas versões do modelo Overseas Perpetual Calendar Ultra-Thin, reforçando a ligação entre elegância desportiva, sofisticação técnica e versatilidade. Os novos modelos distinguem-se pelas caixas de 41,5 mm com apenas 8,1 mm de espessura, em ouro rosa ou em ouro branco, associadas a mostradores exclusivos: um em ouro rosa com mostrador no mesmo tom e outro em ouro branco com mostrador em laca borgonha. No coração destas peças encontra-se o calibre de manufatura 1120 QP/1, um movimento automático ultrafino com apenas 4,05 mm de espessura, composto por 276 componentes e 36 rubis. Este movimento integra calendário perpétuo (data, dia, mês e ciclo bissexto) e fases da Lua, funcionando como um “computador mecânico” capaz de corrigir automaticamente as variações do calendário até ao ano 2100. Oferece ainda uma reserva de marcha de aproximadamente 40 horas e vibra a 19.800 alternâncias por hora. O fundo em safira revela a massa oscilante em ouro de 22 quilates, decorada com uma rosa-dos-ventos, evocando o espírito de viagem associado à colecção Overseas. O acabamento artesanal segue os mais exigentes padrões da Alta Relojoaria, incluindo Côtes de Genève, grão circular e anglage, e cada relógio é certificado com o Poinçon de Genève. Em ambos os casos, os ponteiros e índices são tratados com Super-LumiNova® azul, garantindo legibilidade. Estes relógios são resistentes à água até 5 bar (cerca de 50 metros), integram um aro interno em ferro para protecção antimagnética e possuem fecho de tripla lâmina com sistema de ajuste de conforto. Características técnicas Caixa Material : Ouro Branco ou Ouro rosa Diâmetro : 41.5 mm Espessura : 8.1 mm Vidro : Safira Fundo : Vidro Safira Resistência à água : 50 metros Movimento Calibre : 1120 QP/1 Diâmetro : 29.6 mm Espessura : 4.05 mm Reserva de marcha : 40 horas Frequência : 19.800 alt/h Componentes : 276 Rubis : 36 Bracelete Material : Ouro Branco, Ouro Rosa ou borracha Fecho : Dobrável Mais informações no site oficial da Vacheron Constantin.

  • Relógios Atómicos: histórias de uma precisão que mudou o mundo

    Os relógios atómicos são as máquinas mais precisas já criadas pelo ser humano. Do protótipo de amónia de Harold Lyons em 1949 ao estrôncio aprisionado em redes ópticas, marcaram a transição da observação dos astros para o domínio da física quântica. Hoje regulam o GPS, sincronizam a banca mundial e testam a relatividade de Einstein. Mas também guardam histórias curiosas: um protótipo com um relógio de parede em cima, satélites “falhados” que confirmaram teorias, e cientistas que ousaram redefinir o próprio segundo. Em 1949, o físico norte-americano Harold Lyons , no National Bureau of Standards (hoje NIST), apresentou o primeiro relógio atómico capaz de operar, baseado na molécula de amónia. A fotografia clássica de Lyons, com um relógio de parede colocado em cima do protótipo, tornou-se icónica: era a prova de que aquela máquina de laboratório, aparentemente um armário metálico, media o tempo de forma inédita. Louis Essen e o césio que mudou tudo Louis Essen (à direita) e Jack Parry (à esquerda) com o primeiro relógio atómico de césio-133, construído em 1955 no National Physical Laboratory, Reino Unido. Este instrumento tornou-se a referência para a definição do segundo no Sistema Internacional de Unidades. O salto decisivo chegou em 1955, quando Louis Essen e Jack Parry , no National Physical Laboratory (Reino Unido), construíram o primeiro relógio de césio-133 funcional. Essen já tinha experiência em medir a velocidade da luz, e foi graças ao seu rigor que o césio ganhou estatuto de padrão. Foi esse trabalho que, em 1967, levaria a redefinição do segundo no Sistema Internacional de Unidades. A definição do segundo e o papel das instituições Desde 1967, o segundo é a duração de 9 192 631 770 oscilações do césio-133. Esta decisão, tomada em Sèvres, tirou a unidade básica do tempo do domínio astronómico (variações da rotação da Terra) e colocou-a na estabilidade quântica. Desde 1967, o segundo é definido como a duração de 9 192 631 770 oscilações da radiação do átomo de césio-133 , uma decisão tomada em Sèvres pela Conferência Geral de Pesos e Medidas. Esta redefinição marcou a transição da era astronómica para a era quântica: deixou-se de depender da rotação irregular da Terra e passou-se a basear a unidade fundamental do tempo numa propriedade imutável da matéria. O césio-133 foi escolhido pela sua estabilidade, pela facilidade de manipulação em laboratório e pelos resultados fiáveis já obtidos no primeiro relógio atómico funcional de 1955. Exactidão e estabilidade: uma dupla de protagonistas Dois conceitos atravessam toda a história: exactidão , que mede a proximidade ao valor verdadeiro, e estabilidade , que mede a regularidade ao longo do tempo. O físico Jerrold Zacharias , do MIT, trabalhou em relógios de césio ainda nos anos 50, e ajudou a clarificar estes conceitos em aplicações práticas. Do laboratório ao espaço: engenheiros e cientistas no GPS e Galileo O sistema GPS nasceu de equipas multidisciplinares nos Estados Unidos, com a união entre físicos, engenheiros de satélite e militares. Relógios de césio e rubídio desenvolvidos por grupos como o de James Jespersen garantiram a precisão inicial do sistema. Constelação de satélites Galileo na órbita da Terra. Na Europa, o programa Galileo foi impulsionado por equipas da ESA e da indústria, com o contributo de especialistas em máseres de hidrogénio como John Vanier e engenheiros em Neuchâtel, Suíça. Em 2014, quando dois satélites ficaram em órbitas erradas, investigadores como Pacôme Delva aproveitaram a oportunidade para testar a relatividade geral com relógios a bordo. Do césio à luz: os pioneiros dos relógios ópticos A revolução óptica tem protagonistas claros: Jun Ye , no JILA, que liderou o desenvolvimento dos relógios de estrôncio mais precisos do mundo; Hidetoshi Katori , em Tóquio, que criou a arquitectura de “rede óptica” para aprisionar átomos de estrôncio com lasers; e Thorsten Tamm , no PTB alemão, que comparou padrões ópticos a longas distâncias por fibra óptica. Estes cientistas abriram caminho à geodesia cronométrica, área que revela diferenças de gravidade através da comparação de relógios separados por centenas de quilómetros. É ciência de ponta sustentada no batimento dos átomos. Três pequenas histórias para contar no intervalo do café 1) Um relógio com outro relógio por cima (1949). Harold Lyons, para mostrar ao público que a sua máquina era um relógio, colocou um relógio de parede em cima do protótipo de amónia. A imagem tornou-se símbolo da nova era. 2) Louis Essen e a vitória do césio (1955). Louis Essen enfrentou críticas de vários astrónomos, que consideravam arriscado substituir a observação das estrelas pela regularidade de um átomo como referência para medir o tempo. Décadas depois, a sua persistência foi reconhecida: sem ele, o segundo ainda seria definido pelo movimento irregular da Terra. 3) Satélites “falhados” que confirmaram Einstein (2014). Dois satélites Galileo em órbitas erradas tornaram-se laboratório natural para testar a relatividade geral. Uma falha de engenharia transformou-se numa das experiências mais elegantes da física moderna. Para que serve, afinal, tanta precisão? Navegação por satélite : sem relógios atómicos e correcções relativísticas, o GPS e o Galileo perderiam a utilidade em minutos. Redes de telecomunicações e banca : transacções financeiras e fluxos de dados são ordenados ao nanossegundo. Ciência fundamental : relógios ópticos testam constantes fundamentais, procuram variações subtis ao longo do tempo e oferecem geodesia cronométrica. E amanhã? Os relógios ópticos já atingem precisões na casa dos 10⁻¹⁸, e discutem-se agora padrões baseados no estrôncio ou no íterbio para substituir o césio como definição oficial do segundo. Quando esse dia chegar, o mundo continuará a viver normalmente — mas por trás da internet, dos satélites e da ciência de ponta, os protagonistas invisíveis serão os físicos e engenheiros que, desde Harold Lyons e Louis Essen até Jun Ye e Hidetoshi Katori, transformaram a forma como medimos o tempo. Participe 👉 Pode responder ao Quiz 7 – Relógios Atómicos aqui: 👉 E pode assistir à conferência de Miguel Lino Diogo dos Santos no Museu Medeiros e Almeida, no dia 18/09/2025, das 18h00 às 20h00 . A entrada é livre com inscrição prévia : Inscrição na conferência

  • UNIMATIC e Massena LAB Quattro U4S-T-SPW

    No âmbito da edição de 2025 da Geneva Watch Days, a UNIMATIC apresentou, em parceria com a Massena LAB, o Modello Quattro U4S-T-SPW, uma edição limitada a apenas 60 peças numeradas. Este modelo encerra a trilogia dedicada à exploração espacial da NASA, já celebrada em colaborações anteriores ( NASA Artemis  e NASA Artemis II ), e marca a estreia da UNIMATIC na utilização de meteorito num mostrador. A caixa de 40 mm, em titânio com revestimento Cerakote H140 branco, abriga um mostrador único, recortado a partir de fragmentos de meteorito ferro-níquel, formados há milhões de anos no vácuo espacial e recuperados após a sua queda na Terra. Cada mostrador revela o característico padrão Widmanstätten, uma estrutura cristalina que se forma apenas durante o arrefecimento extremamente lento de metal fundido no espaço, garantindo que nenhuma peça seja idêntica a outra. Sobre o mostrador, os marcadores em Super-LumiNova® BG W9 e o histórico logótipo “worm” da NASA surgem impressos no vidro de safira plano de 2,8 mm, criando um efeito flutuante que acentua a inspiração cósmica da peça. O fundo da caixa apresenta uma gravação com um gráfico comparativo de meteoritos, reforçando a ligação conceptual do relógio ao espaço. O U4S-T-SPW oferece desempenho profissional, com resistência à água testada individualmente até 300 metros, coroa de 8 mm com rosca. Está equipado com o movimento suíço Sellita SW200-1 b automático, de 26 rubis, frequência de 28.800 alternâncias/hora, reserva de marcha de 38 horas e precisão dentro de ±12 segundos por dia. Cada exemplar é entregue com duas braceletes: uma em nylon branco de libertação rápida e outra em TPU cinzento, ambas com fivela em titânio revestido a Cerakote. O preço anunciado é de 2.500 euros (sem IVA). Características técnicas Caixa Material : Titânio revestido com Cerakote Diâmetro : 40 mm Espessura : 28.4 mm Vidro : Safira Resistência à água : 300 metros Movimento Calibre : Sellita SW200-1 Rubis : 26 Frequência : 28.800 alt/h Reserva de marcha : 38 horas Bracelete Material : Nylon ou TPU Fivela : Titânio revestida com Cerakote. Mais informações no site oficial da UNIMATIC.

  • Hublot Classic Fusion Chronograph UEFA Champions League

    Em 2025, dois legados históricos cruzam-se numa celebração especial: os 70 anos da Taça dos Clubes Campeões Europeus, actual UEFA Champions League, e a primeira década da Hublot como Cronometrista Oficial da mais prestigiada competição de futebol do mundo. Desde 2015, a relojoeira suíça já cronometrara mais de 800 jogos da Champions, registando cada golo, cada reviravolta e cada momento de glória que marcaram a memória colectiva dos adeptos. Para assinalar esta dupla efeméride, a Hublot apresenta o Classic Fusion Chronograph UEFA Champions League Titanium , uma edição limitada a apenas 100 exemplares que inaugura a temporada 2025/26. O modelo distingue-se pela caixa em titânio polido e acetinado de 42 mm, mostrador azul em dégradé com o logótipo da UEFA Champions League no contador das 3 horas e uma correia que combina borracha preta com pele de vitela azul, onde sobressai o icónico motivo da bola estrelada da competição. Cada relógio é entregue numa caixa de madeira personalizada, acompanhada por uma miniatura do troféu oficial da Champions, permitindo ao coleccionador “erguer a taça” em qualquer momento. No coração da peça bate o calibre cronográfico automático HUB1153, com 269 componentes, frequência de 4 hz, 39 rubis e uma reserva de marcha aproximada de 48 horas. O fundo em vidro de safira exibe o movimento, enquanto os ponteiros em ródio polido reforçam o carácter refinado do modelo. Segundo Julien Tornare, CEO da Hublot, “o futebol não é apenas um jogo, é um sentimento. Cada batida do coração, cada segundo vivido no estádio, cada penalti e cada explosão de alegria são momentos que a Hublot tem a honra de celebrar ao lado da UEFA Champions League”. Com um preço de 14.300 euros, o Classic Fusion Chronograph UEFA Champions League Titanium já está disponível nas boutiques da Hublot e em hublot.com . Características técnicas Caixa Material : Titânio Diâmetro : 42 mm Espessura : 11.9 mm Resistência à água : 50 metros Vidro : Safira Fundo : Vidro safira Movimento Calibre : HUB1153 Diâmetro : 28 mm Espessura : 6 mm Componentes : 269 Rubis : 39 Frequência : 28.800 alt/h Reserva de marcha : 48 horas Bracelete Material : Borracha e pele Cor : Azul Fivela : Aço Preço 14.300 EUR Mais informações no site oficial da Hublot.

  • Grand Seiko apresenta três novidades para a rentrée

    A Grand Seiko apresenta três novidades que assinalam a rentrée e reafirmam a sua identidade de rigor técnico, estética poética e tradição artesanal japonesa. A primeira é uma reinterpretação do histórico 62GS, lançado em 1967 e agora revisitado no modelo SBGH368, que mantém proporções clássicas de 38 mm e linhas geométricas puras, mas acrescenta uma nova dimensão através da caixa em ouro rosa de 18 quilates, trabalhada com a técnica de polimento Zaratsu. No seu interior está o calibre Hi-Beat 36000 9S85, um movimento automático de alta frequência que garante 36.000 alternâncias por hora, uma reserva de marcha de 55 horas e uma precisão média diária de +5/-3 segundos, graças à aplicação de tecnologias como o MEMS e ligas proprietárias como a Spron. A segunda criação é o Tentagraph SLGC007, pertencente à colecção Evolution 9. Trata-se do primeiro cronógrafo mecânico de alta frequência da Grand Seiko, equipado com o calibre 9SC5, desenvolvido após décadas de experiência. Este movimento assegura 72 horas de autonomia mesmo com o cronógrafo em funcionamento, integra dois tambores e um escape de duplo impulso, e cumpre com sucesso os exigentes testes de precisão de 20 dias da marca. Visualmente, inspira-se nos invernos do Monte Iwate, com mostrador azul gelo de dupla camada que evoca neve e formações rochosas, índices e ponteiros com Lumibrite, luneta em cerâmica preta com escala taquimétrica e caixa em High-Intensity Titanium, material mais leve e resistente do que o aço. A terceira proposta marca um salto histórico em termos de precisão, com o lançamento do calibre Spring Drive 9RB2, que inaugura o conceito U.F.A. (Ultra Fine Accuracy) e atinge uma exactidão anual de ±20 segundos. Este movimento equipa dois novos modelos da Evolution 9 Collection, ambos com 37 mm de diâmetro, um em High-Intensity Titanium e outro em platina 950, este último em edição limitada a 80 exemplares. A inovação do 9RB2 deve-se à termocompensação, aos componentes selados a vácuo e a um novo circuito integrado, elevando a fiabilidade a níveis inéditos em relógios com corda manual. Mais informações no site oficial da Grand Seiko.

  • Favre Leuba amplia Chief Chronograph com novas cores

    A Favre Leuba anunciou a expansão da colecção Chief Chronograph, lançada em 2024 e inspirada nos cronógrafos da marca dos anos 1970 com caixas em forma de almofada, com duas novas variantes de mostrador: British Racing Green e Dune. Estas versões mantêm o carácter técnico e a identidade da linha, mas acrescentam um toque distinto de cor e personalidade. O mostrador da colecção é um dos elementos mais trabalhados, exigindo mais de cem etapas de fabrico. O resultado é uma superfície tridimensional, com acabamento raiado no mostrador principal, escovado circular nos submostradores e um padrão canelado que confere profundidade e dinamismo visual. A complexidade deste processo restringe as cores possíveis, já que apenas algumas conseguem preservar clareza e equilíbrio após as múltiplas camadas de acabamento. Depois das versões em azul, preto e azul-gelo, surgem agora o verde britânico e o tom areia-dourado. O Chief Chronograph British Racing Green presta homenagem à icónica cor do automobilismo britânico, nascida em 1903 e associada a carros lendários e à glória das pistas. O mostrador verde intenso muda de tonalidade consoante a luz, com raios de sol que o tornam vibrante ou tons sombrios sob céu nublado. Já o Chief Chronograph Dune aposta na subtileza e elegância, com um tom quente entre o bege e o ouro suave, enriquecido por ponteiros e índices em tom rosa-dourado que criam equilíbrio e harmonia. Ambos os modelos apresentam caixa em aço inoxidável de 41 mm, com 14 mm de espessura, combinações de acabamentos escovados e polidos, vidro de safira com tratamento antirreflexo e fundo transparente que revela o movimento. A resistência à água é de 10 atm. São fornecidos com bracelete integrada de dois elos em aço e também com uma correia em borracha FKM a condizer com a cor do mostrador. O coração destes cronógrafos é o calibre automático FLC02, desenvolvido em colaboração com a La Joux-Perret. Trata-se de um movimento de cronógrafo com roda de colunas azulada termicamente, reserva de marcha de 68 horas e frequência de 28.800 alternâncias por hora. A decoração inclui Côtes de Genève, perlage, parafusos azulados e rotor esqueleto com acabamentos colimaçonnage e soleillage. A disposição bi-compax dos submostradores assegura leitura equilibrada e imediata: contador de 30 minutos às 3h e pequenos segundos às 9h. Características técnicas Caixa Material : Aço Diâmetro : 41 mm Espessura : 14 mm Resistência à água : 10 metros Vidro : Safira Fundo : Vidro safira Movimento Calibre : FLC02 Reserva de marcha : 68 horas Frequência : 28.800 alt/h Rubis : 24 Bracelete Material : Aço ou borracha Fivela : Aço Mais informações no site oficial da Favre Leuba.

  • Arnold & Son DSTB 42

    A Arnold & Son enriqueceu a sua colecção DSTB 42 com duas novas versões limitadas a 18 exemplares cada: uma com mostrador verde menta em caixa de ouro rosa de 18 quilates e outra com mostrador azul Ascot em caixa de platina 950. A peça distingue-se pela complicação de segundos verdadeiros ( true-beat seconds ), herança directa dos cronómetros de marinha fornecidos por John Arnold à Marinha Real britânica, nos quais o ponteiro dos segundos avança em saltos regulares de um em um segundo. O calibre A&S6203, desenvolvido integralmente pela manufactura, bate a 4 hz e incorpora um mecanismo adicional dedicado a permitir este movimento preciso do ponteiro, totalmente visível no lado do mostrador. Três pontes de ouro esqueletizadas sustentam o mecanismo e dão profundidade estética à peça, equilibrando o mostrador de horas e minutos em ópala branca, descentrado às 5 horas. O contrapeso do sistema em forma de âncora remete para o símbolo da casa. O movimento automático, com massa oscilante em ouro de 22 quilates, oferece 55 horas de reserva de marcha e apresenta acabamentos tradicionais de alta-relojoaria: perlage, Côtes de Genève radiantes, parafusos azulados e chanfrados, além de pontes polidas. As caixas, com 42 mm de diâmetro e 12,95 mm de espessura, possuem vidro de safira abaulado com tratamento antirreflexo em ambas as faces, fundo em safira e resistência à água até 30 metros. O conjunto é completado por correia de pele de crocodilo cosida à mão, verde-Cornualha para a versão em ouro rosa e azul-tinta para a versão em platina, com fivelas correspondentes em ouro ou platina. Características técnicas Caixa Material : Ouro vermelho 5N - 18 Kt ou Platina 950 Diâmetro : 42 mm Espessura : 12.95 mm Vidro : Safira Fundo : Vidro Safira Resistência à água : 30 metros Movimento Calibre : A&S6203 Rubis : 32 Diâmetro : 33 mm Espessura : 5.54 m Reserva de marcha : 55 horas Frequência : 28.800 alt/h Correia Material : Pele crocodilo Cor : Verde Cornish ou azul Fivela : Pino em ouro vermelho ou platina Mais informações no site oficial da Arnold & Son.

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