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- H. Moser & Cie. & Azuki
A colaboração entre a marca de cultura digital Azuki e a relojoeira suíça H. Moser & Cie. deu origem à colecção Elements of Time , uma série de relógios de luxo inspirados na colecção NFT Azuki Elementals . A Azuki, nascida no universo web3 e reconhecida pela fusão de anime, streetwear e tecnologia, junta-se assim ao savoir-faire relojoeiro da Moser, conhecida pela depuração estética e ironia subtil, para contar a história dos quatro domínios elementares,Fogo, Terra, Água e Relâmpago através da relojoaria mecânica. A série integra quatro modelos Pioneer Turbilhão e quatro Pioneer Centre Seconds, cada um representando um dos elementos e limitado a 24 exemplares. Os mostradores exibem gravações guilhoché exclusivas que evocam texturas naturais, como ondas, chamas, tremores e descargas eléctricas, criadas pela interação da luz com a superfície. Este trabalho traduz a estética detalhada do universo Azuki em linguagem relojoeira de alta precisão. Pioneer Turbilhão Segundo Alex “Zagabond” Xu, CEO da Azuki Labs, a colaboração permite expressar os valores da comunidade; criatividade, qualidade e narrativa num novo território, enquanto Bertrand Meylan, co-proprietário da H. Moser & Cie., sublinha que esta parceria é uma oportunidade para comunicar com uma geração que valoriza individualidade e cultura. Mais informações no site oficial da H. Moser & Cie. & Azuki.
- Tempo Futuro - O futuro da relojoaria independente em Portugal
No dia 10 de Outubro de 2025, entre as 14h e as 22h, Lisboa acolhe um evento singular que coloca a relojoaria independente no centro das atenções. Trata-se de uma exposição-mercado dedicada às micromarcas nacionais e aos relojoeiros independentes que desenvolvem os seus próprios relógios. Ao longo da tarde e da noite, das 14h às 22h, no Museu Medeiros e Almeida, em Lisboa, o público terá a oportunidade de contactar directamente com os protagonistas da relojoaria independente em português, conhecer os seus processos criativos e adquirir peças exclusivas — um gesto de apoio directo ao florescimento desta arte em Portugal. O programa inclui ainda o lançamento do livro “História e Evolução da Relojoaria nos Séc. XVII e XVIII” , da autoria de Sílvio Pereira, e uma conferência sobre ensino e relojoaria independente , com participação confirmada do relojoeiro português Dann Phimphrachanh e o Mestre Paulo Anastácio . Exposição e expositores As bancas de exposição estarão abertas durante toda a tarde, o que vai permitir ao público conversar com os autores e descobrir relógios concebidos com rigor, identidade e visão própria. Cada participante apresenta o resultado de um trabalho de autor, muitas vezes em séries limitadas ou em peças únicas, o que reforça o carácter exclusivo da iniciativa. Expositores confirmados: Les tugas - IPR - Instituto Português de Relojoaria Bruno Moreira – @bmsmoreira Contar (Eduardo Martins) – contarwatches.com Exímio (João Batalha) Febres (João Vinhas) – @relojoeiro_joao_vinhas Followay (João Pedro Dias) Isotope (José Miranda) Museu do Relógio (Eugénio Tavares d’Almeida) Monserratte - Zac Manuel Lançamento do livro História e Evolução da Relojoaria nos Séc. XVII e XVIII Às 17h30 terá lugar o lançamento do livro História e Evolução da Relojoaria nos Séc. XVII e XVIII , de Sílvio Pereira , colaborador do Instituto Português de Relojoaria. Editada pela Lisbon International Press em 2025, a obra reúne e revê artigos publicados no site do IPR ao longo de duas décadas de investigação e coleccionismo. O livro percorre dois séculos decisivos para a relojoaria europeia, destaca nomes como Le Roy, Berthoud, Lepine e Breguet , e cruza mecânica, arte e contexto histórico. O resultado é uma base sólida para compreender o legado que continua a inspirar a relojoaria contemporânea. Conferência: ensino e relojoaria independente Entre as 18h30 e as 19h30 terá lugar uma conferência dedicada ao ensino da relojoaria e ao universo independente, com dois protagonistas de relevo: Dann Phimphrachanh , ex-aluno do Curso de Técnico de Relojoaria da Casa Pia de Lisboa e actual membro da AHCI – Académie Horlogère des Créateurs Indépendants , apresentará o seu percurso formativo e profissional, bem como o processo de construção manual do seu relógio Seconde Vive . Paulo Anastácio , antigo mestre de Dann e actual director do mesmo curso na Casa Pia, explicará como se organiza o ensino da relojoaria em Portugal, apresentará a estrutura pedagógica existente e exporá os principais desafios da formação nos dias de hoje. Les Tugas somos todos nós A marca Les Tugas foi registada pelo Instituto Português de Relojoaria. O nome foi escolhido para marcar uma posição clara sobre a associação entre a qualidade de um relógio e o seu país de origem. Muitas marcas internacionais de relojoaria produzem parte significativa dos seus componentes em Portugal, sem que tal seja mencionado, e nas próprias fábricas estrangeiras é frequente encontrarem-se equipas maioritariamente compostas por portugueses. Como as marcas mais reconhecidas da relojoaria provêm de países francófonos, a escolha do nome em francês marca uma posição: a melhor relojoaria é feita por mãos portuguesas: a base da melhor relojoaria está assente em mãos portuguesas . O logótipo dos Les Tugas , inspirado no sistema universal das marcações de tally, assume um simbolismo profundo: representa a espera paciente de várias gerações de portugueses que sonharam com o dia em que a construção de relógios em Portugal declarada e assumida se tornaria realidade. Evoca o tempo contado em riscos sucessivos, como quem marca os dias, meses e anos, até chegar ao momento em que a oportunidade finalmente se concretiza. Cada traço é também um tributo a todos os que dedicaram a sua vida à indústria relojoeira, seja no trabalho minucioso de oficinas especializadas ou em fábricas de produção, sem nunca ver esse esforço reconhecido. Hoje, o símbolo converte-se em emblema de perseverança e afirmação, celebra a passagem de simples executores a protagonistas da relojoaria feita em Portugal. Assim o Les Tugas pretende ser uma homenagem a todos os portugueses dedicados à relojoaria pelo mundo fora. O modelo de 2025 já conta com protótipos em fase de teste e terá como base o movimento suíço ETA 2844 , escolhido pela sua fiabilidade. Parte do processo produtivo, como a construção do mostrador, é assegurada directamente pelo IPR, enquanto outras etapas são confiadas a artesãos e empresas portuguesas. O objectivo passa por maximizar a participação nacional, enaltecer a produção local e consolidar um ecossistema relojoeiro português. Bruno Moreira – A arte paciente da construção Relógios Bruno Moreira Um dos nomes emergentes da relojoaria independente nacional, Bruno Moreira iniciou o seu percurso no Instituto Português de Relojoaria , onde adquiriu competências técnicas que lhe permitiram avançar para a criação do seu primeiro relógio. O seu trabalho revela uma busca constante pela precisão e pelo detalhe, em que cada decisão — da arquitectura da caixa ao acabamento final — é tomada com rigor e consciência estética. Bruno recorre a processos exigentes e a técnicas que combinam tradição e inovação, sempre com o objectivo de alcançar harmonia entre forma e função. As suas criações distinguem-se pelo carácter artesanal e pela coerência de execução, demonstrando assim como um projecto independente, desenvolvido em pequena escala, pode ter a mesma ambição e complexidade das grandes casas relojoeiras. A sua presença no Tempo Futuro simboliza o caminho que a relojoaria portuguesa pode trilhar através da perseverança e da atenção ao detalhe. Representa a prova de que a paciência, o conhecimento técnico e a dedicação podem transformar uma visão pessoal numa peça capaz de dialogar com a tradição e, ao mesmo tempo, projectar o futuro da relojoaria em Portugal. Contar – Eduardo Martins e o relógio de todos os dias A marca Contar , criada por Eduardo Martins , define-se por produzir relógios fiáveis, robustos e independentes. O seu primeiro modelo, o Field MK I , inspira-se nos relógios militares clássicos, nomeadamente no famoso Mark XI britânico e nas séries tipo "Dirty Dozen". O mostrador preto contrasta com marcadores e ponteiros cobertos por BGW9 luminescente, garantindo leitura clara em qualquer condição de luz. A construção do Field MK I revela pormenores pensados para conforto e ergonomia: a caixa em aço 316L incorpora um baixo relevo na tampa traseira para melhor encaixe da bracelete, o que assegura uma posição mais ajustada ao pulso. Mede 40 mm de diâmetro (47 mm com asas) e tem 12,5 mm de altura (conta com o vidro de safira). A luneta é unidirecional de 120 cliques, vidro de safira antirreflexo e coroa aparafusada às 3 h. Quanto às suas características internas, o relógio oferece resistência à água até 100 metros / 10 atm , utiliza movimento japonês VD78 e vem equipado com correia de nylon verde-azeitona com fivela em aço marcada. A Contar disponibiliza o relógio por encomenda, com envio a partir de Portugal, reforçando a natureza independente e de proximidade da marca. Com o Field MK I, Eduardo Martins não procurou apenas produzir mais um relógio: quis apresentar uma peça de carácter, mestiçagem entre funcionalidade militar e identidade nacional, que pretende marcar o início da história da marca no cenário da relojoaria independente portuguesa. Exímio – João Batalha e a afirmação criativa Desde cedo, João Batalha sentiu-se atraído pela relojoaria. Há alguns anos, decidiu trocar parte da sua vida profissional para dedicar-se a essa paixão. Hoje é o fundador da marca Exímio , aluno do British Horological Institute e membro da British Clock & Watch Makers . Para João, a Exímio nasceu com uma ambição clara: produzir relógios de excepção, peças de design intemporal e não apenas mais uma marca no mercado. A ideia é desenhar, desenvolver e construir relógios que provoquem curiosidade e espanto, recorrendo a movimentos comprovadamente fiáveis. Os componentes são escolhidos segundo critérios rigorosos, de modo a garantir desempenho e estética coerentes com a identidade da marca. Até à data, a Exímio lançou duas coleções: uma em 2018 e outra em 2020. A coleção de 2018 inclui o modelo Abissal , que monta um movimento ETA 2824-2 numa caixa de aço cirúrgico 316L de 44 mm, estanquidade até 50 ATM (500 metros) e aro em cerâmica. Há também o modelo Prestige , com caixa de 39 mm, montado num movimento ETA 2824-2 e estanquidade de 10 ATM, ideal para uso formal mas igualmente versátil. A coleção de 2020 trouxe novos modelos como o Doctor’s Watch , com movimento Seiko NH35A , caixa de 40 mm e escala de pulsómetro no mostrador, e o Farey MKIII , montado num Seiko NH35A numa caixa de 40 mm, gravando no fundo o avião que Cruzou o Atlântico (Gago Coutinho / Sacadura Cabral). Com a Exímio, João demonstra que Portugal pode produzir relógios autorais com conceito forte, garantia estendida (3 anos por norma, mais 2 anos após intervenção em oficina) e compromisso com a qualidade. Febres – João Vinhas e as “carolices relojoeiras” Febres - João Vinhas João Vinhas apresenta no Tempo Futuro o projecto Febres , nascido em 2023 a partir de um princípio simples: dar nova vida a movimentos mecânicos de elevada qualidade que, durante décadas, ficaram encostados devido a avarias diversas. Calibres como os AS 1130, AS 1156 ou Unitas 6310, 6325, 6425 são cuidadosamente restaurados e transformados em relógios com apresentação renovada, sempre com o cuidado de preservar um carácter único e irrepetível. O resultado são peças com estética vintage, numeradas, que já ultrapassam as 25 unidades criadas ao longo de dois anos e meio. Cada relógio Febres transporta consigo não apenas a mecânica recuperada, mas também um registo fotográfico e documental: João mantém um álbum com imagens de cada exemplar vendido, numerado e assinado pelo respectivo adquirente. Este gesto cria memória e reforça o vínculo entre relojoeiro e coleccionador. A confiança na qualidade dos movimentos leva-o a oferecer quatro anos de garantia , o que sublinha a fiabilidade destas máquinas renascidas. Para além do projecto Febres, João apresentará três relógios assinados JV , criados entre 2009 e 2011, que revelam alterações mecânicas originais aplicadas a movimentos Unitas 6425. O JV nº 1 foi transformado num regulador, com horas, minutos e segundos separados. O JV nº 2 , baptizado de O Bobo do Tempo , mostra horas e minutos a girar em sentidos opostos. Já o JV nº 3 acrescenta um terceiro ponteiro com indicador de reserva de corda, resposta a um problema prático do relojoeiro enquanto utilizador. João Vinhas apresenta estas peças como “curiosidades” de amador apaixonado, sem comparações com as grandes complicações das marcas consagradas. Assume-as como “carolices relojoeiras”, fruto da imaginação e do prazer de trabalhar rodas e carretos. A sua participação no evento traz frescura e autenticidade, mostrando que a relojoaria independente também se constrói com paixão, humor e criatividade pessoal. Followay – João Pedro Dias e o caminho autoral Followay A Followay , fundada por João Pedro Dias , nasceu com a ambição de criar uma marca de relógios de autor. O percurso começou com o desenvolvimento de protótipos ousados, como o F M1 Groundbreaking , que combinava um movimento automático NH-35 com caixa de alumínio e dimensões robustas. A marca apresentou ainda estudos para o modelo F M0 Stadium , concebido em ambiente digital, que previa complicações como turbilhão de um minuto, dupla espiral e reserva de marcha de três dias. Com o passar do tempo, a Followay evoluiu e assumiu um novo posicionamento: hoje funciona sobretudo como atelier de serviços de relojoaria , oferecendo apoio técnico especializado a quem procura desenvolvimento de projectos específicos. Paralelamente, aceita pedidos de construção de relógios por encomenda , coloca assim a experiência acumulada ao serviço de clientes que desejam possuir peças personalizadas e exclusivas. Esta transformação permite à Followay manter-se activa no panorama relojoeiro nacional, com a versatilidade de quem domina tanto a vertente criativa como a prestação de serviços. A sua presença no Tempo Futuro confirma essa dupla identidade: uma marca nascida da vontade de criar e hoje também um parceiro técnico para novos projectos relojoeiros. Isotope – José Miranda e o reconhecimento além-fronteiras ISOTOPE - OVNI JUMPING HOUR (FOUNDERS EDITION) Fundada em 2016 por José Miranda , a Isotope tornou-se uma das marcas de origem portuguesa com maior reconhecimento fora do país. A sua filosofia alia design ousado, forte identidade visual e produção limitada, com atenção rigorosa à fiabilidade dos movimentos e à originalidade estética. Nos últimos anos, a marca destacou-se com a colecção Hydrium , que apresentou versões limitadas de carácter marcante, como Wasabi, Ooh La La, Coconut Island ou British Racing Green. Estes modelos, concebidos para mergulho, combinam robustez técnica com um lado lúdico e irreverente que se tornou imagem de marca da Isotope. Outro marco foi o lançamento do OVNI Jumping Hour Founders Edition , criado para celebrar os dez anos da marca. Este modelo explora a complicação de horas saltantes num mostrador inovador, e reforça a capacidade da Isotope para reinventar a leitura do tempo e surpreender o público com soluções visuais distintas. Mais recentemente, a colaboração com a edição especial Mercury Vitreous trouxe a técnica do esmalte “grand feu” para o universo da marca, confirmando a ambição de unir tradição artesanal a uma linguagem estética contemporânea. O trabalho da Isotope tem sido reconhecido a nível internacional, com prémios atribuídos a modelos como o Mercury Shadow e o Chronograph Moonshot Terra Maris , distinções que reforçam a qualidade do design e a criatividade da marca. José Miranda mostra, assim, como Portugal pode marcar presença no mapa mundial da relojoaria independente, sempre que se alia inovação, consistência e personalidade. Museu do Relógio – Eugénio Tavares d’Almeida e a memória viva Inverso - Museu do Relógio Sob a direcção de Eugénio Tavares d’Almeida , o Museu do Relógio construiu uma identidade própria enquanto marca, com lançamentos que celebram a relojoaria em Portugal através de edições especiais de forte carácter cultural. Um dos modelos mais emblemáticos é o Inverso , relógio mecânico que se distingue pelo facto de exigir que se dê corda ao contrário, subvertendo assim o gesto habitual do utilizador. Esta característica insólita transformou-o numa peça de colecção e num marco de criatividade, tendo inspirado outros relojoeiros portugueses a explorar caminhos menos convencionais. Outras edições apresentaram soluções originais tanto no design como na concepção, sempre com séries limitadas e numeradas que reforçam a exclusividade. Ao longo dos anos, estas criações provaram que é possível construir uma marca de relógios a partir de Portugal, com identidade própria e uma ligação directa ao imaginário cultural do país. A presença no Tempo Futuro coloca o Museu do Relógio lado a lado com outras marcas independentes, não como guardião da memória, mas como actor activo na criação de peças que acrescentam diversidade e originalidade à relojoaria portuguesa contemporânea. Monserrate – O legado português no pulso Relógios Monserrate A Monserrate nasce do desejo de Zac Manuel de criar uma marca de relógios que transporta no tempo a alma de Portugal. Fundada com a ambição de transformar cada peça num testemunho da identidade nacional, a marca inspira-se nas viagens, nos desafios e nos triunfos da história portuguesa. Mais do que um simples instrumento de medição do tempo, cada relógio pretende ser um objecto de memória e beleza , que une a precisão da relojoaria à poesia da nossa herança cultural. O modelo inaugural, o Monserrate , presta homenagem ao estilo arquitectónico que se tornou símbolo do génio criativo português nos séculos XV e XVI. Os elementos visuais evocam os arcos do Mosteiro dos Jerónimos , as cordas esculpidas da Torre de Belém , as velas latinas das caravelas e a textura do calcário Lioz . O resultado é um relógio que condensa em si a riqueza simbólica deste período, apresentando uma estética distinta que coloca no pulso a celebração de uma das épocas mais marcantes da nossa história. Com a Monserrate, surge uma proposta que alia design identitário a execução relojoeira, afirmando-se como uma marca orgulhosamente portuguesa e comprometida em transformar o património arquitectónico e cultural em criações contemporâneas de elevada qualidade. TEMPO FUTURO um ponto de encontro entre criadores e entusiastas O Tempo Futuro – Salão de Relojoaria Independente é um ponto de encontro entre criadores e entusiastas, é um retrato vivo do momento que a relojoaria portuguesa atravessa. Pela primeira vez, micromarcas e relojoeiros independentes apresentam-se em conjunto, por forma a partilharem o palco e afirmarem a sua identidade perante o público. A diversidade dos expositores confirma a vitalidade deste movimento: desde o projecto unificador do Les Tugas , aos projectos artesanais de pequena escala, com os Febres de João Vinhas, às propostas com reconhecimento internacional da Isotope , passando pelo engenho da Followay , pelo rigor técnico da Exímio , pela criatividade conceptual da Monserrate ou pela ousadia das edições do Museu do Relógio . Cada participante acrescenta uma peça ao mosaico de um sector que, até há pouco tempo, parecia inexistente em Portugal. O programa, enriquecido com o lançamento do livro de Sílvio Pereira e a conferência conduzida por Dann Phimphrachanh e Paulo Anastácio , completa a visão de um evento que pretende ser tanto uma celebração como um catalisador. O Tempo Futuro inaugura uma etapa em que a relojoaria portuguesa deixa de ser apenas herança e memória, para se assumir como presente activo e futuro promissor. Ficha Técnica – Tempo Futuro Nome do evento: Tempo Futuro – Salão de Relojoaria Independente Data e horário: 10 de Outubro de 2025 (sexta-feira)14h00 – 22h00 Local: Museu Medeiros e AlmeidaRua Rosa Araújo, 411250-194 Lisboa – Portugal Organização: Instituto Português de Relojoaria (IPR) e Fórum Dez Dez Conceito: Exposição-mercado dedicada às micromarcas nacionais e aos relojoeiros independentes, com contacto directo com criadores, venda de peças exclusivas, conferências e lançamento de livro. Programa: 14h00 – 22h00: Exposição e bancas de expositores 17h30: Lançamento do livro História e Evolução da Relojoaria nos Séc. XVII e XVIII , de Sílvio Pereira 18h30 – 19h30: Conferência “Ensino e Relojoaria Independente” Com Dann Phimphrachanh (AHCI) e Paulo Anastácio (Casa Pia de Lisboa) Expositores confirmados: Les Tugas – IPR Bruno Moreira – @bmsmoreira Contar (Eduardo Martins) – contarwatches.com Exímio (João Batalha) Febres (João Vinhas) – @relojoeiro_joao_vinhas Followay (João Pedro Dias) Isotope (José Miranda) Museu do Relógio (Eugénio Tavares d’Almeida) Monserrate (Zac Manuel) Entrada: Livre (com inscrição prévia em www.tempofuturo.pt )
- Zenith Chronomaster Sport Meteorite
O Zenith Chronomaster Sport Meteorite é a mais recente evolução do cronógrafo icónico da marca suíça, vencedor do prémio de “Melhor Cronógrafo” no Grand Prix d’Horlogerie de Genève de 2021. Este modelo distingue-se por unir a precisão do calibre El Primero 3600, capaz de medir o tempo ao décimo de segundo, a um mostrador único em meteorito, cuja estrutura geométrica natural — o chamado padrão Widmanstätten — resulta do arrefecimento lento de ferro no espaço durante milhões de anos, tornando cada peça irrepetível. O mostrador cinzento em meteorito é complementado pelos três contadores tricolores característicos da Zenith em prata, cinzento-claro e antracite, com acabamento circular azuré. Os marcadores aplicados e os ponteiros, facetados e rodiados, são tratados com Super-LumiNova C1 para garantir legibilidade em qualquer condição de luz, e a janela de data está discretamente posicionada às 4h30. A caixa em aço inoxidável de 41 mm mantém o ADN da lendária referência A386 de 1969, apresentando linhas contemporâneas, botões estilo bomba e uma luneta em cerâmica preta graduada para 10 segundos. A combinação de superfícies polidas e acetinadas reforça o carácter desportivo-elegante do relógio, com resistência à água até 10 ATM. No coração do modelo está o movimento El Primero 3600, a mais recente geração do famoso calibre lançado em 1969. Com frequência de 5 Hz (36.000 alternâncias/hora) e escape em silício, permite que o ponteiro do cronógrafo faça uma rotação completa em apenas 10 segundos, assegurando leituras ao décimo de segundo. O movimento integra ainda roda de colunas azul, embraiagem horizontal e um rotor esqueleto em forma de estrela, visível através do fundo em safira. A reserva de marcha atinge 60 horas e o mecanismo inclui função stop-seconds para maior precisão no acerto da hora. O Chronomaster Sport Meteorite é fornecido com bracelete integrada em aço, de elos escovados e polidos, com fecho duplo de báscula, e inclui uma correia adicional em borracha preta. Características técnicas Caixa Material : Aço Diâmetro : 41 mm Espessura : 13.6 mm Vidro : Safira Resistência à água : 10 atm Fundo : Vidro Safira Movimento Calibre : El Primero 3600 Frequência : 36.000 alt/h (5 Hz) Reserva de marcha : 60 horas Rubis : 35 Bracelete Material : Aço ou Borracha Fecho : Dobrável Mais informações no site oficial da Zenith.
- Maurice Lacroix Aikonic
Em 2016, a Maurice Lacroix lançou o AIKON, um relógio urbano que rapidamente se tornou o mais vendido da marca. Em 2025, surge a nova colecção AIKONIC, concebida na Manufacture de Saignelégier, no Jura suíço, como a expressão máxima do espírito AIKON. Mantendo a identidade da linha, o AIKONIC introduz o conceito de innovative craftsmanship (IC), que reúne novos materiais, um movimento de elevado nível e o sistema patenteado ML Easy Change, que permite trocar a bracelete sem ferramentas. O mostrador distingue-se pela utilização de carbono unidireccional, com fibras orientadas no mesmo sentido, criando um efeito único em cada peça. Habitualmente reservado à Alta Relojoaria, este material foi democratizado pela Maurice Lacroix em colaboração com uma empresa localizada a cerca de 40 km da Manufacture. A caixa, em aço inoxidável, combina superfícies polidas e escovadas, recebendo uma luneta e coroa em cerâmica mate resistente a riscos. O vidro de safira, com tratamento antirreflexo em ambas as faces, garante legibilidade e resistência acrescida. No interior, bate o novo calibre automático ML1000, desenvolvido em parceria com a Soprod, a poucos quilómetros de Saignelégier. O movimento apresenta acabamentos cuidados, como parafusos azulados, perlage e Côtes de Genève , uma ponte do balanço fixada por dois parafusos e uma massa oscilante aberta e decorada. Oferece precisão média de ±4 segundos por dia e reserva de marcha de 60 horas. O AIKONIC é fornecido com correia de borracha bi-material de aspecto têxtil, com o sistema ML Easy Change de nova geração, permitindo alternar facilmente entre bracelete e correia. Os ponteiros facetados e índices rodiados com linha central areada reforçam o carácter moderno do relógio. Com caixa de 43 mm, 11 mm de espessura, estanqueidade até 100 metros e fundo aberto em vidro de safira, o modelo alia robustez a sofisticação. Estão disponíveis três versões de luneta em cerâmica — preta, branca ou azul. Caracaterísticas técnicas Caixa Material : Aço Diâmetro : 43 mm Espessura : 11 mm Resistência à água : 100 metros Vidro : Safira Fundo : Vidro Safira Movimento Calibre : ML1000 Reserva de marcha : 60 horas Frequência : 28.800 alt/h Rubis : 26 Bracelete Material : Borracha Cor : Preta, azul, turquesa Mais informações para no site oficial da Maurice Lacroix.
- Curso de Relojoaria Grossa - inscrições limitadas
Curso de Relojoaria Grossa aquando da visita de Kari Voutilainen 11 de Outubro de 2025 a 21 de Março de 2026 – IPR, Lisboa O Instituto Português de Relojoaria abre inscrições para o Curso de Relojoaria Grossa – Prática, uma formação presencial de seis meses, em Lisboa, dedicada à arte de reparar e restaurar relógios de pêndulo. Orientado por Pedro Coelho e José Campos, o curso combina tradição, técnica e prática intensiva, não exige conhecimentos prévios e oferece a cada participante uma mala de ferramentas e certificado. O conhecimento transmitido nesta formação é raro e nem sempre acessível, mesmo entre relojoeiros. As técnicas ensinadas garantem que os trabalhos em relógios de relojoaria grossa são realizados com segurança e rigor. Importa recordar que a intervenção nestes mecanismos, em especial devido à elevada tensão das molas, pode representar riscos sérios quando feita sem a formação e o treino adequados. Esta formação é uma oportunidade para adquirir um conhecimento raro e fundamental para quem se aventura nestes relógios. Não vai ser uma formação permanente no IPR. Alguns conhecimentos práticos que os participantes irão adquirir: - desmontar, lubrificar e montar relógios - reparar relógios - remover, colocar e reparar cordas de relógio - reconstruir e aplicar dentes partidos em rodas - colocar buchas em pontes - restaurar caixas de madeira de relógios - aplicar folha de ouro O Instituto Português de Relojoaria apresenta uma nova edição do Curso de Relojoaria Grossa – Prática, uma formação de seis meses, inteiramente presencial, dedicada à aprendizagem das técnicas fundamentais de restauro, reparação e conservação de relógios de pêndulo e de parede. Com início a 11 de Outubro de 2025 e término a 21 de Março de 2026 , as sessões decorrerão quinzenalmente, aos sábados, entre as 9h e as 18h (com pausa para almoço). A quem se destina O curso foi pensado para todos os que desejem aprender : não exige conhecimentos prévios de relojoaria, apenas interesse genuíno e vontade de desenvolver competências práticas. Está aberto tanto a iniciantes como a entusiastas que procuram aprofundar-se nesta área. Objectivos de aprendizagem Reconhecer os diferentes tipos de relógios de pêndulo e parede. Executar desmontagem, montagem e lubrificação de mecanismos. Diagnosticar e corrigir avarias comuns. Restaurar componentes com recurso a ferramentas adequadas. Desenvolver um guia sequencial de desmontagem e montagem. Realizar reparações avançadas, incluindo buchas e afinação de martelos e mecanismos musicais. Aplicar técnicas de restauro de nível superior, como a construção de buchas em tornos de 8 mm e a aplicação de folha de ouro. Estrutura do programa Módulo 1 – Introdução à Relojoaria Grossa (8h) Visita a museu privado de relojoaria, desmontagem e montagem de um relógio Junghans. Módulo 2 – Reparações e Afinações (16h) Substituição de buchas, tratamento de pivôs, afinação de martelos e regulação de marcha. Módulo 3 – Reparação Prática de Relógios dos Alunos (8h) Diagnóstico e reparação de relógios trazidos pelos participantes, com supervisão directa do formador. Módulo 4 – Restauro e Construção de Componentes (16h) Construção de buchas em torno de 8 mm, restauração de rodas e aplicação de folha de ouro. Formadores Pedro Coelho José Campos Ambos com vasta experiência prática e reconhecida competência técnica na área da relojoaria grossa. Calendário das sessões 11 de Outubro 8 e 22 de Novembro 13 de Dezembro de 2025 24 de Janeiro 14 de Fevereiro 21 de Março de 2026 Condições de participação Matrícula: 300 € 6 mensalidades: 250 € cada Oferta: mala de ferramentas e material de consumo incluído ao longo da formação. Certificado: todos os participantes receberão certificado de presença emitido pelo IPR. Inscrições e contactos 📧 info@institutoportuguesderelojoaria.pt 📱 +351 966 312 899 (WhatsApp) 🌐 Contactos IPR
- Vacheron Constantin La Quête du Temps – Mécanique d’Art
A Vacheron Constantin assinala o seu 270.º aniversário com a criação de La Quête du Temps – Mécanique d’Art , uma obra monumental que transcende a relojoaria convencional ao unir complicações mecânicas, ofícios decorativos e a arte dos autómatos. Resultado de sete anos de desenvolvimento, reúne 6293 componentes, dos quais 2370 pertencem ao movimento do relógio, 3923 ao autómato e 1020 à habillage . Esta peça integra 23 complicações, 144 gestos animados, 158 cames e 15 pedidos de patente, afirmando-se como uma das mais complexas realizações da história da marca. O conceito centra-se num autómato humanoide – o “Astrónomo” – que, para além de indicar as horas através de gestos, convida à contemplação do cosmos. Inspirado na tradição do Iluminismo e na herança genevense de colaboração entre mestres artesãos, relojoeiros, engenheiros e astrónomos, o projecto evoca as “merveilles” e “follies” do século XVIII, dispositivos técnicos criados para instruir e maravilhar. A estrutura divide-se em três partes: a cúpula, o relógio astronómico e a base. A cúpula de vidro representa a abóbada celeste visível em Genebra no dia da fundação da Maison em 1755, com constelações pintadas à mão e planetas alinhados com rigor científico. O relógio astronómico apresenta no mostrador frontal um turbilhão de grande escala, calendário perpétuo, indicação do nascer e pôr do sol, data retrógrada e um submostrador de 24 horas com representação do Sol e da Lua. O mostrador traseiro exibe a carta celeste em tempo real, o dia sideral, as estações, equinócios e signos do zodíaco. A base, revestida de lápis-lazúli e madrepérola, representa o sistema solar, guardando o mecanismo do autómato e a sua máquina musical. O autómato executa três sequências coreográficas acompanhadas por melodias criadas em colaboração com Woodkid. Os seus movimentos naturalistas, silenciosos e multidimensionais foram alcançados com um complexo sistema de cames e memória mecânica, constituindo uma inovação absoluta na relojoaria: pela primeira vez, um autómato funciona como verdadeira complicação horológica. Paralelamente, foi criado um relógio de pulso inspirado nesta obra, o Métiers d’Art Tribute to the Quest of Time , edição limitada a 20 peças, equipado com o novo calibre manual 3670, que apresenta mostradores retrógrados, mapa celeste e fases da Lua em 3D. A criação mobilizou uma vasta gama de ofícios: guilhoché, esmalte Grand Feu, escultura em bronze, gravação em alto-relevo e taille douce, pintura em miniatura sobre vidro, marchetaria em pedras duras e engaste de diamantes. Cada detalhe foi pensado para conjugar leveza, transparência e simbolismo, desde os suportes da cúpula em forma de esferas armilares à inclusão do número oito como referência ao infinito e ao sistema solar. A peça será apresentada em Paris, como centro da exposição Mécaniques d’Art no Museu do Louvre, entre 17 de Setembro e 12 de Novembro de 2025, lado a lado com obras históricas da colecção do museu, como o Pêndulo da Criação do Mundo (1754) ou autómatos medievais. Mais informações no site oficial da Vacheron Constantin.
- TEMPO ATÓMICO - UMA (MUITO BREVE) INTRODUÇÃO AOS RELÓGIOS ATÓMICOS
Os relógios atómicos são os instrumentos de medição do tempo mais precisos alguma vez criados pelo ser humano. Baseiam-se na física quântica dos átomos para definir o segundo com uma exactidão capaz de sustentar o GPS, sincronizar redes digitais, garantir a segurança de sistemas globais e abrir caminho a novas descobertas científicas. Do césio-133 aos relógios ópticos em desenvolvimento, os relógios atómicos representam a união entre teoria e tecnologia, entre a estabilidade da matéria e a necessidade universal de medir o tempo com rigor absoluto. Vídeo integral da conferência R Resumo dos conteúdos O texto que se segue é o resumo da RODA dedicada ao Tempo Atómico , realizada no passado dia 18 de Setembro, no Museu Medeiros e Almeida, em Lisboa. Nesta sessão, Joana Ferreira apresentou os agradecimentos por parte do Museu Medeiros e Almeida, Nuno Margalha por parte do IPR - Instituto Português de Relojoaria e Miguel Lino apresentou, em cerca de 1h30, uma explicação possível e acessível sobre o fascinante universo do Tempo Atómico, o tempo dos nossos dias. Parte 1 — O que é um Relógio Atómico? O que é um Átomo? 1) O conceito de tempo Antes de definir o relógio atómico, convém abordar o próprio conceito de tempo. O tempo pode ser entendido como o período durante o qual um evento, processo ou condição existe ou evolui; como a progressão contínua de eventos aparentemente irreversível; como aquilo que se lê num relógio; ou até como uma construção social, uma ilusão. Estas perspectivas mostram que o tempo é simultaneamente uma realidade física e uma convenção humana. Os instrumentos de medição permitem unir estas duas dimensões, e o relógio atómico é o mais sofisticado entre eles. 2) O que é um relógio atómico Um relógio atómico é um instrumento que utiliza átomos para medir o tempo. O princípio de funcionamento não assenta num pêndulo, numa roda de balanço ou num cristal de quartzo, mas numa transição interna do átomo, capaz de fornecer uma frequência de referência. Exemplos de padrões primários actuais incluem o Microchip 5071A, um relógio de césio que ilustra esta categoria de instrumentos. 3) O segundo no Sistema Internacional Durante séculos, o segundo foi definido como uma fracção do dia médio solar, equivalente a 1/86 400 de uma rotação da Terra. Mais tarde, em 1960, passou a ser definido como 1/31 556 925,9747 do ano tropical de 1900. Estas definições eram astronómicas e sofriam limitações, uma vez que a rotação da Terra não é completamente regular. Em 1967, a definição mudou radicalmente: o segundo passou a ser a duração de 9 192 631 770 períodos da radiação correspondente à transição hiperfina do estado fundamental do átomo de césio-133. Em 2018, foi ainda acrescentada a nota de que essa transição deve ser medida no estado fundamental não perturbado do átomo. Este salto retirou a unidade de tempo da esfera da astronomia e colocou-a no domínio da física atómica, garantindo maior estabilidade e universalidade. A linha histórica mostra esta evolução: em 1657, o relógio de pêndulo tornou possível medir segundos de forma consistente; cerca de 1874, os sistemas já permitiam uma leitura mais precisa; em 1927, os relógios de quartzo surgiram como alternativa estável; e, finalmente, em 1967, o padrão internacional do segundo ficou ancorado ao césio-133. É importante lembrar ainda que o conceito de segundo, como subdivisão do tempo, tem origem no sistema sexagesimal da Antiguidade, uma divisão puramente matemática usada para seguir os corpos celestes. 4) O que define um padrão Para que uma definição seja aceite como padrão, precisa de cumprir quatro requisitos essenciais: deve ser universal, isto é, independente de tempo e lugar; deve ser reprodutível, replicável em qualquer laboratório com os equipamentos adequados; deve ser invariante, não se alterando com o tempo; e deve ser preciso, fornecendo a mais alta exactidão possível. Além disso, um padrão deve resultar de acordo internacional, de modo a ser aceite de forma abrangente. O átomo, por apresentar transições bem definidas e estáveis, satisfaz estas condições. 5) O lugar do segundo no SI O segundo é uma das sete unidades fundamentais do Sistema Internacional de Unidades. As restantes são: candela (intensidade luminosa), kelvin (temperatura), ampere (corrente eléctrica), metro (comprimento), quilograma (massa) e mole (quantidade de substância). Cada uma destas unidades tem uma definição associada a uma constante fundamental ou fenómeno físico invariável. O segundo, ao ser definido pela frequência da transição hiperfina do césio-133, encontra-se no mesmo patamar de rigor que estas outras grandezas. 6) O que é um átomo O átomo é a unidade elementar que mantém as propriedades de um elemento químico. É constituído por um núcleo formado por protões e neutrões, em torno do qual orbitam electrões. Historicamente, o modelo de Bohr, de 1920, introduziu a ideia de níveis de energia discretos, em que os electrões podiam saltar de uma órbita para outra, libertando ou absorvendo energia proporcional à frequência de um fotão. Em 1925, o modelo de Schrödinger descreveu os electrões não como partículas em órbitas fixas, mas como distribuições de probabilidade, os chamados orbitais. As transições electrónicas são fenómenos quantificados: sempre que um electrão muda de nível, há emissão ou absorção de energia proporcional a uma frequência definida, de acordo com a relação de Planck-Einstein. Isto significa que cada átomo possui uma espécie de assinatura única, uma “nota” de frequência que pode servir de referência. A transição hiperfina Entre as transições possíveis, a hiperfina é a mais estável. Resulta da interacção entre o momento magnético do núcleo e o dos electrões. Esta transição é muito menos sensível a distúrbios externos como campos magnéticos, campos eléctricos, pressão ou temperatura. É justamente a transição hiperfina do césio-133 que define o segundo, devido à sua estabilidade e regularidade. 7) Critérios para que um átomo seja usado como referência Para que um átomo ou isótopo seja adoptado como referência temporal, deve reunir certas condições: possuir níveis de energia estáveis e definidos; apresentar uma transição específica e mensurável; mostrar insensibilidade a influências externas como temperatura e campos magnéticos; ter uma transição de alta frequência, que aumenta a precisão possível; e ser estável a longo prazo. O césio-133 cumpre estes requisitos. A sua transição hiperfina é de alta frequência, extremamente estável e facilmente mensurável. O valor exacto de 9 192 631 770 Hz corresponde à duração de um segundo. Cs – Césio - Metal alcalino altamente reativo em contacto com o ar 8) Porquê o césio-133 A frequência das transições electrónicas varia de átomo para átomo, uma vez que depende do número de protões no núcleo e das interacções entre os electrões. Entre todos, o césio-133 destaca-se por reunir as condições ideais para servir como padrão de tempo: a sua transição hiperfina possui uma frequência elevada, estável e facilmente mensurável , o que permite alcançar níveis de precisão consistentes e universalmente reproduzíveis. Acresce que é um isótopo estável, não radioactivo e disponível em quantidades adequadas , características que tornam viável a sua utilização à escala internacional. Do ponto de vista químico, o césio é um metal alcalino altamente reactivo ao contacto com o ar , facto que exige cuidados rigorosos de manuseamento e armazenamento. Esta reactividade, porém, não afecta a sua função como referência metrológica. É importante sublinhar que o césio-133 não é a única espécie atómica usada em relógios de referência. Masers de hidrogénio desempenham também um papel essencial, sobretudo como padrões de estabilidade a curto prazo, complementando o césio no estabelecimento das escalas internacionais de tempo. Outros elementos encontram aplicação em diferentes arquitecturas. Nos relógios de micro-ondas , o rubídio é frequentemente utilizado como alternativa prática em sistemas portáteis e comerciais. Já nos relógios ópticos , actualmente em desenvolvimento e aperfeiçoamento, recorrem-se a átomos como o estrôncio , o itérbio e o alumínio , cujas transições ópticas, de frequência muito mais elevada do que as do césio, oferecem potencial para ultrapassar de forma significativa a precisão actualmente alcançada. Apesar destes avanços e do interesse crescente em torno dos relógios ópticos, o césio-133 permanece o padrão oficial internacional para a definição do segundo , reconhecido pelo Sistema Internacional de Unidades e sustentado por décadas de utilização em metrologia de tempo e frequência. 9) Síntese da Parte 1 Um relógio atómico é um instrumento que utiliza átomos para medir o tempo, servindo-se da transição electrónica hiperfina como referência. Essa referência traduz-se numa frequência específica e extremamente estável. Os relógios atómicos de césio-133 são aqueles que definem a unidade fundamental do tempo: o segundo. O átomo, por sua vez, é a unidade elementar da matéria que conserva as propriedades de um elemento. Os electrões orbitam o núcleo em níveis discretos, e as suas transições entre níveis libertam ou absorvem energia proporcional a frequências exactas. É esta propriedade que permite utilizar os átomos como padrões universais para a medição do tempo. Parte 2 — Precisão e Usos dos Relógios Atómicos 1) A busca da precisão A história da medição do tempo pode ser lida como uma sucessão de esforços para reduzir o erro. O ser humano sempre procurou instrumentos que lhe permitissem organizar a vida social, a agricultura, a navegação e a ciência com maior rigor. Da observação do Sol até ao laser aplicado em relógios ópticos, a cronologia revela uma progressão em direcção à exactidão. O relógio solar dos egípcios, por volta de 1176 a.C., permitia regular actividades diárias e religiosas, mas apresentava erros da ordem de horas. O relógio mecânico medieval, surgido por volta de 1300 na Europa, reduziu essa margem para cerca de 15 minutos por dia, útil sobretudo para fins religiosos e científicos. Em 1657, com o relógio de pêndulo de Christiaan Huygens, a precisão atingiu cerca de um minuto por dia, permitindo um salto significativo. O cronómetro H4, criado por John Harrison em 1759, alcançou uma precisão de décimos de segundo por dia e revolucionou a navegação marítima. No século XIX e início do século XX, os relojoeiros foram afinando mecanismos, mas em 1927 surgiu uma nova solução: o relógio de quartzo, desenvolvido por Marrison e Horton, que reduziu o erro para microssegundos por dia, viabilizando aplicações industriais, transportes e telecomunicações. A grande viragem deu-se a partir de 1948, quando Isidor Rabi e Harold Lyons abriram caminho para o relógio atómico. Com ele, a precisão passou a ser de algumas décimas de segundo por ano, rapidamente refinada até valores como 1 segundo em milhões, e hoje até biliões, de anos. Em 1955, Louis Essen e Jack Parry construíram o primeiro relógio atómico de feixe de césio, fixando definitivamente a base para a redefinição do segundo. © Miguel Lino 2) Tipos de relógios atómicos Os relógios atómicos não constituem um grupo homogéneo: existem diversas tecnologias que funcionam em diferentes gamas de frequência e energia. © Miguel Lino Na categoria dos relógios de micro-ondas incluem-se: Beam (feixe atómico de césio) , a tecnologia clássica. Fountain (fonte atómica) , em que átomos arrefecidos são lançados verticalmente e atravessam a cavidade de micro-ondas em queda livre. Maser de hidrogénio , que utiliza micro-ondas geradas em ressonância por átomos de hidrogénio. Célula de vapor (vapor cell) , mais compacta e aplicável em dispositivos de menor escala. Na categoria dos relógios ópticos encontram-se: Redes ópticas (lattice clocks) , em que átomos ficam aprisionados numa rede de luz laser. Iões aprisionados (trapped ions) , onde um ou poucos iões ficam confinados em armadilhas electromagnéticas. Relógios nucleares ou de estado sólido , ainda experimentais, que exploram transições de energia a escalas ainda mais elevadas. Os relógios de micro-ondas utilizam frequências da ordem dos gigahertz, enquanto os ópticos operam em escalas muito superiores, chegando aos terahertz ou petahertz. Por isso, os relógios ópticos conseguem uma precisão ainda maior, chegando a margens de erro de apenas um segundo em centenas de biliões de anos. 3) O que limita a precisão É intuitivo pensar que quanto maior a frequência de referência, maior a precisão do relógio. Mas nem sempre este raciocínio se cumpre de forma directa. Outros factores interferem no funcionamento: Nos relógios mecânicos , as perturbações incluem temperatura, gravidade, fricção, impactos e qualidade de construção. Nos relógios de quartzo , a temperatura, o envelhecimento, a capacitância e a energia disponível têm influência. Nos relógios atómicos , surgem efeitos relativísticos, campos magnéticos e envelhecimento dos componentes electrónicos. Existem erros sistemáticos, que podem ser previstos e corrigidos, e erros aleatórios, que exigem modelos probabilísticos. Em qualquer caso, os relógios atómicos superam largamente as alternativas, mas ainda assim não são perfeitos. 4) Para que servem os relógios atómicos A utilidade dos relógios atómicos é vasta e crítica para o funcionamento da sociedade contemporânea. Padronização Os relógios atómicos definem a unidade de tempo no Sistema Internacional. O segundo é estabelecido pela transição hiperfina do Cs-133, e esta padronização assegura consistência global. Sem um padrão único e universal, cada país ou cada sistema poderia derivar com o tempo, criando discrepâncias inaceitáveis na ciência, na indústria e no quotidiano. Navegação Os sistemas de navegação por satélite, como o GPS e outros GNSS, dependem totalmente de relógios atómicos instalados nos satélites. A diferença de tempo entre o sinal emitido pelo satélite e o recebido pelo dispositivo (um telemóvel, por exemplo) permite calcular a posição do utilizador. Pelo menos quatro satélites são necessários para definir com rigor latitude, longitude e altitude. A precisão na medida do tempo traduz-se directamente em precisão na localização. Sincronização global A sociedade digital exige que a informação circule de forma sincronizada. Protocolos como o NTP (Network Time Protocol) permitem que computadores, servidores e redes partilhem um tempo de referência comum, baseado no UTC. Isto é fundamental para transacções financeiras, segurança digital, media, telecomunicações, reuniões online e streaming de conteúdos. Até a investigação científica depende desta sincronização para processar dados de forma coerente. Segurança e defesa Os relógios atómicos são também estratégicos. Permitem que países mantenham padrões internos independentes de redes internacionais, assegurando resiliência em caso de ataques ou falhas. São indispensáveis na coordenação de operações militares, na guerra electrónica e na encriptação de comunicações. Contribuem para a segurança de bases de dados, evitando falhas catastróficas, e permitem a sincronização de redes eléctricas, prevenindo apagões. A sua utilização em unidades de medição de fase garante a estabilidade das redes energéticas modernas. Indústria e ciência Na indústria, asseguram processos de fabrico e automação de alta precisão. Na ciência, tornam possíveis estudos de fenómenos extremamente rápidos ou subtis. Permitem investigações em física fundamental, experiências com relatividade, observações em rádio-astronomia e medições associadas à detecção de ondas gravitacionais. São, em suma, ferramentas indispensáveis para compreender melhor o universo e explorar novas tecnologias. 5) O UTC e a globalização do tempo Para que o mundo mantenha uma hora coordenada, foi criada uma estrutura internacional. O Tempo Atómico Internacional (TAI) é a média ponderada de cerca de 450 relógios atómicos, distribuídos por 85 laboratórios em 80 países. Mensalmente, os dados são reunidos e processados para fornecer uma referência universal. O Tempo Universal Coordenado (UTC) resulta do TAI, mas é ajustado à rotação da Terra através da escala UT1. Quando necessário, adicionam-se ou subtraem-se segundos intercalares para que o UTC não se afaste demasiado do tempo solar. O UTC foi reconhecido oficialmente em 1975 pela Conferência Geral de Pesos e Medidas e é hoje o padrão global para telecomunicações, transportes, redes digitais e quase todas as áreas dependentes da sincronização. Actualmente, a diferença entre UT1 e TAI ronda algumas dezenas de segundos, o que justifica o mecanismo dos segundos intercalares. O UTC é, assim, a expressão mais concreta da colaboração internacional em torno do tempo. 6) Síntese da Parte 2 Os relógios atómicos são hoje os instrumentos de medida do tempo mais precisos de que dispomos. Dividem-se em dois grandes grupos, de micro-ondas e ópticos, com várias tecnologias adaptadas a diferentes finalidades. A sua precisão varia de 1 segundo em milhares de anos até 1 segundo em centenas de biliões de anos. O seu papel vai muito além da teoria: garantem a padronização de unidades, possibilitam a navegação global, asseguram a sincronização de redes digitais e de telecomunicações, reforçam a segurança nacional e internacional, e tornam possíveis avanços científicos e industriais. São também fruto de uma colaboração internacional exemplar, envolvendo 80 países e centenas de relógios que, em conjunto, sustentam o Tempo Atómico Internacional e o Tempo Universal Coordenado. Sem relógios atómicos, a vida moderna, tal como a conhecemos, seria impossível. Parte 3 — Como Funciona um Relógio Atómico 1) O princípio fundamental Um relógio atómico não “gera” o tempo a partir do átomo: o que faz é usar o átomo como diapasão de referência para afinar um oscilador electrónico, geralmente de quartzo. O oscilador fornece um sinal eléctrico (por exemplo 10 MHz), que pode depois ser convertido em 1 Hz, correspondente a um segundo. O papel do átomo é manter o oscilador constantemente corrigido, de forma a que este nunca se desvie. A arquitectura clássica que melhor ilustra este processo é a do relógio de feixe de césio . O modelo pode parecer complexo, mas cada etapa tem um objectivo preciso. 2) Os elementos principais © Miguel Lino O átomo A base é o isótopo de césio-133 , estável e não radioactivo, que se obtém a partir do mineral pollucite. É este átomo que contém a transição hiperfina usada como padrão. O forno atómico O primeiro passo é transformar o césio sólido num feixe de átomos. Isso faz-se num forno atómico , que aquece o material até o vaporizar. O feixe é colimado, ou seja, organizado em trajectórias paralelas, através de microcanais. O forno funciona em regime de fluxo molecular , permitindo que os átomos saiam sem choques excessivos. O vácuo O feixe entra numa câmara de ultra-alto vácuo (UHV) , inferior a 10⁻⁹ mbar. Este ambiente evita colisões entre os átomos de césio e as moléculas de ar, preservando a coerência do feixe. Filtro magnético A Um íman, semelhante ao dispositivo de Stern–Gerlach, selecciona apenas os átomos no estado fundamental correcto . É um processo de filtragem de estados quânticos: só os átomos desejados seguem adiante. Cavidade de radiofrequência O coração do sistema é a cavidade de radiofrequência de Ramsey . Aqui, ondas de radiofrequência interagem com os átomos. O sinal de RF provém de um oscilador de quartzo controlado por tensão ( VCXO ) e passa por um sintetizador e um misturador de frequência. A cavidade aplica energia aos átomos, induzindo a transição hiperfina se a frequência estiver correctamente ajustada. O alvo é alinhar o sinal do oscilador com a frequência natural da transição: 9,192 631 770 GHz. Sintetizador e misturador de frequência O sintetizador converte a frequência base (por exemplo, 10 MHz do oscilador) em valores muito mais elevados, na gama dos gigahertz. O misturador permite ajustar finamente o sinal, até corresponder exactamente à frequência da transição hiperfina do césio. Filtro magnético B Depois da cavidade, um segundo filtro magnético selecciona os átomos que passaram efectivamente para o nível superior da transição. Tal como no filtro inicial, é um mecanismo de selecção de estados. Detecção Segue-se a detecção , feita por ionização. Os átomos são ionizados ao colidirem com um fio aquecido ( hot wire ) e os iões gerados são recolhidos por um colector de iões (Faraday cup). O número de átomos detectados traduz-se num sinal eléctrico, indicador da eficiência da transição. Amplificação e comparação O sinal de saída é amplificado e comparado com o sinal do misturador de frequência. A diferença entre ambos revela-se como uma diferença de voltagem. Se não houver diferença (ΔV = 0), significa que o oscilador de quartzo está perfeitamente sintonizado com a frequência de transição do césio. Se houver desvio, a voltagem serve para corrigir automaticamente o VCXO. Saída de frequência O oscilador corrigido fornece uma saída estável de 10 MHz , que pode ser convertida por um divisor de frequência em 1 Hz , ou seja, um pulso por segundo. Este é o sinal utilizável, que alimenta sistemas electrónicos, redes de telecomunicações, satélites e toda a infraestrutura dependente de tempo preciso. 3) Exemplos históricos O primeiro relógio atómico de césio foi construído em 1955 por Louis Essen e Jack Parry . Poucos anos depois, em 1959, surgiu o NBS-1 nos Estados Unidos. Em 1972, a Hewlett-Packard lançou o modelo 5061A , um padrão comercial que se tornou icónico e largamente usado em laboratórios e telecomunicações. Ao longo das décadas, os relógios de feixe foram sendo substituídos por fontes atómicas, iões aprisionados e, mais recentemente, relógios ópticos. Contudo, o feixe de césio continua a ser a base do padrão internacional do segundo. 4) Variações modernas e miniaturização Os relógios de feixe tradicionais consomem entre 20 e 40 W e atingem uma precisão de cerca de 1 segundo em 3,17 milhões de anos. Mas a miniaturização abriu novas possibilidades: os chamados Chip-Scale Atomic Clocks (CSAC) , baseados em técnicas como Coherent Population Trapping (CPT) , têm dimensões reduzidas e consumos de apenas 100 mW. Embora menos precisos (da ordem de 1 segundo em 3,17 mil anos), são suficientemente estáveis para aplicações móveis, portáteis e militares. O CPT baseia-se num fenómeno curioso: quando os átomos entram num estado energizado específico, deixam de absorver energia e tornam-se transparentes à luz laser. Isto permite medir a frequência de forma mais compacta e eficiente. 5) Síntese da Parte 3 O funcionamento de um relógio atómico assenta numa arquitectura que combina física quântica e engenharia electrónica. O átomo de césio fornece a referência estável e invariável; o oscilador de quartzo, afinado continuamente por essa referência, gera o sinal utilizável. O processo envolve etapas de preparação dos átomos (forno, vácuo, filtros magnéticos), excitação por radiofrequência, detecção do estado, comparação de sinais e correcção automática do oscilador. O resultado é uma frequência de saída precisa, convertida em segundos. O átomo é o diapasão e o oscilador é o instrumento : juntos produzem a cadência exacta sobre a qual assenta a medição moderna do tempo.
- Greubel Forsey Nano Foudroyante
A Greubel Forsey apresenta oficialmente a primeira edição limitada do Nano Foudroyante, um relógio revolucionário que resulta de anos de investigação e que evolui do estatuto de protótipo experimental para peça autónoma e madura. Limitado a apenas 22 exemplares, este modelo inaugura um novo capítulo naquilo que a marca define como a sua 10.ª Invenção Fundamental. O Nano Foudroyante, inicialmente revelado em 2024 como edição comemorativa de Experimental Watch Technology , surge agora inteiramente em ouro branco, com um mostrador em ouro tratado a ródio e escala dos minutos azul. Os ponteiros em aço azulado, o submostrador branco com algarismos transferidos e a abertura do turbilhão sublinham a legibilidade e a harmonia estética, complementada por uma correia em borracha texturada azul. O coração desta criação está na aplicação da nanomecânica, que permite controlar a energia à escala do nanojoule no interior de um movimento mecânico. Graças a esta abordagem, a complicação foudroyante funciona com apenas 16 nanojoules por segundo, contra os 30 microjoules dos mecanismos tradicionais, uma redução energética 1.800 vezes superior. A complicação divide cada segundo em seis segmentos, com um ponteiro ultraleve em vermelho que roda uma vez por segundo, acionado directamente pelas oscilações do balanço a 3 hz, sem necessitar de um conjunto de rodagens. O mecanismo integra-se no primeiro turbilhão voador da Greubel Forsey, criando um conjunto visualmente central e tecnicamente fascinante. O submostrador da foudroyante mantém-se sempre alinhado às 12 horas, independentemente da rotação do turbilhão, garantindo legibilidade. O movimento de corda manual, com função flyback patenteada, é composto por 428 componentes, 142 dos quais pertencem apenas à gaiola do turbilhão e encontra-se alojado numa caixa de 37,90 mm, a mais compacta da história da marca. A caixa em ouro branco apresenta cristal de safira abobadado, acabamentos lineares escovados, fundo transparente e gravações em relevo polido sobre um fundo martelado. Esta edição limitada a 22 unidades. Características técnicas Caixa Material : Ouro Branco Diâmetro : 37.9 mm Espessura : 10.49 mm Vidro : Safira Resistência à água : 30 metros Movimento Diâmetro : 31.6 mm Espessura : 9.4 mm Rubis : 53 Frequência : 21.600 alt/h Componentes : 428 Bracelete Material : Borracha Fivela : Ouro Branco Mais informações no site oficial da Greubel Forsey.
- Franck Muller X Jisbar Crazy Hours
A Franck Muller e o artista francês Jisbar fizeram uma colaboração inédita, marcada pela reinvenção do icónico modelo Crazy Hours. A iniciativa, revelada em Genebra durante a World Presentation of Haute Horlogerie, funde a complexidade técnica da alta-relojoaria com a estética vibrante da pop-street art. O mostrador do relógio transforma-se numa tela, onde cada algarismo recebe a marca visual do artista, mantendo a essência conceptual que tornou a complicação célebre. A colecção surge em cinco versões exclusivas — em carbono, aço, titânio, titânio negro e ouro rosa — cada uma limitada a 50 exemplares numerados. Para reforçar a ligação entre arte e relojoaria, Jisbar criou cinco obras originais que dialogam com cada versão, estabelecendo um elo directo entre a peça relojoeira e a criação artística. Além disso, cada comprador receberá um fragmento de uma pintura em linho concebida e intervencionada manualmente pelo artista, devidamente assinada e autenticada, integrada na caixa de apresentação do relógio, que por si só prolonga a linguagem cromática e gráfica de Jisbar. O Crazy Hours x Jisbar não é apenas um instrumento de medição do tempo, mas um objecto artístico portátil que desafia convenções. Tal como nas obras do artista, onde referências do passado se cruzam com símbolos contemporâneos, o relógio rompe com a ordem tradicional dos algarismos e oferece uma leitura inesperada e lúdica das horas. Este carácter disruptivo, em perfeita sintonia com a filosofia criativa de Jisbar, confere à peça uma dimensão emocional única, em que a precisão mecânica da Franck Muller encontra a ousadia da arte contemporânea. Com esta edição limitada, a Franck Muller reafirma o seu estatuto de manufactura independente de referência, conhecida pelas complicações pioneiras e pelo espírito visionário, enquanto Jisbar consolida o seu percurso no cenário artístico internacional, ao levar o seu universo para a relojoaria de alta gama. O resultado é um encontro entre dois mundos que se complementam, em que o relógio se torna obra de arte e a obra de arte assume a forma de relógio. Características Técnicas Modelo V 43 CH JSR LTD (NR) Caixa Material : Ouro rosa 18K Vidro : Safira Dimensões : 42.5 X 52.7 mm Espessura : 9.3 mm Movimento Calibre : MVD 2800-CHRS Reserva de marcha : 42 horas Componentes : 201 Diâmetro : 26.2 mm Espessura : 5.6 mm Frequência : 28.800 alt/h Correia Material : Pele crocodilo Fivela : Ouro rosa 18K Mais informações no site oficial da Franck Muller.
- M.A.D.Editions x Yinka Ilori
A M.A.D.Editions uniu-se ao artista e designer britânico-nigeriano Yinka Ilori MBE para criar a série limitada M.A.D.1S “Grow Your Dreams”, uma colaboração que celebra a cor, a imaginação e a filosofia de acreditar e cultivar os próprios sonhos. Conhecido pelas suas instalações vibrantes e narrativas visuais optimistas, Ilori transporta para a relojoaria a sua linguagem criativa marcada pela diversidade cultural, pela ligação à comunidade e pela ideia de que o design pode transformar o quotidiano em experiências de alegria e esperança. A colecção apresenta três relógios distintos — Sun, Nature e Water — cada um limitado a 400 exemplares. Embora partilhem a mesma base técnica do movimento suíço LaJoux-Perret G101, com cilindro de horas rotativo, 68 horas de reserva de marcha e um rotor em titânio, cada peça distingue-se pela cor e simbolismo. O rotor, trabalhado com um motivo de árvore que evoca crescimento e paciência, surge em amarelo, verde ou azul, consoante a versão, e é realçado por Super-LumiNova e pela inscrição do lema “Grow Your Dreams”. O aro da caixa de aço inoxidável de 42 mm introduz pela primeira vez na linha detalhes em HyCeram colorido, enquanto a base em alumínio revela texturas onduladas que acentuam o efeito tridimensional. As braceletes em borracha reforçam o carácter lúdico e expressivo da série: o modelo Sun combina amarelo e verde, o Nature conjuga púrpura e vermelho, e o Water mistura azuis contrastantes. Cada relógio inclui ainda uma correia branca adicional, permitindo alternar entre ousadia e sobriedade. Todos os modelos são resistentes à água até 30 metros e equipados com fecho dobrável em aço. Características técnicas Caixa Material : Aço 316L Diâmetro : 42 mm Espessura : 15 mm Resistência à água : 30 metros Vidro : Safira Movimento Calibre : LaJoux-Perret G101 Diâmetro : 11 ½’’ Espessura : 4.45 mm Frequência : 28.800 alt/h Rubis : 24 Reserva de marcha : 68 horas Bracelete Material : Borracha Fivela : Aço, dobrável Mais informações no site oficial da MB&F.
- Vacheron Constantin Overseas Perpetual Calendar Ultra-Thin
A Vacheron Constantin apresentou duas novas versões do modelo Overseas Perpetual Calendar Ultra-Thin, reforçando a ligação entre elegância desportiva, sofisticação técnica e versatilidade. Os novos modelos distinguem-se pelas caixas de 41,5 mm com apenas 8,1 mm de espessura, em ouro rosa ou em ouro branco, associadas a mostradores exclusivos: um em ouro rosa com mostrador no mesmo tom e outro em ouro branco com mostrador em laca borgonha. No coração destas peças encontra-se o calibre de manufatura 1120 QP/1, um movimento automático ultrafino com apenas 4,05 mm de espessura, composto por 276 componentes e 36 rubis. Este movimento integra calendário perpétuo (data, dia, mês e ciclo bissexto) e fases da Lua, funcionando como um “computador mecânico” capaz de corrigir automaticamente as variações do calendário até ao ano 2100. Oferece ainda uma reserva de marcha de aproximadamente 40 horas e vibra a 19.800 alternâncias por hora. O fundo em safira revela a massa oscilante em ouro de 22 quilates, decorada com uma rosa-dos-ventos, evocando o espírito de viagem associado à colecção Overseas. O acabamento artesanal segue os mais exigentes padrões da Alta Relojoaria, incluindo Côtes de Genève, grão circular e anglage, e cada relógio é certificado com o Poinçon de Genève. Em ambos os casos, os ponteiros e índices são tratados com Super-LumiNova® azul, garantindo legibilidade. Estes relógios são resistentes à água até 5 bar (cerca de 50 metros), integram um aro interno em ferro para protecção antimagnética e possuem fecho de tripla lâmina com sistema de ajuste de conforto. Características técnicas Caixa Material : Ouro Branco ou Ouro rosa Diâmetro : 41.5 mm Espessura : 8.1 mm Vidro : Safira Fundo : Vidro Safira Resistência à água : 50 metros Movimento Calibre : 1120 QP/1 Diâmetro : 29.6 mm Espessura : 4.05 mm Reserva de marcha : 40 horas Frequência : 19.800 alt/h Componentes : 276 Rubis : 36 Bracelete Material : Ouro Branco, Ouro Rosa ou borracha Fecho : Dobrável Mais informações no site oficial da Vacheron Constantin.
- Relógios Atómicos: histórias de uma precisão que mudou o mundo
Os relógios atómicos são as máquinas mais precisas já criadas pelo ser humano. Do protótipo de amónia de Harold Lyons em 1949 ao estrôncio aprisionado em redes ópticas, marcaram a transição da observação dos astros para o domínio da física quântica. Hoje regulam o GPS, sincronizam a banca mundial e testam a relatividade de Einstein. Mas também guardam histórias curiosas: um protótipo com um relógio de parede em cima, satélites “falhados” que confirmaram teorias, e cientistas que ousaram redefinir o próprio segundo. Em 1949, o físico norte-americano Harold Lyons , no National Bureau of Standards (hoje NIST), apresentou o primeiro relógio atómico capaz de operar, baseado na molécula de amónia. A fotografia clássica de Lyons, com um relógio de parede colocado em cima do protótipo, tornou-se icónica: era a prova de que aquela máquina de laboratório, aparentemente um armário metálico, media o tempo de forma inédita. Louis Essen e o césio que mudou tudo Louis Essen (à direita) e Jack Parry (à esquerda) com o primeiro relógio atómico de césio-133, construído em 1955 no National Physical Laboratory, Reino Unido. Este instrumento tornou-se a referência para a definição do segundo no Sistema Internacional de Unidades. O salto decisivo chegou em 1955, quando Louis Essen e Jack Parry , no National Physical Laboratory (Reino Unido), construíram o primeiro relógio de césio-133 funcional. Essen já tinha experiência em medir a velocidade da luz, e foi graças ao seu rigor que o césio ganhou estatuto de padrão. Foi esse trabalho que, em 1967, levaria a redefinição do segundo no Sistema Internacional de Unidades. A definição do segundo e o papel das instituições Desde 1967, o segundo é a duração de 9 192 631 770 oscilações do césio-133. Esta decisão, tomada em Sèvres, tirou a unidade básica do tempo do domínio astronómico (variações da rotação da Terra) e colocou-a na estabilidade quântica. Desde 1967, o segundo é definido como a duração de 9 192 631 770 oscilações da radiação do átomo de césio-133 , uma decisão tomada em Sèvres pela Conferência Geral de Pesos e Medidas. Esta redefinição marcou a transição da era astronómica para a era quântica: deixou-se de depender da rotação irregular da Terra e passou-se a basear a unidade fundamental do tempo numa propriedade imutável da matéria. O césio-133 foi escolhido pela sua estabilidade, pela facilidade de manipulação em laboratório e pelos resultados fiáveis já obtidos no primeiro relógio atómico funcional de 1955. Exactidão e estabilidade: uma dupla de protagonistas Dois conceitos atravessam toda a história: exactidão , que mede a proximidade ao valor verdadeiro, e estabilidade , que mede a regularidade ao longo do tempo. O físico Jerrold Zacharias , do MIT, trabalhou em relógios de césio ainda nos anos 50, e ajudou a clarificar estes conceitos em aplicações práticas. Do laboratório ao espaço: engenheiros e cientistas no GPS e Galileo O sistema GPS nasceu de equipas multidisciplinares nos Estados Unidos, com a união entre físicos, engenheiros de satélite e militares. Relógios de césio e rubídio desenvolvidos por grupos como o de James Jespersen garantiram a precisão inicial do sistema. Constelação de satélites Galileo na órbita da Terra. Na Europa, o programa Galileo foi impulsionado por equipas da ESA e da indústria, com o contributo de especialistas em máseres de hidrogénio como John Vanier e engenheiros em Neuchâtel, Suíça. Em 2014, quando dois satélites ficaram em órbitas erradas, investigadores como Pacôme Delva aproveitaram a oportunidade para testar a relatividade geral com relógios a bordo. Do césio à luz: os pioneiros dos relógios ópticos A revolução óptica tem protagonistas claros: Jun Ye , no JILA, que liderou o desenvolvimento dos relógios de estrôncio mais precisos do mundo; Hidetoshi Katori , em Tóquio, que criou a arquitectura de “rede óptica” para aprisionar átomos de estrôncio com lasers; e Thorsten Tamm , no PTB alemão, que comparou padrões ópticos a longas distâncias por fibra óptica. Estes cientistas abriram caminho à geodesia cronométrica, área que revela diferenças de gravidade através da comparação de relógios separados por centenas de quilómetros. É ciência de ponta sustentada no batimento dos átomos. Três pequenas histórias para contar no intervalo do café 1) Um relógio com outro relógio por cima (1949). Harold Lyons, para mostrar ao público que a sua máquina era um relógio, colocou um relógio de parede em cima do protótipo de amónia. A imagem tornou-se símbolo da nova era. 2) Louis Essen e a vitória do césio (1955). Louis Essen enfrentou críticas de vários astrónomos, que consideravam arriscado substituir a observação das estrelas pela regularidade de um átomo como referência para medir o tempo. Décadas depois, a sua persistência foi reconhecida: sem ele, o segundo ainda seria definido pelo movimento irregular da Terra. 3) Satélites “falhados” que confirmaram Einstein (2014). Dois satélites Galileo em órbitas erradas tornaram-se laboratório natural para testar a relatividade geral. Uma falha de engenharia transformou-se numa das experiências mais elegantes da física moderna. Para que serve, afinal, tanta precisão? Navegação por satélite : sem relógios atómicos e correcções relativísticas, o GPS e o Galileo perderiam a utilidade em minutos. Redes de telecomunicações e banca : transacções financeiras e fluxos de dados são ordenados ao nanossegundo. Ciência fundamental : relógios ópticos testam constantes fundamentais, procuram variações subtis ao longo do tempo e oferecem geodesia cronométrica. E amanhã? Os relógios ópticos já atingem precisões na casa dos 10⁻¹⁸, e discutem-se agora padrões baseados no estrôncio ou no íterbio para substituir o césio como definição oficial do segundo. Quando esse dia chegar, o mundo continuará a viver normalmente — mas por trás da internet, dos satélites e da ciência de ponta, os protagonistas invisíveis serão os físicos e engenheiros que, desde Harold Lyons e Louis Essen até Jun Ye e Hidetoshi Katori, transformaram a forma como medimos o tempo. Participe 👉 Pode responder ao Quiz 7 – Relógios Atómicos aqui: 👉 E pode assistir à conferência de Miguel Lino Diogo dos Santos no Museu Medeiros e Almeida, no dia 18/09/2025, das 18h00 às 20h00 . A entrada é livre com inscrição prévia : Inscrição na conferência













