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12 de Outubro

há 14 horas
8 min de leitura

O dia em resumo


Em Lisboa, a Oficina de Pequenos Relojoeiros do Instituto Português de Relojoaria encheu a tarde de sábado no Museu Medeiros e Almeida, no Dia Mundial do Relógio.


A grande notícia da indústria chegou a 8 de outubro: a Movado Group vende 95% da Ebel a um grupo liderado pela F.P. Journe, com a participação da Chanel. Em Nova Iorque, um Kari Voutilainen 28Sport de aço ultrapassou o milhão de dólares na venda online da Phillips.


Nos lançamentos, a Atelier de Chronométrie apresentou o AdC16, o seu primeiro cronógrafo simples, a Angelus estreou um cronógrafo monopulsor com escala taquimétrica e a Raymond Weil assinalou os 50 anos com o Freelancer World-Traveller.


Pequenos relojoeiros enchem a tarde no Museu Medeiros e Almeida


Relógio mecânico de mesa da Oficina de Pequenos Relojoeiros do IPR no Museu Medeiros e Almeida
Relógio mecânico de mesa com caixa transparente, rodas coloridas, pêndulo e campainha, igual aos que as crianças montaram na Oficina de Pequenos Relojoeiros. © IPR

O Instituto Português de Relojoaria e o Museu Medeiros e Almeida receberam no sábado, 10 de outubro, Dia Mundial do Relógio, «O Tempo que nos Liga: Oficina de Pequenos Relojoeiros». A oficina decorreu entre as 14h e as 19h, numa das salas de azulejos do museu, e integrou o Festival Conecta – O Nosso Bairro, promovido pelo ACP – Automóvel Club de Portugal a 9 e 10 de outubro.


Cada criança, acompanhada por um adulto, recebeu um relógio mecânico de mesa com caixa transparente, rodas coloridas, pêndulo e campainha. Abriram-se caixas, separaram-se peças e aprendeu-se a função de cada uma, até o relógio trabalhar. A montagem fez-se a pares, passo a passo, para que uma criança ajudasse a outra, com o guia «Monta o teu relógio», escrito em português e com os termos técnicos corretos.


O percurso é o de qualquer relógio mecânico: a energia acumulada passa pelo trem de rodas até ao escape, que a liberta em impulsos regulares, e o pêndulo, ao oscilar, impõe a cadência. Com a caixa transparente, esse caminho deixa de ser abstrato: vê-se cada roda a transmitir o movimento à seguinte.


Crianças a montar relógios na Oficina de Pequenos Relojoeiros do IPR
Crianças e adultos à mesa de trabalho, numa das salas de azulejos do Museu Medeiros e Almeida. © IPR

Segundo o IPR, foram cinco horas seguidas de atividade, com excelente recetividade de miúdos e graúdos. Cada participante levou ainda o Almanaque do Tempo, um caderno de 24 páginas com jogos de recortar e dobrar, sopas de letras, palavras cruzadas, a história dos relógios e lugares ligados ao tempo para visitar em Portugal.


O IPR volta ao calendário a 28 de novembro, com a feira de relógios antigos Tempo Passado, no Hotel Jupiter, e a 19 de dezembro, quando o salão de relojoaria independente Tempo Futuro regressa ao Museu Medeiros e Almeida.


Saiba mais no site do IPR.


F.P. Journe e Chanel compram 95% da Ebel


Ebel 1911 Chronograph com mostrador azul-gelo
Ebel 1911 Chronograph com mostrador azul-gelo, uma das coleções atuais da marca de La Chaux-de-Fonds. © Ebel

A Movado Group anunciou a 8 de outubro um acordo para vender 95% da Ebel por 66,5 milhões de dólares, sujeitos aos ajustamentos habituais, a um grupo liderado pela Montres Journe SA, a empresa de François-Paul Journe, com a participação da Chanel. Pierre Jacques, antigo diretor-executivo da De Bethune, integra o grupo comprador e passa a dirigir a Ebel. A Movado conserva 5% e assegura serviços de transição.


As marcas, a restante propriedade intelectual, o inventário e outros ativos da Ebel passam para uma nova filial suíça, incluindo a Villa Turque, a casa que Le Corbusier desenhou em La Chaux-de-Fonds. A conclusão da operação está prevista para os próximos meses.


Fundada em 1911 em La Chaux-de-Fonds por Eugène Blum e Alice Lévy, cujas iniciais formam o nome, a Ebel viveu o auge nos anos 70 e 80, sob Pierre-Alain Blum, quando também fabricou relógios para a Cartier sob licença. Passou pela Investcorp em 1994 e pela LVMH em 1999, antes de ser comprada pela Movado em 2003.


A Chanel, acionista da F.P. Journe, tem vindo a reunir participações em manufaturas e relojoeiros independentes. A Ebel é, porém, uma marca de outra escala, com a coleção assente no Sport Classic. François-Paul Journe resumiu a sua abordagem numa fórmula: «o produto, o produto, o produto». O papel que a manufatura genebrina terá no desenvolvimento dos futuros relógios da Ebel ainda não foi detalhado.


Saiba mais no site da Movado Group.


Kari Voutilainen 28Sport de aço ultrapassa o milhão de dólares na Phillips


Kari Voutilainen 28Sport em aço, lote 22 da Phillips New York
Kari Voutilainen 28Sport em aço, número 5 de 8: centro do mostrador em ónix negro, escala das horas guilhochada em azul-marinho e índices cor de laranja. Vendido por 1 016 000 dólares. © Phillips

A venda online The New York Sessions Fall 2026, da Phillips, aberta a 1 de outubro, encerrou a 9 de outubro com 88 lotes. O destaque foi o lote 22, um Kari Voutilainen 28Sport em aço, número 5 de uma série de oito, de cerca de 2021. Estimado entre 120 000 e 240 000 dólares, foi vendido por 1 016 000 dólares, com comissões, mais de oito vezes a estimativa mínima.


Apresentado em 2020, o 28Sport é a leitura desportiva de Voutilainen: caixa de aço de 39 mm, centro do mostrador em ónix negro, escala das horas guilhochada em azul-marinho e índices cor de laranja com Super-LumiNova. A série de aço teve oito exemplares, a que se juntou outra de oito em titânio.


O calibre 28, de corda manual, reúne as soluções técnicas da casa: um balanço de grandes dimensões, uma espiral com curva terminal Phillips e curva interior Grossmann, e um escape de impulso direto com duas rodas de escape. Neste escape, as duas rodas, engrenadas entre si, dão o impulso diretamente ao balanço, alternadamente, o que reduz o atrito de deslizamento próprio da âncora suíça clássica e a dependência da lubrificação.


A F.P. Journe também esteve em evidência: o Octa Lune (lote 4) e o Sport Centigraphe Souverain (lote 40) chegaram aos 304 800 dólares cada, mais do dobro do limite superior da estimativa, e o Octa Quantième Perpétuel (lote 55) foi vendido por 241 300 dólares.


Saiba mais no site da leiloeira.


Atelier de Chronométrie apresenta o AdC16, o seu primeiro cronógrafo simples


Atelier de Chronométrie AdC16 Chronograph em aço e ouro amarelo
AdC16 Chronograph: caixa de 36 mm em aço e ouro amarelo, mostrador negro galvânico e dois contadores. © Atelier de Chronométrie, via Monochrome

A Atelier de Chronométrie, oficina fundada em Barcelona e hoje sediada em Andorra, apresentou a 9 de outubro o AdC16, o seu primeiro cronógrafo sem segundos rattrapante. Os cronógrafos anteriores da casa, AdC8, AdC17 e AdC99, eram todos de ponteiros desdobráveis.


O calibre S440 parte de um Valjoux 23, um cronógrafo clássico de corda manual com roda de colunas e embraiagem horizontal, mas profundamente refeito: a maioria das pontes e muitos componentes foram redesenhados e feitos à mão na oficina. Trabalha a 18 000 alternâncias por hora, tem 20 rubis e 52 horas de reserva de marcha.


Há três alterações de fundo. O contador de minutos passou a ser instantâneo: em vez de avançar de forma arrastada nos últimos segundos de cada minuto, salta de uma vez quando o ponteiro central completa a volta, o que torna a leitura inequívoca. O balanço é novo, com massas de regulação (masselottes), que permitem afinar a marcha alterando a inércia, sem mexer no comprimento ativo da espiral. E o escape foi melhorado.


O acabamento segue a tradição: pontes e platina paladiadas e foscadas, peças de aço polidas a negro, anglage feito à mão, escareados polidos e rubis do cronógrafo sobredimensionados.


A caixa, de estilo Calatrava, mede 36 mm, com carrura de aço e luneta, fundo, coroa e botões em ouro amarelo de 18 quilates, e safira à frente e atrás. O mostrador negro galvânico tem algarismos árabes aplicados em ouro, pequenos segundos guilhochados e as iniciais do cliente. É uma peça única encomendada; o mesmo calibre admite outras personalizações, com preços entre 140 000 e 150 000 euros.


Saiba mais no site da marca.


Angelus estreia cronógrafo monopulsor com escala taquimétrica


Angelus Chronographe Tachymètre monopulsor
Chronographe Tachymètre de 37 mm, com o botão do cronógrafo integrado na coroa e escala taquimétrica de base 1000. © Angelus

A Angelus apresentou a 9 de outubro o Chronographe Tachymètre, nova peça da coleção La Fabrique, que reinterpreta relógios da marca dos anos 30 a 50. Sucede ao Chronographe Télémètre de 2025 e troca a escala telemétrica por uma escala taquimétrica.


Um único botão, integrado na coroa estriada às 3 horas, comanda o arranque, a paragem e o retorno a zero. A solução limpa o perfil da caixa, mas impõe um ciclo fixo: depois de parado, o cronógrafo tem de voltar a zero antes de uma nova contagem, sem possibilidade de somar tempos parciais.


O calibre A5000, de corda manual, é produzido pela La Joux-Perret, empresa irmã da Angelus. Segundo a Monochrome, descende do movimento THA desenvolvido no fim dos anos 80, mais tarde conhecido como Cartier 045MC, do Tortue Monopoussoir de 1999. Tem roda de colunas e embraiagem horizontal com pinhão oscilante, 23 rubis, 21 600 alternâncias por hora (3 Hz) e 42 horas de reserva de marcha, e mede 24 mm de diâmetro por 4,2 mm de altura.


A caixa tem 37 mm por 9,25 mm, é estanque a 30 metros e usa vidro de safira abaulado e fundo de safira. Há três edições limitadas: ouro amarelo com mostrador dourado e verde, 15 exemplares, a 34 600 francos suíços; aço com mostrador rosa-coral e cinzento, 30 exemplares; e aço com centro cinzento-pérola e contadores azul-petróleo, 50 exemplares, estas duas a 18 500 francos suíços.


Saiba mais no site da marca.


Raymond Weil assinala 50 anos com o Freelancer World-Traveller


Raymond Weil Freelancer World-Traveller 2762-STC-02026
Freelancer World-Traveller, referência 2762-STC-02026: caixa de aço de 40 mm, mapa-mundo cor de champanhe sobre azul-noite e luneta giratória com 24 cidades. © Raymond Weil

A Raymond Weil apresentou a 10 de outubro o Freelancer World-Traveller (referência 2762-STC-02026), edição de 260 exemplares que assinala os 50 anos da casa, fundada em Genebra em 1976, e o centenário do nascimento do fundador, Raymond Weil.


O relógio junta duas formas de ler outros fusos horários. Um ponteiro GMT de 24 horas, acertado pela coroa em saltos de uma hora e independente das horas locais, indica um segundo fuso. A luneta giratória com 24 cidades, alinhada com o anel das 24 horas, permite ler de relance a hora de qualquer uma delas e distinguir o dia da noite.


O calibre RW3230 tem por base o Sellita SW330-2, a versão GMT do SW300, e trabalha a 28 800 alternâncias por hora (4 Hz), com 56 horas de reserva de marcha.


O mostrador azul-noite recebe um mapa-mundo cor de champanhe, inspirado na projeção de Mercator e obtido por estampagem e texturização a laser, com a assinatura manuscrita de Raymond Weil. A caixa de aço mede 40 mm por 10,25 mm, é estanque a 50 metros e tem fundo de safira aparafusado. O preço é de 4395 euros.


Saiba mais no site da marca.


O que merece atenção


A venda da Ebel junta-se a uma tendência visível nos últimos anos: casas com capital e prestígio a comprar marcas históricas, com nome e arquivo, em vez de criarem marcas de raiz. A questão em aberto é que relógios a Ebel fará sob a nova direção, a que preço e com que contributo técnico da F.P. Journe.


O resultado do 28Sport confirma, por seu lado, que os relojoeiros independentes de produção mínima continuam a ser o segmento mais disputado em leilão, mesmo numa venda online e com um relógio recente. Nos lançamentos, há um traço comum: a AdC16 e a Angelus recorrem a calibres de cronógrafo com décadas de história, refeitos ou reconstruídos, em vez de novos movimentos de raiz.


A próxima data a reter é a cerimónia do Grande Prémio da Relojoaria de Genebra (GPHG), a 7 de novembro.


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