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- De volta à Singer
A Singer Reimagined é uma das marcas mais entusiasmantes que surgiram nos últimos anos. Lançada em 2017, não se pode dizer que tenha surgido de mansinho, o seu primeiro relógio tinha no interior o incrível movimento de cronógrafo, com botão único, produzido por nada mais que: Jean-Marc Wiederrech da Agenhor. O resultado não é um relógio com cronógrafo é um cronógrafo com relógio. Singer Vehicle Design e Singer Reimagined A Singer Vehicle Design de Rob Dickinson, vocalista (Singer) da banda Catherine Wheel uniu-se, em 2017 a Marco Borraccino para criar a marca de relógios Singer Reimagined. A Singer Vehicle Design é bastante conhecida por restaurar alguns dos mais incríveis Porshes 911 que se possa alguma vez imaginar. Com sede na Califórnia, a empresa basicamente começa com um chassi e um motor, e constrói tudo a partir daí de acordo com as especificações exatas do proprietário. Os resultados são incríveis. Marco Borraccino conheceu Jean-Marc Wiederrech quando era professor de Design numa escola de relojoaria, ambos estavam, coincidentemente a desenhar um «cronógrado com relógio» em separado e resolveram prosseguir juntos. Como os carros também são a sua paixão, Marco Borraccino entrou em contacto com Rob Dickinson para criar uma marca de relógio com os mesmos princípios de valores da Singer Vehicle Design. As estrelas alinharam-se e nasceu a Singer Reimagined. A Singer Reimagined tem duas linhas principais, a Track 1, na qual todos os relógios ostentam o incrível AG6361 e a Flighttrack, nas quais todos os modelos incorporam o não menos incrível AG6364. Vamos conhecer melhor estes modelos e os seus movimentos. MOVIMENTOS Singer Track1 AG6361 Neste movimento, a função de cronógrafo desempenha um papel principal - como deveria sempre acontecer num relógio desportivo. As horas, minutos e segundos do cronógrafo são montados coaxialmente no centro do mostrador, permitindo que o tempo decorrido seja lido de forma fácil e clara com apenas um relance. A hora do dia não é esquecida, mas é apresentada na periferia do mostrador. O revolucionário movimento automático de cronógrafo de roda de colunas Singer Track1 apresenta um design e uma arquitetura completamente novos. Desenvolvido com Agenhor, é ainda aprimorado por um novo sistema de embraiagem, para uma sensação mais suave na activação do cronógrafo. A sua exibição exclusiva de 3x60 (60 segundos, 60 minutos, 60 horas) é exclusiva do Singer Reimagined. Com 34,40 mm de diâmetro, este inovador calibre de tambor duplo bate a 3 Hz para uma reserva de energia saudável de mais de 60 horas. Tudo para permitir a melhor observação das complexidades do movimento, que é composto por 477 peças. O rotor foi colocado no lado do mostrador. Singer Flighttrack AG6364 Desenvolvido igualmente em colaboração com Agenhor, o movimento Singer Flytrack, AG6364, tem descendentes nobres, pois partilha a sua arquitetura com o prestigiado e premiado Agengraphe. Tem 314 peças, corda manual, roda de colunas, dois tambores, fornece 55h de reserva de marcha, 49 rubis e uma função de retorno instantâneo (flyback) e zero-reset exclusiva. Todas as características conferem à Singer Flytrack o pedigree de um futuro clássico. A embraiagem horizontal é provida de dentes triangulares e apresenta uma proporção de um dente para três, tudo para evitar o salto para frente ou para trás sempre que o cronógrafo é activado, permitindo igualmente reduzir os erros em caso de choque. A COLECÇÃO DA SINGER REIMAGINED Track 1 Movimento: Singer 6361 Por ordem: Singer Track1 Hong Kong Edition SR003 (vencedor do Chronograph Watch Prize no GPHG 2018) Singer Track1 Emirates Edition SR005 Singer Track1 Bold Edition SR006 Singer Track1 Flamboyant Edition SR007 Singer Track1 SKLT Edition SR008 Singer Track1 SKLT CARBON Edition SR009 Flytrack Movimento: Singer 6364 Por ordem: Singer Flytrack Barista SR105 Singer Flytrack Tachymeter SR101 Singer Flytrack Telemeter SR103
- L'Epée 1839 - Time Fast II
A L'Epée 1839 é uma manufactura suíça, com sede em Delémont. É um empresa com mais de 180 anos especializada no design e produção de relógios mecânicos, é uma das poucas manufacturas que projecta, desenvolve e produz internamente os seus relógios. Com a sua talentosa equipa designers, engenheiros, mecânicos, artesãos e relojoeiros, a L'Epée irá continuar à procura da perfeição . Um dos modelos produzidos pela L'Epée foi o Time Fast II, é inspirado nos carros desportivos da década de 1960, a era de ouro da competição automóvel. Foi dado o nome Time Fast II porque o carro é de 2 lugares e tem dois movimentos, um para o tempo e outro para o motor automático. O piso e a carroçaria são aparafusados a um chassi, tal como nos seus homólogos de tamanho real. O carro é feito em alumínio porque, na década de 1960, o alumínio era o metal mais evoluído para os carros de corrida, tal como a fibra de carbono é hoje. Como referimos anteriormente o Time Fast II tem dois movimentos independentes, ambos com a sua própria fonte de energia. O primeiro está no cockpit e é responsável por manter o tempo. As horas e os minutos são exibidos por discos em aço rotativos. Tem um movimento de 8 dias que funciona a 18 800 alt/h (2.5hz). Na zona do condutor podemos ver o balanço protegido por um ' capacete' . O segundo movimento alimenta o motor, basta rodar a 'chave' que está no painel de instrumentos e o motor liga, acionando os pistons do V8 que sobem e descem. Esta animação é completamente independente do relógio. Existe ainda a manete da mudanças com a qual é possível selecionar se se vai dar corda ao relógio, ou ao motor do carro. A coesa é dada como nos carros de brincar, puxando repetidamente o carro para trás. Como acertamos as horas? Muito fácil, basta rodar o volante no sentido anti-horário, e enquanto roda o volante para sentido horário reposiciona as rodas para o centro. O volante de três raios é montado, tal como os volantes originais, com uma jante central e duas jantes exteriores unidas por 12 rebites. Os pneus são feito em borracha macia para melhor aderência, para ser fácil dar corda e, no interior, tem uma espuma para que os pneus fiquem ligeiramente planos na parte inferior, exactamente iguais aos pneus usados nos carros originais durante as provas. É um dos brinquedos horológicos mais sérios que já encontrámos.
- Estudo: A Posição Social das Marcas
No passado dia 25 de Abril, os investigadores Déborah Philippe, Alain Debenedetti, Damien Chaney, publicaram um artigo intitulado: "Como as marcas mobilizam dicas de estatuto, reputação e confiança para assinalar a sua posição social: o caso da relojoaria de luxo" Este não é um estudo tão comum como se poderia pensar. Foram analisados 420 anúncios de revistas e 36 marcas de relógios por um período de 4 anos. Foi ainda explorada a forma como as marcas recorreram ao estatuto social, reputação e confiança para elevar a sua própria posição social e dessa forma atrair clientes. Esta é uma tradução do artigo publicado por Déborah Philippe, Alain Debenedetti, Damien Chaney, o estudo completo pode ser consultado na seguinte ligação: Philippe, D., Debenedetti, A., & Chaney, D. (April 25, 2022). How brands mobilize status, reputation, and legitimacy cues to signal their social standing: The case of luxury watchmaking. Marketing Theory. A leitura deste artigo é muito útil para todos os que pretendem criar uma marca de relojoaria, tal como para todos os consumidores que têm curiosidade suficiente para levantar a cortina do marketing em relojoaria. O marketing funciona como uma peça de teatro composta por cenários, histórias e actores. Neste caso específico a peça é acerca de uma luta pela simplificação das decisões dos consumidores, em situações com pouca informação disponível sobre o valor das trocas comerciais. Introdução A posição social da empresa só por si já transmite alguma informação acerca da sua qualidade e valor, contudo, é possível por parte das empresas, moldar os mercados e influenciar a sua posição social. Embora exista um interesse crescente pelo estudo das posições sociais das empresas acerca destes assuntos, a proposta dos investigadores Déborah Philippe, Alain Debenedetti e Damien Chaney consiste em explorar o potencial das avaliações sociais para esclarecer como as marcas dão sentido à sua insersão e às suas trajectórias no mercado. Propõem também explorar a capacidade das marcas para influenciarem as percepções acerca do seu valor social, a partir de uma perspectiva integrativa (ou seja, aproveitando diferentes dimensões), em vez de se concentrarem numa avaliação social específica, o que levaria à perda da oportunidade de explorar os efeitos contrastantes ou combinados. Neste estudo, os autores investigam como as marcas se mobilizam estrategicamente e alavancam diferentes dimensões da sua posição social na comunicação para formar as percepções dos consumidores. Exploram essa questão no contexto do mercado da alta relojoaria, que constitui um cenário interessante por duas razões: faz parte do campo do luxo, no qual realçar a posição social é particularmente importante; é um mercado rico e complexo povoado por diferentes tipos de actores ou marcas, que o povoam em diferentes etapas. A análise de conteúdo dos anúncios de revistas de 36 marcas relojoeiras permitiu-lhes identificar quatro maneiras de mobilizar e combinar alguns aspectos no estatuto, reputação e confiança. Também descobriram que essas estratégias não são deixadas apenas a critério das marcas, mas dependem igualmente da sua inserção no mercado. Finalmente, as suas descobertas sugerem também nuances na maneira como as marcas de luxo se comunicam. Estatuto O constructo «estatuto» foi amplamente investigado em áreas como a sociologia e a psicologia social. Estatuto refere-se à posição socialmente construída, intersubjetivamente acordada, que um actor ocupa dentro de uma estrutura social. Serve como uma avaliação do valor desse actor com base na posse de características discriminatórias, ou seja, características associadas às expectativas gerais de capacidade superior ou inferior. O estatuto é fundamentalmente honorífico, pois provoca deferência, tributo, e gera privilégio. Os actores de estatuto mais alto beneficiam não apenas de condições mais fáceis, mas também de recompensas maiores do que seus homólogos de estatuto mais baixo. Pesquisas existentes sugerem, por exemplo, que organizações de alto estatuto são mais propensas a desfrutar de custos de transação mais baixos, maiores retornos de investimentos de qualidade, e pressões reduzidas para estar em conformidade com as normas e expectativas sociais. Reputação O conceito de reputação é herdado da teoria dos jogos e refere-se às crenças de vários públicos, construídas ao longo do tempo, sobre a probabilidade de valorização da organização ao longo de dimensões específicas. Essas crenças são fundadas em várias observações da qualidade dos produtos ou características antigas, que servem como indicadores de qualidade presente e futura. A reputação reflete, portanto, a qualidade subjacente, diferenças entre as organizações e,como tal, constitui uma representação perceptiva das acções passadas e perspectivas futuras de uma empresa. Como a reputação representa o quão bem uma organização específica se sai em relação aos seus concorrentes, os participantes do mercado confiam nela para uma ampla gama de decisões como as de investimento ou carreira, bem como escolhas de produtos. Desfrutar de uma reputação favorável está, portanto, associado a benefícios como maior retenção de clientes, melhor relacionamento consumidor-marca, maior capacidade de cobrar preços premium, melhor percepção dos produtos da marca. Uma melhor reputação permite aumentar as vendas, a valorização no mercado, e o preço dos produtos. Confiança A confiança tem sido um tema central nos estudos sociológicos. Confiança refere-se a um senso de adequação socialmente construído e à recomendação de uma organização pelos actores sociais, com base na percepção ou suposição de que as acções dessa organização são desejáveis, adequadas ou apropriadas. Uma organização é considerada legítima quando os consumidores consideram que procura atingir objetivos socialmente aceitáveis de maneira socialmente aceitável. Enquanto não ser ou não parecer confiável concede penalidades, ser ou parecer confiável permite múltiplas vantagens. Algumas pesquisas organizacionais mostraram como ser confiável aumenta a capacidade de uma organização para adquirir recursos e, até mesmo as suas hipóteses de sobrevivência futura. A confiança pode levar a um apoio mais forte dos consumidores, aumento das intenções de compra, melhores ganhos com novos produtos, e maior eficiência dos canais de marketing nos mercados internacionais. À medida que as organizações procuram legitimidade para garantir a sua estabilidade e sobrevivência, adoptam estruturas e práticas que podem ajudá-las a garantir essa aprovação social. As propriedades distintivas das avaliações sociais Estatuto, reputação e confiança influenciam significativamente as percepções dos actores do mercado sobre o valor de um actor, bem como a sua vontade de trocar recursos com esse actor. Como tal, elas compartilham um certo número de características comuns. Por exemplo, estatuto e legitimidade implicam actos de aceitação social. Da mesma forma, reputação e confiança são baseadas em avaliações do cumprimento das expectativas de um actor e, como são ambos constructos multidimensionais, os mesmos atributos ou características organizacionais podem ser usados para avaliar tanto a reputação quanto a confiança. Embora estatuto, reputação e confiança partilhem características comuns, diferem nos seus mecanismos subjacentes. Os julgamentos de reputação baseiam-se na observação da qualidade e comportamento passados de uma organização e são impulsionados por um mecanismo de diferenciação. Concentram-se nas diferenças entre as organizações no que respeita a características específicas e envolvem comparações entre as organizações. Os julgamentos de estatuto são baseados na posse de atributos ou características desejáveis pela organização. Confiam na restrição social e são impulsionados por um mecanismo de distinção. Esse mecanismo de distinção está associado às noções de exclusividade, posição de prestígio e hierarquia, em contraste com o mecanismo de diferenciação neutra subjacente aos julgamentos de reputação. Assim como a reputação, os julgamentos de estatuto envolvem comparações, mas os antecedentes e os mecanismos de avaliação são diferentes. À medida que os julgamentos de confiança são baseados na observação da conformidade da organização com as normas e valores considerados desejáveis, são impulsionados por um mecanismo de alinhamento. Quando a reputação e o estatuto se destacarem, a confiança depende de mecanismos mais inclusivos, uma vez que o cumprimento das expectativas implica algum grau de convergência dos comportamentos organizacionais. Objectivo do estudo Poucos, se algum, estudos empíricos investigaram como actores ou marcas mobilizam conjuntamente todas as três avaliações sociais. Mais importante ainda, a pesquisa de marketing ainda não explorou completamente o potencial de um uso estratégico dessas diferentes avaliações na comunicação da marca. A pesquisa destes autores visa, portanto, preencher essa lacuna por forma a investigar como as marcas podem mobilizar e implantar estrategicamente dicas relacionadas com essas avaliações sociais, a fim de construir a sua imagem e aumentar o seu apelo geral. Contexto Os autores investigaram como as marcas usam dicas de avaliação social nas suas estratégias de comunicação no contexto da indústria de luxo. A indústria de luxo considerou-se adequada por ser uma indústria na qual evidenciar a posição social é particularmente importante. As marcas de luxo são diferentes de outros tipos de marcas porque seguem uma lógica enraizada nas suas características sociológicas que é fundamentalmente diferente da das marcas do mercado de massa. Como um mercado que envolve a “economia da singularidade”, bens e serviços são multidimensionais, incomensuráveis e valorizados com base em avaliações altamente subjetivas. Na indústria de luxo, os autores optaram por se concentrar no mercado de alta relojoaria, que fornece um ambiente atraente para explorar a questão da pesquisa. A alta relojoaria é caracterizada por um perímetro difícil de definir, uma ampla gama de características técnicas e uma grande variedade de preços de produtos. Não há uma definição clara de alta relojoaria (em contraste com, por exemplo, a alta costura, que se refere a uma denominação legalmente definida). A Fondation de la Haute Horlogerie, refere-se à alta relojoaria como a "excelência na relojoaria, as técnicas de relojoaria em simbiose com as artes aplicads", uma definição bastante vaga e subjetiva. Dada essa ambiguidade, a capacidade das marcas assinalarem a sua posição social é essencial para ajudar os consumidores e outros actores do mercado a navegar no mercado. Hoje, o mercado relojoeiro é amplamente dominado por marcas suíças, conhecidas pela sua experiência em relojoaria. A relojoaria suíça nasceu no início do século XVII em duas regiões: Genebra e Arc Jurassien, localizado ao redor do Lago Neuchâtel. Embora a Alemanha tenha sido a primeira nação a construir relógios portáteis miniaturizados (por volta de 1530), e a indústria suíça enfrentasse uma forte concorrência dos mercados britânico, francês e holandês, os relojoeiros suíços estiveram na origem de muitas invenções durante o século XVIII (por exemplo, o relógio perpétuo ou o turbilhão). A Suíça tinha um sistema de produção único, chamado établissage, que consistia em dividir o processo de produção em muitas entidades independentes detidas por diferentes artesãos especializados, muitas vezes com a própria oficina em casa, e com o produto final a ser montado pelos fabricantes, no final do processo. Este sistema permitiu que a indústria suíça mantivesse as suas características artesanais e tradicionais, ao mesmo tempo em que desenvolvia os seus relógios a um ritmo muito mais rápido do que o dos concorrentes. Em 1850 a Suíça produzia 10 vezes mais relógios do que a Grã-Bretanha (2.000.000 vs 200.000). Embora a Suíça tivesse pouco interesse na produção em massa, os relojoeiros suíços foram forçados a modernizar os seus processos de produção no final do século XIX (devido à concorrência do mercado americano que produziu quantidades volumosas de relógios mais baratos), mudando de seu processo établissage para um modo de produção de fábrica. A industrialização da produção com mecanização adicional levou a níveis mais altos de produtividade, mantendo o know-how único dos artesãos suíços. O maior desafio à supremacia suíça veio da chamada crise do quartzo, que ocorreu entre 1970 e 1980. A introdução de relógios de quartzo alimentados a bateria em todo o mundo, tornou obsoletos os relógios mecânicos e causou uma grande crise na indústria suíça, que não estava preparada para o surgimento desta nova tecnologia. O país rapidamente perdeu sua vantagem competitiva o que levou muitos fabricantes suíços a reposicionar a indústria relojoeira suíça em direção ao segmento de luxo e de alta qualidade do mercado e a reiniciar a produção de relógios mecânicos, que quase havia sido abandonada. Ao redefinir e combinar valores de artesanato, luxo e precisão, estes foram capazes de reconstruir a comunidade de relojoeiros mecânicos e criar procura por "relógios excepcionais". Em 2008, a indústria relojoeira mecânica suíça ressurgiu para se tornar o principal exportador mundial (em valor monetário) de relógios, restabelecendo assim o seu domínio mundial. Recolha, codificação e análise dos dados O objetivo dos autores era o de entender como as marcas relojoeiras sinalizam a sua posição social na comunicação orientada para o cliente, e os autores recolheram e analisaram todos os anúncios impressos publicados por 36 marcas relojoeiras em revistas francesas entre 2011 e 2014. De acordo com os autores, “a publicidade é um dos principais instrumentos que as empresas de luxo podem aproveitar para conferir significado às suas marcas.” As revistas são um navio ideal para se comunicar sobre produtos técnicos e de alta qualidade que podem exigir informações detalhadas, e a França é bem conhecida pela sua rica imprensa de revistas que destacam ativamente produtos de luxo, incluindo relógios. Os autores recolheram dados acerca do nível da marca, consistentes com as práticas de comunicação de marketing acerca do nível do cliente. A recolha de dados desdobrou-se em várias etapas. Primeiro, foi consultada uma plataforma on-line que lista, ilustra e categoriza todas as campanhas publicitárias do mercado francês. Com a ajuda de um Media Manager, foram seleccionadas 137 revistas francesas que publicaram anúncios de relógios durante o período 2011-2014 e identificadas 164 marcas de relógios incluídas na base de dados. Em segundo lugar, os dados foram reduzidos e construída a amostra final de acordo com os seguintes critérios cumulativos: (1) presença da marca nas listas fornecidas por associações profissionais, como a FHH; (2) presença da marca em lojas de retalho de altos padrões parisienses (ou seja, área de relógios de luxo nas principais lojas de departamento, lojas de alta qualidade especializadas e lojas exclusivas. Desta etapa resultou a seleção de 36 marcas suíças e não suíças, uma amostra que captura uma diversidade de actores em termos de tamanho, data de fundação, origem geográfica e tipo de propriedade (independente vs. grupo corporativo). Por fim, os autores recolheram 8209 entradas para essas 36 marcas durante o período de observação, correspondendo a um conjunto de 420 unidades únicas de comunicação (cada unidade sendo reproduzida em várias revistas ao mesmo tempo e/ou por longos períodos). Em seguida, foram realizadas análises qualitativas de conteúdo desses anúncios com base nos seus diferentes elementos textuais (slogan/ assinatura da marca, mensagem de texto principal e subtexto) e iconográficos (imagens e símbolos icônicos). O objetivo dos autores era duplo: identificar se e como os anúncios mobilizaram dicas pertencentes aos repertórios de estatuto, reputação ou confiança. Desenvolveu-se um livro de códigos de acordo com a definição teórica dos três constructos e os seus mecanismos subjacentes, bem como a sua operacionalização prévia na pesquisa existente em teoria da organização, combinada com as particularidades da indústria relojoeira, mas os autores mantiveram-no aberto para que novos códigos surgissem durante o processo de codificação. Uma vez que o estatuto se baseia num mecanismo de distinção baseado na posse de características discriminatórias, os autores codificaram dicas evocando noções de prestígio e de estima social como pertencentes ao repertório de estatuto. Por exemplo, como há uma longa tradição de usar prémios, certificações ou indicações como marcadores de estatuto, os autores codificaram essas referências como dicas de estatuto. A reputação é baseada num mecanismo de diferenciação e sinaliza a capacidade da marca para fornecer consistentemente alta qualidade em critérios relevantes para o mercado focal. As avaliações de reputação são, portanto, baseadas principalmente na observação do desempenho passado, a fim de formar expectativas sobre ações e desempenho futuros. No contexto da alta relojoaria, o desempenho técnico é o critério central de qualidade. Assim, os autores codificaram dicas evocando o desempenho (por exemplo, referências técnicas relacionadas à relojoaria, como movimentos ou complicações, ou evocações mais amplas de desempenho, como campeões desportivos) como pertencentes ao repertório de reputação. Finalmente, a confiança é baseada num mecanismo de alinhamento, que envolve demonstrar que a marca está em conformidade com as normas e códigos fundamentais do mercado e incorpora os seus valores. Os valores e normas constituintes da relojoaria incluem, entre outros, identidade (que se refere à história e à geografia), autenticidade e domínio. dicas referentes ao DNA, herança ou artesanato da marca foram, portanto, codificadas como pertencentes ao repertório de confiança. A primeira etapa do processo de codificação consistiu em identificar a presença versus ausência (ou seja, contagem) de dicas de confiança, estatuto e/ou reputação para cada anúncio, o que forneceu insights iniciais sobre o número e o tipo de dicas mobilizadas pelos relojoeiros. Embora útil, esta primeira etapa não foi suficiente para desenvolver uma compreensão completa das estratégias de comunicação das marcas. Os anúncios são compostos por muitos elementos (por exemplo, imagens, nomes de marcas, slogans, textos e subtextos) que têm impactos visuais diferentes. Segue-se que as dicas diferiram na sua proeminência e poder de sinalização. Por exemplo, embora o anúncio 2011J12 da Chanel inclua uma dica de confiança, indica que o movimento do relógio é produzido por Audemars Piguet, a informação está localizada numa nota de rodapé quase invisível. Em contraste, quando a Vacheron Constantin enfatiza o quão legítima é a marca, é através de uma narrativa detalhada que constitui o elemento central do anúncio. Na segunda etapa do processo de codificação, a análise foi refinada considerando a proeminência das diferentes dicas dentro de cada anúncio, a fim de fornecer uma análise mais subtil. Embora inicialmente se tenha codificado a comunicação de cada marca separadamente, os autores rapidamente descobriram padrões no uso de dicas de avaliação social em toda a amostra (ou seja, o que pareciam ser estratégias distintas). Depois de analisar toda a amostra, as marcas foram agrupadas em diferentes categorias pelas estratégias identificadas. Este processo levou à identificação de quatro grupos de marcas que diferiram nas suas características de mercado e no uso de dicas de avaliação social. A Tabela 2 apresenta a lista das diferentes marcas, e a Tabela 3 fornece o esquema de codificação e as ilustrações textuais e pictóricas dos códigos. Tabela 3. Esquema de codificação. Os autores garantiram a validade interna do processo de codificação por meio de um procedimento de codificação dupla. O livro de códigos foi desenvolvido pelos primeiros autores do estudo durante a primeira etapa de codificação. Esses dois autores codificaram conjuntamente o conjunto de dados. Em seguida, dois assistentes treinados codificaram forma independente a totalidade do conjunto de dados para identificar a presença ou ausência de dicas, usando o livro de códigos fornecido. Em seguida, os autores compararam os dois conjuntos de codificação e obtiveram uma estatística de 0,94 kappa de concordância entre os interavaliadores, o que indica concordância substancial entre os dois codificadores. Foi discutido coletivamente cada instância de codificação discrepante até se chegar a um acordo. A segunda etapa da codificação foi tratada pelos dois primeiros autores. Resultados Através da investigação da dinâmica do mercado de alta relojoaria, a análise revelou duas descobertas principais. Primeiro, foram encontradas evidências de que as marcas usam dicas de avaliação social como recursos estratégicos (ou seja, recursos que podem ser aproveitados para construir e manter uma vantagem competitiva) para desenvolver histórias sobre as marcas e sua posição social no mercado de alta relojoaria. Foram identificados quatro grupos de marcas, cada uma com histórias distintas que mobilizam e combinam os três repertórios de estatuto, reputação e confiança de uma maneira diferente. Em segundo lugar, os autores descobriram que esses recursos estratégicos não estão necessariamente homogeneamente disponíveis para todos os actores do mercado, já que algumas marcas foram mais restritas do que outras na construção do seu posicionamento social. Especificamente, foi encontrado um padrão na construção dessas histórias, de tal forma que o uso dos três repertórios ou a sua combinação não foi apenas deixada ao critério da marca, mas também dependeu da incorporação da marca no mercado. A sociologia económica postula que os mercados estão socialmente incorporados; ou seja, os actores económicos estão incorporados em diferentes graus, nas relações sociais e afiliações que moldam suas oportunidades de criação de valor. A incorporação dos actores foi definida e operacionalizada de diferentes maneiras. Neste estudo, foi examinado como as marcas estão espacial e temporalmente situadas no mercado focal da alta relojoaria. A imersão espacial de uma marca é determinada pela medida em que a relojoaria representa uma atividade central (vs. periférica): quanto maior a importância da relojoaria, do que a de outras atividades (se houver) no portfólio da marca, maior é a imersão espacial. A imersão temporal de uma marca é determinada pela extensão da presença temporal da marca no mercado: quanto mais tempo ela estiver ativa no mercado, maior será a imersão temporal. Foi descoberto que a extensão da incorporação dessas marcas molda a sua capacidade de assinalar as suas posições sociais e aceder os repertórios relacionados. Estas descobertas foram discutidas em detalhes nas subsecções a seguir. A Figura 1 mostra os quatro grupos por incorporação no mercado e ilustra os diferentes usos das dicas de avaliação social, levando em consideração a visibilidade e recorrência (ou seja, proeminência geral) nos anúncios das marcas. A Figura 2 fornece exemplos dos diferentes tipos de histórias veiculadas nesses anúncios. Figura 1. Representação dos quatro grupos e suas estratégias discursivas de acordo com sua inserção no mercado. Figura 2. Ilustrações dos diferentes tipos de anúncios e sua codificação. Marcas históricas: Guardiões da bela herança relojoaria O primeiro e maior grupo de marcas inclui os actores históricos do mercado. A comunicação dessas marcas está focada em mostrar a capacidade da marca para fabricar relógios tradicionais e enfatiza a herança e o know-how da marca. Apresentam-se como guardiões da herança relojoeira. Para fazer isso, constroem uma história que se baseia principalmente na abundante mobilização de dicas do repertório de confiança, juntamente e reforçada por algumas dicas dos repertórios de estatuto e reputação. Curiosamente, a maioria das dicas de estatuto é mobilizada para interagir com dicas de confiança (e com a noção de tradição em particular), ao mesmo tempo em que afirma a singularidade e a conveniência das marcas. Embora presente, o repertório de reputação permanece em grande parte em segundo plano. Também notável dentro deste grupo é a consistência dos elementos textuais e pictóricos dentro de cada marca. A componente de tradição da história repousa em grande parte no uso de dicas históricas. A data de fundação da marca, frequentemente mencionada, refere-se sistematicamente aos séculos XVIII e XIX, como "fundada em 1755" (Vacheron-Constantin) ou "desde 1833" (Jaeger-Lecoultre), enfatizando assim a longevidade da marca. As marcas também usam dicas temporais para enfatizar sua continuidade: “Como fabricante familiar, estamos comprometidos em restaurar e manter todos os nossos relógios. Incluindo aqueles feitos em 1839” As dicas temporais são frequentemente acompanhadas por dicas espaciais. A ancoragem das marcas na Suíça mostra-se com destaque nos anúncios, o que lhes permite enfatizar sua participação no grupo de principais players suíços legítimos. As referências à Suíça, sejam textuais ou iconográficas, são frequentemente acompanhadas e reforçadas por dicas de estatuto que mencionam lugares específicos e exclusivos do país: Genebra (Patek Philippe e Jacquet-Droz), com uma foto do lago e do jacto de água, uma atração imperdível da cidade; Vallée de Joux (Jaeger-Lecoultre); ou até mesmo um bairro no Lago de Genebra, L'Ile (Vacheron-Constantin). Esta estratégia também é usada por A. Lange e Söhne, uma das raras marcas não-suíças do grupo. Embora a marca não possa reivindicar uma identidade suíça, ela faz referência direta à Glashütte, o berço bem conhecido da indústria relojoeira alemã. Esta combinação de dicas espaço-temporais também é completada por inúmeras referências ao artesanato e autenticidade. As marcas fazem referências abundantes ao maître horloger (mestre relojoeiro), um termo profissional que enfatiza as habilidades dos artesãos da marca e envia um forte sinal de confiança. Elas também mencionam frequentemente manufature, um termo específico francês de alto estatuto que denota a capacidade de dominar a concepção de um relógio de A a Z. Essa dica de estatuto ajuda a reforçar a confiança da marca em relação ao seu artesanato. Esses elementos semânticos proeminentes e específicos da indústria também são acompanhados por referências a noções mais gerais, como tradição, atelier, savoir-faire ou métier d'art (artesanato), sugerindo que a relojoaria está na intersecção do artesanato e da arte. Esses elementos discursivos são apoiados por uma iconografia específica: a Vacheron-Constantin ilustra a proximidade do artesanato e da arte com uma imagem mostrando a mão do artesão trabalhando numa peça inspirada no fresco de Chagall da Ópera de Paris; outros apresentam uma imagem das partes mecânicas do relógio para complementar o seu discurso, como a Patek Philippe: “Os nossos 175 anos de experiência em Alta Relojoaria, no coração da herança da nossa empresa familiar, permitem-nos conceber alguns dos relógios mais elegantes e complicados alguma vez feitos” (2014). Todas essas dicas que destacam a longevidade e o know-how há muito estabelecido de marcas históricas são mobilizadas para transmitir um sentido de autenticidade e ajudar o público a distinguir “a coisa real” das suas cópias". Para complementar essa abundância de dicas de confiança, algumas marcas deste grupo também emprestam o repertório de estatuto (além das dicas de estatuto acima mencionadas). As dicas de estatuto ajudam a assinalar o prestígio derivado da história e da tradição, reforçando assim a confiança da marca como um ator central e histórico do mercado. As marcas enfatizam a sua participação activa na história da relojoaria através da exibição de inventividade técnica ou inovação, com expressões ou assinaturas como “Bréguet, criador do primeiro relógio de pulso” (Bréguet) ou “Zenith, inventor do cronógrafo automático de alta frequência” (Zenith). Elas também mencionam a relação da marca com personagens históricos de prestígio, às vezes até mesmo usando-os como endossantes: a rainha Marie-Antoinette (Jaquet Droz), o czar russo (Bréguet), ou o piloto e escritor Antoine de Saint-Exupéry (IWC). O estatuto também é exibido através do uso de certificações exclusivas, acessíveis apenas a um número limitado de actores (por exemplo, Selo de Genebra), prémios de prestígio ou a organização de exposições retrospectivas sobre a marca (por exemplo, Girard-Perregaux). As dicas de reputação também estão presentes, mas em muito menor grau, pois estão incluídas principalmente nas notas de rodapé e, portanto, permanecem em segundo plano. No entanto, um subgrupo de fabricantes (Audemars Piguet, IWC, Cartier e Chopard) enfatiza explicitamente o "desempenho técnico" do produto, enquanto alguns outros mencionam registos de patentes e afiliações com actores renomados pelo seu desempenho. Por exemplo, Breitling e Chopard enfatizam a sua colaboração com marcas de carros desportivos bem conhecidas, como Bentley ou Porsche. As dicas de reputação também são combinadas com dicas de estatuto: quando o desempenho é encenado por meio de afiliações simbólicas, é principalmente através de referências a desportos "nobres" (por exemplo, golfe, ténis, vela e pólo) ou desportos/ práticas "extremas" (por exemplo, aviação, corrida e mergulho). A estratégia de comunicação deste grupo é possível graças à profunda incorporação espaço-temporal das marcas no mercado, que é relativamente consistente em todo o grupo. Essas marcas não são apenas capazes de mobilizar em conjunto todos os três repertórios, mas também são capazes de alavancar essas avaliações sociais por meio de um conjunto rico e inter-relacionado de dicas significativas. A história construída e endossada por este grupo é a de uma marca que participou da criação do mercado, que é representativa dos seus valores fundamentais e deriva prestígio dele. A dica manufacture omnipresente, por exemplo, é tanto um sinal de conformidade com uma norma central de alta relojoaria quanto uma marca de distinção. Todas as dicas do repertório de confiança são fortemente mobilizadas para mostrar um perfeito alinhamento com as expectativas do público de uma boa relojoaria e, como efeito colateral, para possivelmente minimizar os esforços legitimadores de actores menos incorporados (ou seja, mais recentes e periféricos). Marcas notórias: Em celebração do sucesso e do estrelato O segundo grupo de actores compreende marcas tradicionais mais conhecidas e acessíveis (em termos de preço). A comunicação destas marcas é bastante intensiva e foca-se principalmente na construção da ideia de que usar um relógio de alta relojoar atribui um estatuto e sucesso aos consumidores. O domínio dos códigos da alta relojoaria aparece apenas em segundo plano, em contraste com o primeiro grupo, que baseia principalmente a sua comunicação nesses elementos. A sua história é amplamente dominada visualmente por dicas de estatuto e, em menor grau, dicas de reputação. Os consumidores-alvo são aqueles que estão ansiosos por beneficiar dessas marcas de prestígio e desempenho, por meio de uma afiliação com marcas famosas que podem ser identificadas por todos. Neste grupo, os anúncios são menos consistentes do que os das marcas tradicionais, provavelmente porque visam uma ampla gama de consumidores. Como principal meio de transmitir a ideia de distinção social, este grupo depende muito do uso de afiliações com endossantes, parceiros ou eventos de alto estatuto e bem-sucedidos. Por exemplo, a afiliação da Omega com George Clooney baseia-se na “aura” do actor no seu campo. Em muitos casos, os embaixadores, descritos como heróis, são escolhidos para expressar estatuto e desempenho nos seus níveis mais altos. Nesta história, o desempenho é referido mais como uma conquista social do que pessoal. A campanha "viva para a grandeza" 2014 da Rolex, por exemplo, celebra (principalmente) estrelas desportivas que alcançaram a posição mais alta na sua área de especialização. Além de ser endossado por prestigiadas estrelas do desporto ou do cinema, o estrelato deste grupo também conta com parcerias com eventos ou instituições para beneficiar de uma aura no seu domínio: Tag Heuer é o “parceiro oficial” do Grand Prix do Mónaco, uma das mais prestigiadas corridas de Fórmula 1; a Rolex enfatiza os seus múltiplos parceiros de prestígio oficiais e não oficiais em áreas desportivas, desde o Torneio de Golfe Evian até os campeonatos de ténis de Wimbledon e a Fórmula 1. O ponto comum desses eventos é que estes são sistematicamente apresentados como os melhores/ primeiros/ mais exclusivos eventos. Por exemplo, a Rolex retrata o Oyster Perpetual Sky-Dweller com uma imagem do campo central de Wimbledon acompanhada do slogan: "Este relógio foi testemunha de partidas históricas no campo central de um dos torneios mais prestigiados do mundo" (campanha de 2014). Este uso de endossantes de grande sucesso é reforçado por elementos semânticos que ajudam a expressar a capacidade das marcas de serem as melhores no seu campo, de terem sido as primeiras a realizar um feito ou testemunhado momentos históricos. O anúncio "Chronomat" da Breitling em 2011 ilustra este uso específico de dicas de estatuto: "Breitling compartilhou todas as grandes horas da conquista dos céus. ... Em 1952, nasceu o lendário Navitimer, seguido por muitos outros cronógrafos para os ases do céu. Hoje, a marca favorita de pilotos e entusiastas da aviação perpetua este elo autêntico e privilegiado, cooperando com a elite dos aviadores, direcionando várias formações excepcionais e associando-se aos maiores espetáculos aéreos do planeta”. Outro meio de transmitir distinção social é demonstrar a posição da marca como líder de mercado por meio de menções a prémios, inovação e comportamentos pioneiros. As marcas deste grupo comunicam em grande parte a distinção com prémios no GPHP (Grand Prix d'Horlogerie de Genève), o Óscar da indústria relojoeira. A Tag Heuer, por exemplo, menciona o "prix de la petite aiguille" de 2010, um prémio dado ao melhor relógio abaixo de 5000 euros. Os relojoeiros deste grupo também tecem referências pioneiras na sua comunicação, adicionando assim um toque de dicas históricas no seu discurso social. A Breitling e a Tag Heuer notavelmente observam a sua conquista como a primeira numa importante inovação relojoeira: "O inventor do cronógrafo moderno" (Breitling, 2011) e "O primeiro contador mecânico preciso para 1/100 de segundo" (Tag Heuer, 2011). O repertório de reputação é mobilizado para expressar o desempenho no contexto de uma grande variedade de desportos por meio de uma combinação de elementos semânticos e pictóricos específicos que ilustram visualmente a ideia de velocidade e precisão, como aviões de combate (Breitling) ou Fórmula 1 (Tag Heuer). Este grupo de marcas compartilha um espaço no mercado semelhante ao do primeiro grupo, mas numa dimensão temporal um pouco menor (em média, as marcas são mais recentes). A amplitude e a profundidade da mobilização dos repertórios são relativamente semelhantes às do primeiro grupo, mesmo que os repertórios sejam alavancados de uma maneira diferente. De maneira semelhante ao grupo anterior de marcas que usavam uma única dica para assinalar significados diferentes, alguns membros deste grupo usam embaixadores e endossantes de várias maneiras. Por exemplo, o uso de Roger Federer pela Rolex sinaliza uma conexão com o alto desempenho regular (portanto, enfatizando a reputação da Rolex), já que o ícone do ténis quebrou todos os recordes e esteve no topo da hierarquia do ténis por muitos anos (conferindo assim estatuto à Rolex), e também com a Suíça, já que Federer é nativo do país (concedendo indiretamente confiança na marca). No entanto, em contraste com o primeiro grupo, que enfatiza em grande parte a confiança na sua comunicação, no segundo grupo as marcas dependem fortemente de histórias de estrelato e sucesso por meio da mobilização dos repertórios de estatuto e de reputação. Marcas contemporâneas: A busca pelo desempenho O terceiro grupo consiste em "recém-chegados", ou marcas (essencialmente suíças e francesas) fundadas após a Segunda Guerra Mundial. As histórias que essas marcas criam concentram-se em destacar o desempenho do produto. Estas mobilizam principalmente o repertório de reputação através da representação de mecanismos que integram uma variedade de funcionalidades (enfatizando assim a excelência tecnológica da marca), e através do uso de imagens que evocam o desempenho (muitas vezes em relação a desportos ou atividades em que a medição do tempo é crucial). As dicas de confiança estão quase ausentes da comunicação destas marcas, enquanto que as dicas de estatuto são escassas e pouco visíveis. Este foco no desempenho contribui para a consistência dos anúncios dentro da comunicação de cada marca e é exibido por meio de argumentos técnicos e imagens que evocam alto desempenho. Um elemento central da comunicação destas marcas são as menções proeminentes e múltiplas de características técnicas, como o turbilhão, uma complicação relojoeira adicionada ao mecanismo de escape (Bell & Ross, Corum e Hublot), ou de uma longa reserva de energia para relógios mecânicos (Bell & Ross e Hublot). Estes elementos técnicos são completados com indicadores de desempenho e imagens evocativas associadas. Por exemplo, a Bell & Ross promove seu relógio à prova de água de 500 metros, enquanto a Hublot observa que seu modelo LaFerrari tem uma reserva de energia recorde mundial de 50 dias. Além destes termos técnicos relativamente fáceis de entender (por exemplo, cronómetro, resistência à água), estas marcas tendem a usar termos complexos que sugerem o tecnicismo da mecânica relojoeira, mas que apenas fazem sentido para os especialistas. No caso de Richard Mille, esses termos técnicos aparecem na forma de uma longa lista (que parece uma folha de dados de carros desportivos numa revista especializada) e servem como o núcleo da mensagem do anúncio. As imagens dos anúncios concentram-se em evocações de desportos mecânicos e atividades extremas, como o vôo do caça a jacto, nas quais o relógio é apresentado como uma ferramenta de alto desempenho que acompanha uma atividade em que a precisão é vital e a medição do tempo desempenha um papel essencial. Muitas vezes, as imagens genéricas usadas incluem um avião de combate (Bell & Ross), um carro de corrida (Hublot), uma mota (Bell & Ross), um mergulhador (Bell & Ross) ou um veleiro (Corum). Os anúncios também mencionam afiliações a eventos desportivos (Corum e Trophée Jules Verne), parcerias com uma marca de desportos de motor (por exemplo, parceria entre a Hublot e a Ferrari) e até mesmo parcerias com instituições militares (Bell & Ross com RAID ou GIGN). Mostrar o desempenho do relógio também envolve menções a certificações e rótulos. Embora presentes em muitos anúncios deste grupo, essas dicas são menos visíveis na comunicação, pois são evocadas principalmente por meio de pictogramas e/ou textos curtos em fonte pequena. Algumas marcas promovem o rótulo COSC (Contrôle Officiel Suisse des Chronomètres), que certifica um "alto nível de precisão e singularidade dos instrumentos de cronometragem", bem como "uma garantia de extrema qualidade". Como apenas as marcas suíças podem receber este rótulo, essa sugestão sinaliza indiretamente a adesão legítima da marca ao mercado relojoeiro. Em contraste com os dois primeiros grupos, estas marcas estão apenas parcialmente inseridas no mercado. Elas pertencem como core players (ou seja, têm a imersão espacial no mercado), mas não têm a profundidade temporal da imersão dos jogadores históricos, o que restringe a sua capacidade de mobilizar os três repertórios, particularmente a confiança. No geral, quase nenhuma dica de confiança está presente nos anúncios dessas marcas. Algumas marcas, no entanto, mencionam localizações geográficas específicas (por exemplo, La Chaux de Fonds para Corum), como marcas de distinção. Como principais players, no entanto, estas possuem a experiência técnica necessária para construir uma vantagem competitiva no mercado, o que lhes permite aproveitar extensivamente o repertório de reputação por meio de uma rica variedade de dicas que exaltam a complexidade técnica e o desempenho dos relógios. O que lhes falta em amplitude de repertório é um pouco compensado pela profundidade de uso do repertório de reputação. Marcas de alta costura, jóias e acessórios: perdidas em avaliações sociais O quarto grupo compreende principalmente marcas de luxo, provenientes dos mercados de jóias, moda e acessórios. Sejam limitadas (por exemplo, Dior) ou bem-sucedidas (por exemplo, Chanel) em termos de vendas de relógios, essas marcas destacam-se dos outros três grupos. De facto, elas são caracterizadas por um discurso bastante simplista, se não ausente, que evoca marginalmente os códigos da alta relojoaria. A sua comunicação não consegue construir uma história consistente (num nível de grupo ou de marca, excepto Louis Vuitton), mas usa dicas disseminadas e principalmente desconectadas pertencentes aos repertórios de estatuto (principalmente) e confiança, sem mobilizar o repertório de reputação de maneira visível. Na maioria dos anúncios, o relógio ocupa a parte central (se não toda) da página do anúncio, sem texto ou com o suporte de notas de rodapé de fontes pequenas. As marcas fazem poucas ou nenhumas referências aos valores e normas da alta relojoaria. Por exemplo, apenas a Louis Vuitton indica que seus relógios são produzidos em La Chaux de Fonds, um dos berços da indústria relojoeira suíça. Outras marcas, como a Van Cleef & Arpels, que produz relógios há mais de um século e, portanto, pode qualificar-se como um actor legítimo de mercado temporariamente falando, curiosamente não capitalizam este facto ou fazem qualquer menção à sua experiência histórica em relojoaria. Além disso, não há elementos iconográficos que possam ajudar a ancorar as marcas de alta costura e jóias no mercado e contrabalançar a ausência de elementos de confiança no discurso. O repertório de estatuto é superficialmente mobilizado através do uso de embaixadores de prestígio. Na maioria dos casos, no entanto, e ao contrário da estratégia de afiliação de marcas do grupo de marcas históricas, esses endossantes não têm conexão com o mercado relojoeiro, mas parecem ter sido selecionados pela sua aura glamourosa, como Sophie Marceau para Chaumet e Charlize Theron para a Dior. Além disso, embora todas essas marcas beneficiem de uma posição de alto estatuto no seu mercado de origem, elas não fazem nenhuma tentativa de transferir parte desse prestígio para o mercado relojoeiro. Uma exceção é a Van Cleef & Arpels, cujos anúncios fazem referências directas ao alto estatuto da marca em alta joalharia, o seu principal mercado. Algumas dicas de reputação estão presentes, mas quase invisíveis, e os elementos técnicos dos relógios não são, na sua maior parte, mencionados; se forem, é apenas superficialmente. Isso deve-se, em parte, à super-representação dos relógios femininos neste grupo e aos estereótipos de género do mercado relojoeiro, que tende a associar o desempenho aos relógios masculinos e o glamour aos relógios femininos. No geral, as marcas deste grupo fazem pouco uso dos repertórios de avaliação social, provavelmente devido à sua limitada inserção no mercado. Em contraste com os outros grupos, cuja associação é relativamente homogénea, as marcas que se enquadram no quarto grupo são altamente heterogéneas em termos da sua imersão temporal, com níveis significativamente mais altos de imersão temporal para marcas de jóias. Por exemplo, enquanto a Chaumet começou a fabricar relógios finos no início do séc. XIX e a Van Cleef & Arpels no início do séc. XX, a Chanel só começou a sua atividade relojoeira em 1987 e a Louis Vuitton em 2002. A extensão da imersão espacial do grupo, no entanto, é homogeneamente baixa, já que a sua identidade como marcas de jóias ou alta costura os situa como actores periféricos do mercado. A sua incorporação geral limitada no mercado restringe significativamente a sua capacidade de alavancar os repertórios de avaliação social. Em particular, impede quase inteiramente que estas mobilizem o repertório de confiança, tanto quanto o primeiro grupo de marcas o apresenta fortemente. Como players do mercado periférico, estas também não têm experiência técnica que lhes permita mobilizar o repertório de reputação. Finalmente, embora possam aceder facilmente ao repertório de estatuto (dada a sua posição de alto estatuto nos seus principais mercados), apenas um número limitado de marcas o faz e apenas superficialmente, através de um conjunto limitado de dicas. Em contraste com o primeiro grupo, que usa várias dicas complementares para assinalar o seu estatuto no mercado, este grupo de marcas evoca a distinção social através do uso de endossantes famosos e glamourosos, numa estratégia emprestada do seu mercado de origem. Contribuições teóricas Os autores basearam-se na abordagem dinâmica do sistema de mercado para conceituar estatuto, reputação e confiança como recursos estratégicos que as marcas mobilizam para assinalar a sua posição social no mercado. Como essa abordagem sugere, os mercados estão a evoluir em sistemas complexos, em vez de estruturas estáveis pré-existentes. De acordo com essa compreensão dos mercados como sistemas dinâmicos, a pesquisa dos autores explora a dinâmica subjacente à posição social das marcas e mostra como as marcas são moldadas pelos complexos sistemas sociais nos quais estão incorporadas e como são capazes de moldá-las activamente. Ao fornecer insights sobre como as marcas mobilizam e organizam dicas de avaliações sociais para influenciar as percepções do público sobre sua posição social, aumentam o conjunto de estudos que tratam as avaliações sociais de um ângulo estratégico, uma perspectiva que, de outra forma, dificilmente seria adoptada na pesquisa de marketing sobre avaliações sociais, que tende a concentrar-se nos benefícios que as marcas podem obter do seu estatuto, reputação ou confiança. Mais especificamente, a contribuição dos autores para a literatura de marketing é tripla. Primeiro, em contraste com trabalhos empíricos anteriores que tendem a concentrar-se numa única avaliação e/ou às vezes a confundi-las, os autores desenvolveram uma perspectiva integrativa que considera e operacionaliza estatuto, reputação e confiança como recursos estratégicos distintos que as marcas podem implantar. Ao fazer isso, lançaram alguma luz sobre os mecanismos subjacentes dessas avaliações, o que, por sua vez, lhes permitiu identificar repertórios de comunicação distintos associados ao estatuto, reputação e confiança. Esses três repertórios diferem em natureza. Por exemplo, o repertório de confiança é principalmente específico do contexto, já que as normas e expectativas estão vinculadas ao mercado focal (ou seja, a noção de património espaço-temporal ou artesanato certamente importa em outros mercados da indústria de luxo, mas não tanto em outras indústrias). O repertório de reputação é menos específico: seja qual for a indústria, a construção da sua reputação baseia-se na sinalização do desempenho do produto ou serviço; a forma que esse desempenho assume, no entanto, depende do mercado em causa. O repertório do estatuto é o que parece menos específico e o mais fungível: embora algumas dicas estejam relacionadas com o mercado, outras podem ser derivadas de fora do mercado focal. Em segundo lugar, os autores acrescentam à pesquisa que se concentra no uso estratégico de avaliações sociais, insights sobre como os diferentes tipos de marcas usam esses repertórios de forma diferente. Especificamente, os autores descobriram diferentes padrões na maneira como as marcas implantam e combinam esses repertórios na sua comunicação para obter uma vantagem competitiva: algumas marcas usam todos os três repertórios, algumas concentram-se num único e outras não se baseiam em nenhum. De particular interesse é a maneira como esses repertórios às vezes são usados em combinação, para reforçar algumas dicas (por exemplo, dicas de estatuto sendo usadas para fortalecer a visibilidade de elementos relacionados com a confiança, como tradição ou autenticidade). Essas diferenças devem-se, em parte, à intenção estratégica das marcas, uma vez que há alguma discrição na maneira como as marcas podem usar esses recursos para moldar a sua posição no mercado, mas também são limitados por um acesso diferenciado aos repertórios. Especificamente, argumentam que a extensão da incorporação no mercado de uma marca afecta tanto a amplitude quanto a profundidade da mobilização desses repertórios. Os actores incorporados podem aceder a todos os repertórios e operacionalizá-los num grande conjunto de dicas ricas, significativas e interconectadas, enquanto os actores menos incorporados são mais restritos no acesso a repertórios e na escolha de dicas, sendo estas últimas usadas de forma mais inconsistente e superficial. Em particular, os autores descobriram que o repertório de confiança é difícil (se não impossível) de mobilizar por marcas com pouca inserção no mercado, como marcas de jóias, alta costura ou acessórios, e em menor grau por recém-chegados, que estão mais incorporados e dominam os códigos do mercado, mas ainda não têm a profundidade temporal dos actores históricos. Embora a falta de património ou inserção no mercado constitua um obstáculo significativo para que essas marcas mobilizem dicas de confiança, a estratégia de comunicação das marcas do primeiro grupo (jogadores históricos) contribui claramente para tornar essas marcas incapazes de fazer reivindicações de confiança. Ao enfatizar a sua conformidade com as normas e valores do mercado, os actores históricos refletem os esforços dos seus concorrentes para aparecer como relojoeiros legítimos. Isso destaca uma clara luta de confiança no mercado, o que restringe tanto os recém-chegados quanto as marcas de jóias, alta costura e acessórios na implantação de outros repertórios para construir a sua posição social. Enquanto os recém-chegados mobilizam fortemente o repertório de reputação, apresentando o desempenho técnico dos seus produtos, as marcas de jóias, alta costura e acessórios mobilizam dicas de estatuto superficiais que estão mal conectadas ao mercado. Além disso, a descoberta de que os actores históricos podem aceder a mais repertórios e a um conjunto mais rico de dicas do que outras categorias de marcas, contribui para enriquecer as discussões recentes que sugerem que as marcas que desfrutam de uma herança significativa e a incluem nas suas propostas de valor e identidades, beneficiam de possibilidades distintas e de um aumento de oportunidades para promover a lealdade e a satisfação do consumidor. A sua presença na origem espaço-temporal do mercado permite que elas mantenham e protejam o seu património, que, no contexto deste estudo, assume a forma de uma ênfase excessiva nos códigos e valores de mercado. Em terceiro lugar, os resultados também contribuem para o fluxo de pesquisas que investigam o papel da comunicação na construção de marcas, em particular no campo do luxo. A comunicação “é central para criar significado de marca, dotando as marcas de valores simbólicos e incorporando-as no seu contexto sociocultural mais amplo”. Os autores mostram como as marcas relojoeiras usam a sua publicidade impressa para construir e alcançar uma posição social distinta no mercado relojoeiro. Estas descobertas ressoam e complementam conclusões que as casas de luxo usam nas suas campanhas publicitárias não apenas para promover os seus produtos, mas também para transmitir valores identitários de luxo, como autenticidade, beleza e herança. O que os dados dos autores sugerem, no entanto, é que esses valores não são igualmente mobilizados ou acessíveis a todas as marcas. Os autores deram uma contribuição importante ao sugerir que, mesmo dentro de um grupo de marcas pertencentes ao mesmo sector (ou seja, alta relojoaria), há nuances e, às vezes, diferenças importantes, na maneira como essas marcas de luxo se apresentam. Os resultados revelaram que as marcas de luxo, apesar da sua alta posição social, permanecem limitadas na inserção no mercado. Por exemplo, os dados mostraram que a noção de autenticidade só pode ser totalmente mobilizada por marcas históricas, que podem enfatizar a sua experiência e criatividade ao longo do tempo e, assim, tornar-se referências transgeracionais. Da mesma forma, encontramos diferenças na maneira como as marcas usam as celebridades, um meio importante para construir o valor da marca. Embora as marcas históricas usem uma variedade de embaixadores da marca, como figuras históricas, celebridades recentemente falecidas ou indivíduos menos famosos (por exemplo, fundadores ou proprietários das marcas), os outros players mobilizam principalmente celebridades contemporâneas "mainstream". Implicações práticas Esta pesquisa também tem implicações para a prática em termos de sinalização das marcas relativamente à sua posição social nos mercados e, em particular, na procura ou defesa da sua confiança. Ser ou parecer legítimo no mercado é de suma importância. Como as pesquisas anteriores demonstraram, a confiança implica um maior apoio ao consumidor, um aumento das intenções de compra, e melhores ganhos com novos produtos . Este estudo sugere, no entanto, que adquirir ou manter confiança é um empreendimento complexo, como indicado na seguinte anedota: quando a Montblanc, uma marca alemã que produz instrumentos de escrita de luxo, anunciou em 1997 a sua entrada no mercado de relógios de pulso, o CEO na época foi confrontado com perguntas de jornalistas como "Como é que se mete a tinta no relógio?" em desafio direto à confiança da extensão da marca. Novas marcas, como as pertencentes ao terceiro grupo, sofrem, por definição, da responsabilidade da novidade ao lançar as suas atividades. Como tal, não podem alavancar nenhum capital de marca pré-existente e devem construir seu posicionamento do zero. Uma estratégia válida, como este estudo ilustra, é: investir em desempenho técnico, já que o domínio técnico esteve na origem do mercado da alta relojoaria mecânica. A Richard Mille, por exemplo, que foi fundada em 2001, destacou-se na área através dos seus materiais e tecnologias inovadoras, tal como com a apresentação do desempenho técnico dos seus produtos. A estratégia da marca permitiu que esta ganhasse estatuto e uma reputação que compensava a sua falta de confiança original, até ao ponto em que a marca foi reconhecida como sendo um actor-chave e convidada a participar em programas exclusivos e profissionais da alta relojoaria. As marcas estabelecidas que estendem as suas atividades para um novo mercado, como as pertencentes ao quarto grupo, também sofrem com a responsabilidade da novidade, já que as estratégias de extensão de marca têm de ser percebidas como legítimas para serem bem-sucedidas. Em contraste com os recém-chegados, essas marcas muitas vezes beneficiam de um forte capital de marca no seu mercado de origem. Portanto, uma estratégia válida pode ser alavancar explicitamente esse capital de marca pré-existente por meio de extensões de marca. Os autores observaram, surpreendentemente, que as marcas da nossa amostra pouco usaram essa estratégia, com exceção da van Cleef & Arpels, que faz referências explícitas à alta joalharia, o seu principal mercado. Outras estratégias incluem associar-se ou adquirir um actor legítimo. A Montblanc, por exemplo, adquiriu a fabricação Minerva em 2006 e entrou com sucesso no mercado de relógios finos, baseando-se fortemente na longa e reconhecida herança deste fabricante suíço, que produzia relógios desde 1858. A busca pela confiança foi tão importante que até levou a Montblanc a envolver-se num discurso altamente ambíguo sobre o seu envolvimento na relojoaria. No seu site, a marca afirma: "A tradição relojoeira Montblanc começou há 160 anos, em 1858". No entanto, o primeiro relógio da marca foi realmente produzido em 1997, e a "tradição" referida é a desenvolvida pela Manufatura Minerva. Finalmente, embora os jogadores do mercado que dominam os valores e normas que ajudaram a construir, beneficiem das posições estabelecidas, podem sempre ver essas posições desafiadas ou ameaçadas por recém-chegados com a intenção de alterar as regras do jogo. Por exemplo, o aparecimento de smartwatches em 2015 afectou profundamente o mercado da alta relojoaria, mudando os seus limites, com um impacto directo na posição das marcas de alta relojoaria no mercado. As marcas com baixa incorporação no mercado podem aproveitar a oportunidade de tal inovação tecnológica para interromper a ordem estabelecida, como é o caso da Louis Vuitton e da Montblanc, que lançaram seus smartwatches em 2017. Para se defender contra tais ameaças, uma estratégia bem-sucedida pode consistir em fortalecer a importância dos valores e normas fundamentais do mercado e a constelação de significados que os acompanham. Ao influenciar as representações de como deve ser uma marca típica de alta relojoaria, as marcas de alta relojoaria podem dificultar o posicionamento de marcas novas ou externas neste mercado. -- Este é um estudo muito recente com um contributo muitíssimo importante para as novas marcas portuguesas. É possível deixar o seu comentário a este artigo, todos os comentários são muito bem-vindos. Para apoiar estes e outros artigos assine o Clube IPR:
- Relógios de Xadrez
Como é que um simples jogo pode mover tantas paixões? Em 1971, quando o americano Bobby Fischer derrotou o russo Boris Spassky, grande parte do mundo parou para assistir à partida. Actualmente existem clubes, federações, e campeonatos mundiais de xadrez. Aqui para nós, não se joga xadrez sem relógio, e já que usamos um relógio de xadrez, que seja, ao menos, um Heuer Chess Master! Fique a conhecer melhor este desporto, a evolução dos seus relógios e até algumas sugestões de filmes. A BREVE HISTÓRIA DA ORIGEM DO XADREZ A história do xadrez tem uma origem controversa, contudo é possível afirmar que o jogo foi inventado na Ásia. Actualmente, a versão amplamente difundida é a de que teria surgido na Índia com o nome de Chaturanga e dali se difundiu para a China, Rússia, Pérsia e Europa, onde se estabeleceram as regras atuais. Pesquisas recentes indicam uma possível origem na China do século III a.C., na região entre o Uzbequistão e a Pérsia antiga (atual Irão). O quadro do pintor belga Albert Frans, do Séc. XIX, mostra um casal a jogar xadrez com um ar entediado. Por esta altura ainda não existam relógios de Xadrez e as partidas eram muito longas A ORIGEM DOS RELÓGIOS DE XADREZ Durante muitos anos não foram utilizados relógios de xadrez. Em torneios oficiais, alguns jogadores chegavam a demorar 1h para fazer uma jogada apenas, e os jogos decorriam durante 8h a 9h, há registo de jogos com 14:30h. Uma alternativa encontrada em 1860, em Londres, foi a ampulheta, um instrumento bastante prático para esta função. Sempre que se iniciava uma jogada, um jogador deitava a sua ampulheta e o outro erguia-a. Porém as condições de humidade afectavam bastante o desempenho das ampulhetas, por essa razão passaram a usar-se relógios mecânicos de xadrez, mais fiáveis e precisos. Em 1883, Thomas Bright Wilson e Joseph Henry Blackburne inventaram o relógio de xadrez mecânico, que foi usado pela primeira vez num torneio em Londres. Foi um grande passo na direção certa para manter com precisão a duração do jogo sob um limite de tempo, no entanto, ainda havia desvantagens, incluindo a dificuldade de combinar os dois relógios com precisão e o facto de que o tempo adicional não poderia ser facilmente adicionado para um controlo mais complexo. Em 1973, foi inventadoo primeiro relógio de xadrez digital, por Bruce Cheney, um estudante da Universidade de Cornell. O relógio digital permitia um controlo de tempo mais sofisticado do que o relógio analógico, mas, como qualquer protótipo, tinha alguns problemas. Em 1975, Joseph Mashi e Jeffrey Ponsor criaram o primeiro relógio digital disponível comercialmente chamado Micromate-80. Três anos depois, em 1978, foi produzido um relógio melhorado, chamado micromate-180. Relógio de Xadrez Micromate-180 O relógio digital era mais preciso do que os analógicos, e também poderia ser programado, adicionando criatividade à forma como os jogos poderiam ser cronometrados. Enquanto as ampulhetas reduziram os tempos para algumas horas, os relógios digitais significavam que os jogadores agora podiam jogar um jogo em alguns minutos - necessário para as rápidas do xadrez. Em 1988, o campeão mundial de xadrez Bobby Fischer patenteou uma adição ao relógio de xadrez digital. Segundo a sua ideia cada jogador passou a ter um período de tempo fixo no início do jogo e, uma pequena quantidade de tempo após cada movimento, tudo para que os jogadores não ficassem com pouco tempo se precisassem mais tarde. Este método de tempo é frequentemente referido como “incremento”. Simplificando, incremento significa que quando chega a vez de um jogador mover uma peça, o atraso (ou incremento) é adicionado ao tempo restante desse jogador. Se o atraso for de cinco segundos, e o jogador tiver dez minutos restantes, quando o seu relógio for activado, terá apenas dez minutos e cinco segundos restantes. A adaptação de Fischer ao relógio significava que um jogador poderia jogar finais com mais tempo para pensar. FUNCIONAMENTO DOS RELÓGIOS DE XADREZ Os relógios de xadrez funcionam com o princípio das ampulhetas. Os mecânicos, como os de quartzo, têm na mesma caixa dois relógios, um para cada jogador. Para jogar com um relógio de xadrez mecânico deve seguir-se o seguinte procedimento: no início da partida acertam-se ambos os relógios; colocam-se os ponteiros dos minutos em igual posição, por exemplo ambos ao minuto 55; entre os 55 e os 60 minutos o ponteiro dos minutos empurra a bandeira* para cima, cada vez mais, até a deixar cair; perde o jogador que sofra xeque-mate ou que veja a sua bandeira cair; para parar o relógio, basta colocar os dois botões à mesma altura. * A bandeira é um ponteiro de plástico, normalmente vermelho, que está simplesmente encaixado num pequeno veio, sem ligação ao mecanismo. O NOSSO PREFERIDO - HEUER CHESS MASTER Apesar dos relógios de xadrez oscilantes nos parecerem muito interessantes, rendemo-nos ao Heuer Chess Master. Lançado pela primeira vez nas décadas de 1960 e 70, a Heuer lançou o seu próprio relógio de xadrez, o Chess Master. Este relógio com design muito marcado pela época foi apresentado em duas versões, uma com caixa de alumínio escuro e outra com caixa de madeira lindamente trabalhada. Actualmente é um dos relógios de xadrez vintage mais colecionáveis. O lindíssimo Chess Master apresenta um movimento analógico de alta qualidade que, com boa manutenção, após 50 anos, ainda pode ser bastante fiável. A frase que se impõe é: «Nem todos os relógios de xadrez analógicos são bonitos, mas todos os belos relógios de xadrez são analógicos». O atual renascimento do jogo entre os mais jovens e o impacto da recente série de TV, «O gambito da dama», na qual o Chess Master da Heuer é protagonista, trouxeram um certo glamour de volta ao mundo do xadrez. De acordo com o New York Times, após o lançamento desta série, as vendas de relógios de xadrez aumentaram repentinamente. Heuer Chess Master XADREZ NO CINEMA Existem imensos filmes e séries de televisão sobre xadrez, deixamos aqui algumas recomendações: 1 - Searching for Bobby Fischer - filme 2 - Magnus - documentário 3 - Brooklyn Castle - documentário - filme 4 - Queen of Katwe - filme 5 - Bobby Fischer Against the World - filme 6 - The Luzhin Defense - filme 7 - Pawn Sacrifice - filme COMO COMEÇAR A JOGAR XADREZ? Gostava de aprender xadrez ou mesmo de jogar numa equipa? Comece por encontrar o seu relógio de xadrez favorito e, de seguida, entre em contacto com a Federação Portuguesa de Xadrez, para mais informações sobre Mestres e equipas disponíveis.
- Baltic Watches
A Baltic é uma marca de relógios francesa que foi fundada em 2016 por Etienne Malec. O nome Baltic nasceu como homenagem ao seu pai, que cresceu na costa norte da Polónia. E foi na Polónia que o pai de Etienne começou uma colecção de relógios, que documentou com notas em papel. Quando faleceu, Etienne herdou esses documentos que o cativaram e o levaram a criar a Baltic. O grande objectivo de Etienne é oferecer peças de alta qualidade a preços justos e ser transparente sobre a produção do seus relógios. O relógios são fabricados e montados em três países diferentes, Hong Kong, França e Itália. Em Hong Kong são produzidos a maioria dos componentes, na França é feita a montagem, regulação dos relógios e a produção de correias. Por fim na Itália são feitos os acessórios. Após serem fabricados os vários componentes, estes são enviados para o Atelier da Baltic em Besançon, França para serem montados e regulados. Em 2021, a marca teve um grande sucesso com a colecção MR01, mais propriamente com o MR01 Salmão, que conquistou o mundo dos entusiastas. O primeiro lote esgotou rapidamente e no mercado secundário os preços dispararam, tendo estado 3 ou 4 vezes mais alto que o preço de venda ao público, apesar da promessa de mais lotes. Em 2021, a marca teve grande sucesso com a colecção MR01, mais propriamente com o MR01 Salmão, que conquistou o mundo dos entusiastas. O primeiro lote esgotou rapidamente e, no mercado secundário, os preços dispararam, tendo estado também bem mais alto que o preço de venda ao público, apesar da promessa de um aumento de produção. COLECÇÕES BALTIC: TRICOMPAX Nesta colecção existe o modelo Panda e Panda reverso, os dois estão equipados com o calibre suíço Sellita SW510-M numa caixa em aço 316L de 47mm e uma espessura de 13,5mm. AQUASCAPHE GMT A colecção Aquascaphe GMT é composta por três relógios, e o que os diferencia são as diferentes cores do bisel. A caixa em aço 316L com 39 mm de diâmetro e 12mm de espessura, vem com o calibre Sopord C125 de fabricação suíça, com 42 horas de reserva marcha. BICOMPAX 002 O Bicompax 002 é um relógio cronógrafo de corda manual, inspirado nos relógios da década de 1940. Está equipado com o calibre Seagull ST1901 que inclui roda de colunas. A caixa é em aço 316L, tem 38 mm de diâmetro e 12mm de espessura, incluíndo o vidro. HMS 002 Os 3 modelos da colecção HMS 002 integram o movimento automático Miyota 8315, que oferece uma reserva de marcha total de 60 horas. Como o modelo bicompax, os HMS 002 vem com uma caixa em aço de 38 mm e 12 mm de espessura. Para mais informações, visite o sítio da Baltic, aqui.
- Pulsos femininos
Para celebrar o dia mundial da mulher, recordamos 3 relógios históricos, destinados a pulsos femininos, tal como as suas versões actuais. Tanto versões originais como as modernas são peças impressionantes. O primeiro relógio de pulso - Breguet De acordo com Emmanuel Breguet, historiador e descendente de Abraham-Louis Breguet, considerado a maior personalidade da relojoaria de sempre, a Sra. Caroline Murat comprou seu primeiro Breguet em 1805, quando tinha apenas 23 anos. Em 1814, Murat havia comprado 34 relógios da Breguet, incluíndo um em 1812 que se tornaria o primeiro relógio de pulso da Breguet, e do mundo. Este Breguet número 2639 foi entregue dois anos e meio depois de ter sido encomendado e vendido pela soma principesca de 4.800 francos franceses. Além do formato incomum da caixa, um elemento decorativo ajudou a distingui-lo de todos os outros relógios da época: uma pulseira feita em ouro. Em 2002, a moderna marca Breguet apresentou a linha Reine de Naples em homenagem a esta peça histórica excepcional, que foi vista pela última vez em 1855, quando retornou à oficina da Breguet para reparação. Esta nova interpretação mede 38,45 x 30,4 mm e é adornado com 330 safiras azuis. As horas são exibidas num mostrador de ouro banhado a prata. Hermès, um criador de tendências inadvertido Em 1912, precisamente 100 anos após a primeira Reine de Naples de Breguet, uma jovem ousada foi responsável por Hermès criar inadvertidamente o primeiro relógio de pulso, um ícone francês. A história diz que Jacqueline Hermès, um membro da terceira geração da família Hermès (neta do fundador Thierry Hermès), não gostava da maneira como tinha que usar seu pequeno relógio de bolso, considerando que não era suficientemente prático para as suas actividades de lazer mais activas. Desta forma, pediu ao seu pai para o encaixar numa «bolsa» de couro que lhe permitisse amarrá-lo ao pulso. No final de 2012, precisamente um século depois, La Montre Hermès honrou sua criação com um novo relógio de "bolso" simples e divertidamente apelidado de - In The Pocket. In The Pocket permite que o proprietário decida se deve ser usado no bolso, no pulso ou ao pescoço, fazendo assim uma ligação delicada com o ilustre passado da Hermès. O primeiro relógio de pulso de Patek Philippe Em 1868, Patek Philippe fabricou um relógio muito delicado com uma pulseira em ouro amarelo. A caixa retangular também em ouro amarelo foi decorada com esmalte e diamantes, bem como com uma decoração ao nível da mais alta arte de joalharia da época. Esta preciosidade esconde um pequeno movimento de corda de 6 linhas (13,5 mm) com um escape de cilíndro. Foi vendido à condessa húngara Koscowicz em 13 de novembro de 1876. O primeiro relógio de pulso da Patek Philippe foi especificamente concebido para ser um relógio de pulso, em vez de ser um relógio de bolso ou pendente transformado. Quarenta e oito anos depois, a Patek Philippe criou seu primeiro repetidor para o pulso. Naturalmente, construído para uma mulher. Trata-se de um repetidor de cinco minutos, com dois gongos, construído sobre um movimento de Victorin Piguet, este complicado espécime de platina com uma caixa de 33,8 mm, ricamente gravada à mão e bracelete integrada, foi vendido para um certo D.O. Wickham em Nova York.
- NOVIDADE: MoonSwatch Gold
MoonSwatch Mission To Moonshine Gold Depois de uma grande expectativa criada por um post no Instagram, com dois dias de antecipação, o novo MoonSwatch chegou! Mas não é de todo o que pensávamos. A Swatch criou uma enorme expectativa com o nome "Mission to Moonshine Gold" e, desta forma, especulámos até onde nos foi possível. Sugerimos a hipótese da existência de uma caixa nova, talvez um metal precioso. É caso para dizer que a montanha deu à luz (da Lua) um ponteiro. O que temos é efetivamente um MoonSwatch Mission to the Moon com um toque dourado pelo meio, no ponteiro de cronógrafo que, como se pode ver, é de uma cor diferente, em relação aos ponteiros dos totalizadores e dos pequenos segundos. Isso deve-se a um revestimento em ouro Omega Moonshine feito, ouro reciclado, proveniente da própria refinaria certificada do Swatch Group. A liga Moonshine Gold Em 2019, a Omega apresentou o 500º aniversário do Speedmaster Professional Apollo 11 em Moonshine Gold. Esta liga de 18K consiste em 75% de ouro (daí os 18 quilates), 14% de prata, 1% de paládio e menos de 9% de cobre. Dá ao ouro uma sombra mais pálida, mas também aumenta a longevidade de sua cor e brilho. UM MUNDO MÁGICO EM OURO RECICLADO Cada ponteiro de segundos dourado foi produzido sob a lua cheia no mês de fevereiro e vem com um certificado especial afirmando esse facto no momento da compra. Porquê durante a Lua cheia? Segundo a informação disponível, «porque a Lua produz efeitos mágicos sobre muitas coisas, inclusivamente sobre os humanos». O revestimento Moonshine afecta o preço do novo MoonSwatch, mas apenas por cerca de 25€. Cumpre-nos informar que este, tal como os MoonSwatch anteriores não podem ser adquiridos online. Mas há mais más notícias! Esta nova Mission Moonshine Gold só estará disponível para compra HOJE, 7 de Março de 2023, em Londres, Milão, Tóquio e Zurique. Porquê nestas cidades apenas? Bem, a Swatch indica que a escolha é sua, com toda a propriedade para tal, e deve-se à relação destas cidades com o ouro. Por exemplo, Londres foi escolhida porque é o local onde o preço do ouro é fixado a nível global. Por outro lado, a Paradeplatz, na Suíça, é conhecida pela existência de muitos bancos e reservas de ouro. Estes relógios não são tecnicamente de edição limitada, mas são limitados em produção no sentido em que só estão disponíveis hoje. Parece um contra-senso? Haverá mais? Swatch indica que provavelmente realizarão outro evento como este no futuro - possivelmente sob a luz de outra Lua Cheia. Sobre a questão da quantidade de relógios produzidos, a Swatch não está com reticências e indica claramente: não os suficientes. QUANDO POSSO COMPRAR UM? Talvez na próxima Lua cheia, mas apenas um por cliente. FICHA TÉCNICA Marca: Omega X Swatch Modelo: MoonSwatch Mission to the Lua Diâmetro: 42mm Espessura: 13,5 mm Material da Caixa: BioCerâmica Cor do mostrador: Preto Lume: Sim Resistência à água: 30m Bracelete: Velcro
- Isotope HydriumX® 'Exit'
A Isotope mostra-nos a porta de saída, no novo Isotope HydriumX ® 'Exit'. É o mais recente lançamento da Isotope e mais um com selo IPR - PPT (Marcas Propriedade de Portugueses). Aproveite que a porta de saída está aberta para fazer a pré-encomenda desta edição que é limitada a 100 unidades. Vem equipado com um mostrador luminescente que «acende» no escuro, para fácil leitura e também, já agora, para nos mostrar a porta de saída. Às 4h vemos uma pequena figura a correr para a porta de saída. O ponteiro do segundos em forma de seta, também nos ajuda a encontrar a saída. São pormenores muito curiosos que a Isotope nos apresenta. Este relógio está preparado para resistir a uma pressão de 300 m, vem equipado com uma caixa de 40 mm em aço, fundo aparafusado e um vidro em safira duplo. Luneta unidirecional de 120 cliques com uma tonalidade verde complementada pelos ponteiros Isotope Lácrima em dois tons. CARACTERISTICAS TÉCNICAS: • Diâmetro da caixa 40mm X 48mm (incluíndo asas) • Altura 12,9 mm (14,9 mm com cristal de safira com cúpula dupla) • Fundo transparente aparafusado • Luneta unidirecional com 120 cliques • Vidro de safira antirreflexo • Coroa aparafusada às 3 horas • Mostrador luminescente • Ponteiros Isotope Lacrima com Super-LumiNova® • Resistência à água 300m / 30 atm / 1000 pés • Movimento Landeron - automático • Reserva de marcha 40 horas, 28 rubis, 28800A/h • Precisão -12/+12 s/dia • Acabamentos Perlage e Côtes de Genève
- Novidade MoonSwatch: Mission To Moonshine Gold 2023
Há umas horas atrás, no Instagram, a Swatch publicou um vídeo com uma pequena provocação relativa ao MoonSwatch: “Mission to Moonshine Gold” “7 de Março”. Está pronto para uma reviravolta no Swatch x Omega MoonSwatch? O vídeo indica que a data da "reviravolta" será no dia 7 de Março às 18h de Lisboa. Dia 7 de Março será dia de Lua cheia em Bienna, a cidade onde a Omega instalou as suas oficinas. É ainda feita a seguinte indicação, sem mais detalhes, para cada um tirar as suas conclusões: 🌒 Paradeplatz, Zurich, Switzerland 🌓 Tokyo Stock Exchange, Tokyo, Japan 🌔 Piazza Affari, Milan, Italy 🌕 The Royal Exchange, London, UK O LANÇAMENTO NO ANO PASSADO No ano passado o anúncio do Moonswatch antecedeu o Watches and Wonders por umas semanas. Pois bem, aqui estamos de novo, umas semanas antes do watches and Wonders, que vai decorrer de 27 de Março a 2 de Abril, aparentemente com um novo lançamento. O LANÇAMENTO DESTE ANO Trata-se provavelmente um novo modelo da linha MoonSwatch. No ano passado, a apresentação dos primeiros modelos agitou bastante as águas, tanto na imprensa relacionada com relógios como na generalista. As opiniões acerca destes modelos ainda se dividem, talvez esse seja mesmo um dos segredos do seu sucesso. Embora não haja uma opinião consensual, todos têm algo a dizer, e não se inibem do fazer, o que tem dado uma grande visibilidade a esta aventura conjunta. Actualmente o site da Swatch ainda tem o seguinte aviso: "SWATCH X OMEGA "REACH FOR THE PLANETS" COM A COLEÇÃO BIOCERAMIC MOONSWATCH. Devido à grande procura por parte dos fãs da Swatch em todo o mundo, não existe atualmente stock suficiente da coleção Bioceramic MoonSwatch. Estamos a trabalhar 24 horas por dia nos bastidores para fabricar os 11 relógios únicos e reabastecer regularmente as nossas lojas Swatch selecionadas com esta coleção especial de colaboração entre a Swatch e a OMEGA. Embora estes sejam definitivamente especiais, não fazem parte de uma edição limitada e, assim sendo, ainda poderás de facto deitar as mãos a um. Vemo-nos em breve nas nossas lojas! Se se confirmar que vem aí um novo modelo no dia 7, este será lançado sem que os anteriores estejam disponíveis em loja a 100%. Até hoje os MoosSwatch nunca estiveram disponíveis online, porém a disponibilidade nas lojas físicas melhorou ao longo do ano. Será que os coleccionadores estão desejosos para receber mais outro modelo MoonSwatch? Moonshine Gold Moonshine Gold é uma liga de ouro amarelo da Omega criada em 2019. Foi este o nome anunciado, será que os novos modelos vão ser equipados com caixas em Moonshine Gold? Parece-nos pouco provável. Embora a Swatch já tenha mesmo tido um modelo em platina, em 1993. Swatch com caixa em platina 1993 MODELOS MOONSWATCH Para os incrivelmente distraídos aqui fica uma lista dos 11 MoonSwatch. UM UNIVERSO DE DÚVIDAS! Há muitas questões por responder. Será que vai ser possível manter o mesmo nível de atenções conseguidas o ano passado? Será que o preço se vai manter? Qual será o material da caixa? Diga-nos a sua opinião, através da caixa de comentários, sobre o que ai vem e, já agora, qual o seu MoonSwatch preferido.
- Relógios com peças de substituição no interior
Um dos maiores pesadelos para um relojoeiro é a falta de peças, seria fantástico que os relógios incluíssem no seu interior um depósito com peças antigas. Há uns anos a marca Les Fils de Jeanneret-Brehm, mais tarde renomeada para Excelsior Park, e a marca Leonidas, acharam por bem incluir um depósito com as peças mais frágeis numa ponte dos seus relógios. Foram mesmo registadas várias patentes e produzidos vários modelos. Infelizmente esta ideia fantástica não teve continuidade. O CALCANHAR DE AQUILES DO RELÓGIO Aquiles, de acordo com a mitologia grega, era um recém-nascido, foi predito que ele morreria jovem. Para prevenir a sua morte, a sua mãe Tétis mergulhava-o nas águas do rio Estige, preso pelo calcanhar. Aquiles cresceu e tornou-se num guerreiro forte que sobreviveu a muitas batalhas. Nos mitos em torno da guerra, é dito que Aquiles morreu devido a uma ferida no calcanhar, por uma flecha, talvez envenenada, atirada por Paris. Actualmente um calcanhar de aquiles significa fraqueza a despeito de uma força geral, que pode levar a derrota ou queda. Pode dizer-se que o calcanhar de aquiles do relógio é o axe. Antes da aplicação generalizada dos sistemas de anti-choque muitos relógios partiam o axe. O axe é uma peça do relógio que está sujeita, entre outras, a uma força axial. Também se usa o termo eixo do balanço para designar a mesma peça. Embora o sistema de anti-choque tenha sido criado pela casa Breguet há 233 anos, só a partir dos anos 30, mas principalmente nos 70 é que começou a surgir na maioria dos relógios. O eixo de balanço, ou axe, é mais espesso no centro e tem dois pivôs em aço temperado, muito finos, nas pontas. Esta peça suporta todo o sistema de balanço-espiral. Quando um relógio sofre uma queda ou um choque estes pivôs partem-se facilmente. Nessa situação diz-se que o relógio partiu o axe. PEÇAS DE SUBSTITUIÇÃO NO INTERIOR Para além do axe existem muitas outras peças frágeis e capazes de voar para o outro lado da sala, como a mola báscula, parafusos muito pequenos, o eixo da âncora. Embora na altura ainda existissem bastantes casas de furnituras com bastantes axes, parafusos e molas disponíveis, para todos os calibres, alguns relógios de bolso da marca Excelsior Park e Leonidas tinham no seu interior um conjunto de peças de substituição, entre elas um eixo de balanço. Foi mesmo registada uma patente pela empresa Les Fils de Jeanneret-Brehm de Saint-Imier, mais tarde renomeada para Excelsior Park para esta ideia em 1922: patente CH100230 de 1922 na Suíça e DE388992 , também em 1922 , na Alemanha. A Leonidas fez, uns anos mais tarde, a sua própria patente também para um depósito de peças para substituição, integrado numa ponte do relógio, registada na Suíça, a CH131402, em 1929. Calibre B No. 3364 da Excelsior Park imagens: ©André Kellz Nas imagens acima pode ver-se um movimento da Excelsior Park com o depósito de peças para substituição. A preto e branco está uma imagem retirada da própria patente. Os números a vermelho indicam a localização das peças de substituição. É possível ver um axe (1), um rubi (4), dois parafusos (5 e 6), uma mola báscula (3) e duas molas (7 e 2). EXCELSIOR PARK PARA PORTUGAL E ITÁLIA Nesta imagem pode ver-se um anúncio de relógios de 18 e 19 linha destinados ao mercado de Portugal e Itália. Esta marca era também conhecida na altura por fazer contadores de 30 segundos. EXCELSIOR PARK E SECOND SECOND A marca Excelsior Park continua activa e no ano passado lançou mesmo um relógio que resulta de uma colaboração com Seconde-seconde de Romaric André. Segundo as suas próprias palavras: "Quando o Excelsior Park me fez o convite para esta colaboração, tive uma ideia, a tradução de Excelsior, em latim, significa "mais alto,"... Indo mais alto do que o parque. Isso levou-me à noção de home run, o melhor lançamento no beisebol. Fora do campo, Out Of The Park, foi o nome escolhido para esta colaboração. Seconde-seconde ficou famoso por modificar relógios. A modificação consiste normalmente na substituição dos ponteiros originais por versões coloridas e pixelizadas. Sempre que é feita essa subsituição os ponteiros são guardados numa pequena caixa para que o processo seja reversível mais tarde. UM FUTURO SEM NADA DE NOVO Infelizmente estes depósitos de peças para substituição não foram uma ideia duradoura, provavelmente porque não era do interesse dos fabricantes de peças e encarecia os relógios. Com a luta actual entre relojoeiros em marcas de relógios pela cedência de peças, também não é provável que esta ideia regresse tão cedo.
- Salão Motorclássico arranca esta Sexta-Feira
O São Motorclássico apresenta-se após um interregno de 3 anos. Trata-se de um dos maiores eventos dedicados a automóveis e motos clássicas e desportivas. A organização está a cargo do Museu do Caramulo. As visitas custam 6€ e o evento decorre de dia 3 a 5 de Março, na Cordoaria Nacional, em Lisboa. Ao longo de três dias, o Salão Motorclássico vai oferecer aos seus visitantes uma extensa variedade de expositores oriundos de diferentes países com uma oferta tão variada como veículos, peças, memorabilia, restauradores, eventos ou clubes assim como uma programação, incluindo exposições temáticas, dedicadas aos 75 anos da Porsche, aos 120 anos da Harley-Davidson e aos 60 anos do Mini Cooper S, celebrações, conferências com especialistas, concentrações de clubes e encontros de clássicos, apresentações de livros, um leilão de automobilia e até um cinema em contínuo, que irá passar mais de 45 filmes sobre clássicos e coleccionadores portugueses. Salão Motorclássico 2019 Haverá ainda um parque de estacionamento gratuito, junto do Museu Nacional dos Coches, para todos os visitantes que se queiram deslocar ao evento no seu automóvel clássico, promovendo assim a partilha dos seus clássicos com o público. Uma das grandes novidades no regresso do Salão Motorclássico é a mudança de localização. Após quase duas décadas na FIL, o evento muda-se agora para a Cordoaria Nacional, ocupando os seus cinco pavilhões. De acordo com a organização “A escolha recaiu na Cordoaria Nacional que, pela sua arquitectura e ambiente, é o local ideal para realizar um evento de clássicos, pois potencia a forma de apresentar este tipo de peças e de vivenciar este tipo de eventos”. Por fim, ciente do que esta paixão provoca nas pessoas, principalmente nos mais novos e menos afortunados, o Salão Motorclássico volta a juntar-se ao The Good Drive, um projecto social que irá levar um grupo de crianças e jovens, do Centro de Alojamento Temporário de Tercena, a passear de automóvel clássico até ao evento, proporcionando-lhes uma experiência única e inesquecível e reforçando a crença de que os clássicos são mais divertidos quando partilhados. Mais informações em: https://www.motorclassico.com
- WorldSkills Portugal 2023 - Portimão
O Campeonato Nacional das Profissões realiza-se de dois em dois anos, este ano é na Arena de Portimão entre 7 a 12 de Março. Esta competição é dirigida a jovens entre os 17 e os 25 anos, que terminaram ou se encontram a frequentar um percurso de qualificação, em modalidades de educação e formação profissional, com o objectivo de demostrarem o nível individual de competências. Os jovens serão avaliados no rigor e domínio de técnicas e de ferramentas para o exercício de cada profissão, através da realização de provas práticas de desempenho avaliadas segundo critérios exigentes e de acordo com prescrições técnicas estabelecidas internacionalmente por júris compostos de peritos altamente qualificados (formadores, profissionais, empresários). Os jovens que ganharem a competição podem candidatar-se ao campeonato Europeu e Mundial das Profissões. Na área da relojoaria serão avaliados nas seguintes áreas de competências, sendo o júri presidido pelo nosso Mestre Paulo Anastácio. Módulos: Relógio Mecânico complicado Cronógrafo Relógio Electrónico Em cada módulo serão avaliadas as seguintes competências: Planeamento e Organização Comunicação e relacionamento Diagnóstico de avarias Medidas Correctivas Desmontagem e Limpeza Montagem Lubrificação Afinação e funcionalidade Para chegarem a esta fase os participantes tem de passar por três provas: prova de pré-seleção, prova regional e a prova nacional. A prova de pré-seleção tem a duração 7 horas, onde será avaliado o Módulo - Relógio mecânico simples, o candidato terá de desmontar, detectar eventuais avarias, limpar, montar e lubrificar um relógio mecânico simples. A prova regional será feita durante 3 dias com o total de 14 horas, onde será avaliado o Módulo - Relógio mecânico complicado, o candidato terá de desmontar, detectar e corrigir eventuais avarias, limpar, montar, lubrificar um relógio mecânico complicado e regular. Por fim a prova nacional com o total de 22 horas, divididas por 3 dias. Os módulos avaliados serão os seguintes: Relógio Mecânico complicado - 8h30 Cronógrafo - 8h30 Relógio Electrónico - 5h00 Especificação de cada módulo: Módulo 1 - Relógio Mecânico complicado - Deteção da(s) avaria(s) - Método de correcção da(s) avaria(s) - Correcção da(s) avaria(s) - Ordem de desmontagem - Organização de peças no tabuleiro - Limpeza Movimento base Dispositivo automático Dispositivo calendário Mostrador e Ponteiro Organização das peças no cesto de lavar - Montagem Movimento base Dispositivo automático Dispositivo calendário Mostrador e ponteiros - Lubrificação Movimento base Dispositivo automático Dispositivo calendário - Regulação - Funcionalidade Movimento base Dispositivo automático Dispositivo calendário Peças perdidas Mostrador e ponteiros - Peças perdidas Módulo 2 - Cronógrafo - Deteção da(s) avaria(s) - Método de correcção da(s) avaria(s) - Correcção da(s) avaria(s) - Ordem de desmontagem - Organização de peças no tabuleiro - Limpeza Movimento base Dispositivo automático Dispositivo calendário Dispositivo cronógrafo Organização das peças no cesto de lavar - Montagem Movimento base Dispositivo automático Dispositivo calendário Dispositivo cronógrafo - Lubrificação Movimento base Dispositivo automático Dispositivo calendário Dispositivo cronógrafo - Regulação - Afinação cronógrafo - Funcionalidade Movimento base Dispositivo automático Dispositivo calendário Dispositivo cronógrafo Peças perdidas Módulo 3 - Relógio Electrónico - Verificações eléctricas iniciais - Correcção da(s) avaria(s) - Ordem de desmontagem - Organização de peças no tabuleiro - Limpeza Movimento base Dispositivo calendário - Montagem Movimento base Dispositivo calendário - Lubrificação Movimento base Dispositivo calendário - Testes finais - Funcionalidade Movimento base Dispositivo calendário Peças perdidas Descritivo técnico: .













