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- As Inesperadas Ligações Entre Pontes e Relógios
A minha tentativa de “fazer a ponte” entre a relojoaria e a engenharia civil Pontes emblemáticas como a Golden Gate, Tower Bridge e Vasco da Gama representam a combinação perfeita entre engenharia, função e design, chegando mesmo a ser conhecidas como Obras de Arte na área da construção. Esta combinação de requisitos pode também ser aplicada aos relógios que, apesar de serem considerados por muitos como um objeto supérfluo nos dias que correm, continuam a ser autênticos símbolos de engenho e criatividade. A dualidade entre relógios e engenharia estende-se para o meu dia-a-dia: Apesar de me ter formado em engenharia civil e ser a profissão que exerço, o meu tempo livre é passado a aprender mais sobre a história da contagem do tempo e o funcionamento destes pequenos objetos de pulso. Este artigo é o resultado de algumas das coincidências entre os mundos da Engenharia Civil e da Relojoaria com que me fui cruzando ao longo do meu percurso. Sem pontes, não haveria relógios de pulso O Século XVIII foi um período de elevada criatividade e desenvolvimento técnico na área dos relógios de bolso. Na época, estes objetos assumidamente de luxo eram produzidos à mão utilizando metais preciosos a pedido da realeza e da burguesia. A sua precisão era questionável, resultado da concepção dos movimentos e do tipo de escape o órgão regulador do relógio) utilizado. Os componentes eram dispostos em planos separados, unidos entre si através de colunas e utilizavam complexos fusos e minúsculas correntes ara regular o nível de tensão no relógio, o que resultava em relógios volumosos e espessos. Um dos relojoeiros do Século XVIII responsável pela mudança no paradigma da contagem do tempo foi Jean-Antoine Lépine que, por volta de 1770, apresentou um novo método construtivo para os calibres de relógio de bolso. As inovações de Lépine mereceram-lhe os títulos de maître horloger (mestre relojoeiro) e de Horloger du Roi (relojoeiro do Rei) e influenciaram os seus contemporâneos (dos quais se destaca um dos seus discípulos, Abraham Louis Breguet), bem como as gerações que o sucederam. O uso de pontes nos movimentos foi fundamental para o desenvolvimento de relógios suficientemente pequenos e robustos para serem utilizados no pulso. Com o passar dos séculos, os materiais e técnicas construtivas evoluíram significativamente, mas os princípios de construção de movimentos com recurso a pontes permanecem prática corrente nos dias de hoje. Apesar do uso de pontes nos movimentos ser generalizado nos dias que correm, tal não impede certas marcas de inovar o conceito — desde o Corum Golden Bridge com todos os seus componentes inseridos numa só ponte, aos maravilhosos balanços flutuantes dos MB&F, o que não falta é espaço para a criatividade! Alguns relógios têm pontes no mostrador Enquanto algumas marcas utilizam as pontes do movimento como decoração, outras abordam o tema no sentido mais literal, ao incluirem pontes em miniatura no próprio mostrador! Um dos meus exemplos favoritos é o Pont des Amoureux da Van Cleef & Arpels, integrado na sua linha de “complicações poéticas”. Neste relógio, os ponteiros retrógrados assumem a forma de um casal que se vai aproximando ao longo do dia, beijando-se à luz do luar a cada doze horas (no site da marca é possível ver uma animação do seu funcionamento). Para os mais impacientes, o modelo mais recente inclui um botão adicional às 8 horas, que quando acionado permite a aproximação instantânea do casal à vontade do utilizador — tecnicamente impressionante, se bem que um pouco voyeurístico! Segundo a marca, a inspiração para o mostrador teve origem em Paris, considerada por muitos uma das cidades mais românticas do mundo. Com alguma imaginação, a ponte esculpida no mostrador remete-me para a Pont des Arts, com a sua elegante estrutura metálica. Por outro lado, o seu preço base de 122 000 euros é a prova que o amor por vezes pode sair caro. A Rolex fez (literalmente) uma ponte Como é praticamente impossível escrever um artigo de relógios sem mencionar a Rolex, a terceira curiosidade é dedicada à marca da coroa. Apesar da Rolex produzir milhões de pequenas pontes por ano para equipar os seus movimentos de manufactura, há uma das suas criações que se destaca na paisagem de Genebra. A história começa em 1945, quando Hans Wilsdorf, célebre criador da Rolex e da Tudor, estabelece uma Fundação homónima sem fins lucrativos dedicada a causas sociais como o Ambiente, Ciência e Artes. Atualmente, a Rolex mantém-se sob a alçada da fundação e apesar de produzir centenas de milhar (talvez milhões) de relógios por ano, esta conservadora empresa não divulga publicamente os seu resultados e não tem acionistas a quem prestar contas ou distribuir lucros. A Ponte Hans Wilsdorf foi inaugurada em 2012 e constituiu uma oferta da Fundação a Genebra, cidade sede da Rolex. Esta ponte de vão único, com 85 metros de comprimento, facilita o acesso à fábrica da marca genebrina, através das suas duas vias rodoviárias, duas ciclovias e passagens pedonais nas extremidades. Inspirada nos relógios da marca, a sua estrutura espacial é uma variante das habituais treliças utilizadas em pontes, composta por elementos metálicos elípticos entrelaçados e dispostos simetricamente ao longo da estrutura. Há pontes que dão as horas As pontes são das construções que permitem maior criatividade, existindo sempre variadas formas de fazer a passagem entre A e B. A Sundial Bridge, localizada na Califórnia, é um exemplo perfeito desta procura de soluções inesperadas para resolver o simples problema de atravessar um rio. Um dos desafios associados à construção desta ponte pedonal situada no interior de um parque natural era minimizar seu o impacto ambiental, protegendo os habitats do rio. O projetista escolhido para o desafio foi Santiago Calatrava, arquiteto Espanhol cujas (controversas) criações parecem desafiar as leis da gravidade. A sua solução dispensou a construção de pilares no leito do rio, ao suportar o tabuleiro da ponte com tirantes fixos a uma torre inclinada, construída na margem Norte. Para além de resistir às cargas da ponte, a geometria e orientação da torre foi pensada de forma a criar um dos maiores relógios solares do mundo — à medida que o sol atravessa o céu, a sombra projetada pela torre indica a hora nas marcações do jardim situado a norte. É possível comprar relógios numa ponte Para os verdadeiros fãs de relojoaria, pontes e história, há um lugar em Itália que proporciona a experiência completa — a Ponte Vecchio, no centro de Florença, um dos locais de destaque desta belíssima e rica cidade. O primeiro atravessamento do rio Arno nesta localização foi feito pelos Romanos, sendo substituída pela versão atual da ponte durante a Idade Média, que cruza o rio através de três arcos de pedra. Mais tarde, a ponte passou a suportar uma parte do Corredor Vasari, uma galeria (não muito) secreta que permitia aos Medici deslocarem-se pela cidade fora de perigos e das atenções da população. Devido ao seu largo tabuleiro e proximidade ao rio, foi inicialmente ocupada pelos talhantes, peixeiros e curtidores de peles da cidade, pela facilidade de se livrarem dos seus restos ao atirá-los para o rio. Contudo, a sujidade e o cheiro destas lojas afetavam a saúde e o bem estar dos que a atravessavam, o que em 1593 levou Ferdinando de Medici a decretar que a ponte só poderia ser ocupada por ourives e joalheiros, decisão que ainda hoje perdura. Atualmente, a ponte alberga boutiques da Rolex e da Audemars Piguet, bem como retalhistas de outras marcas de alta relojoaria.
- Breguet | Solar | Tempo Universal | Anel de Bronze | 2021
Série: SOLARES Por: Sílvio Pereira - Relógio de Bolso solar em forma de anel; - Fabricante: Breguet; - Material: Bronze. - Dimensões: Diâmetro externo 60,5mm; Diâmetro interno 43,3mm; Espessura 4mm - Peso: 39,5gr; - Documentação: Certificado de autenticidade e manual de instruções - Estojo: Cartão forrado e cortiça. - Forma de usar: como pendente. Modo de funcionamento (última foto): Passo 1 (figura I) Ajuste da latitude: Deslocar a marca do anel que suporta o fio de suspensão (1) para a latitude correcta de onde se encontra o utilizador. A escala graduada da latitude (1a) encontra-se gravada na superfície do anel exterior (2). Em Lisboa o relógio deve ser ajustado para 38,50º Norte; Passo 2 (figura II) Ajuste da data: A data ajusta-se na ponte (3) através de uma barra deslizante preta de aço (4). Cada letra representa um dos 12 meses do ano. Para facilitar a colocação na posição correcta, cada mês está dividido em três (5): princípio, meio e fim do mês; Passo 3 (figura III) Desdobrar o anel interior: Girar o anel interior até aos 90º (6). Finalmente, o relógio está preparado para ser usado. Passo 4 (figura IV) Leitura da hora: Deve segurar-se o relógio pelo fio, colocá-lo sob incidência directa do sol e girá-lo até que um raio solar atravesse o orifício (7) da barra deslizante (4) e coincida exactamente com a ranhura existente no interior do anel interno (6). Existem duas possibilidades para girar a ponte (3): se for antes do meio dia cairá um ponto de luz sobre a parte direita do anel interno. Se for depois do meio dia marcar-se-á a hora a partir das 12. Agora pode-se observar a hora verdadeira. (Atenção: a hora local verdadeira coincide com a hora de inverno). Atenção! Se o utilizador se encontra no hemisfério sul, o ajuste da latitude deve ser feita na escala inferior (1b)! Não deve ser feita nenhuma alteração nem ajuste da data. Para se efectuar uma medição correcta do tempo, o anel exterior (2) deve encontar-se colocado na direcção Norte-Sul, o anel interior aberto (6) estará colocado numa posição paralela ao equador e a ponte (3) paralelo ao eixo da Terra. Este relógio solar é também uma bússula além de um modelo do mundo. HISTÓRIA DA BREGUET A história da marca Breguet abrange quatro séculos e é tão rica em invenções e inovações que representa uma parte essencial de toda a história da relojoaria. Dada a quantidade de acontecimentos relevantes que marcam a história de Breguet, traçaremos o caminho desde as origens até os dias actuais. O princípio de tudo A marca ostenta o nome do seu fundador, Abraham-Louis Breguet, que nasceu em Neuchatel, Suíça, em 10 de janeiro de 1747. Breguet em jovem A cidade de Neuchâtel no Século XVIII Anos difíceis Os seus antepassados eram franceses e, por serem protestantes, mudaram-se para a Suíça em 1685. De facto, na sequência desta revogação do Édito de Nantes (que em 1598 pôs fim às guerras religiosas que afligiram a França durante a segunda metade do séc. XVI), ocorreu de novo uma intensa perseguição aos protestantes. Apesar da proibição de deixar o país, cerca de 400.000 protestantes - incluindo os Breguet - fogem de França pondo em risco a própria vida. Com apenas 11 anos de idade, o seu pai Jonas-Louis faleceu. A sua mãe Suzanne-Marguerite Bollein casou-se de novo com o primo do seu ex-marido, Joseph Tattet, que vinha de uma família de relojoeiros. Em 1762, Tattet levou Breguet para Paris, onde, entretanto, as coisas se tinham acalmado um pouco. Aí, foi aprendiz de um mestre relojoeiro de Versalhes cujo nome permanece desconhecido. França e Suíça nas vésperas da Revolução Francesa Após concluir os seus estudos, trabalhou para dois dos mais aclamados relojoeiros do seu tempo, Ferdinand Berthoud (1727-1807) e Jean-Antoine Lépine (1720-1814). Na mesma altura, tendo percebido que a matemática era essencial para o sucesso do seu trabalho, continuou a sua educação tendo aulas noturnas sobre esta área no Collège Mazarin, sob a orientação da abadessa Marie. Impressionada com o seu talento e inteligência, Marie teve o importante papel de apresentar Breguet à corte francesa e à aristocracia que gravitava em torno dela, tornando-se posteriormente clientes de Breguet. O nascimento da "Breguet" Embora enfrentando um momento difícil pela perda da sua mãe, do seu padrasto e da sua mentora Marie num curto espaço de tempo, Breguet conseguiu criar a sua irmã mais nova e finalmente, em 1775, abriu o seu próprio negócio no número 39 da Quai de l'Horloge, na Ile de la Cité, nas margens do rio Sena, perto de Notre Dame. Tinha 28 anos. A oficina de Breguet no Quai de l'Horloge, Paris em 1775 Quai de l'Horloge na actualidade Nesse mesmo ano, casou-se com Cécile Marie-Louise L'Huillier, filha de uma família burguesa parisiense estabelecida. Muito provavelmente, parte do capital necessário para estabelecer o negócio veio do seu dote. Graças às apresentações da abadessa Marie, Breguet rapidamente começou a receber as suas primeiras encomendas da aristocracia, incluindo um relógio de corda automática para o Duque de Orleans em 1780 e outro para Maria Antonieta em 1782. A corda automática Os seus relógios de corda automática ou “perpétuelle” trouxeram-lhe fama considerável tanto na corte de Versalhes como em toda a Europa. Embora breguet não tenha sido o primeiro a fabricar um relógio de corda automática, a maioria dos especialistas concorda que ele produziu o primeiro relógio desse tipo que foi realmente confiável e eficaz. Dois exemplos de relógios perpetuelle de Breguet: a massa oscilante, subia de modo que voltasse à sua posição original após cada movimento, empurrava para cima dois barriletes, parando quando as molas estivessem totalmente pressionadas Os relógios Breguet tiveram sucesso imediato não apenas pela qualidade dos mecanismos internos, mas também pelo design. Basta pensar nos ponteiros que projetou em 1783. Feitos de ouro ou aço azulado e com os círculos furados de forma excêntrica, adicionavam uma elegância irresistível a um relógio. Tornaram-se um sucesso imediato demonstrado pelo fato de que o termo 'ponteiros Breguet' entrou de imediato no vocabulário da relojoaria. Os ponteiros, os numerais e o guilloché Breguet Ponteiro Breguet Para os seus mostradores, usou placas de esmalte branco com algarismos arábicos típicos ligeiramente inclinados para a direita ou decorações guilhochê, ou seja, padrões receptivos gravados na placa do mostrador usando um torno manual. Mais do que meramente decorativo, um padrão guilloché oferecia a vantagem de suprimir o reflexo da luz nas placas metálicas do mostrador. Numerais e ponteiros Breguet O mostrador guilhochê de um relógio de bolso Breguet - 1786 O nº 160 Marie Antoinette Em 1783 Breguet recebeu uma encomenda, através de um membro da Guarda de Maria Antonieta, para um relógio especial que teve de ser criado como sendo um presente para a rainha, uma das admiradoras mais entusiastas dos seus relógios. O relógio tinha que incorporar todas as complicações e funções conhecidas na época. Nenhum prazo ou limite monetário foi colocado no pedido. Foi concluído em 1827, 44 anos após a encomenda e 34 anos após a morte da própria rainha, mas o resultado foi o que muitos especialistas consideram o relógio mais importante já produzido por razões tecnológicas, estéticas e históricas. O Breguet 160 - Marie Antoinette O “gong-spring” e o “parachute” Outras invenções notáveis desses anos são o “gong-spring” (1783), usado para carrilhão de relógios na substituição de um gongo, e o “parachute” (1790), um sistema de proteção contra choque ou “suspensão elástica” (como o próprio Breguet muitas vezes chamou) o que tornou os relógios menos frágeis e mais resistentes. O gong-spring num relógio repetidor de minutos e, à direita, sistema anti-choque "parachute” A sociedade com Xavier Gide Breguet trabalhou por conta própria até 1787, quando se associou a Xavier Gide, comerciante de relógios que trouxe mais capital para o negócio. Apesar de não ter sido particularmente bem sucedida tendo sido por isso dissolvida em 1791, esta parceria foi muito importante na história da Breguet porque, com ela, a empresa passou a manter registos das vendas e dos custos de produção da fábrica fornecendo-nos informações inestimáveis. Registos de Breguet A título de exemplo, em relação aos relógios automáticos que mencionamos acima, sabemos pelos registos que Breguet vendeu sessenta “perpétuelle” de 1787 a 1823. E embora não haja registros para os anos entre 1780 e 1787, podemos supor que outras vinte ou trinta peças foram produzidas nesse período. Tempos perigosos Mas aqueles eram tempos perigosos com a tempestade da revolução francesa a aproximar-se rapidamente, em especial para um homem que era considerado muito próximo da aristocracia e da corte real. Felizmente, Breguet tornou-se amigo íntimo do líder revolucionário Jean-Paul Marat, cuja irmã Albertine fez alguns ponteiros para o relojoeiro. Diz-se que Breguet salvou Marat de uma multidão enfurecida que se reuniu do lado de fora da casa de um amigo em comum: teve a ideia de vestir o seu amigo como uma senhora de idade e assim os dois poderam escapar com sucesso. Quando Marat descobriu que Breguet estava condenado à guilhotina, conseguiu um salvo-conduto que permitia a Abraham-Louis deixar Paris e viajar para Genebra em 1793. De lá, mudou-se para Le Locle, onde montou uma pequena oficina com apenas um punhado de funcionários. Dessa forma, pôde continuar a trabalhar para as famílias reais da Rússia e da Inglaterra, em particular o rei George III. Regresso às origens Em 1795 o ambiente político em França estabilizou e Breguet voltou a Paris, onde encontrou a sua fábrica em ruínas. Amigos, entre eles principalmente a família Choiseul-Praslin, ajudaram-no a reconstruir o seu negócio, que montou de novo no Quai de l'Horloge. O Exército e a Marinha precisavam urgentemente de relógios confiáveis, então Breguet foi bem-vindo de volta. Chegou mesmo a ser indemenizado pelas perdas sofridas durante o terror e conseguiu que o seu pessoal fosse dispensado do serviço militar para acelerar a recuperação da sua fábrica. Embora a atividade de Breguet tenha sido seriamente atingida nos anos do exílio, usou o seu tempo para desenvolver muitas das ideias e invenções excepcionais que foram implementadas nos anos seguintes, alcançando rapidamente grande sucesso. Espiral Breguet A mola do balanço, também designada "espiral", é uma pequena mola que através da sua elasticidade regula as oscilações do balanço. Está ligada na sua extremidade interna ao eixo do balanço e na sua extremidade externa ao piton. A mola de balanço plana, inventada pelo matemático holandês Huygens em 1675, havia estabelecido um grau de isocronismo que deixava a desejar. A espiral plana era feita de cobre ou ferro e tinha apenas algumas espiras. Embora imperfeito, deu o equilíbrio que precisava para se tornar tão preciso quanto o pêndulo de um relógio. Em 1795 Abraham-Louis Breguet resolveu o problema levantando a última espira da mola e reduzindo a sua curvatura, para garantir o desenvolvimento concêntrico da mola de balanço. Assim dotado com o "overcoil Breguet", a espiral passou a ter forma concêntrica. Os relógios ganharam precisão e o pivot do balanço não se desgasta tão facilmente. Breguet também aperfeiçoou um volante de compensação bimetálica para anular os efeitos das mudanças de temperatura no balanço. A espiral breguet foi adotada por todas as grandes empresas relojoeiras, que continuam a usá-la até hoje em peças de alta precisão. Entre 1880 e 1910, muitos fabricantes escreveram as palavras "Spiral Breguet" ou "Breguet overcoil" em letras grandes nas tampas dos seus relógios. Espiral Breguet Os "Souscriptions" A excelência de Breguet não estava apenas na técnica e no estilo, também era um grande comerciante. Um exemplo: em 1797, o relojoeiro criou um dos mais famosos exemplos de relógio de bolso de ponteiro único, o "Souscription". Breguet Souscription nº 3424 - cerca de 1797 (mostrador e movimento) Lançado através de uma brochura publicitária e dotado de um movimento especial de grande simplicidade assente num grande tambor central, era vendido em regime de subscrição (daí o nome), com o pagamento de um quarto do preço quando da encomenda. O "Souscription" teve grande sucesso e vários modelos foram produzidos, com diferentes mostradores e caixas de ouro ou prata. Breguet Souscription N. 542, 62 mm, caixa prateada com bordadura de ouro, mostrador em esmalte, vendido em 1800 Breguet Souscription N. 1391, 57 mm de diâmetro, caixa dourada, mostrador guilloché torneado, vendido em 1805 O "relógio de tacto" No final da década de 1790, Abraham Louis Breguet inventou o "montre à tact" ou "relógio com tacto". Além de permitir ao utilizador ver as horas da maneira tradicional, abrindo a caixa do relógio e olhando para o mostrador interno, também permitia que verificasse as horas no escuro, girando o ponteiro ou a seta fora da caixa no sentido horário até que parava na hora indicada pelo relógio. Graças aos pequenos botões ao redor da caixa, usados como marcadores de horas, era possível sentir em qual ponteiro/seta das horas estava posicionado e discernir a hora certa aproximadamente. Relógio de cilindro 'médaillon montre à tact' com caixa caçador em ouro rosa, esmalte e diamantes, assinado Breguet, nº 608, vendido a Monsieur Bastreche em 1800 por 3.000 francos O sistema "a tacto" ajudava a obter as horas com tato sem tirar o relógio do bolso, pois naquela sociedade muito educada ao fazê-lo poderia parecer entediado ou impaciente. E, de fato, outro significado da palavra “tato” em francês é sinónimo de sensibilidade para com os outros (daí as palavras “tact” and “tactful” em inglês). O Tourbillon Em 26 de junho de 1801, o ministro do Interior francês concedeu a Breguet uma patente com 10 anos de duração para a sua invenção do turbilhão, um novo tipo de regulador. Patente do Tourbillon concedido em 1801pelo Ministro Francês do Interior É interessante ler a carta que Breguet escreveu ao ministro francês para apresentar sua invenção: "Ministro cidadão, tenho a honra de apresentar-lhe um memorando detalhando de uma nova invenção, aplicável aos instrumentos de medição do tempo, a que chamei de Régulateur a tourbillon, e solicito uma patente para a construção desses reguladores por um período de dez anos. Consegui, com esta invenção, eliminar por compensação os erros devidos a diferenças de posição nos centros de gravidade, e pelo movimento do regulador, em distribuir igualmente o atrito por todas as partes dos pivôs do referido regulador e nos orifícios em que giram, de modo que a lubrificação dos pontos de contato seja sempre igual mesmo com o engrossamento do óleo, e ao remover muitos outros erros que afetam, em maior ou menor grau, a precisão do movimento, de uma maneira que está totalmente além do conhecimento atual de nossa arte, mesmo com um período infinito de tentativa e erro. É após a devida consideração de todas essas vantagens, com a capacidade de aperfeiçoar os meios de fabricação e as despesas consideráveis que tive para chegar a tal ponto, que decidi solicitar uma patente para fixar a data da minha invenção e para me compensar pelas despesas que fiz. Respeitosamente, Assinado Breguet" Graças à sua profunda compreensão das leis da física, Breguet percebeu que a maneira como um relógio funcionava era afetada por mudanças na sua posição. As mudanças foram particularmente evidentes quando os relógios eram mantidos na posição vertical, o que acontecia muitas vezes considerando que os relógios de bolso eram guardados no bolso do colete a maior parte do tempo. Ele entendeu que a principal causa desse comportamento era a gravidade. Embora não fosse possível eliminar as forças gravitacionais, ele pensava que era possível compensá-las instalando o órgão regulador (o balanço suspenso) e o escape dentro de uma gaiola móvel realizando uma rotação completa em torno do seu próprio eixo uma vez por minuto. Plano patenteado do Tourbillon Com esta invenção, Breguet não só melhorou a precisão dos cronómetros de bolso, mas criou um dos dispositivos relojoeiros mais apreciados e fascinantes. Breguet No. 2567 um relógio de bolso turbilhão com mostrador prateado, algarismos romanos e ponteiros Breguet em aço azulado - 1812 A descendência e a internacionalização Em 1807, Breguet integrou o seu filho Antoine-Louis (nascido em 1776) na sua empresa e, a partir desse momento, a empresa ficou conhecida como Breguet et Fils. Os aspectos comerciais do negócio eram dirigidos por Suzanne l'Hillier, sua cunhada, pois a sua esposa tinha morrido em 1780. Imerso na relojoaria desde a mais tenra infância, Antoine-Louis de imediato demonstrou grandes habilidades. Aprendeu em Paris com o seu pai e em Londres, com o grande fabricante de cronómetros e amigo inglês, John Arnold. Nesses anos, Breguet continuou a desenvolver a sua clientela estrangeira com crescente sucesso. Particularmente bem sucedido na Rússia, abriu uma filial em São Petersburgo em 1808. Infelizmente, foi forçado a fechá-la três anos depois, quando o Czar Alexandre I proibiu a entrada de produtos franceses em solo russo, como resposta à política de Napoleão. Cartas de Breguet pai e filho para Lazare Moreau, o funcionário que administrava a filial de São Petersburgo O próprio Napoleão era um bom cliente e comprou vários relógios a Breguet, entre eles um "Pendule Sympathique". Algumas vezes visitou a fábrica Breguet incógnito. Caroline Bonaparte, irmã mais nova de Napoleão e esposa de Joachim Murat, rei de Nápoles, foi sem dúvida uma das melhores clientes de Breguet, adquirindo trinta e quatro relógios de 1808 a 1814. Caroline Murat, Rainha de Nápoles O primeiro relógio de pulso Foi em resposta a uma encomenda da Rainha de Nápoles que, em 1810, Breguet concebeu e fez o primeiro relógio de pulso conhecido, o relógio Breguet número 2639, um relógio de repetição, oval, excepcionalmente fino com complicações, montado numa pulseira de ouro. Não há esboços nos arquivos que indiquem o seu aspecto exterior. Felizmente para nós, o relógio aparece num registo de reparações daquilo a que hoje chamamos serviço pós-venda. A anotação, datada de 8 de março de 1849, indica que a Condessa Rasponi, "residindo em Paris na Rue d'Anjou 63", enviou o relógio número 2639 para reparação. A condessa era nada mais nada menos que Louise Murat, nascida em 1805, a quarta e última filha de Joachim e Caroline Murat, que em 1825 se casou com o conde Giulio Rasponi. Foi novamente trazido para reparação em 1855, que é o último vestígio que a Breguet tem dele. Hoje, não se sabe se o relógio Rainha de Nápoles ainda existe, pois nenhuma coleção pública ou privada o apresenta no seu inventário. O sucesso de Breguet tornou-o rico. Durante a sua vida, a sua empresa produziu cerca de 17.000 relógios. No entanto, ele sempre manteve um estilo de vida simples. Era conhecido pela sua bondade e bom humor. Reconhecimentos Entre os inúmeros reconhecimentos alcançados durante a sua vida, Abraham-Louis Breguet foi premiado por Luís XVIII com o título oficial de fabricante de cronómetros da Marinha Real Francesa. Este era provavelmente o título de maior prestígio que um relojoeiro poderia almejar, já que o próprio conceito de cronometria marinha implicava conhecimento científico. Também teve um papel crucial para o país, pois os cronómetros marítimos eram de capital importância para as frotas, permitindo o cálculo das posições dos navios no mar. Breguet tornou-se membro de pleno direito da Academia Francesa de Ciências em 1816 e recebeu o Cavaleiro da Legião de Honra das mãos de Luís XVIII em 1819. Um retrato de Abraham-Louis Breguet em 1816, quando se tornou membro da Academia Francesa de Ciências Abraham-Louis Breguet morreu repentinamente aos 77 anos de idade em 17 de setembro de 1823. O filho único do fundador, Antoine-Louis Breguet, assumiu a empresa com sucesso seguindo o caminho do seu pai e mantendo o padrão de qualidade superior que fez a marca famosa em todo o mundo. Após a morte de Abraham-Louis Breguet em 1823, o seu único filho Antoine-Louis Breguet (1776-1858) - um relojoeiro altamente talentoso - assumiu a empresa que continuou a crescer e a expandir-se. A marca Breguet manteve altos padrões de qualidade e continuou inovando. Entre as invenções deste período podemos citar o primeiro relógio com corda sem chave e o “sympathique clock”. A invenção da coroa sulcada O relógio nº 4952 criado para o Conde Charles de L'Espine em 1830 tinha um botão serrilhado que servia a um duplo propósito: acertar os ponteiros e realimentar o relógio. Com ele, nasceu a moderna coroa sulcada. No entanto, Antoine-Louis não conseguiu patentear este mecanismo revolucionário e dez anos depois uma grande empresa relojoeira de Genebra (Patek Philipps) apresentou um pedido de patente para uma invenção semelhante. O Breguet n. 4288, um relógio de repetição de meio quarto equipado com uma coroa - cerca de 1830 O "Sympathique clock" O relógio "Sympathique" foi construído em 1834 com base nos princípios desenvolvidos por Abraham-Louis Breguet em 1793. O seu engenhoso mecanismo patenteado permitia que um relógio de bolso fosse automaticamente ajustado e realimentado quando colocado num suporte posicionado na parte superior de um relógio de mesa adaptado para o efeito. Relógio Breguet ”Sympathique” com moldura em bronze dourado que abriga um movimento com escape cronómetro de força constante e exibe dia, mês, data, fases da lua e equação do tempo, além de apresentar um termômetro Celsius Breguet na literatura e na aristocracia Possuir um relógio Breguet era considerado um sinal seguro de riqueza e sucesso. Símbolo de status reconhecido, o nome Breguet apareceu repetidamente em várias obras-primas da literatura mundial. Abaixo, apresentamos apenas alguns exemplos. "Breguet faz um relógio que durante vinte anos nunca errará, enquanto a máquina lamentável em que vivemos funciona mal e produz dor pelo menos uma vez por semana." Stendhal (1783-1842) em Roma, Nápoles e Florença, 1817 "Um dândi dos boulevares (...), passeando à vontade até que seu Breguet, sempre vigilante, lhe lembre que é meio-dia." Alexander Pushkin (1799-1837) em Eugen Onegin, 1825-1833 "Ele tirou o relógio fino mais delicioso que Breguet já havia feito. Fantasia, são onze horas, acordei cedo." Honoré de Balzac (1799-1850) em Eugenie Grandet, 1833 “Uma fina corrente de ouro pendia do bolso do seu colete, onde se via um relógio plano. Ele brincou com a chave "catraca" que Breguet acabara de inventar." Honoré de Balzac (1799-1850) em La Rabouilleuse, 1842 "Relógio Danglars, uma obra-prima de Breguet que ele rebobinou com cuidado antes de partir no dia anterior" Alexandre Dumas (1802-1870) em O Conde de Monte Cristo, 1844 “Às vezes o coração prega partidas e decepciona-nos. Os vigilantes estão certos. Pois Deus (o poderoso Breguet) nos deu fé, e vendo que era bom, melhorou-o com um olhar atento." Victor Hugo (1802-1885) em Les Chansons des rues et des bois, 1865 Victoria, Rainha da Grã Bretanha e Irlanda, comprou um relógio Breguet em 17 de julho de 1838, um ano após sua ascensão ao trono, “um relógio muito pequeno e simples, sem repetidor, muito fino” registrado sob o número 5102. O célebre compositor italiano Gioachino Rossini - uma das figuras públicas mais respeitadas de seu tempo - possuía o relógio Breguet número 4604, um design simples e de tamanho modesto exibindo a data. Apresentava uma caixa dourada, um mostrador prateado descentralizado e um escape de âncora. Após a morte do compositor, em 1868, a sua viúva continuou a ter a peça mantida e conservada por Breguet. Não há fotos desses relógios, mas felizmente há informações detalhadas nos arquivos da Breguet. O Breguet número 4961 - um relógio de bolso de repetição de meio quarto extraplano com calendário perpétuo, fases da lua, equação de tempo e indicador de reserva de marcha - que foi vendido em 1831 para Lord Henry Seymour Conway e considerado um dos relógios mais complicados já feitos por Breguet numa caixa tão fina (apenas 7,7 mm de espessura). Este relógio histórico foi comprado por mais de um milhão de francos suíços num leilão em 2013 O passar de testemunho Em 1833, aos 57 anos, Antoine-Louis decidiu reformar-se e refugiar-se na sua propriedade em Le Buisson, perto de Paris, passando o negócio para o seu filho Louis-Clément, que se destacou nos estudos científicos. Louis-Clément François Breguet (1804-1883) tinha dezenove anos quando o seu famoso avô, Abraham-Louis, morreu. Depois de concluir os seus estudos na Perrelet, um relojoeiro especializado em Versalhes, foi para a Suíça trabalhar como relojoeiro e adquirir experiência nos métodos de produção suíços. Com ele, Breguet iniciou a produção paralela de relógios padronizados e individualizados. Louis-Clement entrou em sociedade com um dos seus parentes e a empresa foi renomeada Breguet, Neveu et Cie. Um complicado relógio de repetição de um quarto aberto com fases da lua assinado Breguet Neveu et Cie. Um pouco maior que uma moeda de Euro, este relógio de 37 mm foi vendido à princesa russa Catherina Bagration em 1829 e, segundo rumores, seria um presente para o seu marido, o coronel Caradoc. Este casamento rapidamente terminou e o relógio foi de novo adquirido pela Breguet em 1830. Em 1835, o relógio foi revendido ao Sr. Nathaniel de Rothschild, o famoso empresário, banqueiro e enólogo, que fundou o Chateau Mouton Rothschild. Louis-Clément otimizou os processos de fabrico - nesses anos, a empresa produzia cerca de 350 relógios por ano - mas também se diversificou em instrumentos científicos, dispositivos elétricos e instrumentos de telégrafo. Em particular, em 1842, desenvolveu um telégrafo de agulha elétrica para substituir o sistema de telégrafo óptico então em uso. Em reconhecimento ao seu trabalho no telégrafo elétrico, em 1845 Louis-Clément Breguet foi premiado com a Legião de Honra. Obteve os maiores prêmios em todas as exposições do mundo, foi nomeado membro do Bureau des Longitudes (1852) e eleito para a Académie des Sciences em 1874. Louis-Clément François Breguet O seu nome é um dos 72 cientistas, engenheiros e matemáticos franceses cujos nomes estão escritos ao redor da base da Torre Eiffel. O notável sucesso no campo da eletrónica, juntamente com sua grande paixão pela física e o fato de seu filho Antoine (1851-1882) compartilhar os mesmos interesses, levou Louis-Clément a decidir dedicar toda a sua atenção ao negócio de produção elétrica: aparelhos para telegrafia, sinalização ferroviária e fisiologia. Como consequência, em 8 de maio de 1870, o departamento de relógios foi vendido ao gerente da fábrica, o inglês Edward Brown, que entretanto se tinha tornado sócio da empresa. Antoine, bisneto de Abraham-Louis, foi o último da família Breguet a administrar o negócio. De fato, embora tenha deixado dois filhos e uma filha, não entraram no negócio. Morreu aos 31 anos de idade. A simples etiqueta “Breguet” acompanhou o negócio de relojoaria, enquanto o negócio de aparelhos elétricos usou a etiqueta “Breguet FT”, que significa “Breguet fabricant”. A família Brown Em 1881, a empresa relojoeira reorganizou-se sob o nome de Maison Breguet e, sob a liderança de Edward Brown, continuou visando a classe alta internacional como clientes para os seus produtos de elite, mantendo uma qualidade muito alta. Quando Edward Brown, aos 66 anos, morreu em 1895, a empresa foi assumida pelos seus filhos Edward e Henry. Com a reforma de Edward no início de 1900, Henry tornou-se o chefe da empresa. Nesses anos, Sir David Lionel Goldsmid-Stern-Salomons (1851-1925) - um autor científico multi-talentoso, advogado, baronete da Grã-Bretanha, sobrinho do primeiro Lord Mayor judeu de Londres - distinguiu-se como um dos mais experientes colecionadores de relógios Breguet. Seu livro "Breguet (1747-1823)" é ainda hoje uma das obras mais apreciadas sobre Breguet. Página de entrada do livro "Breguet" de Sir David Lionel Salomons Na sua morte em 1925, Salomons deixou cinquenta e sete dos seus relógios Breguet, incluindo o célebre nº 160 "Marie-Antoinette", à sua filha Vera Bryce (1888-1969). Outras peças foram deixadas à esposa. Após a Primeira Guerra Mundial, Vera mudou-se para Jerusalém tornando-se uma filantropa ativa. Após a morte de seu professor, Leo Aryeh Mayer, reitor da Universidade Hebraica de Jerusalém, Vera fundou o LA Mayer Institute for Islamic Art e doou os seus preciosos relógios ao museu para serem exibidos numa galeria dedicada. Mais de 106 desses preciosos relógios, incluindo o “Marie Antoinette”, foram roubados em 1983 e encontrados novamente após mais de 20 anos. Em 1927 George Brown, filho de Henry, sucedeu ao seu pai demonstrando boas competências na gestão da empresa. O Pilot Type 20 Expandiu a gama de relógios produzidos pela Maison para incluir instrumentos aeronáuticos como o lendário cronógrafo de pulso “Type 20” (ou “Type XX”) que a marca desenvolveu para atender às especificações técnicas que o Ministério da Guerra francês emitiu na década de 1950 para um relógio de piloto que teve que se tornar parte do equipamento padrão da Força Aérea e das Forças de Aviação Naval. Juntamente com precisão (dentro de +/- 8 segundos por dia) e confiabilidade, os requisitos do Tipo 20 incluíam recursos como um mostrador preto, uma função de cronógrafo flyback e pelo menos 35 horas de reserva de energia. Embora a Breguet não tenha sido o único fabricante selecionado para fornecer esse tipo de instrumento, certamente foi o principal produtor de relógios nesse estilo. Breguet Type 20 para a Força Aérea Francesa com dois registos e luneta giratória sem marcas além da pequena seta. 1955 E certamente podemos dizer que a ligação de Breguet com o mundo da aviação foi especial. Na verdade, Louis Charles Breguet (1880-1955), tetraneto do lendário fundador Abraham-Louis, foi um dos pioneiros da aviação. Em 1919, fundou a Compagnie des messageries aériennes, que evoluiu para a Air France. A alienação da empresa e George Daniels Depois de liderar a empresa durante várias décadas, em 1970, George Brown vendeu a marca para a Chaumet, uma joalharia parisiense com sede na Place Vendome, fundada em 1780 e liderada na época pelos irmãos Jacques e Pierre Chaumet. A família Brown liderou a empresa Breguet durante 100 anos (1870-1970), período superior ao da família Breguet (1775-1870). Cabe aqui referir que, em 1975, o relojoeiro britânico George Daniels publicou “The Art of Breguet”, livro que é considerado a história ilustrada definitiva do pai da relojoaria moderna e da sua obra. Na década de 1960, antes de criar sua própria marca, Daniels era considerado o maior especialista em Breguet e o seu amigo George Brown conferiu-lhe o título de “Agente de Breguet à Paris”. Livro de George Daniels De volta à história da marca. Sob a chancela da Chaumet, em 1976 as oficinas Breguet foram transferidas para o Vallée de Joux, na Suíça, uma área onde nasceu a relojoaria suíça e onde o recrutamento de relojoeiros altamente qualificados era muito mais fácil do que em Paris. A direção técnica foi atribuída ao mestre relojoeiro Daniel Roth, conhecido dos aficionados por criar sua própria marca de luxo em 1989. Não foram anos fáceis para os fabricantes de relógios mecânicos, pois enfrentavam a chamada crise do quartzo e Chaumet também, com pesadas perdas nos seus negócios de compra e venda de diamantes após a queda dos preços em todo o mundo. Como consequência, em 1987, a Chaumet foi comprada pela Investcorp SA, um dos principais bancos de investimento do Bahrein. Edições lendárias Foram produzidos relógios memoráveis nestes anos, incluindo um relógio de pulso Tourbillon em 1988 e a notável Equação do Tempo do Calendário Perpétuo em 1991. Calendário Perpétuo e Equação do Tempo - 1991 A Investcorp continuou a reestruturação e, em 1991, comprou a Valdar SA, uma empresa suíça envolvida no fabrico e fornecimento de componentes micromecânicos para a indústria de relógios, incorporando-a no recém-criado Groupe Horloger Breguet (GHB). A associação à Lemania Em 1992, compraram igualmente a fabricante de movimentos Nouvelle Lemania SA, conhecida pelos seus excepcionais movimentos cronógrafos que podem ser encontrados em relógios de muitas marcas, incluindo o icônico Speedmaster da Omega. Na época, a Nouvelle Lemania produzia todos os relógios da Breguet, bem como a produção de movimentos mecânicos de alta qualidade para outras marcas de relógios de alta relojoaria. A fábrica Nouvelle Lemania com sede em L'Orient no Vallée de Joux. Hoje este é o principal local de fabrico da Breguet O Groupe Horloger Breguet (GHB) voltou aos lucros em 1998, facturando 280 milhões de francos suíços e expandindo-se para o mercado do Sudeste Asiático. Sob o controlo da Investcorp, as vendas unitárias cresceram cerca de dez vezes. A aquisição da empresa pelo Grupo Swatch Em 14 de setembro de 1999, o Grupo Swatch anunciou a compra do Groupe Horloger Breguet à Investcorp SA, adicionando a Breguet a um grupo de quinze marcas na época, como Blancpain, Omega e Longines. Aproveitando a força industrial e comercial do Grupo Swatch, a marca dispunha de todos os recursos materiais e técnicos necessários para desenvolver modelos excecionais, de forma a corresponder às expectativas dos devotos da marca e dos mais exigentes conhecedores. A marca foi, em primeiro lugar, equipada com uma unidade fabril à altura das suas ambições. Recrutou os relojoeiros mais qualificados, assim como reforçou a formação e a transmissão de artes e ofícios raros às novas gerações. O presidente do Swatch Group, Nicolas G. Hayek, considerou a marca a sua joia da coroa, concordando plenamente com a opinião que Sir David Lionel Salomons havia expressado em 1921: “Para quem entende de mecanismos, um relógio Breguet é verdadeiramente uma pintura”. E foi natural para ele criar o Museu Breguet. Inaugurado em 13 de setembro de 2000, apresenta documentos e itens inestimáveis relacionados com a história da Maison. O Museu está agora localizado no primeiro andar da Breguet Boutique na Place Vendôme em Paris e é dirigido por Emmanuel Breguet, a sétima geração descendente direta de Abraham-Louis. O museu Breguet em Paris Arquivos Breguet exibidos no Museu Os arquivos da Breguet cobrem mais de dois séculos e incluem registos de produção, livros de reparação, certificados de autenticidade, cartas de clientes, anotações técnicas escritas por Abraham-Louis Breguet e seu filho e, claro, muitos relógios raros que a empresa continua a adquirir todos os anos. Um comerciante excepcional, Hayek preparou grandes comemorações para o 200º aniversário da data de patente do turbilhão, culminando em 2001 com uma grande festa em Versalhes. Como resultado dos intensos esforços de marketing da Breguet, as vendas de relógios Breguet turbilhão aumentaram de 150 em 1999 para mais de 1.000 em apenas cinco anos. O Grande Complication Tourbillon 1801-2001, emitido em 2001 para comemorar os 200 anos da patente do turbilhão Observando o renovado interesse do mercado por este feito relojoeiro, outros relojoeiros de alto nível seguiram o caminho da Breguet, adicionando relógios turbilhão às suas coleções com benefícios evidentes para toda a indústria relojoeira. Nicolas Hayek em 2008 mostrando orgulhosamente o Breguet No. 1160, a réplica do original No. 160 "Marie Antoinette", enquanto usava nos pulsos dois relógios Breguet (e um Omega) A marca estava finalmente na situação ideal para perpetuar o dinamismo inovador do fundador Abraham-Louis como demonstrado pelo número excepcional de patentes - mais de 120 desde 2002! - desenvolvido e registado pela empresa sob a liderança de Nicolas G. Hayek e, posteriormente, do seu neto Mark. A introdução do silicio Em 2006, a Breguet alcançou um grande avanço na tecnologia relojoeira com a introdução de várias peças do movimento mecânico em silício. O silício é impermeável à atração e influência magnética, bem como altamente resistente à corrosão e ao desgaste. Mais leve e mais duro que o aço, reduz a inércia, não requer lubrificação e oferece muito maior liberdade geométrica, ou seja, oportunidades para produzir formas novas e complexas. O uso de silício na roda de escape e âncora, e em alguns casos para a espiral do balanço, possibilitou o aumento da frequência do oscilador – chegando a 72.000 alternâncias por hora em alguns relógios – dotando-os de uma grande precisão. Âncora, roda de escape e espiral em silício O pivot magnético A introdução de componentes antimagnéticos abriu um mundo de novas possibilidades. De fato, em 2010, Breguet registrou uma patente para o pivô magnético, terminado com o tabu do magnetismo na relojoaria . Composto por dois contra-pivôs que incorporam um micro-íman especialmente poderoso em cada extremidade do balanço, esta inovação tecnológica serviu notavelmente para criar um sistema dinamicamente estável capaz de manter o balanço centrado e auto-ajustável. Em 2012, a Breguet proporcionou a primeira aparição desta surpreendente invenção ao apresentar o Classique Chronométrie, um relógio com resultados de classificação excepcionais graças à frequência de balanço de 10Hz. O Breguet Classique Chronométrie, vencedor do “Aiguille d'Or”, a mais alta distinção que homenageia o melhor relógio do ano no Grand Prix d'Horlogerie de Geneve 2014 O regulador magnético do trem de rodagens Um ano depois, os relojoeiros da Breguet demonstraram mais uma vez as suas virtualidades e competências de inovação com a invenção de um regulador magnético para as rodas de transmissão do movimento, outra estreia mundial na relojoaria. O inovador regulador equipado com ímãs e funcionando com o princípio de correntes parasitas (correntes de Foucault) que supera as desvantagens do sistema clássico baseado em atrito. A interação entre discos de prata e ímãs produz rotação constante. Ao evitar o contato entre os componentes giratórios e uma parede interna, a Breguet consegue eliminar tanto o ruído quanto o desgaste. Equipando o relógio Classique La Musicale, este engenhoso mecanismo elimina os problemas característicos de desgaste, ruído de fundo e a necessidade de maiores quantidades de energia, garantindo também uma maior precisão. O Classique La Musicale, aqui em ouro branco, replicando “The Thieving Magpie” de Rossini ou “La Badinerie” de J.-S. Bach Trens de rodagem independentes nos cronógrafos Em 2015, com o Tradition Chronographe Independant 7077, Breguet propôs uma solução técnica inteligente e inovadora ao equipar a corda manual com dois trens de rodagens independentes, um para as horas e minutos e outro para o cronógrafo. Um benefício evidente de ter os dois trens totalmente independentes é que o movimento permanece completamente inalterado quando o cronógrafo é iniciado. Isso garante melhores desempenhos cronométricos. Este relógio também introduziu um novo método para fornecer energia ao trem de rodagens do cronógrafo. De fato, Breguet patenteou um sistema que armazena a energia necessária para accionar o cronógrafo quando o utilizador pressiona o botão esquerdo para o reposicionar no zero. Tradition Chronographe Independent 7077 com trens de rodagens independentes Mais de dois séculos de invenções e avanços tecnológicos pontuam a história da Breguet, ao mesmo tempo que moldam o futuro numa busca constante pela melhoria contínua do desempenho, precisão, funcionalidade e design dos relógios. Uma atitude que certamente deixaria o fundador Abraham-Louis muito orgulhoso. Vistas da Manufatura Breguet em L'Orient na actualidade
- Complicação inútil nº 1: o ponto vermelho intermitente do Mondia Top Second
No mostrador do Mondia Top Second existe um ponto vermelho intermitente no lugar dos pequenos segundos cuja utilidade pode ser questionada. No entanto, apesar da sua aparente pouca utilidade, este ponto vermelho é mais importante do que à partida se poderia pensar… Continuar a ler na Espiral do Tempo - >
- Relógios da Colecção Permanente do Museu Calouste Gulbenkian
Rodeada pelo Jardim Gulbenkian, em Lisboa está uma das mais importantes coleções particulares do mundo, reunida em vida pelo Arménio Calouste Sarkis, com 6000 peças expostas num edifício construído propositadamente para a receber. Entre todo o acervo do Museu Calouste Gulbenkian (MCG) encontram-se 7 relógios e um Barómetro/Termómetro que vamos conhecer de seguida. Regulador Origem: Coleção Polovtsoff; Coleção Hodgskins. Adquirida por Calouste Gulbenkian na casa Duveen, Paris, abril de 1924. Dimensões: A. 245 cm; L. 63 cm; Prof. 26 cm © Foto 1 MCG, fotos 2 e 3 IPR "A caixa deste relógio, executada em estilo roccaille, constitui um exemplar notável, não só pelo belíssimo trabalho de marchetaria com motivos florais, como também pela sumptuosa decoração, em bronze cinzelado e dourado em que se destaca, no remate da peça, uma alegoria compósita, com figuras em vulto perfeito. A parte superior, ou «cabeça» apresenta o mostrador esmaltado, com três ponteiros, indicando horas, minutos e segundos, e encerra o mecanismo do relógio; logo abaixo, uma parte intermédia, permite o movimento da pêndula, observável através de um óculo; na parte inferior descem os pesos que fazem funcional o conjunto. A este tipo de relógios, de caixa alta e pêndula muito comprida, era dado o nome de regulador, pelo seu alto grau de precisão, que permitia que por eles fossem acertados outros relógios. No exemplar que aqui vemos, a forma, muito contornada, adapta-se perfeitamente às necessidades do mecanismo que encerra." © Museu Calouste Gulbenkian Relógio de parede Jacques Caffieri, Jacques Lemazurier Origem: Coleção Rodolphe Kann. Adquirida por Calouste Gulbenkian à Casa Duveen, Paris, 6 de maio de 1910. Dimensões: A. 115 cm; L. 63 cm © Foto 1 MCG, fotos 2 e 3 IPR "Um mostrador circular, em esmalte compartimentado ricamente decorado, e dois ponteiros igualmente tratados num trabalho minuciosamente rendilhado, são a parte visível da arte do mestre relojoeiro que concebeu e executou a máquina desta notável obra de arte. O enquadramento foi executado por Jacques Caffieri – filho e pai de escultores e bronzistas –, no qual revela todo o seu talento, que o faz rivalizar com Charles Cressent na arte do bronze aplicado à decoração de objetos artísticos. Tal como este último, o seu estilo reflete ainda, muitas vezes, uma forte componente do estilo Regência, bem visível nesta peça em que a vertente simétrica é dominante, embora o conjunto escultórico do remate traduza já as tendências rocaille que marcaram esta época, patentes em toda a peça, mas sobretudo nas duas figuras de crianças infantis que a encimam, tratadas em vulto perfeito, numa cena cheia de graciosidade e movimento. O relógio de parede, designado na época por cartel d’applique, caracteriza-se, na sua forma, pela reminiscência da peanha que, de início, suportava relógios de mesa quando aplicados em superfícies verticais, e se revela no prolongamento inferior da moldura em remate triangular." © Museu Calouste Gulbenkian Relógio astronómico - André-Charles Boulle, atrib. Origem: Cardeal Pietro Ottoboni. Adquirida por Calouste Gulbenkian a Duveen, Paris, janeiro de 1922. Dimensões: A. 100 cm; L. 21 cm © Foto 1 MCG, fotos restantes IPR "Relógio imponente, não só pelas suas dimensões mas pelo caráter monumental da sua decoração escultórica, uma das características da obra de Boulle. Pensa-se que terá sido uma encomenda do cardeal Pietro Ottoboni, cujas armas e insígnias cardinalícias são visíveis no conjunto escultórico superior, uma representação da Fama. Na base do relógio, composta por quatro pilastras, numa alegoria ao Tempo, podemos observar Cronos, reclinado junto dum pequeno cupido. Este conjunto escultórico está assente sobre um panejamento que apresenta uma cena gravada, em que este Papa, Alexandre VIII, condena as doutrinas jansenistas. A caixa deste relógio é de madeira, marchetada a ébano e latão sobre fundo de tartaruga, outra das «marcas» da produção Boulle. A qualidade e mestria do trabalho de André Charles Boulle levam-no a ser nomeado por Luís XIV mestre ebanista do rei, e a instalar-se, sob proteção real, nas galerias do Louvre, onde Jacques Thuret, mestre relojoeiro do rei, também trabalhava. É um relógio astronómico, assim designado por possuir um mecanismo de grande precisão, que além de indicar as horas, minutos e segundos, fornece outras informações como a data, as fases da Lua, a posição do Sol e também os signos do zodíaco." © Museu Calouste Gulbenkian Barómetro-Termómetro Claude-Siméon Passemant, Charles-Nicolas Dodin Origem: Castelo de Boughton Hall; Coleção Mortimer L. Schift. Adquirido por Calouste Gulbenkian por intermédio de Hans Stibel, Christie's, Londres, junho de 1938. Dimensões: A. 100 cm; L. 21 cm © Foto 1 MCG, fotos restantes IPR "Os instrumentos de medida e precisão foram peças muito procuradas no século XVIII, fruto dos avanços científicos da época, numa altura em que a confiança nas capacidades intelectuais do homem e o poder da razão adquiriram uma enorme importância. O rei e a corte não foram alheios a esta tendência, utilizando-os para decorar os seus salões e atribuindo-lhes, deste modo, também o estatuto de obra de arte. Este barómetro-termómetro é da autoria de Claude-Siméon Passemant, um dos maiores inventores e construtores de instrumentos científicos da época. Os dois instrumentos, barómetro e termómetro, estão encastrados numa caixa de bronze cinzelado e dourado, decorado com fitas, flores, frutos, grinaldas e enrolamentos. Desta decoração fazem ainda parte três placas de porcelana, assinadas por Charles-Nicolas Dodin, um importante pintor de figuras da Real Manufatura de Sèvres que executou diversas placas para a decoração de móveis e instrumentos científicos, para além de serviços e vasos. As três placas apresentam motivos relacionados com a função da peça. A placa superior, oval, tem uma reserva verde com cercaduras douradas e no centro um cupido, sobre uma nuvem, que segura um óculo. Na placa do meio, também com a mesma cercadura, podemos ver um menino num ambiente bucólico a segurar um compasso e uma esfera armilar. Na placa inferior, mais pequena e sem reserva, sobre uma nuvem encontra-se um livro e diversos instrumentos científicos. O livro está aberto numa página onde se lê Connaissance des Temps. Os mostradores esmaltados dos dois instrumentos contêm informações sobre o estado do tempo." © Museu Calouste Gulbenkian Outros relógios na colecção Relógio Cercle Tournant Relógio de Mesa Relógio Cercle Tournant Relógio de Mesa
- ALFAIATES DO TEMPO Porto e Lisboa - Setembro
O curso Alfaiates do Tempo vai ter duas novas turmas em Setembro, uma no Porto e outra em Lisboa. Os membros da lista de espera para estas duas formações vão começar a ser contactados na próxima semana, a partir de 1 de Agosto. Estas formações terão início em meados de Setembro e tal como as anteriores terão a duração de 12 meses. Os interessados em integrar as futuras turmas dos Alfaiates do Tempo podem inscrever-se na lista de espera através das seguintes ligações: As ligações acima têm informações acerca dos horários (previsão), do valor, formadores, duração, data de início, local e programa. Para o esclarecimento de qualquer dúvida entre em contacto connosco, por e-mail: info@institutoportuguesderelojoaria , telefone: 966312899 , ou pelo sistema de mensagens do site.
- Movado | Ermetophon | 1940 | Plaqué
Série: GRANDES MARCAS Por: Sílvio Pereira - Relógio de Bolso rectangular com caixa deslizante. Alarme. Datado de 1940 - Funções: Horas, minutos, segundos e alarme. - Número de Série: 635 - Manufactura: Movado - País - Suíça - Calibre: Formato Especial para realimentação através dos movimentos da caixa. S/ número - Protecção do movimento: Tampa traseira - Tipo de Escape: Âncora Suíça - Balanço: Glucydur, termo-compensado, com espiral plana - Reserva de Marcha: 36 horas - Frequência: 18000 A/h - Rubis: 19 - Material da caixa: Plaqué ouro - Mostrador: Aço dourado. - Segundos: Ponteiro central - Dimensões da caixa: Largura: Aberto 77,1mm | Fechado 49,3mm | Altura. 38mm - Espessura: 15,4mm - Peso: 90,51g - A mola real é accionada através de coroa à 1 hora, e também através dos movimentos de abrir e fechar da caixa. Possui dois tambores accionados por cada um dos dois dispositivos. - Ponteiros: Horas e minutos tipo sabre. Accionados pela coroa à 1 hora. Ponteiro do alarme accionado por coroa às 11 horas. - Numerais: Indexes grandes para as horas. Indexes pequenos para os minutos com intervalos de 2,5 segundos. - Vidro: Em óptimo estado. - Numeração da caixa: 635 Apreciação geral - Relógio de uma das marcas mais importantes da relojoaria mundial, excelente estado de conservação. Em perfeito estado de funcionamento. HISTÓRIA DA MOVADO O princípio de tudo Em 1905, os irmãos Ditesheim iniciaram a história da empresa de relógios “Movado”. Qual é o significado deste nome? Em esperanto, Movado quer dizer “sempre em movimento”, que é perfeitamente representativo do compromisso interminável do relojoeiro com a inovação relojoeira. Para entender completamente essa escolha, e essa marca como um todo, precisamos recuar alguns passos no tempo: mais precisamente, até 1881. Numa nota pessoal, antes de mergulharmos mais profundamente na génese desta grande marca, acho bastante triste que, dada sua rica história e qualidade dos seus medidores do tempo, os relógios da Movado não tenham recebido a atenção, crédito e valor que certamente merecem: especialmente quando, como iremos ver mais adiante, o quão inovador foi esta manufactura. Primeiros anos No ano de 1876 a família Ditesheim acabava de se mudar para La-Chaux-de-Fonds, não apenas para escapar da guerra franco-prussiana, mas também para perseguir seu sonho de criação de uma empresa relojoeira. Cidade de La Choux-de-Fonds na actualidade Cinco anos depois, em 1881, quando Achille Ditesheim completou os seus estudos de relojoaria, o sonho finalmente começou tornar-se realidade na forma de um modesto laboratório, que, ao longo de alguns anos, cresceu para se tornar numa fábrica, já com alguma dimensão, em 1897, altura em que já empregava 80 pessoas. Fábrica da Movado em 1900 Esta é definitivamente uma conquista extraordinária quando tomamos em consideração que naquela altura, relojoeiros como LeCoultre empregavam 100 pessoas, enquanto a Audemars Piguet tinha apenas 10 relojoeiros. Nos seus primeiros anos, as operações da empresa limitavam-se à montagem de movimentos (cujas peças eram fabricadas por terceiros) nos seus relógios de bolso. Durante esse período, a empresa operou sob o nome “ LA&l. Ditesheim, fabricantes ”, tendo como proprietários os três irmãos Léopold, Achille e Isidore. O primeiro registo do agora icônico termo “Movado”, remonta a 2 de maio de 1903. No entanto, seriam precisos mais dois anos até que a empresa oficialmente passasse a usar esse nome. Desenvolvimentos da Empresa Desde o início, a Movado provou ser uma empresa muito vanguardista, pois foi uma das primeiras empresas de relojoaria a investir em máquinas elétricas. Esta aposta, ousada e inovadora teve resultados muito interessantes: este equipamento, revolucionário na altura, aumentou a potencialidade da empresa e, por consequência, a produtividade. Folheto publicitário a relógios de bolso em 1907 Outro benefício que o seu investimento trouxe foi que permitiu à Movado fabricar os componentes anteriormente a cargo de terceiros. Com essas ferramentas, recursos e aumento da produtividade, começaram a produzir em massa (para a época) relógios femininos. Entre 1917 e 1948, a Movado cresceu de forma constante vindo a atingir mais de 300 funcionários na fábrica, tornando-se um verdadeiro “gigante” na indústria relojoeira Suíça, tanto em relação ao desempenho e produtividade, como também em termos de percepção do público. Os curvilíneos da Movado : o Polyplan e o Curviplan O início dos anos 1900 foi um período em que a Movado realmente prosperou no que à inovação relojoeira diz respeito. Uma forma de provar isso foi o grande número de novas patentes que foram registadas entre 1902 e 1912. Destas numerosas patentes, a mais importante foi a Patente Suíça N°60 360 de 7 de junho de 1912 : a Polyplan. A história conta que essa ideia revolucionária surgiu quando Isidore Ditesheim expressou o seu desejo de criar um relógio ultra-ergonómico, que realmente “se adaptasse” ao pulso. Visualização esquemática do Polyplan Movimento Polyplan Polyplan verso do movimento O nome Polyplan deriva da forma multi (poli) nível e design do movimento: organizado em três plataformas distintas. Esta brilhante ideia permitiu que o movimento (e posteriormente a caixa) adotasse uma forma curvilínea, muito mais pronunciada do que a de qualquer outro relógio. Vários modelos Polyplan Entre 1912 e 1917, foram fabricados cerca de 1500 exemplares deste modelo, tornando-se um dos modelos mais raros e procurados da família Movado entre os coleccionadores. Para colocar em perspectiva: em novembro de 2019, a casa de leilões Antiquorum vendeu um exemplar da Polyplan pelo preço de 10.625 CHF (9800€). Curviplan Curviplan movimento Não tão “extremo” em termos de curvatura, mas pertencendo por direito à família Movado era o Curviplan. Nas suas muitas variantes de metal e mostrador, o Curviplan foi produzido entre 1926 e 1940, e era alimentado pelo calibre de nicho 510, que adotava uma ponte superior curva. O Ermeto Lançado pela primeira vez em 1926, o Ermeto é talvez o modelo mais icónico da marca Movado: foi comercializado como sendo um relógio de viagem de confiança com todos os cânones de design de um relógio de bolso elegante e conservador. Folheto publicitário aos modelos "Ermeto" na decda de 1930 O seu nome vem da capacidade de tanto o mecanismo como o mostrador do relógio serem “hermeticamente selados” dentro de uma caixa de metal ajustável em que, em muitos modelos, essa caixa era revestida por uma luxuosa película de pele. Um ano após seu primeiro lançamento, em 1927, o Movado acrescentou um toque incrivelmente fascinante e inovador ao Ermeto: um mecanismo (patenteado pela Movado) pelo qual o movimento pode ser alimentado com a abertura e fecho da caixa “hermética”. Esta revolucionária característica fez do Ermeto uma espécie de “relógio pseudo-automático”. Ermeto Os Movimentos Cronográficos mais importantes do Movado No final da década de 1930, a Movado introduziu os cronógrafos no seu portfólio pela primeira vez, todos com movimentos totalmente fabricados na manufactura foram os M90 e M95 . Uma maneira fácil de os diferenciar é que o M90 possui 2 submostradores, enquanto o M95 ostenta 3. O M90 foi lançado pela primeira vez em 1938 e esteve em produção até 1965, enquanto o M95 foi fabricado apenas um ano após o M90 (1939) e foi montado nos relógios da Movado até o início dos anos 1970, altura em que a marca iniciou a sua colaboração com a Zenith passando a utilizar o "El Primero" (1969). Cronógrafo M90 Cronógrafo M95 O Calendograf, Celestograf e Calendomatic O que separava estes três modelos icónicos da Movado, era o tipo de movimentos que os compunham e, portanto, o tipo de complicação que apresentavam. O Calendograf , mais conhecido como “ calendário triplo Movado ”, foi introduzido em 1938, e permaneceu em produção até 1954. É movido pelo calibre 475 (derivado do Movado 470) e exibe as horas, minutos, segundos, dia da semana, data e mês. Calendograf Publicidade Calendograf Depois foi a vez do Celestograf, ou Astrograph para o mercado americano, pode ser descrito como “um Calendograf mais complicado”, na medida em que inclui todas as funcionalidades mencionadas anteriormente, e também um recurso extra: uma complicação da fase lunar. Este modelo foi produzido entre 1947 e 54 e, assim como o Calendograf, também é alimentado por um derivado do calibre 470: o 473 . Celestograf Publicidade Celestograf Produzido entre 1948 e 1954, o Calendomatic é a versão automática desta família “complicada”. Além do calibre automático 220, é praticamente idêntico ao Calendograf. Calendomatic A relação entre Movado e François Borgel Além da sua colaboração com a Zenith, a Movado teve um relacionamento extremamente importante com o lendário fabricante de caixas François Borgel, considerado um dos homens mais talentosos da sua área no século 20, e foi o rosto por trás de algumas das icónicas caixas à prova de água fabricados para a Patek Philippe , Mido e Ulysse Nardin. Como se pode observar, existe alguma semelhança entre estes 3 relógios: Patek Philippe “Tasti Tondi”, Mido Multicenter e um cronógrafo Movado. Patek Philippe Tasti Tondi Mido Multicenter Movado Tasti Tondi As caixas da Borgel têm um design distinto e inconfundível, mas para confirmar a sua origem, pode-se verificar a face interna do fundo da caixa onde podemos encontrar a gravura da assinatura de Borgel: as letras F e B colocadas sobre uma chave. Logo Francois Borgel Não há muita literatura que nos possa garantir as datas exatas de início e término do contrato Movado-Borgel, mas um colecionador experiente de Movado, afirmou que existem duas datas que se podem considerar como início e fim. A primeira é um Movado “ Acvatic ” (o primeiro relógio à prova d'água da marca), lançado em meados da década de 1930, e o “último” é um cronógrafo Movado com um calibre M95 produzido no final da década de 1960. Movado Acvatic Borel Publicidade ao Movado Acvatic Borel Colaborações assinadas pela Movado A elegância intemporal dos designs das caixas da marca e dos mostradores da Movado certamente não passaram despercebidas. Muitas marcas de alto nível e sofisticadas das indústrias de relojoaria, joalharia e moda faziam fila para potenciais colaborações, eis alguns exemplos : Hermés Tiffany & Co. Cartier Como se pode ver, muitos dos itens de assinatura da Movado, como os cronógrafos ou o Ermeto, foram vendidos com o marca no mostrador, como Tiffany's, Hermes ou mesmo Cartier: uma espécie de dupla assinatura à maneira da Movado. Espero que este artigo tenha ajudado a compreender um pouco melhor e contribuído para mudar a opinião generalizada sobre esta marca incrivelmente inovadora, mas profundamente subestimada!
- Cuervo y Sobrinos | 1950 | Prata
Série: GRANDES MARCAS Por: Sílvio Pereira - Tipo: Relógio de Bolso. - Data: 1950 - Funções: Horas e minutos. - Número de Série: Não tem - Manufactura: Cuervo y Sobrinos. - País - Suíça - Calibre: Formato pontes clássicas. - Protecção do movimento:Guarda pó - Tipo de Escape: Âncora Suíça - Balanço: Níquel, com espiral plana - Reserva de Marcha: 36 horas - Frequência: 21600 A/h - Rubis: 17 - Material da caixa: Prata - Mostrador: aço pintado. - Pequenos segundos: Não tem - Caixa Dimensões: 40,3mm - Espessura: 13,6mm - Peso: 47,00g - A mola real é accionada através de coroa às 12 horas. - Ponteiros: Horas e Minutos dourados estilo Luís XV - Numerais: Arábicos para as horas e marcadores para os minutos. - Vidro: Plexiglass - Numeração da caixa: Não tem HISTÓRIA DA CUERVO Y SOBRINOS Cuervo y Sobrinos é uma marca histórica de relógios suíços, é considerada como a única e genuína que possui um legado latino autêntico e comprovado. E costuma-se dizer que os relógios Cuervo y Sobrinos têm “alma latina e coração suíço”. Estas máquinas de medir o tempo são uma combinação de luxo, elegância, exotismo, criatividade e qualidade excepcionais. Por esse motivo, os Cuervo y Sobrinos são, além disso, considerados uma mais-valia para a indústria relojoeira suíça. Então, o que é que torna os relógios Cuervo y Sobrinos únicos? Possuem uma posição única na indústria relojoeira suíça com a sua identidade e tradição que o diferencia de outras marcas de relógios suíços. Obviamente, é o legado e a história, juntamente com rigorosos controles de qualidade, que ostenta a marca Cuervo y Sobrinos. Vamos agora analisar mais em pormenor a história desta marca e tudo o que a tornou tão especial. Um pouco de história A marca Cuervo y Sobrinos não existiria agora na indústria relojoeira se Marzio Villa, um empresário italiano, não tivesse descoberto a Boutique da marca abandonada numa das suas viagens a Havana em 1997. Marzio Villa de imediato relançou e reabriu a marca e a Loja Cuervo Sobrinos em Havana no ano de 2003. E, como resultado, tornou-se a primeira marca de relógios de luxo a ter uma loja em Havana ao lado do espetacular museu da marca. Ao restaurar a loja Cuervo y Sobrinos em Havana, Marzio Villa deu vida à história de uma marca de relógios que permaneceu intocada e trancada em cofres de aço durante muitos anos. Então, por que uma loja tão histórica e tão icónica no centro de Havana foi abandonada pelos seus fundadores? Aqui está a resposta. Antes da revolução cubana Ramon Fernandez Cuervo A Cuervo y Sobrinos foi originalmente criada no ano de 1882 por um imigrante do norte da Espanha, Ramon Fernandez Cuervo. Começou com uma joalharia na Calle de la Amistad, em Havana no ano de 1862. Foi depois disso, em 1882, que fundou a Cuervo y Sobrinos com os seus sobrinhos como sócios. A década de 1880 testemunhou o sucesso máximo da marca de relógios e jóias Cuervo Y Sobrinos, pois os viajantes que se deslocavam a Havana eram abastados. Turistas de todo o mundo visitavam Havana para aproveitar a sua vida em ritmo lento. E, como resultado, a procura pelos relógios da família Cuervo tornou-se mais intensa do que a de rum branco ou charutos cubanos. Além dos relógios desenhados internamente, a loja Cuervo Y Sobrinos também vendia relógios de outras marcas de prestígio, como Longines, Rolex e Vacheron, projetados exclusivamente para eles, com o nome da marca Cuervo Y Sobrinos afixado. A loja física da Cuervo Y Sobrinos encontrava-se inicialmente localizada na Calle del Teniente Rey 13, Mas à medida que o negócio crescia e prosperava, surgiu a necessidade de mais espaço. E, como resultado, a loja física de Cuervo Y Sobrinos foi transferida para Calle de la Muralla 37 em 1897. O fundador da Cuervo Y Sobrinos, Sr. Ramon Fernandez Cuervo, faleceu em 1907. Um de seus sobrinhos, Sr. Armando Fernandez y Rio, assumiu a responsabilidade de administrar a marca e continuou a trabalhar para o crescimento da empresa. A marca obviamente cresceu como uma empresa familiar com habilidades inatas para o negócio que passavam de geração em geração. Além disso, Cuervo Y Sobrinos teve muitas figuras inspiradoras como seus patronos. As personalidades famosas do século XX, incluindo Clark Gable, Ernest Hemingway, Winston Churchill e Albert Einstein, consideraram os relógios Cuervo Y Sobrinos uma escolha inteligente. A marca começou a crescer e a expandir a sua rede até que a revolução cubana tomou conta de Havana no ano de 1953. Duas novas lojas Cuervo Y Sobrinos foram abertas nos anos de 1917 e 1918 na Calle San Rafael y Aguila. Em 1920, a empresa expandiu as suas operações para a Europa com um escritório em Paris para comércio de joias e um espaço em Pforzeihm na Alemanha exclusivamente para a compra de pedras preciosas. A Cuervo Y Sobrinos achou por bem construir uma fábrica de relógios em La Chaux-de-Fonds, na Suíça, uma cidade famosa pela relojoaria. Com ampla expansão e crescimento, a Cuervo Y Sobrinos foi registada como uma empresa de capital aberto em 1932, o que ajudou a encontrar gerentes mais talentosos de fora da família Cuervo. E na década de 1940, Cuervo Y Sobrinos tornou-se uma das marcas mais populares do continente americano. Havana era uma cidade luxuosa e cheia de turistas de todo o mundo e, como resultado, os negócios da cidade explodiram na década de 1950. A boutique Cuervo Y Sobrinos acabou por se tornar uma grande atração em Havana. Muitas personalidades famosas, incluindo Neruda, Hemingway, Churchill e Gable, visitaram a loja Cuervo Y Sobrinos durante as suas estadias em Havana. Durante a revolução cubana As coisas pioraram abruptamente para a Cuervo Y Sobrinos quando a Revolução Cubana eclodiu em Havana em 1953. A marca foi nacionalizada em 1965, e um declínio acentuado foi testemunhado no crescimento da empresa. Depois disso, apenas relógios militares eram produzidos para o exército cubano. A família Cuervo teve que deixar as suas lojas trancadas e fugir do local com o que pudessem levar. Como resultado, a boutique Cuervo Y Sobrinos permaneceu fechada com todo o acervo em cofres de aço durante os 40 anos seguintes. A marca entrou num estado de adormecimento, e nenhum relógio foi produzido no período entre 1965 e 1997. O renascimento da Cuervo y Sobrinos A marca foi ressuscitada do seu estado de adormecimento por Marzio Villa e Luca Musumeci em 1997, e uma nova era começou para os relógios Cuervo Y Sobrinos. Em 2001, começou o desenvolvimento dos primeiros revendedores autorizados de relógios Cuervo Y Sobrinos em Itália. Com o tempo, a empresa expandiu-se para os EUA, Alemanha e Rússia. Os relógios Cuervo Y Sobrinos foram exibidos na Baselworld pela primeira vez em 2002. A série de relógios Cuervo Y Sobrinos, como o “Prominente”, “Torped” e “Esplendidos”, foi apresentada durante esta exposição. Além disso, a série “Robusto” foi apresentada durante a celebração do 125º aniversário da marca em 2007. Em 2009, a Cuervo Y Sobrinos foi a primeira marca de relógios de luxo a lançar a sua própria loja em Cuba. A marca comemorou seu 135º aniversário em 2017, lançando um relógio especial de edição limitada “Historiador". Uma equipa de investidores adquiriu a Cuervo Y Sobrinos em 2018 e Massimo Rossi tornou-se o CEO da empresa. Edição comemorativa dos 500 anos da cidade de Havana E em 2019, a marca comemorou os 500 anos da cidade de Havana com o lançamento da série de edição limitada “Historiador 1519”, cujo fabrico foi limitado a apenas 500 peças. O must dos relógios Cuervo Y Sobrinos Cada relógio Cuervo Y Sobrinos tem a sua história e o seu legado bem marcados. O detentor de um Cuervo não usa apenas um relógio, mas a sua história e evolução durante muitos anos. Além disso, cada relógio da Cuervo Y Sobrinos é fabricado e projetado individualmente. Portanto, cada um tem uma personalidade única. Os mostradores de fácil leitura, juntamente com funções adicionais, tornam-nos ideais para todo o tipo publico, mesmo os mais exigentes. A empresa também dá muita atenção aos detalhes, principalmente os minuciosos trabalhos de construção das caixas e mostradores, assim como as pulseiras exclusivas que lhes conferem individualidade. Afinal, os relógios Cuervo Y Sobrinos não são apenas bonitos para os olhos. Os relógios Cuervo Y Sobrinos são feitos para durar. A marca garante a longevidade dos seus relógios, fornecendo uma garantia total de dez anos a partir da data de compra. A empresa garante que os seus relógios nunca serão uma dor de cabeça para o seu detentor, fornecendo relógios que permitem apreciá-los e usá-los durante muitos e muitos anos. Agora, o mais difícil é a escolha de um relógio Cuervo Y Sobrinos. A alma latina destas peças garante que se devem aproveitar estes relógios ao máximo. A única coisa que é preciso fazer é escolher o modelo que mais o surpreenda. Marcos históricos 1862 Ramón Fernández Cuervo, imigrante do norte da Espanha (Astúrias), estabeleceu a sua primeira joalharia na Calle de la Amistad, em Havana. Este negócio foi o precursor da marca Cuervo y Sobrinos. 1882 Fundação da Cuervo y Sobrinos Dom Baldomero, Dom Teodomiro, Dom José Maria, Dom Armando, Dom Plácido e Dom Lisardo, os chamados 'novos', juntaram-se a Ramón Fernández Cuervo no novo negócio. Neste momento, a loja da empresa estava localizada na Calle del Teniente Rey 13. 1897 A loja prosperava e o negócio em crescimento exigia mais espaço, o negócio mudou para Calle de la Muralla 37. 1907 Faleceu o Sr. Ramón Fernández y Cuervo. Seu sobrinho, D. Armando Fernández y Río, assumiu a direção da empresa. 1917 Cuervo y Sobrinos abriu uma nova loja na Calle San Rafael y Aguila. 1920 Tendo decidido expandir as suas operações, a Cuervo y Sobrinos abriu duas instalações na Europa, um espaço em Pforzheim, Alemanha, para compra de pedras preciosas exclusivas e um escritório em Paris, França, para comércio de joias. 1932 À medida que o negócio continuou a crescer, o estatuto jurídico da empresa mudou de uma sociedade de responsabilidade limitada para uma sociedade anónima. Essa mudança ajudou a perpetuar o crescimento e atrair novos talentos de fora da família Cuervo. 1940 Durante a década de 1940, a reputação da empresa espalhou-se e a marca tornou-se uma das mais conhecidas no continente americano. 1950 Os loucos anos 50. Havana era a cidade mais luxuosa do Caribe e um dos lugares mais modernos e enérgicos do continente americano. A Boutique tornou-se um destino imperdível para alguns dos visitantes mais ilustres de Havana. Caruso, Churchill, Einstein, Gable, Hemingway e Neruda foram apenas alguns dos ilustres visitantes da boutique Cuervo y Sobrinos. 1965 - 1996 A boutique Cuervo y Sobrinos foi nacionalizada pelo governo. Isso fez com que a empresa sofresse um período de declínio. Continuou a produzir relógios militares para o exército cubano que foram utilizados durante a intervenção do país em Angola. Pouco tempo depois, a empresa ficou inativa e não fabricou relógios durante esse período. No entanto, os antigos modelos da marca ainda atraíam muito interesse entre os colecionadores. 1997 Luca Musumeci e Marzio Villa reviveram o nome Cuervo y Sobrinos e o alvorecer de uma nova era começou. 2001 Inicialmente, a Cuervo y Sobrinos abriu revendedores autorizados em Itália e em Espanha. A partir daí, a empresa expandiu-se para a Alemanha, Rússia e EUA. 2002 Cuervo y Sobrinos expôs na Baselworld pela primeira vez. A marca apresentou as coleções “Esplendidos”, “Prominente” e “Torpedo”. 2003 A empresa criou o 'Prêmio Latino', reconhecendo as realizações das principais figuras latinas. O prémio inaugural foi atribuído ao cineasta espanhol Pedro Almodóvar. 2005 A marca de luxo apresentou seu primeiro calibre de cronógrafo interno, o CYS 2450. 2008 A marca estabeleceu sua sede e atelier na margem do lago Capolago, no cantão de Ticino. 2009 Cuervo y Sobrinos abriu o seu museu e boutique em Havana no centro histórico. 2012 Cuervo y Sobrinos completou 130 anos com o lançamento de uma edição limitada do “Historiador”. 2017 Ansiosa para comemorar seu 135º aniversário, a marca apresentou uma edição especial e limitada “Prominente”. 2018 A empresa foi adquirida por uma equipa de investidores da indústria relojoeira. Massimo Rossi tornou-se o CEO. 2019 O “Historiador 1519” foi apresentado. Este relógio de edição limitada, restrito a 500 peças, foi projetado em 2008 para marcar o 500º aniversário de Havana. 2022 Cuervo y Sobrinos completa 140 anos.
- RESTAURO OU VIAGEM PARA O PASSADO?
Há sempre dúvidas acerca do restauro de um relógio, há sempre opiniões e discussões acerca do assunto. Este trabalho do Mestre Girão, porém, não suscita grandes discussões. É um pequeno milagre! Aqui fica o seu artigo acerca de um dos restauros mais incríveis que já conhecemos. Em 1960 a Enicar introduziu um modelo revolucionário, o Sherp Graph equipado com o calibre Valjoux 72. A sua promoção foi feita pelo piloto Stirling Moss, afirmando no anuncio abaixo: “O ENICAR Sherpa é definitivamente o relógio que eu sempre quis. ” O modelo Sherpa Graph descrito no anuncio acima é precisamente o Mark I, … Continuar a ler no site da Relojoaria Girão - >
- Omega | Esqueleto | 1950 | Prata
Série: GRANDES MARCAS Por: Sílvio Pereira - Relógio de Bolso tipo Lepine. Esqueletizado. Datado de 1950 - Funções: Horas e minutos - Número de Série: 12115070 - Manufactura: Omega - País - Suiça - Calibre: Formato pontes clássicas esqueletizadas. S/ número - Protecção do movimento: Guarda pó em Prata - Tipo de Escape: Âncora Suiça - Balanço: Bimetálico termo-compensado, com espiral Breguet - Reserva de Marcha: 36 horas - Frequência: 18000 A/h - Rubis: 15 - Material da caixa: Prata 0,800 - Mostrador: Aço esquelitizado - Pequenos segundos: Não tem - Diâmetro da caixa: 48,4mm - Espessura: 13,4mm - Peso: 61,12g - A mola real é accionada através de coroa às 12 horas. - Ponteiros: Tipo Breguet. Accionados pela coroa - Numerais: Arábicos para as horas. Indexes para os minutos. - Vidro: Em óptimo estado. - Numeração da tampa de caixa: 9204117 Apreciação geral - Relógio de uma das marcas mais importantes da relojoaria mundial, imaculado estado de conservação. Em perfeito estado de funcionamento. Nota: Após intensa pesquisa, não foram encontrados indicios de que a Omega tenha fabricado relógios esquelitizados, pelo menos nesta época, o que leva a crer que este trabalho de esquelitização tenha sido feito posteriormente por artesão qualificado. Outros exemplares da colecção Omega |1923| Ouro Omega |1945| Prata Omega |1912| Prata HISTÓRIA DA OMEGA O início de tudo Louis Brandt Louis Brandt, aos 23 anos, decidiu abrir o seu próprio «Comptoir d'etablissage» em La Chaux-de-Fonds, na Suíça, em 1848. Planta de La Chaux-de-Fonds em 1848 Rua de La Promenade, La Chaux-de-Fonds em 1848 «Comptoir d'etablissage» significa uma fábrica na qual as matérias-primas e os componentes do relógio são montados por um "etablisseur" num relógio. No início, viajou pessoalmente pela Europa para abastecer os clientes. Louis-Paul Brandt em 1880 Cesar Brandt em 1880 Mais tarde esta tarefa foi assumida pelos seus filhos Louis e César e o nome da empresa foi alterado para Louis Brandt & Fils. Rua de Boujean, Nº 119 em Bienne, primeira sede da Louis Brandt & Fils Primeiro contrato de arrendamento do edifício da Rua de Boujean, Nº 119 em Bienne Cidade de Bienne na actualidade também conhecida por Biel Os filhos mudaram-se para Bienne em 1880 com a empresa, primeiro para o Nº 119 da Rua de Boujean e depois para o Nº 96 da rua Jacob-Stampfli, morada que se mantém até hoje. 1885 - Produção em série do primeiro calibre Esta mudança deveu-se ao facto de em Bienne as ligações às vias de tráfego serem melhores e podiam utilizar gratuitamente a energia hidroeléctrica da cidade. Essa particuaridade era indispensável para a produção mecânica. Acabados de se instalar, decidiram produzir os próprios relógios com os seus próprios movimentos mecânicos. Este plano manteve-se e, em 1889, era já o maior fabricante Suíço de relógios. Fábrica actual da Omega em Bienne A criação do nome "Omega" Cronómetro Vintage Omega Ref. 2367-4 de 1945. Símbolo da perfeição Há quase cinco décadas que a empresa fabricava relógios com o nome Brandt, que se manteve até 1894, altura em que passou a chamar-se Omega. O novo nome - omega Ω, a última letra do alfabeto grego, é considerada uma metáfora para "perfeição". A precisão das fábricas Omega convenceu a Força Aérea Britânica e de seguida também o exército americano, de modo que a partir de 1917 os Omega tornaram-se os relógios oficiais da Primeira Guerra Mundial. A Omega, com os seus cronómetros mecânicos, foi 93 vezes condecorada nas competições de precisão dos observatórios suíços de Neuenburg e Genebra. No concurso Chronometer em Kew Teddington (Inglaterra), a Omega conseguiu atingir 97,8 dos 100 pontos possíveis no ranking geral de 1936. Um resultado que ainda não foi superado até hoje. O resultado desses sucessos é a série Omega Constellation, que foi classificada como número um nos testes de cronometria durante vários anos. Relógios Omega: de pulso, desportivos, militares, piloto, marítimos, femininos, de mergulho Omega Cronómetro Militar Vintage Ref. 2254 de 1935 Omega Vintage Railmaster Cal.284 Ref. CK2914 de 1957 Omega Vintage Ranchero Ref. 2990-1 de 1950 Após a morte dos diretores administrativos, a fábrica foi renomeada SA Louis Brandt & Frère, Omega Watch Co., e liderada pelos descendentes diretos. A tradicional empresa consegue trazer ao mercado relógios de pulso, desportivos, militares, de piloto, da marinha, de automóvel, femininos e complicações. Em 1930, a Tissot e a Omega juntaram-se à SSIH (Société Suisse pour l'Industrie Horlogère), a primeira associação de relojoeiros suíços. Mais tarde, transformar-se-ia no Grupo Swatch, onde se manté até hoje. Omega Marine de 1932 Em 1932, o relógio Omega Marine chegou ao mercado. Foi o primeiro relógio de mergulho suíço. O facto interessante, foi que as peças foram encaixadas umas nas outras. A Omega colocou a coroa na posição de 12 horas, de modo que ambas as partes da caixa pudessem ser pressionadas firmemente juntas para realimentar o relógio. Omega - Cronometrista Oficial dos Jogos Olímpicos Omega Olympia Broad Arrow Ref. 32130445201001 As primeiras Olimpíadas que a Omega cronometrou foi em 1932 em Los Angeles. Naquela época, era o único relojoeiro com capacidade para disponibilizar 30 cronógrafos fraccionados em 1/10 por segundo, que poderiam garantir a cronometragem desses jogos. Nesta primeira aparição como cronometrista oficial dos Jogos Olímpicos, a Omega foi capaz de medir os resultados até ao décimo de segundo. Desde então, a Omega foi 25 vezes a Cronometrista Oficial dos Jogos Olímpicos. O cronometrista oficial não deve ser equiparado a um patrocinador, uma vez que é uma actividade muito cobiçada por várias marcas ao qual têm que se candidatar. Também em 2016, a Omega participou dos Jogos Olímpicos do Rio. O equipamento que a Omega tinha para a medição exata do tempo na bagagem pesava cerca de 450 toneladas. Omega Constellation e Cósmic Omega Vintage Constellation Chronometer Ref. 168005 Omega Constellation Electroquartz Ref. 8345 de 1972 Omega Cosmic Fase da Lua. Ref. 2486 de 1951 Em 1951, a Omega apresentou o relógio de pulso masculino Cosmic. O calibre automático Omega 2601 atinge impressionantes 72 horas de reserva de marcha graças aos seus tambores gêmeos. A produção foi limitada a 1951 exemplares numerados individualmente. Um ano depois, o modelo Constellation é apresentado ao mercado como cronómetro automático e desde então desempenha um papel importante no programa da marca. O Constellation foi o modelo mais importante da Omega e é muito popular entre os colecionadores de relógios vintage. Omega Speedmaster Professional "Primeiro relógio usado na Lua" Omega Speedmaster Pré-Moon. Ref. 2915 Omega Speedmaster Pre-Moon "Lollipop" Ref. 2998-1 de 1960 Omega Speedmaster Professional Pre-Moon Tropic Dial Ref. 105.012 de 1964 O astronauta Buzz Aldrin usava um cronógrafo robusto no pulso quando pousou na lua de 1969, na época, chamado simplesmente de Speedmaster Professional. O Omega Speedmaster teve que suportar extensos procedimentos de teste (teste de impacto, aceleração, vibração e flutuações de temperatura entre -18 e +93 graus Celsius, aceleração de 16 vezes (g), pressão de 200 m de profundidade da água, antimagnetismo, sobrepressão, ruído) da NASA. O Omega Speedmaster Professional conseguiu passar à frente de centenas de outros modelos durante o teste da NASA e tornou-se o relógio oficial para todos os astronautas. Os concorrentes vieram de manufacturas famosas como Rolex e Longines. A Omega enviou o modelo Speedmaster (ST105.003 de 1964), a Rolex enviou o chamado modelo pré-Daytona, o cronógrafo Cosmograph (Ref. 6238) com o movimento Valjoux 72. Entretanto, existem inúmeras versões do cronógrafo. Os relógios Omega estiveram presentes em 118 missões espaciais e 6 aterragens na lua. Acompanharam um total de 9 voos espaciais. Inovações Omega Até 2007 a Omega utilizava calibres ETA nos seus produtos. A partir dessa data, usam unicamente calibres próprios cuja utilização está em constante crescimento. O escape Co-axial Escape Co-axial Em 1999, a empresa começou a desenvolver o escape co-axial. O escape co-axial foi criado pelo relojoeiro inglês George Daniels. Os calibres com este tipo de escape estão agora disponíveis exclusivamente em vários modelos Omega. No mostrador é inserida a informação de que o relógio possuiu um sistema de escape co-axial. O escape co-axial é considerado particularmente resistente à vibração e baixo atrito e também poderá funcionar com baixa lubrificação durante um longo período de tempo. O Omega De Ville Central Tourbillon Omega De Ville Central Turbilhão Ref. 51333000 de 1999 A coleção classicamente elegante De Ville para homens e senhoras contém a mais recente tecnologia de calibre com componentes antimagnéticos. O Omega De Ville Central Tourbillon incorpora a perfeição da alta relojoaria. O único relógio do mundo com turbilhão central foi feito à mão por um círculo seleccionado de relojoeiros na "Cellule Haut de Gamme“ da Omega em Bienne. A característica especial é que a gaiola do turbilhão gira em torno de seu próprio eixo uma vez por minuto, equilibrando os efeitos da gravidade na precisão do relógio. A Omega é o único fabricante do mundo a produzir relógios com turbilhão central. Os turbilhões são fabricados pela Omega desde 1947, o modelo `Central Tourbillon`, no entanto, é o testemunho do know-how e engenharia de alta qualidade da indústria relojoeira. Como os relógios com turbilhão ainda são obras-primas mecânicas da arte da relojoaria e ainda são feitos à mão, mesmo um relojoeiro altamente qualificado pode fabricar apenas algumas dessas cópias por ano. O inovador cronómetro de escape coaxial De Ville Central Tourbillon é tão preciso que recebeu o certificado oficial COSC (Contrôle Officiel Suisse des Chronomètres). Omega Seamaster Professional 300M Omega Vintage Seamaster 300 Ref. ST165024 Omega Seamaster Casino Royale "James Bond 007" Ref. 22268000 Omega Seamaster 300 "Spectre 007" Ref. 23332412101001 No filme "GoldenEye", James Bond usava um Omega Seamaster Quartz Professional 300M no pulso. Tornou a marca Omega novamente interessante para um público-alvo mais jovem. Daniel Craig usou o mesmo modelo 20 anos depois. Relógios femininos Omega Ladymatic Diamond Setting Ref. 4553834 de 2015 Além de Cindy Crawford e Michael Schumacher, a estrela de Hollywood Nicole Kidman é a embaixadora da marca de relógios de luxo Omega. Em 2009, Nicole apresentou a linha de relógios femininos Ladymatic em Pequim, que foi lançada pela primeira vez em 1955. É uma série de relógios para senhora especialmente desenvolvida com movimento automático e escape coaxial, uma característica apenas apresentada nos relógios Omega. Graças a um marketing inteligente e tecnologias exclusivas, a Omega conseguiu alcançar os cinco primeiros lugares no segmento de relógios de luxo suíços nos últimos anos. Seamaster PloProf Omega Vintage PloProf "Jacques Costeau" Ref. 1660077 Para os desportos aquáticos a Omega criou a sua própria linha de relógios de mergulho - Seamaster. O famoso explorador marinho Jacques Costeau contribuiu para o desenvolvimento do Seamaster Plongeur Professional, mais conhecido como "PloProf" (de "Plongeur professionel"). Em 1971, o relógio chegou ao mercado. A resistência à água era de 600 metros. Outros Modelos icónicos da marca Omega Flightmaster Ref. 145036 de 1972 Omega Cronógrafo "Bull Head" Ref. 146011 de 1969 Omega Speedmaster "Dark Side of the Moon" Ref. 31192445101003
- As oficinas relojoeiras de Babel
Se infinitos macacos se sentassem em frente a infinitas máquinas de escrever, após algum tempo, em algum lugar, acabariam, provavelmente, por criar verdadeiras obras-primas. Este é o Teorema do Macaco Infinito. Se existisse uma biblioteca com todas as combinações possíveis de 22 caracteres, uma vírgula, um espaço e um ponto final, estariam nela todos os livros escritos no passado, presente e futuro. Esta seria a biblioteca total. Se fossem criadas oficinas de relojoaria infinitas, seriam lá construídos, provavelmente, todos os relógios criados no passado, presente e futuro. Estas seriam as oficinas relojoeiras de Babel. Vamos supor que cada uma destas oficinas é hexagonal, seis por cada andar, unidas em redor de um sétimo hexágono central. O conjunto dos sete hexágonos representa apenas um andar de uma torre infinita ascendente e descente. Pelo centro da torre, passa um tubo vertical cuja função é dispensar fornituras. Em redor deste tubo, há uma escada em caracol cujas paredes têm expostos os relógios mais reveladores, os mais misteriosos e os mais inúteis. Através do hexágono central, é possível aceder a cada uma das seis oficinas, tal como às escadas. Ao visitar as oficinas, é possível ver três paredes de vidro e três de madeira. Encostadas às três paredes de vidro estão três bancadas de relojoeiro: uma para o mestre; outra, para o aprendiz. A terceira bancada dá suporte às máquinas e ferramentas construídas ao longo das várias gerações de relojoeiros daquele hexágono. As paredes de vidro fornecem toda a luz necessária; porém, ninguém conhece a origem desta luz. Esta é a estrutura das oficinas relojoeiras de Babel. Os relógios aqui construídos são também eles infinitos, e têm capacidade para prever e alterar o tempo, ou simplesmente passar por ele sem lhe atribuir grande importância. Estão identificados, até agora, três tipos: os reveladores, os misteriosos e os inúteis. Continuar a ler na Espiral do Tempo ->
- JULIENA FILA A PARIS II
Recentemente publicámos um artigo acerca de um impressionante relógio de bolso, com dias da semana em português, adquirido por Sílvio Pereira na Áustria. Após a publicação no nosso site, Cláudia Paiva iniciou uma pesquisa sobre a origem da senhora que cuja miniatura aparece na caixa do relógio, "Juliena". Passado uns dias apresentou-nos o resultado - segundo a sua investigação, a senhora "Juliena Fila" será na verdade: "Juliana Maria Luísa Carolina Sofia de Oyenhausen e Almeida, a terceira filha da quarta Marquesa de Alorna. "As suas qualidades de mulher ilustrada e cosmopolita, foram conhecidas e apreciadas por grandes figuras da Europa de então com quem teve a oportunidade de privar: a rainha Vitória de Inglaterra, o imperador da Alemanha, e os Czares Nicolau I e Alexandre II da Rússia." Estas são as palavras de José Norton, no seu livro "Juliana Condessa Stroganoff". A GRANDE INVESTIGAÇÃO DE CLÁUDIA PAIVA Apresentamos aqui a investigação de Cláudia Paiva que termina com uma hipótese acerca do possível primeiro dono do relógio “Juliena”. "Juliana Luísa Maria de Almeida e Oyenhausen nasceu a 20 de Agosto de 1782 em Viena e era a terceira filha do conde Karl Peter Maria Joseph August von Oyenhausen-Gravenburg e de Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre – Quarta Marquesa de Alorna. O seu pai foi embaixador português na corte da imperatriz Maria Teresa da Austrália, e a sua mãe poetisa e famosamente conhecida no seu tempo e no mundo literário por "Alcipe". A história da vida de Juliana é surpreendente — marcada pela tristeza de um casamento infeliz e pela difamação e solidão do exílio a que foi forçada, mas também pelo brilhantismo com que representou Portugal nos diferentes países por onde passou. A vida pública de Juliana começou em 1805 enquanto embaixatriz de Portugal na corte dos Reis Católicos de Espanha, quando acompanhava o marido, conde de Ega, com quem tinha casado em 1800 por imposição da sua mãe. Foi na corte espanhola que conheceu o barão Stroganoff, cujo trato delicado e galanteria se tornaram, para ela, inesquecíveis. Regressados a uma Lisboa ocupada pelas tropas de Napoleão, o conde de Ega foi nomeado Ministro da Justiça pelo General Jean-Andoche Junot. Tornou-se, aí, público que a formosura da condessa da Ega tinha captivado o General. Quando um jornal Inglês insinuou a existência de uma ligação amorosa entre os dois, Juliana ficou publicamente conhecida como amante do primeiro ajudante de Napoleão, uma situação que motivou a irmã Frederica a escrever à mãe, exilada em Inglaterra, afirmando que “… tudo o que se tem dito de Juliana não passam de mentiras absurdas”. Quando os franceses saíram de Portugal em 1808, Juliana viu-se forçada ao exilio em França, juntamente com toda a família do conde da Ega. Em Paris era grande o desencanto de Juliana e sombrias as suas perspectivas. Nessa cidade foi acolhida, na dupla condição de exilada e de pessoa amável, por Laura Junot. Laura apresentou-lhe a pessoas amigas e aos russos que viviam em Paris e pôs à sua disposição os seus cavalos e sua casa, vindo posteriormente a afirmar nas suas memórias: “Quis provar que a maledicência e o falatório do mundo não tinham para mim qualquer valor” No dia 28 de Março de 1809, o barão Stroganoff chegou a Paris e os dois reencontraram-se no Salon des étrangeres, onde tiveram oportunidade de falar sobre a sua estadia na corte Espanhola e sobre as suas viagens. Juliana adoeceu depois deste reencontro e, com o pretexto da sua cura, a condessa e o barão Stroganoff foram, a 24 de Junho de 1809, para as termas de Aix-la-chapelle, de onde só regressaram no final de Agosto. Quando o barão partiu, de seguida, para São Petersburgo, deixou Juliana envolta em melancolia e a sentir-se como uma estranha na sua própria casa. A partir desse momento, Juliana começou uma luta corajosa para se libertar de constrangimentos sociais e familiares, vencer a adversidade e conquistar a sua independência e felicidade, sempre apoiada por aquele que, quase 20 anos depois (em 1827), se tornou o seu segundo marido Grigory Alexandrovich Stroganoff, passando a ficar conhecida como Julia Stroganova. O RELÓGIO O relógio de bolso “Juliene” encontra-se envolvido numa “aura” de mistério, da qual só se poderá levantar um pouco o véu se recuarmos à época em que a relojoaria Francesa atingiu o seu incontestável prestígio — em que os seus relógios de bolso se tornaram símbolo de luxo requintado e à prova de modas efémeras — e na certeza de que quem o encomendou terá sido uma pessoa cosmopolita, culta, de grande sentido patriótico e profundamente apaixonada. O retrato e as inscrições no seu mostrador conferem a este relógio de bolso, além do poder de contar um pouco da história do Tempo, a capacidade de desvendar pormenores da história de vida de quem o encomendou, numa época em que nos relógios franceses predominavam os temas idealizados sobre o amor. Diversos são os detalhes que nos induzem a crer que o relógio tenha sido uma encomenda da própria Juliana Oberhausen, a começar pelas inscrições “Juliena” e “A Paris”, e pelo calendário em português. Os dias da semana em português podem ser indicativos do orgulho que tinha na sua Pátria, da qual foi embaixadora e onde tentava ver reabilitado o seu “bom nome”, injustamente enxovalhado, injuriado e caluniado. Este orgulho pela Pátria esteve sempre presente na sua identidade cosmopolita e nas interacções que partilhou com grandes figuras da Europa de então. Certo é que nos relógios de finais do séc. XVIII início do séc. XIX, à figura retratada era atribuído o poder de um registo passado ou a lembrança da brevidade da vida. Para Juliana, o “retrato” assumia uma importância próxima de uma presença física, tendo expressado esta importância na carta que escreveu à sua irmã Francisca a partir do navio inglês “Chilton”, onde se encontrava já embarcada e antes de partir para o seu incerto destino: “Adeus, minha irmã da minha alma, muita falta me faz o seu retrato, recebi o das manas, agradeça-o outra vez à tia.” A HIPÓTESE O relógio terá sido ofertado a Grigory Alexandrovich Stroganoff, por quem nutria um grande amor. Este amor confessou-o numa extensa carta dirigida à sua mãe em 1814, consciente de que a sua vida já não teria futuro sem ele: “… já não está nas minhas forças renegar a vocação que circunstâncias imperiosas, e o meu coração agradecido me fizeram sentir: dedicar a minha vida àquele que nela encontrou felicidade. … a minha vida ficou mais perfeita desde que nela habita este sentimento imorredouro que aqui lhe declaro sem disfarces.” Fica por esclarecer o significado da inscrição “FILA” e a dúvida de quando o relógio terá sido ofertado por Juliana, condessa de Ega, ao barão Stroganoff: se terá sido na sua partida de Paris para São Petersburgo, no ano de 1809, ou se no verão de 1823 quando a deixou no Château de Ris perto de Paris, para ir visitar a esposa que se encontrava doente em Dresden. Bibliografia: NORTON, José (2012) Juliana - Condessa de Stroganoff, Filha da marquesa de Alorna: A vida da portuguesa mais influente da Europa no Século XIX. Lisboa: Livros d'Hoje. MARINHO, Lúcia Maria Rodrigues (2010) Guardiães do Tempo: A Arte da Relojoaria na Colecção da Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves. Lisboa: Instituto de História de Arte da Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. " "CENAS" DOS PRÓXIMOS EPISÓDIOS O IPR contactou o José Norton, o autor do livro, que nos enviou uma resposta muito simpática indicando que Juliana viveu em Paris de 1808 a 1810 e de 1820 a 1823. O que poderá ser uma pista para a idade do relógio, há ainda porém muito por descobrir. Neste momento não é possível abrir o relógio para saber mais acerca do seu autor. Vamos manter a investigação e assim que tivermos novidades publicamos um novo artigo. Para acompanhar esta investigação subscreva o Boletim do IPR, no rodapé desta página. Página de José Norton sobre Juliana https://www.facebook.com/JulianaStroganoffJuliaPetrovnaStroganova Apresentação do Livro Juliana Condessa Stroganof na RTP2 https://www.youtube.com/watch?v=lt_8warp-1Q&feature=youtu.be&fbclid=IwAR1f5h1UnVM1ZhsiLErRwgJZuiBopDHLvmsUN7zSRIJM2rniDXrJBknfZb0 Blogue do autor José Norton http://desunastidade.blogspot.com
- JULIENA FILA A PARIS
O relógio que vos trazemos hoje foi adquirido na Áustria por Sílvio Pereira, um membro do Clube IPR, coleccionador de relógios de bolso principalmente. Terá sido provavelmente construído entre o século XVIII e XIX. É um relógio complexo, com um calendário inserido no próprio mostrador. O grande mistério porém, está nos dias da semana do calendário, escritos em português. Aqui ficam algumas das hipóteses de Sílvio Pereira para desvendar este mistério: As complicações "Este é um relógio de bolso do século XVIII ou XI. Com uma série de complicações, nomeadamente: pequeno mostrador às 12 horas com horas e minutos; submostrador de grandes dimensões dos segundos às 3 horas; outro submostrador às 9 horas com duas funções aproveitando o mesmo eixo: os dias do mês e os da semana." O mostrador "No mostrador encontram-se as designações "Juliena Fila" e "A Paris". Tenho absoluta certeza (consultei vários livros que contam a história de todos os fabricantes da história da relojoaria, e não encontrei em nenhum deles qualquer menção a este fabricante, além de pesquisas exaustivas na internet) de que este "Juliena Fila" não é um fabricante de relógios, portanto, deduzo que este nome seja o da pessoa a quem foi destinado o relógio." Os pormenores "Calendário de dias da semana e do mês no próprio mostrador; conservação de todo o mecanismo tal como da caixa é excelente; caixa do relógio em ouro de 18 quilates, com uma flor pintada no verso, em esmalte; luneta cravejada de diamantes; chatelaine com um rubi em formato de losango. " O Mistério "As negociações para adquirir o relógios foram duras e estenderam-se por largos meses. Porém mereceram toda a minha dedicação. O que me motivou a encerrar o negócio foi principalmente o facto de ter sido construído originalmente para um nobre, ou mesmo para uma cabeça coroada Portuguesa da época, embora o tivesse encontrado na Áustria. O que me permite ter segurança nesta afirmação é a inscrição que está colocada no submostrador que indica os dias da semana, como se pode ver na imagem: "Dom", "Seg", Terç", "Quar", Quin", "Sext" e "Sab", indubitavelmente estes nomes para os dias da semana só existem em Português. Portanto, alguns milhares de Euros depois, fiz questão que regressasse à sua terra. Lá diz o aforismo: "O bom filho à casa torna". Esta é uma extraordinária peça de museu. Vamos lá deixar a conversa e apreciar esta magnífica obra de arte e micro-engenharia." Sílvio Pereira, "Um coleccionador é um fiel depositário da história e de histórias" Ficha técnica: Dimensões do relógio: 47mm Dimensões da caixa: 53mm Peso: 117g Material: ouro 18 quilates Complicações: dias do mês, dias da semana Escape: suíço Luneta: decorada com diamantes Caixa: carapaça de tartaruga com aplicações de joalharia Correia: chatelaine, com um rubi em losango, e aplicação de flor pintada Tem informações sobre este relógio? Tem um relógio que gostava de apresentar? Entre em contacto connosco.













