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16 de Outubro

há 15 horas
6 min de leitura

O dia em resumo


Nova Iorque tem, de hoje até domingo, três salões de relojoaria a poucos quarteirões uns dos outros: o Windup Watch Fair, o WatchTime New York e o The HYPE NYC.


Nos lançamentos, a Urwerk apresenta o UR-300 Time Quantum, com horas errantes que saltam 72 graus no fim de cada hora; a Arnold & Son junta a paragem de segundos aos segundos mortos do DSTB; a Hublot reedita em ouro o seu relógio de 1980; a Hermès dá duas novas cores ao H08 de fibra de vidro; e a IWC dedica um cronógrafo de aviador ao Ano da Cabra.


Nova Iorque recebe três salões de relojoaria no mesmo fim de semana


Visitantes entre os expositores do Windup Watch Fair em Nova Iorque
O Windup Watch Fair na edição nova-iorquina de 2024. A edição de 2026 decorre de 16 a 18 de Outubro no Center415, na Quinta Avenida, com entrada livre. © Worn & Wound / Windup Watch Fair

De hoje, 16 de Outubro, até domingo, Nova Iorque tem três salões de relojoaria em Midtown Manhattan, a poucos quarteirões uns dos outros.


O Windup Watch Fair, organizado pela Worn & Wound, ocupa o Center415, na Quinta Avenida, com entrada livre. É o salão das microbrands e das marcas de preço acessível, mas recebe também casas maiores: Bremont, Christopher Ward, Oris e Bulova estão entre os expositores, e várias marcas aproveitam o fim de semana para mostrar protótipos ao público.


O WatchTime New York chega à 11.ª edição na Gotham Hall, na Broadway, com 48 marcas e entrada paga. É aqui que se concentra a alta relojoaria: a Kudoke estreia o Kudoke 3 Raspberry, a Voutilainen mostra o 28MPR, a Piaget o Polo Minute Repeater, limitado a cinco exemplares, e a Ressence o Type 11. A Urwerk leva o UR-150 Golden Scorpion, a MB&F o SP One Pavée e a Parmigiani Fleurier o Tonda PF Chronographe Mystérieux.


O terceiro encontro, The HYPE NYC, instala-se no Draper Hotel, na West 37th Street, também com entrada livre, e é dedicado a independentes de menor dimensão, como Sartory Billard, Ollech & Wajs, Minase ou Carl Suchy & Söhne.


A proximidade das três salas permite ao visitante passar, a pé e na mesma tarde, das microbrands à alta relojoaria independente — uma concentração pouco habitual num só fim de semana.


Urwerk reorganiza as horas errantes no UR-300 Time Quantum


Urwerk UR-300 Time Quantum
O UR-300 Time Quantum. © Urwerk

Urwerk UR-300 Time Quantum em titânio
Urwerk UR-300 Time Quantum, com caixa de titânio de grau 5 de 45,2 × 58,8 mm e indicação das horas por módulos e prismas rotativos. © Urwerk

A Urwerk apresentou o UR-300 Time Quantum, uma nova interpretação das horas errantes. Em vez do habitual carrossel de satélites, o mostrador tem uma armação em T que transporta dois módulos de horas, com quatro prismas rotativos de três faces onde estão os algarismos.


A hora corrente desloca-se ao longo de uma escala curva de 0 a 60 minutos, que cobre 108 graus. Quando muda a hora, a armação salta e roda 72 graus, e os prismas reposicionam-se para mostrar o novo algarismo.


Os 108 graus resultam de dois movimentos opostos. Um braço fabricado pelo processo LIGA avança 180 graus por hora e, através de uma mola, arrasta uma cremalheira; em simultâneo, um came fixo de grandes dimensões obriga a cremalheira a recuar 72 graus por hora. A diferença, 108 graus, corresponde ao arco da escala de minutos, e ao longo desse percurso a mola vai acumulando energia. No fim da hora, a cremalheira sai do perfil do came e liberta de uma só vez os 72 graus acumulados, que fazem saltar a armação. É o princípio das horas saltantes, aplicado a uma indicação que também avança de forma contínua.


Esquema do mecanismo de horas do Urwerk UR-300
Esquema técnico do sistema de indicação das horas do UR-300 Time Quantum. © Urwerk

A solução tem um compromisso. Acertar a hora para trás desengata o seguidor do came: é preciso rodar a coroa para trás até ouvir o clique de reengate e só depois para a frente; caso contrário, o mostrador não salta na hora seguinte.


O calibre automático UR-30.01 trabalha a 4 Hz e assenta numa base Vaucher, que substitui os Zenith Elite usados em modelos anteriores da marca, com o módulo de indicação da Urwerk e as Dual Flow Turbines, o sistema patenteado que amortece o enrolamento automático. A caixa tem 18,25 mm de altura e existe em titânio à vista e na versão AlTiN, com revestimento aplicado por PE-CVD, cada uma em 25 exemplares, a 168 000 francos suíços sem impostos.


Saiba mais no site da marca.


Arnold & Son junta a paragem de segundos ao DSTB


Arnold & Son DSTB Stop-Seconds em ouro vermelho
DSTB Stop-Seconds em ouro vermelho 5N, com mostrador Cliff Grey e o mecanismo de segundos mortos visível do lado do mostrador. © Arnold & Son

A Arnold & Son acrescentou ao DSTB a paragem de segundos: ao puxar a coroa, o ponteiro de segundos imobiliza-se, o que permite acertar o relógio ao segundo.


O DSTB tem segundos mortos, também chamados true seconds. Num movimento a 4 Hz, o ponteiro de segundos avança normalmente em oito pequenos passos por segundo; aqui avança uma única vez, num salto seco. O mecanismo está montado do lado do mostrador, sob três pontes de ouro vazadas, com uma alavanca azulada em forma de âncora, numa homenagem aos cronómetros de John Arnold.


As duas funções completam-se. Um ponteiro que salta de segundo em segundo só serve para acertar a hora com exatidão se puder ser parado no ponto certo — como se fazia com os cronómetros de marinha, sincronizados com um sinal horário.


O calibre automático A&S6303 trabalha a 4 Hz, com 32 rubis e 55 horas de reserva de marcha. As horas e os minutos estão num submostrador de opala às 4 horas. A caixa, de 42 mm e 12,95 mm de altura, existe em ouro vermelho 5N com mostrador Cliff Grey e em platina com mostrador Kingsand, cada uma limitada a 18 exemplares, a 46 000 e 56 800 francos suíços, respetivamente, com IVA.


Saiba mais no site da marca.


Hublot regressa a 1980 com o Classic Fusion Tributo


Hublot Classic Fusion Tributo em ouro
Classic Fusion Tributo de 38 mm, com luneta de parafusos em forma de H e a assinatura MDM às 6 horas. © Hublot

A Hublot reeditou o relógio com que a marca nasceu, apresentado em 1980 por Carlo Crocco com a assinatura MDM: caixa de ouro, luneta aparafusada e bracelete de borracha preta, uma combinação pouco ortodoxa num relógio de luxo da época.


O Classic Fusion Tributo mantém o desenho e muda o motor. O movimento de quartzo do original dá lugar ao calibre automático HUB1711, produzido pela Zenith a partir do Elite 670, a 4 Hz e com 60 horas de reserva de marcha. A caixa cresce 2 mm, para 38 mm, com 9,5 mm de altura, coroa de rosca e estanqueidade a 100 metros. Os 12 parafusos de titânio da luneta têm agora a forma de H, a mesma do contrapeso do ponteiro de segundos.


Há duas versões, sem edição limitada: ouro amarelo com mostrador lacado preto mate e ouro branco com mostrador de ónix polido, ambas a 25 000 francos suíços. A marca deixou de fora o sistema One Click de troca rápida da bracelete, para ficar mais próxima do original, e vai doar 100 000 francos suíços à Fondazione Main dans la Main, de Carlo Crocco.


Saiba mais no site da marca.


Hermès e IWC: novas cores para o H08 e um cronógrafo para o Ano da Cabra


Hermès H08 em fibra de vidro
Hermès H08 com caixa de compósito de fibra de vidro entrançada e luneta de cerâmica. © Hermès

A Hermès apresentou duas versões do H08 com caixa de compósito de fibra de vidro entrançada, de 39 mm: Blanc Chantilly, com mostrador lacado branco, e Bleu de Malte, com mostrador ródio jateado e pormenores azuis. A luneta é de cerâmica e o movimento é o automático H1837, produzido pela Vaucher, a 4 Hz e com 50 horas de reserva de marcha. O preço é de 7510 francos suíços.


IWC Pilot's Watch Performance Chronograph 41 Year of the Goat
Pilot's Watch Performance Chronograph 41 Year of the Goat, em titânio, com mostrador de cor dourada. © IWC Schaffhausen

A IWC antecipa o Ano da Cabra de 2027 com um Pilot's Watch Performance Chronograph 41 de titânio, com mostrador de cor dourada e luneta de cerâmica preta com escala taquimétrica. No dia 8 de cada mês, o indicador de data mostra o carácter chinês da cabra. O calibre 69385, com roda de colunas, tem uma massa oscilante dourada recortada em forma de três cabras. São 500 exemplares, a 10 400 francos suíços.


O que merece atenção


O UR-300 confirma uma mudança na base mecânica da Urwerk, que passa dos Zenith Elite para a Vaucher. A Hermès também recorre à manufatura de Fleurier para o H08, o que mostra o peso que a Vaucher ganhou como fornecedora de casas que querem um movimento suíço exclusivo sem o desenvolver de raiz. Ao mesmo tempo, o Elite continua a servir dentro do grupo LVMH, agora no Hublot de 1980 reinterpretado.


Do lado técnico, dois relógios do dia tratam o tempo como energia acumulada e libertada de uma vez: a Urwerk para fazer saltar a hora, a Arnold & Son para fazer saltar o segundo. São soluções diferentes para o mesmo problema — tornar nítida uma indicação que o movimento produz de forma contínua.


Em Nova Iorque, vale a pena acompanhar a afluência ao Windup e ao WatchTime New York, num ano em que as exportações suíças para os Estados Unidos têm recuado. A resposta dos colecionadores americanos às marcas independentes dirá muito sobre o mercado de 2027.

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