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  • Movado | Ermetophon | 1940 | Plaqué

    Série: GRANDES MARCAS Por: Sílvio Pereira - Relógio de Bolso rectangular com caixa deslizante. Alarme. Datado de 1940 - Funções: Horas, minutos, segundos e alarme. - Número de Série: 635 - Manufactura: Movado - País - Suíça - Calibre: Formato Especial para realimentação através dos movimentos da caixa. S/ número - Protecção do movimento: Tampa traseira - Tipo de Escape: Âncora Suíça - Balanço: Glucydur, termo-compensado, com espiral plana - Reserva de Marcha: 36 horas - Frequência: 18000 A/h - Rubis: 19 - Material da caixa: Plaqué ouro - Mostrador: Aço dourado. - Segundos: Ponteiro central - Dimensões da caixa: Largura: Aberto 77,1mm | Fechado 49,3mm | Altura. 38mm - Espessura: 15,4mm - Peso: 90,51g - A mola real é accionada através de coroa à 1 hora, e também através dos movimentos de abrir e fechar da caixa. Possui dois tambores accionados por cada um dos dois dispositivos. - Ponteiros: Horas e minutos tipo sabre. Accionados pela coroa à 1 hora. Ponteiro do alarme accionado por coroa às 11 horas. - Numerais: Indexes grandes para as horas. Indexes pequenos para os minutos com intervalos de 2,5 segundos. - Vidro: Em óptimo estado. - Numeração da caixa: 635 Apreciação geral - Relógio de uma das marcas mais importantes da relojoaria mundial, excelente estado de conservação. Em perfeito estado de funcionamento. HISTÓRIA DA MOVADO O princípio de tudo Em 1905, os irmãos Ditesheim iniciaram a história da empresa de relógios “Movado”. Qual é o significado deste nome? Em esperanto, Movado quer dizer “sempre em movimento”, que é perfeitamente representativo do compromisso interminável do relojoeiro com a inovação relojoeira. Para entender completamente essa escolha, e essa marca como um todo, precisamos recuar alguns passos no tempo: mais precisamente, até 1881. Numa nota pessoal, antes de mergulharmos mais profundamente na génese desta grande marca, acho bastante triste que, dada sua rica história e qualidade dos seus medidores do tempo, os relógios da Movado não tenham recebido a atenção, crédito e valor que certamente merecem: especialmente quando, como iremos ver mais adiante, o quão inovador foi esta manufactura. Primeiros anos No ano de 1876 a família Ditesheim acabava de se mudar para La-Chaux-de-Fonds, não apenas para escapar da guerra franco-prussiana, mas também para perseguir seu sonho de criação de uma empresa relojoeira. Cidade de La Choux-de-Fonds na actualidade Cinco anos depois, em 1881, quando Achille Ditesheim completou os seus estudos de relojoaria, o sonho finalmente começou tornar-se realidade na forma de um modesto laboratório, que, ao longo de alguns anos, cresceu para se tornar numa fábrica, já com alguma dimensão, em 1897, altura em que já empregava 80 pessoas. Fábrica da Movado em 1900 Esta é definitivamente uma conquista extraordinária quando tomamos em consideração que naquela altura, relojoeiros como LeCoultre empregavam 100 pessoas, enquanto a Audemars Piguet tinha apenas 10 relojoeiros. Nos seus primeiros anos, as operações da empresa limitavam-se à montagem de movimentos (cujas peças eram fabricadas por terceiros) nos seus relógios de bolso. Durante esse período, a empresa operou sob o nome “ LA&l. Ditesheim, fabricantes ”, tendo como proprietários os três irmãos Léopold, Achille e Isidore. O primeiro registo do agora icônico termo “Movado”, remonta a 2 de maio de 1903. No entanto, seriam precisos mais dois anos até que a empresa oficialmente passasse a usar esse nome. Desenvolvimentos da Empresa Desde o início, a Movado provou ser uma empresa muito vanguardista, pois foi uma das primeiras empresas de relojoaria a investir em máquinas elétricas. Esta aposta, ousada e inovadora teve resultados muito interessantes: este equipamento, revolucionário na altura, aumentou a potencialidade da empresa e, por consequência, a produtividade. Folheto publicitário a relógios de bolso em 1907 Outro benefício que o seu investimento trouxe foi que permitiu à Movado fabricar os componentes anteriormente a cargo de terceiros. Com essas ferramentas, recursos e aumento da produtividade, começaram a produzir em massa (para a época) relógios femininos. Entre 1917 e 1948, a Movado cresceu de forma constante vindo a atingir mais de 300 funcionários na fábrica, tornando-se um verdadeiro “gigante” na indústria relojoeira Suíça, tanto em relação ao desempenho e produtividade, como também em termos de percepção do público. Os curvilíneos da Movado : o Polyplan e o Curviplan O início dos anos 1900 foi um período em que a Movado realmente prosperou no que à inovação relojoeira diz respeito. Uma forma de provar isso foi o grande número de novas patentes que foram registadas entre 1902 e 1912. Destas numerosas patentes, a mais importante foi a Patente Suíça N°60 360 de 7 de junho de 1912 : a Polyplan. A história conta que essa ideia revolucionária surgiu quando Isidore Ditesheim expressou o seu desejo de criar um relógio ultra-ergonómico, que realmente “se adaptasse” ao pulso. Visualização esquemática do Polyplan Movimento Polyplan Polyplan verso do movimento O nome Polyplan deriva da forma multi (poli) nível e design do movimento: organizado em três plataformas distintas. Esta brilhante ideia permitiu que o movimento (e posteriormente a caixa) adotasse uma forma curvilínea, muito mais pronunciada do que a de qualquer outro relógio. Vários modelos Polyplan Entre 1912 e 1917, foram fabricados cerca de 1500 exemplares deste modelo, tornando-se um dos modelos mais raros e procurados da família Movado entre os coleccionadores. Para colocar em perspectiva: em novembro de 2019, a casa de leilões Antiquorum vendeu um exemplar da Polyplan pelo preço de 10.625 CHF (9800€). Curviplan Curviplan movimento Não tão “extremo” em termos de curvatura, mas pertencendo por direito à família Movado era o Curviplan. Nas suas muitas variantes de metal e mostrador, o Curviplan foi produzido entre 1926 e 1940, e era alimentado pelo calibre de nicho 510, que adotava uma ponte superior curva. O Ermeto Lançado pela primeira vez em 1926, o Ermeto é talvez o modelo mais icónico da marca Movado: foi comercializado como sendo um relógio de viagem de confiança com todos os cânones de design de um relógio de bolso elegante e conservador. Folheto publicitário aos modelos "Ermeto" na decda de 1930 O seu nome vem da capacidade de tanto o mecanismo como o mostrador do relógio serem “hermeticamente selados” dentro de uma caixa de metal ajustável em que, em muitos modelos, essa caixa era revestida por uma luxuosa película de pele. Um ano após seu primeiro lançamento, em 1927, o Movado acrescentou um toque incrivelmente fascinante e inovador ao Ermeto: um mecanismo (patenteado pela Movado) pelo qual o movimento pode ser alimentado com a abertura e fecho da caixa “hermética”. Esta revolucionária característica fez do Ermeto uma espécie de “relógio pseudo-automático”. Ermeto Os Movimentos Cronográficos mais importantes do Movado No final da década de 1930, a Movado introduziu os cronógrafos no seu portfólio pela primeira vez, todos com movimentos totalmente fabricados na manufactura foram os M90 e M95 . Uma maneira fácil de os diferenciar é que o M90 possui 2 submostradores, enquanto o M95 ostenta 3. O M90 foi lançado pela primeira vez em 1938 e esteve em produção até 1965, enquanto o M95 foi fabricado apenas um ano após o M90 (1939) e foi montado nos relógios da Movado até o início dos anos 1970, altura em que a marca iniciou a sua colaboração com a Zenith passando a utilizar o "El Primero" (1969). Cronógrafo M90 Cronógrafo M95 O Calendograf, Celestograf e Calendomatic O que separava estes três modelos icónicos da Movado, era o tipo de movimentos que os compunham e, portanto, o tipo de complicação que apresentavam. O Calendograf , mais conhecido como “ calendário triplo Movado ”, foi introduzido em 1938, e permaneceu em produção até 1954. É movido pelo calibre 475 (derivado do Movado 470) e exibe as horas, minutos, segundos, dia da semana, data e mês. Calendograf Publicidade Calendograf Depois foi a vez do Celestograf, ou Astrograph para o mercado americano, pode ser descrito como “um Calendograf mais complicado”, na medida em que inclui todas as funcionalidades mencionadas anteriormente, e também um recurso extra: uma complicação da fase lunar. Este modelo foi produzido entre 1947 e 54 e, assim como o Calendograf, também é alimentado por um derivado do calibre 470: o 473 . Celestograf Publicidade Celestograf Produzido entre 1948 e 1954, o Calendomatic é a versão automática desta família “complicada”. Além do calibre automático 220, é praticamente idêntico ao Calendograf. Calendomatic A relação entre Movado e François Borgel Além da sua colaboração com a Zenith, a Movado teve um relacionamento extremamente importante com o lendário fabricante de caixas François Borgel, considerado um dos homens mais talentosos da sua área no século 20, e foi o rosto por trás de algumas das icónicas caixas à prova de água fabricados para a Patek Philippe , Mido e Ulysse Nardin. Como se pode observar, existe alguma semelhança entre estes 3 relógios: Patek Philippe “Tasti Tondi”, Mido Multicenter e um cronógrafo Movado. Patek Philippe Tasti Tondi Mido Multicenter Movado Tasti Tondi As caixas da Borgel têm um design distinto e inconfundível, mas para confirmar a sua origem, pode-se verificar a face interna do fundo da caixa onde podemos encontrar a gravura da assinatura de Borgel: as letras F e B colocadas sobre uma chave. Logo Francois Borgel Não há muita literatura que nos possa garantir as datas exatas de início e término do contrato Movado-Borgel, mas um colecionador experiente de Movado, afirmou que existem duas datas que se podem considerar como início e fim. A primeira é um Movado “ Acvatic ” (o primeiro relógio à prova d'água da marca), lançado em meados da década de 1930, e o “último” é um cronógrafo Movado com um calibre M95 produzido no final da década de 1960. Movado Acvatic Borel Publicidade ao Movado Acvatic Borel Colaborações assinadas pela Movado A elegância intemporal dos designs das caixas da marca e dos mostradores da Movado certamente não passaram despercebidas. Muitas marcas de alto nível e sofisticadas das indústrias de relojoaria, joalharia e moda faziam fila para potenciais colaborações, eis alguns exemplos : Hermés Tiffany & Co. Cartier Como se pode ver, muitos dos itens de assinatura da Movado, como os cronógrafos ou o Ermeto, foram vendidos com o marca no mostrador, como Tiffany's, Hermes ou mesmo Cartier: uma espécie de dupla assinatura à maneira da Movado. Espero que este artigo tenha ajudado a compreender um pouco melhor e contribuído para mudar a opinião generalizada sobre esta marca incrivelmente inovadora, mas profundamente subestimada!

  • Cuervo y Sobrinos | 1950 | Prata

    Série: GRANDES MARCAS Por: Sílvio Pereira - Tipo: Relógio de Bolso. - Data: 1950 - Funções: Horas e minutos. - Número de Série: Não tem - Manufactura: Cuervo y Sobrinos. - País - Suíça - Calibre: Formato pontes clássicas. - Protecção do movimento:Guarda pó - Tipo de Escape: Âncora Suíça - Balanço: Níquel, com espiral plana - Reserva de Marcha: 36 horas - Frequência: 21600 A/h - Rubis: 17 - Material da caixa: Prata - Mostrador: aço pintado. - Pequenos segundos: Não tem - Caixa Dimensões: 40,3mm - Espessura: 13,6mm - Peso: 47,00g - A mola real é accionada através de coroa às 12 horas. - Ponteiros: Horas e Minutos dourados estilo Luís XV - Numerais: Arábicos para as horas e marcadores para os minutos. - Vidro: Plexiglass - Numeração da caixa: Não tem HISTÓRIA DA CUERVO Y SOBRINOS Cuervo y Sobrinos é uma marca histórica de relógios suíços, é considerada como a única e genuína que possui um legado latino autêntico e comprovado. E costuma-se dizer que os relógios Cuervo y Sobrinos têm “alma latina e coração suíço”. Estas máquinas de medir o tempo são uma combinação de luxo, elegância, exotismo, criatividade e qualidade excepcionais. Por esse motivo, os Cuervo y Sobrinos são, além disso, considerados uma mais-valia para a indústria relojoeira suíça. Então, o que é que torna os relógios Cuervo y Sobrinos únicos? Possuem uma posição única na indústria relojoeira suíça com a sua identidade e tradição que o diferencia de outras marcas de relógios suíços. Obviamente, é o legado e a história, juntamente com rigorosos controles de qualidade, que ostenta a marca Cuervo y Sobrinos. Vamos agora analisar mais em pormenor a história desta marca e tudo o que a tornou tão especial. Um pouco de história A marca Cuervo y Sobrinos não existiria agora na indústria relojoeira se Marzio Villa, um empresário italiano, não tivesse descoberto a Boutique da marca abandonada numa das suas viagens a Havana em 1997. Marzio Villa de imediato relançou e reabriu a marca e a Loja Cuervo Sobrinos em Havana no ano de 2003. E, como resultado, tornou-se a primeira marca de relógios de luxo a ter uma loja em Havana ao lado do espetacular museu da marca. Ao restaurar a loja Cuervo y Sobrinos em Havana, Marzio Villa deu vida à história de uma marca de relógios que permaneceu intocada e trancada em cofres de aço durante muitos anos. Então, por que uma loja tão histórica e tão icónica no centro de Havana foi abandonada pelos seus fundadores? Aqui está a resposta. Antes da revolução cubana Ramon Fernandez Cuervo A Cuervo y Sobrinos foi originalmente criada no ano de 1882 por um imigrante do norte da Espanha, Ramon Fernandez Cuervo. Começou com uma joalharia na Calle de la Amistad, em Havana no ano de 1862. Foi depois disso, em 1882, que fundou a Cuervo y Sobrinos com os seus sobrinhos como sócios. A década de 1880 testemunhou o sucesso máximo da marca de relógios e jóias Cuervo Y Sobrinos, pois os viajantes que se deslocavam a Havana eram abastados. Turistas de todo o mundo visitavam Havana para aproveitar a sua vida em ritmo lento. E, como resultado, a procura pelos relógios da família Cuervo tornou-se mais intensa do que a de rum branco ou charutos cubanos. Além dos relógios desenhados internamente, a loja Cuervo Y Sobrinos também vendia relógios de outras marcas de prestígio, como Longines, Rolex e Vacheron, projetados exclusivamente para eles, com o nome da marca Cuervo Y Sobrinos afixado. A loja física da Cuervo Y Sobrinos encontrava-se inicialmente localizada na Calle del Teniente Rey 13, Mas à medida que o negócio crescia e prosperava, surgiu a necessidade de mais espaço. E, como resultado, a loja física de Cuervo Y Sobrinos foi transferida para Calle de la Muralla 37 em 1897. O fundador da Cuervo Y Sobrinos, Sr. Ramon Fernandez Cuervo, faleceu em 1907. Um de seus sobrinhos, Sr. Armando Fernandez y Rio, assumiu a responsabilidade de administrar a marca e continuou a trabalhar para o crescimento da empresa. A marca obviamente cresceu como uma empresa familiar com habilidades inatas para o negócio que passavam de geração em geração. Além disso, Cuervo Y Sobrinos teve muitas figuras inspiradoras como seus patronos. As personalidades famosas do século XX, incluindo Clark Gable, Ernest Hemingway, Winston Churchill e Albert Einstein, consideraram os relógios Cuervo Y Sobrinos uma escolha inteligente. A marca começou a crescer e a expandir a sua rede até que a revolução cubana tomou conta de Havana no ano de 1953. Duas novas lojas Cuervo Y Sobrinos foram abertas nos anos de 1917 e 1918 na Calle San Rafael y Aguila. Em 1920, a empresa expandiu as suas operações para a Europa com um escritório em Paris para comércio de joias e um espaço em Pforzeihm na Alemanha exclusivamente para a compra de pedras preciosas. A Cuervo Y Sobrinos achou por bem construir uma fábrica de relógios em La Chaux-de-Fonds, na Suíça, uma cidade famosa pela relojoaria. Com ampla expansão e crescimento, a Cuervo Y Sobrinos foi registada como uma empresa de capital aberto em 1932, o que ajudou a encontrar gerentes mais talentosos de fora da família Cuervo. E na década de 1940, Cuervo Y Sobrinos tornou-se uma das marcas mais populares do continente americano. Havana era uma cidade luxuosa e cheia de turistas de todo o mundo e, como resultado, os negócios da cidade explodiram na década de 1950. A boutique Cuervo Y Sobrinos acabou por se tornar uma grande atração em Havana. Muitas personalidades famosas, incluindo Neruda, Hemingway, Churchill e Gable, visitaram a loja Cuervo Y Sobrinos durante as suas estadias em Havana. Durante a revolução cubana As coisas pioraram abruptamente para a Cuervo Y Sobrinos quando a Revolução Cubana eclodiu em Havana em 1953. A marca foi nacionalizada em 1965, e um declínio acentuado foi testemunhado no crescimento da empresa. Depois disso, apenas relógios militares eram produzidos para o exército cubano. A família Cuervo teve que deixar as suas lojas trancadas e fugir do local com o que pudessem levar. Como resultado, a boutique Cuervo Y Sobrinos permaneceu fechada com todo o acervo em cofres de aço durante os 40 anos seguintes. A marca entrou num estado de adormecimento, e nenhum relógio foi produzido no período entre 1965 e 1997. O renascimento da Cuervo y Sobrinos A marca foi ressuscitada do seu estado de adormecimento por Marzio Villa e Luca Musumeci em 1997, e uma nova era começou para os relógios Cuervo Y Sobrinos. Em 2001, começou o desenvolvimento dos primeiros revendedores autorizados de relógios Cuervo Y Sobrinos em Itália. Com o tempo, a empresa expandiu-se para os EUA, Alemanha e Rússia. Os relógios Cuervo Y Sobrinos foram exibidos na Baselworld pela primeira vez em 2002. A série de relógios Cuervo Y Sobrinos, como o “Prominente”, “Torped” e “Esplendidos”, foi apresentada durante esta exposição. Além disso, a série “Robusto” foi apresentada durante a celebração do 125º aniversário da marca em 2007. Em 2009, a Cuervo Y Sobrinos foi a primeira marca de relógios de luxo a lançar a sua própria loja em Cuba. A marca comemorou seu 135º aniversário em 2017, lançando um relógio especial de edição limitada “Historiador". Uma equipa de investidores adquiriu a Cuervo Y Sobrinos em 2018 e Massimo Rossi tornou-se o CEO da empresa. Edição comemorativa dos 500 anos da cidade de Havana E em 2019, a marca comemorou os 500 anos da cidade de Havana com o lançamento da série de edição limitada “Historiador 1519”, cujo fabrico foi limitado a apenas 500 peças. O must dos relógios Cuervo Y Sobrinos Cada relógio Cuervo Y Sobrinos tem a sua história e o seu legado bem marcados. O detentor de um Cuervo não usa apenas um relógio, mas a sua história e evolução durante muitos anos. Além disso, cada relógio da Cuervo Y Sobrinos é fabricado e projetado individualmente. Portanto, cada um tem uma personalidade única. Os mostradores de fácil leitura, juntamente com funções adicionais, tornam-nos ideais para todo o tipo publico, mesmo os mais exigentes. A empresa também dá muita atenção aos detalhes, principalmente os minuciosos trabalhos de construção das caixas e mostradores, assim como as pulseiras exclusivas que lhes conferem individualidade. Afinal, os relógios Cuervo Y Sobrinos não são apenas bonitos para os olhos. Os relógios Cuervo Y Sobrinos são feitos para durar. A marca garante a longevidade dos seus relógios, fornecendo uma garantia total de dez anos a partir da data de compra. A empresa garante que os seus relógios nunca serão uma dor de cabeça para o seu detentor, fornecendo relógios que permitem apreciá-los e usá-los durante muitos e muitos anos. Agora, o mais difícil é a escolha de um relógio Cuervo Y Sobrinos. A alma latina destas peças garante que se devem aproveitar estes relógios ao máximo. A única coisa que é preciso fazer é escolher o modelo que mais o surpreenda. Marcos históricos 1862 Ramón Fernández Cuervo, imigrante do norte da Espanha (Astúrias), estabeleceu a sua primeira joalharia na Calle de la Amistad, em Havana. Este negócio foi o precursor da marca Cuervo y Sobrinos. 1882 Fundação da Cuervo y Sobrinos Dom Baldomero, Dom Teodomiro, Dom José Maria, Dom Armando, Dom Plácido e Dom Lisardo, os chamados 'novos', juntaram-se a Ramón Fernández Cuervo no novo negócio. Neste momento, a loja da empresa estava localizada na Calle del Teniente Rey 13. 1897 A loja prosperava e o negócio em crescimento exigia mais espaço, o negócio mudou para Calle de la Muralla 37. 1907 Faleceu o Sr. Ramón Fernández y Cuervo. Seu sobrinho, D. Armando Fernández y Río, assumiu a direção da empresa. 1917 Cuervo y Sobrinos abriu uma nova loja na Calle San Rafael y Aguila. 1920 Tendo decidido expandir as suas operações, a Cuervo y Sobrinos abriu duas instalações na Europa, um espaço em Pforzheim, Alemanha, para compra de pedras preciosas exclusivas e um escritório em Paris, França, para comércio de joias. 1932 À medida que o negócio continuou a crescer, o estatuto jurídico da empresa mudou de uma sociedade de responsabilidade limitada para uma sociedade anónima. Essa mudança ajudou a perpetuar o crescimento e atrair novos talentos de fora da família Cuervo. 1940 Durante a década de 1940, a reputação da empresa espalhou-se e a marca tornou-se uma das mais conhecidas no continente americano. 1950 Os loucos anos 50. Havana era a cidade mais luxuosa do Caribe e um dos lugares mais modernos e enérgicos do continente americano. A Boutique tornou-se um destino imperdível para alguns dos visitantes mais ilustres de Havana. Caruso, Churchill, Einstein, Gable, Hemingway e Neruda foram apenas alguns dos ilustres visitantes da boutique Cuervo y Sobrinos. 1965 - 1996 A boutique Cuervo y Sobrinos foi nacionalizada pelo governo. Isso fez com que a empresa sofresse um período de declínio. Continuou a produzir relógios militares para o exército cubano que foram utilizados durante a intervenção do país em Angola. Pouco tempo depois, a empresa ficou inativa e não fabricou relógios durante esse período. No entanto, os antigos modelos da marca ainda atraíam muito interesse entre os colecionadores. 1997 Luca Musumeci e Marzio Villa reviveram o nome Cuervo y Sobrinos e o alvorecer de uma nova era começou. 2001 Inicialmente, a Cuervo y Sobrinos abriu revendedores autorizados em Itália e em Espanha. A partir daí, a empresa expandiu-se para a Alemanha, Rússia e EUA. 2002 Cuervo y Sobrinos expôs na Baselworld pela primeira vez. A marca apresentou as coleções “Esplendidos”, “Prominente” e “Torpedo”. 2003 A empresa criou o 'Prêmio Latino', reconhecendo as realizações das principais figuras latinas. O prémio inaugural foi atribuído ao cineasta espanhol Pedro Almodóvar. 2005 A marca de luxo apresentou seu primeiro calibre de cronógrafo interno, o CYS 2450. 2008 A marca estabeleceu sua sede e atelier na margem do lago Capolago, no cantão de Ticino. 2009 Cuervo y Sobrinos abriu o seu museu e boutique em Havana no centro histórico. 2012 Cuervo y Sobrinos completou 130 anos com o lançamento de uma edição limitada do “Historiador”. 2017 Ansiosa para comemorar seu 135º aniversário, a marca apresentou uma edição especial e limitada “Prominente”. 2018 A empresa foi adquirida por uma equipa de investidores da indústria relojoeira. Massimo Rossi tornou-se o CEO. 2019 O “Historiador 1519” foi apresentado. Este relógio de edição limitada, restrito a 500 peças, foi projetado em 2008 para marcar o 500º aniversário de Havana. 2022 Cuervo y Sobrinos completa 140 anos.

  • RESTAURO OU VIAGEM PARA O PASSADO?

    Há sempre dúvidas acerca do restauro de um relógio, há sempre opiniões e discussões acerca do assunto. Este trabalho do Mestre Girão, porém, não suscita grandes discussões. É um pequeno milagre! Aqui fica o seu artigo acerca de um dos restauros mais incríveis que já conhecemos. Em 1960 a Enicar introduziu um modelo revolucionário, o Sherp Graph equipado com o calibre Valjoux 72. A sua promoção foi feita pelo piloto Stirling Moss, afirmando no anuncio abaixo: “O ENICAR Sherpa é definitivamente o relógio que eu sempre quis. ” O modelo Sherpa Graph descrito no anuncio acima é precisamente o Mark I, … Continuar a ler no site da Relojoaria Girão - >

  • Omega | Esqueleto | 1950 | Prata

    Série: GRANDES MARCAS Por: Sílvio Pereira - Relógio de Bolso tipo Lepine. Esqueletizado. Datado de 1950 - Funções: Horas e minutos - Número de Série: 12115070 - Manufactura: Omega - País - Suiça - Calibre: Formato pontes clássicas esqueletizadas. S/ número - Protecção do movimento: Guarda pó em Prata - Tipo de Escape: Âncora Suiça - Balanço: Bimetálico termo-compensado, com espiral Breguet - Reserva de Marcha: 36 horas - Frequência: 18000 A/h - Rubis: 15 - Material da caixa: Prata 0,800 - Mostrador: Aço esquelitizado - Pequenos segundos: Não tem - Diâmetro da caixa: 48,4mm - Espessura: 13,4mm - Peso: 61,12g - A mola real é accionada através de coroa às 12 horas. - Ponteiros: Tipo Breguet. Accionados pela coroa - Numerais: Arábicos para as horas. Indexes para os minutos. - Vidro: Em óptimo estado. - Numeração da tampa de caixa: 9204117 Apreciação geral - Relógio de uma das marcas mais importantes da relojoaria mundial, imaculado estado de conservação. Em perfeito estado de funcionamento. Nota: Após intensa pesquisa, não foram encontrados indicios de que a Omega tenha fabricado relógios esquelitizados, pelo menos nesta época, o que leva a crer que este trabalho de esquelitização tenha sido feito posteriormente por artesão qualificado. Outros exemplares da colecção Omega |1923| Ouro Omega |1945| Prata Omega |1912| Prata HISTÓRIA DA OMEGA O início de tudo Louis Brandt Louis Brandt, aos 23 anos, decidiu abrir o seu próprio «Comptoir d'etablissage» em La Chaux-de-Fonds, na Suíça, em 1848. Planta de La Chaux-de-Fonds em 1848 Rua de La Promenade, La Chaux-de-Fonds em 1848 «Comptoir d'etablissage» significa uma fábrica na qual as matérias-primas e os componentes do relógio são montados por um "etablisseur" num relógio. No início, viajou pessoalmente pela Europa para abastecer os clientes. Louis-Paul Brandt em 1880 Cesar Brandt em 1880 Mais tarde esta tarefa foi assumida pelos seus filhos Louis e César e o nome da empresa foi alterado para Louis Brandt & Fils. Rua de Boujean, Nº 119 em Bienne, primeira sede da Louis Brandt & Fils Primeiro contrato de arrendamento do edifício da Rua de Boujean, Nº 119 em Bienne Cidade de Bienne na actualidade também conhecida por Biel Os filhos mudaram-se para Bienne em 1880 com a empresa, primeiro para o Nº 119 da Rua de Boujean e depois para o Nº 96 da rua Jacob-Stampfli, morada que se mantém até hoje. 1885 - Produção em série do primeiro calibre Esta mudança deveu-se ao facto de em Bienne as ligações às vias de tráfego serem melhores e podiam utilizar gratuitamente a energia hidroeléctrica da cidade. Essa particuaridade era indispensável para a produção mecânica. Acabados de se instalar, decidiram produzir os próprios relógios com os seus próprios movimentos mecânicos. Este plano manteve-se e, em 1889, era já o maior fabricante Suíço de relógios. Fábrica actual da Omega em Bienne A criação do nome "Omega" Cronómetro Vintage Omega Ref. 2367-4 de 1945. Símbolo da perfeição Há quase cinco décadas que a empresa fabricava relógios com o nome Brandt, que se manteve até 1894, altura em que passou a chamar-se Omega. O novo nome - omega Ω, a última letra do alfabeto grego, é considerada uma metáfora para "perfeição". A precisão das fábricas Omega convenceu a Força Aérea Britânica e de seguida também o exército americano, de modo que a partir de 1917 os Omega tornaram-se os relógios oficiais da Primeira Guerra Mundial. A Omega, com os seus cronómetros mecânicos, foi 93 vezes condecorada nas competições de precisão dos observatórios suíços de Neuenburg e Genebra. No concurso Chronometer em Kew Teddington (Inglaterra), a Omega conseguiu atingir 97,8 dos 100 pontos possíveis no ranking geral de 1936. Um resultado que ainda não foi superado até hoje. O resultado desses sucessos é a série Omega Constellation, que foi classificada como número um nos testes de cronometria durante vários anos. Relógios Omega: de pulso, desportivos, militares, piloto, marítimos, femininos, de mergulho Omega Cronómetro Militar Vintage Ref. 2254 de 1935 Omega Vintage Railmaster Cal.284 Ref. CK2914 de 1957 Omega Vintage Ranchero Ref. 2990-1 de 1950 Após a morte dos diretores administrativos, a fábrica foi renomeada SA Louis Brandt & Frère, Omega Watch Co., e liderada pelos descendentes diretos. A tradicional empresa consegue trazer ao mercado relógios de pulso, desportivos, militares, de piloto, da marinha, de automóvel, femininos e complicações. Em 1930, a Tissot e a Omega juntaram-se à SSIH (Société Suisse pour l'Industrie Horlogère), a primeira associação de relojoeiros suíços. Mais tarde, transformar-se-ia no Grupo Swatch, onde se manté até hoje. Omega Marine de 1932 Em 1932, o relógio Omega Marine chegou ao mercado. Foi o primeiro relógio de mergulho suíço. O facto interessante, foi que as peças foram encaixadas umas nas outras. A Omega colocou a coroa na posição de 12 horas, de modo que ambas as partes da caixa pudessem ser pressionadas firmemente juntas para realimentar o relógio. Omega - Cronometrista Oficial dos Jogos Olímpicos Omega Olympia Broad Arrow Ref. 32130445201001 As primeiras Olimpíadas que a Omega cronometrou foi em 1932 em Los Angeles. Naquela época, era o único relojoeiro com capacidade para disponibilizar 30 cronógrafos fraccionados em 1/10 por segundo, que poderiam garantir a cronometragem desses jogos. Nesta primeira aparição como cronometrista oficial dos Jogos Olímpicos, a Omega foi capaz de medir os resultados até ao décimo de segundo. Desde então, a Omega foi 25 vezes a Cronometrista Oficial dos Jogos Olímpicos. O cronometrista oficial não deve ser equiparado a um patrocinador, uma vez que é uma actividade muito cobiçada por várias marcas ao qual têm que se candidatar. Também em 2016, a Omega participou dos Jogos Olímpicos do Rio. O equipamento que a Omega tinha para a medição exata do tempo na bagagem pesava cerca de 450 toneladas. Omega Constellation e Cósmic Omega Vintage Constellation Chronometer Ref. 168005 Omega Constellation Electroquartz Ref. 8345 de 1972 Omega Cosmic Fase da Lua. Ref. 2486 de 1951 Em 1951, a Omega apresentou o relógio de pulso masculino Cosmic. O calibre automático Omega 2601 atinge impressionantes 72 horas de reserva de marcha graças aos seus tambores gêmeos. A produção foi limitada a 1951 exemplares numerados individualmente. Um ano depois, o modelo Constellation é apresentado ao mercado como cronómetro automático e desde então desempenha um papel importante no programa da marca. O Constellation foi o modelo mais importante da Omega e é muito popular entre os colecionadores de relógios vintage. Omega Speedmaster Professional "Primeiro relógio usado na Lua" Omega Speedmaster Pré-Moon. Ref. 2915 Omega Speedmaster Pre-Moon "Lollipop" Ref. 2998-1 de 1960 Omega Speedmaster Professional Pre-Moon Tropic Dial Ref. 105.012 de 1964 O astronauta Buzz Aldrin usava um cronógrafo robusto no pulso quando pousou na lua de 1969, na época, chamado simplesmente de Speedmaster Professional. O Omega Speedmaster teve que suportar extensos procedimentos de teste (teste de impacto, aceleração, vibração e flutuações de temperatura entre -18 e +93 graus Celsius, aceleração de 16 vezes (g), pressão de 200 m de profundidade da água, antimagnetismo, sobrepressão, ruído) da NASA. O Omega Speedmaster Professional conseguiu passar à frente de centenas de outros modelos durante o teste da NASA e tornou-se o relógio oficial para todos os astronautas. Os concorrentes vieram de manufacturas famosas como Rolex e Longines. A Omega enviou o modelo Speedmaster (ST105.003 de 1964), a Rolex enviou o chamado modelo pré-Daytona, o cronógrafo Cosmograph (Ref. 6238) com o movimento Valjoux 72. Entretanto, existem inúmeras versões do cronógrafo. Os relógios Omega estiveram presentes em 118 missões espaciais e 6 aterragens na lua. Acompanharam um total de 9 voos espaciais. Inovações Omega Até 2007 a Omega utilizava calibres ETA nos seus produtos. A partir dessa data, usam unicamente calibres próprios cuja utilização está em constante crescimento. O escape Co-axial Escape Co-axial Em 1999, a empresa começou a desenvolver o escape co-axial. O escape co-axial foi criado pelo relojoeiro inglês George Daniels. Os calibres com este tipo de escape estão agora disponíveis exclusivamente em vários modelos Omega. No mostrador é inserida a informação de que o relógio possuiu um sistema de escape co-axial. O escape co-axial é considerado particularmente resistente à vibração e baixo atrito e também poderá funcionar com baixa lubrificação durante um longo período de tempo. O Omega De Ville Central Tourbillon Omega De Ville Central Turbilhão Ref. 51333000 de 1999 A coleção classicamente elegante De Ville para homens e senhoras contém a mais recente tecnologia de calibre com componentes antimagnéticos. O Omega De Ville Central Tourbillon incorpora a perfeição da alta relojoaria. O único relógio do mundo com turbilhão central foi feito à mão por um círculo seleccionado de relojoeiros na "Cellule Haut de Gamme“ da Omega em Bienne. A característica especial é que a gaiola do turbilhão gira em torno de seu próprio eixo uma vez por minuto, equilibrando os efeitos da gravidade na precisão do relógio. A Omega é o único fabricante do mundo a produzir relógios com turbilhão central. Os turbilhões são fabricados pela Omega desde 1947, o modelo `Central Tourbillon`, no entanto, é o testemunho do know-how e engenharia de alta qualidade da indústria relojoeira. Como os relógios com turbilhão ainda são obras-primas mecânicas da arte da relojoaria e ainda são feitos à mão, mesmo um relojoeiro altamente qualificado pode fabricar apenas algumas dessas cópias por ano. O inovador cronómetro de escape coaxial De Ville Central Tourbillon é tão preciso que recebeu o certificado oficial COSC (Contrôle Officiel Suisse des Chronomètres). Omega Seamaster Professional 300M Omega Vintage Seamaster 300 Ref. ST165024 Omega Seamaster Casino Royale "James Bond 007" Ref. 22268000 Omega Seamaster 300 "Spectre 007" Ref. 23332412101001 No filme "GoldenEye", James Bond usava um Omega Seamaster Quartz Professional 300M no pulso. Tornou a marca Omega novamente interessante para um público-alvo mais jovem. Daniel Craig usou o mesmo modelo 20 anos depois. Relógios femininos Omega Ladymatic Diamond Setting Ref. 4553834 de 2015 Além de Cindy Crawford e Michael Schumacher, a estrela de Hollywood Nicole Kidman é a embaixadora da marca de relógios de luxo Omega. Em 2009, Nicole apresentou a linha de relógios femininos Ladymatic em Pequim, que foi lançada pela primeira vez em 1955. É uma série de relógios para senhora especialmente desenvolvida com movimento automático e escape coaxial, uma característica apenas apresentada nos relógios Omega. Graças a um marketing inteligente e tecnologias exclusivas, a Omega conseguiu alcançar os cinco primeiros lugares no segmento de relógios de luxo suíços nos últimos anos. Seamaster PloProf Omega Vintage PloProf "Jacques Costeau" Ref. 1660077 Para os desportos aquáticos a Omega criou a sua própria linha de relógios de mergulho - Seamaster. O famoso explorador marinho Jacques Costeau contribuiu para o desenvolvimento do Seamaster Plongeur Professional, mais conhecido como "PloProf" (de "Plongeur professionel"). Em 1971, o relógio chegou ao mercado. A resistência à água era de 600 metros. Outros Modelos icónicos da marca Omega Flightmaster Ref. 145036 de 1972 Omega Cronógrafo "Bull Head" Ref. 146011 de 1969 Omega Speedmaster "Dark Side of the Moon" Ref. 31192445101003

  • As oficinas relojoeiras de Babel

    Se infinitos macacos se sentassem em frente a infinitas máquinas de escrever, após algum tempo, em algum lugar, acabariam, provavelmente, por criar verdadeiras obras-primas. Este é o Teorema do Macaco Infinito. Se existisse uma biblioteca com todas as combinações possíveis de 22 caracteres, uma vírgula, um espaço e um ponto final, estariam nela todos os livros escritos no passado, presente e futuro. Esta seria a biblioteca total. Se fossem criadas oficinas de relojoaria infinitas, seriam lá construídos, provavelmente, todos os relógios criados no passado, presente e futuro. Estas seriam as oficinas relojoeiras de Babel. Vamos supor que cada uma destas oficinas é hexagonal, seis por cada andar, unidas em redor de um sétimo hexágono central. O conjunto dos sete hexágonos representa apenas um andar de uma torre infinita ascendente e descente. Pelo centro da torre, passa um tubo vertical cuja função é dispensar fornituras. Em redor deste tubo, há uma escada em caracol cujas paredes têm expostos os relógios mais reveladores, os mais misteriosos e os mais inúteis. Através do hexágono central, é possível aceder a cada uma das seis oficinas, tal como às escadas. Ao visitar as oficinas, é possível ver três paredes de vidro e três de madeira. Encostadas às três paredes de vidro estão três bancadas de relojoeiro: uma para o mestre; outra, para o aprendiz. A terceira bancada dá suporte às máquinas e ferramentas construídas ao longo das várias gerações de relojoeiros daquele hexágono. As paredes de vidro fornecem toda a luz necessária; porém, ninguém conhece a origem desta luz. Esta é a estrutura das oficinas relojoeiras de Babel. Os relógios aqui construídos são também eles infinitos, e têm capacidade para prever e alterar o tempo, ou simplesmente passar por ele sem lhe atribuir grande importância. Estão identificados, até agora, três tipos: os reveladores, os misteriosos e os inúteis. Continuar a ler na Espiral do Tempo ->

  • JULIENA FILA A PARIS II

    Recentemente publicámos um artigo acerca de um impressionante relógio de bolso, com dias da semana em português, adquirido por Sílvio Pereira na Áustria. Após a publicação no nosso site, Cláudia Paiva iniciou uma pesquisa sobre a origem da senhora que cuja miniatura aparece na caixa do relógio, "Juliena". Passado uns dias apresentou-nos o resultado - segundo a sua investigação, a senhora "Juliena Fila" será na verdade: "Juliana Maria Luísa Carolina Sofia de Oyenhausen e Almeida, a terceira filha da quarta Marquesa de Alorna. "As suas qualidades de mulher ilustrada e cosmopolita, foram conhecidas e apreciadas por grandes figuras da Europa de então com quem teve a oportunidade de privar: a rainha Vitória de Inglaterra, o imperador da Alemanha, e os Czares Nicolau I e Alexandre II da Rússia." Estas são as palavras de José Norton, no seu livro "Juliana Condessa Stroganoff". A GRANDE INVESTIGAÇÃO DE CLÁUDIA PAIVA Apresentamos aqui a investigação de Cláudia Paiva que termina com uma hipótese acerca do possível primeiro dono do relógio “Juliena”. "Juliana Luísa Maria de Almeida e Oyenhausen nasceu a 20 de Agosto de 1782 em Viena e era a terceira filha do conde Karl Peter Maria Joseph August von Oyenhausen-Gravenburg e de Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre – Quarta Marquesa de Alorna. O seu pai foi embaixador português na corte da imperatriz Maria Teresa da Austrália, e a sua mãe poetisa e famosamente conhecida no seu tempo e no mundo literário por "Alcipe". A história da vida de Juliana é surpreendente — marcada pela tristeza de um casamento infeliz e pela difamação e solidão do exílio a que foi forçada, mas também pelo brilhantismo com que representou Portugal nos diferentes países por onde passou. A vida pública de Juliana começou em 1805 enquanto embaixatriz de Portugal na corte dos Reis Católicos de Espanha, quando acompanhava o marido, conde de Ega, com quem tinha casado em 1800 por imposição da sua mãe. Foi na corte espanhola que conheceu o barão Stroganoff, cujo trato delicado e galanteria se tornaram, para ela, inesquecíveis. Regressados a uma Lisboa ocupada pelas tropas de Napoleão, o conde de Ega foi nomeado Ministro da Justiça pelo General Jean-Andoche Junot. Tornou-se, aí, público que a formosura da condessa da Ega tinha captivado o General. Quando um jornal Inglês insinuou a existência de uma ligação amorosa entre os dois, Juliana ficou publicamente conhecida como amante do primeiro ajudante de Napoleão, uma situação que motivou a irmã Frederica a escrever à mãe, exilada em Inglaterra, afirmando que “… tudo o que se tem dito de Juliana não passam de mentiras absurdas”. Quando os franceses saíram de Portugal em 1808, Juliana viu-se forçada ao exilio em França, juntamente com toda a família do conde da Ega. Em Paris era grande o desencanto de Juliana e sombrias as suas perspectivas. Nessa cidade foi acolhida, na dupla condição de exilada e de pessoa amável, por Laura Junot. Laura apresentou-lhe a pessoas amigas e aos russos que viviam em Paris e pôs à sua disposição os seus cavalos e sua casa, vindo posteriormente a afirmar nas suas memórias: “Quis provar que a maledicência e o falatório do mundo não tinham para mim qualquer valor” No dia 28 de Março de 1809, o barão Stroganoff chegou a Paris e os dois reencontraram-se no Salon des étrangeres, onde tiveram oportunidade de falar sobre a sua estadia na corte Espanhola e sobre as suas viagens. Juliana adoeceu depois deste reencontro e, com o pretexto da sua cura, a condessa e o barão Stroganoff foram, a 24 de Junho de 1809, para as termas de Aix-la-chapelle, de onde só regressaram no final de Agosto. Quando o barão partiu, de seguida, para São Petersburgo, deixou Juliana envolta em melancolia e a sentir-se como uma estranha na sua própria casa. A partir desse momento, Juliana começou uma luta corajosa para se libertar de constrangimentos sociais e familiares, vencer a adversidade e conquistar a sua independência e felicidade, sempre apoiada por aquele que, quase 20 anos depois (em 1827), se tornou o seu segundo marido Grigory Alexandrovich Stroganoff, passando a ficar conhecida como Julia Stroganova. O RELÓGIO O relógio de bolso “Juliene” encontra-se envolvido numa “aura” de mistério, da qual só se poderá levantar um pouco o véu se recuarmos à época em que a relojoaria Francesa atingiu o seu incontestável prestígio — em que os seus relógios de bolso se tornaram símbolo de luxo requintado e à prova de modas efémeras — e na certeza de que quem o encomendou terá sido uma pessoa cosmopolita, culta, de grande sentido patriótico e profundamente apaixonada. O retrato e as inscrições no seu mostrador conferem a este relógio de bolso, além do poder de contar um pouco da história do Tempo, a capacidade de desvendar pormenores da história de vida de quem o encomendou, numa época em que nos relógios franceses predominavam os temas idealizados sobre o amor. Diversos são os detalhes que nos induzem a crer que o relógio tenha sido uma encomenda da própria Juliana Oberhausen, a começar pelas inscrições “Juliena” e “A Paris”, e pelo calendário em português. Os dias da semana em português podem ser indicativos do orgulho que tinha na sua Pátria, da qual foi embaixadora e onde tentava ver reabilitado o seu “bom nome”, injustamente enxovalhado, injuriado e caluniado. Este orgulho pela Pátria esteve sempre presente na sua identidade cosmopolita e nas interacções que partilhou com grandes figuras da Europa de então. Certo é que nos relógios de finais do séc. XVIII início do séc. XIX, à figura retratada era atribuído o poder de um registo passado ou a lembrança da brevidade da vida. Para Juliana, o “retrato” assumia uma importância próxima de uma presença física, tendo expressado esta importância na carta que escreveu à sua irmã Francisca a partir do navio inglês “Chilton”, onde se encontrava já embarcada e antes de partir para o seu incerto destino: “Adeus, minha irmã da minha alma, muita falta me faz o seu retrato, recebi o das manas, agradeça-o outra vez à tia.” A HIPÓTESE O relógio terá sido ofertado a Grigory Alexandrovich Stroganoff, por quem nutria um grande amor. Este amor confessou-o numa extensa carta dirigida à sua mãe em 1814, consciente de que a sua vida já não teria futuro sem ele: “… já não está nas minhas forças renegar a vocação que circunstâncias imperiosas, e o meu coração agradecido me fizeram sentir: dedicar a minha vida àquele que nela encontrou felicidade. … a minha vida ficou mais perfeita desde que nela habita este sentimento imorredouro que aqui lhe declaro sem disfarces.” Fica por esclarecer o significado da inscrição “FILA” e a dúvida de quando o relógio terá sido ofertado por Juliana, condessa de Ega, ao barão Stroganoff: se terá sido na sua partida de Paris para São Petersburgo, no ano de 1809, ou se no verão de 1823 quando a deixou no Château de Ris perto de Paris, para ir visitar a esposa que se encontrava doente em Dresden. Bibliografia: NORTON, José (2012) Juliana - Condessa de Stroganoff, Filha da marquesa de Alorna: A vida da portuguesa mais influente da Europa no Século XIX. Lisboa: Livros d'Hoje. MARINHO, Lúcia Maria Rodrigues (2010) Guardiães do Tempo: A Arte da Relojoaria na Colecção da Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves. Lisboa: Instituto de História de Arte da Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. " "CENAS" DOS PRÓXIMOS EPISÓDIOS O IPR contactou o José Norton, o autor do livro, que nos enviou uma resposta muito simpática indicando que Juliana viveu em Paris de 1808 a 1810 e de 1820 a 1823. O que poderá ser uma pista para a idade do relógio, há ainda porém muito por descobrir. Neste momento não é possível abrir o relógio para saber mais acerca do seu autor. Vamos manter a investigação e assim que tivermos novidades publicamos um novo artigo. Para acompanhar esta investigação subscreva o Boletim do IPR, no rodapé desta página. Página de José Norton sobre Juliana https://www.facebook.com/JulianaStroganoffJuliaPetrovnaStroganova Apresentação do Livro Juliana Condessa Stroganof na RTP2 https://www.youtube.com/watch?v=lt_8warp-1Q&feature=youtu.be&fbclid=IwAR1f5h1UnVM1ZhsiLErRwgJZuiBopDHLvmsUN7zSRIJM2rniDXrJBknfZb0 Blogue do autor José Norton http://desunastidade.blogspot.com

  • JULIENA FILA A PARIS

    O relógio que vos trazemos hoje foi adquirido na Áustria por Sílvio Pereira, um membro do Clube IPR, coleccionador de relógios de bolso principalmente. Terá sido provavelmente construído entre o século XVIII e XIX. É um relógio complexo, com um calendário inserido no próprio mostrador. O grande mistério porém, está nos dias da semana do calendário, escritos em português. Aqui ficam algumas das hipóteses de Sílvio Pereira para desvendar este mistério: As complicações "Este é um relógio de bolso do século XVIII ou XI. Com uma série de complicações, nomeadamente: pequeno mostrador às 12 horas com horas e minutos; submostrador de grandes dimensões dos segundos às 3 horas; outro submostrador às 9 horas com duas funções aproveitando o mesmo eixo: os dias do mês e os da semana." O mostrador "No mostrador encontram-se as designações "Juliena Fila" e "A Paris". Tenho absoluta certeza (consultei vários livros que contam a história de todos os fabricantes da história da relojoaria, e não encontrei em nenhum deles qualquer menção a este fabricante, além de pesquisas exaustivas na internet) de que este "Juliena Fila" não é um fabricante de relógios, portanto, deduzo que este nome seja o da pessoa a quem foi destinado o relógio." Os pormenores "Calendário de dias da semana e do mês no próprio mostrador; conservação de todo o mecanismo tal como da caixa é excelente; caixa do relógio em ouro de 18 quilates, com uma flor pintada no verso, em esmalte; luneta cravejada de diamantes; chatelaine com um rubi em formato de losango. " O Mistério "As negociações para adquirir o relógios foram duras e estenderam-se por largos meses. Porém mereceram toda a minha dedicação. O que me motivou a encerrar o negócio foi principalmente o facto de ter sido construído originalmente para um nobre, ou mesmo para uma cabeça coroada Portuguesa da época, embora o tivesse encontrado na Áustria. O que me permite ter segurança nesta afirmação é a inscrição que está colocada no submostrador que indica os dias da semana, como se pode ver na imagem: "Dom", "Seg", Terç", "Quar", Quin", "Sext" e "Sab", indubitavelmente estes nomes para os dias da semana só existem em Português. Portanto, alguns milhares de Euros depois, fiz questão que regressasse à sua terra. Lá diz o aforismo: "O bom filho à casa torna". Esta é uma extraordinária peça de museu. Vamos lá deixar a conversa e apreciar esta magnífica obra de arte e micro-engenharia." Sílvio Pereira, "Um coleccionador é um fiel depositário da história e de histórias" Ficha técnica: Dimensões do relógio: 47mm Dimensões da caixa: 53mm Peso: 117g Material: ouro 18 quilates Complicações: dias do mês, dias da semana Escape: suíço Luneta: decorada com diamantes Caixa: carapaça de tartaruga com aplicações de joalharia Correia: chatelaine, com um rubi em losango, e aplicação de flor pintada Tem informações sobre este relógio? Tem um relógio que gostava de apresentar? Entre em contacto connosco.

  • As oficinas relojoeiras de Babel

    Se fossem criadas oficinas de relojoaria infinitas, seriam lá construídos, provavelmente, todos os relógios criados no passado, presente e futuro. Estas seriam as oficinas relojoeiras de Babel. Se infinitos macacos se sentassem em frente a infinitas máquinas de escrever, após algum tempo, em algum lugar, acabariam, provavelmente, por criar verdadeiras obras-primas. Este é o Teorema do Macaco Infinito. Se existisse uma biblioteca com todas as combinações possíveis de 22 caracteres, uma vírgula, um espaço e um ponto final, estariam nela todos os livros escritos no passado, presente e futuro. Esta seria a biblioteca total(1). Se fossem criadas oficinas de relojoaria infinitas, seriam lá construídos, provavelmente, todos os relógios criados no passado, presente e futuro. Estas seriam as oficinas relojoeiras de Babel. Continuar a ler na Espiral do Tempo ->

  • OX - NOT JUST A BOX - IV

    Olá a todos, com dois protótipos finalmente acabados (ver artigos anteriores, OxBox-cubo e FoxBox-esfera), iniciou-se uma nova aventura, a produção de um produto final. Já desde há muitos anos, que quando quero aprender alguma coisa utilizo plataformas como o youtube ou outras parecidas. Foi assim que quase obsessivamente absorvi centenas de horas sobre, electrónica, mecânica, impressão 3d, e tantas outras curiosidades interessantes. DO DIGITAL AO ARTESANAL No entanto foi com surpresa que, quando comecei finalmente a meter a mão em materiais mais nobres como madeira, cortiça, pele, metal, entre outros, que me apercebi que tinha de desligar o ecrã e procurar no mundo físico a sabedoria artesanal. Assim surgiram também novas amizades, amigos pertencentes a uma geração a quem os ecrãs de computador não diz muito, a sua sapiência vem da experiência do “fazer” e de observarem e aprenderem em primeira mão de outros mestres. OS MESTRES Para mim que sempre celebrei Cesário Verde tanto intelectualmente como de forma tangível, o trabalho manual é prazeroso. Foi então, de forma aberta, que caminhei pela serração do “Sr. Zé”, hoje em dia apenas uma sombra do seu esplendor passado, quando recebia madeiras vindas das ex-colónias Portuguesas. É igual o conforto que recebo ao visitar a oficina do Sr. Daniel Nascimento, já reformado da marinha, mantendo viva a sua paixão por tornearia mecânica de madeira. O trato simples e genuíno destas pessoas que apresentam as mãos calejadas de uma vida de trabalho físico sempre me trouxe conforto, mesmo tendo eu uma experiência de vida oposta. Não há dúvida que vivemos num mundo previligiado pela intensidade tecnológica, mas não consigo deixar de apreciar o sentimento inspirador (in spirito) que é produzir objectos de forma mais artesanal em que a destreza manual é uma capacidade afinada até à exaustão. Sinto imediatamente a ligação antiga e evolutiva entre o ser humano e as suas mãos, as nossas ferramentas mais primitivas. O MELHOR DE DOIS MUNDOS Todos os componentes da Ox-Box foram desenhados com softwares potentes que não existiam no tempo dos meus avós. Nessa altura era a folha, o lápis e a sua imaginação que lhes valia. A maior parte das engrenagens e estrutura interior da OX-Box, foi impressa em 3D, no entanto, nos materiais exteriores por insistência minha, seguiram um caminho mais trabalhoso, mas também mais recompensante. Todos os painéis exteriores, assim como a base, são feitos em carvalho americano. Embora grande parte seja feita com uma CNC fresadora, existe também um trabalho bastante minucioso (algumas peças têm 3mm de espessura) que consiste em lixar, rectificar, colar e neste caso encerar. Este processo tem sido um enorme prazer por um lado, e uma experiência dura a aprender pelo outro. A madeira, ao contrário do plástico, é teimosa, muda de forma, incha, encarquilha, tem diferentes durezas, toques diferentes, cheiros diferentes. É também por essa razão que é prazeroso de senti-la nos nossos sentidos, uma ligação perfeita entre a natureza e o artifício humano. O FORRO DAS NAVES As naves onde os relógios se colocam foram forradas com cortiça, o que não deixa de ser madeira mas, mais suave e perfeita, por forma a não riscar os nossos relógios de pulso. A minha primeira tentativa passou por usar um corte a laser para obter os painéis necessários, mas rapidamente percebi que, se queria algo bem feito, mais uma vez, teria que voltar a utilizar as mãos e uma tesoura. No futuro gostaria de experimentar forrar com alcantara ou outro tecido, o que seria mais uma oportunidade para aprender, anseio por esse novo desafio. INCENTIVO Sem dúvida que estou a desfrutar desta viagem e espero que estas dissertações despertem em alguns de vos a vontade de explorar mais as capacidades manuais e criativas que o ser humano teimosamente transporta no seu código genético. Um abraço Pedro. AGRADECIMENTOS Embora ainda longe de ser concluída, agradeço o trabalho em curso magnífico do Daniel Nascimento na produção de uma esfera oca que capaz de acomodar o mecanismo da FoxBox (esfera). As seguintes pessoas foram essenciais num ou mais pontos destas criações e como tal quero que saibam o valor que isso tem para mim, julgo que muitas vezes as pessoas nem se apercebem como pequenos gestos ou um pouco do seu tempo pode ser tão importante para os que os rodeiam. Tiago Moura - incrível marceneiro de uma gentileza inigualável, alguém que, sem me conhecer de lado nenhum, estendeu imediatamente uma mão amiga Sr. Zé - sabe trabalhar a madeira como pouca gente, ajudou imediatamente com prazer notório Daniel Nascimento - é emocionante o prazer que tem em trabalhar madeira com o torno, mais uma pessoa cujo único motivo na ajuda que oferece é o próprio prazer que retira da criação das peças, algo raro de se ver hoje em dia. Mestre Paulo Anastácio - despertou em mim a vontade para trabalhar a madeira de forma mais manual desformatando o meu preconceito de usar apenas máquinas, o incentivo ao rigor é algo muitas vezes desprezado pelo povo português e a ele agradeço esse apontamento. Gonçalo e Mateus da Reparar o tempo - obrigado pelo profissionalismo e completa disponibilidade para ajudar em várias dúvidas e coisas que foram precisas. Alexandre Melo - se alguém tem prazer a trabalhar a pele é este senhor, sempre disponível para ajudar quando é preciso. Nuno Margalha - não só trabalha a pele de forma incrível mas é um incentivador nato, leva a que as pessoas vivam os seus projectos, sem ele estes artigos não existiam, obrigado. André Sampaio da watchgarage - um exemplo de como criar artigos em pele de um gosto e execução sem par, prontamente disponibilizou trabalhos seus que foram muito inspiradores para mim. Humberto (Aumert) - mestre na mecatrónica e maquinação de metais, uma ajuda essencial na produção de algumas peças em aço endurecido. José Miranda - o seu bom gosto e experiência no mundo das artes e artigos de horologia. Uma ajuda muito preciosa de forma geral. Alguém com uma paixão impar que o tem movido notoriamente contra tudo e todos, para chegar onde acredita. Bruno Candeias - um fotografo incrível com uma paixão enorme por relógios, que desde o início me motivou e demonstrou interesse no projecto, mesmo quando ainda não passava de uma mamarracho colorido e feioso. Alexandre Carreira - uma pessoa com óptimo bom gosto e com uma paciência gigante para discutir comigo muitos dos detalhes de design e estratégicos. Lourenço Salgueiro - mais uma pessoa sempre disponível para ajudar quando é preciso, a prova que às vezes só a paciência de indicar um caminho ou ter alguém a quem pedir ajuda pode ser em si uma grande ajuda. Joao Pancada - um amigo de infância, incentivador, alguém que define o que é ser bem sucedido, um apoio que transmite a confiança necessária que é preciso em projectos destes para ir um pouco mais além da simples atitude de entusiasta. Tia Joana - é normal a família apoiar de forma incondicional os maluquinhos do seu seio, mas neste caso é algo mais, sente-se o seu genuíno interesse não só em ajudar mas em perceber o que raio eu estou a fazer. Obrigado a todos e aos leitores, Pedro

  • OX - NOT JUST A BOX - I

    Por Pedro Eloy Sena Rego Muitos de nós já cobiçámos caixas de relógios com acabamentos refinados, em madeiras nobres, cores escuras e apontamentos em metal. Um altar que nos permite guardar os nossos objectos mais preciosos, os nossos companheiros de pulso, os relógios. Para mim apesar do fascínio sempre faltou algum mistério e cumplicidade nessa dualidade. O que melhor poderá reverenciar os nossos objectos mecânicos do que uma caixa com o seu próprio funcionamento mecânico. Olá a todos, o meu nome é Pedro Sena Rego, sou estudante de doutoramento em engenharia Química e profissional em desenvolvimento de tecnologia farmacêutica. Espero que este trabalho que comecei em Novembro de 2019 inspire outros a tornarem-se inventores. Porque, quando comecei, também eu não sabia absolutamente nada sobre mecânica, materiais ou como prototipar. Felizmente, nos dias de hoje isso não é desculpa, basta existir muita vontade e abusar das plataformas de informação que são uma benção para curiosos como nós. A vontade de fazer algo único surgiu primeiro, e só depois surgiu a ideia de fazer uma caixa misteriosa e dinâmica. Nos últimos anos o desenvolvimento de impressoras 3D super acessíveis e poderosos softwares de desenho 3D tornaram os sonho de “makers” em todo o mundo realidade. No meu caso a paixão por relojoaria mecânica levou-me a este conceito que com muito orgulho sinto que é meu por ser uma ideia original. OX - NOT JUST A BOX Mas vou falar agora um pouco da minha criação, neste momento este projecto está na fase em que estou perto de acabar o design inicial final que pode então futuramente ramificar para se completar com segredos, complicações, diferentes materiais e diferentes configurações. Embora exista muita liberdade na criação de um objecto não quer dizer que não haja regras. Elas existem. Conseguir fazer o que se quer sem as quebrar envolve um trabalho mental e físico esgotante. A OxBox neste momento tem espaço para 8 relógios. Abre-se lateralmente e no topo, apenas com um movimento giratório sobre o seu próprio eixo. Tem ainda um sistema de embraiagem que permite ligar ou desligar o mecanismo central. AS PRIMEIRAS DIFICULDADES Colocar todas estas coisas dentro de uma pequena caixa e de forma a que o utilizador apenas tenha que dar duas voltas à caixa sem muito esforço para esta se abrir, está longe de ser fácil. O espaço é limitado e os materiais têm resistências e pesos diferentes, as tolerâncias reduzidas. Muitas vezes vi-me semanas a trabalhar numa solução para ultrapassar os desafios impostos pelos limites técnicos, para acabar por ter de voltar com tudo atrás e redesenhar tudo. Por forma a manter uma experiência de utilização e um design agradável para o utilizador, é necessário encontrar um equilíbrio entre a técnica, a experiência do utilizador e a estética. PONTO DE SITUAÇÃO ACTUAL Neste momento estou a completar o mecanismo central que alterei recentemente para esconder os carris onde as portas laterais se apoiam e tornar o movimento mais suave e fiável. Para tal desenvolvi um sistema planetário que se encontra ligado ao veio central, este actua em quatro engrenagens que por sua vez “empurram” e “puxam” as portas laterais. O veio central actua ainda de forma independente num sistema de engrenagens que leva os sem-fim a levantar ou descer a porta no topo da caixa. PLANOS PARA O FUTURO O próximo passo é imprimir todas as peças para testar este novo mecanismo. É muito comum ter que fazer pequenas alterações até finalmente acertar todas as tolerâncias para conseguir um movimento que funciona de forma suave e sem esforço. Tenho ainda mais umas alterações até completar o design principal que deixo para discutir nos próximos artigos. Fiquem atentos. Abraço, e não tenham medo de procurar e aprender o que gostam mais! Instagram OX @senna_eloy Senna & Eloy Ox - Not just a Box Developing from scratch a mechanical box for watches

  • OX - NOT JUST A BOX - III

    Hoje é sábado, para mim, um dia favorável à criação, um dos momentos mais criativos que tenho é enquanto estou de olhos fechados deitado a imaginar como resolver os desafios inerentes às minhas invenções. É comum para mim, depois de encontrar a solução começar a extrapolar ramificações, sendo que uma das mais comuns é como automatizar com motores eléctricos os mecanismos. Desta vez foi diferente, divagar não é algo natural num cérebro que regularmente pensa em soluções muito especificas, mas essencial no processo de criação e necessário. E comecei a pensar em porque nós como seres humanos que evoluíram para as soluções mais optimizadas possíveis, ainda temos uma ligação romântica com uma mecânica ultrapassada do ponto de vista da tecnologia. O QUE SE DÁ E O QUE SE RECEBE Existe na alta relojoaria uma atracção por soluções puramente mecânicas, um equilíbrio, uma ligação entre um relógio mecânico e o ser humano. Como se fosse uma realidade em que o primeiro não funciona sem o segundo, uma ligação simbiótica entre máquina e pessoa. Qualquer movimento mecânico necessita de energia, uma lei bem estabelecida no universo, e esta não é gratuita não surge do acaso, é necessário entrar em débito energético para que os nossos relógios mecânicos nos ofereçam em troca a contagem do tempo. Essa oferta da nossa energia a um objecto frio que ganha movimento e se torna quente no nosso pulso tem algo subconsciente de ligação afectiva que vai para além do simples facto de ver as horas. O MELHOR CAMINHO Um dos desafios mais interessantes de criar algo puramente mecânico está em encontrar soluções para que a energia oferecida seja feita de forma ergonómica e eficiente. Nas minhas criações um dos pontos em que dedico mais tempo é exactamente desenvolver os mecanismos para que o trabalho realizado seja prazeroso e agradável aos sentidos. É um processo criativo que muitas vezes não é obvio e desafiante mas extremamente recompensante. O caminho mais fácil seria permitir que a electricidade fizesse todo o “nosso” trabalho, o que não tem qualquer inconveniente tirando o facto de deixar uma sensação de batota e preguiça. Desta forma a dualidade é rompida, como numa relação afectiva que fica fria e distante. O objecto ganha uma vida ilógica, em que se move sem a ligação física e táctil, o som que produz agora não é uma resposta directa ao carinho que lhe demos. Quando crio um novo conceito, começo sempre por torna-lo apenas mecânico, quero sentir e controlar o que tenho nas mãos, só assim me consigo conectar, se eu não sentir as coisas nas mãos tenho dificuldades em criar, imaginar solucionar. É uma ligação primitiva entre os receptores eléctricos das mãos e o objecto, algo que provavelmente se irá perder com as próximas gerações devido à hegemonia do mundo digital. A ESFERA Esta esfera que aqui vêm não é excepção. Seria mais fácil colocar um motor eléctrico a dar-lhe uma rotação precisa para imitar o movimento do nosso pulso, e é algo que possivelmente irei fazer no futuro, não tenho nada contra esse atalho. Mas, a pensar naqueles que como eu tiram prazer de ter um expositor mecânico que depende de nós, da nossa atenção, do nosso toque, para revelar um relógio que por sua vez (se for mecânico) também vai precisar da sua própria quota de atenção. Criei um novo conceito baseado no fascinante movimento de um “gyrotourbillon”, com algumas alterações técnicas. Numa próxima vez falarei de forma mais técnica sobre o que aqui se vê mas por hoje já vai longo o discurso e deixo então ficar apenas um “teaser” do que aí vem. Um abraço para todos, Pedro

  • OX - NOT JUST A BOX - II

    Após o primeiro artigo, trago-vos em mais detalhe o funcionamento da base da caixa. Uma parte essencial neste projecto. Esta é uma base que não serve apenas como fundação, nem tão pouco é um simples apoio que permite girar o “cubo” que sustenta. É uma base que atribui complexidade e dinâmica a um objecto de formas rígidas. Uma caixa tem de se “abrir”, algo que normalmente tomamos como óbvio. Mas como se abre? Neste caso, existem três portas, que deslizam e se expandem revelando o seu interior secreto. E tecnicamente, como se consegue algo tão bizarro? O cubo encaixa num veio ligado a uma base giratória, também conhecida por “lazy susan”. Este veio permite que o cubo rode sobre si mesmo. Neste processo de rotação é criada a tração e energia necessárias para girar roscas, engrenagens e empurrar alavancas. Então e se se quiser apenas girar o módulo principal para observar os relógios? Para tal, a base conta um sistema de embraiagem que funciona de forma binária, ligando ou desligando as duas estruturas. Por forma a tornar mais interessante o sistema de embraiagem, foi adicionado um módulo contendo uma Roda de Genebra. É graças à inventividade e génio de um relojoeiro no Séc. XVII que existe este mecanismo que se move de forma discreta permitindo que um componente “salte” de forma imediata. Uma complicação que adiciona um evento de espetacularidade a um processo puramente mecânico, dando a sensação que algo muda de forma segura, sólida e imediata. Para mais detalhes desta viagem fiquem atentos, Abraço, P. Eloy Sena R.

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