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  • F.P. Journe e Chanel compram a EBEL

    EBEL 1911 Chronograph em aço, com movimento El Primero, c. 1993. Fotografia: Watch-Spare A F.P. Journe, a mais cobiçada das manufaturas independentes, vai liderar a compra de 95% da EBEL ao Movado Group, por 66,5 milhões de dólares, ao lado da Chanel e de Pierre Jacques, antigo diretor-executivo da De Bethune. Tanto quanto é público, é a primeira vez que a casa de François-Paul Journe aparece à frente da compra de outra marca, e o negócio junta um relojoeiro, uma casa de moda e um gestor em torno de um nome que foi um dos grandes da relojoaria suíça. O acordo foi anunciado a 7 de outubro pelo vendedor e deverá fechar nos próximos meses. Com a marca seguem as marcas registadas, as existências e a Villa Turque, a casa que Le Corbusier desenhou em La Chaux-de-Fonds. 1. O negócio em números O Movado Group, cotado em Nova Iorque, assinou um acordo vinculativo para vender 95% da EBEL por 66,5 milhões de dólares e fica com os restantes 5%. O valor está sujeito aos ajustamentos habituais e a operação depende das condições de fecho correntes neste tipo de negócio. O comprador é um grupo liderado pela Montres Journe SA, a sociedade de Genebra que opera com o nome F.P. Journe, com a participação da Chanel e de Pierre Jacques, que assumirá a direção executiva da EBEL. O comunicado não diz como se reparte o capital entre os três. A operação faz-se em dois passos. Primeiro, as marcas registadas e a restante propriedade intelectual, as existências e outros ativos afetos à EBEL passam para uma nova filial suíça do Movado Group, e os trabalhadores dedicados à marca tornam-se funcionários dessa sociedade. No fecho, 95% do capital da nova filial é transferido para os compradores. O Movado Group presta depois serviços de transição, para garantir continuidade a clientes e parceiros. Vendedor: Movado Group, Inc. (Paramus, Nova Jérsia), que mantém 5%. Compradores: Montres Journe SA (líder do grupo), Chanel e Pierre Jacques. Preço: 66,5 milhões de dólares por 95%, o que avalia a marca em cerca de 70 milhões. Direção: Pierre Jacques será o diretor-executivo. Ativos incluídos: marcas registadas, propriedade intelectual, existências e a Villa Turque. Calendário: fecho previsto para os próximos meses. Publicidade do EBEL Sport Classic no ano do 115.º aniversário da marca. © EBEL 2. A F.P. Journe entra no jogo das marcas É este o ponto que torna o negócio invulgar. A F.P. Journe construiu a sua reputação a fazer o contrário do que fazem os grupos: uma só marca, uma produção de cerca de mil relógios por ano, movimentos desenhados e fabricados em casa e uma divisa, «Invenit et Fecit» (inventou e fez), que resume a ideia. O próprio François-Paul Journe tem repetido que não quer crescer em volume. Numa entrevista à Monochrome, explicou que aumentar a produção o obrigaria a deixar a sede da Rue de l'Arquebuse, em Genebra, e que o tempo de espera dos clientes chegava aos dez anos. Na mesma conversa avisou que os fundos de investimento não deviam contar comprar a sua empresa. «O nosso crescimento passa pela complicação.» — François-Paul Journe, à Monochrome Com a EBEL, a Journe passa a ter um segundo campo de jogo sem tocar no primeiro. A F.P. Journe continua a ser o que era; o crescimento, a acontecer, faz-se numa marca diferente, de outro preço e de outro público, conhecida sobretudo pelo Sport Classic e por relógios de senhora. É o caminho inverso ao habitual: em vez de um grupo de luxo comprar um independente, é um independente que lidera a compra de uma marca histórica a um grupo. O que Journe leva para a EBEL ficou dito por ele próprio no comunicado, numa frase curta: «o produto, o produto, o produto». A leitura do SJX Watches vai no mesmo sentido: a Chanel entra com o capital, Journe com o saber relojoeiro e Pierre Jacques com a gestão. Há um dado industrial a ter em conta. A F.P. Journe tem, em Meyrin, os seus próprios fabricantes de caixas e de mostradores, Les Boîtiers de Genève e Les Cadraniers de Genève. O comunicado não diz se a EBEL virá a recorrer a estas estruturas, mas é uma capacidade que poucos compradores poderiam oferecer. 3. François-Paul Journe, o relojoeiro Nascido em Marselha em 1957, François-Paul Journe formou-se na escola de relojoaria de Paris em 1976 e fundou a Montres Journe SA em Genebra, em 1999. A sede, a manufatura e um espaço de exposição ocupam uma antiga fábrica de candeeiros a gás no centro da cidade. A marca tornou-se uma referência pela invenção. O Tourbillon Souverain venceu a Aiguille d'Or do Grand Prix d'Horlogerie de Genève em 2004, a Sonnerie Souveraine, com dez patentes, em 2006, e o Centigraphe Souverain, que mede centésimos de segundo, em 2008. O Chronomètre à Résonance, com dois balanços que se sincronizam, foi premiado em 2010. A casa é ainda conhecida por fabricar os movimentos em ouro de 18 quilates. Nos leilões, os números acompanham a fama. Em 2021, o FFC Blue foi vendido por 4,5 milhões de francos suíços no Only Watch, o valor mais alto pago por um F.P. Journe. Em 2023, a venda «The Art of F.P. Journe», em Genebra, rendeu 13,7 milhões de francos por 40 peças cujo preço de catálogo somava 2,65 milhões. Journe tem dito que preferia ver o mercado arrefecer, por recear que a especulação prejudique a marca. Em 2018, vendeu 20% do capital à Chanel. Descreve a casa francesa como um grupo de amigos que partilham o gosto pelos relógios e não como um investidor financeiro, e explicou que, se um dia vender mais ações, a Chanel tem prioridade. O acordo serve também para proteger os filhos e a continuidade da marca. 4. Chanel, de casa de moda a industrial da relojoaria A Chanel lançou o primeiro relógio em 1987, o Première, e o J12, de cerâmica, em 1999. Desde então foi construindo, sem alarde, uma base industrial e uma rede de participações na relojoaria suíça. 1993: compra a G&F Châtelain, fabricante de La Chaux-de-Fonds, a mesma cidade da EBEL. 1998: entra no capital da Bell & Ross. 2011: participação minoritária na Romain Gauthier. 2018: 20% da F.P. Journe e, segundo a imprensa, 20% da Kenissi, a fábrica de movimentos criada pela Tudor. 2024: 25% da MB&F, de Maximilian Büsser. O padrão tem sido sempre o mesmo: participações minoritárias em casas independentes, que continuam a ser geridas por quem as fundou. Frédéric Grangié, presidente da divisão de relógios e alta joalharia, fala numa estratégia de longo prazo para preservar e desenvolver saber-fazer especializado. A EBEL foge em parte a esse padrão. Desta vez a Chanel não entra numa manufatura de autor, mas numa marca de maior volume, e fá-lo ao lado de um parceiro em que já é acionista. No comunicado, Grangié descreve a EBEL como um dos grandes nomes da relojoaria suíça e o investimento como um sinal de confiança no seu potencial a longo prazo. 5. Pierre Jacques, o gestor O futuro diretor-executivo da EBEL não é relojoeiro; é um homem da edição e do comércio que se tornou gestor de marcas. Em março de 2000 fundou, com Brice Lechevalier, a revista GMT, que vendeu à Edipresse em 2007. Passou depois pela direção do Grand Prix d'Horlogerie de Genève e pelo retalhista Les Ambassadeurs. Em janeiro de 2011 assumiu a direção da De Bethune, a manufatura de Denis Flageollet e David Zanetta. Nesse ano, o DB28 ganhou a Aiguille d'Or, e a produção passou de 65 relógios em 2010 para perto de 400 poucos anos depois. Saiu no final de 2015, dirigiu outra marca durante cerca de dois anos e regressou. Em 2021 fechou a aliança com a WatchBox, hoje The 1916 Company, que se tornou acionista maioritária. Em junho de 2025 anunciou que deixava a direção executiva da De Bethune, passando a presidente honorário, depois de quinze anos ligado à casa. A EBEL é o seu passo seguinte. «Estou incrivelmente orgulhoso e entusiasmado por liderar esta nova etapa», disse no comunicado. 6. Movado Group, o vendedor O Movado Group nasceu da North American Watch Corporation, fundada por Gedalio Grinberg, que comprou a Movado em 1983. É hoje dirigido pelo filho, Efraim Grinberg, e junta marcas próprias (Movado, Concord, EBEL, MVMT e Olivia Burton) a licenças de moda como Coach, Tommy Hilfiger, Hugo Boss, Lacoste e Calvin Klein. Em 2023 faturou 752 milhões de dólares. A EBEL era a sua aposta no luxo suíço. O grupo comprou-a à LVMH numa operação anunciada em dezembro de 2003, por 61,5 milhões de francos suíços, segundo o comunicado então divulgado pelo grupo francês; a marca tinha vendido 65 milhões de dólares nesse ano, de acordo com a revista JCK. Mais de vinte anos depois, vende-a por um valor próximo. Para Efraim Grinberg, a venda permite ao grupo concentrar-se nas marcas de relógios e joalharia de luxo acessível e de moda, e deixa a EBEL com donos que têm conhecimento, empenho e visão de longo prazo. O Movado Group fica como acionista minoritário e diz querer participar no sucesso futuro da marca. 7. Mais de um século de EBEL A EBEL nasceu a 15 de julho de 1911, em La Chaux-de-Fonds, pela mão de Eugène Blum e da mulher, Alice Lévy. O nome é um acrónimo: «Eugène Blum Et Lévy». A divisão de tarefas ficou definida desde o início, com Eugène responsável pela técnica e Alice pela estética e pelo desenho dos relógios. Os primeiros reconhecimentos chegaram cedo. Em 1914, a casa recebeu a medalha de ouro da Exposição Nacional Suíça, em Berna, pelos seus relógios de anel patenteados. Em 1925, na Exposição Internacional de Artes Decorativas de Paris, a que deu nome ao estilo Art Déco, foi distinguida com um diploma de Grand Prix pelos modelos de alta joalharia. Charles Blum, filho dos fundadores, entrou na empresa em 1929 e construiu uma rede de vendas internacional, que incluía os Estados Unidos. Em 1930, a EBEL esteve na primeira feira de relojoaria e joalharia de Basileia. Durante décadas foi também fornecedora: uma unidade própria produzia movimentos para outras marcas. A exigência técnica fez parte da identidade da casa. Em 1935, a EBEL tornou-se o primeiro fabricante suíço a usar o sistema Western Electric, precursor do vibrógrafo e o primeiro aparelho para medir a precisão dos movimentos. Em 1957 criou o Contrôle Technique des Montres, um conjunto de controlos internos de qualidade. A grande expansão deu-se com a terceira geração. Pierre-Alain Blum, neto dos fundadores, assumiu a direção depois de uma carreira nos Estados Unidos. Em 1972 começou a parceria com a Cartier, para quem a EBEL passou a produzir relógios de pulso. Em 1977 lançou o Sport Classic, com caixa integrada e a pulseira de elos ondulados que ficou conhecida por «wave». Seguiram-se o Sport Chronograph (1982), o cronógrafo com calendário perpétuo (1983), o Beluga (1985) e a coleção 1911 (1986). Nesses anos, a EBEL era o maior comprador dos movimentos El Primero da Zenith, segundo o SJX Watches. Entre 1970 e 1988, o número de trabalhadores passou de 40 para 700, e as vendas ultrapassaram os 150 milhões de francos suíços na década de 1980. A marca adotou o lema «The Architects of Time» e abriu a primeira loja própria em Londres, em 1987. A notoriedade veio também do desporto e das artes. A EBEL patrocinou a Taça Davis e o European Masters de golfe, na Suíça, e teve como embaixadores os tenistas Stefan Edberg, Boris Becker e Andre Agassi e os golfistas Bernhard Langer, Greg Norman e Colin Montgomerie. Associou-se ainda a nomes como Leonard Bernstein, Barbara Hendricks, Madonna, John Malkovich e Dennis Hopper. Os anos 1990 inverteram a trajetória. A diversificação fora da relojoaria correu mal e, em 1994, a Investcorp tornou-se dona da marca. Em 1995 a EBEL ainda apresentou o calibre 137, um movimento de cronógrafo para a coleção 1911, a que se seguiram os calibres 139, 240 e 288. Pierre-Alain Blum saiu em 1996, pondo fim a 85 anos de gestão familiar. Em 1999, a LVMH comprou a EBEL e a Chaumet à Investcorp por 460 milhões de dólares, antes de a vender ao Movado Group. A EBEL em datas 1911: fundação em La Chaux-de-Fonds, por Eugène Blum e Alice Lévy. 1914: medalha de ouro na Exposição Nacional Suíça, em Berna. 1925: diploma de Grand Prix na Exposição de Artes Decorativas de Paris. 1935: primeiro fabricante suíço a medir a precisão com o sistema Western Electric. 1972: início da produção de relógios para a Cartier. 1977: lançamento do Sport Classic. 1983: cronógrafo com calendário perpétuo. 1986: coleção 1911 e compra da Villa Turque, no 75.º aniversário. 1994: a Investcorp compra a marca. 1995: calibre 137. 1999: a LVMH compra a EBEL e a Chaumet. 2003: venda ao Movado Group. 2026: acordo de venda de 95% ao grupo liderado pela Montres Journe. 8. A Villa Turque muda de mãos Interior da Villa Turque, em La Chaux-de-Fonds, projetada por Le Corbusier e concluída em 1917. É a «Maison EBEL» desde 1986. Fotografia de A. Martinelli. © EBEL Entre os ativos incluídos na venda está a Villa Turque. A casa foi encomendada por Anatole Schwob, industrial relojoeiro de La Chaux-de-Fonds, a Charles-Édouard Jeanneret, que três anos depois de a terminar adotaria o nome Le Corbusier. Os vizinhos deram-lhe o nome pela influência da arquitetura bizantina no desenho. A EBEL comprou-a em 1986, no ano do seu 75.º aniversário, restaurou-a e fez dela a sua casa de representação; uma segunda renovação seguiu-se em 2011, no centenário. É um dos primeiros edifícios em que Le Corbusier aplicou a estrutura de betão armado que viria a marcar a sua obra. 9. O que se escreveu A notícia foi dada pelo vendedor, num comunicado dirigido a investidores, e foi por aí que começou a circular: a Investing.com, a Seeking Alpha e a GuruFocus trataram-na como uma operação de carteira do Movado Group, que se desfaz de uma marca para se concentrar no seu negócio principal. Na imprensa relojoeira, a primeira análise foi a do SJX Watches, a 8 de outubro. Classifica a compra como uma surpresa, lembra que a EBEL foi uma das maiores marcas suíças nos anos 1980 e 1990 e nota que o preço é aproximadamente o que o Movado Group pagou há mais de duas décadas. Sugere ainda que o vendedor poderá sentir algum alívio, depois de vinte anos a tentar relançar a marca sem lhe devolver a dimensão de outrora. 10. O que falta saber A repartição do capital: quanto fica com a Montres Journe, com a Chanel e com Pierre Jacques. O plano de produto: o comunicado fala numa nova fase de crescimento, sem adiantar coleções, posicionamento ou preços. A produção: se a EBEL vai usar os fabricantes de caixas e mostradores da F.P. Journe, ou a G&F Châtelain, da Chanel, que também está em La Chaux-de-Fonds. A distribuição: como se faz a transição da rede do Movado Group, que continuará a prestar serviços durante um período. O fecho: a operação ainda depende das condições habituais e de eventuais aprovações. O primeiro sinal virá com o fecho do negócio e com as decisões iniciais de Pierre Jacques. Até lá, fica o facto: o relojoeiro que sempre recusou crescer em volume aceitou pôr o seu nome à frente da compra de uma marca que já foi das maiores da Suíça. Saiba mais no comunicado do Movado Group.

  • 8 de Outubro

    O dia em resumo A H. Moser & Cie. apresentou a 7 de outubro três relógios com segundos retrógrados de 30 segundos: o Pioneer Skeleton, o Streamliner e o Endeavour Retrograde Seconds, todos em aço e com 40 mm. No mesmo dia, a Jacob & Co. recuperou o seu primeiro repetidor de minutos, o Palatial Flying Tourbillon Minute Repeater, agora com o novo calibre JCCM04 e um regulador centrífugo silencioso. A chinesa Peacock tem em pré-encomenda o Tai Chi Curved Guilloché, com um turbilhão de três eixos cuja gaiola mede 8 mm e pesa 0,436 g. Em Hong Kong, a Phillips revelou os primeiros destaques do leilão de 21 e 22 de novembro, encabeçado por um conjunto de relógios raros da Patek Philippe. H. Moser & Cie. leva os segundos retrógrados a três coleções Os três Retrograde Seconds, Pioneer Skeleton, Streamliner e Endeavour: caixas de aço de 40 mm com o mesmo ponteiro de segundos retrógrado de 30 segundos. © H. Moser & Cie. A H. Moser & Cie. anunciou a 7 de outubro três interpretações da mesma complicação: o Pioneer Skeleton Retrograde Seconds (referência 3251-1200), o Streamliner Retrograde Seconds (6252-1200) e o Endeavour Retrograde Seconds (1252-1200). Sucedem ao primeiro Pioneer Retrograde Seconds e partilham a caixa de aço de 40 mm. Em todos, o ponteiro de segundos percorre um arco durante 30 segundos e regressa de imediato a zero. O mecanismo fica à vista do lado do mostrador. Uma came dupla em caracol mantém-se em contacto permanente com um dedo; enquanto o ponteiro avança, uma espiral colocada sob o seu eixo vai acumulando energia. No fim de cada ciclo, a came liberta essa energia de uma só vez e o ponteiro salta para trás. Uma cremalheira, visível sob a ponte dos segundos retrógrados, posiciona o ponteiro na escala e mantém o salto sob controlo. Um disco de duas cores, sob a came, indica se o relógio está na primeira ou na segunda metade do minuto. A informação conta: um ponteiro que só percorre 30 segundos não diz, por si, em que meio minuto se está. A solução tem um custo mecânico. Um ponteiro retrógrado deste tipo salta 2880 vezes por dia, e cada salto consome energia e solicita os componentes. Daí a importância de o retorno ser guiado pela cremalheira, em vez de ficar entregue apenas à mola. Pioneer Skeleton Retrograde Seconds, referência 3251-1200: calibre HMC 251 totalmente esqueletizado, com pontes de acabamento antracite. © H. Moser & Cie. O Pioneer Skeleton usa o calibre automático HMC 251, totalmente esqueletizado, com pontes de acabamento antracite, 29 rubis e massa oscilante gravada e esqueletizada. A caixa tem 12 mm de espessura com o vidro e é estanque a 12 ATM. Vem com bracelete de aço e uma segunda bracelete, de borracha caqui. O Streamliner e o Endeavour recebem o HMC 252, de 31 rubis e pontes parcialmente esqueletizadas, com um módulo retrógrado desenvolvido pela Agenhor. O primeiro tem mostrador Midnight Blue fumé, bracelete de aço integrada, 12,1 mm de espessura e estanquidade de 12 ATM. O segundo tem mostrador Blackor fumé, 11,2 mm de espessura, 3 ATM e bracelete de pele de aligátor com acabamento nubuck. Os dois calibres medem 32 mm de diâmetro e 5,5 mm de altura, trabalham a 21 600 alternâncias por hora, têm paragem de segundos, espiral Straumann e uma reserva de marcha mínima de três dias. Segundo a marca, os preços sem impostos são de 35 000 francos suíços para o Pioneer Skeleton, 29 900 para o Streamliner e 27 900 para o Endeavour. Saiba mais no site da marca. Jacob & Co. volta ao seu primeiro repetidor de minutos Palatial Flying Tourbillon Minute Repeater: caixa de ouro rosa de 18 quilates, com 43 mm, e mostrador mineral vermelho. © Jacob & Co. A Jacob & Co. apresentou a 7 de outubro uma nova edição do Palatial Flying Tourbillon Minute Repeater, o relógio com que a marca se estreou nas complicações sonoras em 2014. São 12 exemplares, um por cada ano passado desde o original, no ano em que a casa assinala o 40.º aniversário. O preço é de 390 000 dólares. O novo calibre JCCM04, de corda manual, sucede ao JCBM03. Tem 308 componentes e 29 rubis, trabalha a 3 Hz e oferece 90 horas de reserva de marcha. Junta um repetidor de minutos a um turbilhão volante de um minuto, colocado às 6 horas, cuja gaiola foi redesenhada. O repetidor é armado por um cursor integrado na carrura, que fornece a energia para a sequência. Solto o cursor, o relógio dá as horas num tom grave, os quartos em tons agudos e graves alternados e os minutos restantes num tom agudo. Cames escalonadas, os chamados caracóis, guardam a informação das horas, dos quartos e dos minutos; as cremalheiras leem a sua posição e determinam o número de pancadas. Dois martelos percutem dois timbres de catedral. Mais compridos do que os convencionais, prolongam-se em redor do movimento para aumentar a ressonância e a duração do som. São formados, temperados, afinados e montados à mão, com o ajuste final feito de ouvido. A alteração técnica mais relevante está no regulador centrífugo, que controla a cadência das pancadas. Segundo a marca, foi concebido para trabalhar em silêncio, eliminando o ruído mecânico que interfere com o som dos timbres. É um ponto sensível em qualquer repetidor: o zumbido do regulador ouve-se entre as pancadas, precisamente quando deveria haver silêncio. A caixa tem 43 mm de diâmetro e 12,3 mm de espessura. O fundo de safira deixa ver os timbres, os martelos e os acabamentos do movimento, com Côtes de Genève e ângulos polidos à mão. No mostrador, uma clave de sol de ouro rosa às 9 horas e ponteiros esqueletizados em forma de metrónomo completam a referência à música. Saiba mais no site da marca. Peacock miniaturiza o turbilhão de três eixos Tai Chi Curved Guilloché Triple-Axis Tourbillon: caixa de ouro branco de 18 quilates e turbilhão esférico de três eixos. © Peacock A Peacock, manufatura chinesa de Liaoning, tem em pré-encomenda o Tai Chi Curved Guilloché Triple-Axis Tourbillon, noticiado a 7 de outubro pela Monochrome. A marca apresenta-o como o turbilhão de três eixos mais pequeno e mais leve do mundo, uma afirmação que é sua. A gaiola esférica, de titânio, mede 8 mm de diâmetro, pesa 0,436 g e reúne 81 componentes. Os três eixos completam uma rotação em 60, 15 e 50 segundos. Num turbilhão clássico, o órgão regulador roda num único plano para fazer a média dos desvios de marcha nas posições verticais. Com mais dois eixos, o balanço passa por todas as orientações, à custa de mais massa em movimento e de mais atritos. Reduzir o tamanho e o peso da gaiola é a forma de limitar esse consumo de energia. O calibre PAX9616, de corda manual, tem 37 rubis, trabalha a 21 600 alternâncias por hora e oferece 48 horas de reserva de marcha. Não há ponteiros: as horas e os minutos são indicados por dois discos concêntricos de titânio, com um diamante branco para as horas, às 12, e um diamante negro para os minutos, às 6. O mostrador convexo é guilhochado à mão com 40 sulcos em V e divide-se em duas metades, yin e yang. A caixa de ouro branco de 18 quilates, sem asas, mede 43,5 mm de diâmetro por 14,95 mm de espessura e é estanque a 50 metros. A edição é de 70 exemplares, em alusão ao 70.º aniversário da marca, e custa 61 999 dólares. A pré-encomenda exige um sinal de 30% e a entrega está prevista para 30 de junho de 2027. Saiba mais no site da marca. Phillips leva a Hong Kong um conjunto raro de Patek Philippe The Hong Kong Watch Auction: XXIII decorre a 21 e 22 de novembro, no West Kowloon Cultural District. © Phillips A Phillips, em associação com a Bacs & Russo, divulgou a 6 de outubro os primeiros destaques do The Hong Kong Watch Auction: XXIII, marcado para 21 e 22 de novembro. Segundo a leiloeira, é a venda de relógios com a estimativa global mais alta que alguma vez organizou em Hong Kong. O lote principal é um Patek Philippe referência 2499 da primeira série, em ouro amarelo, de 1952, com caixa Wenger e ausente do mercado há 37 anos. A estimativa é de 12 a 24 milhões de dólares de Hong Kong (1,5 a 3 milhões de dólares americanos). O mesmo intervalo aplica-se a um 3990P-011 em platina, com luneta e índices de diamantes e mostrador salmão, de cerca de 2006: dos 17 exemplares conhecidos da referência 3990, é o único identificado nesta configuração. Segue-se um 1518 em ouro rosa, de 1951, estimado em 8 a 16 milhões de dólares de Hong Kong. A referência 1518 foi o primeiro cronógrafo com calendário perpétuo produzido em série, e a Phillips calcula que tenham sido feitos cerca de 58 exemplares em ouro rosa. Há ainda um Sky Moon Tourbillon 5002P, de cerca de 2008, de 12 complicações e ainda selado, com estimativa superior a 8 milhões. Fora da Patek Philippe, destacam-se um Rolex Daytona 6239 em ouro amarelo com mostrador «John Player Special», de cerca de 1969, estimado em 3,9 a 7,9 milhões de dólares de Hong Kong, e um Cartier Crash único, em ouro branco, saído do programa de encomendas especiais da marca. As estimativas não incluem a comissão do comprador. Antes da venda, os lotes passam por Nova Iorque (14 a 16 de outubro), Singapura, Hong Kong, Taipé e Genebra (4 a 8 de novembro). Saiba mais no site da leiloeira. O que merece atenção O ponteiro retrógrado da H. Moser & Cie. e o regulador silencioso da Jacob & Co. têm um ponto em comum: nos dois casos, o trabalho de engenharia incide na gestão de energia libertada em instantes, seja o salto de um ponteiro a cada 30 segundos, seja uma sequência de pancadas a pedido. A proposta da Peacock mostra, por seu lado, que a alta complicação chinesa já se mede em frações de grama, embora os recordes anunciados continuem a ser afirmações de marca. O leilão TimeForArt, de 5 de dezembro, em Nova Iorque, continua a revelar peças únicas. A 7 de outubro, a Gerald Charles anunciou o Maestro GC39 Mitoraj, um Grand Maestro de horas saltantes em titânio, de 42 mm, com uma miniatura em latão da escultura «Luci di Nara», de Igor Mitoraj, sobre mostrador guilhochado. No mesmo dia, a Perrelet apresentou um Lab Peripheral de 42 mm cujo mostrador e massa oscilante periférica foram decorados com riscas coloridas por Chris Alexander, The Dial Artist. A Jaquet Droz estreia-se no leilão com um mostrador de esmalte champlevé desenhado por Fiona Djukanovic, aluna da Académie de Meuron. A receita reverte para o Swiss Institute. A acompanhar: a exposição itinerante do GPHG chega a Banguecoque de 15 a 18 de outubro, com inauguração pelo presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin; os 19 prémios são entregues a 7 de novembro, em Genebra. Na Cidade do México, o SIAR cumpre a 20.ª edição de 20 a 22 de outubro, com 50 marcas, segundo a WorldTempus. E a Bell & Ross tem um novo BR-03 Green Radar Ceramic, limitado a 999 exemplares, em que três discos com aviões substituem os ponteiros, de acordo com a Monochrome.

  • 7 de Outubro

    O dia em resumo A Zenith e a USM criaram um DEFY Chronograph de mostrador espelhado, peça única que vai a leilão a 5 de dezembro, em Nova Iorque, na terceira edição do TimeForArt, a favor do Swiss Institute. Do mesmo leilão sairá o protótipo do Oshinobi, da Toledano & Chan, uma pulseira de titânio que esconde um mostrador cravejado de diamantes. Nos Estados Unidos, a independente RGM regressa ao calendário perpétuo com o Model 501-PC, de mostrador de esmalte grand feu. A francesa Yema leva o meteorito ao Navygraf de titânio, e a IWC junta um mostrador verde-azeitona ao Pilot's Watch Chronograph 43. Zenith e USM levam um DEFY de mostrador espelhado ao TimeForArt DEFY Chronograph USM – TimeForArt Unique Piece: mostrador polido como um espelho, sobre uma estrutura USM Haller. © Zenith A Zenith anunciou a 6 de outubro o DEFY Chronograph USM – TimeForArt Unique Piece, um exemplar único feito com a USM, o fabricante suíço de mobiliário modular. O relógio será vendido a 5 de dezembro de 2026, às 15 horas locais, na Phillips de Nova Iorque, durante o The New York Watch Auction: XV. A caixa de aço mede 37 mm, tem forma octogonal e luneta de 14 lados, coroa de rosca e estanquidade a 10 atmosferas, com bracelete de aço de elos em escada. O mostrador é polido como um espelho, e as cores vêm do catálogo da USM: amarelo-dourado, laranja, verde e azul-genciana, distribuídas pelos contadores e pelos ponteiros. O ponteiro central do cronógrafo, azul, traz uma miniatura da esfera de ligação do sistema USM Haller. No interior trabalha o El Primero 400, cronógrafo automático de roda de colunas, com 36 000 alternâncias por hora (5 Hz) e 55 horas de reserva de marcha. A roda de escape e a âncora são de silício. A frequência explica o interesse deste calibre. A 5 Hz, o balanço faz dez alternâncias por segundo, e o ponteiro do cronógrafo avança em passos de um décimo de segundo; a 4 Hz, o passo é de um oitavo. O preço é um maior consumo de energia e um escape mais solicitado, razão pela qual o silício, leve e sem necessidade de lubrificação, tem aqui utilidade prática. Com o relógio segue um aparador USM Haller espelhado, também único, com tampo de vidro e gaveta com fechadura para guardar até 24 relógios. O aparador USM Haller espelhado que acompanha o relógio, com painéis amarelos e azuis. © Zenith O TimeForArt é organizado pelo Swiss Institute, instituição de arte contemporânea sem fins lucrativos de Nova Iorque. Segundo a Phillips, participam 25 marcas nesta terceira edição, e a totalidade da receita, incluindo a comissão do comprador, reverte para a instituição. As duas primeiras edições renderam 2,4 milhões de dólares. A peça dá seguimento à coleção DEFY Chronograph USM lançada em setembro de 2025, com mostradores nas cores da marca de mobiliário. Saiba mais no site da marca. RGM regressa ao calendário perpétuo com o Model 501-PC Model 501-PC: mostrador de esmalte grand feu branco, ponteiros de aço azulado e fases da lua às 6 horas. © RGM Watch Co. A RGM, casa independente da Pensilvânia, apresentou a 6 de outubro o Model 501-PC, um calendário perpétuo com caixa de aço 316L de 39 mm de diâmetro e 11,5 mm de espessura. Segundo a Monochrome, é o primeiro relógio da marca com esta complicação desde o Model 103-R, um repetidor de minutos com calendário perpétuo do final da década de 1990. O mostrador é de esmalte grand feu branco, com numeração romana, minutos a vermelho de cinco em cinco e ponteiros de aço azulado. A data fica às 3 horas, o dia da semana às 9, o mês e o ciclo dos anos bissextos às 12 e as fases da lua às 6. O movimento parte de um ETA 2892-A2 automático, modificado pela RGM, sobre o qual assenta um módulo de calendário perpétuo feito à medida pela Dubois Dépraz. Trabalha a 4 Hz e tem entre 52 e 56 horas de reserva de marcha. Os acabamentos incluem côtes de Genève e perlage, e o rotor é de ouro maciço. Um calendário perpétuo guarda numa peça mecânica a duração de cada mês ao longo de quatro anos. Um came com entalhes de profundidades diferentes diz ao mecanismo quantos dias tem de saltar no fim do mês, incluindo o 29 de fevereiro dos anos bissextos. Sem intervenção, a data mantém-se certa até 2100, ano secular que o calendário gregoriano não conta como bissexto. A construção modular tem vantagens e custos. Permite a uma casa pequena partir de um calibre de base fiável e concentrar-se no mostrador e nos acabamentos, mas acrescenta espessura e deixa o mecanismo do calendário escondido sob o mostrador. As indicações acertam-se por corretores embutidos na caixa, o que pede algum cuidado sempre que o relógio fica parado. A caixa é estanque a 50 metros e tem vidros de safira dos dois lados. O relógio vem com bracelete de pele de aligátor castanha e custa 39 900 dólares. Saiba mais no site da marca. Toledano & Chan esconde um mostrador de diamantes numa pulseira de titânio Oshinobi: caixa e bracelete integrada de titânio de grau 5 jateado. © Toledano & Chan A Toledano & Chan, marca de Phil Toledano e Alfred Chan, revelou a 6 de outubro o Oshinobi. À primeira vista é uma pulseira de titânio de grau 5 jateado, com bracelete integrada e fecho de borboleta. Uma tampa que desliza na horizontal descobre o relógio. Segundo a Hodinkee, o mostrador é côncavo, de contorno orgânico, e está coberto por dois quilates de diamantes de vários tamanhos, cravados pela técnica conhecida como serti neige, em que as pedras se encostam umas às outras de forma irregular até quase não se ver metal. O movimento, de corda manual, é da Le Temps Manufactures, trabalha a 25 200 alternâncias por hora (3,5 Hz) e tem 38 horas de reserva de marcha. A coroa fica escondida na face inferior da caixa, às 12 horas. «A ideia do Oshinobi é poder usar em segurança um relógio de diamantes em público», afirmou Phil Toledano, citado pela Hodinkee. O exemplar agora apresentado é um protótipo, que será vendido a 5 de dezembro no leilão TimeForArt, na Phillips de Nova Iorque. A marca prevê uma série limitada para 2027, ainda sem preço. O relógio de segredo, em que uma tampa oculta o mostrador, é um género antigo da joalharia relojoeira. A diferença está no material e no tom: titânio jateado em vez de ouro, e uma peça que por fora não revela nem os diamantes nem a hora. Saiba mais no site do TimeForArt. Yema leva o meteorito ao Navygraf de titânio Navygraf Meteorite CMM.10 de mostrador verde, ref. 22.26.10.64.TNL.M: titânio de grau 2 e estanquidade a 300 metros. © Yema A Yema lançou o Navygraf Meteorite CMM.10, edição limitada do seu relógio de mergulho com mostrador de meteorito Muonionalusta, em duas versões: preto (ref. 22.26.10.66.TNL.M) e verde (ref. 22.26.10.64.TNL.M). São 150 exemplares numerados de cada. A caixa e a bracelete são de titânio de grau 2, escovado na vertical e com biséis polidos. A caixa mede 39 mm de diâmetro e 11 mm de espessura, e é estanque a 300 metros. O vidro de safira é duplamente abaulado, e o fundo, também de safira, deixa ver o movimento. O Muonionalusta é um meteorito metálico encontrado no norte da Suécia. O desenho de linhas cruzadas que o caracteriza, as figuras de Widmanstätten, resulta do arrefecimento extremamente lento da liga de ferro e níquel, que cristaliza em lamelas. Revelado por ataque ácido, o padrão é diferente em cada fatia, pelo que não há dois mostradores iguais. O calibre CMM.10 é automático e foi desenvolvido pela Yema em Morteau. Trabalha a 4 Hz, tem 70 horas de reserva de marcha, e a marca indica uma precisão de −3 a +5 segundos por dia. Segundo a Time+Tide, o preço é de 2900 euros. Saiba mais no site da marca. IWC junta o verde-azeitona ao Pilot's Watch Chronograph 43 Pilot's Watch Chronograph 43, ref. IW378008: mostrador verde-azeitona de acabamento soleil e ponteiros dourados. © IWC Schaffhausen A IWC apresentou a 1 de outubro, no primeiro dia do Alfred Dunhill Links Championship, o Pilot's Watch Chronograph 43 de mostrador verde-azeitona (ref. IW378008). A marca de Schaffhausen foi, pelo sexto ano consecutivo, cronometrista oficial do torneio de golfe, disputado até 4 de outubro em St Andrews, Carnoustie e Kingsbarns, na Escócia. A caixa de aço mede 43 mm de diâmetro e 14,8 mm de espessura, com coroa de rosca e estanquidade a 100 metros. O mostrador tem acabamento soleil, impressões a branco e ponteiros dourados com matéria luminescente, e mantém a indicação do dia da semana e da data. O calibre 69385 é um cronógrafo automático de roda de colunas, com 4 Hz de frequência e 46 horas de reserva de marcha. A roda de colunas coordena o arranque, a paragem e o regresso a zero através de uma peça torneada com pilares, em vez do came estampado dos cronógrafos mais simples; o resultado sente-se sobretudo no toque mais suave e regular dos botões. O relógio vem com bracelete de aço de cinco elos e uma segunda bracelete de borracha verde-azeitona, que se trocam sem ferramentas. Não é uma edição limitada. A Monochrome indica um preço de 9700 euros. Saiba mais no site da marca. O que merece atenção Dois dos relógios do dia têm o mesmo destino: o leilão TimeForArt de 5 de dezembro. A Zenith chega com uma peça única assente num calibre com mais de meio século de história; a Toledano & Chan usa a ocasião para mostrar um protótipo antes da produção. Os leilões solidários funcionam cada vez mais como montra de lançamento, tanto para grandes casas como para independentes. O calendário perpétuo da RGM lembra que há relojoaria de complicações fora da Suíça e da Alemanha, ainda que apoiada em fornecedores suíços. É precisamente sobre esses fornecedores que incide o estudo deste ano da Deloitte sobre a indústria suíça: desde 2016, os volumes exportados caíram 43%, enquanto o valor subiu 34%. Segundo a WatchPro, que analisou o estudo a 6 de outubro, a proporção de fornecedores com uma visão negativa do setor desceu de 63% para 17% num ano. A acompanhar: a A. Lange & Söhne leva a Singapura, de 18 a 30 de outubro, a exposição «Challenging Chronographs», dedicada aos seus cronógrafos desde o Datograph de 1999, segundo a SJX. Em Genebra, a leiloeira Marteau & Co. abre a 8 de outubro a venda online «The Encore», com 40 lotes de relojoaria independente, de acordo com a Watchonista.

  • 6 de Outubro

    O dia em resumo A Omega apresentou a coleção Seamaster Diver 300M James Bond e Spectre: seis relógios de 42 mm com o calibre 8806, entre dois modelos de aço de produção corrente e dois conjuntos limitados a 77 exemplares, com um relógio de caixa numa liga de platina e ouro. A Frederique Constant reúne três complicações de manufatura com mostradores de pedra numa caixa de colecionador limitada a 88 conjuntos, e a Gerald Charles abriu em Osaca a segunda loja no Japão, a maior da sua rede. Entre as marcas mais jovens, a parisiense Inercy passa do turbilhão a um relógio de aventura com bússola solar, e a norte-americana Shinola dá pela primeira vez um movimento automático ao Duck. Omega junta James Bond e Spectre no Seamaster Diver 300M Seamaster Diver 300M James Bond e Spectre: caixa de 42 mm e calibre Co-Axial Master Chronometer 8806 em todas as versões. © Omega A Omega escolheu o dia 5 de outubro, em que se assinala o Dia Mundial de James Bond, para lançar seis relógios divididos em dois temas: o agente secreto e a organização que o persegue. Segundo Raynald Aeschlimann, presidente da marca, é a primeira vez que James Bond e Spectre surgem juntos numa coleção. Os dois modelos de aço não são limitados. O James Bond (ref. 210.30.42.20.03.004) tem aro da luneta de titânio de grau 5 e mostrador de alumínio azul com ondas gravadas a laser. O Spectre (ref. 210.30.42.20.01.023) troca o titânio por cerâmica preta e o azul por um mostrador escurecido de acabamento granulado. Ambos têm bracelete de malha de aço escovado, válvula de hélio às 10 horas e fundo de safira, e dispensam a data. A caixa mede 42 mm de diâmetro e 14,23 mm de espessura, com estanquidade a 300 metros. No interior trabalha o calibre 8806, automático, com escape Co-Axial, 3,5 Hz de frequência e 55 horas de reserva de marcha. No escape Co-Axial, o impulso chega ao balanço de forma quase tangencial, o que reduz o atrito de deslizamento que, no escape de âncora suíço, obriga a lubrificar as palhetas. A consequência prática é uma marcha mais estável ao longo do tempo. A certificação Master Chronometer, atribuída pelo instituto suíço de metrologia METAS, acrescenta ao ensaio do movimento um conjunto de testes ao relógio já montado, entre eles a exposição a campos magnéticos de 15 000 gauss. Os conjuntos limitados, 77 para cada tema, juntam um relógio de aço a um segundo exemplar com caixa numa liga de platina e ouro, que não é vendido em separado. Neste, o mostrador é de ouro branco de 18 quilates com gradação de cor obtida por PVD, azul com o motivo do cano de arma no James Bond e cinzento-escuro com o polvo no Spectre. A luneta é de cerâmica polida com escala de mergulho de platina, e o emblema do rotor é de ouro Moonshine de 18 quilates. Segundo a SJX, o relógio de platina e ouro pesa mais de 200 gramas, quase o dobro da versão de aço. Nos Estados Unidos, a Omega indica 8600 dólares para os modelos de aço e 89 800 dólares para cada conjunto. Saiba mais no site da marca. Frederique Constant reúne turbilhão, calendário perpétuo e fases da lua em pedra The Elements Collection – 2026 Edition: ónix no Classic Moonphase Date, heliotrópio no Classic Tourbillon e turquesa no Classic Perpetual Calendar. © Frederique Constant A Frederique Constant apresentou a edição de 2026 da The Elements Collection, uma caixa de colecionador com três relógios Classic Manufacture de aço, cada um com mostrador de pedra natural. São 88 conjuntos numerados, número que remete para 1988, ano de fundação da marca. O Classic Moonphase Date Manufacture (ref. FC-716ONB3H6) recebe um mostrador de ónix preto numa caixa de 40 mm, com o calibre FC-716 e 72 horas de reserva de marcha. O Classic Perpetual Calendar Manufacture (ref. FC-776TU3H6), também de 40 mm e com 72 horas de autonomia, usa turquesa e o calibre FC-776. Classic Tourbillon Manufacture com mostrador de heliotrópio, ref. FC-980HE3H6: caixa de aço de 39 mm e turbilhão às 6 horas. © Frederique Constant A peça mais complexa é o Classic Tourbillon Manufacture (ref. FC-980HE3H6), de 39 mm, com mostrador de heliotrópio, uma pedra verde-escura com inclusões vermelhas de óxido de ferro que tornam cada exemplar diferente. Segundo a Monochrome, o calibre automático FC-980-4 tem escape de silício, turbilhão de um minuto e 38 horas de reserva de marcha. O silício interessa num turbilhão por duas razões: é leve, o que reduz a inércia das peças que a gaiola arrasta a cada rotação, e dispensa lubrificação nas superfícies de contacto do escape. A reserva de marcha, mais curta do que as 72 horas dos outros dois calibres, lembra o custo energético de fazer rodar todo o órgão regulador. O calendário perpétuo, por seu lado, tem em conta a duração de cada mês e os anos bissextos. A Monochrome indica 4895 francos suíços para o relógio de fases da lua, 10 995 para o calendário perpétuo e 15 995 para o turbilhão. Saiba mais no site da marca. Gerald Charles abre em Osaca a maior loja da marca Imagem divulgada pela Gerald Charles com o anúncio da abertura no Takashimaya Watch Maison Osaka. © Gerald Charles A Gerald Charles, casa independente suíça fundada por Gérald Charles Genta, anunciou a 5 de outubro a abertura da segunda loja no Japão. O espaço fica no quinto piso do Takashimaya Watch Maison Osaka e é explorado pelo parceiro local Mugino & Co. Segundo a marca, Osaca é a primeira cidade a receber o novo conceito de loja, desenvolvido em Genebra, e este é o maior espaço da sua rede mundial. A Gerald Charles está presente na cidade desde 2024. A loja apresenta as coleções Maestro, Masterlink e Gem Set, incluindo as novidades de 2026, e duas peças de distribuição restrita: o Masterlink Boutique Edition, exclusivo das lojas próprias, e o Maestro 2.0 Ultra Thin Asia Edition, de aço com mostrador de jade, limitado a 80 exemplares para a Ásia. «Esta cidade sempre representou um diálogo único entre tradição e inovação», afirmou Federico Ziviani, citado no comunicado. Para uma marca independente, um espaço próprio num armazém dedicado à relojoaria garante o que a distribuição multimarca raramente dá: a coleção completa exposta e o contacto direto com os colecionadores. Saiba mais no site da marca. Inercy troca o turbilhão por uma bússola solar Compass: caixa de aço de 39 mm com duas coroas, a das 9 horas para rodar a luneta interior. © Inercy Paris A parisiense Inercy, que se estreou em 2023 com um turbilhão volante de preço invulgarmente baixo, apresentou a segunda coleção. O Compass é um relógio de três ponteiros para uso ao ar livre, com movimento automático suíço e encomendas abertas a partir de 6 de outubro, segundo a Monochrome. A caixa de aço 316L mede 39 mm de diâmetro e 10 mm de espessura, é estanque a 100 metros e tem fundo de safira. O movimento é o La Joux-Perret G101, de 4 Hz e 68 horas de reserva de marcha. A particularidade está nas duas coroas. A das 3 horas acerta a hora; a das 9 horas roda, nos dois sentidos, uma luneta interior com escala de minutos e os quatro pontos cardeais, assinalados em francês (N, E, S e O). O princípio da bússola solar é antigo: no hemisfério norte, com o ponteiro das horas apontado ao Sol, o sul fica a meio caminho entre esse ponteiro e as 12 horas. A luneta rotativa serve para fixar essa direção e ler as restantes. O método dá uma orientação aproximada, que depende da hora solar e da latitude, e não substitui uma bússola magnética. Há duas versões, Compass Dark, de mostrador preto texturado, e Compass Light, de mostrador branco, cada uma limitada a 150 exemplares. O preço indicado é de 1790 euros, com duas braceletes: uma de pele nubuck preta e outra de borracha FKM. Saiba mais no site da marca. Shinola dá um movimento automático ao Duck Duck Automatic de mostrador preto: caixa de aço de 38 mm e bracelete de elos em H com fecho de ajuste fino. © Shinola A Shinola, de Detroit, apresentou a 5 de outubro o Duck Automatic, a primeira versão mecânica do seu relógio de mergulho, até aqui vendido com movimento de quartzo. A venda arranca a 6 de outubro, e a marca descreve o calibre como o seu primeiro movimento japonês. Segundo a Gear Patrol e a Worn & Wound, trata-se do Miyota 9015, automático, com 42 horas de reserva de marcha. A caixa de aço desce para 38 mm, mantém a estanquidade a 100 metros e ganha fundo transparente. A bracelete é nova, de elos em H, com fecho de ajuste fino. Os mostradores passam a ter texturas estampadas, ausentes na versão de quartzo. Os modelos de aço, com mostrador alabastro ou preto, custam 895 dólares. A versão com revestimento dourado por PVD custa 1095 dólares, o mesmo preço de uma edição limitada a 1000 exemplares, equipada com o Miyota 9085 e acompanhada de uma bracelete de borracha cinzenta. Saiba mais no site da marca. O que merece atenção O lançamento da Omega mostra como a marca gere uma parceria com mais de trinta anos: os modelos de aço entram no catálogo corrente, enquanto a liga de platina e ouro fica reservada a 154 conjuntos. Resta saber se esta liga chegará a outras linhas da marca. As pedras naturais continuam a alargar o seu território. A Frederique Constant aplica-as a um turbilhão e a um calendário perpétuo de aço, complicações que durante muito tempo andaram associadas a metais preciosos. A acompanhar: segundo a The Hour Markers, organizadora do India Watch Weekend, o Horology Forum da Dubai Watch Week terá uma edição em Mumbai a 6 e 7 de fevereiro de 2027, integrada naquele encontro. Depois da passagem da digressão do GPHG pela mesma cidade, é mais um sinal do peso crescente da Índia no calendário relojoeiro.

  • 25 de Setembro

    O dia em resumo A Grönefeld apresentou o 1941 Quadrivium, um relógio novo de raiz que junge num só calibre quatro das soluções que definiram o trabalho dos irmãos: remontoire de 7,5 segundos, turbilhão volante, segundos saltantes ao centro e indicador de reserva de marcha. A Vacheron Constantin celebrou os 30 anos do Overseas com um calendário perpétuo ultrafino em ouro branco, limitado a 200 exemplares. E a Breguet substituiu o motivo de ondas dos mostradores da Marine pelo guilhoché à mão “Quai de l'Horloge”, com mudanças de fundo no desenho das duas referências. Grönefeld reúne quatro complicações num calibre feito de raiz 1941 Quadrivium, caixa de 40 mm em tântalo, com turbilhão volante às 6 horas e o regulador do remontoire à vista às 9. © Grönefeld Depois de anos a responder a pedidos para reeditar o One Hertz, o Parallax Tourbillon ou o 1941 Remontoire, Bart e Tim Grönefeld optaram por outra via: reunir as ideias dessas peças num movimento novo. O nome vem do quadrivium medieval — aritmética, geometria, música e astronomia —, as quatro disciplinas que formavam um todo. A peça central é o remontoire de 7,5 segundos. Um remontoire é uma mola intermédia, colocada entre o barrilete e o escape, que é rearmada a intervalos fixos — aqui, de 7,5 em 7,5 segundos. O escape deixa assim de receber o binário decrescente do barrilete e passa a receber sempre a mesma força, o que estabiliza a amplitude do balanço ao longo da reserva de marcha. É força constante no sentido próprio do termo, e não uma correção de erro. O regulador que controla o rearme fica à vista às 9 horas e roda a cada 7,5 segundos. É também o remontoire que alimenta os segundos saltantes ao centro: em vez de varrer o mostrador, o ponteiro avança de segundo em segundo, algo que exige uma fonte de energia estável e independente do trem principal. Às 6 horas fica o turbilhão volante de um minuto, ligeiramente elevado sobre o mostrador, com gaiola de três braços em aço acabada à mão. O calibre G-09, de corda manual, tem 473 componentes e 49 rubis, e monta dois barriletes concêtricos ligados em série, que fornecem 50 horas de reserva de marcha. Ligar barriletes em série serve sobretudo para prolongar a autonomia e trabalhar numa zona mais plana da curva de binário, o que se conjuga bem com a função do remontoire. A caixa 1941 mede 40 mm de diâmetro por 11,3 mm de altura. A Premiere Edition é em tântalo, metal denso e difícil de maquinar e acabar, limitada a 28 exemplares e anunciada a 280 000 euros sem impostos; segue-se uma série de 28 peças em platina, a 310 000 euros. A marca informa que suspendeu temporariamente a aceitação de encomendas por excesso de procura. Vacheron Constantin marca os 30 anos do Overseas Overseas Perpetual Calendar Ultra-Thin (ref. 4300V/220G-H119), caixa de 41,5 mm em ouro branco com 8,1 mm de espessura e mostrador lacado azure. © Vacheron Constantin O Overseas nasceu em 1996, herdeiro do 222 de 1977. A Vacheron Constantin assinala as três décadas com uma série de 200 exemplares do Overseas Perpetual Calendar Ultra-Thin em ouro branco, com um tom de azure mais claro e menos saturado do que o azul habitual da coleção. A caixa tem 41,5 mm de diâmetro e apenas 8,1 mm de espessura, o que é pouco para um calendário perpétuo automático: o rotor e os discos do calendário somam altura. O mérito é do calibre 1120 QP/1, com 4,05 mm, 276 componentes e 36 rubis, que bate a 19 800 alternâncias/hora (2,75 Hz) e dá cerca de 40 horas de reserva de marcha. A frequência baixa é característica da família 1120, derivada do JLC 920: perde-se estabilidade a curto prazo, ganha-se altura. O movimento tem Punção de Genebra, côtes de Genève, chanfros acabados à mão e massa oscilante em ouro de 22 quilates gravada com uma rosa dos ventos. O calendário não precisa de correção até 2100. De notar que esta referência usa coroa de pressão e está classificada a 50 metros, contra os 150 metros dos Overseas de coroa roscada. Vem com bracelete de ouro branco e duas correias de borracha, e o preço anunciado é de 120 000 francos suíços com impostos (cerca de 132 000 dólares). Breguet troca as ondas pelo guilhoché “Quai de l'Horloge” Marine 5517 em ouro branco, com mostrador de ouro guilhochado à mão e numerais Breguet aplicados sobre anel elevado. © Breguet A Breguet renovou a Marine 5517 de três ponteiros e a Marine Chronographe 5527, em ouro branco, ouro rosa e titânio. Os mostradores continuam a ser de ouro maciço guilhochado à mão, mas o motivo de ondas deu lugar ao padrão “Quai de l'Horloge”, criado para os 250 anos da casa e inspirado nos contornos da Île de la Cité e da Île Saint-Louis, junto à morada parisiense onde Abraham-Louis Breguet produziu os seus cronómetros de marinha. A mudança de fundo está nos numerais: saem os romanos e entram os numerais árabes Breguet, desenhados a partir do cronómetro de marinha n.º 104 e aplicados sobre um anel elevado que os separa do fundo guilhochado. A data passou das 3 para as 6 horas, o que equilibra o mostrador, e o ponteiro dos segundos tem a ponta inspirada na bandeira náutica “Bravo”. A 5517 mantém 40 mm por 11,5 mm, coroa roscada e 100 metros de estanquidade, com o calibre automático 777A: 4,3 mm de espessura, 235 componentes, 4 Hz, 55 horas de reserva de marcha, espiral de silício e massa oscilante em ouro com a forma de um leme. A 5527, de 42,3 mm por 13,9 mm, usa o calibre 582QA, cronógrafo flyback com 48 horas de reserva, espiral de silício e âncora invertida também em silício; perdeu o contador das horas do cronógrafo e ficou com dois contadores. Os modelos entram na coleção permanente. Para a 5517, os preços anunciados vão de 25 000 francos suíços (titânio com correia) a 71 100 francos (ouro com bracelete). O que merece atenção Os três lançamentos de hoje dizem o mesmo por caminhos diferentes: o que distingue estas casas já não é a complicação em si, é a forma como a energia e a mão são controladas. A Grönefeld gasta um calibre inteiro a garantir binário constante; a Vacheron consegue um perpétuo com 8,1 mm à custa de uma frequência baixa e de uma arquitetura com 40 anos; a Breguet volta ao torno de guilhochar para justificar o preço de um mostrador. Vale a pena seguir o Quadrivium quando começarem a sair medições independentes: um remontoire de 7,5 segundos promete amplitude estável ao longo das 50 horas, e isso é verificável.

  • 5 de Outubro

    O dia em resumo A Armin Strom apresentou o Tribute³ Au750, uma edição de oito exemplares em que o ouro rosa de 18 quilates passa da caixa para o mostrador e para as três pontes do calibre AMW21, de 100 horas de reserva de marcha. A Hanhart assina a primeira parceria oficial com a família de Steve McQueen, num 417 ES de corda manual com função flyback, limitado a 300 exemplares. A Eberhard & Co. levou ao Salão Náutico Internacional de Génova o Scafograf 200 MCMLIX Bronze Edition, com luneta e coroa de bronze sobre caixa de aço, e a independente Brellum lança 33 exemplares de um cronógrafo com certificado COSC e indicador de reserva de marcha. Armin Strom leva o ouro às pontes do Tribute³ Tribute³ Au750: caixa de 38 mm, mostrador descentrado e pontes do calibre AMW21 em ouro rosa de 18 quilates, numa edição de oito exemplares. © Armin Strom Anunciado a 2 de outubro, o Tribute³ Au750 (referência RG26-TRI.AU) é a primeira versão do modelo em que o ouro rosa de 18 quilates não fica pela caixa. São do mesmo metal o mostrador descentrado, o submostrador dos segundos e as três pontes do movimento. A caixa mede 38 mm de diâmetro e 9,38 mm de altura e é estanque a 5 atmosferas. O trabalho decorativo assenta em três motivos de guilhoché: soleil no mostrador das horas, grain d'orge no submostrador e clou de Paris na ponte de três quartos, visível pelo fundo. Do lado do mostrador, o tambor fica sob uma ponte em dedo de ouro com polimento espelhado. Os ponteiros de estilo Breguet, de aço com revestimento PVD cinzento, são uma estreia no modelo, e a platina recebe o mesmo tom, que faz sobressair o ouro das pontes. O verso do calibre AMW21: ponte de três quartos de ouro rosa com guilhoché clou de Paris, sobre platina com revestimento PVD cinzento. © Armin Strom O calibre AMW21, de corda manual, mede 33,5 mm por 4,2 mm, tem 21 rubis e trabalha a 25 200 alternâncias por hora (3,5 Hz). As 100 horas de reserva de marcha vêm de um tambor motor. Segundo a Armin Strom, a arquitetura é invertida em relação à do tambor convencional: o tambor fica fixo e é o eixo que arma a mola no seu interior. A marca diz que a solução poupa espaço e ajuda a manter o movimento compacto apesar da autonomia. A regulação faz-se num balanço de inércia variável, com espiral plana. Em vez de uma raquete que encurta ou alonga o comprimento ativo da espiral, o relojoeiro afina a marcha deslocando massas no aro do balanço. A espiral trabalha livre em todo o comprimento, o que favorece a estabilidade da marcha ao longo do tempo. Em contrapartida, o ajuste é mais demorado e exige ferramenta própria. A manufatura de Biel/Bienne afirma produzir 97% dos componentes do calibre e montar cada relógio duas vezes. O preço é de 69 000 francos suíços. Saiba mais no site da marca. Hanhart põe a assinatura de Steve McQueen no 417 ES 417 ES Steve McQueen Limited Edition No. 1: caixa de aço de 39 mm, botão vermelho de HyCeram e assinatura do ator no mostrador. © Hanhart Lançado a 2 de outubro, o 417 ES Steve McQueen Limited Edition No. 1 é o primeiro relógio da Hanhart feito em parceria oficial com a família do ator. Segundo a SJX Watches, é também a primeira vez que a marca alemã pode usar abertamente o nome de McQueen. A assinatura figura no mostrador preto, com a aprovação dos netos, Chase e Madison McQueen, que participaram no projeto. A ligação é antiga. O 417 foi introduzido em meados da década de 1950 como cronógrafo de piloto para a Bundeswehr, e a sigla ES designa a versão de aço (Edelstahl). McQueen usou um exemplar na vida privada e em provas de motociclismo, incluindo os Seis Dias Internacionais de 1964, na Alemanha de Leste, como recorda a Monochrome Watches. A caixa de aço mede 39 mm de diâmetro, 13,3 mm de altura com o vidro de safira abaulado e 46 mm entre asas, com estanquidade de 10 bar. A luneta canelada roda nos dois sentidos e o botão de reposição é de HyCeram vermelho. A bracelete é do tipo bund, de Shell Cordovan, com a correia a passar por baixo da caixa, como no relógio do ator. O fundo de safira deixa ver o Sellita AMT5100 M de corda manual; cada exemplar traz gravado o número da edição, de 300. © Hanhart O movimento é o Sellita AMT5100 M, de corda manual, com 23 rubis, 28 800 alternâncias por hora e 58 horas de reserva de marcha. Tem roda de colunas e função flyback: com o cronógrafo em marcha, uma única pressão no botão de reposição leva o ponteiro a zero e reinicia a contagem, sem a sequência de parar, repor e arrancar. A função nasceu na aviação, onde era preciso cronometrar pernas de navegação consecutivas sem perder segundos. A edição é de 300 exemplares e o preço na Alemanha é de 2890 euros, com IVA. Saiba mais no site da marca. Eberhard & Co. junta bronze ao Scafograf 200 MCMLIX Scafograf 200 MCMLIX Bronze Edition (ref. 41147.01 CP): luneta e coroa de bronze sobre caixa de aço de 39 mm, estanque a 200 metros. © Eberhard & Co. A Eberhard & Co. apresentou no Salão Náutico Internacional de Génova, de que é cronometrista oficial, o Scafograf 200 MCMLIX Bronze Edition. O relógio tinha sido mostrado em antevisão na Watches and Wonders e entra agora no catálogo como edição especial, com a referência 41147.01 CP. O bronze fica na luneta rotativa unidirecional, com inserção de cerâmica, e na coroa de rosca. A caixa de 39 mm e o fundo roscado são de aço. O mostrador é preto, com índices aplicados redondos e triangulares e ponteiros de perfil cor de bronze; o das horas retoma a ponta triangular do modelo de 1959, o ano que o nome evoca em numeração romana. O bronze oxida e ganha pátina com o uso, diferente de relógio para relógio. Limitá-lo à luneta e à coroa mantém em aço as superfícies em contacto com a pele. O movimento é mecânico de corda automática e a estanquidade é de 200 metros. Às 9 horas há uma válvula automática de hélio, dispositivo útil no mergulho de saturação: durante a descompressão, deixa sair o gás que se infiltrou na caixa antes que a pressão interna force o vidro. O fundo traz gravada uma estrela-do-mar com acabamento PVD de ouro 5N. A bracelete é de pele preta hidrorrepelente com pespontos cor de bronze; a imprensa italiana refere ainda versões com bracelete de aço, em malha milanesa ou Chassis. Saiba mais no site da marca. Brellum junta reserva de marcha e certificado COSC num cronógrafo de 33 exemplares Pandial Power Reserve LE Chronometer: mostrador preto, caixa de aço de 43 mm e calibre BR-750RM certificado pelo COSC, em 33 exemplares. © Brellum A independente suíça Brellum pôs à venda a 2 de outubro o Pandial Power Reserve LE Chronometer de mostrador preto (referência DB.CH.955), limitado a 33 exemplares. A caixa de aço 316L mede 43 mm de diâmetro e 15,9 mm de espessura, contando com os dois vidros de safira abaulados, e é estanque a 100 metros. O mostrador preto, construído em vários níveis e acabamentos, reúne data, cronógrafo de 12 horas, escalas taquimétrica e telemétrica e um indicador de reserva de marcha. O calibre BR-750RM é um automático derivado do Valjoux 7750, com 25 rubis, 28 800 alternâncias por hora e 46 horas de autonomia. Cada movimento é certificado pelo COSC, o que implica 15 dias de ensaios em cinco posições e a três temperaturas, com uma marcha média diária entre −4 e +6 segundos. O indicador de reserva de marcha, pouco habitual num cronógrafo automático, tem utilidade real: mostra quanta corda resta quando o relógio passa dias fora do pulso. O preço é de 3390 francos suíços com impostos, ou 3135 francos para exportação. Saiba mais no site da marca. O que merece atenção O ouro deixou de ser apenas matéria de caixa. No Tribute³ Au750 entra nas pontes e serve de suporte ao guilhoché, numa altura em que vários independentes procuram nos métiers d'art uma diferenciação que a mecânica, sozinha, já não garante. É uma observação e não uma tendência medida: oito exemplares não fazem mercado, mas mostram para onde olha este segmento. A Hanhart numera a edição McQueen como «No. 1», o que sugere continuidade. A marca não anunciou outros modelos. No calendário, a Milano Watch Week encerrou ontem no Palazzo Mezzanotte, ao fim de três dias. Seguem-se a WatchTime New York, de 16 a 18 de outubro, e a cerimónia do Grand Prix d'Horlogerie de Genève, marcada para 7 de novembro.

  • Quem define a hora do mundo?

    O Relógio Mundial (Weltzeituhr) da Alexanderplatz, em Berlim. Fotografia de Diego Delso, delso.photo, licença CC BY-SA 4.0 (recortada). Acertamos o relógio pelo telemóvel, o telemóvel acerta-se pela rede, e a rede acerta-se por… quem, exactamente? Ninguém, sozinho, «manda» na hora. Há um sistema internacional de laboratórios, satélites e tratados — e vale a pena conhecê-lo por dentro, sobretudo para quem vive de medir o tempo. Do Sol ao átomo Durante milénios, a hora foi um assunto local: meio-dia era quando o Sol passava no meridiano de cada terra, e entre Lisboa e o Porto havia cerca de dois minutos de diferença. O caminho-de-ferro e o telégrafo tornaram isto insustentável. Em 1884, a Conferência Internacional do Meridiano, em Washington, reuniu 25 países e escolheu Greenwich como meridiano zero; a hora média de Greenwich (GMT) passou a ser a referência do mundo. Essa referência continuava a ser a rotação da Terra, medida pelos astrónomos. Os relógios eram apenas guardiões da hora entre duas observações: o pêndulo de Huygens (1656), depois o quartzo (1927), tão regular que começou a revelar as irregularidades do próprio planeta. Em 1955, Louis Essen e Jack Parry puseram a funcionar, no laboratório britânico NPL, o primeiro relógio de césio fiável. A partir daí, o padrão deixou de estar no céu. Christiaan Huygens (1629–1695), inventor do relógio de pêndulo e da mola espiral do balanço. Retrato de Caspar Netscher, 1671. Imagem: Wikimedia Commons (domínio público). O segundo: 9 192 631 770 oscilações Até 1960, o segundo era 1/86 400 do dia solar médio. Nesse ano passou a ser uma fracção do ano de 1900 — o «segundo das efemérides», mais estável mas impossível de medir no dia-a-dia. Em 1967, a Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM) adoptou a definição atómica: o segundo é a duração de 9 192 631 770 períodos da radiação da transição hiperfina do césio-133. Na revisão do Sistema Internacional de 2019 a formulação mudou — fixa-se o valor da frequência — mas o número é o mesmo. Esse número não é arbitrário: foi medido entre 1955 e 1958 para que o segundo atómico coincidisse com o das efemérides, que por sua vez reflectia a duração do dia por volta de 1820. Desde então a Terra abrandou, e o dia real tem hoje um a dois milissegundos a mais do que 86 400 segundos atómicos. É desta pequena diferença que nasce o problema dos segundos intercalares. Os melhores relógios de césio actuais são «fontes»: um punhado de átomos arrefecidos por laser até quase ao zero absoluto é lançado um metro para cima e atravessa duas vezes uma cavidade de micro-ondas, na subida e na queda. Ajusta-se a frequência das micro-ondas até o maior número de átomos mudar de estado; essa frequência é o segundo. Uma fonte de césio não se desvia um segundo em mais de cem milhões de anos. O NIST-F2, fonte de césio do NIST (EUA), um dos padrões primários que calibram a hora mundial. Imagem: NIST / Wikimedia Commons (domínio público). TAI: um relógio feito de papel Um segundo bem definido não chega: é preciso contá-los sem parar e de forma que todos aceitem. Essa tarefa cabe ao BIPM — Bureau International des Poids et Mesures —, criado pela Convenção do Metro de 1875 e sediado em Sèvres, nos arredores de Paris. O Pavillon de Breteuil, em Sèvres, sede do Bureau International des Poids et Mesures. Imagem: Wikimedia Commons. O BIPM não tem um relógio-mestre. Tem os dados de cerca de 450 relógios atómicos, mantidos em cerca de 80 laboratórios de todo o mundo. Os laboratórios comparam os seus relógios entre si através dos satélites de navegação e de ligações bidireccionais por satélite de telecomunicações, e enviam os resultados para Sèvres. O BIPM calcula uma média ponderada — cada relógio pesa conforme a sua estabilidade, com um tecto para que nenhum domine — e corrige o ritmo dessa média com as medições dos padrões primários, as fontes de césio. O resultado é o Tempo Atómico Internacional (TAI), contado sem interrupções desde 1 de Janeiro de 1958. O TAI é, por isso, um «relógio de papel»: nenhum mostrador o indica, e só é conhecido depois de feitas as contas. Em tempo real, cada laboratório mantém a sua própria aproximação, designada UTC(k) — UTC(PTB) na Alemanha, UTC(NIST) nos Estados Unidos, UTC(IPQ) em Portugal. Todos os meses, a Circular T do BIPM publica quanto cada uma se afastou da referência, de cinco em cinco dias; uma solução rápida, o UTCr, sai todas as semanas. Os melhores laboratórios mantêm-se a poucos nanossegundos. Há ainda Einstein a ter em conta. O tempo corre mais depressa onde a gravidade é mais fraca: por cada metro de altitude, um relógio adianta cerca de uma parte em 10¹⁶. Um relógio em Boulder, no Colorado, a 1600 metros, anda mensuravelmente mais depressa do que outro igual à beira-mar, e todos os contributos para o TAI são corrigidos para o nível médio do mar. UTC: a hora civil O TAI ignora a Terra. A hora que usamos, o UTC — Tempo Universal Coordenado —, é o TAI acertado em segundos inteiros para acompanhar a rotação do planeta. Existe na forma actual desde 1 de Janeiro de 1972, quando arrancou com 10 segundos de diferença; hoje são 37. A sigla é um compromisso entre o inglês (CUT) e o francês (TUC). O GMT sobrevive como nome de fuso horário; o seu herdeiro científico é o UT1, a hora dada pela orientação real da Terra. Cada Estado escolhe depois o seu desvio em relação ao UTC. Os fusos vão de UTC−12 a UTC+14, e a China, que atravessaria cinco, usa um só. No total, há quase quatro dezenas de horas locais em vigor, porque nem todas diferem do UTC em horas certas. A Índia e o Sri Lanka usam UTC+5:30; o Irão, UTC+3:30; o Afeganistão, UTC+4:30; Myanmar, UTC+6:30; o centro da Austrália, UTC+9:30; a Terra Nova, no Canadá, UTC−3:30. E há desvios de 45 minutos: o Nepal (UTC+5:45) e as ilhas Chatham, da Nova Zelândia (UTC+12:45). As razões são de três tipos. Geográficas: quando o centro de um país fica a meio caminho entre dois fusos, a meia hora aproxima o relógio do Sol. A Índia, em vez de se dividir em dois fusos, escolheu o meridiano de 82,5° Este; o Irão segue o meridiano próximo de Teerão. Históricas: a Terra Nova já se regia pela hora solar da sua capital quando era um domínio separado do Canadá, e manteve-a. Políticas: o Nepal fixou a hora pelo meridiano de uma montanha a leste de Catmandu, o que o deixa a 15 minutos da Índia; a Venezuela atrasou os relógios meia hora em 2007 e desfez a medida em 2016; a Coreia do Norte criou em 2015 a «hora de Pyongyang», meia hora atrás de Seul, e abandonou-a em 2018. Os fusos horários do mundo, todos definidos em relação ao UTC. Imagem: CIA World Factbook / Wikimedia Commons (domínio público). Nem todos os sistemas seguem o UTC. A hora dos satélites GPS foi acertada em 1980 e nunca recebeu segundos intercalares: está hoje 18 segundos adiantada, e é o receptor que faz a conversão. A Terra, relógio imperfeito A longo prazo, a Terra abranda: o atrito das marés, provocado pela Lua, alonga o dia em cerca de dois milissegundos por século. A curto prazo, é imprevisível. O núcleo líquido, os ventos, as correntes oceânicas e o degelo redistribuem massa e alteram a velocidade de rotação; o sismo do Japão de 2011 encurtou o dia em 1,8 microssegundos. Sem correcção, daqui a alguns milhares de anos o meio-dia dos relógios deixaria de coincidir com o Sol a pino. A Terra, o relógio original — e imperfeito. «The Blue Marble», fotografada pela tripulação da Apollo 17 em 1972. Imagem: NASA / Wikimedia Commons (domínio público). Quem vigia a rotação é o IERS — International Earth Rotation and Reference Systems Service —, em funções desde 1988. Mede a orientação do planeta com radiotelescópios apontados a quasares distantes, com laser disparado a satélites e à Lua e com as redes de navegação por satélite. A regra em vigor obriga o UTC a ficar a menos de 0,9 segundos do UT1. Quando o limite se aproxima, o IERS anuncia, com seis meses de antecedência, um segundo intercalar: o último minuto de 30 de Junho ou de 31 de Dezembro passa a ter 61 segundos. Aconteceu 27 vezes, a última em 31 de Dezembro de 2016, e já está confirmado que não haverá nenhum no final de 2026. 23:59:60 — o raro instante de um segundo intercalar. Imagem: Wikimedia Commons. O fim do segundo intercalar Um minuto de 61 segundos, anunciado com meio ano de aviso e impossível de prever a prazo, é um pesadelo para o software. Em 2012 deitou abaixo sites e o sistema de check-in de uma companhia aérea; em 2017 afectou uma das maiores redes de distribuição da internet. As grandes empresas tecnológicas passaram a «diluir» o segundo extra ao longo de várias horas, cada uma à sua maneira — o que significa que, nesses dias, circulam várias horas ligeiramente diferentes. Entretanto, a Terra trocou as voltas a toda a gente: desde 2020 tem rodado mais depressa, com um recorde em Julho de 2024, quando um dia durou 1,66 milissegundos a menos do que 86 400 segundos. Se a tendência continuar, será preciso um segundo intercalar negativo — um minuto de 59 segundos —, algo que nunca foi feito nem testado. O BIPM estima em cerca de 30 % a probabilidade de isso acontecer até 2035. Em 2022, a CGPM decidiu alargar a tolerância entre UT1 e UTC até 2035. O calendário foi agora antecipado: a 28.ª CGPM, marcada para 13 a 15 de Outubro de 2026, em Versalhes, vota uma proposta que fixa a diferença máxima em 3600 segundos — uma hora — e prevê um UTC contínuo a partir de 20 de Maio de 2027. A ser aprovada, não haverá mais segundos intercalares durante vários séculos, e a hora civil deixará, pela primeira vez, de estar amarrada ao movimento do planeta. O próximo segundo — e a hora da Lua O césio tem sucessor à vista. Os relógios ópticos usam átomos de estrôncio ou de itérbio, que oscilam na frequência da luz visível — centenas de terahertz, dezenas de milhares de vezes acima do césio — e dividem o tempo em fatias muito mais finas. Os melhores atingem incertezas de uma parte em 10¹⁸: não perderiam um segundo em toda a idade do Universo, e são sensíveis a uma diferença de altitude de um centímetro. A mesma conferência de Outubro discute o roteiro para redefinir o segundo, com uma proposta formal prevista para 2030. Na agenda está também uma escala de tempo de referência para a Lua. Com gravidade mais fraca, um relógio na superfície lunar adianta cerca de 56 microssegundos por dia em relação a um na Terra — irrelevante para um astronauta, decisivo para um sistema de navegação. Como a hora chega ao pulso Satélites. Cada satélite GPS ou Galileo leva relógios atómicos a bordo e difunde a sua hora. Um erro de um nanossegundo equivale a 30 centímetros na posição, pelo que um receptor comum fica sincronizado a menos de um microssegundo. Rádio de onda longa. O emissor alemão DCF77 (77,5 kHz, perto de Frankfurt) acerta os relógios «radiocontrolados» europeus num raio de cerca de 2000 km, limite em que Portugal se encontra. O Reino Unido, os Estados Unidos e o Japão têm emissores equivalentes. Internet. O protocolo NTP, de 1985, sincroniza computadores e telemóveis em cascata a partir de servidores ligados a relógios atómicos, com erros da ordem dos milissegundos. Fibra óptica. Laboratórios, bolsas e operadores de telecomunicações usam ligações dedicadas, com precisão abaixo do microssegundo. Muita coisa depende disto sem que se note: as redes móveis, a rede eléctrica, a navegação. Na União Europeia, as plataformas de negociação de alta frequência são obrigadas a carimbar cada ordem com um desvio máximo de 100 microssegundos em relação ao UTC. E em Portugal? A hora legal é uma decisão de cada Estado, mas essa decisão resume-se a escolher o desvio em relação ao UTC e as datas da mudança de hora — estas últimas harmonizadas a nível europeu. Portugal não fixa a referência mundial de tempo: define a sua hora legal com base no UTC, estabelecido internacionalmente. Nem sempre foi assim. Até ao fim de 1911, a hora legal regia-se pelo meridiano do Observatório Astronómico de Lisboa, 36 minutos e 44 segundos atrás de Greenwich; a 1 de Janeiro de 1912 os relógios do país foram adiantados nessa medida. A hora de Verão chegou em 1916. Por duas vezes, entre 1966 e 1976 e entre 1992 e 1996, Portugal alinhou pela hora da Europa Central, e por duas vezes voltou atrás, depois de Invernos em que o Sol nascia depois das nove. Desde 1996, o continente e a Madeira usam UTC no Inverno e UTC+1 no Verão; os Açores, uma hora a menos. A mudança faz-se no último domingo de Março e no último de Outubro, e a proposta europeia de 2018 para lhe pôr fim continua parada. Um país sem guardião da hora O que cada país faz é realizar a hora, mantê-la e distribuí-la. Em Portugal, essa missão coube desde 1878 ao Observatório Astronómico de Lisboa, que a lei encarregava do serviço da hora legal, com uma Comissão Permanente da Hora a funcionar junto dele. O Observatório recebeu o primeiro relógio atómico nos anos 1980 e renovou o equipamento em 2001. O que falhou foi a organização, não a técnica. Em 2013, com a fusão das duas universidades de Lisboa, o Observatório passou para a tutela do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, vocacionado para o património; o serviço da hora ficou sem dono e foi sendo assegurado por pessoal da Faculdade de Ciências. Em 2022 foi anunciado um decreto-lei para o transferir para o Instituto Português da Qualidade (IPQ), num processo que envolvia dois ministérios e o Gabinete Nacional de Segurança. Não há notícia de que tenha sido publicado. O paradoxo é que a capacidade existe. O Laboratório de Tempo e Frequência do IPQ, na Caparica, realiza a escala atómica nacional, o UTC(IPQ), com três relógios de césio que contribuem para o TAI: é com ela que Portugal figura nas contas do BIPM. Falta-lhe o mandato legal para ser a «hora legal» e a obrigação de a difundir. O resultado é que nenhuma entidade tem hoje essa missão formalmente atribuída, e os riscos são concretos: Segurança jurídica. Prazos judiciais e administrativos, concursos públicos, leilões e contratos electrónicos fecham ao segundo. Em caso de litígio, não há um relógio que a lei designe como o que conta. Carimbos de tempo. As regras europeias exigem que os selos temporais qualificados sejam rastreáveis a um UTC(k) reconhecido pelo BIPM, com erro máximo de um segundo. Na prática, isso remete para o IPQ ou para laboratórios estrangeiros, não para a «hora legal». Serviço sem responsável. Quem continua a acertar os sistemas pelos servidores do Observatório depende de um serviço que ninguém é obrigado a manter. Em Junho de 2023, o relógio em linha do Observatório chegou a apresentar um desvio de oito minutos, corrigido depois de o caso ser noticiado. Dependência do satélite. Sem fonte nacional designada, as redes de telecomunicações, de energia e bancárias acertam-se por sistemas de navegação que o país não controla e cujo sinal pode ser interferido ou falsificado. O que isto significa para um relojoeiro Dizer que um relógio adianta quatro segundos por dia é compará-lo com alguma coisa. O cronocomparador da bancada compara-o com um oscilador de quartzo; esse quartzo foi calibrado contra uma referência melhor, e a cadeia termina sempre no UTC. Todos os relógios da tabela fazem o mesmo — contam oscilações — e a história da relojoaria é, em boa parte, a procura de osciladores mais rápidos e mais estáveis. Oscilador Frequência Desvio típico Pêndulo de Huygens (1656) cerca de 1 Hz cerca de 15 s por dia Balanço de cronómetro certificado 4 Hz −4 a +6 s por dia Quartzo de relógio de pulso 32 768 Hz cerca de 15 s por mês Fonte de césio 9 192 631 770 Hz 1 s em mais de 100 milhões de anos Relógio óptico de estrôncio cerca de 429 THz 1 s em mais de 15 mil milhões de anos O balanço e a espiral de um relógio de pulso Benrus dos anos 1950 (calibre ETA 1280): o mesmo princípio de um relógio atómico — um oscilador regular — a uma escala muito diferente. Imagem: Chetvorno / Wikimedia Commons (domínio público). A hora do mundo, afinal, não é definida por ninguém em particular. É definida por todos os que a medem — e concordam em partilhar o resultado. Quiz: quanto sabe sobre a hora do mundo? Nove perguntas rápidas. Escolha uma opção para ver de imediato se acertou e porquê; todas as respostas estão no artigo.

  • 2 de Outubro

    O dia em resumo A Porsche Design e a Hodinkee apresentaram o Chronograph 1 Utility, um cronógrafo de titânio limitado a 350 exemplares que estreia o calibre WERK 01.340 e traz de volta o contador central de minutos associado ao Lemania 5100. A Parmigiani Fleurier juntou à linha Toric um Petite Seconde de platina com mostrador Morning Blue, que se estreia na Milano Watch Week. A Norqain leva pela primeira vez o titânio à caixa do Wild One, a Christopher Ward assinala os 15 anos do seu módulo de horas saltantes e a Hamilton lança uma família de caixa em almofada com corda manual. A independente Lorige faz uma caixa com pastilhas de travão de um LMP2 vencedor em Le Mans, e Nova Iorque recebe em outubro dois leilões a seguir, da Antiquorum e da Phillips. Porsche Design e Hodinkee recuperam o contador central de minutos Chronograph 1 Utility – Limited Edition for Hodinkee: caixa de titânio microbilhado com 40,8 mm, numa edição de 350 exemplares. © Porsche Design Apresentado a 1 de outubro, o Chronograph 1 Utility – Limited Edition for Hodinkee é o segundo de três relógios previstos na colaboração entre a marca e a publicação norte-americana. A caixa é de titânio sem revestimento, com acabamento microbilhado, 40,8 mm de diâmetro e 15,41 mm de espessura, estanque a 10 bar. A referência é 6041.6.02.001.12.2. A novidade está no movimento. O WERK 01.340 é um calibre automático com 30 mm de diâmetro, 8,5 mm de altura, 30 rubis, 28 800 alternâncias por hora e cerca de 60 horas de reserva de marcha, com certificado COSC. Segundo o jornalista Gisbert L. Brunner, foi desenvolvido com a especialista suíça Concepto, tal como os anteriores WERK 01.140 e 01.240. Calibre WERK 01.340: 30 mm de diâmetro, 8,5 mm de altura e contador central de 60 minutos. © Porsche Design O que o distingue é a disposição das indicações. Num cronógrafo corrente, os minutos cronometrados leem-se num pequeno contador de 30 minutos. Aqui, o ponteiro dos minutos do cronógrafo está ao centro, sobreposto ao dos segundos, e percorre a escala principal do mostrador numa hora completa. A leitura faz-se como a das horas e minutos normais, sem somar voltas de um submostrador, o que explica a preferência dos cronógrafos militares por esta solução. O lugar que o contador de 30 minutos ocuparia, às 12 horas, fica para uma indicação de 24 horas. O contador de 12 horas está às 6, os pequenos segundos às 9 e o dia e a data às 3. É a disposição do Lemania 5100, o calibre que equipou as versões militares do Chronograph 1 nos anos 1970 e 1980 e cuja produção terminou há cerca de duas décadas. O compromisso é conhecido: empilhar quatro ponteiros ao centro pede altura, e o relógio não é fino. São 350 exemplares, 100 dos quais reservados à Hodinkee, ao preço de 8950 euros ou 9650 dólares, com bracelete de titânio e uma correia de pele adicional. As vendas abriram a 1 de outubro. Saiba mais no site da marca. Parmigiani Fleurier veste o Toric de platina e azul Toric Petite Seconde em platina 950, com mostrador de ouro branco granulado à mão na cor Morning Blue. © Parmigiani Fleurier A Parmigiani Fleurier anunciou a 1 de outubro o Toric Petite Seconde Platinum Morning Blue, que segundo a imprensa italiana se estreia na Milano Watch Week, a decorrer de hoje a domingo. A caixa é de platina 950, com 40,6 mm de diâmetro e 8,8 mm de espessura, estanque a 30 metros. O mostrador é de ouro branco de 18 quilates e inteiramente granulado à mão. A marca recorda que Michel Parmigiani encontrou esta técnica antiga no seu trabalho de restaurador e a ensinou aos mostradoristas da casa. Como o grão resulta do gesto, cada mostrador reflete a luz de forma ligeiramente diferente. Calibre PF780 de corda manual, construído em ouro rosa de 18 quilates, com dois tambores e 60 horas de reserva de marcha. © Parmigiani Fleurier No interior está o calibre de corda manual PF780, construído em ouro rosa de 18 quilates: 157 componentes, 27 rubis, 3,15 mm de espessura, 4 Hz e 60 horas de reserva de marcha, obtidas com dois tambores. O ouro é mais macio e mais difícil de trabalhar do que o latão habitual, e é essa dificuldade, mais do que qualquer ganho funcional, que justifica a escolha num relógio de cerimónia. A coleção Toric nasceu em 1996, com a própria marca. Esta versão não é limitada e custa 56 500 francos suíços. Saiba mais no site da marca. Norqain leva o titânio ao Wild One Wild One Skeleton Titanium de 39 mm, limitado a 400 exemplares, com o calibre esqueletizado NK26/1. © Norqain A caixa do Wild One é feita de várias peças: uma estrutura exterior, um amortecedor de borracha e um contentor interior que guarda o movimento. Até agora, a estrutura era de Norteq, o compósito de carbono da marca. Nos três modelos apresentados a 1 de outubro, a placa superior passa a ser de titânio de grau 5, mantendo-se a placa traseira em Norteq preto. A Norqain indica cerca de 45 por cento menos peso do que o aço. Dois modelos são esqueletizados e usam o calibre de manufatura NK26/1, com 65 horas de reserva de marcha: um de 39 mm por 11,75 mm, limitado a 400 exemplares, e outro de 42 mm por 12,3 mm com apontamentos em verde-menta. O terceiro, também de 42 mm, tem mostrador de meteorito de ferro encontrado no norte da Suécia e o calibre NN20/1, produzido pela Kenissi, com 70 horas. Todos têm certificado COSC, 28 800 alternâncias por hora e 200 metros de estanqueidade. No site da marca, os preços começam em 5550 francos suíços para os esqueletizados e em 5950 francos para o de meteorito. Saiba mais no site da marca. Christopher Ward assinala 15 anos de horas saltantes C1 Jump Hour XV: horas saltantes numa janela e minutos por ponteiro, em caixa de aço de 39 mm. © Christopher Ward O C1 Jump Hour XV marca os 15 anos do JJ01, o módulo de horas saltantes que a Christopher Ward desenvolveu e estreou em 2011. São 300 exemplares, em caixa de aço com 39 mm de diâmetro e 13,10 mm de altura, estanque a 30 metros. Num relógio de horas saltantes, a hora aparece num disco que deve avançar de uma só vez. A dificuldade está no momento do salto: se o disco for arrastado aos poucos, muda antes ou depois de o ponteiro dos minutos chegar ao 60. O JJ01, montado sobre um Sellita SW200-1, acumula energia ao longo de toda a hora e liberta-a de uma vez, para que o disco salte quando o ponteiro cruza a hora. O mostrador é prateado, com guilhoché estampado. O movimento trabalha a 28 800 alternâncias por hora e tem cerca de 38 horas de reserva de marcha. O preço é de 2350 euros com correia de pele e de 2540 euros com bracelete de aço. Saiba mais no site da marca. Hamilton recupera a caixa em almofada com corda manual American Classic Cushion, a nova família de caixa em almofada e corda manual da Hamilton. Imagem: Hamilton, via Time+Tide A Hamilton lançou a 1 de outubro o American Classic Cushion, inspirado nos modelos de caixa em almofada que a marca produziu em meados da década de 1920. São seis referências, em dois tamanhos, 30 por 30 mm e 34 por 34 mm, ambos com 8,1 mm de espessura, em aço ou em aço com PVD dourado, estanques a 50 metros. A espessura contida deve-se ao H-42, de corda manual, derivado do ETA 7001, um calibre fino com pequenos segundos às 6 horas que vem dos anos 1970. A Hamilton dota-o de espiral Nivachron, uma liga à base de titânio menos sensível aos campos magnéticos do que as espirais convencionais, e anuncia 57 horas de reserva de marcha. Os preços divulgados são de 995 dólares em aço e de 1095 dólares com PVD. Saiba mais no site da marca. Lorige faz uma caixa com os travões de um vencedor de Le Mans BL-Evolution «Competition», com caixa em carbono/carbono proveniente de pastilhas de travão de LMP2. Imagem: Lorige, via Monochrome Watches A independente suíça Lorige apresentou o BL-Evolution «Competition», uma edição de 50 exemplares cuja caixa é feita de carbono/carbono reaproveitado das pastilhas de travão dos protótipos LMP2 da Inter Europol Competition. Os carros n.º 43 e n.º 343 da equipa terminaram em primeiro e segundo da classe nas 24 Horas de Le Mans de 2026. O carbono/carbono é um compósito de fibras de carbono numa matriz também de carbono. Usa-se em travões de competição porque suporta temperaturas muito elevadas sem perder resistência, e é leve. A caixa, em forma de barril, mede 50 por 42 mm e 10,3 mm de espessura, com luneta e fundo de titânio de grau 5 e estanqueidade de 50 metros. O calibre LOR-DB03, de corda manual, é feito pela Chronode: 175 componentes, 29 rubis, 21 600 alternâncias por hora e dois tambores para 168 horas, ou sete dias, de reserva de marcha. O mostrador é de safira em degradé. O preço é dado a pedido. Saiba mais no site da marca. Nova Iorque: Antiquorum regressa e Phillips abre leilão online Imagem de capa do leilão online The New York Sessions, Fall 2026, encabeçado por um Voutilainen 28Sport em aço. © Phillips A Antiquorum volta a leiloar nos Estados Unidos a 18 de outubro, com a venda «Important Modern & Vintage Timepieces», no The Ned NoMad, em Nova Iorque. O catálogo é dominado por F.P. Journe, com oito relógios segundo a WatchPro. As estimativas mais altas são de um Tourbillon Vertical, entre 800 mil e 1,4 milhões de dólares, e de um Centigraphe Souverain, entre 600 mil e um milhão. Há ainda dois Cartier Crash de encomenda especial, cada um estimado entre 400 mil e 700 mil dólares. A Phillips, por sua vez, anunciou a 1 de outubro as New York Sessions de outono, um leilão online de 88 lotes que fecha a 9 de outubro e que a leiloeira descreve como o de maior valor já organizado pela sua equipa de Nova Iorque neste formato. O lote principal é um Voutilainen 28Sport, um de oito exemplares em aço, estimado entre 120 mil e 240 mil dólares. Seguem-se um Patek Philippe ref. 5270J, entre 80 mil e 160 mil dólares, e um Rolex Cosmograph Daytona ref. 116506 em platina, entre 70 mil e 140 mil. Saiba mais no site da leiloeira. O que merece atenção Duas das novidades do dia tratam o mesmo problema, a legibilidade, por caminhos mecânicos diferentes: a Porsche Design põe os minutos do cronógrafo ao centro, a Christopher Ward troca o ponteiro das horas por um disco que salta. Em ambos os casos a indicação fica mais clara e o movimento mais alto. É uma troca que convém ter presente ao comparar espessuras. Milão concentra as atenções até domingo, com a Milano Watch Week a abrir hoje, no mesmo dia em que a Watch Art Grand Exhibition da Patek Philippe recebe o público. Ainda sobre a Patek Philippe, a WorldTempus noticia que Monica Fuchs sucedeu a 1 de outubro a Patrick Cremers na direção dos Salões de Genebra, cargo que este ocupou durante mais de 16 anos. Em Lisboa, a loja da Seiko abriu ontem como anunciado, na Rua Rosa Araújo, 29, segundo a NiT. E fica por acompanhar a colaboração que a Blancpain anunciou com a tintureira de Quioto Sarasa Yoshioka, de que ainda não se conhecem os pormenores técnicos.

  • 1 de Outubro

    O dia em resumo A Patek Philippe abre amanhã em Milão a sétima Watch Art Grand Exhibition e apresentou sete edições limitadas reservadas a Itália, encabeçadas pelo 5978P, que junta calendário perpétuo instantâneo e cronógrafo com contador de minutos também instantâneo. No mesmo dia, a manufatura de Genebra lançou o Gondolo «Ladies First», uma família feminina de quartzo com seis referências. A Moritz Grossmann veste o Benu Power Reserve de aço e de aço com DLC, a Raymond Weil prolonga o cinquentenário com o Millesime Jubilee e a Mühle-Glashütte apresenta o Sportivo Power Dive. Em Portugal, não houve acontecimentos relojoeiros relevantes no período. Patek Philippe leva a Milão o 5978P e mais seis edições italianas Ref. 5978P-010: caixa de platina com 42 mm, mostrador azul-marinho e dia e mês escritos em italiano. Edição de 120 exemplares. © Patek Philippe A Watch Art Grand Exhibition abre a 2 de outubro no CityOval, o antigo Palazzo delle Scintille, no bairro de CityLife, e fica até 18 de outubro, com entrada livre. É a sétima edição desta exposição itinerante, com cerca de 500 peças expostas. Como é hábito, a Patek Philippe junta à exposição edições limitadas para o mercado anfitrião. A principal é o 5978P-010, um cronógrafo com calendário perpétuo instantâneo, em platina com 42 mm de diâmetro e 14,45 mm de espessura. Move-o o calibre de corda manual CH 29-535 PS QI, a 28 800 alternâncias por hora, com reserva de marcha de 55 a 65 horas e a tolerância do Selo Patek Philippe, de -1 a +2 segundos por dia. São 120 exemplares, vendidos apenas nos retalhistas italianos, com preço sob consulta. Calibre CH 29-535 PS QI, de corda manual, visto pelo fundo de safira: cronógrafo de roda de colunas e mecanismo de calendário perpétuo instantâneo. © Patek Philippe O interesse técnico está na palavra «instantâneo», usada duas vezes. Num calendário perpétuo clássico, a roda de 24 horas empurra os indicadores durante várias horas antes da meia-noite, e durante esse período a leitura fica ambígua. Aqui, a energia é acumulada ao longo do dia e libertada de uma só vez: segundo a marca, todos os indicadores mudam em cerca de 30 milésimos de segundo. A dificuldade está na gestão dessa energia. A passagem de 28 de fevereiro para 1 de março obriga a avançar quatro dias de uma vez, muito mais trabalho do que a mudança de um dia normal, e o mecanismo tem de o fazer sem roubar amplitude ao balanço. A Patek resolve-o com um sistema patenteado de equalização de energia. O contador de 30 minutos do cronógrafo também salta: em vez de avançar devagar ao longo de cada minuto, muda de posição de uma só vez, o que torna a leitura inequívoca. Um contrapeso em ouro de 22 quilates amortece o ressalto do ponteiro no salto. É uma combinação rara, e o modelo assinala os 85 anos da primeira vez que a marca juntou calendário perpétuo e cronógrafo. O trio «tricolore» de Calatrava para Itália: repetição de minutos 7047G em vermelho, calendário perpétuo 7147G em verde e 7007G em branco. © Patek Philippe As outras seis edições, também exclusivas dos retalhistas italianos, formam um conjunto coerente. Três Calatrava de 38 mm em ouro branco evocam a bandeira: o 7047G de repetição de minutos, com mostrador lacado a vermelho (5 exemplares); o 7147G de calendário perpétuo, verde, com indicações em italiano (100); e o 7007G, branco, de horas, minutos, segundos e data (200). Completam a série um Aquanaut 5167A em aço, com mostrador azul-marinho fumé (250), e dois 5531G de hora universal com repetição de minutos, em que os mostradores em esmalte cloisonné representam um mapa de Milão de dia e de noite (5 de cada). Saiba mais no site da marca. Gondolo «Ladies First»: a Patek Philippe abre uma linha feminina de quartzo Gondolo «Ladies First» ref. 7043G-001, em ouro branco e mostrador opalino azul-acinzentado. Caixa em almofada com 31 × 34,8 mm. © Patek Philippe Também a 1 de outubro, a Patek Philippe apresentou o Gondolo «Ladies First», com a nova referência 7043. A coleção Gondolo, de caixas retangulares e em forma de tonneau ou almofada, deve o nome à Gondolo & Labouriau, a retalhista do Rio de Janeiro que foi uma das grandes clientes da marca no início do século XX. A linha estreia-se com seis versões em caixa em almofada de 31 × 34,8 mm e 8,03 mm de espessura: ouro branco com mostrador opalino azul-acinzentado, ouro rosa com mostrador castanho e uma versão bicolor com mostrador prateado, a que se juntam três versões cravejadas de diamantes, com índices em topázio azul, tsavorite ou ametista. Todas usam o calibre de quartzo E15, de horas e minutos. A escolha do quartzo, pouco habitual na Patek fora das linhas femininas, privilegia a espessura reduzida e a autonomia, num relógio pensado para uso diário. Não é uma série limitada e os preços são sob consulta. Saiba mais no site da marca. Moritz Grossmann veste o Benu Power Reserve de aço Benu Power Reserve em aço escovado e em aço com DLC preto, ambos com mostrador antracite. 18 exemplares de cada. © Moritz Grossmann A manufatura de Glashütte divulgou a 30 de setembro duas versões do Benu Power Reserve, integradas na série que assinala os 200 anos do nascimento de Moritz Grossmann, a 27 de março de 1826. As referências MG-004123, em aço escovado, e MG-004124, em aço com revestimento DLC preto, têm 41 mm de diâmetro e 11,65 mm de espessura, mostrador antracite com anel exterior azurado e 18 exemplares cada. O calibre 100.2, de corda manual, oscila a 18 000 alternâncias por hora e oferece 42 horas de reserva de marcha. Deriva do 100.1, a que junta um diferencial para a indicação linear da reserva de marcha. O diferencial é a peça central desta indicação. O ponteiro tem de refletir duas coisas ao mesmo tempo: o que entra no barrilete quando se dá corda e o que sai quando o movimento trabalha. O diferencial soma os dois movimentos, de sentidos opostos, e devolve apenas a diferença, o estado real da mola. Mantêm-se as soluções próprias da casa: o sistema de corda com botão, em que o pulsador devolve a coroa à posição de corda depois do acerto da hora, o balanço Grossmann e a ponte do balanço em consola com parafuso micrométrico, gravada com «1826». Ao trocar o ouro habitual pelo aço, a marca torna esta arquitetura mais discreta, mas mantém o acabamento de Glashütte. Saiba mais no site da marca. Raymond Weil prolonga o cinquentenário com o Millesime Jubilee Millesime Jubilee ref. 7776-STC-65501: cronógrafo bicompax de 39 mm em aço, mostrador azul-claro e contadores azul-noite. 500 exemplares. © Raymond Weil A marca de Genebra, fundada em 1976, apresentou a 29 de setembro o Millesime Jubilee, segunda peça do seu 50.º aniversário, seis meses depois do Millesime «The Fifty». A ref. 7776-STC-65501 é um cronógrafo automático bicompax de 39 mm em aço, com o calibre RW5030, mostrador azul-claro, contadores azul-noite, ponteiros em forma de obelisco e fundo de safira. Se o «The Fifty» tinha um carácter neo-vintage, o Jubilee leva esse desenho para um formato contemporâneo, com corda automática. É uma série limitada a 500 exemplares e fica numa gama de preço mais acessível do que a do «The Fifty». Saiba mais no site da marca. Mühle-Glashütte junta reserva de marcha a um mergulhador de 300 metros Sportivo Power Dive: mostrador em degradé do preto ao azul-turquesa, indicação da reserva de marcha às 6 horas e luneta unidirecional com inserto cerâmico. © Mühle-Glashütte A Mühle-Glashütte apresentou hoje o Sportivo Power Dive, um relógio de mergulho em aço com 42,5 mm de diâmetro e 12,5 mm de espessura, estanque a 300 metros. A luneta unidirecional tem inserto cerâmico com escala de minutos, o ponteiro dos minutos tem ponta em seta e material luminescente em duas cores, e o mostrador passa do preto ao azul-turquesa. O movimento automático, de base Sellita, é modificado pela marca e oferece 41 horas de reserva de marcha, com indicação às 6 horas e data às 3. Num relógio de mergulho, a indicação da reserva de marcha é sobretudo prática: permite verificar, antes de entrar na água, se o relógio tem corda suficiente depois de alguns dias sem uso. Saiba mais no site da marca. O que merece atenção O 5978P confirma a aposta da Patek Philippe nos mecanismos instantâneos, em que o problema deixa de ser fazer saltar um indicador e passa a ser gerir a energia sem prejudicar a marcha. É uma direção técnica que vale a pena seguir nas próximas apresentações da marca, a começar pelas peças em exposição em Milão até 18 de outubro. Os aniversários continuam a marcar o calendário de lançamentos: os 200 anos de Moritz Grossmann e os 50 da Raymond Weil dão origem a séries curtas, que renovam coleções existentes em vez de criar novos calibres. No lado da indústria, as contas de 2025 da filial britânica da Rolex, noticiadas pela WatchPro, mostram receitas de 736,7 milhões de libras (+5%) e lucro operacional em queda de 10,4%, atribuído à desvalorização da libra face ao franco suíço. Em Portugal, a Cabral Moncada Leilões tem a decorrer o leilão online n.º 1664, dedicado a relógios, que encerra a 5 de outubro.

  • 30 de Setembro

    O dia em resumo O Grand Prix d'Horlogerie de Genève (GPHG) abriu em Mumbai a digressão mundial de 2026, com os 78 relógios nomeados em exposição até 1 de outubro, a pouco mais de um mês da cerimónia de entrega de prémios em Genebra. Nos lançamentos, Konstantin Chaykin transforma as bailarinas-robô do videojogo Atomic Heart em dois relógios de edição limitada, com horas em discos e uma grande fase da lua. A Nomos Glashütte apresenta a versão dark do Club Sport neomatik Worldtimer, e a Oris volta a trabalhar com a Cervo Volante num Big Crown Pointer Date de mostrador bordeaux. GPHG começa em Mumbai a digressão de 2026 Imagem oficial do GPHG dedicada às exposições de 2026, que passam por Mumbai, Banguecoque, Genebra e Londres. © GPHG O GPHG inaugurou a 28 de setembro, no hotel St. Regis de Mumbai, a exposição itinerante dos relógios nomeados deste ano. A organização local cabe à Ethos Limited, uma das maiores retalhistas de relojoaria de luxo da Índia. Segundo o comunicado divulgado ontem pela fundação, estão expostos os 78 relógios nomeados pela Academia do GPHG, de mais de 50 marcas, com oficinas práticas e visitas guiadas por especialistas. A escolha tem uma razão de mercado. A Índia tornou-se um dos mercados de crescimento mais rápido para a relojoaria mecânica, e a digressão do GPHG serve também para aproximar a alta relojoaria de novos colecionadores. Raymond Loretan, presidente da Fundação do GPHG, sublinhou no comunicado o papel «cada vez mais significativo» do país no panorama relojoeiro mundial. Depois de Mumbai, a exposição segue para Banguecoque, de 15 a 18 de outubro, com a PMT The Hour Glass, e para o Musée d'Art et d'Histoire de Genebra, de 29 de outubro a 15 de novembro. Os 19 prémios, incluindo o Grand Prix «Aiguille d'Or», são entregues a 7 de novembro, em Genebra, na 26.ª cerimónia. Os relógios premiados passam depois por Londres, de 18 a 23 de novembro, na boutique Watches of Switzerland de Knightsbridge. Saiba mais no site da organização. Konstantin Chaykin leva os «gémeos» de Atomic Heart ao pulso Atomic Heart Twins: caixa de titânio com 40 mm, horas e minutos em discos rotativos e fase da lua de grandes dimensões. © Konstantin Chaykin O relojoeiro russo Konstantin Chaykin, conhecido pelos relógios em que o mostrador se torna um rosto, apresentou ontem dois modelos inspirados nas bailarinas-robô gémeas do videojogo Atomic Heart. O Left Twin tem mostrador vermelho e o Right Twin mostrador grafite; cada um é limitado a 69 exemplares. Os relógios apareceram primeiro dentro do próprio jogo, no conteúdo Blood on Crystal, antes de chegarem à produção. A leitura foge aos ponteiros. Horas e minutos são indicados por discos rotativos na parte inferior do mostrador, com marcadores em rubi sintético integrados na figura. Na parte superior, uma fase da lua de grandes dimensões faz de rosto e completa uma revolução a cada 29,5 dias. O movimento é o calibre automático K.18-25, construído sobre a base La Joux-Perret G200, a 28 800 alternâncias por hora e com 68 horas de reserva de marcha. Chaykin acrescenta-lhe um módulo de indicação próprio com 68 componentes. É a lógica que tem seguido nas séries mais acessíveis: uma base industrial comprovada assegura a regulação e a fiabilidade, e o trabalho da casa concentra-se na forma de mostrar o tempo. O compromisso está na energia. Discos e uma lua de grande diâmetro têm mais inércia do que ponteiros finos, e um módulo deste tipo tem de ser desenhado para não pesar sobre a amplitude do balanço. A caixa, em titânio, mede 40 mm de diâmetro e 12,9 mm de espessura, com fundo em safira. Saiba mais no site da marca. Nomos Club Sport neomatik Worldtimer dark Club Sport neomatik Worldtimer dark (ref. 793): mostrador preto esmaltado, anel de cidades e ponteiros com Super-LumiNova. © NOMOS Glashütte A Nomos Glashütte juntou ontem uma versão dark ao Club Sport neomatik Worldtimer. O mostrador é preto esmaltado e a Super-LumiNova foi alargada: além dos índices e dos ponteiros principais, cobre o anel de cidades e a indicação da hora de casa. O objetivo é tornar a hora mundial legível também às escuras. O mecanismo mantém-se. O calibre automático de manufatura DUW 3202, com 4,8 mm de altura, integra a função de hora mundial. Um botão às 2 horas faz avançar o ponteiro das horas locais em saltos de uma hora e, ao mesmo tempo, faz avançar o anel de cidades, que passa a indicar o fuso correspondente. A hora de casa continua visível numa indicação de 24 horas, com distinção entre dia e noite. A vantagem prática é que a mudança de fuso não mexe nos minutos nem nos segundos, pelo que o relógio não perde a acertação quando se viaja. A caixa de aço tem 40 mm de diâmetro, 9,9 mm de espessura e estanqueidade de 10 atm, e a reserva de marcha chega às 42 horas. Não é uma edição limitada. Saiba mais no site da marca. Oris e Cervo Volante: Big Crown Pointer Date em bordeaux Big Crown Pointer Date x Cervo Volante (ref. 01 754 7785 4038): mostrador bordeaux e bracelete em pele de veado. © Oris A Oris apresentou ontem uma nova colaboração com a Cervo Volante, casa suíça de marroquinaria que trabalha pele de veado-vermelho proveniente do abate anual regulado na Suíça, curtida com taninos vegetais. É a terceira parceria entre as duas marcas. O resultado é um Big Crown Pointer Date com mostrador bordeaux, inspirado, segundo a Oris, nas cores de outono das florestas em redor da fábrica de Hölstein. O interesse técnico está no indicador de data por ponteiro. Em vez de uma janela, um ponteiro central com ponta vermelha percorre uma escala de 1 a 31 na periferia do mostrador. A solução, histórica na Oris, mantém a simetria do mostrador e evita o recorte da janela. O calibre Oris 754, automático, tem como base o Sellita SW 200-1. A caixa de aço mede 40 mm e mantém a coroa grande que dá nome à coleção. Não é uma edição limitada. Saiba mais no site da marca. O que merece atenção A digressão do GPHG é hoje tanto uma operação de mercado como uma exposição. As escalas em Mumbai e Banguecoque acompanham o peso crescente da Ásia na procura, e a organização local entregue a retalhistas mostra a importância da distribuição na promoção da alta relojoaria. A 7 de novembro, o palmarés dirá quais das 78 nomeações convencem o júri. Nos lançamentos, a parceria de Chaykin com um videojogo confirma a entrada da relojoaria independente em universos de licenciamento que até há pouco pertenciam sobretudo às marcas de moda. A Nomos e a Oris mostram que, em coleções maduras, uma variação de cor ou de material bem fundamentada continua a ser a forma mais comum de renovação. Na Nomos, fica por avaliar em uso real se a luminescência alargada torna o anel de cidades legível com pouca luz.

  • 29 de Setembro

    O dia em resumo Quatro Cosmograph Daytona únicos da Rolex renderam ontem 37,3 milhões de libras num leilão da Phillips, em Londres, com a totalidade das receitas destinada à Federer Foundation e à Re:wild. Segundo a leiloeira, é a maior consignação de sempre num leilão de beneficência. Entre os lançamentos, a grega Ianos põe à venda o Amfivios, versão civil do relógio de mergulho em titânio criado para uma unidade de mergulhadores da Marinha grega. A DOXA associa-se à Fins Attached e doa um SUB 300T peça única, que vai a leilão a 10 de outubro. Em Portugal, sem novidades no período, a atenção vira-se para a abertura da boutique Seiko em Lisboa, na quinta-feira. Rolex e Phillips: 37,3 milhões de libras por quatro Daytona Os Cosmograph Daytona da série «Four Seasons», peças únicas em platina e ouro com mostradores em pedra dura, vendidos a 28 de setembro em Londres. © Phillips Os quatro Cosmograph Daytona da série «Four Seasons», criados pela Rolex como peças únicas, foram vendidos ontem à noite em Londres, em lotes separados, por Aurel Bacs, consultor sénior da Phillips. O total chegou aos 37,3 milhões de libras, cerca de 43,5 milhões de euros. Não houve comissão do comprador. As receitas revertem na totalidade para a Federer Foundation, criada por Roger Federer para apoiar a educação infantil na África Austral e na Suíça, e para a Re:wild, cofundada por Leonardo DiCaprio para proteger e restaurar ecossistemas. O Summer, em ouro Everose (ref. 126595 SARO), foi o lote mais caro, com 10,3 milhões de libras. Seguiram-se o Autumn, em ouro amarelo (ref. 126598 TML), com 10,2 milhões, o Winter, em platina 950 (ref. 126596 SABV), com 10 milhões, e o Spring, em ouro branco (ref. 126599 SAVL), com 6,8 milhões. Foi o primeiro leilão de beneficência que a Rolex organizou com a Phillips. Um dos quatro Daytona «Four Seasons». Cada peça junta um mostrador em pedra dura, contadores noutra pedra e uma luneta com 36 pedras preciosas em talhe trapézio. © Phillips Cada relógio corresponde a uma estação e a uma combinação própria de materiais. O Winter tem mostrador em opala azul, contadores em lápis-lazúli e luneta com 36 safiras em degradê do azul ao fúcsia. O Spring usa crisoprásio no mostrador e lepidolite nos contadores, com safiras roxas. O Summer junta turquesa e rubi, com safiras cor-de-rosa, e o Autumn combina mookaite e crisoprásio, com turmalinas verdes. Em todos, as asas e as proteções da coroa levam 54 diamantes. A mecânica é a da produção corrente. Os quatro usam o calibre 4131, o cronógrafo automático que a Rolex estreou no Daytona em 2023, com cerca de 72 horas de reserva de marcha e certificação de Cronómetro Superlativo, que impõe uma tolerância de −2/+2 segundos por dia com o movimento já encaixado. O trabalho singular está nos mostradores. As pedras duras são cortadas em lâminas finas, e cada placa tem veios e tonalidades próprios, pelo que nenhum mostrador pode ser repetido com exatidão. É esse o argumento de uma peça única feita por uma marca de grande série. Os preços ficam muito acima do que o mercado paga por um Daytona moderno, mas abaixo do recorde absoluto de um relógio em leilão, o Grandmaster Chime 6300A-010 da Patek Philippe, vendido por 31 milhões de francos suíços no Only Watch de 2019. Tal como nesse caso, o valor mede sobretudo a exclusividade e a causa, não a cotação de um modelo no mercado secundário. Saiba mais no site da leiloeira. Ianos abre ao público o relógio dos mergulhadores da Marinha grega Ianos Amfivios: caixa de titânio de grau 2 com 41 mm, estanque a 300 metros, luneta unidirecional de titânio e data às 12 horas. © Ianos A Ianos, marca grega de relógios Swiss Made, pôs ontem à venda o Amfivios, palavra grega para «anfíbio». É a versão civil do OYK, o relógio de mergulho que a marca produziu em 2025 exclusivamente para os elementos no ativo do Comando de Destruição Subaquática da Marinha grega. Mantém a caixa, a construção e a luneta do modelo militar, mas perde a insígnia da unidade e o azul-escuro do mostrador, agora preto mate. A caixa, em titânio de grau 2 com acabamento jateado, mede 41 mm de diâmetro, 14,68 mm de espessura e 49 mm entre asas, e é estanque a 300 metros. A luneta unidirecional, também em titânio, tem 120 posições, e o vidro de safira abaulado tem tratamento antirreflexo. A bracelete é de borracha, com 20 mm e fivela de titânio. No escuro, o Amfivios mostra Super-LumiNova de emissão azul nos índices e verde nos ponteiros. © Ianos O movimento é o Sellita SW360-1, automático, com 31 rubis e cerca de 56 horas de reserva de marcha. A disposição do mostrador acompanha-o, com a data às 12 horas e os pequenos segundos às 6. A escolha do titânio de grau 2 merece atenção. É titânio comercialmente puro, muito resistente à corrosão e mais fácil de conformar do que o grau 5, a liga com alumínio e vanádio preferida para peças polidas, mas também mais macio e mais sujeito a riscos. O acabamento jateado, uniforme e mate, disfarça esse desgaste. Num segmento em que muitas marcas recorrem à estética militar sem ligação a uma unidade real, o Amfivios tem uma origem documentada. Saiba mais no site da marca. DOXA doa um SUB 300T único à proteção dos tubarões O SUB 300T peça única criado pela DOXA para a Fins Attached, com mostrador preto e o emblema da organização. © DOXA A DOXA anunciou ontem uma parceria com a Fins Attached, organização dedicada à proteção dos tubarões e dos oceanos. Para a assinalar, a marca criou e doou um SUB 300T peça única, que será leiloado a 10 de outubro na gala «Saving Our Seas from a Mile High». O relógio mantém a base técnica do SUB 300T: movimento automático suíço com decorações exclusivas da DOXA, a 28 800 alternâncias por hora (4 Hz) e com cerca de 38 horas de reserva de marcha, data às 3 horas e coroa de rosca. É estanque a 1200 metros e usa a bracelete de aço «beads of rice», com fecho desdobrável e extensão para fato de mergulho. O fundo de rosca está gravado com a data da gala, a indicação «1 of 1» e a inscrição «FINS ATTACHED SAVING OUR SEAS FROM A MILE HIGH GALA». A escolha do modelo tem lógica histórica. O SUB original, de 1967, introduziu uma luneta com a escala de profundidades da tabela de mergulho sem descompressão da Marinha dos Estados Unidos e tornou-se uma referência entre mergulhadores civis. O valor que a peça atingir dependerá mais dos licitadores da gala do que do mercado de colecionadores. Saiba mais no site da marca. O que merece atenção O leilão da Rolex mostra até onde vai a procura quando se juntam três fatores: uma peça única, uma marca de referência e uma causa solidária. Não serve de indicador para o mercado secundário do Daytona, mas confirma o peso da Phillips e de Aurel Bacs na venda de relógios de exceção. Em Portugal, a Seiko abre na quinta-feira, 1 de outubro, a primeira boutique própria no país, em Lisboa. Em Nova Iorque, o INDIES.NYC anunciou ontem os 25 relojoeiros independentes que reúne a 15 de outubro, em Flatiron. Num ano, o salão passou de 10 para 25 participantes, entre eles Sarpaneva, Garrick, Kallinich Claeys, Holthinrichs e o brasileiro Statera Atelier, de Maringá. Na mesma semana decorrem a WatchTime New York e a Windup Watch Fair, de 16 a 18 de outubro.

  • 28 de Setembro

    O dia em resumo A Seiko abre na quinta-feira, em Lisboa, a primeira loja própria em Portugal. No plano internacional, a Minerva recupera o Exo Tourbillon de balanço suspenso, a Louis Vuitton devolve ao catálogo o Monterey em cerâmica e a Favre Leuba alarga o Harpoon Revival com mostradores preto e azul. Entre os independentes e as marcas mais jovens, a Buci lança a segunda coleção, a Circula leva o Facet aos 41 mm e a equipa da Ming apresenta uma nova marca de preço mais acessível, a Donut Watch Company. Muitos destes lançamentos têm um fio comum: o património, seja um calibre de Villeret, um desenho de 1988 assinado por Gae Aulenti ou um modelo de 1966 reconstituído nas proporções originais. Seiko abre a primeira loja própria em Portugal A Seiko abre na quinta-feira, 1 de outubro, a primeira boutique própria em Portugal, na Rua Rosa Araújo, junto à Avenida da Liberdade, em Lisboa. O espaço tem 125 m² e reúne as coleções King Seiko, Prospex, Presage, Astron e Seiko 5 Sports, além de edições limitadas e modelos exclusivos de boutique. Fachada da primeira boutique Seiko em Portugal, na Rua Rosa Araújo, em Lisboa, que abre a 1 de outubro. © Seiko / MAGG A abertura, anunciada na semana passada, confirma o peso crescente do mercado português. Segundo a empresa, as vendas no país cresceram 23% em 2025 e 28% no primeiro semestre de 2026. Os retalhistas que já vendem a marca continuarão a fazê-lo. A boutique complementa essa rede e dá à Seiko uma montra direta numa das principais zonas de comércio de luxo de Lisboa. Minerva traz de volta o Exo Tourbillon de balanço suspenso A Minerva apresentou a 25 de setembro o Exo Tourbillon Limited Edition 18, uma série de 18 exemplares em ouro amarelo de 18 quilates, com mostrador guilloché verde-azeitona e um pequeno mostrador descentrado em ónix negro, às 12 horas, para as horas e os minutos. A caixa mede 44,8 mm de diâmetro e 15,03 mm de espessura e tem fundo transparente. A peça é também um sinal do novo estatuto da manufatura de Villeret. Fundada em 1858, adquirida pelo grupo Richemont em 2006 e integrada durante quase duas décadas na Montblanc, a Minerva voltou em 2026 a assinar os relógios com o seu próprio nome, mantendo uma relação próxima com a Montblanc. Minerva Exo Tourbillon Limited Edition 18: caixa de 44,8 mm em ouro amarelo e calibre de corda manual M16.68, numa série de 18 exemplares. © Minerva / Monochrome Watches O interesse está no movimento. O calibre M16.68, de corda manual, é a base da família Suspended Exo Tourbillon, apresentada em 2018 a partir do Exo Tourbillon desenvolvido em Villeret em 2010. Num turbilhão clássico, o balanço, a espiral e o escape ficam dentro de uma gaiola que dá uma volta por minuto, para compensar os erros de marcha nas posições verticais. No Exo Tourbillon, o balanço sai da gaiola e é colocado sobre ela. A gaiola pode ser mais pequena e leve, exige menos energia para girar e deixa de limitar o diâmetro do balanço. É esse o ponto decisivo. O balanço de parafusos tem 14,5 mm de diâmetro, uma dimensão pouco habitual num relógio de pulso. Um balanço maior tem um momento de inércia mais elevado e é, por isso, menos sensível a perturbações externas. Isso compensa a frequência baixa de 18 000 alternâncias por hora (2,5 Hz), tradicional em Villeret. O termo “suspenso” descreve a forma como o balanço é sustentado: uma ponte de aço de braço único, curva, mantém-no sobre o mostrador, à vista. A reserva de marcha anunciada é de cerca de 50 horas. O preço anunciado é de 160 000 euros. Numa altura em que o turbilhão se banalizou em muitos segmentos, esta peça lembra que a complicação só ganha sentido quando a arquitetura do órgão regulador é pensada de raiz. Louis Vuitton recupera o Monterey em cerâmica A Louis Vuitton apresentou hoje o Monterey Ceramic, em cerâmica negra ou verde, que passa a integrar a coleção permanente. É o regresso do material que definiu os primeiros relógios de pulso da casa: os modelos de 1988, conhecidos como Monterey, desenhados pela arquiteta italiana Gae Aulenti e produzidos com a IWC, com caixas em cerâmica, uma escolha rara na época. O desenho mantém as particularidades do original: a caixa em forma de seixo, sem asas, a coroa às 12 horas e a bracelete que passa por uma presilha no fundo da caixa. O diâmetro de 37 mm é o de 1988, mas a espessura sobe para 11 mm para acomodar um movimento automático. Louis Vuitton Monterey Ceramic: caixa de 37 mm em cerâmica de óxido de zircónio, em negro ou verde, com coroa às 12 horas. © Louis Vuitton / Monochrome Watches A parte industrial é a mais interessante. Na La Fabrique du Temps, em Genebra, o pó de óxido de zircónio e os pigmentos são compactados num bloco maciço, que é depois maquinado até à forma de seixo e cozido a mais de 1000 °C. Depois da sinterização, a cerâmica fica mais pequena e demasiado dura para os métodos convencionais de maquinagem. Por isso, o acabamento final é feito por retificação e polimento à mão. Calibre automático LFT MA01.02, a 4 Hz e com 45 horas de reserva de marcha, com rotor em ouro rosa gravado com o Monogram. © Louis Vuitton / SJX Watches No interior está o calibre LFT MA01.02, da manufatura da casa. Trabalha a 28 800 alternâncias por hora, tem 45 horas de reserva de marcha e indica apenas horas, minutos e segundos. As pontes são jateadas, com arestas polidas, e a platina tem perlage. Ao contrário da versão em ouro de 2025, produzida em série limitada, a versão em cerâmica fica em produção regular e é vendida apenas nas boutiques Louis Vuitton. Favre Leuba alarga o Harpoon Revival A Favre Leuba acrescentou duas versões, com mostrador preto e azul, ao Harpoon Revival. É a reedição do modelo de 1966, apresentada em abril no Watches and Wonders com mostrador cinzento para assinalar os 60 anos do original. O azul é a primeira variante de cor da série. O argumento é a fidelidade às proporções. A caixa de aço tem 36,8 mm de diâmetro, 10 mm de espessura e 43,5 mm entre asas, as dimensões do original. O mostrador tem acabamento soleil, índices horizontais às 12, 6 e 9 horas, janela de data às 3 horas e a assinatura “Harpoon” em tipografia de época. O relógio é estanque a 50 metros e tem vidro de safira e uma bracelete que se troca sem ferramentas. Favre Leuba Harpoon Revival: caixa de aço com 36,8 mm e 10 mm de espessura, as proporções do modelo de 1966. © Favre Leuba / Monochrome Watches O movimento é o calibre FLD04, baseado no La Joux-Perret G100: automático, a 4 Hz (28 800 alternâncias por hora) e com 68 horas de reserva de marcha. É um valor relevante para esta frequência. Durante décadas, os calibres automáticos de 4 Hz desta gama ficavam perto das 40 horas. Com mais autonomia, o relógio pode ficar pousado durante um fim de semana sem parar, sem sacrificar a frequência, que favorece a estabilidade da marcha. O preço é de 1800 francos suíços. Num segmento em que abundam reedições sobredimensionadas, a Favre Leuba, casa fundada em 1737, aposta numa medida de 36,8 mm, que o mercado voltou a aceitar. Buci lança a coleção Nouvelle A Buci, marca parisiense fundada em 2022 por Nousseïma Baraket, lançou a 25 de setembro, no Kickstarter, a Nouvelle, a sua segunda coleção. Depois de uma primeira linha inspirada na poesia, a marca volta a procurar na escrita a sua linguagem. Os algarismos árabes foram desenhados à mão por um calígrafo parisiense, com proporções deliberadamente irregulares. Quando os ponteiros das horas e dos minutos se sobrepõem, formam o desenho do aparo de uma caneta de tinta permanente. Buci Nouvelle: caixa de aço de 36 mm com carrura canelada e algarismos desenhados por um calígrafo parisiense. © Buci / Monochrome Watches A caixa em aço 316L mede 36 mm de diâmetro e 9,88 mm de espessura. Tem carrura canelada, inspirada nas margens das páginas de um livro, vidro de safira abaulado e fundo transparente. Há dois mostradores: Essentiel, num tom de papel envelhecido, e Contemplation, azul-escuro. O movimento é mecânico suíço, de corda manual, uma escolha que ajuda a manter a caixa fina. A série está limitada a 300 exemplares numerados. No Kickstarter, até 15 de novembro, o preço é de 1550 euros; depois, passará a 1850 euros. É uma via cada vez mais usada pelas marcas independentes mais jovens: financiar a produção antes de a lançar e validar a procura sem acumular stock. Circula leva o Facet aos 41 mm A Circula, marca alemã de Pforzheim, apresentou a 25 de setembro uma versão de 41 mm do Facet, o modelo desportivo de bracelete integrada que até agora existia apenas em 38 mm. A marca justifica o novo tamanho com os pedidos dos clientes. Circula Facet 41 com mostrador Petrol: caixa de aço de 41 mm e calibre automático La Joux-Perret G100. © Circula / WatchTime A caixa de aço tem 9,9 mm de espessura e é estanque a 100 metros, com superfícies facetadas que alternam escovado e polido. Há quatro mostradores: Petrol e Snow White, com um padrão inspirado em engrenagens, e Anthracite e Blue, com textura granulada. O movimento é o La Joux-Perret G100, com 68 horas de reserva de marcha, a mesma base usada pela Favre Leuba. O preço é de 1690 dólares com correia e de 1990 dólares com bracelete integrada. Equipa da Ming lança a Donut Watch Company A equipa da Ming, liderada por Ming Thein, revelou a 25 de setembro a Donut Watch Company, uma segunda marca de preço mais baixo, e o primeiro modelo, o Glazed. Os exemplares que circulam junto da imprensa são protótipos. O preço final e a data de lançamento ainda não foram anunciados, e o site oficial recolhe, por agora, manifestações de interesse. Protótipo do Donut Watch Company Glazed: caixa de aço de 35 mm e mostrador translúcido que deixa ver o movimento automático. © Donut Watch Company / aBlogtoWatch O Glazed tem caixa de aço polido de 35 mm, com asas esculpidas, e é estanque a 50 metros. O mostrador translúcido, de efeito fosco, deixa ver o movimento automático japonês, e os segundos são indicados por discos sobrepostos. É a linguagem da Ming, feita de asas escultóricas e de jogos de luz através de materiais transparentes, aplicada a um relógio que, segundo a WatchPro, deverá custar menos de 700 libras. O que merece atenção Em Portugal, o acontecimento a seguir é a abertura da Seiko em Lisboa, na quinta-feira. Falta saber que modelos exclusivos de boutique chegam ao mercado nacional. Nos Estados Unidos, a A. Lange & Söhne apresenta, a 4 de outubro, o Concours d’Elegance da Audrain Newport Concours & Motor Week, que decorre de 1 a 4 de outubro. Em Nova Iorque, a Windup Watch Fair decorre de 16 a 18 de outubro no CENTER 415 e continua a ser uma das principais montras da relojoaria independente e das microbrands. Quanto à Minerva, esta edição confirma a aposta na arquitetura dos seus calibres. A autonomia da marca face à Montblanc deve ser acompanhada nos próximos lançamentos.

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