
19 de Outubro
O dia em resumo
A exposição dos relógios finalistas do Grand Prix d'Horlogerie de Genève terminou em Banguecoque a segunda escala da sua digressão mundial. Os relógios seguem agora para Genebra, onde os 19 prémios desta edição são entregues a 7 de Novembro.
François-Henry Bennahmias, que dirigiu a Audemars Piguet durante mais de uma década, passa a trabalhar como consultor da Hublot, a convite do grupo LVMH.
Nos lançamentos, a Biver apresenta o AB, o seu primeiro relógio de aço e o primeiro de corda manual; a Ressence junta pela primeira vez o mostrador mergulhado em óleo a um movimento próprio no TYPE 10 DN; e a Formex e a DOXA apresentaram novidades no Windup Watch Fair de Nova Iorque.
O GPHG fecha em Banguecoque a segunda escala da digressão mundial

A exposição itinerante do Grand Prix d'Horlogerie de Genève esteve de 15 a 18 de Outubro no espaço cultural The Forum, do centro Gaysorn Amarin, em Banguecoque. Foi a segunda escala da digressão de 2026, que mostra ao público os relógios nomeados pela Academia do GPHG antes de serem conhecidos os vencedores.
A inauguração contou com o Presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin, e com o embaixador da Suíça na Tailândia, Fabrice Filliez. O parceiro local foi a PMT The Hour Glass, um dos principais retalhistas de relojoaria do país. Segundo a fundação, a exposição atraiu um número elevado de colecionadores e entusiastas do Sudeste Asiático.
«Esta escala ilustrou a vocação universal do GPHG: reunir, para lá das fronteiras, talentos e apaixonados em torno da criatividade, do saber-fazer e da excelência», afirmou Raymond Loretan, presidente da Fundação do GPHG.
Os relógios seguem agora para Genebra, onde ficam expostos no Musée d'Art et d'Histoire de 29 de Outubro a 15 de Novembro. A 7 de Novembro, no Bâtiment des Forces Motrices, a 26.ª cerimónia atribui 19 prémios, entre os quais o Grande Prémio «Aiguille d'Or». A lista completa dos relógios nomeados está disponível no site do GPHG, e a cerimónia é transmitida em direto a partir das 18h30 de Genebra (17h30 em Lisboa).
Saiba mais no site da organização.
François-Henry Bennahmias passa a aconselhar a Hublot

O grupo LVMH contratou François-Henry Bennahmias como consultor da Hublot. A notícia foi avançada pela publicação parisiense Glitz, que citou um memorando interno segundo o qual Bennahmias vai pôr ao serviço da marca a sua «visão estratégica». A WatchPro e o jornal suíço Bilan confirmaram a informação na sexta-feira, 16 de Outubro.
Bennahmias entrou na Audemars Piguet em 1994, dirigiu a filial norte-americana a partir de 1999 e foi presidente executivo da manufatura de Le Brassus entre 2012 e 2023. Nesse período, a marca criou o conceito AP House, lançou a coleção Code 11.59 e abriu o Musée Atelier Audemars Piguet. Depois de sair, criou o The Honourable Merchants Group, em 2025, e anunciou em Julho deste ano uma marca de relógios própria, a N3W5.
Julien Tornare continua a ser o presidente executivo da Hublot. Segundo o Bilan, as decisões sobre a marca passam a ser tomadas em conjunto por Tornare, Bennahmias e Jean Arnault, que dirige a divisão de relojoaria da LVMH. A Glitz escreve que Jean Arnault pondera afastar a Hublot das colaborações com artistas como Jeff Koons e Samuel Ross; Tornare negou ao Bilan que haja planos para lhes pôr fim.
A contratação junta numa casa da LVMH um dos gestores mais influentes da última década da relojoaria suíça, numa altura em que a Hublot reorganiza a sua oferta: na semana passada, a marca reeditou o seu primeiro relógio, de 1980, no Classic Fusion Tributo.
Biver apresenta o AB, o seu primeiro relógio de aço e de corda manual

A Biver, a marca que Jean-Claude Biver fundou com o filho Pierre, apresentou o AB, o seu primeiro relógio com caixa de aço e o primeiro com corda manual. Custa 68 000 francos suíços, sem impostos, e não é uma edição limitada. Com ele, a Biver baixa o preço de entrada na sua coleção.
A caixa tem 38 mm de diâmetro e 9,8 mm de altura, com estanquidade até 80 metros. O mostrador preto, com elementos de ouro 2N de 18 quilates e anel exterior de ónix, está construído em três níveis: o anel dos minutos fica mais alto e o pequeno segundo, às 6 horas, mais baixo. As marcações não são impressas: são de ouro amarelo depositado em vapor. A reserva de marcha aparece num arco, indicada por um ponteiro curto.
O calibre JCB-004, desenvolvido com Le Cercle des Horlogers, funciona a 3 Hz (21 600 alternâncias por hora) e tem dois barriletes, que garantem 120 horas de reserva de marcha. A platina e as pontes são de ouro branco com elevado teor de paládio, e o rodado é de ouro amarelo. Ao puxar a coroa, o ponteiro dos segundos regressa a zero, o que permite acertar a hora ao segundo. A lingueta do mecanismo de corda segue o desenho usado nos relógios de grande sonnerie.
A bracelete de aço tem mais de 300 peças e um elo de ajuste rápido patenteado, que alonga ou encurta a bracelete em 4 mm sem ferramentas. A marca entrega também uma correia de vitela.
Saiba mais no site da marca.
Ressence junta o óleo a um movimento próprio no TYPE 10 DN

A Ressence apresentou no WatchTime New York o TYPE 10 DN, o primeiro dos seus relógios com mostrador mergulhado em óleo a usar um movimento desenvolvido pela própria marca, o RW-04. Até aqui, os modelos com óleo da Ressence assentavam numa base ETA. A série tem 100 exemplares e custa 45 000 francos suíços, sem impostos.
O princípio da Ressence é o de um mostrador sem ponteiros convencionais: discos giratórios, montados no módulo ROCS, rodam uns sobre os outros e mostram horas, minutos, segundo fuso horário e um indicador de funcionamento. No TYPE 10 DN, o módulo ROCS 10, com 196 componentes, está numa câmara cheia de óleo, enquanto o movimento trabalha a seco noutra câmara, separada por uma membrana de titânio. A ligação entre os dois faz-se por acoplamento magnético, sem qualquer eixo a atravessar a separação.
O óleo tem uma função ótica: elimina os reflexos entre o mostrador e o vidro e dá a impressão de que as indicações estão à superfície do cristal. Como o óleo dilata com o calor, um fole compensa as variações de volume, e uma pequena abertura colorida mostra se a temperatura está dentro da faixa de funcionamento.
O calibre RW-04 é automático, funciona a 4 Hz e tem dois barriletes, que elevam a reserva de marcha para 60 horas, contra 36 nos modelos anteriores com óleo. A caixa de titânio de grau 5 mede 41,5 mm e pesa 82 gramas. As entregas começam em Novembro, nos retalhistas da marca.
Saiba mais no site da marca.
Formex e DOXA apresentam novidades no Windup Watch Fair

Duas marcas suíças aproveitaram o Windup Watch Fair, que decorreu de 16 a 18 de Outubro em Nova Iorque, para apresentar novos relógios. A Formex mostrou o Essence Ceramica Dark Matter Redshift, uma versão mais escura do seu relógio de cerâmica. A caixa de 41 mm e a bracelete são de óxido de zircónio, agora quase inteiramente jateadas, com chanfros polidos a diamante. O mostrador é de meteorito Muonionalusta com tratamento galvânico negro e dourado, que preserva o padrão de Widmanstätten, e os pormenores vermelhos lembram as origens da marca no automobilismo.
O movimento é o Sellita SW200-2 Power+, certificado pelo COSC, com até 65 horas de reserva de marcha. A Formex produz 100 exemplares por ano, e a primeira série está numerada de 001 a 100. Custa 3500 francos suíços; as entregas começam no fim de Novembro.

A DOXA criou com a Exquisite Timepieces, a sua parceira de Naples, na Florida, o SUB 200T Afterglow, uma série de 50 exemplares com mostrador cor-de-rosa. A cor evoca o céu sobre o golfo do México depois do pôr do sol. A caixa de aço de 39 mm, a luneta unidirecional, a bracelete de grãos de arroz e a estanquidade até 200 metros mantêm-se, bem como o movimento automático suíço com data. O relógio é vendido apenas pela Exquisite Timepieces.
O que merece atenção
A digressão do GPHG mostra como a Fundação usa o período entre as nomeações e a cerimónia para levar os relógios a mercados onde a procura cresce. A presença do Presidente da Confederação em Banguecoque dá à escala um peso político invulgar. A exposição no Musée d'Art et d'Histoire e a cerimónia de 7 de Novembro fecham o ciclo.
Na Hublot, falta saber que papel concreto terá Bennahmias e como se conjuga com o de Julien Tornare. A experiência que traz da Audemars Piguet, onde aproximou a marca dos clientes finais com as AP House, pode pesar na forma como a Hublot gere as suas colaborações com artistas.
Do lado técnico, o TYPE 10 DN resolve uma limitação antiga da Ressence: a menor reserva de marcha dos modelos com óleo. O AB mostra a Biver a descer de preço sem abandonar o movimento de ouro e os acabamentos que definem a marca.




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