
15 de Outubro
O dia em resumo
Em Hong Kong, a Jaeger-LeCoultre abriu a primeira exposição do programa The Collectibles, com dez relógios antigos restaurados à venda — entre eles um Triple Calendar de 1949 com os dias e os meses escritos em português.
A Jaquet Droz estreia-se no TimeForArt, o leilão solidário que a Phillips realiza a 5 de Dezembro em Nova Iorque, com uma peça única de esmalte desenhada por uma estudante da Académie de Meuron.
Nos lançamentos, a Minerva leva um camafeu de ágata ao Exo Tourbillon esqueletizado, a Czapek veste de verde e ouro amarelo o Antarctique Tourbillon, o MING e a Massena LAB põem o mostrador em movimento e a Mido certifica o Multifort TV Big Date como cronómetro.
Jaeger-LeCoultre leva a Hong Kong a primeira exposição de The Collectibles

A Jaeger-LeCoultre apresentou a sétima cápsula de The Collectibles, o programa com que a manufatura do Vale de Joux procura, restaura e volta a vender relógios antigos da sua própria produção. Pela primeira vez, a apresentação toma a forma de exposição: está aberta até 19 de Outubro no primeiro andar da Chater House, no bairro de Central, em Hong Kong, com entrada livre.
A exposição reúne 16 peças — oito modelos de meados do século XX e oito interpretações contemporâneas dos mesmos desenhos —, organizadas em quatro temas: Duoplan, Reverso, Memovox e Precision. Há demonstrações de restauro ao vivo, com azulagem manual de ponteiros e polimento de pivôs, e duas conversas com a equipa de produto e património da marca.
Os dez relógios da cápsula estão à venda desde 13 de Outubro, cada um acompanhado de um extrato dos arquivos da manufatura. Entre eles estão um Duoplan Chain de 1955, um Duoplan Tubogas de 1949 com mostrador escondido, um Reverso Cordonnet de 1931 em aço, com calibre da Tavannes, os Reverso Platinum Number 1, de 2001, e Number 2, de 2003, este com turbilhão, um Futurematic E502 de 1958 e um Memovox Parking do mesmo ano, cujo alarme se programa entre 30 e 120 minutos.
Para o leitor português, a peça mais curiosa é o Triple Calendar de 1949: caixa de ouro rosa com asas em forma de gota e discos de dia e de mês em português, feitos para clientes de língua portuguesa.

A exposição serve também de estreia mundial ao Calibre 101 Chain, uma bracelete rígida de ouro rosa com 158 diamantes de talhe brilhante e 36 faixas de Hyceram preto, um compósito cerâmico polido, em torno de um pequeno mostrador lacado a preto. No centro está o Calibre 101, que a marca apresenta como o mais pequeno movimento mecânico retangular de corda manual do mundo: 14 mm de comprimento, 4,8 mm de largura e 3,4 mm de espessura, para cerca de um grama.
As dimensões e a arquitetura do calibre não mudaram desde 1929. Tal como nos Duoplan, os órgãos repartem-se por dois planos — o escape num nível, o tambor e a rodagem noutro —, o que permite instalar um balanço proporcionalmente maior num movimento tão estreito. A versão atual, a quinta geração, tem 98 componentes, trabalha a 21 600 alternâncias por hora (3 Hz) e oferece 33 horas de reserva de marcha. A montagem de cada calibre demora 40 horas, e a produção limita-se a algumas dezenas de peças por ano.
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Jaquet Droz cria uma peça única de esmalte para o TimeForArt

A Jaquet Droz participa pela primeira vez no TimeForArt, o leilão solidário que se realiza de dois em dois anos em Nova Iorque. A marca entrega uma peça única, o Petite Heure Minute Les Volumes du Temps, que vai à praça a 5 de Dezembro no The New York Watch Auction XV da Phillips, com uma estimativa de 100 000 a 150 000 francos suíços. A receita reverte para o Swiss Institute, centro de arte contemporânea suíça instalado em Nova Iorque, em apoio a jovens artistas.
O mostrador foi desenhado por Fiona Djukanovic, estudante da Académie de Meuron, a escola de artes visuais de Neuchâtel que a marca apoia há cerca de dois anos. A composição é geométrica: um grande X atravessa o mostrador, os minutos ficam em cima e as horas em baixo, e o esmalte forma volumes inclinados que só puderam ser polidos à mão.
A técnica combina três tradições. O esmalte grand feu é cozido a alta temperatura; no champlevé, o metal é escavado e as cavidades são preenchidas com esmalte; no flinqué, um esmalte translúcido cobre uma gravura feita à mão, que continua visível por baixo. Duas placas triangulares em relevo recebem gravura raiada, e 40 pequenos paralelepípedos dispostos como ladrilhos são polidos rente depois da cozedura.
A caixa de ouro branco de 18 quilates mede 41 mm de diâmetro e 13,78 mm de altura. O calibre automático JD2653.SI, com módulo herdado do Ophidian Hour para a indicação por discos, trabalha a 4 Hz e tem 68 horas de reserva de marcha.
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Minerva grava um camafeu de ágata no Exo Tourbillon esqueletizado

A Minerva apresentou o Exo Tourbillon Skeleton Limited Edition 18, uma série de 18 exemplares com caixa de ouro rosa de 18 quilates e 44,8 mm de diâmetro. O número lembra 1858, ano de fundação da manufatura de Villeret, e aparece em numeração romana — XVIII — numa placa às 4 horas.
O mostrador é um camafeu em duas partes. A base é de ágata azul, polida e recortada; por cima, um disco de ágata branca é rebaixado e texturado a laser, gravado à mão e terminado por um pintor de miniaturas, até mostrar o perfil da deusa Minerva, inspirado em publicidade antiga da casa. É também a primeira vez que um Exo Tourbillon recebe a luneta canelada, assinatura da Minerva desde 1927.
O calibre de corda manual M18.69, com 188 componentes, é uma evolução do Exo Tourbillon apresentado em 2010. «Exo» indica que o balanço fica fora da gaiola, montado por cima dela. Ao tirá-lo do interior, a gaiola e o escape rotativo podem ser mais pequenos, enquanto o balanço ganha diâmetro, massa e 18 parafusos de regulação — mais inércia e uma afinação mais fina, dois fatores que favorecem a precisão. O preço desta solução está na montagem: o eixo do balanço exige tolerâncias de 5 mícrones (0,005 mm), um ajuste feito à mão em Villeret, e o conjunto é segurado por uma ponte de balanço com um só braço.
A esqueletização reduz o movimento a poucas linhas, com mais de 400 ângulos interiores biselados e polidos à mão (anglage). A estrutura em redor do turbilhão, revestida a ouro rosa, recebe um friso romano, e o nome Minerva surge gravado e preenchido a laca azul no topo da gaiola. A bracelete de crocodilo azul-persa fecha com um fecho de báscula de ouro rosa.
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Czapek veste o Antarctique Tourbillon de verde e ouro amarelo

A Czapek revelou a 14 de Outubro o Antarctique Tourbillon Victory Green, uma série numerada de dez exemplares que nasceu de uma encomenda particular. A caixa de ouro amarelo 2N de 18 quilates mede 40,5 mm de diâmetro e 11,5 mm de altura, tem vidros de safira abaulados dos dois lados e prolonga-se numa bracelete integrada do mesmo metal.
O mostrador verde-floresta usa o guilhoché Singularité, padrão criado pela Czapek com a Metalem sobre uma base de Secret Alloy tratada a PVD. O calibre 9, o primeiro movimento da marca concebido, construído e em grande parte maquinado internamente, alinha o tambor, a rodagem e o turbilhão voador num mesmo eixo vertical, do lado do mostrador. Por ser voador, o turbilhão não tem ponte superior: a gaiola convexa de titânio fica inteiramente à vista. No verso, a massa oscilante é de ouro 5N gravado à mão.
O preço anunciado é de 98 000 francos suíços, sem IVA, com a bracelete de ouro. O relógio é mostrado aos colecionadores na WatchTime New York, de 16 a 18 de Outubro.
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MING e Massena LAB põem o mostrador em movimento

O MING e a Massena LAB apresentaram o LAB 57.09 Secret Honey, limitado a 125 exemplares, por 7250 francos suíços antes de impostos. As encomendas abrem hoje, 15 de Outubro, às 14h00 de Lisboa, apenas no site do MING.
Sobre um mostrador castanho-escuro lacado giram três discos de safira empilhados, cada um com a sua cor e o seu padrão de aberturas, que completam uma volta em 24 horas, 12 horas e 60 minutos. À medida que as aberturas se sobrepõem, o desenho muda continuamente — o efeito a que a marca chama dynamic guilloché, embora se trate de um efeito ótico e não de uma superfície gravada. As horas e os minutos, cor de mel, estão nos discos de 12 horas e de 60 minutos, pelo que a cor só se revela com o movimento.
O calibre automático MING 330.M2, de base Sellita, trabalha a 4 Hz e tem cerca de 50 horas de reserva de marcha. Partilha a arquitetura do SW330 GMT, o que explica a existência de um disco de 24 horas. A caixa de titânio de grau 5 mede 40 mm de diâmetro e 10,17 mm de espessura, com estanquidade a 100 m, e as asas escalonadas combinam três tons: titânio natural, TiN, com aspeto de ouro amarelo, e TiSiN, com aspeto de ouro rosa.
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Mido certifica o Multifort TV Big Date como cronómetro

A Mido juntou a certificação de cronómetro do COSC ao Multifort TV Big Date. A nova referência M049.567.11.041.00 mantém a caixa de aço em forma de televisor, de 39,2 por 40 mm, com estanquidade a 100 m, e o mostrador azul raiado com padrão quadriculado e grande data.
O movimento é o Calibre 80, de base ETA C07.651, com 21 600 alternâncias por hora e 80 horas de reserva de marcha. A frequência de 3 Hz, mais baixa do que os habituais 4 Hz, gasta menos energia e ajuda a prolongar a reserva. A espiral Nivachron, uma liga à base de titânio pouco sensível aos campos magnéticos e às variações de temperatura, contribui para cumprir os critérios do COSC, que testa cada movimento durante 15 dias, em cinco posições e a três temperaturas. O preço anunciado nos Estados Unidos é de 1650 dólares.
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O que merece atenção
The Collectibles mostra como as grandes manufaturas passaram a tratar o próprio património como atividade comercial: procurar, restaurar, documentar com extratos de arquivo e revender peças antigas com a garantia da casa. A passagem ao formato de exposição, com restauro ao vivo, aproxima o programa de um museu itinerante, e a escolha de Hong Kong aponta para os colecionadores asiáticos.
Nova Iorque concentra as atenções nos próximos dias: a WatchTime New York e a Windup decorrem de 16 a 18 de Outubro, e a Czapek leva para lá o novo Antarctique. Em Dezembro, a cidade recebe o TimeForArt. Vale a pena acompanhar se as peças únicas criadas com escolas de arte, como a da Jaquet Droz, se tornam um formato habitual destes leilões.




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