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RODA - Tempo e Temperatura

Atualizado: 17 de dez. de 2023



A relação entre a temperatura e a percepção do tempo é um assunto fascinante que combina tanto a neurociência como a física da relojoaria. Nesta RODA explorámos as perspectivas de Joe Paton, neurocientista, e de Antonio Roca e Juan José, relojoeiros.


Este foi o tema da RODA que decorreu ontem, como habitualmente, no Palácio do Beau Séjour, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e do Gabinete de Estudos Olisiponenses. Contámos com o neurocientista Joe Paton, e os relojoeiros Antonio Roca e Juan José. Deixamos aqui um resumo do que foi falado.



VIDEO INTEGRAL





CONFERENCISTAS


Joe Paton


Joseph Paton é um investigador principal, destacando-se na área das neurociências. Tem contribuído significativamente para a compreensão dos mecanismos neurais do tempo, com várias publicações em revistas científicas de renome. Algumas das suas publicações incluem estudos sobre a base neural do tempo, métodos de psicofísica visual em ratos, e o papel da amígdala e do córtex orbitofrontal na representação da quantidade esperada de recompensa. Os seus trabalhos abordam temas como a arquitetura paralela dos circuitos basais do cérebro, a dinâmica estriatal na explicação de julgamentos de duração, e a codificação populacional do tempo no estriado


Antonio Roca


Antonio Roca Sansano é um destacado profissional no sector da relojoaria, desempenhando atualmente o cargo de CEO & Trainer Manager na Grupo Time to Train S.L., em Madrid, Espanha. A sua carreira é marcada por uma forte dedicação à transição ecológica e sustentabilidade no sector relojoeiro, com especial enfoque no reciclagem dos resíduos de aparelhos eléctricos e electrónicos. Possui vasta experiência em peritagem judicial e avaliação de antiguidades, contribuindo significativamente em processos judiciais onde o conhecimento sobre relojoaria é essencial. Um dos seus objetivos primordiais é promover a qualificação profissional e o reconhecimento dos relojoeiros em Espanha, evidenciando a importância do seu trabalho, sacrifício e esforço diário na manutenção dos guardatiempos. Dotado de excelentes capacidades de comunicação e ensino, Antonio mostra-se interessado em todos os aspetos relacionados com o mundo da relojoaria, desde o atendimento ao cliente até ao apoio a colecionadores e aficionados. Destaca-se nas áreas de venda personalizada, aconselhamento, formação de profissionais no sector, gestão de equipas de trabalho e gestão de resíduos de aparelhos eléctricos e electrónicos.


Juan José Ortiz


Juan José Ortiz é um profissional com experiência na área de ensino, atualmente actuando como professor em Bollullos de la Mitación, Espanha. Ele trabalha também na empresa Taller de relojeria Brillartés, indicando habilidades ou interesse na área de relojoaria. Residindo em Bollullos de la Mitación e natural de Sevilha, Espanha, tem uma forte conexão com essa região, tanto profissional quanto pessoalmente. Actualmente é formador e director do curso da Escola kirman.



PERSPECTIVA DE JOE PATON SOBRE A PERCEPÇÃO DO TEMPO


Joe Paton e a sua equipa de neurocientistas na Fundação Champalimaud estudaram como o cérebro julga o tempo manipulando a temperatura de uma região cerebral específica. Paton descreve que o cérebro humano não depende de um mecanismo centralizado para perceber o tempo, mas sim de uma compreensão descentralizada e flexível, determinada por redes neurais ativas. Este processo é comparável às ondulações causadas por uma pedra atirada num lago.


A pesquisa indica que até mudanças simples na temperatura podem alterar a percepção do tempo. Esta "hipótese do relógio de população" sugere que nossos cérebros mantêm o tempo através de padrões consistentes de atividade evoluindo em grupos de neurónios durante o comportamento. Há evidências causais de que a velocidade das dinâmicas da população neuronal no estriado fornece uma base para o tempo no cérebro.



PERSPECTIVA DA RELOJOARIA SEGUNDO ANTONIO ROCA E JUAN JOSÉ ORTIZ


Na relojoaria, a precisão dos relógios e cronómetros é crucial, e a temperatura é um fator significativo que afeta essa precisão. Tradicionalmente, as molas de balanço feitas de aços comuns perdiam elasticidade com o aumento da temperatura, fazendo com que a espiral oscilasse mais lentamente e o relógio perdesse tempo.


O Élinvar, uma liga metálica, foi um avanço significativo para a compensação de temperatura em relógios. Charles-Édouard Guillaume, um físico suíço, desenvolveu uma mola feita desta liga, com elasticidade invariável, que foi anunciada em 1920. As ligas de Élinvar são utilizadas sempre que as propriedades elásticas precisam ser estáveis num intervalo de temperatura, como é o caso das molas de relógio. No entanto, esta inovação veio com um custo - uma maior sensibilidade a choques de impacto.


António Roca falou-nos um pouco da história da relojoaria e da forma como foram sendo encontradas soluções para os factores ambientais que perturbam o desempenho do relógio. Juan José acrescentou ainda algumas informações sobre a sua experiência como relojoeiro e relatou alguns problemas causados pela temperatura nos relógios.



NEUROCIÊNCIAS E RELOJOARIA


Joe Paton esclareceu-nos que enquanto que nas experiências conduzidas pelo seu grupo e por outros o aumento da temperatura remete para uma percepção de um tempo mais rápido, e uma redução de temperatura para um tempo mais lento. Precisamente o contrário do que acontece na relojoaria. Esta é apenas uma curiosidade, pois não é possível encontrar paralelo entre a influência da temperatura em organismos e em metais. Paton recordou ainda que o "relógio humano" não tem capacidade de medir o tempo de forma precisa, apenas de forma relativa.


A pesquisa de Joe Paton revela como até mudanças subtis na temperatura podem influenciar a nossa percepção interna do tempo, enquanto na relojoaria, soluções como as espirais de Élinvar, autocompensadoras, foram desenvolvidas para manter a precisão dos relógios sob variações de temperatura. Ambas as perspectivas ilustram a complexidade e a fascinante interação entre a temperatura e a nossa concepção e medição do tempo.



O FUTURO


Esta foi a última RODA do ano, para o ano serão organizadas muitas mais, fique atento às redes sociais do IPR, tal como ao site e newsletter.

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