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- Tesouros encontrados em Tempos Passados
Actualmente surgem relógios novos todos os dias. Esta realidade não pertence só ao nosso tempo: sempre existiram lançamentos diários e, tal como dantes, alguns modelos permanecem enquanto outros se perdem no tempo. A diferença actual está no volume e na velocidade da comunicação. Avisar o mundo sobre o lançamento de um relógio tornou-se simples, quase imediato, e cada novidade ecoa muito mais longe do que acontecia no passado. O Salão de Relojoaria Vintage Tempo Passado actua como uma verdadeira peneira, deixa passar apenas os relógios que conquistaram lugar no coração dos coleccionadores — aqueles que, de facto, resistiram ao tempo. Hoje recordamos alguns tesouros descobertos nas edições anteriores do Tempo Passado . São peças que o tempo filtrou com rigor, relógios que conquistaram a admiração de todos. Estes são apenas alguns exemplos entre muitos que continuam a brilhar na memória dos coleccionadores. Longines Nonius e Pedro Nunes Longines Nonius Entre os relógios que marcaram presença no Tempo Passado , poucos despertam tanta curiosidade como o Longines Nonius . Esta peça ocupa um lugar singular na história da relojoaria por ter transportado para um cronógrafo mecânico uma invenção portuguesa do século XVI: o nónio de Pedro Nunes , o maior matemático português do seu tempo. A Longines reinterpretou o princípio original — uma escala móvel capaz de permitir medições extremamente precisas — e aplicou-o a um ponteiro de décimos de segundo que continua a ser um dos mais engenhosos já criados. O resultado foi um cronógrafo ousado, tecnicamente desafiante e profundamente marcado pela época em que nasceu. Longines Nonius A sua evolução não foi linear. Diferentes calibres, com frequências incompatíveis entre si, obrigaram a ajustes sucessivos até se alcançar uma leitura correcta dos décimos de segundo. Só com a adopção de um movimento a 5Hz (10 alternâncias por segundo) foi finalmente possível garantir o alinhamento perfeito entre o ponteiro-Nónio e a escala fixa do mostrador. Mesmo o próprio desenho do ponteiro levantou desafios mecânicos pouco comuns, desde o peso acrescido no reset até à necessidade de evitar erros de paralaxe — questões que a patente de 1967 descreve de forma minuciosa. É precisamente esta complexidade — histórica, técnica e conceptual — que faz do Longines Nonius um dos grandes favoritos dos coleccionadores que visitam o Tempo Passado . É um relógio que não só resistiu ao tempo, mas que continua a representar uma das mais criativas adaptações de uma invenção científica portuguesa ao mundo da relojoaria. Os dois Omax do Tempo Passado e a linhagem do design Space-Age OMAX Os dois relógios da Omax que surgiram no Tempo Passado pertencem a um capítulo muito específico da história do design relojoeiro: o período space-age , no qual várias marcas suíças procuraram traduzir o entusiasmo pela conquista espacial em objectos do quotidiano. A Omax, embora não tenha sido uma das criadoras originais do conceito Spaceman , seguiu de perto a linguagem introduzida pelas quatro marcas que de facto lançaram esses modelos: Catena , Fortis , Zeno Watch e Tressa . Entre finais dos anos 60 e início dos 70, estas marcas produziram relógios com caixas futuristas, muitas vezes em fibra de vidro, formas inspiradas em capacetes de astronauta ou naves espaciais e mostradores minimalistas com contrastes fortes. A estética não era apenas ousada — era declaradamente futurista, alinhada com o imaginário tecnológico da época, do programa Apollo à ficção científica que influenciava arquitectura, mobiliário e moda. É dentro deste universo que se inserem os dois Omax encontrados no Tempo Passado. O primeiro, o diver de barras verticais , revela a aproximação da marca ao experimentalismo gráfico da década: índices em bloco, ponteiros laranja de alta visibilidade e um mostrador que parece mais um instrumento técnico do que um relógio convencional. Apesar de não ser um Spaceman formal, respira o mesmo optimismo visual — a ideia de que o design podia romper com todas as convenções. O segundo, o Omax de caixas facetadas , aproxima-se muito mais directamente da linhagem space-age . Embora a forma exacta mude de marca para marca, reconhecem-se imediatamente os traços do movimento iniciado por Catena (o Spaceman original, desenhado por André Le Marquand), posteriormente seguido por Fortis , Zeno e Tressa : volumes esculturais, superfícies angulares, proporções ousadas e um mostrador reduzido ao essencial, apenas marcado pelo ponteiro dos segundos em laranja — um toque cromático característico da época. OMAX - Spaceman Estes dois Omax são produtos do seu tempo, testemunhos de um momento em que a relojoaria decidiu olhar para o espaço e imaginar o futuro. E é precisamente essa mistura de audácia estética, cultura visual e história industrial que faz com que estas peças atravessem décadas e permaneçam vivas no Tempo Passado . São relógios que não existiriam noutra era — e que, por isso mesmo, resistem com distinção. Hebdomas — oito dias de corda e mais de um século de carácter Hebdomas Entre as descobertas mais marcantes das edições do Tempo Passado encontra-se este Hebdomas , um dos relógios de bolso mais reconhecíveis da relojoaria suíça. Criado originalmente no final do século XIX, o Hebdomas tornou-se célebre pelo seu escape exposto e, sobretudo, pela capacidade de oferecer: oito dias de autonomia — uma façanha verdadeiramente notável para a época e um pesadelo para os relojoeiros. O exemplar da fotografia apresenta todas as características clássicas da família Hebdomas: – a grande abertura inferior , que revela o balanço, o rubi central e a inscrição “8 Jours” , marca distintiva da série; – a presença do mostrador dividido em três zonas; – o aro canelado e a caixa dourada, frequentemente associados às versões mais ornamentadas. Os Hebdomas combinam duas coisas que, por vezes, coexistem num relógio de bolso popular: engenharia funcional de alta durabilidade e um design teatral , pensado para mostrar ao proprietário — e a quem estivesse por perto — a dança do escape e a generosidade do tambor de corda. Talvez seja por isso que continuam a aparecer em feiras, leilões e colecções privadas: porque nenhum outro relógio se parece verdadeiramente com um Hebdomas. Quando um exemplar destes surge no Tempo Passado , a reacção é sempre a mesma: entusiasmo, reconhecimento e, quase sempre, uma história para contar — porque cada Hebdomas atravessou décadas, e muitos passaram por várias mãos, oficinas e cidades antes de chegarem à luz do dia. Três interpretações da precisão — da complicação suíça ao rigor alemão Na mesa, lado a lado, surgem três relógios que representam três visões diferentes do que significa medir o tempo com precisão. É raro vê-los juntos, e talvez por isso tenham sido um dos conjuntos mais fotografados das últimas edições do Tempo Passado . O relógio de mesa da esquerda é um BUBEN & ZORWEG , uma das casas alemãs mais prestigiadas no fabrico de relógios de mesa, cofres de luxo e objectos horológicos concebidos para coleccionadores exigentes. Fundada na década de 1990, a Buben & Zorweg ficou conhecida por unir engenharia mecânica de precisão , acabamentos de luxo , e design contemporâneo . Produziu peças que se situam entre a relojoaria e a arte decorativa. O exemplar da fotografia apresenta um calendário completo com fases da Lua , dividido em quatro sub-mostradores: data, dia, mês e indicação lunar às 6h. A construção do mostrador, com discos prateados escovados, ponteiros azulados e escala limpa, reflecte o estilo técnico e elegante característico da marca. A caixa em madeira, polida e envernizada, reafirma o posicionamento da Buben & Zorweg no segmento alto da relojoaria doméstica — onde cada peça é tanto um instrumento como um objecto de design. No contexto do Tempo Passado , a presença de um Buben & Zorweg acrescenta uma dimensão rara: não é apenas uma complicação tradicional — é uma expressão contemporânea da relojoaria de mesa de luxo, produzida com materiais nobres, mecanismos fiáveis e um cuidado absoluto com a apresentação. Ao centro destaca-se o mais imediatamente reconhecível: um Erwin Sattler , fabricado em Munique. A marca alemã é uma referência absoluta na arte da relojoaria de precisão de interior, conhecida pela construção meticulosa e pela pureza dos seus mostradores. O exemplar da fotografia apresenta segundos pequenos, submostrador de reserva de marcha e uma assinatura estética característica: linhas rectas, algarismos austeros e um equilíbrio geométrico que remete directamente para a tradição alemã de cronómetros de oficina e reguladores de parede. À direita, está um cronómetro de precisão montado numa caixa circular , com mostrador de leitura fina e ponteiros longos e delgados — um instrumento típico de laboratório, oficina ou navegação. A escala subdividida e a forma da caixa evocam os modelos usados para calibração e ensaio de movimentos, onde a leitura clara dos segundos e sub-segundos era essencial. O acabamento metálico e a janela ampla sugerem que se trata de um instrumento pensado mais para rigor do que para decoração. Quando observados em conjunto, estes três relógios revelam uma narrativa curiosa: complicação suíça, precisão alemã e instrumentação técnica convivem lado a lado. São expressões distintas da mesma busca — a busca pela medição exacta do tempo — e mostram porque o Tempo Passado continua a atrair objectos que sobrevivem muito para além da função para a qual foram criados. Edox Geoscope — o mundo inteiro no mostrador Edox Geoscope Este é o grande Edox Geoscope! Um rasgo de criatividade sem paralelo da Edox que entretanto fez uma reedição muito aquém do modelo vintage. Viajou directamente dos anos 70 para o Tempo Passado. Lançado no auge da criatividade relojoeira pós-Apollo, é um relógio que traduz directamente o fascínio pela geografia, pela aviação comercial intercontinental e pelo imaginário da exploração global. O elemento central é o mostrador-mapa visto a partir do Pólo Norte , representado em projecção azimutal. Este tipo de representação permite visualizar todos os continentes a partir de um ponto fixo e facilita a leitura simultânea das horas em múltiplas regiões do globo — uma escolha que mostra até que ponto a Edox estava disposta a arriscar no desenho e na funcionalidade. Edox Geoscope A escala interior de 24 horas — alternando claro/escuro — funciona em conjunto com o mapa rotativo para apresentar um sistema de hora mundial contínua , sem necessidade de janelas, anéis múltiplos ou nomenclaturas de cidades. É um worldtimer puro, gráfico e intuitivo, onde o planeta todo participa na medição do tempo. O ponteiro das horas, o ponteiro dos minutos e o indicador de 24 horas, todos com detalhes em laranja, reforçam a herança estética dos anos 70 e garantem contraste sobre os tons pastel e oceânicos do mapa. A caixa em aço maciço, com forma típica da era — integrada, larga, ergonomicamente curvada para o pulso — completa o carácter da peça. Tal como o Tissot Navigator, o Zodiac Astrographic ou o Omega Dynamic, o Edox Geoscope tornou-se um dos símbolos da relojoaria experimental deste período . Mas, entre todos, é talvez o mais marcante: não se limita a evocar uma época, apresenta literalmente o mundo no mostrador. Encontrar um Geoscope em estado original, com bracelete integrada e cores vivas no mapa (que muitas vezes desvanecem com a luz), é cada vez mais raro. Por isso, quando aparece no Tempo Passado , transforma-se imediatamente num ponto de encontro: coleccionadores aproximam-se, apontam continentes, discutem projecções cartográficas e revisitam uma era em que a relojoaria não tinha medo de pensar — e desenhar — em grande escala. Universal Genève Tri-Compax — “o Senhor Vintage”! Universal Genève Tri-Compax Este é o vintage dos vintage — o Universal Genève Tri-Compax. Trata-se de um dos grandes clássicos da relojoaria mecânica do século XX, um relógio que combina três complicações maiores — cronógrafo, calendário completo e fases da Lua — num mostrador equilibrado, legível e profundamente elegante. É exactamente essa combinação que lhe deu o nome: Tri-Compax , três complicações reunidas numa mesma arquitectura. Universal Genève Tri-Compax O cronógrafo assegura a medição precisa de intervalos de tempo, o calendário completo apresenta dia, mês e data em janelas e sub-mostradores dedicados, e a fase lunar acrescenta a dimensão astronómica que define as grandes complicações históricas. Esta síntese técnica tornou o modelo um dos mais admirados da relojoaria clássica e um dos mais procurados pelos coleccionadores de cronógrafos vintage. A Universal Genève, fundada no século XIX e responsável por alguns dos cronógrafos mais importantes da primeira metade do século XX, vive hoje um momento de renovação: a marca foi adquirida pela Breitling em Dezembro de 2023 e prepara um regresso aguardado, com planos para recuperar a identidade que a tornou célebre. O Tri-Compax, naturalmente, está no centro dessa herança. Universal Genève Tri-Compax Poucos relógios representam tão bem o espírito de “Senhor Vintage” como este. O desenho harmonioso, os sub-mostradores bem proporcionados, a escala taquimétrica ao redor do mostrador e o conjunto de ponteiros clássicos criam uma presença que resume o melhor da relojoaria mecânica tradicional. É um ícone da elegância técnica, uma peça que carrega décadas de história e que continua a inspirar a relojoaria contemporânea. Um voltímetro de bolso — quando a forma do relógio servia outras ciências À primeira vista, parece um relógio de bolso. Mas o mostrador denuncia imediatamente a verdade: trata-se de um voltímetro portátil , construído em formato de relógio de bolso para permitir medições rápidas no terreno, numa época em que a instrumentação eléctrica ainda não era compacta. O princípio é simples: em vez de ponteiros para horas, minutos e segundos, vemos uma escala semicircular graduada em volts , de 0 a 6, com um ponteiro fino extremamente leve — típico dos galvanómetros e voltímetros analógicos de precisão. A parte inferior alberga a bobina e o mecanismo de medição, visíveis através de uma abertura circular, com dois pequenos parafusos de ajuste. Este tipo de instrumento era usado por electricistas, técnicos ferroviários, oficinas de telegrafia e laboratórios durante a primeira metade do século XX. O formato “bolso”, herdado directamente do relógio tradicional, facilitava o transporte e protegia o mecanismo numa caixa metálica resistente. A coroa superior servia apenas para segurar e abrir o estojo, não para dar corda — aqui não há movimento mecânico relojoeiro, mas sim uma bobina, um íman e um sistema de deflexão. Peças como esta são testemunho de um período em que a relojoaria influenciou o design dos instrumentos científicos: caixas robustas, mostradores limpos, ponteiros de leitura fina, tudo pensado para precisão e portabilidade. Hoje são encontrados sobretudo em mercados de velharias, colecções técnicas e — naturalmente — nas mesas do Tempo Passado , onde lembram que a história da medição do tempo cruza muitas vezes a história da medição de tudo o resto. Yema Worldtime — o espírito do Airflight e a génese da relojoaria “dinâmica” Yema Worldtime Escondido entre muitos outros encontrámos este raríssimo Yema Worldtime que pertence a uma linhagem muito particular: a dos relógios com mostrador perfurado que se transformam num instrumento mutável, feito para reorganizar informação em vez de apenas a exibir. A Yema, que sempre oscilou entre ousadia técnica e espírito aventureiro, criou aqui uma das suas peças mais inventivas. Tal como no Gruen Airflight , encontramos a ideia de tempo dinâmico — não um mostrador fixo, mas um sistema que muda com o dia, com a posição do utilizador e com a necessidade de leitura. Gruen Airflight No Airflight, são os discos que alternam entre 1–12 e 13–24 horas; neste Yema, são as cidades e o anel de 24 horas que permitem ao utilizador viajar entre fusos com um simples gesto, num verdadeiro relógio de navegação civil. A outra referência inevitável é o Vincent Calabrese Day & Night , onde o mestre independente reinventa a forma como o tempo se revela, alternando representações gráficas conforme a fase do dia. Tal como em Calabrese, este Yema exige participação: obriga o utilizador a “dialogar” com o mostrador, a alinhar cidades, a compreender o planeta inteiro num espaço circular. A filosofia é a mesma — o tempo deixa de ser linear e torna-se conceito, interpretação, cartografia. Vincent Calabrese Day & Night É essa tríade — Airflight, Calabrese, Yema — que faz deste modelo uma peça tão especial. O Yema Worldtime é a interpretação francesa de uma ideia universal: quando a relojoaria abandona a rigidez e passa a explorar o movimento, os discos, os anéis e a geografia como parte da função. Ao contrário de tantos worldtimers clássicos, este Yema não quer apenas mostrar horas; quer mostrar o mundo . Por isso, quando aparece num Tempo Passado , é sempre aquele relógio ao qual os coleccionadores regressam — não só pela raridade, mas porque encapsula a audácia de três eras diferentes da relojoaria dinâmica. Tempo Passado - 29 de Novembro 2025 O próximo Tempo Passado é já dentro de 16 dias! Estamos em preparações para que tudo corra com a maior das perfeições no maior Tempo Passado do ano. Neste momento estão esgotados os bilhetes para vendedores. Os visitantes podem adquirir comodamente o seu bilhete aqui no site do IPR
- Os Osciladores e escapes nos Relógios: Antes e Depois da Invenção da Espiral
Sílvio Pereira Relógio com Foliot 1610 Relógio com Mola Espiral 1680 Este artigo traça a evolução dos osciladores usados em relógios mecânicos, desde os reguladores primitivos usados em relógios de torre e nos primeiros relógios de bolso, até à introdução da espiral (século XVII) e as consequências técnicas e práticas dessa inovação. Analisa-se o funcionamento mecânico e físico dos vários reguladores, as limitações que tornaram necessária a alteração do princípio de oscilação, o impacto cronológico na precisão e nas técnicas de fabrico, e as transformações subsequentes nos escapes e designs de relógios. No final apresentam-se considerações críticas. 1. Introdução: qual a importância do órgão regulador/oscilador? O órgão regulador é o dispositivo oscilante que determina a cadência do movimento de um relógio. Nos relógios portáteis (de bolso ou de pulso), o órgão regulador é, na maioria das vezes, o conjunto balanço-espiral, e forma um oscilador harmónico cujo período define a precisão do relógio. Actua como o verdadeiro “coração” do movimento, transforma a energia armazenada no tambor numa série de oscilações regulares, e assegura assim a constância da medição do tempo. A qualidade desse oscilador determina a isocronia (se o período depende ou não da amplitude), a resistência a variações da força motriz e, no fim, a precisão prática do instrumento. Até ao início do último quarto do século XVII os relojoeiros dependiam de soluções cujo princípio era mais inercial e dependente da força aplicada, do que de um verdadeiro oscilador harmónico. A invenção e adopção da espiral transformaram o regime dinâmico do regulador, convertendo-o num oscilador aproximadamente harmónico e muito mais estável. 2. Osciladores pré-espiral: foliot e as suas variantes "Ovo" de Nuremberg 2.1. O foliot — descrição e variabilidade O foliot é, por definição histórica, uma barra transversal com pesos ajustáveis nas extremidades que oscilava para alternar as palhetas do verge escapement (escape de coroa ou roda de reencontro). Foi o regulador mais utilizado nos grandes relógios de torre e nos primeiros mecanismos portáteis. Nos relógios de bolso primitivos — os chamados Nuremberg eggs e similares, o foliot foi miniaturizado ou substituído por variantes mais compactas — por vezes uma pequena barra ou uma roda de balanço primitiva — mas o princípio era o mesmo: inércia + impulso do escape. 2.2. Física do foliot/verge Escape de verge que mostra a roda de coroa (c), a haste de verge (v) e as palhetas (p,q). Foliot e Verge O foliot não possui uma força elástica restauradora interna; cada inversão de movimento resulta do impulso do dente da roda de escape sobre as palhetas da roda de reencontro e da inércia da massa do foliot . Consequências práticas: Forte dependência da força motriz : quando a mola principal perde tensão, a amplitude e o período alteram-se sensivelmente; isso é a falta de isocronia. Recuo ( recoil ) : o foliot tende a empurrar a roda da coroa para trás em cada ciclo, o que aumenta desgaste e introduzindo erros. Elevada sensibilidade ao atrito e às variações geométricas : desgaste das palhetas, folgas e alinhamentos afetam muito a marcha. Foliot de pesos (vista lateral) 2.3. Medidas paliativas: fusée e compensações Para reduzir a variação causada pela força decrescente da mola, os relojoeiros incorporavam o fusée (um cone cónico inicialmente com tripa de animal e depois com corrente) que equalizava o torque aplicado às rodagens. Apesar disso, a precisão continuava limitada — um relógio de bolso verge/foliot podia facilmente perder ou ganhar dezenas de minutos por dia. Fusée com corrente Fusée com tripa de animal 3. Transição: da roda de balanço sem mola à mola de balanço com espiral Roda de balanço sem mola (roda de foliot) Roda de balanço sem mola (roda de foliot) 3.1. Roda de balanço sem mola Antes da espiral de balanço, muitos mecanismos evoluiram do foliot para uma roda de balanço circular — essencialmente um foliot transformado em anel — que ocupava menos espaço e permitia melhor regulação ao deslocar massas na periferia. No entanto, esta roda continuava sem força restauradora própria, logo as limitações fundamentais mantinham-se. 3.2. A invenção da espiral (c. 1675) — Huygens, Hooke e a disputa de prioridade No último terço do século XVII foi introduzida a espiral : uma mola helicoidal presa ao eixo da roda de balanço que fornece a força restauradora necessária para que a roda oscile como um oscilador harmónico . Há disputa histórica sobre a prioridade: Espiral de balanço de Huygens Christiaan Huygens publicou e patenteou desenhos que mostram o uso da espiral acoplada à roda de balanço em 1675; construíram-se relógios com o princípio e a ideia difunde-se. Espiral de balanço de Hook Robert Hooke reivindicou ter concebido a ideia anteriormente e há evidências documentais que lhe atribuem a concepção prática de aplicar uma mola ao balanço. A literatura moderna tende a reconhecer um contributo importante de Hooke, mas Huygens e os artesãos que executaram os primeiros protótipos (ex.: Thuret) foram decisivos para a implementação. (Comentário técnico-histórico: a prioridade académica é interessante, mas, do ponto de vista técnico, o que importa é que a associação roda de balanço + espiral converteu um regulador dependente do torque num oscilador intrinsecamente determinado pela rigidez da mola e pela inércia do balanço.) 4. Efeitos técnicos e práticos da espiral 4.1. Isocronia e lei do oscilador harmónico A espiral transforma a roda de balanço num sistema massa-mola: o período aproximado ' T' depende de ' I' (momento de inércia do balanço) e 'K' (constante elástica equivalente) segundo uma relação do tipo: Isto introduz isocronia parcial — o período passa a depender muito menos da amplitude — e, portanto, a marcha torna-se muito mais estável quando o escape se articula corretamente com um escape que não perturbe sistematicamente a oscilação. 4.2. Ganhos de precisão Com a espiral de balanço, a precisão dos primeiros relógios passou de desvios de horas por dia para minutos por dia (e, em seguida, com melhorias, para segundos por dia). A melhoria foi tão grande que tornou os relógios de bolso dispositivos práticos para a medição do tempo fora do ambiente doméstico/monástico. 4.3. Mudanças no design dos escapes Escape de Cilindro Escape de âncora A adopção da espiral destacou um problema: o antigo verge continua a transmitir impulsos ao longo de todo o ciclo e cria recuo, o que desfavorece o potencial da espiral. Escape de detente Por isso, nos séculos seguintes surgiram escapes mais favoráveis ao funcionamento quase-livre do balanço (por exemplo, cilindro , âncora e detènte ) que permitiram aproveitar plenamente as propriedades isócronas da espiral e reduzir desgaste e sensibilidade ao posicionamento. (Em artigo posterior iremos abordar em pormenor os tipos de escape mais importantes que forem sendo desenvolvidos ao longo do tempo) 5. Consequências industriais e estéticas 5.1. Miniaturização e moda Com um regulador mais compacto e fiável, os relógios puderam tornar-se mais finos e ornamentados — a estética do relógio de bolso evoluiu rapidamente, e o balanço com espiral tornou possível a produção em série com padrão de precisão razoável. 5.2. Implicações para a navegação e ciência A melhoria na precisão dos cronómetros portáteis foi crucial para a navegação e para as observações científicas; a espiral é um passo fundamental na cadeia que levaria aos cronómetros marinhos do século XVIII e à resolução do problema do cálculo da longitude (embora Harrison e outros resolveram parte do problema com invenções adicionais e precisão mecânica extrema). 6. Exemplo comparativo prático Relógio verge + foliot (pré-1675) : dependente do fusée para equalização; precisão típica — dezenas de minutos por dia; forte sensibilidade ao torque e ao desgaste. Relógio com roda de balanço + espiral (pós-1675) : período definido por massa/rigidez; precisão típica inicial — minutos por dia, evoluindo para segundos por dia com escapes e regulamentações posteriores. 7. Críticas e notas de nuance (a opinião do autor) Como especialista observador, historiador e entusiasta, considero que o foliot e o verge representam uma engenharia admirável para as suas épocas: soluções simples, robustas e manufacturáveis pelos artífices medievais e renascentistas. Contudo, são também aparelhos intrinsecamente limitados — dependentes do ambiente, da força motriz e da exímia manutenção. A verdadeira mudança de paradigma técnico foi a espiral de balanço: não apenas uma peça elástica, mas o preâmbulo para o conceito de oscilador autónomo e isócrono que a ciência e a indústria exigiam. Do ponto de vista estético e museológico, os relógios verge/foliot têm hoje um valor patrimonial e uma beleza de engenharia primitiva; do ponto de vista da relojoaria prática, a espiral é o ponto de viragem inquestionável. 8. Conclusão A história do oscilador nos relógios mostra um percurso claro: partir de um regulador inercial comandado pelo escape ( foliot/verge ), para um regulador massa-mola autónomo (roda de balanço + espiral). A espiral de balanço (c. 1675) foi a inovação que permitiu transformar relógios portáteis em instrumentos realmente úteis e fiáveis. A transição exigiu também melhorias nos escapes e na manufactura das molas e rodas, abrindo caminho para a relojoaria moderna. 9. Alguns exemplares de prestígio com osciladores de foliot (antes de 1675) Michael Nouwen 1600-1610 Nicolas Forfaict 1600-1610 Jean Rosseau 1650-1660 Johann Passdorf 1630-1640
- Musical, Benac a Besançon, Ouro, 1810 - Os Relógios de Bolso Musicais: A Harmonia do Tempo
Série: GRANDES COMPLICAÇÕES Sílvio Pereira Os Relógios de Bolso Musicais: A Harmonia do Tempo Entre as muitas expressões de virtuosismo da relojoaria, os relógios de bolso musicais ocupam um lugar singular, pela forma como conciliam a medição do tempo com a arte de produzir música. São exemplos paradigmáticos de microengenharia, em que a função prática se alia a um propósito estético e emocional. Estas peças não apenas marcam as horas: encantam, surpreendem e elevam a experiência do utilizador, transformando o ato de consultar o tempo numa celebração da beleza mecânica. Origens e Evolução Histórica Caixa de música mecânica Os primeiros relógios de bolso musicais surgiram no século XVIII , época de florescimento técnico e artístico da relojoaria europeia. O seu desenvolvimento encontra raízes nas caixas de música mecânicas suíças, produzidas a partir de cerca de 1790, em cidades como Genebra e Sainte-Croix. O princípio era relativamente simples: um cilindro metálico com pinos ou ressaltos girava, tangendo lâminas afinadas (pentes metálicos), o que produzia sons melodiosos. A inovação consistiu em miniaturizar esse sistema , e integrá-lo em relógios de bolso. Esse feito marcou um avanço notável: transformar um objeto portátil, dedicado à cronometria, num instrumento capaz de reproduzir música em qualquer lugar. No início, estes relógios eram artigos de prestígio aristocrático , sobretudo na corte francesa, inglesa e nas elites da Rússia czarista. Eram frequentemente enriquecidos com esmaltes policromáticos, gravações a ouro, miniaturas pintadas e até pedras preciosas incrustadas. Mais do que medidores de tempo, eram símbolos de status e requinte cultural . Durante o século XIX , assistiu-se a uma evolução significativa: Melhoria da precisão sonora, com pentes metálicos mais robustos e melhor afinados . Introdução de discos perfurados , que substituíram parcialmente os cilindros, permitiram maior diversidade musical e melhor qualidade de reprodução. Adição de complicações suplementares , como repetições de minutos, autómatos animados ou calendários, o que tornou as peças ainda mais extraordinárias. A Revolução Industrial permitiu uma produção menos restrita, por forma a tornar os relógios musicais mais acessíveis a uma burguesia emergente. Contudo, a popularidade declinou no início do século XX, com a transição para o relógio de pulso , mais prático e adaptado ao quotidiano moderno. A partir desse momento, os relógios de bolso musicais passaram a ser valorizados sobretudo como peças de coleção. Mecanismo e Funcionalidade A singularidade dos relógios musicais reside no mecanismo adicional , independente ou acoplado ao movimento principal. Este módulo musical, acionado por uma mola própria, funciona como uma verdadeira caixa de música em miniatura . Tipologias principais Cilindro rotativo Cilindro rotativo O mais tradicional e historicamente relevante. Um cilindro com pinos metálicos, fixos em posições específicas, percorre um pente musical composto por lâminas de aço temperado. Cada pino corresponde a uma nota, e a sequência produz a melodia. Vantagem: maior fidelidade e durabilidade. Limitação: repertório fixo, geralmente entre 1 a 4 melodias. Disco perfurado Disco perfurado Introduzido no século XIX. Em vez de pinos num cilindro, utiliza-se um disco metálico perfurado. À medida que gira, os orifícios acionam alavancas que tangem as lâminas. Vantagem : possibilidade de substituir discos, aumentando o repertório. Limitação : menor sofisticação estética em relação ao cilindro. Componentes principais Pentes sonoros Cilindro ou disco perfurado – responsável por “codificar” a melodia. Pentes sonoros – lâminas de metal afinadas, geralmente em aço temperado, ajustadas para diferentes notas musicais. Escape musical – regula a cadência do mecanismo, garantindo que a música seja reproduzida com tempo regular, evitando acelerações indesejadas. Tambor de corda independente – permite dar corda exclusivamente ao módulo musical, sem afetar o movimento de contagem do tempo. Sistema de ativação – normalmente um botão ou alavanca lateral; em modelos mais sofisticados, permitia escolher entre várias melodias. A duração da execução variava entre 10 e 30 segundos , correspondendo a pequenas árias ou trechos de canções populares. Alguns modelos de exceção incluíam sequências múltiplas , funcionando quase como um “catálogo portátil” de música. Mestres e Fabricantes de Referência Diversas casas relojoeiras e mestres artesãos contribuíram para o desenvolvimento deste segmento. Entre os mais relevantes, destacam-se: Breguet (Abraham-Louis Breguet) – Criou exemplares de extraordinária complexidade, destinados a monarcas e dignitários europeus. Alguns modelos combinavam complicações de repetição de minutos com mecanismos musicais, elevando estas peças a obras-primas absolutas. Breguet 160 Marie Antoinette Patek Philippe – Fiel à sua tradição de grandes complicações, produziu exemplares de bolso musicais em séries limitadas, muitos deles associados a encomendadores privados. A combinação de repetição e música tornou-os ícones de raridade. Calibre 89 da Patek Jaquet Droz – Visionário no campo dos autómatos, integrou animações mecânicas e música em relógios de bolso e de mesa. As suas criações foram particularmente apreciadas pela aristocracia chinesa, sendo exportadas para a corte imperial. Autómatos musicais Reuge Reuge – Fundada no século XIX em Sainte-Croix, tornou-se sinónimo da tradição musical suíça. Embora mais focada em caixas de música, produziu também relógios musicais, e ainda hoje é referência mundial nesta arte. Valor para Colecionadores O interesse atual por relógios musicais é alimentado por três dimensões principais: Valor histórico – testemunhos de um período de esplendor da relojoaria europeia. Valor técnico – a extraordinária miniaturização de mecanismos musicais dentro de caixas portáteis. Valor estético e artístico – a riqueza das decorações, esmaltes, gravuras e pedras preciosas. O preço destes objetos varia enormemente: peças anónimas ou produzidas em série podem ter valores relativamente acessíveis, enquanto exemplares raros, especialmente assinados por Breguet ou Patek Philippe, podem atingir valores muito elevados em leilões internacionais. Para além da sua importância no mercado, possuem também um inestimável valor cultural, por representarem a interseção entre ciência, artesanato e música . Nos nossos dias Os relógios de bolso musicais constituem um capítulo singular da história da relojoaria. São testemunhos de uma era em que a medição do tempo era, para além de função, um espetáculo e emoção. A sua dupla natureza – rigor cronométrico e delicadeza musical – transforma-os em objetos intemporais, símbolos de engenho humano e de refinamento cultural. Hoje, mesmo diante da revolução digital, permanecem como peças de fascínio para colecionadores e historiadores , evocam a memória de um tempo em que a relojoaria era também palco da mais pura poesia mecânica. Relógio em Apreciação Som musical do relógio Ficha Técnica - Relógio de Bolso tipo Lépine, musical - Funções: Horas, Minutos, e repetição com musica - Número de Série: 2190 - Manufactura: Benac a Besançon - Data aproximada de fabrico: 1810 - Complicação: Repetição de horas e quartos com música - País: França - Calibre: Formato Pontes Radiantes com mecanismo musical independente - Protecção do movimento: Guarda pó em latão - Tipo de escape: Cilindro - Balanço: Níquel com espiral plana - Realimentação: Tambor controlado - Reserva de Marcha: 36 horas - Frequência: 18 000 Ah - Rubis: Não tem - Material da caixa: Ouro 18 Kt - Mostrador: Latão decorado com guilhoché com algumas manchas da idade - Pequenos segundos: Não tem. - Diâmetro da caixa: 54,00mm - Espessura: 18,4mm - Peso: 109,6g - Mola Real: Acionada através de chave num orifício no guarda-pó - Mecanismo musical: Accionado através de duas alavancas colocadas às 10 para a repetição de horas e às 2 horas para música a pedido - Sistema musical: Disco perfurado inserido num tambor - Ponteiros: Estilo Breguet - Numerais: Romanos para as horas. Indexes para os minutos. - Função da repetição: Acionada através de alavanca deslizante no sentido descendente colocada na caixa às 10 horas - Vidro: Em óptimo estado. - Numeração da caixa: 2190 - Apreciação geral: Relógio muito raro com duas complicações das mais difíceis de produzir principalmente na altura da sua produção, em excelente estado de conservação. - Valor actual de mercado: 6000,00 - 7000,00€
- TEMPO PASSADO 29 de Novembro 2025
O Salão de Relojoaria Vintage — Tempo Passado — regressa no próximo dia 29 de Novembro de 2025. Um momento imperdível para reencontrar amigos e encontrar peças únicas para a sua colecção. O evento decorrerá das 10h00 às 18h00, no Jupiter Hotel Lisboa, na Avenida da República, 46. Relógios com Histórias para Contar No Tempo Passado, encontram-se relógios que viajaram por guerras, regressaram de navegações, acompanharam a descoberta do mundo moderno ou marcaram a elegância de décadas passadas. Cada peça inscrita neste salão traz consigo marcas do tempo: um arranhão que pode ter sido provocado por uma porta de avião, um número gravado por um tropa em missão, ou uma dedicatória que selou um momento inesquecível. A sua raridade não reside apenas no valor material, mas na história que carregam e na mão que os preservou ao longo de gerações. Um Mercado Especializado e Confiável O Tempo Passado destaca-se como um ponto de encontro seguro para quem deseja adquirir, vender ou avaliar relógios vintage. A presença de expositores experientes garante informação rigorosa sobre originalidade, estado e proveniência das peças apresentadas. Os visitantes encontram: Relógios de pulso e de bolso das principais manufacturas históricas Relógios de precisão , cronómetros e relógios militares Literatura, acessórios e componentes ligados ao coleccionismo Correias de relógio, correias para equipar os relógios recém-adquiridos Cultura, Conhecimento e Paixão O Tempo Passado afirma-se como um encontro cultural. Conversas, partilha de experiências, contactos entre profissionais e novos entusiastas — tudo contribui para fortalecer a comunidade relojoeira nacional. O Instituto Português de Relojoaria e o Fórum Dez Dez, organizadores do evento, renovam deste modo o seu compromisso de valorizar o património material e imaterial da relojoaria, contribuindo desta forma para a defesa e conservação das peças que testemunham o engenho humano na arte de medir o tempo. Celebrar o que nos Trouxe Até Aqui O futuro da relojoaria portuguesa constrói-se com ferramentas modernas, mas assenta firmemente sobre a memória do que fomos capazes de criar e preservar. O Tempo Passado convida todos a cuidar do nosso legado, e a honrar os relógios que sobreviveram ao esquecimento. Porque o passado não regressa, mas pode continuar a marcar o ritmo das nossas vidas.
- RODA: Turbilhão — O Cerne da Questão
Nesta conferência, o Mestre Américo Henriques conduz-nos ao coração de um dos maiores feitos da história da relojoaria: o turbilhão, inventado por Abraham-Louis Breguet no final do século XVIII. Um mecanismo tão complexo quanto elegante, criado para contrariar os efeitos da gravidade e melhorar o isocronismo dos relógios portáteis. Ao longo da apresentação, exploram-se: • A génese e o propósito do turbilhão. • A extraordinária engenharia por trás da sua construção. • O impacto das forças exteriores no sistema balanço-espiral. • As variantes que marcaram a evolução técnica — do carrossel aos turbilhões modernos biaxiais e volantes. Com uma abordagem técnica e histórica, esta conferência revela por que motivo o turbilhão continua a ser símbolo máximo de virtuosismo mecânico e domínio artesanal, fascinando relojoeiros e coleccionadores há mais de dois séculos.
- LES TUGAS MODELO 01
LES TUGAS O primeiro passo de um relógio verdadeiramente português O movimento é um ETA 2824-2 , automático, com 25 rubis, frequência de 28.800 alternâncias por hora e reserva de marcha de 38 horas . A decisão de eliminar a complicação da data reforça a pureza estética e funcional, concentrando-se na leitura essencial do tempo — horas, minutos e segundos. LES TUGAS A caixa em aço inoxidável 316L , maquinada por CNC em Lisboa a partir de bloco sólido, combina superfícies escovadas e polidas que sublinham o equilíbrio entre robustez e elegância. O vidro de safira frontal permite apreciar o mostrador, resultado de uma técnica de tampografia aplicada manualmente , enquanto o fundo transparente aparafusado revela o movimento suíço e evidencia a qualidade da construção . LES TUGAS O mostrador com banho de ródio negro , com escala sectorial em tinta branca aplicada manualmente , é acompanhado por ponteiros em aço polido com banho de prata que lhe confere uma leitura limpa e uma identidade forte. A correia em camurça natural , produzida em Vila do Conde, reforça o carácter artesanal do conjunto, com uma fivela em aço 316L gravada com o logótipo “ |||| ”. O PRIMEIRO RELÓGIO DE PULSO PORTUGUÊS LES TUGAS Consideramos que o Les Tugas é o primeiro relógio de pulso português . Estabelecemos como critérios o facto de 70% dos custos de produção estarem alocados a Portugal , bem como a realização em território nacional de todo o design, investigação e desenvolvimento que deu origem ao projecto, assim como a inspecção e regulagem finais de cada peça. Estes são critérios habitualmente utilizados para determinar a origem nacional de um produto e refletem o compromisso do Les Tugas com a produção, o saber-fazer e a identidade portuguesa. LES TUGAS Cada componente transporta um fragmento de Portugal: – Caixa maquinada em Lisboa ; – Polimento no Porto ; – Caixa de transporte Leiria ; – Mostrador em Mem Martins ; – Vidros de Salvaterra de Magos ; – Correia de Vila do Conde ; – Gravações executadas em Carcavelos ; – Montagem final e regulagem realizadas em Lisboa . LES TUGAS DISPONÍVEL PERMANENTEMENTE Esta não é uma edição limitada. Pretendemos que o Les Tugas se torne num rel ógio icónico em produção permanente, para já apenas à venda no site do IPR. LES TUGAS FICHA TÉCNICA – LES TUGAS MODELO 01 MOVIMENTO Calibre: ETA 2824-2 (automático, Swiss Made) Frequência: 28.800 alternâncias/h (4 Hz) Reserva de marcha: ~38 horas Rubis: 25 Funções: Horas, minutos, segundos ( (sem data, nem posição ‘fantasma’) ) Corda: Automática e manual CAIXA Material: Aço inoxidável 316L Processo: Maquinagem CNC a partir de bloco sólido Diâmetro: 39 mm Espessura: 11 mm Fundo: Aparafusado, com vidro de safira transparente Vidro frontal: Safira incolor, tratamento antirreflexo interior Coroa: Não roscada, assinada com gravação Acabamento: Escovado lateral, polido nas superfícies frontais e biseladas MOSTRADOR E PONTEIROS Mostrador: Preto mate com escala sectorial em tinta branca aplicada por tampografia manualmente Ponteiros: Aço polido com banho galvânico de prata CORREIA Material: Camurça natural Cor: Cinza-ardósia Fivela: Aço 316L, gravada com logo ORIGEM DAS PEÇAS Design e desenvolvimento: Lisboa Caixa (maquinagem CNC): Lisboa Gravações: Carcavelos Mostrador: Mem Martins Polimento da caixa e parafusos: Porto Correia de camurça: Vila do Conde - Gião Vidros: Salvaterra de Magos Movimento: Suíça ESPECIFICAÇÕES COMPLEMENTARES Estanquidade: 5 ATM (50 metros) Montagem final e regulagem: Portugal Garantia: 3 anos Série: Produção limitada – numeração gravada no fundo Custos: 70% alocados a Portugal LOGO E FILOSOFIA LES TUGAS: escolhemos esta expressão e utilizamo-la com um tom humorístico. Os melhores relógios costumam ser associados a países francófonos, mas muitos deles nascem, em grande parte, das mãos de Tugas, por isso somos todos Les Tugas . O Les Tugas é o relógio mais tuga de sempre, projectado e desenhado em Portugal, tem no seu interior um movimento ETA 2824, um dos mais confiáveis movimentos suíços, possivelmente resultado do trabalho de muitos portugueses tanto na Suíça como em Portugal. O resultado é o relógio de pulso mais português da história , mas é também a criação de uma rede de serviços de relojoaria que pode servir todas as marcas que virão. Oferecemos o conhecimento através da nossa escola e disponibilizamos a rede que montámos a todos os interessados em criar relojoaria portuguesa porque: Les Tugas — somos todos nós! |||| : quatro traços verticais cortados por um quinto diagonal que evocam o gesto humano primordial de contar e marcar o tempo. Cada traço representa uma das fases essenciais do processo relojoeiro — concepção , fabrico , acabamento e montagem . O quinto, que cruza todos os outros, simboliza a síntese dessas etapas: a coerência, o rigor e o domínio técnico que caracterizam a relojoaria portuguesa co ntemporânea. LES TUGAS MODELO 01 - Em pré-venda a partir dia 23 de Outubro -
- Tempo Futuro – O Nascimento da Relojoaria Independente em Portugal
Tempo Futuro 10-10-2025 O Salão Português de Relojoaria Independente realizou-se ontem e contou com a presença de mais de uma centena de visitantes. O público teve a oportunidade de conhecer nove micromarcas de relojoeiros independentes, assistir ao lançamento do livro História da Relojoaria dos Séculos XVII e XVIII , da autoria de Sílvio Pereira, e participar na palestra dedicada à relojoaria independente. “O futuro depende do que fazemos no presente.” — Mahatma Gandhi No dia 10 de Outubro de 2025 , Lisboa foi palco de um acontecimento inédito na história relojoeira nacional: o Tempo Futuro , o primeiro Salão de Relojoaria Independente em Portugal .O evento decorreu no Museu Medeiros e Almeida , entre as 14h e as 22h , e reuniu criadores, coleccionadores, profissionais e apaixonados pela relojoaria, afirmando-se como um marco histórico na valorização da produção portuguesa e no fortalecimento de uma nova geração de relojoeiros independentes. Uma nova página na relojoaria nacional Todos os Relógios Apresentados no Tempo Futuro 10-10-2025 Organizado pelo Instituto Português de Relojoaria (IPR) e pelo Fórum DezDez , o Tempo Futuro surgiu com um propósito claro: dar voz às micromarcas e relojoeiros independentes portugueses , aproximando-os do público e criando um espaço de partilha, diálogo e reconhecimento.Trata-se do primeiro salão do género realizado no país, e a sua realização simboliza o amadurecimento de uma comunidade relojoeira que, ao longo da última década, tem vindo a consolidar conhecimento, técnica e identidade própria. Os protagonistas do Tempo Futuro Protagonistas das Marcas e Relojoeiros Independentes presentes no Tempo Futuro 10-10-2025 Durante oito horas, o público pôde conhecer, conversar e descobrir os projectos dos principais relojoeiros e micromarcas independentes portuguesas , numa atmosfera de entusiasmo e descoberta. Entre os expositores presentes estiveram: Bruno Moreira – @bmsmoreira Contar (Eduardo Martins) – www.contarwatches.com Exímio (João Batalha) – Exímio Watches Febres (João Vinhas) – @relojoeiro_joao_vinhas Followay (João Pedro Dias) – Followay Watches Isotope (José Miranda) – www.isotopewatches.com Museu do Relógio (Eugénio Tavares d’Almeida) – www.museudorelogio.com Monserrate - @monserrate_official Les Tugas - http://institutoportuguesderelojoaria.pt/lestugas Esta selecção reuniu representantes de diferentes abordagens e gerações, desde a relojoaria artesanal de autor até marcas consolidadas com presença internacional, demonstrando a diversidade e vitalidade do panorama relojoeiro português. Lançamento do Les Tugas – O primeiro relógio Tuga Um dos momentos mais aguardados do salão foi o lançamento oficial do relógio Les Tugas , uma criação do Instituto Português de Relojoaria que simboliza o nascimento de um movimento colaborativo entre artesãos, designers, estudantes e entusiastas da relojoaria. Les Tugas somos todos nós. O projecto Les Tugas pretende celebrar a identidade portuguesa na relojoaria e afirmar que a qualidade de um relógio não depende do seu país de origem, mas sim da competência de quem o cria.O primeiro modelo, actualmente em fase de protótipo, incorpora um movimento suíço ETA 2824 modificado em Portugal , com aro em latão decorado , caixa em aço , vidro de safira , fundo em vidro transparente , mostrador impresso em tampografia e correia em couro nacional — quase todos os componentes são concebidos ou finalizados em território português . As inscrições para a lista de espera do Les Tugas 2025 já se encontram abertas, permitindo reservar o direito de aquisição do relógio aquando do seu lançamento.O projecto renova-se anualmente , com novos modelos desenvolvidos de forma colaborativa, consolidando o lema que o define: Les Tugas somos todos nós. 👉 https://www.institutoportuguesderelojoaria.pt/lestugas Lançamento do Livro: A História e Evolução da Relojoaria nos séculos XVII e XVIII Tempo Futuro foi também o palco do lançamento do livro História e Evolução da Relojoaria nos Séc. XVII e XVIII , da autoria de Sílvio Pereira , colaborador do IPR.Editada pela Lisbon International Press , a obra reúne duas décadas de investigação e coleccionismo, revisitando os períodos de maior transformação técnica e estética da relojoaria. Entre os protagonistas evocados destacam-se Le Roy, Berthoud, Lepine e Breguet , mestres que moldaram a relojoaria moderna, num texto que cruza mecânica, arte e contexto histórico. Formação e independência: a conferência O programa incluiu ainda uma conferência sobre ensino e relojoaria independente , com a participação de Dann Phimphrachanh e Paulo Anastácio .Dann, ex-aluno do Curso de Técnico de Relojoaria da Casa Pia de Lisboa e membro da AHCI – Académie Horlogère des Créateurs Indépendants , partilhou o seu percurso formativo e a experiência de criar o seu relógio inteiramente artesanal, o Seconde Vive .Paulo Anastácio, mestre relojoeiro e director do curso, apresentou o modelo de ensino técnico da Casa Pia, destacando o papel da educação na preservação e renovação da relojoaria portuguesa. Os organizadores O evento foi uma iniciativa conjunta do Instituto Português de Relojoaria (IPR) e do Fórum DezDez : O IPR tem como missão promover o conhecimento e a formação relojoeira em Portugal , apoiando criadores, investigadores e restauradores.👉 www.institutoportuguesderelojoaria.pt O Fórum DezDez é a principal comunidade online portuguesa dedicada à relojoaria , com mais de 700 membros activos , e constitui um espaço de partilha entre entusiastas, coleccionadores e profissionais.👉 www.dezdez.pt Um movimento com futuro O Tempo Futuro não foi apenas um evento — foi o início de um movimento . Ao reunir criadores independentes, instituições e o público, inaugurou uma nova etapa para a relojoaria em Portugal: mais próxima, mais visível e mais consciente do seu valor cultural e técnico. Com o lançamento do Les Tugas , o país deu o seu primeiro passo concreto para o desenvolvimento de uma relojoaria verdadeiramente nacional. A partir deste salão, Portugal volta a inscrever o seu nome na história da relojoaria — não como observador, mas como criador . O futuro da relojoaria portuguesa começou aqui. E o tempo confirmará a sua importância.
- Tempo Futuro - 10-10-25 | 14h-22h
📅 10 de Outubro de 2025, das 14h às 22h 📍 Museu Medeiros e Almeida, R. Mouzinho da Silveira 4, Lisboa 🕰️ O que é o “Tempo Futuro”? O Tempo Futuro é o primeiro evento inteiramente dedicado à relojoaria independente portuguesa . Reúne relojoeiros, micromarcas, coleccionadores e curiosos num mesmo espaço, para celebrar o nascimento de uma nova geração de criadores nacionais. Organizado pelo Instituto Português de Relojoaria (IPR) e pelo Fórum Dez Dez , o evento decorre no Museu Medeiros e Almeida , em Lisboa, e propõe um contacto directo com quem faz, pensa e imagina a relojoaria em Portugal. Durante o evento será possível adquirir directamente os relógios expostos , conversar com os seus autores e conhecer de perto as peças e os processos de criação. 🗓️ Quando e onde decorre o evento? Data: Sexta-feira, 10 de Outubro de 2025 Horário: das 14h às 22h Local: Museu Medeiros e Almeida, Rua Mouzinho da Silveira, 4 – 1250-194 Lisboa. 💬 O que posso encontrar no Tempo Futuro? Durante oito horas, o público poderá: Conhecer relojoeiros independentes portugueses e as suas criações. Descobrir micromarcas nacionais em ascensão . Assistir ao lançamento de um livro dedicado à história da relojoaria. Participar numa conferência sobre ensino e relojoaria independente , com convidados de referência. 🧭 Quem são os expositores? Relojoeiros e Marcas Portuguesas Confirmadas: Bruno Moreira – @bmsmoreira Contar (Eduardo Martins) – www.contarwatches.com Exímio (João Batalha) – Exímio.pt Febres (João Vinhas) – @relojoeiro_joao_vinhas Followay (João Pedro Dias) – followaywatchmaking.com Isotope (José Miranda) – i sotopewatches.com Museu do Relógio (Eugénio Tavares d’Almeida) – museudorelogio.com 📖 O que vai acontecer às 17h30? Será apresentado o livro “História e Evolução da Relojoaria nos Séc. XVII e XVIII” , da autoria de Sílvio Pereira , colaborador do IPR. A obra, editada pela Lisbon International Press em 2025, compila duas décadas de investigação e revisita figuras essenciais da relojoaria europeia – Le Roy, Berthoud, Lepine e Breguet – que explora o contexto técnico e artístico em que floresceu a relojoaria clássica. 🧩 E o que acontece às 18h30? Entre as 18h30 e as 19h30 , decorre a Conferência “Ensino e Relojoaria Independente” , com dois convidados de destaque: Dann Phimphrachanh , ex-aluno do Curso de Técnico de Relojoaria da Casa Pia de Lisboa e membro da AHCI – Académie Horlogère des Créateurs Indépendants , apresentará o seu percurso e o relógio Seconde Vive , inteiramente construído à mão. Paulo Anastácio , mestre relojoeiro e actual director do curso na Casa Pia, fará uma exposição sobre a formação relojoeira em Portugal e os desafios actuais no ensino técnico. 💡 Quem organiza o evento? O Instituto Português de Relojoaria (IPR) e o Fórum Dez Dez são os responsáveis pela organização. O IPR dedica-se à formação, investigação e divulgação da relojoaria em Portugal, promove o surgimento de novos criadores e a preservação do saber técnico. O Fórum Dez Dez é o único fórum e comunidade online dedicado ao mundo da relojoaria em Portugal. Constitui um espaço de partilha entre entusiastas, aficionados, coleccionadores e todos os que se interessam pelo universo dos relógios. 🎟️ É necessária inscrição ou bilhete? A entrada é livre e gratuita , sujeita à lotação do espaço . Recomenda-se a chegada antecipada para garantir acesso à conferência das 18h30, dado o número limitado de lugares. 📚 Onde posso saber mais? Pode consultar o artigo oficial no site do Instituto Português de Relojoaria: https://www.institutoportuguesderelojoaria.pt/post/tempo-futuro-o-futuro-da-relojoaria-independente-em-portugal tal como o site oficial: ww.tempofuturo.pt – O Futuro da Relojoaria Independente em Portugal 🕰️ Por que “Tempo Futuro”? No seguimento do Salão de Relojoaria Vintage - Tempo Passado, surge o Tempo Futuro - Salão de Relojoaria Independente Portuguesa. O evento é um ponto de partida para um movimento independente que pretende dar voz a todos os que decidiram aventurar-se no mundo da relojoaria independente. 📸 Posso fotografar ou filmar? Sim, o público é convidado a partilhar imagens do evento nas redes sociais, identificando o @institutoportuguesderelojoaria e as marcas expositoras. #WorldWatchDay #TempoFuturo ☕ Há actividades paralelas? Durante todo o evento haverá: Exposição de relógios contemporâneos e históricos ; Momentos de convívio entre criadores e visitantes; Espaço dedicado às edições e cursos do IPR . 🧭 Como chegar ao Museu Medeiros e Almeida? O Museu situa-se a 5 minutos a pé da estação de Metro Marquês de Pombal , com fácil acesso por transportes públicos e estacionamento nas imediações . 🚗 Onde estacionar por perto? Para quem vier de carro, aqui ficam algumas opções próximas ao Museu: Parque Alexandre Herculano (Rua Mouzinho da Silveira) — estacionamento operado pela Telpark , aberto 24h, a poucos metros do museu. Parque Marquês de Pombal (Interparking) — entrada pela Av. da Liberdade, junto ao metro. Parque EMEL – Rua Castilho / Marquês de Pombal — público, de fácil acesso e com pagamento via app EMEL.
- Manifesto Les Tugas
MANIFESTO Les Tugas |||| LES TUGAS SOMOS TODOS NÓS Há sempre uma fronteira em tudo o que fazemos, em tudo o que somos. Somos o que habita o interior dessa fronteira. A fronteira de Portugal não é mais do que uma linha imaginária, tão imaginária como o próprio tempo. Também nós , fomos imaginados antes de nascermos, tal como Afonso Henriques imaginou Portugal antes de nascer. É urgente imaginar a relojoaria portuguesa. Se é esta a linha que nos define, que define o nosso país, que define tudo o que existe, então tudo o que existe resulta de tudo o que imaginamos. Antes de existirmos, não existíamos. Agora estamos aqui, tão reais como o nosso tempo. Um dia imaginámos o IPR: antes não havia IPR. Agora imaginámos um relógio: antes não havia este relógio. É contra a mordaça que é repetidamente instalada na capacidade de criar que nos movemos. Somos necessariamente educados para limitar a nossa imaginação, essa é uma necessidade incontornável, é preciso limitar a imaginação, tal como foi preciso limitar o nosso país. O limite da imaginação é a única coisa que a define. Sem esse limite voltamos todos à terra. A nossa pele cumpre a mesma função, limita-nos, mantém tudo o que nos compõe bem contido no nosso interior. O limite da imaginação é fundamental, contudo, o seu interior deve ser respirável, amplo como o interior de cada país. No mundo da relojoaria português tem existido mais amor ao próprio limite do que ao que ele limita. Este amor ao limite é quase religioso. Poder-se-ia pensar que essa fronteira nos daria uma identidade mais sólida. Mas sabemos bem que não tem sido assim. Quando o amor ao limite se torna absoluto, o que surge não é identidade, mas extremismo — amor ao extremo. O extremistas apresentam-se assim mesmo: os que amam o extremo, os que amam Portugal, as suas fronteiras, os que se amam a si mesmo como se fossem um país. É fácil seguir quem defende o amor ao limite, e por isso o extremismo tem crescido sem limites nos últimos tempos. A todos os que nos lêem: o extremismo não é amor — é medo. Medo de que o limite não resista, medo de que aquilo que existe para lá dessa linha — e que o extremismo procura ocultar — a quebre, nos invada e nos destrua. Nós não temos medo do limite, não temos medo das fronteiras do que somos, sabemos bem onde estão e confiamos nelas. É para nós evidente que a linha imaginária que define Portugal possui uma força que ultrapassa a própria fronteira. Somos bravos e não cedemos a extremismos. Não desperdiçamos tempo com medos, porque temos demasiado por realizar. Livres desse obstáculo, abrimos espaço para tornar fértil o terreno onde há-de florescer a relojoaria portuguesa. A falta de confiança no limite, condição de qualquer extremismo, seja ele destro ou canhoto, semeia medo e colhe ódio. Também não temos tempo a perder com o ódio, temos mesmo muito que fazer, muito que criar. Este é um manifesto sobre relojoaria portuguesa, esse limite não foi ultrapassado — estamos aqui para falar de relojoaria portuguesa —. E, curiosamente, parece haver hoje mais certezas sobre o que é a relojoaria do que sobre o que é português. Português é o que é Tuga. E — Tugas somos todos nós — todos os que confiam na linha imaginária que define Portugal, ao ponto de não sentirem necessidade de a vigiar constantemente. Não perder tempo com esse tipo de tarefas de evasão ao medo liberta-nos para criar. A capacidade de criar sempre foi pouco recomendada no mundo da relojoaria em Portugal. Contamos com muito poucos criadores de relojoaria. Acreditamos que tal tenha se deva a excesso de timidez. Parece uma palavra ligeira para um assunto tão central como este, mas acreditamos que se trate mesmo de: timidez. A timidez nasce do medo da invasão. Esse medo conduz ao extremismo, ao reforço e à vigilância constante do limite. Se o limite se rompe, o nosso conhecimento fica exposto. E, uma vez exposto, torna-se alvo de múltiplas opiniões — entre elas, inevitavelmente, algumas que possam concluir que está errado ou que é insuficiente. Por outro lado, quando se acredita no conhecimento adquirido, graças às provas dadas ao longo de muitos anos em trabalhos que não esteve ao alcance de mais ninguém executar, o medo já não é de falhar. Aqui o medo é que esse conhecimento, que sentimos como propriedade nossa seja roubado. É um medo mais extremo, mais paralisante. O extremismo destrói a imaginação e toda a capacidade de criar; sem imaginação, deixamos de existir. Se em Portugal não nos tornarmos criadores de relojoaria, ficaremos sempre à mercê de conhecimentos frágeis. No entanto, existem entre nós artesãos de habilidade extraordinária, capazes de produzir peças notáveis com recursos do século passado. A maioria vive dominada por um medo extremo: o de ver o seu conhecimento roubado e dessa forma a sua fonte de sustento. A presença de verdadeiros criadores de relojoaria é a única via para superar esse medo. Se um artesão acredita mais na sua capacidade do que no seu conhecimento, tem a certeza de que continuará a existir — muito para além da sua própria fronteira. Esta é a nossa observação sobre o que acontece dentro da linha imaginária que define o nosso país. Observamos e criticamos, cumprindo assim duas das atitudes mais frequentes na relojoaria. Só que não ficamos por aí. Fazemos o que é mais raro e mais exigente: construímos. Não nos limitamos a guardar o conhecimento, amedrontados no nosso canto. Criamo-lo e partilhamo-lo com todos. No Manual do Aprendiz de Relojoeiro (1927), o relojoeiro Francisco Barbosa já denunciava a dificuldade de acesso ao saber técnico, observando que os antigos mestres “ocultavam sistematicamente aos aprendizes” os seus conhecimentos, obrigando-os a aprender “só depois de muitas dificuldades e de grande perda de tempo”. No prefácio, o autor declara: PREFÁCIO O presente manual é destinado a elucidar as pessoas que pretendam estudar o início dos trabalhos técnicos de relojoaria. Não tem o autor outra pretensão ao apresentar este livro, senão a de auxiliar os novos, facilitando-lhes o que os antigos mestres ocultavam sistematicamente aos aprendizes, os quais só depois de muitas dificuldades e de grande perda de tempo conseguiam aprender alguma coisa de útil nesta arte. Com a sua prática de 25 anos está convencido de que este livro esclarecerá suficientemente aqueles que por curiosidade ou por necessidade se queiram entregar a trabalhos desta natureza. Lisboa, 1927. O autor — Francisco Barbosa, Manual do Aprendiz de Relojoeiro . Lisboa: Livraria Pacheco, 1928, p. 5. O Manual do Aprendiz de Relojoeiro , publicado por Francisco Barbosa em 1928, foi uma das obras que inspiraram a criação do Instituto Português de Relojoaria e da sua Escola de Relojoaria. Tal como Barbosa procurou democratizar o acesso ao saber técnico num tempo em que o conhecimento era reservado aos mestres, também nós fundámos uma escola para transmitir abertamente todo o conhecimento relojoeiro de que dispomos. Escrevemos diariamente sobre relojoaria há vários anos, enfrentando o desafio constante de seleccionar, entre uma imensidão de informação, aquilo que é realmente essencial e útil para todos. Hoje, tal como em 1927, acreditamos que o progresso da relojoaria depende da partilha do saber. É por isso que estamos a construir uma rede de serviços e competências que permitirá a todos concretizar as suas próprias criações relojoeiras. Criamos o que é necessário quando o que é necessário não existe. Sabemos que esta capacidade de criação assusta o extremismo, sentimo-lo na pele. Criar retira o propósito ao extremismo. A capacidade de criar é auto-regenerativa: transforma o conhecimento em algo infinito, impossível de ser contido nos extremos. Por esta razão não somos a favor de observar e criticar. Não criticamos nos meios de comunicação o estado de conservação dos relógios públicos, não criticamos as políticas sobre a medição do tempo, nem a falta de apoios seja para o que for. A crítica sem acção criativa é uma atitude de dependência infantil. É claro para nós que todos desempenham funções diferentes na sociedade. O papel profissional de alguns é observar e apontar o que está mal na relojoaria, como em tantos outros campos. Mas o papel de todos deve ser não permitir que a crítica se esgote num prazer estéril, quase sádico, sem qualquer intenção de contribuir para a melhoria daquilo que se critica. Criticar o estado dos relógios públicos, por exemplo, é útil: cumpre uma função de vigilância e de participação cívica, o que é um bom início, mas nunca deve ser um final. Pode ser sempre possível partilhar contactos, sugerir relojoeiros às entidades, angariar fundos, há um mundo de possibilidades que vão para além da simples crítica. Não devemos ficar estagnados na crítica. Temos plena consciência da sua necessidade e reconhecemos que, muitas vezes, é a própria crítica que antecede o início das acções criativas. Mas somos totalmente contrários à crítica pela crítica. Não fazemos disso a nossa vida. Aos que vivem apenas da crítica, lembramos: permanecer no átrio é nunca descobrir a casa inteira. Este movimento para lá da crítica define os portugueses que trabalham na indústria relojoeira em todo o mundo, sobretudo na Suíça. Eles são o expoente máximo da ideia de que Portugal vai muito para além das fronteiras que o delimitam. Não existem números oficiais sobre a quantidade de portugueses nas fábricas de relojoaria suíça, mas sabemos que somos a 3ª maior comunidade naquele país. Sabemos que muitos dos relógios feitos na Suíça são feitos por mãos portuguesas. Sabemos também que em Portugal existem várias fábricas de relojoaria, normalmente com pouca ou nenhuma identificação à porta. Dentro das fronteiras portuguesas, na zona do Porto, produzem-se componentes de movimentos, fazem-se polimentos e outros acabamentos de caixas, maquinam-se caixas de relógio em Aveiro, fabricam-se rubis no Fundão e correias em Castelo de Paiva. Não é difícil concluir que a melhor relojoaria do mundo nasce de mãos portuguesas — mãos que recebem salários pagos a partir da Suíça. Afinal, para que um relógio ostente a designação Swiss Made , basta que 60% dos custos de fabrico sejam gerados em território suíço. O movimento tem de ser suíço, o que significa o seguinte: pelo menos metade do valor das suas peças deve ter origem suíça e que 60% dos custos de fabrico do próprio movimento devem ser realizados na Suíça. O desenvolvimento técnico, incluindo o projeto e a prototipagem, deve ocorrer em território suíço. Por fim, o relógio tem de ser montado na Suíça e a sua inspeção final deve também ser feita no país. A lei que define o Swiss Made estabelece um limite baseado no valor e não no local onde cada peça é fabricada. O que deve, obrigatoriamente, decorrer em território suíço é apenas o desenvolvimento técnico: projecto e prototipagem, a montagem e a inspeção. Em Portugal não existe uma lei semelhante; se existisse, seria simples designar um relógio como “Portugal Made”. Não precisamos de uma indústria relojoeira instalada em território português para desenhar, montar e inspecionar relógios — esta é a perspectiva suíça. É a perspectiva do país que produz os melhores relógios mecânicos do mundo. Sejamos sinceros: se são mãos portuguesas que fabricam os melhores relógios mecânicos do mundo — muitas delas até em território português — então falta-nos apenas romper com o extremismo crítico que nos tem paralisado até hoje e começar, finalmente, a criar. Não se devem ouvir as vozes que dizem que nunca será possível produzir relojoaria fina em Portugal, pois, é não só em Portugal que ela é produzida como são as mãos portuguesas que a produzem, provavelmente em grande maioria na Suíça, na verdade. Não se devem ouvir vozes que dizem que a relojoaria é uma arte extinta, ela está bem viva e fala português. Não se devem ouvir vozes que dizem que não temos conhecimento técnico, temos todo o conhecimento necessário, e ainda nos sobra a criatividade. Não acreditamos que a qualidade de um relógio se possa associar ao país que apregoa produzi-lo. Estamos no mundo confiantes na nossa portugalidade, por isso, sem medo somos: — Les Tugas — Escolhemos esta expressão e utilizamo-la com um tom humorístico porque é esse o tom de quem não é um extremista amedrontado. Os melhores relógios costumam ser associados a países francófonos, mas muitos deles nascem, em grande parte, das mãos de Tugas, por isso somos todos Les Tugas . Os portugueses sempre souberam ser portugueses para além das suas próprias fronteiras. É a todos os que o são — firmes e confiantes na fronteira que os define como portugueses — que dedicamos este relógio. O Les Tugas é o relógio mais tuga de sempre, projectado e desenhado em Portugal, tem no seu interior um movimento ETA 2824, um dos mais confiáveis movimentos suíços, possivelmente resultado do trabalho de muitos portugueses tanto na Suíça como em Portugal. Este movimento foi alterado por nós com a remoção de algumas peças e adição de outras. Dentro de fronteiras produzimos: a correia, o vidro, a caixa, os próprios parafusos da caixa, os acabamentos da caixa e o mostrador. O mostrador é um gilt dial feito com técnicas manuais, com um banho de ródio e outro de prata. O resultado é o relógio mais português da história, mas é também a criação de uma rede de serviços de relojoaria que pode servir todas as marcas que virão. Oferecemos o conhecimento através da nossa escola e disponibilizamos a rede que montámos a todos os interessados em criar relojoaria portuguesa porque: Les Tugas — somos todos nós!
- Louis Erard Gravée Main
O Louis Erard Gravée Main é um novo marco da colecção Métiers d’Art da marca suíça Louis Erard, apresentado como uma edição limitada de 99 peças únicas. Cada relógio é integralmente gravado à mão, desde a caixa até à fivela, num processo artesanal que ultrapassa as 50 horas de trabalho. O resultado é um objecto singular, impossível de replicar por máquina, onde cada corte e cada curva carregam a marca individual do artista. A inspiração estética vem dos motivos florais barrocos do século XVIII, que contrastam com a arquitectura minimalista da caixa Noirmont em aço inoxidável de 42 mm. O mostrador em laca preta polida, com numerais romanos discretos e ponteiros em forma de pêra rodiados, reforça esse diálogo entre sobriedade e exuberância decorativa. O trabalho de gravação é realizado por Maksym Shavlak , relojoeiro e gravador ucraniano, reconhecido pela sua capacidade de transformar relógios antigos em peças contemporâneas. A sua intervenção não se limita à ornamentação: pretende dar voz ao metal, criando uma linguagem artística que une técnica, memória e identidade cultural. Nesta colaboração, a Louis Erard quis repensar o relógio em torno da gravação, concedendo-lhe protagonismo absoluto. Do ponto de vista técnico, o Gravée Main é equipado com o calibre automático Sellita SW261-1, de três ponteiros com pequenos segundos às 6h, frequência de 28.800 alternâncias/hora e reserva de marcha de cerca de 38 horas. Possui fundo em vidro de safira que permite observar a massa oscilante esqueleto com o símbolo da marca. A caixa, com 12,25 mm de espessura, é resistente à água até 50 metros e acompanha uma correia em pele de vitelo preta com sistema de troca rápida. O projecto integra a missão da Louis Erard de tornar as artes relojoeiras acessíveis a um público mais vasto, democratizando ofícios tradicionalmente reservados a peças inatingíveis. Desde 2021, a marca tem explorado técnicas como esmalte Grand Feu , guilhoché, marchetaria de madeira e, agora, gravação manual e incrustação em fio de ouro. Características técnicas Caixa Material : Aço Diâmetro : 42 mm Espessura : 12.25 mm Vidro : Safira Resistência à água : 50 metros Movimento Calibre : Sellita SW261-1 Diâmetro : 25.60 mm Espessura : 5.6 mm Rubis : 31 Frequência : 28.800 alt/h Reserva de marcha : 38 horas Correia Material : Pele Bezerro Cor : Preta Fivela : Aço Mais informações no site oficial da Louis Erard.
- HYT S1 5N Gold Titanium Red
O HYT S1 5N Gold Titanium Red é uma nova interpretação ousada da série S1, que introduz a intensidade do vermelho num conceito relojoeiro singular. A peça combina a já característica tecnologia fluídica da HYT com uma estética marcante, onde um líquido vermelho percorre o tubo capilar em vidro de borossilicato, funcionando como indicação retrógrada das horas. A mesma cor é usada no indicador de reserva de marcha, criando uma narrativa visual expressiva que se destaca sobre o fundo negro do mostrador. A caixa, com 45 mm de diâmetro, é construída em ouro 5N e titânio com revestimento DLC negro, oferecendo profundidade visual através do contraste de materiais e acabamentos acetinados. O mostrador esqueletizado revela o movimento mecânico de corda manual calibre 501-CM, composto por 352 elementos, frequência de 28.800 alternâncias/hora e reserva de marcha de 72 horas. A arquitectura aberta permite observar a complexidade técnica e o funcionamento das peças em movimento. O sistema fluídico é accionado por dois foles posicionados às 6 horas, inspirados na indústria aeroespacial, com paredes extremamente finas, que injectam os líquidos — um colorido e um transparente — no tubo capilar. O menisco, fronteira entre ambos, indica a hora. Um microcompensador térmico regula o volume dos líquidos para assegurar estabilidade e precisão perante variações de temperatura. O módulo fluídico, protegido por sete patentes, garante uma resistência à água dez mil vezes superior à de um relógio tradicional estanque a 10 atm. O mostrador apresenta ainda uma estrutura em favo de mel que suporta algarismos árabes rodiados, reforçando a identidade técnica e desportiva da linha. Os ponteiros, em ouro 5N galvanizado e acetinado, têm tratamento luminescente branco, assegurando legibilidade. O conforto no uso é assegurado pelas proporções equilibradas (45,30 × 17,20 mm), pela ergonomia da caixa e pela fixação angular das correias, que melhoram a estabilidade no pulso. O relógio é entregue com duas braceletes, uma em borracha antracite e outra com velcro preto, ambas com fecho em titânio DLC com acabamentos acetinados e microjateados, e integra um sistema de troca rápida. Características técnicas Caixa Dimenssões : 45.30 x 46.30 x 17.20 mm Espessura : 17.20 mm Material : Ouro 5N e DLC preto titânio Vidro : Safira Resistência à água : 50 metros Movimento Calibre : 501-CM Número de peças : 352 Frequência : 28.800 alt/h Rubis : 41 Reserva de marcha : 72 horas Bracelete Material : Borracha ou Velcro Cor : Preta antracite Fivela : Titânio DLC preta Mais informações no site oficial da HYT.
- Guebly CH1 Rétrograde
A Guebly, jovem casa relojoeira independente suíça fundada pela paixão de um coleccionador, apresentou a sua segunda criação: o CH1 Rétrograde. Um ano após o lançamento do seu primeiro relógio, o Prologue, a marca reafirma o seu compromisso com uma relojoaria contemporânea, rara e profundamente artesanal. O novo modelo combina elegância, sofisticação técnica e um elevado nível de acabamento, dirigido a conhecedores exigentes. O desenho foi integralmente repensado por Éric Giroud, que concebeu uma caixa em titânio grau 5 com 23 facetas e proporções renovadas, conferindo-lhe uma silhueta moderna, arquitectónica e equilibrada. O mostrador, em prata maciça, é totalmente guilhoché à mão por Bernard Van Ormelingen, com um motivo inspirado nas dunas do deserto e é complementado por uma aplicação em ouro branco com esmalte Grand Feu champlevé, realizada por Maëlle Constant, integrando a complicação de segundos retrógrados às 6h sobre um arco de 120°, que regressa à posição inicial a cada 30 segundos. No coração do relógio encontra-se o calibre automático 21.31, desenvolvido por Sylvain Pinault (Horocraft) e Christophe Beuchat, dotado de micro-rotor em ouro 5N e platinas e pontes em titânio grau 5 – uma escolha invulgar na Alta Relojoaria. O movimento, com 217 componentes e 70 horas de reserva de marcha, apresenta acabamentos manuais de elevado rigor: perlage, microgranulação, anglage, polimentos espelhados e oito ângulos internos executados à mão. O peso total da peça é de apenas 59 g. O conjunto é complementado por uma correia em pele de bezerro azul com forro em borracha, sistema de troca rápida e fecho em titânio, garantindo conforto e versatilidade no uso quotidiano. Resistente à água até 100 metros, o CH1 Rétrograde mantém-se fiel à filosofia da marca: criar relógios pensados para serem usados todos os dias, sem abdicar da exclusividade nem da excelência artesanal. Características Técnicas Caixa Material : Titânio grau 5 Diâmetro : 42 mm Espessura : 10.56 mm Resistência à água : 100 metros Vidro : Safira Fundo : Vidro Safira Movimento Calibre : 21.31 Diâmetro : 36.6 mm Espessura : 7 mm Reserva de marcha : 70 horas Frequência : 28.800 alt/h Rubis : 35 Componentes : 217 Correia Material : Pele bezerro Cor : Azul Fivela : Titânio Mais informações no site oficial da Guebly.













