21 de Outubro
O dia em resumo
O SIAR abriu a 20 de Outubro, na Cidade do México, a 20.ª edição, com 50 marcas, seis delas estreantes. O salão acolhe a estreia mundial do Hautlence Sphere Series 5, reservado ao mercado mexicano durante os primeiros 30 dias.
A Phillips revelou as peças de relojoaria independente do leilão de Hong Kong de 21 e 22 de Novembro, encabeçadas por quatro F.P. Journe, entre elas um Chronomètre à Résonance feito em cinco exemplares para Mark Cho, da The Armoury. Na indústria, as exportações relojoeiras suíças subiram 11,7% em Setembro.
Nos lançamentos, a Renaud Tixier esqueletiza o Monday e a sua micromassa oscilante de dupla massa, a Jaeger-LeCoultre leva o Master Ultra Thin Moon de 36 mm ao ouro rosa e a Oris dedica um Aquis Date às florestas de algas-gigantes.
SIAR celebra na Cidade do México a 20.ª edição com 50 marcas

O Salón Internacional Alta Relojería (SIAR) decorre de 20 a 22 de Outubro no hotel The St. Regis Mexico City. É a 20.ª edição de um salão criado em 2007, que se tornou o encontro de referência da alta relojoaria no México e reúne este ano 50 marcas, entre grandes casas, relojoeiros independentes e pequenas marcas.
A lista inclui Hublot, Tudor, Breitling, Panerai, Piaget, Zenith, Longines e Grand Seiko, ao lado de independentes como De Bethune, Laurent Ferrier, H. Moser & Cie., Armin Strom, Louis Moinet e Bianchet. Seis marcas participam pela primeira vez: Christiaan van der Klaauw, Kudoke, NOMOS Glashütte, Neprosolar, Pragma e Unimatic.
Na edição de 2025, o SIAR reuniu 51 marcas e 4164 visitantes, segundo a organização. O programa deste ano inclui uma análise do mercado mexicano apresentada por Karine Szegedi, da Deloitte.

Para a Hautlence, o salão é o palco da estreia mundial do Sphere Series 5, uma série de 28 exemplares. As horas não são indicadas por um ponteiro: aparecem numa esfera de titânio que gira sobre três eixos e mostra o algarismo da hora em curso. A rotação é comandada por quatro rodas cónicas dispostas em torno de dois eixos cruzados, inclinados a 21 graus. Os minutos são indicados por um ponteiro retrógrado que percorre um setor de 180 graus e regressa ao zero no fim de cada hora.
Nesta versão, a esfera recebe um revestimento branco e algarismos gravados preenchidos com Super-LumiNova cinzento. O calibre A82, de corda manual, oscila a 21 600 alternâncias por hora (3 Hz), tem 160 componentes e uma reserva de marcha mínima de 72 horas. A caixa retangular de titânio de grau 5 mede 37 × 45 × 17,4 mm (11,5 mm sem o vidro de safira) e é estanque a 10 atm.
Durante os primeiros 30 dias, o relógio é vendido apenas no México, através da Attila Distribution, num estojo com três braceletes de camurça: verde, branca e vermelha, as cores da bandeira mexicana. Depois, as entregas internacionais levam apenas a bracelete branca. O Sphere valeu à Hautlence o Prémio da Inovação do GPHG de 2023.
Saiba mais no site da organização.
Phillips leva a Hong Kong quatro F.P. Journe e peças raras de independentes

A Phillips in Association with Bacs & Russo anunciou a 20 de Outubro as peças de relojoaria independente que vão à venda em The Hong Kong Watch Auction: XXIII, a 21 e 22 de Novembro, na WKCDA Tower, em West Kowloon. A seleção junta-se aos Patek Philippe já anunciados para o mesmo leilão.
O lote principal é um F.P. Journe Chronomètre à Résonance feito em cinco exemplares para Mark Cho, cofundador da The Armoury, e vendido diretamente da sua coleção. A série foi a última a usar a caixa de platina de 38 mm conhecida por «Parking Meter». Tem mostrador azul-marinho com tons quentes e o número de série 168, igual ao número da porta da loja da The Armoury em Nova Iorque. A estimativa é de 6 a 12 milhões de dólares de Hong Kong.
No Chronomètre à Résonance, dois balanços independentes oscilam lado a lado. Quando estão suficientemente próximos e regulados para a mesma frequência, as oscilações de um influenciam as do outro até ficarem sincronizadas em sentidos opostos. Segundo François-Paul Journe, esta ressonância reduz o efeito dos choques e torna a marcha mais estável.
Outro destaque é o Tourbillon Souverain n.º 069, de 2001, em platina e com mostrador de ouro amarelo brilhante, de que só se conhecem nove exemplares. Pertence à terceira série com movimento de latão e combina o turbilhão com um remontoir d'égalité: uma pequena mola, rearmada a intervalos regulares pela mola real, que entrega ao escape uma força constante. Foi a primeira vez que as duas soluções se juntaram num relógio de pulso. A estimativa vai de 3,9 a 11,6 milhões de dólares de Hong Kong.
A F.P. Journe aparece ainda com um Centigraphe Souverain feito em 20 exemplares para os dez anos da boutique de Hong Kong e com o primeiro Octa Calendrier da Ruthenium Collection, o n.º 01 de 99. Dos outros independentes, a Phillips apresenta um Vingt-8 de Kari Voutilainen em titânio, uma de duas encomendas especiais neste metal, com mostrador de esmalte azul guilhochado à mão pela Comblémine; um H1 Flying Central Tourbillon de Beat Haldimann da série PuristS; o Tourbillon à Paris n.º 18 de Théo Auffret, o primeiro deste modelo a ir a leilão; e um HK 2000 de Kiu Tai Yu, o primeiro relojoeiro asiático a entrar na AHCI, em 1992.
Antes do leilão, os relógios passam por Hong Kong (20 a 22 de Outubro), Taipé (24 e 25 de Outubro), Genebra (4 a 8 de Novembro) e Singapura (13 e 14 de Novembro, durante o IAMWATCH). A exposição pública em Hong Kong decorre de 16 a 22 de Novembro.
Saiba mais no site da leiloeira.
Renaud Tixier esqueletiza o Monday e a sua micromassa oscilante de dupla massa

A Renaud Tixier, casa fundada por Dominique Renaud e Julien Tixier, apresentou a 20 de Outubro o Monday Skeleton, versão esqueletizada do primeiro relógio da marca, lançado em 2024. São duas séries de 15 exemplares, uma em verde e outra em azul, com caixa de ouro branco de 40,8 mm. O preço é de 129 000 francos suíços, sem impostos.
O calibre passa a chamar-se RVI2025 e deixa ver as 262 peças do movimento, todas acabadas à mão nas oficinas de Tolochenaz, entre Genebra e Lausana: polimento espelhado, arredondamento das pontes, chanfros, côtes de Genève, acabamento soleil e perlage. A marca conta 238 ângulos reentrantes, os cantos interiores dos chanfros, que só podem ser feitos à mão. No fundo, uma ponte decorativa sobre a roda de carga é gravada e cinzelada à mão e recebe esmalte grand feu.

A novidade técnica do Monday está na corda automática. Uma micromassa oscilante fica embutida no movimento e, por ter um raio menor do que uma massa oscilante central, transmite menos energia ao tambor em cada movimento do pulso. Dominique Renaud aproveitou o espaço vazio no centro da micromassa oscilante de platina para instalar uma segunda massa, de inércia, ligada por uma pequena mola, a que a marca chama «the dancer». Mesmo movimentos ligeiros do pulso tensionam essa mola, que acelera a massa oscilante e aumenta a energia recuperada. A ideia vem dos sistemas de recuperação de energia dos automóveis.
O mesmo sistema inclui um mecanismo de desembraiagem que protege o movimento em caso de choque. Segundo a SJX, o calibre oscila a 18 000 alternâncias por hora (2,5 Hz) e tem 72 horas de reserva de marcha.
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Jaeger-LeCoultre leva o Master Ultra Thin Moon de 36 mm ao ouro rosa

A Jaeger-LeCoultre apresentou a referência Q1242521 do Master Ultra Thin Moon. A medida de 36 mm, que a coleção já oferecia em aço, passa a existir em ouro rosa de 18 quilates, numa caixa com 9,34 mm de altura e fundo de safira.
O mostrador prateado tem acabamento soleil, índices aplicados facetados e ponteiros dauphine dourados. A data por ponteiro e a fase da Lua ficam reunidas às 6 horas.
O calibre 925, automático, tem 4,9 mm de espessura, 245 componentes e 30 rubis, oscila a 28 800 alternâncias por hora (4 Hz) e oferece 70 horas de reserva de marcha com um único tambor. A massa oscilante aberta, de ouro rosa de 22 quilates, vê-se pelo fundo. A bracelete é de aligátor preto, com fivela de ouro rosa. O preço é de 23 900 euros e o relógio integra a coleção permanente.
Com 9,34 mm de altura, a caixa mantém o perfil de relógio de cerimónia da coleção, apesar de juntar a corda automática, a data e a fase da Lua.
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Oris dedica um Aquis Date às florestas de algas-gigantes

A Oris lançou o Aquis Date Kelp Forest Limited Edition, uma série de 1000 exemplares criada com o fotógrafo subaquático Francis Pérez, embaixador da marca, que há 30 anos fotografa o oceano e acompanha o declínio das florestas de algas-gigantes. A marca lembra que estas algas captam carbono e produzem cerca de 2% do oxigénio do planeta.
O mostrador verde tem um relevo impresso em 3D que imita o movimento das algas na água, e a luneta unidirecional recebe uma escala de cerâmica verde. A caixa de aço tem 41,5 mm, é estanque a 300 m e tem o fundo gravado com motivos de algas. O calibre Oris 733-1, automático, com base Sellita SW200-1, oscila a 4 Hz e tem 41 horas de reserva de marcha. Nos Estados Unidos, o preço é de 2950 dólares.
Saiba mais no site da marca.
O que merece atenção
Os números da indústria dão contexto ao calendário de salões. Segundo a Federação da Indústria Relojoeira Suíça (FH), as exportações de relógios suíços subiram 11,7% em Setembro, para 2,23 mil milhões de francos, o quinto mês seguido de crescimento. Os Estados Unidos aumentaram 86%, sobretudo por comparação com Setembro de 2025, afetado pelas tarifas alfandegárias, enquanto a China recuou 14,2%. O Japão subiu 12,3% e Hong Kong 3%. De Janeiro a Setembro, as exportações cresceram 2,7%, para 19,5 mil milhões de francos.
A subida mais forte está nos relógios de preço baixo: os de menos de 200 francos cresceram 30% e os de 200 a 500 francos 52%, enquanto os de mais de 3000 francos subiram 9,9%. Estes escalões referem-se ao valor de exportação, não ao preço de venda ao público.
O SIAR mostra a importância que o México ganhou para as marcas suíças, que lá estreiam relógios e lhes dão exclusividade temporária, como faz a Hautlence. Em Hong Kong, a Phillips aposta na raridade documentada, com séries de cinco exemplares, primeiros números e primeiras aparições em leilão, para sustentar a procura pelos independentes. Os resultados de 21 e 22 de Novembro dirão se os F.P. Journe mantêm os valores dos últimos leilões.
Nos lançamentos, o Monday Skeleton merece acompanhamento técnico: faltam dados independentes sobre o ganho real da corda que esta massa de inércia traz face a uma micromassa oscilante convencional.




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